Notas iniciais
Oi, leitoras! Adorei os comentários que recebi, sério, vocês não tem noção do quanto me estimularam. Espero que eu tenha correspondido às expectativas hahaha. Façam uma boa leitura

O filho de Afrânio procurava assimilar o que havia acontecido para ter tomado tal atitude tão estúpida

— Algum problema, Aurélio? – o amigo põe a mão no ombro dele. Nunca tinha o visto assim, aéreo. Sempre fora tão centrado — Nada. Vamos levar Ema embora daqui

Nem teve tempo de raciocinar quando ouviu a voz dela ordenando a retirada das máscaras dos convidados. Ele devia ir embora sem nem olhar para trás, por certo esperava uma última troca de olhares, um aceno.

Seu lado racional sabia que estava sendo generoso demais, a mulher há minutos atrás jogaria um vaso em sua cabeça

— Vamos, meu amigo

— Claro, Jorge. Venha, Ema

— Mas papai

Ignorou os protestos da filha

Na charrete um silêncio constrangedor pairava ocasionando a inquietação de Ema. Ela tentava a todo custo chamar a atenção de seu pai, mas ele parecia absorto de tudo

Aurélio pedia/queria esquecer, só isso já o fazia lembrar de como ele não queria soltar Julieta nunca mais de seus braços.

— Papai, o senhor vai ficar aí?

— Não. Que pergunta, Ema

— Há uma hora que venho chamando-lhe. O senhor está tão estranho

— Não pense que se safará de um bom castigo quando chegarmos ao Vale do Café

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A festa tinha se encerrado de forma catastrófica. Julieta odiava ser feita de boba e pior ainda era fazer aquele papel ridículo na frente de todos os convidados.

Susana teve bastante para ouvir por hoje e planejou desmascarar Camilo para sua mãe ou estaria em débito eterno com a Rainha do Café.

Embora esses tenham sido motivos fortes, não eram suficientes para tirar-lhe o sono. Esse “problema” tinha nome, sobrenome e olhos verdes que podiam ficar azuis. Que observação mais ridícula, como ele se atrevia a invadir sua vida e pior ainda seus pensamentos? Se orgulhava de ser uma mulher forte, trabalhadora, empresária e mãe.

Era viúva, mesmo o marido tendo sido um crápula, nunca manifestou interesse em outro homem após sua morte e agora... bem, ela tinha pensado em relutar, em gritar, em chutar certas partes. Nada disso fora feito, ela se entregou ao momento mesmo que por um segundo, porque logo lembrou que aquilo era uma loucura sem fundamento. Não sentia nada por aquele homem, exceto desprezo e talvez pena.

Raciocinando melhor, é óbvio que ele tentaria tirar proveito da situação a seduzindo, assim, impedindo a execução da dívida. Ficou com nojo, passou as mãos nos lábios e lavou bastante

— Você e sua família Cavalcante me pagam. Quem irá tomar as rédeas dos negócios sou eu. Susana é uma incompetente.

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Para alivio de todos Elisabeta e Jane foram encontradas, com isso Ema poderia enfim voltar ao Vale de forma mais tranquila. No caminho pensou em visitar Darcy na casa dos Bittencourt, seu pai ficou desconfortável, mas disfarçou bem.

Levou a filha até o recinto, acabou por não resistir em entrar na casa de sua algoz. Não esperava encontra-la tão rápido seguindo por aquele corredor.

Ficou admirando sua figura concentrada e mesmo seu vestuário sendo composto só por preto ela roubava-lhe o fôlego, uma pena que não pode apreciar por mais minutos, pois logo ela o flagrou. A voz parecia ter desaparecido para os dois

— O que o senhor está fazendo aqui? – ela tentava inutilmente não vacilar mesmo sua respiração estando descompassada – Como ousa invadir a minha privacidade.

— Calma, eu encontrei a porta aberta

— Na minha casa as portas ficam abertas... mas não para estranhos. Por favor, retire-se

Os dois estavam nervosos e saudosistas, porque o beijo que deram insistia em permanecer na memória. Tanto Aurélio como Julieta guardavam a sete o chaves o desejo de ter aquele momento novamente.

— Vim trazer a minha filha, resolvi aproveitar para desfazer qualquer mal entendido que tenha ficado da noite da festa – ficou hesitante diante do olhar impassível dela – do nosso beijo

— Nosso? – era mais fácil se eximir do que assumir

— A senhora me beijou também

— Quanta pretensão

— Pela sua reação vejo que o beijo não saí da sua cabeça, assim como não saí da minha

Nem ele sabia de onde tinha tanta coragem para falar aquelas coisas, mas ele precisava ou enlouqueceria pensando naquela mulher que roubou sua paz

— Culpa e arrependimento são sentimentos martirizantes. – pelo menos ela assumia que tinha beijado tanto quanto ele – E é só nisso que eu penso... qua-Quando lembro o que aconteceu aqui nessa sala. Agora, por favor saía do meu escritório ou vou chamar meu funcionário.

Ela ofegou enquanto falava, esse momento não passou despercebido por Aurélio que se aproximou, enquanto ela escondia que estava trêmula.

— Não me sinto nem culpado, nem arrependido. Não planejei nada, mas se aconteceu é porque a admiração que disse sentir pela senhora é real – a empresária não queria acreditar naquilo, mas não conseguia, seus olhos estavam mais azuis, ela simplesmente não conseguia desviar deles – E se me permite dizer... É importante saber ser admirada, Julieta.

O nome dela parecia mais bonito na fala dele. Só tinham se tratado por senhor e senhora

— Eu não lhe dou essa intimidade... – Aurélio só pensava em toma-la nos braços e beija-la até o ar ficar insuficiente, aliás desde que a viu compenetrada não parou um segundo de pensar nisso. Era uma necessidade quase incontrolável – E o senhor no lugar de meu devedor também não deveria se colocar nessa posição patética de bajulador. Agora, saia daqui, pela última vez. Saia imediatamente

Seu lado racional havia se manifestado e porque também a melhor defesa é o ataque. Corria sério perigo com aquele homem no mesmo recinto.

Mas quando ele saiu se sentou, suas pernas estavam bambas, parecia que toda a tensão sentida pelo seu corpo estava saindo, além de sua respiração que pode finalmente soltar.

Notas finais
Continua