Notas iniciais
Quase não termino esse capítulo, felizmente eu consegui. BOA LEITURA!

— O que estamos fazendo na sua antiga fazenda?

— Você já vai saber

— Quanto mistério

Ele sorri para a amada. Antes de entrarem no depósito abandonado

— Julieta, você confiou em mim o seu maior segredo, nem de longe o meu se compara o seu, mas ainda assim você e meu pai são os únicos que sabem. Eu vou entender se não gostar, mas peço sua opinião sincera ao ver o que tem aqui dentro. – ela acenou afirmativamente – Feche os olhos por favor.

Aurélio a guiava para dentro do local. Não podia negar o quanto estava nervoso com a expectativa da reação de Julieta, a opinião dela é muito importante.

— Calma

— Cuidado. Pode abrir

A empresária observa tudo com calma, seus olhos exibem um misto de surpresa e encantamento.

— Incrível. Eu não sabia que era um artista

— Não é para tanto, ainda estou pegando o jeito.

— Sim, se aperfeiçoando, mas tem vida aqui. Estou tão orgulhosa de você – ela o beija

— Digamos que eu tenha você como minha inspiração. Eu sempre gostei de pintar, mas quando meu pai descobriu, ele proibiu. Deixei que ele fizesse isso, acabei abandonando as tintas e me tornei um inútil

— Foi. Hoje você trabalha e está retomando. Pensa em expor?

— De jeito nenhum, isso não é para mim. É um lazer

— Aurélio não seja cabeça dura. Se você não acredita em mim, podemos chamar um especialista. Ele avaliará, tenho certeza de que valerá a pena

— A gente fala disso em outra hora. Eu preciso fazer uma confissão

Julieta se assusta com o jeito sério do pintor.

— Pode dizer

— Bem, já faz um tempo, mas certo dia eu fui na sua casa

— E quebrou meu vaso

— Isso também

— Teve mais? – arqueou a sobrancelha

— Sim

— Deixe de rodeios, Aurélio. Conte logo de uma vez

— Certo. Eu fui ao seu quarto, nada proposital, foi por acaso. Entrei no ambiente, me deixei levar pelo desejo de estar ali. E bem, eu a vi nua na banheira, foram poucos segundos

— Eu já imaginava que isso tivesse ocorrido. Você sabe que foi errado

— Me desculpe

— Tudo bem. E aquela tela escondida?

— Então, é sobre isso mesmo que eu ia falar agora.

— Essa... – Julieta se espanta – sou eu?

— Sim. Gostou?

— Parece até que eu posei para você. Eu não sei o que dizer, é estranho.

— Não se preocupe. Essa é nosso segredo

— Como em poucos segundos você decorou todos esses detalhes?

— Detalhes inesquecíveis aos olhos de homem apaixonado

Os dois permanecem naquele clima de romance

*

Darcy e Charlotte observam a felicidade de Julieta ao fazer um belo arranjo de rosas vermelhas.

— Eu nem vi vocês aí

— Percebemos

— Está mais jovial Julieta

— Obrigada pelo elogio, Darcy

— Eu concordo com meu irmão.

— Como vai Elisabeta?

— Vai bem, ela irá entrevista-la, não é?

— Sim, será nessa semana. Confesso estar um tanto nervosa

— Fique tranquila. Bom, eu tenho trabalho a fazer na ferrovia. Já está ficando quase pronta

— Qualquer dia desses irei lá fazer uma visita

— Será muito bem-vinda

Os dois se despedem para alegria da jovem que gostaria de confirmar suas suspeitas.

— Quer me dizer algo, Charlotte?

— Nada demais. Só que um passarinho me contou que você o Aurélio se acertaram de vez, é verdade?

— Sim, sua curiosa – a jovem vibra de alegria

— Ainda bem, Julieta. Fico contente pelos dois. Sejam felizes

— Muito obrigada. Eu pretendo contar as pessoas mais próximas de uma maneira formal. Um jantar

— Será perfeito. Eu posso ajuda-la a organizar

— Aceitarei de bom grado. E você?

— Estou envolvida por um rapaz com um temperamento forte. Italiano não podia ser diferente. Aquele carcamano

— Eu o conheço?

— Não, ele é aqui do Vale. Chama-se Ernesto Pricelli, mas ele me tira do sério.

— Acho que já vi esse filme antes

As duas caem na gargalhada. O resto da tarde conversam bastante, além de trocarem confidências.

*

Josephine havia sido instruída por Susana. Não podia de maneira nenhuma falhar ou sua reputação perante aos filhos estaria perdida. Brandão prometeu-lhe o silêncio, sabia que nele podia confiar. Já Susana uma cobra criada

Ela observa Aurélio fechar a sapataria, então finge um desequilíbrio, sugerindo uma possível torção do pé, despertando a atenção do pintor

— A senhora está bem?

— Eu vou ficar, não quero atrapalhar

— Imagine se vou deixa-la aqui nesse estado. Vamos, apoie-se no meu ombro

— Eu não quero atrapalhar

— Confie em mim, a senhora não atrapalha.

— Tudo bem, senhor?

— Aurélio, pode retirar o senhor

— Josephine

— Para onde vamos?

— Eu gostaria de ir até a confeitaria

— Claro

Josephine se sai bem em seu plano, pois o pai de Ema fica realmente preocupado. Caminham com dificuldade, mas enfim chegam ao estabelecimento.

— Eu não sei como agradecer

— Agradeça ficando bem – Aurélio vai embora

— Espere! Não quer tomar um café? Deixe-me recompensa-lo – ele hesitou – Sente-se, não aceitarei “não” como resposta

Ficou sem alternativa. Acreditava que a dama só queria ser gentil e simpática. Conversaram assuntos triviais. Logo depois ele realmente precisava ir embora, seu dedo bateu na xícara, derramando café em si mesmo.

— Que vergonha desse desastre – os dois começaram a rir

— Tome este lenço

— Vai suja-lo à toa. Não precisa

— Faço questão. Um dia você me devolve

— Está bem. Você quer que eu a acompanhe em casa?

— De maneira nenhuma. Aquele cavalheiro do quartel pode me acompanhar. Muito obrigada

— Por nada. Obrigado pelo lenço

— Boa noite

— Julieta!

— Interrompo algo?

— Não, eu a ajudei e ela gentilmente quis retribuir com um café

— Josephine

— Eu sei. Bom fiquei preocupada e vim ver se havia acontecido algo

Julieta não gostou da cena, a qual viu e nem procurou esconder sua pequena insatisfação. Aurélio se despediu mais uma vez, depois, partiram.

— Está tudo bem? – ela sorriu

— Claro, meu bem

— Julieta, não houve nada demais. Ela estava na mesma rua que eu...

— Aurélio eu já disse que está tudo bem. Não há o que protelar, acredito em você

— Mas...

— Por favor vamos encerrar este assunto, hum?

— Como quiser

Aurélio sabia que esse tudo bem era estranho, porém a mulher não queria explicações, sabia retirar seu time de campo. Era bom não insistir ou pior das hipóteses contrariar Julieta, ela era cabeça dura demais.

A Rainha do Café não entendia do porquê de estar sentindo um entalo na garganta. Para que se importar com aquilo? Ela confiava em Aurélio, mas ficou talvez com raiva? Ele só foi um homem cortes. Sua mente racionalizava tão bem, já seu coração não seguia o mesmo ato.

Ela estava sentindo o desprazer de ter ciúmes e aquilo a afligia. O pior de tudo era querer camuflar isso, no seu íntimo duvidava que pudesse enganar o pintor, em tão pouco tempo ele a lia com extrema facilidade. Nessas horas não gostava muito dessa peculiaridade dele.

Notas finais
Nossa Julietinha sentindo aquele velho ciúmes