Julieta e Aurélio - Sintomas da Paixão
12 Capítulo 12 - A cupido
Notas iniciais
FLASHBACK ON
Susana contava que após o afastamento de Julieta e Camilo, a empresária a presenteasse com alguma fazenda. Afinal eram anos de devoção, parceria.
No entanto o efeito não fora o esperado. Então aliou-se a Xavier. Juntos tramaram o plano de incitar a população contra Julieta pelo o que aconteceu a família do Barão, além é claro de convencer os fazendeiros a não venderem suas terras.
— Mais um recusa, minha amiga
— Eu não estou entendendo
— Com isso Xavier vem ganhando espaço
— Irei descobrir o motivo dessa recusa dos fazendeiros
FLASHBACK OF
Um grupo de pessoas revoltadas se aglomerava próximo a sapataria
— Mas o que é isso?
— Parecem que eles estão contra você, Julieta – Aurélio percebeu – E ameaçam invadir a loja
— Preciso saber o porquê disso
— Minha amiga não vá, não sabemos o que esses loucos podem fazer
— Susana tem razão. Eu tenho um plano. Lá pelo estoque há uma saída que dá para a outra rua. Eu te ajudo, enquanto Susana saí e procura saber o que está acontecendo
— Eu? – os dois a olharam – Sim, eu vou.
— Parece um bom plano, mas e se na outra rua tiver pessoas que me reconheçam?
— É uma possibilidade
— Então vocês trocam de roupa. Ali tem um espaço
— Não ouse nos olhar – Susana foi enfática
Aurélio ficou fascinado com Julieta em um vestido sem ser preto. A cor pérola caiu-lhe muito bem. Não disfarçou nem um pouco sua admiração
— Está muito bonita, Susana
— Gentileza sua. Agora vão
Julieta se esforçou em não esboçar seu desapontamento. Aurélio estava frio, distante como nunca havia visto. Querendo ou não, isso lhe deu um aperto no peito.
— A passagem é estreita e escura, mas confie em mim
Ele segurou sua mão, ali ela sentiu pronta para qualquer coisa que acontecesse. Ao chegarem na rua, um grupo contra ela passava. Os dois ficaram nervosos em serem reconhecidos e não dava para passar, então com o intuito de disfarçar e um desejo encoberto. Julieta olhou para Aurélio e num ímpeto o puxou para um beijo. O deixando sem ação, mas não demorou muito para ele ceder ao amor que sentia por ela. Logo passou os braços por sua cintura, trazendo-a para mais perto, se deixando dominar por aqueles lábios viciantes, onde pareciam controlar seus pensamentos e seu corpo. Foi quando devolveu o beijo com uma paixão igual.
Julieta estava prestes a explodir de felicidade, o medo havia sido o combustível para tomar aquela decisão, da qual não se arrependera. Era tão bom estar nos braços do homem que amava, mesmo que fosse por uns segundos. Aurélio não queria nada além de ter o gosto dela para acalmar o ardor dentro dele.
Ela cessou o beijo, mas ele rapidamente devolveu um selinho rápido. Ao abrirem os olhos, o amor estava estampado em seus rostos. Se deram conta de que agora não havia problemas e podiam ir embora tranquilamente.
Ao seguirem para a fazenda um silêncio se instaurou. Temendo falar alguma besteira ou mesmo interromper algum pensamento Aurélio apenas segurou a mão de Julieta que estava trêmula, deu um aperto suave e ela entendeu o recado passando o polegar pelo rosto da mão. Ficaram todo o caminho desse modo. Ao chegarem na antiga fazenda do Barão
— É
— Eu
Os dois falam ao mesmo tempo acabam ficando envergonhados
— Pode falar primeiro
— Aurélio, eu o julguei mal. Reconheço isso. Se não fosse você eu não sei o que seria de mim lá na sapataria. Eu te agradeço e peço desculpas por qualquer coisa que eu tenha dito ou feito
— Não tenho o que perdoar, Julieta. Só fiz o que tinha de fazer. Mas essas desculpas incluem o beijo que você me deu?
Um misto de nervoso e raiva tomou conta dela
— Sim... é óbvio. Eu só o beijei para aquela multidão não me reconhecer
Ele preferia não ter ouvido essa parte.
— Entendo. Podia perfeitamente ter voltado para o beco. Está entregue, rainha do café.
— Passar bem
Novamente o deixava ir embora por puro orgulho de não admitir que gostava dele. Medo de se entregar e sofrer, em alguns momentos sentia falta de ter uma amizade com quem pudesse simplesmente conversar.
— Está tudo bem, Julieta?
Ela se assustou, mas logo vira que era Charlotte. Se irritou pelo fato de ter se esquecido da chegada dela e do pai
— Oi, minha querida. Está sim. Fez boa viagem?
— Ótima. Quer ajuda para levantar
— Aceito. Já não sou jovem como você
— Quem dera eu chegar a sua idade com todo esse vigor e beleza
A empresária subiu para tomar um banho e se arrumar, mas antes se olhou no espelho. Fazia tempo que não vestira uma outra cor exceto preto, estranhou muito.
Bobagem pensar em sair do luto. Vestir preto simbolizava também um pouco da morte dela própria. Frequentemente sentia uma vaidade crescente dentro de si, estava difícil continuar ignorando esse desejo.
(...)
— Chá?!
— Vou acompanha-la
A irmã de Darcy sorriu
— Julieta, eu não quero parecer indiscreta, mas está com algum problema?
— Eu? Não. Tudo vai bem no ramo dos negócios
— Mas e o emocional?
— Não creio que essa conversa eu deva ter com você
— Por quê? Pelo fato de eu ser mais jovem?
Julieta ficou envergonhada por achar que ela se intimidaria
— Sim
— Posso ser jovem, mas a vida tratou de me ensinar várias lições. E uma delas é aprender a ouvir seja jovem, maduro ou velho. Mas se um dia quiser desabafar, saiba que estou aqui – apertou sua mão
Acenou de modo afirmativo. Pensando bem ela não tinha amigas, exceto Susana que não era totalmente confiável. Portanto conversaria com quem? Ninguém. Só se confessava e as vezes como o padre bem lhe disse “talvez fosse bom dividir o fardo com alguém”. Agora mesmo parecia a beira de um ataque com o acúmulo de centenas de sentimentos.
— Charlotte?
— Sim
— Será que podemos conversar?
A menina sorriu
No começo fora difícil achar as palavras, mas com ajuda, ela conseguiu explicar de um jeito mais claro a situação envolvendo Aurélio.
— Nem preciso dizer que quero absoluta discrição
— Conte comigo. Fico honrada por dividir seu segredo comigo. Julieta, você está apaixonada por ele.
— Não. Não posso. Eu não devo. Não fui leviana a tal ponto
— Aconteceu sem data marcada. Pelo o que me contou, ele mexe com você
— Ele me irrita, me confunde
— Esse homem faz seu coração acelerar, faz você sentir tanta emoção junta que você não sabe distinguir
— Quero parar isso o mais rápido possível
— Você deve ter motivos fortes para temer o amor, mas veja, os dois estão apaixonados. Vocês não podem recusar um presente desse que a vida lhes deu com tanta generosidade.
— Ele vai se tornar um homem horrível. Vai querer me dominar, me subjugar. Charlotte, eu não posso
— Quem disse isso? Por que antes de se precipitar você não conversa ou busca conhecer Aurélio? Ele sempre está te ajudando, querendo seu bem. Como acha que ele vai mudar?
— Não sei, só acho.
— Se permita ser feliz, Julieta. Não negue essa chance a você e nem ao Aurélio – Julieta se impressionava com a sabedoria da jovem – Vamos fazer assim. Irei promover um baile ou convescote e aí vocês terão um encontro casual para conversar sem envolver dívidas. Só os dois
— Acho imprudente
— Quando você deixar de ter medo vai descobrir que estava perdendo tempo. Deixa comigo
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