Notas iniciais
Atualização veloz! Isso é tipo o cometa halley acontece uma vez a cada mil anos.

Aurélio acordou com uma baita dor de cabeça, forçava a mente a lembrar-se de algo depois de deixar Julieta e seguir para falar com Ema, mas existia um block. Procurou por Julieta e não a encontrou, o que tornava as coisas mais esquisitas.

(...)

Julieta mesmo não dormindo direito, não se deixaria abater, precisava tocar sua vida, os negócios não esperariam. Caiu numa armadilha do destino, mas se levantaria com dignidade. Logo cedo descia as escadas e não esperava vê-lo por aqui

— Bom dia, Rainha do Café

— O senhor? – ele lhe deu um sorriso cínico – É muita audácia, não é bem vindo nessa casa. Saia agora

— Não precisa chamar seu funcionário, escute o que tenho a falar

— Nada que você venha a falar me interessará

— Nem Jane Benedito ou o sumiço da mesma?

— O que você fez com ela?

Um pânico tomou conta de Julieta, pois lembrou-se de Camilo perguntando-lhe sobre a esposa.

— Vejo que agora posso sentar

— Ande logo e fale onde ela está

— Quieta. Quem manda aqui sou eu

Ela respirou fundo tentando se acalmar para não cometer um crime

— Quanto quer pela libertação?

— Minha negociação não envolve dinheiro diretamente, mas sim, a senhora

— O que?

— É isso mesmo que ouviu, quero que se case comigo

— Não irei me sujeitar a isso

— É? Pois então sua nora e seu neto morrerão. Passar bem, Julieta

Tinha que raciocinar rápido e louco como aquele homem era, se viu obrigada pelo menos momentaneamente a aceitar essa sandice

— Volte! Eu me caso com o senhor – ele sorriu satisfeito

— Pode solta-la

— Acha que sou burro? Só soltarei depois de nos casarmos

— Mas isso pode demorar

— Então se apresse.

— Eu não posso acreditar, por que isso?

— Será que você não entendeu que eu a amo

Ele a tomou pelos braços e beijou, completamente contra a vontade de Julieta que em nenhum momento correspondeu.

— Largue-a agora

— Aurélio?!

— Ora, temos o primeiro a saber do nosso compromisso

— Como é?

— Vamos, meu amor. Fale para ele

Xavier deu um olhar que dizia “um pio sobre Jane e eu a mato”. Sendo uma mulher perspicaz, entrou no jogo.

— É isso mesmo. Eu e Xavier nos casaremos

— Você não pode estar falando serio. E nós? Julieta, esse homem asqueroso quase te matou

— Águas passadas, meu caro Aurélio

— Cale sua boca

— Ou vai fazer o que? – sacou uma arma

— NÃOO XAVIER. – Julieta se pôs na frente afim de evitar uma desgraça – Por favor, vá embora. Depois nós conversamos sobre os preparativos

— Está bem, minha rainha.

Beijou a mão dela e ficou encarando Aurélio. Logo ela limpava a mão no vestido.

— Sou todos ouvidos para essa sua súbita paixão por Xavier.

— Eu não tenho que dá satisfação da minha vida a você

Ele viu que ela não usava a aliança de noivado

— Nós tínhamos um compromisso

— Tínhamos? Parece que você esqueceu ontem a noite

— O que? Eu não entendo sua postura, sua frieza. Ontem estávamos bem, até eu ir falar com Ema e acordar hoje de manhã

— Apenas pare, Aurélio. Você não me fará de idiota uma segunda vez

— Julieta eu peço que pare de falar em linguagem cifrada e me explique de uma vez por todas

Das outras vezes acreditaria que ele realmente não saberia de nada, mas agora desprezava seu falso ar inocente

— Me larga. Chega de teatro. Olha eu devo dar os parabéns, seu papel foi perfeito, só faltou um pouco de cuidado em não ser pego com sua amante

— Amante? Está louca? Eu só tenho você. Vamos esquecer todas essas bobagens e voltar ao que éramos antes

— Não seja cretino, eu jamais voltarei a ser sua. Pode pegar essa aliança e dar a Josephine. Está tudo acabado entre nós, saia daqui antes que eu chame meu funcionário. Nunca mais quero olhar pra essa sua cara cínica

As lágrimas caiam do rosto de Aurélio. Não entendia as acusações de Julieta e doía vê-la jogando fora tudo que viveram, pisando no amor que ele sentia por ela. Se perdia em pensamentos, tentando lembra-se de algo que a fizesse ter esse comportamento tão hostil. Apanhou a aliança do chão

— Eu vou descobrir tudo e você se arrependerá por ser tão injusta. Pela última vez acredite em mim, eu lhe peço

— Quem sabe se eu não tivesse visto, talvez eu o perdoasse, mas não. Você traiu minha confiança da maneira mais sórdida, por quê? Uma vingança por eu ter tomado o que era meu por direito? Deve ter sido. Foi sujo, baixo demais, Aurélio. Eu lhe entreguei o que eu tinha de mais precioso, minha vida, meu coração e você não hesitou em destruir tudo. Se um dia eu lhe fiz em mal, pode apostar que na sua vingança você me fez dez vezes pior – Ela soluçava na tentativa de segurar o choro para se manter firme – Antes eu tivesse me mantido protegida, não estaria sofrendo tanto. Satisfeito pelo mal que você me causou? Vá embora de uma vez da minha casa e da minha vida

— Então é assim?

— Tem que ser. Fora daqui

O filho do Barão se virou para ir embora, enquanto ela soltava a respiração que prendia, mas ele desistiu e ficou frente a frente com a empresária. A segurou bem próximo dos seus lábios

— Vejo que já tem uma opinião formada e não há nada que mude essa realidade, mas quero que saiba que eu a amo, mais do que qualquer coisa, eu a amo com o desespero que corre pelo meu corpo e continuarei amando mesmo não sendo mais nada minha.

As respirações dos dois falhavam, ainda estava próximos, com os olhos cheios de lágrimas

— Você não vê o quanto me faz sofrer. Pare de dizer essas mentiras

Aurélio a beijou, no começo ela tentou resistir, relutou, mas não por muito tempo, em poucos segundos se entregava, não refletiu, agiu no impulso. Sentia-se enojada por dentro, fraca por ficar a mercê de um homem que a enganou, que a usou, mas ele não pisaria no seu orgulho e nem a deixaria sem amor próprio. Conseguiu se afastar

— Seja feliz, Julieta

— Eu serei

Essa era a despedida deles. Um vazio invadia a alma da empresária, procurava a luz e ela havia sumido, só existia escuridão, medo e solidão. Não tinha tempo de se afundar nesse sofrimento, precisava agir contra o tempo e pensar no seu futuro ao lado de Xavier para salvar Jane e o neto.


*

Aurélio andava sem rumo. Transitou entre a alegria absoluta de casar sua filha com o melhor amigo num dia e no outro perder a mulher amada sem nem saber o que de fato fez. Seu coração sangrava, foi até a cachoeira e pensou em cometer uma besteira, mas refletiu e lembrou-se de quem o amava de verdade.

Embora quisesse negar a vontade, iria descobrir a todo custo o que tinha acontecido. Amava Julieta demais para desistir tão facilmente dela, mas lembrou-se das palavras: “É isso mesmo. Eu e Xavier nos casaremos.” Esperava que aquilo fosse mentira. Deixou de chorar e partiu para ir atrás de Josephine, pois Julieta a mencionou, apesar de ser um tão evasiva.

— Boa tarde, essa senhora se encontra hospedada aqui?

— Deixe me ver – esperou alguns minutos – Olha, senhor, ela fechou a conta e foi embora essa manhã

— O que?

Não podia ser, além de ficar sem saber de nada, a única pessoa que podia esclarecer alguma coisa, sumiu sem deixar rastro. Agora tinha certeza de que ele e Julieta estavam sendo vítimas de algum plano orquestrado.

— Susana! Claro só podia ser ela

Notas finais
Vocês choraram? Porque eu sim.