A claridade incomodou os olhos recém-abertos. Aurélio se acostumou com o peso de Julieta dormindo profundamente em seu peito, sua adoração saltava aos olhos. Beijou o seu cabelo mal acreditando que tudo aquilo havia sido real. Olhou o relógio, ainda era bem cedo, se desse sorte os empregados não estariam na cozinha, por outro lado tinha medo de acorda-la ou mesmo de deixa-la, podia ser bobagem, mas temia que tudo fosse um sonho e acabaria a qualquer momento.

Dá uma última olhada nela, conseguindo escapar com sucesso. Ele prepara uma farta bandeja de café da manhã com tudo o que há de melhor. Ao seguir para a escada, vê o arranjo de rosas vermelhas, acaba por pegar uma. Susana se esconde ao ver Aurélio seguindo no corredor, ficando chocada ao presenciar tal cena.

Ele a admira mais um pouco. Vai até a janela, observa o céu límpido e um belo sol, nem parecia que ontem havia chovido tanto. Julieta começa a despertar e sorrir ao ver Aurélio

— Bom dia, Julieta

— Bom dia

— Fiz nosso café da manhã – ela o olha encantada – Eu sei que os empregados podiam me ver, mas...

— Não se importe mais com isso. Depois de tudo que vivemos essa noite, vamos nos assumir diante de todos

Ele encosta a cabeça na dela, ambos compartilhando um momento de carinho

— É tudo que eu mais quero.

— Mas devo admitir que foi uma tremenda falta de juízo sua. Invadir a cozinha assim. Não sabia dos seus dotes culinários

— Há muito para descobrir. – ele coloca um morango na boca dela – Tive que aprender ou morreria de fome, não tínhamos empregados sempre e também era uma forma de eu me divertir com Ema. Fazíamos uma bagunça feliz. Sinto falta desses momentos

— Ema te ama demais – Aurélio sorri – E o que mais de você preciso saber?

— Além de eu ser louco por você? – Julieta fica sem graça – Olha, cuido de cavalos, caso necessite dos meus serviços. Sou romântico e me encantei por uma grande mulher, o resto você vai descobrindo. Eu tenho uma surpresa para você

Eles continuam a tomar aquele delicioso café da manhã

— Chega! Se não irei explodir

— Você precisa se alimentar bem

— Comi mais que o suficiente, Aurélio. Daqui a pouco não entro nos meus vestidos

— Não tem perigo disso acontecer – ele fala malicioso no ouvido dela. Julieta sente a pele se arrepiar com o carinho

— Nossa rosa

— Sem espinhos. Esse tempo da sua vida acabou, espero que essa noite tenha sido feliz e inesquecível para você como foi para mim

Ela se emociona junto dele

— Ainda parece outra realidade, mas a vida está me dando uma outra chance e eu sou grata por tê-lo comigo. Você foi um presente maravilhoso. Encheu de luz minha vida escura, Aurélio. Soube se infiltrar no meu coração, sem eu sentir

— Você que me deu um novo sentido para viver. E tudo começou com você comprando as dívidas do meu pai, essa é uma boa história.

Nesse instante uma ideia ocorreu a Aurélio, mas ele resolveu por hora ficar em silêncio.

— O que foi? Está me olhando de uma forma estranha

— Nada não

A mão dele vai até a nuca dela e puxa, unindo os lábios.

— Que horas são?

— Não precisamos disso, precisamos aproveitar. – esperto, ele já avança nela, deitando-a e enchendo-a de beijos

— Você que ficar quieto. Por mais que eu queira, temos deveres a cumprir, meu querido. Para com essa mão – o filho do barão faz beicinho arrancando uma risada da empresária

— De volta a vida real. Mas ainda podemos pelo menos tomar um banho juntos? – Julieta se espanta – O que foi?

— Apenas admirando seu jeito lascivo

— Só eu né? Quase fiz isso ontem, admita que você pensou o mesmo

— Eeeu? Não sou dada a esse tipo de coisa

Ele a pega pela cintura trazendo-a para si. Julieta fica toda molinha com aquela proximidade, enquanto Aurélio morde os cantinhos próximo ao pescoço.

— Agora admita

— Está bem, eu queria o mesmo que você

— Sabia. – os dois se olham com desejo

— Vamos para meu quarto já. Creio que prepararam meu banho de ervas

Os dois seguem como jovens apaixonados sem se importarem com um possível flagrante. Julieta parecia a jovem que fora anos atrás, antes de qualquer trauma, uma leveza tomava conta do seu ser.

Fez uma analogia com os passarinhos, que ficavam tanto tempo trancados em uma gaiola e demonstravam desconfiança ao serem libertos, assim fora com ela no início, mas agora estava confiante, livre para viver tudo que o amor exigia e não se arrependeu de viver um passo de cada vez, era necessário. Levou quase uma meia vida para encontrar Aurélio, isso só evidenciava que existe o momento certo para tudo, além é claro da pessoa.

Aurélio se apaixonava por cada faceta de Julieta, embora soubesse que a verdadeira estava aqui diante dos seus olhos, as outras eram seu escudo protetor. Ficava tão feliz por ela se abrir, era um homem de sorte. Tomou a decisão certa ao nunca desistir dessa mulher e ficar sempre ao lado dela. Se orgulhava de Julieta não só porquê a ama, mas sim pela fibra que ela tem, por nunca se entregar diante de qualquer desafio. A empresária o inspira a dar o melhor de si, mesmo que haja uma derrota.

Os dois se olhavam com uma mistura de ternura e paixão

— Deixe-me?

— Humrum

O filho do barão vai retirando a roupa dela aos poucos, o toque dele exerce algum tipo de poder sob seu corpo, que logo fica ansioso por mais. Afasta as longas madeixas para desfrutar melhor da nuca, ao iniciar a remoção do vestido, ela segura sua mão.

— Fiz algo de errado?

— Não, é só que... – no escuro era mais fácil, mas agora estava de dia, ele iria ver

— Pode falar, minha querida

— Aurélio, eu tenho certas marcas no meu corpo

— Não precisa continuar. Já entendi, se você não se sentir bem, eu posso me retirar. Porque no que depender de mim, você é perfeita

Ela pensou por uns longos segundos. Prometeu a si mesma não deixar o fantasma do Osório prejudicar mais sua vida

— Vem cá, você está muito vestido

Agora, ambos completamente sem roupa se deixavam envolver pelo cheiro e toques um do outro. Aurélio beijava cada cicatriz, um gesto afetuoso, talvez para Julieta aquilo fosse como a cura para aquelas feridas.

A água estava em um temperatura agradável quando entraram. O aroma de ervas enchia o ambiente. Nenhum deles disfarçava a imensa vontade de se perder um no outro naquela febre muito louca que exalava em seus corpos e novamente se amaram.

*

Susana temia perder seu espaço de vez na vida de Julieta. Principalmente agora que ela estava com Aurélio. Só de pensar nisso sente náuseas. Sem falar na possibilidade dela chamar ele para trabalhar com as duas, Aurélio podia muito bem prejudica-la, descobrindo suas falcatruas. Portanto tinha que livrar-se logo dele, Julieta já se divertiu bastante, era hora de acabar com isso.

Onde já se viu um pedaço de mal caminho daquele se interessar por uma frígida? – pensou de forma irônica

— O que faz aqui?

— Vim lhe cobrar uma ajuda que está me devendo

— Achei que tivesse feito por amizade

— Uma mão lava a outra. Sem mais delongas, quero que você se aproxime de um homem para afasta-lo de uma amiga minha.

— Por que eu deveria fazer isso?

— Além da nossa amizade? Porque eu posso contar aos seus filhos sobre suas puladas de cerca

— Você quando quer é muito baixa, Susana.

— O seu alvo é esse aqui – mostrou-lhe uma foto – Vamos organizar tudo direitinho para que pareça convincente, já que o tolo é de fato apaixonado e dificilmente homens assim traem.

Notas finais
Xiii vai rolar treta sim ou sim?