Notas iniciais
Quero deixar aqui meu agradecimento e carinho a uma leitora muito especial "Queen of hearts" por uma recomendação maravilhosa. Significa muito pra mim, todo esse carinho e os outros, não se acanhem, porque tenho todos no meu coração, os que comentam, os que só visualizam e eu nem sei quem é, porém vocês que fazem a história acontecer. Sobre o capítulo: se sentem, só digo isso.

Darcy comentou com Elisabeta

— Ele está visivelmente alterado

Julieta ignorou o que ele disse. Respirou fundo, temendo que ele falasse demais. Aurélio e ela se levantaram

— Ele mal se aguenta em pé

— Eu não vou deixar você enganar minha mãe, você só quer o dinheiro dela

Em um lugar na mesa Susana sorria discretamente ao se dá conta que seu plano saia melhor que a encomenda

— Camilo, meu filho vamos para a biblioteca

— Tira a mão de mim

— Fale direito com sua mãe

— Aurélio, por favor – ela lhe tranquilizou através do olhar

— Quem você pensa que é? Meu pai?

— Agora chega, você vai comigo para meu escritório

Ela não sabia da onde retirava forças, mas fez o que devia ser feito. Aurélio pensou em segui-los.

— Se ela precisar de algo o chamará.

— É um assunto de família, por mais que eu quisesse, não interromperia isso

(...)

— Eu estraguei a sua festa

— O que você fez? Está bêbado

— O príncipe do café deplorável. Jane me deixou, se isso a deixa feliz, você que não a queria como sogra, quer dizer, nora

— Eu já sei o que farei

Levou Camilo para um quarto vago ali embaixo mesmo. E ligou chuveiro, mesmo ele relutando, Julieta conseguiu

— Para com isso mãe. Eu não preciso

— Cale-se

— Nãoooo

Agradeceu mentalmente a quem colocou uma xícara de café bem forte na cama. Ofereceu a ele que enrolou, mas acabou tomando alguns goles. Camilo se sentia letárgico, então enfim caiu na cama. Julieta se compadeceu, porque embora a noite houvesse sido um fiasco, seu filho estava ali. Ela deitou a cabeça dele em seu colo, ficou fazendo carinho nos seus cabelos e se permitiu cantar uma canção de ninar. Era o mais próximo que estivera dele em 23 anos.

Ela não notou que também ficara ali, consequentemente dormindo também. Ao amanhecer, Camilo se situava onde estava. Percebeu as mãos protetoras da mãe e no quanto ela estava tão desconfortável naquela cama minúscula. Além da dor de cabeça, boca amargando, lembrou de gritar com Aurélio, um banho e era tudo.

— Meu filho você está bem?

— Na medida do possível. Desculpe pelo vexame, por não acreditar em você. Mãe, eu queria tanto vir te ver, mas eu fui um completo tolo covarde, me senti tão enojado por aquilo. Como se eu juntasse as peças do quebra-cabeça que faltavam. Seu distanciamento, a falta de retratos seu com... aquele ser asqueroso, sua tristeza.

— Ah Camilo

— Por semanas fiquei com vergonha de mim. Eu não sou digno do seu perdão, mas insisto que me perdoe. Se é possível, eu a amo ainda mais.

— Meu filho não há o que perdoar.

Ele se ajoelhou diante dela

— Eu admiro sua fibra, por tudo o que você fez. Eu tenho tanto orgulho de ser seu filho, minha mãe. Posso te abraçar?

— Vem cá

Em meio as lágrimas, as angústias davam lugar a felicidade. Coração de mãe e filho finalmente se entendiam. O perdão mútuo aliviava cada um

— Você não sabe o quanto esperei por esse dia. Estou tão feliz que nos entendemos

— E eu. Me angustiava saber se seria perdoado ou não. Estou em processo para tentar ser um homem melhor

Ela se afastou para olhar o filho

— Você é um bom homem, meu filho

— Agradeço sua fé em mim. Pela primeira vez em anos, vejo seu semblante feliz.

— Eu estou, Camilo. Como nunca fui em minha vida. Eu amo Aurélio e sou profundamente correspondida

— Me acostumei com a ideia de vê-la sozinha

— Eu também achei que fosse ser assim

— Fico contente que você tenha encontrado o caminho da felicidade. O senhor Aurélio é um homem de sorte.

Os dois sorriem um para o outro e dão se as mãos.

— Meu filho, o que aconteceu com você e Jane?

— Desde aquele fatídico dia em que você me contou a verdade. Eu comecei a beber e então ela saiu de casa. Não sei se quer me ver

— Vá atrás dela, se mostre, como fez comigo. Ela há de perdoa-lo

— Você acha?

— Claro. Ela te ama

*

— Um completo incompetente, Petúlia. Já está as boas com Julieta

— Mas madama, assim tão rápido?

— Pois é. Não adiantou de nada dar aquele telefonema e encher a cabeça de Camilito de minhocas

— Você fez o que, Susana?

As duas se assustaram com a entrada de Aurélio

— É... eu liguei para Camilo avisando que Jane se encontrava aqui.

— Não foi bem o que eu ouvi

— Que feio ouvir atrás da porta. Mas pode perguntar a ele, é a mais pura verdade. Antes de você chegar na vida de Julieta, eu já estava, praticamente vi Camilo crescer. Somos amigos

Aurélio não fora convencido, mas resolveu não insistir. Sabia que ela não prestava, mas para convencer Julieta da mesma coisa, tinha que ter provas. Jurou a si mesmo que ficaria na cola de Susana. Há tempos suspeitava dela, sempre dissimulada e irônica demais.

Camilo fez as pazes com Jane e descobriu que ela estava grávida, além do mais, Ema se casaria com Jorge em uma cerimônia ao ar livre na Fazenda Ouro Verde, havia muito o que comemorar.

— Eu, avó. Mal posso acreditar

— Será uma avó lindíssima

— Uma criança para alegrar o lar. Estou tão feliz

— E abençoar. Minha filha vai se casar

— Logo será Ema a lhe dar um neto ou neta. É tão bom poder compartilhar tudo isso com você – Aurélio segura a mão da amada

— De agora em diante teremos sempre um ao outro.

*

Deu-se início a linda cerimônia, na qual, os noivos juraram amor eterno. Aurélio não segurou a emoção em ver sua filha no altar, ao dar a mão dela a Jorge, sabia que havia feito a coisa certa.

A festa em comemoração aos noivos ia de vento e poupa, todos estavam animados.

Dona Ofélia conversava com Julieta sobre a novidade de serem avós. Ao procurar Aurélio não o encontrou, resolveu esperar mais um pouco, talvez estivesse por aí com alguém

— Uma bela festa. Parece preocupada

— Aurélio sumiu. Você o viu, Susana?

— Agora que você falou. Eu fui retocar minha maquiagem e ele estaca subindo, eu desci.

— Obrigada

— Ele pode ter tido algum mal estar

— Irei lá

Julieta sentia um aperto no peito, uma espécie de presságio de que algo muito ruim aconteceria. Antes encontrou Camilo pelo caminho, aflito.

— Mãe, a senhora viu Jane?

— Não meu filho. Só a vi no casamento. Por que? Algum problema?

— Ela foi ao banheiro e não voltou.

— Logo ela deve aparecer. Já falou com Elisabeta?

— Vou falar agora

— Está certo

A cada vez que se aproximava do quarto, a sensação ruim aumentava de intensidade. Abriu a porta e entrou no quarto, um nó se formou na sua garganta, a impedia de falar ou sequer esboçar alguma reação. Não podia acreditar que aquilo era real, possivelmente se tivessem cravado um punhal em suas costas doeria menos que ver Aurélio e Josephine em trajes íntimos na cama, dormindo profundamente e abraçados. Saiu dali, porque estava dando-lhe náuseas. Do lado de fora não chorava, mas sentia a ardência das lágrimas se formando e algo dentro do seu ser se partia a cada vez que respirava.

— Tião, vamos para a outra fazenda

— Sim senhora. Está tudo bem, dona Julieta?

— Apenas me leve até em casa

Não sabe de onde tirava forças para falar, quando sua real vontade dá um tiro em Aurélio e Josephine.

Há quanto tempo eram amantes?

Eram cúmplices que planejavam se livrar dela e ficar com o dinheiro?

Perguntas as quais rondavam a cabeça da empresária. Tudo não passou de uma mentira, ela foi vítima de um plano sórdido.

Não adiantava fechar os olhos, quando apenas uma imagem ficava presa a sua mente. Seu peito sangrava por dentro, doía tanto.

Eu lhe esquecerei, Aurélio Cavalcante, nem que seja a última coisa que eu faça nessa vida. — depois de pensar isso finalmente liberou as lágrimas

Notas finais
Não me matem hehehe