Juntos Enquanto Pudermos
6 Aqui Se Faz Aqui Se Paga
Notas iniciais
A luz da vela foi apagada por um sopro de Daryl.
–Boa noite, Daryl. –eu sussurrei.
–Boa noite, Marry. –ele me respondeu.
* * * * * * *
A noite foi embora tão rápido qual viera. Abri os olhos sentindo que acabara de fecha-los. Minha cabeça latejou e por um momento senti-me desorientada. Olhei ao redor para certificar-me que tudo vivido no dia anterior era verdade.
Os raios do sol invadiam por entre as grades da janela e pelos buracos do lençol pendurado. . Levantei- me com muito esforço. Não fazia ideia que quantas horas se passaram desde que dormi. Contudo, eu estava com fome e certamente todos os habitantes da prisão deviam estar absortos em seus afazeres em prol do grupo.
Escorreguei pela borda da cama e me pus de pé no chão frio de concreto. Instintivamente olhei para a cama de Daryl, ele não estava lá. Achei melhor assim. Arrumei a minha e sai da cela me arrastando lentamente. Fui em direção à cela maior onde ficavam os mantimentos e utensílios. Ao entrar na cela, vi uma pessoa de costa com longos cabelos loiros, era Beth de costas.
–Bom dia –eu disse.
Ela virou-se para mim, sorrindo. Segurava Judith no colo e a alimentava com uma mamadeira contendo Fórmula.
–Oi. –ela me respondeu. –Você está com fome?
Eu assenti.
–Tem umas latas de pêssego em conserva ali. – ela apontou com a cabeça para uma pilha de latas sobre a mesa de madeira. Eu me aproximei da mesa e apanhei uma lata pequena, com um canivete abri a tampa.
Comi em silencio enquanto observava Beth andar de um lado para o outro Com Judith nos braços. A garota realmente tinha jeito para cuidar de crianças. Ela cantava baixinho, brincava em vozes cômicas que só fazemos perto de uma criança. Conversamos pouco. Então ao terminar agradeci a Beth e me retirei pelos corredores indo em direção à parte externa, o pátio.
Maggie e Carol colocavam roupas no varal, Hershel e Rick observados por Carl, estavam escavando a terra do pátio, eu com minha experiência de escoteira, sabia que ali em breve seria uma horta. Sorri feliz por eles, o espaço era bom e se eles cuidassem bem daria bons frutos.
Aproximei-me deles.
–Aqui será uma horta. – disse Rick se aproximando de mim.
–Eh! Eu sei. — respondi sorrindo. –Vocês já sabem o que vão plantar?
Ele me olhou sério.
–Não, não sabemos. Ainda nem temos as sementes. –disse ele preocupado.
–Com relação a isso, eu posso ajudar. – eu disse. –Digamos que eu tenho certa experiência com isso. Passei um semestre inteiro dentro de uma fazenda de imigrantes orientais, observando-os.
Ele sorriu surpreso.
–Então será de grande valia, tê-la no grupo. Passei a minha vida inteira lutando contra bandidos e assassinos para no fim acho que tornei um deles. –divagou ele e percebi amargura em sua voz.
–Não é verdade. Maggie me disse que você era policial antes de tudo isso acontecer e disse também que foi a sua experiência que manteve o grupo a salvo até agora. –ele me olhou admirado e depois divertido para Hershel.
–Viu, Hershel. Tenho até fã clube. –observei os dois rirem. Parecia que não riam a muito tempo. Voltou-se para mim novamente. –Bem, você e Glenn poderiam ir amanhã então atrás de sementes e outras coisas que você julgar necessário. Pois eu não entendo nada de plantação e cultivo.
–Tudo bem. –concordei sentindo-me útil ao grupo. –Quando você quiser.
–Agora temos que falar sobre um assunto sério. –disse ele e seu rosto emoldureceu como uma estátua esculpida há muito tempo em pedra gasta pelo tempo. –Daryl me disse ontem que um homem tentou atacá-la ontem. –eu concordei, então ele continuou. – Ele também disse que vocês iam lá da uma olhada nele, não eh?
Eu assenti.
–Olha, eu sei que nós só lutamos contra os zombies, mais as vezes é necessário enfrentamos nosso temores e fazer algo que até antes de tudo isso acontecer nós julgávamos errados. Entendeu?
Eu assentia, já tinha uma ideia de onde ele chegaria.
–Bem, não sei se você está me entendendo mais, se Daryl julgar necessário mata-lo, ele o fará e você não tentará impedi-lo. Entendido?
Eu assenti novamente. Também pensara nisso quando o deixei para isca de zumbie naquela árvore. Pensei longamente então passei a observar as mulheres lá no fundo estendendo as roupas enquanto conversavam. Olhei para Carol.
–Por que você não vem comigo? –perguntei para Rick.
–Não posso, sou o responsável pelo grupo e preciso estar aqui se acontecer algo. Mais você estará segura com Daryl, ele é bom em achar rastros e sabe se virar se por acaso for preciso. Aliás, ele já está se preparando para vocês saírem. Por que não vai lá conversar com ele e quando voltar nós conversaremos sobre as sementes.
Ele pôs a mão em meu ombro e saiu.
Eu pensei um pouco sobre o que iriamos fazer então percebi que não estava vestida apropriadamente para uma furtiva da prisão. Caminhei até Maggie, ela sorriu a minha aproximação.
–Oi, eu sei que você e Daryl vão sair daqui a pouco. –disse ela. Carol bufou. –por isso levantei cedo e já estendi sua roupa logo de manhã. Elas já estão secas.
Ela me estendeu as minhas roupas dobradas que estavam sobre uma caixa de madeira em um canto. Eu agradeci e me afastei. Voltei para a cela para me trocar. Encostei a cortina e tirei a camisa marrom. Coloquei minha roupa intima e vesti a calça jeans que estava um buraco em um dos joelhos e sentei-me na cama de baixo para por as meias e o coturno preto. Levantei e peguei a camiseta azul.
–Marry. Marry. –ouvi a vos e Daryl me chamando pelo corredor enquanto se aproximava. Vesti a blusa bem rápida e em seguida coloquei o colete jeans por cima.
–Aqui! – eu respondi após terminar. –Aqui dentro.
Ele empurrou a cortina com tudo para o lado e entrou na cela.
–Por que não respondeu? Onde você estava? Estou te procurando um tempão.
–Estava com Rick.
–Hum. Olha eu já peguei uma mochila coloquei alguns mantimentos caso aconteça alguma coisa e vamos a pé, como você disse que ele está aqui na mata não faz sentido ir de carro ou moto.
–Ok. –respondi. –E a minha arma? Eu não irei lá desarmada.
Ele suspirou forte e começou a mexer em seu cinto. Puxou minha automática.
–Toma! E vamos logo quero voltar antes do anoitecer.
Eu o segui pelo corredor sem dizer uma palavra. Estava feliz em ter minha arma de volta e de estar bem vestida e limpa. Daryl colocou uma mochila em suas costas e meu deu outra vazia.
–Caso a gente ache algo que valha a pena trazer. –ele explicou a minha muda pergunta. –Pronta?
–Sim, vamos logo acabar com isso.
Alguns minutos depois nós dois estávamos à beira do portão. Todos eles vieram se despedir de nós. (Carol não falou comigo, mas deu um abraço muito apertado em Daryl). Ela, Maggie e Glenn começaram então, a bater nas grades e a fazer muito barulho atraindo os andantes para longe do portão que foi aberto pouco depois.
–Vão! –gritou Rick, e eu e Daryl começamos a correr em linha reta, matando com facas os que ainda estavam próximos. Então chegamos a floresta.
* * * * *
Não conversamos o caminho inteiro. Estávamos atentos a possíveis barulhos. Hora ou outra encontrávamos um dele pelo caminho. Caminhamos cerca de trinta minutos quando chegamos ao local que eu indicara.
–Foi por aqui. –sussurrei, olhando para cima. –Ali!
O que vi a seguir foi horrível mesmo para os padrões da nova ordem. O sujeito estava amarrado pelos braços, pendurado em um troco grosso da arvore. Seu corpo pendia inerte e suas pernas estavam com os ossos à mostra.
–Os filhos da mãe chegaram primeiro. –disse Daryl.
–Isso é horrível. –eu murmurei sentindo me culpada e lagrimas saíram de meus olhos sem que eu pudesse evita-las. Daryl se aproximou de mim.
–No fim ele mereceu o que aconteceu. –disse ele. As lagrimas vieram em abundancia e senti-me desequilibrada, segurei-me em Daryl e chorei copiosamente em seu peito. Ele passou suas mãos sobre meus ombros e me abraçou até que fui me acalmando. Para mim aquele momento foi como se o tempo tivesse parado e fôssemos apenas nós dois ali, naquele lugar. Então me despertei de meus devaneios e prantos.
O homem sem nome abriu os olhos lentamente e senti um pouco de esperança. Desgrudei meu rosto do peito de Daryl e observei. Então percebi que não havia esperanças, pois quando olhei em seus olhos vi que a maldição já o consumira. Ele olhou para nós e começou a se mexer desesperadamente tentando nos pegar para saciar sua fome incondicional. Seus grunhidos eram muito altos no meio daquele silencio sepulcral.
–Vamos embora daqui, não adianta mais e os gritos dele vão chamar a atenção de outros.
Olhei para Daryl consternada.
–Não vamos nem por um fim nisso?
–Tá. –disse ele soltando-me e puxando sua besta das costas. Mirou naquilo que já foi um ser humano e atirou. Virei-me para o outro lado, não queria ver aquilo que em parte, era minha culpa. –Pronto. –disse ele pegando minha mão. –Vamos.
Eu me virei para olha-lo. Mais o que vi foi muito pior. Meu olhar focou-se em um ponto atrás de Daryl. Uma manada de pelo menos cinquenta zumbies vinha em nossa direção lentamente, ainda não tinham nos visto. Apertei o braço de Daryl e ele olhou para mim sem entender.
–O que foi? –não precisei dizer mais nada pois ele seguiu meu olhar e virou-se. –Pu%$ Q#* P@%#$! Marry, corre!
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