Julieta e Aurélio - Sintomas da Paixão
13 Capítulo 13 - O baile
Notas iniciais
A empresária do ramo do café tentou ignorar os conselhos de Charlotte, entretanto ela sabia ser persuasiva. Se compadeceu ao saber do drama, o qual ela soube enfrentar de cabeça erguida. Pensou também no amigo Darcy, no quanto ele deve ter sofrido. Ela foi obrigada a amadurecer muito rapidamente permitindo que falasse com propriedade. Julieta além de ficar à vontade, obteve forte conexão com a jovem, talvez por terem traumas semelhantes, mas ainda não estava pronta para falar sobre seu passado, bastava seu presente conturbado.
— Você nem parece chateada com esse baile feito por Charlotte
— Isso será bom para minha imagem, Susana. As pessoas do Vale precisam confiar em mim novamente
— Perfeitamente. A menina parece mais animada que o normal
— Deve ser impressão sua. A semana está só começando, mas quero que ajude Charlotte no que for preciso
— Como quiser. Eu adoro bailes – a mãe de Camilo não viu sua parceira revirar os olhos
A irmã de Darcy achou melhor Julieta, Susana e Tião distribuir os convites aos moradores do Vale e redondeza, como um sinal de estima. Ao falar com dona da casa de Chá para fornecer a comida, acabou sabendo onde Aurélio estava
— Ele vive com o Coronel Brandão. Uma atitude louvável
— Sim, eu também acho – já estava distraída, reuniu coragem para convida-lo, aliás sua desculpa seria melhor que a encomenda já que o Coronel estaria lá – Pode me indicar o endereço?
— Claro. Um momento. Aqui está, mas creio dona Julieta que eles se encontrem no quarte uma hora dessas
— Ah! Obrigada. Aguardo sua presença
— Até mais
Julieta seguiu pela rua, o sol incomodava, mas a temperatura no Vale era bem mais agradável que em São Paulo sem dúvida, talvez por ser mais arborizado supôs.
Se deslocava pela calçada ainda alheia até seus olhos alcançarem por trás da grade. Faltava-lhe oxigênio para organizar um raciocínio completo. Aurélio estava suado, levantando peso. A camisa branca regata colada ao corpo, exibindo seus braços tonificados, o cabelo assanhado pelos sucessivos movimentos. Engoliu em seco, buscando a saliva que lhe faltava. Agora a temperatura estava elevada, principalmente abaixo de sua barriga.
Ali estava Aurélio pegando sua cintura com firmeza, olhando-a de forma lasciva, sorridente deslizando suas mãos por seu pescoço, rasgando parte do vestido, descendo pelos seus braços, fazendo-a derreter. O corpo dele suado, colado ao dela, inalou o cheiro masculino inebriante. Jogou sua cabeça para trás quando Aurélio atacou seu pescoço em beijos, aquele roçar do cavanhaque na sua pele macia deixava todo o seu corpo em alerta e sua voz rouca de desejo
— Eu te quero tanto, Julieta
As mãos foram para seu cabelo, o puxando para um beijo ardente. Pela primeira vez na vida a mãe de Camilo se permitia ter uma fantasia erótica. Ficou frustrada com o fim e esperava que ninguém tivesse notado seu deslize. Procurou o leque em sua bolsa, precisava de um alívio e sair dali, mas Aurélio resolveu tirar a camisa e se molhar com a mangueira, a cena se desenrolava em câmera lenta, ela memorizava a água deslizando por seu corpo forte.
Levou as mãos a cabeça tentando se recompor, o pai de Ema abriu os olhos e a viu. Não acreditava que ela estivesse saído de seus pensamentos, se desconcentrou dos exercícios por causa da mulher que tinha seu coração. Eles ficaram ali parados, até que Julieta começou a fugir e Aurélio correu para alcança-la
— Você veio falar comigo?
— Eu... eu estava passando – seu olhar não focava no rosto dele, descia pelo peitoral. Aurélio ao perceber estufou mais ainda
Os dois não se importavam com as pessoas trafegando ao redor
— Eu estava pensando em você – ela se virou
— Se recomponha, pelo amor de deus – ele não ouviu sua última súplica
Vestiu a camisa e a levou para falar com o Coronel, embora Julieta não saiba como conseguia falar depois de tudo aquilo...
— Aqui estão os convites para o baile – ela agradeceu que Aurélio não estava por perto, não precisava de distrações
— Conte com minha presença, dona Julieta. Espero que os moradores entendam seu posicionamento
— Eu também espero. Bom, eu vou indo. Entregue esse a Aurélio, por favor. Não poderei esperar
— Claro
*
O baile assanhava todos os moradores do Vale que vestiam seus melhores trajes. A anfitriã não poupou gastos, tudo fornecido era do bom e do melhor. Charlotte cuidava da música para que os pares dançassem e Susana estava de olho no que as pessoas comentavam. A princípio estava contentes.
Julieta trajava um vestido exibindo um leve decote, deixando parte do colo a mostra, nada escandaloso. As mangas eram curtinhas, mas não abriu mão de usar luvas. O preto do vestido não era tão fechado. Finalizava o penteado, além de usar joias, estava pronta para descer majestosamente.
— Boa noite a todos os presentes. Estimo que o povo do Vale do Café se una a mim de forma amigável. O Baile simboliza exatamente isso – todos a aplaudiram – Aproveitem a festa.
Circulou pelo ambiente buscando uma aproximação. Tudo corria bem até o momento.
— Parabéns Susana e Charlotte está sendo uma recepção e tanto
— Eu ainda acho que trazer esses caipiras aqui foi uma péssima ideia – a empresária a repreende com um olhar
— Está muito elegante, Julieta – a jovem pisca discretamente
Olhando rapidamente Aurélio não se encontrava por aqui, uma certa tristeza invadiu seu coração.
Será que ele não vem?— pensou ao apreciar uma taça de vinho do porto
(...)
A hora passou e nenhum convidado mais chegou.
Brandão está aqui. Ele não vem
— Pode ir ao escritório, aquele mais afastado? Acabei esquecendo alguns discos em cima da mesa
— Deixe Julieta aí, eu posso ir
— Não, Susana. Vai ser bom para eu andar um pouco
— Como quiser
Ao entrar no local, vai até a mesa onde estava o que Charlotte pedira, mas alguém apagou a luz
— Quem está aí? Não estou brincando
— Pensei que fosse encerrar a noite sem vê-la
— Aurélio?!
Sentiu ele se aproximar por trás e não pode evitar o arrepio que desceu por suas costas
— Está muito barulhento, o ambiente lá, me diga que quer ficar aqui.
— Eu quero – sua voz tremia
Ele acendeu duas velas e trancou a porta para que não fossem interrompidos.
— Você parece tensa, Julieta. Somos amigos não somos? Está tudo bem
— Tem razão, é que me assustei... bobagem
— Vamos tomar esse vinho. Um brinde
— A que?
— Ao seu triunfo e a nossa felicidade.
Eles se olham de forma encantada
— O luar parece bonito
— Deixe-me abrir essas cortinas. – A luz iluminou o ambiente
— Melhor assim
— Você está magnífica
Julieta não pode evitar de sorrir envergonhada
— Gentileza de sua parte. O seu terno azul realçou seus olhos
— Obrigado – os dois tomam goles doas respectivas taças – Podemos dançar?
— O salão está cheio
— Não lá, aqui
— Ah! Acho melhor não, eu não danço há anos
— Algo em comum a nós
A animação de Aurélio era contagiante. Ele corre para pôr um instrumental
— Vamos acabar com os pés machucados
— É um risco a se correr. Permita-me – esticou seu braço, com um brilho nos olhos
Fale com o autor