Julieta e Aurélio - Sintomas da Paixão
21 Capítulo 21 - A proposta
Notas iniciais
Os dois estavam deitados na cama em um silêncio meio constrangedor. Ele fazia carinho em seus cabelos
— Está chateada comigo? – a empresária soltou um longo suspiro
— Possivelmente sim. Eu sou nova nisso, Aurélio. Não gostei de vê-lo na companhia daquela mulher. – ele tenta abafar a risada discreta – Eu falo isso e você ri?
— É que é encantador vê-la com ciúmes
— “Encantamento” não é bem o que estou sentindo no momento – é atingido por um tapa de Julieta
— Ai! Que mão pesada. Cadê a mulher que não era dada a esse tipo de sentimento?
— Está bem aqui pronta para... – ele fica por cima dela e a olha de maneira intensa
— Ouvir que não há espaço para nenhuma outra mulher, exceto você. –
Sabia disso, mas não se importaria em ouvir todo dia. Inchava seu coração de alegria. Deu-lhe um sorriso malicioso, antes de conseguir ficar por cima dele, de uma maneira erótica
— Ah é? Eu prefiro que você me mostre que eu sou a única mulher da tua vida
Aurélio parecia bem interessado em desvendar os prazeres ocultos de Julieta em cima dele.
Os dois compartilhavam o lençol. As pernas dela deslizavam sob a dele. Julieta descansava a mão no peito de Aurélio e o observava
— Eu gosto quando me olha assim
— Assim como?
— Apaixonada – ela odiava ser pega em flagrante
— Está convencido demais – Aurélio ri alto – Bom, eu decidi fazer um jantar com a sua família para comunicarmos que estamos juntos, a minha você sabe que Camilo está sem falar comigo
— Está me pedindo em casamento, dona Julieta Sampaio?
— O que? Claro que não – ele fingiu tristeza – quer dizer... eu nunca pensei nisso
— Pois eu penso. Toda hora, todo instante. Você quer ser minha esposa? Aceita dividir comigo seus anseios, suas dúvidas, seus medos, angústias, suas conquistas, sua vida?
Ela não esconde a felicidade, as vezes parecia difícil acreditar em tal realidade.
— Eu já aceitei a partir do momento que entrei na Fazenda Ouro Verde
— Ainda bem, porque esse anel foi o mais lindo que achei para você
— Aurélio não acredito, você é maluco?
— Sensatez não combina com amor, meu bem – ele retirou o anel da caixinha e pôs no dedo dela. – Embora não estejamos em trajes apropriados
— Ou na falta deles
— Ou na falta deles. Obrigado por a cada dia renovar minha vontade de amar. – beijou a sua mão como um perfeito cavalheiro sem desviar os olhos azuis penetrantes dos dela. Para Julieta a cena se desenrolava em câmera lenta – Ficou perfeito
— Por isso você ontem analisava tanto a minha mão
— Confesso. Era por esse motivo.
A empresária deslizou a mão pelo rosto dele, indo pelo cabelo. O homem fechou os olhos se deleitando com aquele afeto
— Você sabe que esse casamento é uma loucura. Somos viúvos. Há certas convenções...
— Não quer correr o risco?
— Não é isso, é claro que eu quero, só estou constatando um fato – em certos instantes Aurélio lhe parecia um jovem inconsequente
— Eu não me importo. Enfrentemos a sociedade. Procurarei me informar com Jorge, vamos dar um jeito. – Julieta sorri – Além do nosso casamento, deve-se fazer um juramento na nossa cama
— É? E como seria esse juramento?
— Que nós pertencemos um ao outro
— Eu estou de comum acordo
Sentados, seus corpos se abraçavam. Julieta buscava uma explicação sensata do porquê de se perder nos braços daquele homem, cada vez que estavam juntos. Ele havia tomado seu coração e corpo para si. Como poderia ter vivido todos aqueles anos sem seu toque, sem os afagos, sem simplesmente em estar próximo do dele? Na verdade só agora sente-se viva, amada e feliz. Para ela já bastava isso, exceto em fazer as pazes com Camilo.
Ao despertar, sabia que tinha dormido além da conta, o seu noivo já havia saído, era no mínimo engraçado chama-lo assim, futuro marido. Apesar das mudanças repentinas, sabia que logo estaria habituada. Ele deixou o café da manhã com um bilhete:
Bom dia
Infelizmente não pude estar aí para ver seus olhos despertarem. Fui a São Paulo, volto dentro de poucos dias. Mal posso esperar para chama-la de Senhora Cavalcante.
Ps: Terá que vestir algo que esconda seu colo
Isso a intrigou, porém quando foi para o espelho viu a marca, resultado de toda aquela paixão de ontem a noite. Mordeu o lábio e foi procurar uma nova vestimenta
*
— Julieta me abraça por favor
— O que aconteceu, Aurélio? Está tremulo
Viu que no momento certo ele falaria, por enquanto só fez o que ele lhe pediu.
Após alguns minutos de silêncio, o filho do Barão explica a situação
— Eu fui traído pelas pessoas que mais amo
— Não estou entendendo
— Eu flagrei Ema e Jorge juntos. Estavam aos beijos, eu que quis fazer uma surpresa e fui surpreendido. Me senti enganado. A minha filha com meu melhor amigo... eu não irei perdoa-los
— Calma. Você está em choque.
— Eu confiava nele como se ele fosse da família e recebo isso.
— Vocês brigaram.
Aurélio tinha alguns ferimentos
— Eu queria mata-lo. Deus me perdoe. Consegui me controlar não sei como – ela cuidava de seus ferimentos em silêncio – Eu nunca podia esperar isso, logo Ema que gritava aos quatro ventos que nunca se casaria. Jorge a viu crescer, eu o acolhi em casa. Será que fui cego em todos os anos? Onde raios Amélia havia se metido? Eles iriam se casar.
— Terminou?
— Eu não vou aguentar se você ficar contra mim
— Não é uma questão de contra ou a favor. Aurélio, me responda uma coisa. Você está com raiva por eles estarem juntos ou por Ema não ser mais uma criança e sim uma mulher?
— Ora... os dois. Parece que foi ontem em que eu trocava as fraldas dela
— Meu querido, Ema é uma mulher feita. Nada mais natural que algum dia se apaixone.
— Jorge tem quase minha idade. Podia ser pai dela
— Mas não é – ele deu-lhe um olhar furioso. Julieta não se intimidou – Aceite-os. Você de todos deveria ficar feliz que ela escolheu um bom homem.
— Eu não queria que Ema tivesse crescido – seu desabafo era honesto
— Aurélio, eu não pai, mas imagino o quanto seja difícil. Mas pense que Ema será feliz, haverá amor. Jorge cuidará dela. Não incorra no mesmo erro em afastar sua filha.
Ele continuou calado, estava cansado, exausto fisicamente e mentalmente para ir adiante, então adormeceu sob o carinho das mãos de Julieta.
*
Eles não falaram mais a respeito de Ema e Jorge. Julieta achou melhor não tocar mais no assunto, embora sentisse Aurélio inquieto. Hoje era um dia importante, o jantar organizado por ela e Charlotte.
— Pronto, finalmente podemos nos arrumar. Mais tarde os convidados chegarão
— Eu não sei como agradecer, minha amiga.
— Faço com todo o prazer, Julieta. Você tem sido como uma mãe pra mim
As duas se abraçaram. Ouvir aquelas palavras tocavam a empresária. Levando em conta o distanciamento dela com Camilo, era bom se sentir importante como mãe para alguém e se ela pudesse ter tido uma filha, seria como a irmã de Darcy.
Aurélio já estava pronto, pensou que seu pai fosse ser mais resistente, por fim acabou aceitando o inevitável. Com o tempo as implicâncias dele com Julieta cessariam e eles seriam felizes. Lembrou-se de Ema, de como gostaria da sua presença, mas era orgulhoso e teimoso. Decidiu que hoje tentaria esquecer isso. Um perfume invadiu despertou seus sentidos
— Eu não o vi
— Mas eu podia facilmente ficar te observando – ela sorriu envergonhada. Era tão encantador
— Vá... – a agarrou por trás beijando suas costas – eu... vou me... atrasar
Ele grunhiu. Não podia continuar se entregando, mas ele apalpava tão firme a sua bunda e seu seio.
Gemeu diante das investidas
— Isso te excita?
— O que?
Adorava provoca-la a ponto de não formular um pensamento.
— Deixe-me alivia-la – subiu a camisola para saber que ela estava sem nenhuma roupa por baixo – Eu adoro quando você facilita as coisas para mim
Ela colocou um pé no banco, os dois de frente para o espelho. Aurélio podia ver o bico dos seios transparecendo. Tocou sua intimidade, seus dedos a invadiram
(...)
— Onde esta a noiva?
— Ela se atrasou, mas já deve estar descendo – Aurélio mal disfarçou o sorriso ao se lembrar do que havia feito Julieta demorar
Logo depois ela desceu majestosamente tal qual uma Rainha. Ele oficializou o pedido, Ema e Jorge chegaram a tempo. Aurélio era pura emoção e não pode deixar de abraçar a filha, sinalizando que tudo estava bem entre eles.
Todos os presentes sentara-se a mesa para se servir. Alguém invadiu a sala
— Eu não aceito esse noivado, dona Julieta Bittencourt
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