Julieta e Aurélio - Sintomas da Paixão

10 Capítulo 10 - Quebra de confiança


Notas iniciais
Vocês vão descobrir um talento oculto do Aurélio rsrsrs Boa leitura :)

A empresária reuniu todas as forças que podia para sair o mais rápido possível dali. Ela cederia se ficasse por maia tempo. Não aguentava olhar para si mesma, para Aurélio sem fazer alguma coisa em relação a eles. Teria muito o que pensar depois de tudo, foi aos dois extremos. Primeiro saboreou os piores sentimentos que um ser humano pode ter: ódio e rancor por Osório Bittencourt, depois, sentiu compaixão, cuidado e...

Aurélio virava sua cabeça pelo avesso. Confundia seus sentimentos, perturbava sua paz, jamais um homem lhe causou tantos problemas de uma única vez. Agora ele aparecia em todos os lugares, no Vale, em São Paulo. Seu desejo era voltar para tomar satisfações afinal nem conversaram sobre a intrusão dele. A quem ela queria enganar? Voltaria lá e tudo o que aconteceria não seria conversa. Pensou em seus lábios afoitos, sedentos pelos dela.

— Eu não posso – segurava o local do ferimento, onde o filho de Barão havia feito o curativo. Partiu para sua casa

Aurélio dormiu que sonhou. Ao acordar sabia que tinha sido real, sabia que ela entrava em conflito perto dele, ainda não aceitava aquele amor

*

— Matilde, prepare aquele banho de rosas. E antes que eu me esqueça: Não quero ser incomodada por ninguém

— Sim senhora

Se despiu daquela roupa, das lembranças ruins e daquele maldito cheiro de cemitério. Retirou o chapéu, soltou os cabelos e se livrou dos sapatos. A água estava morna, no ponto ideal para relaxar, aliviando as tensões. Por vários instantes ficou ali em absoluta tranquilidade

— Bom dia, o que o senhor deseja?

— Eu sou um conhecido da dona Julieta Bittencourt. – ele queria ser bem mais que isso, mas a mulher não colaborava – Tenho assuntos importante a tratar com ela

— Ela pediu para não ser incomodada

— Eu posso esperar se não for um problema para a senhora

— Pode entrar, o senhor fique à vontade para esperar. Qualquer coisa estou na cozinha. É logo ali

— Muito obrigado

Ele olhava os porta-retratos, a decoração, até que decidiu subir as escadas. Não haveria mal em fazer isso, bom, era o que ele achava. Havia um corredor grande que continha uma boa ala de quartos.

— Qual desses será o de Julieta?

Foi no que ficava em frente. Acabou acertando por puro extinto. O quarto estava impregnado pelo cheiro dela, sabia que estava errado ao adentrar ali, mas foi vencido pela curiosidade. Ao menos ali se sentia perto dela, conhecendo mais um pouco do enigma Julieta Bittencourt. Sua intuição dizia para seguir seu coração.

Ao se deslocar pelo quarto viu uma porta pelo o que parecia ser o banheiro. Se aproximou devagar, foi quando seus olhos enxergaram aquela visão que parecia ser esculpida por Michelangelo, da qual jamais se esqueceria. Seu olhar seguia do cabelo molhado até as costas de Julieta, ela tinha uma silhueta de fazer inveja a meninas jovens.

De repente ficou difícil respirar e engolir, sua garganta estava seca, mas o pior de tudo era acompanhar o movimento delicado dela ao usar uma esponja naquele corpo com pequenas espumas. Era o erotismo em carne e osso. Aqueles encantos femininos estavam despertando seus extintos masculinos, o controle de Aurélio estava por um fio. Precisava ir embora dali, não podia continuar, só que ela era a mulher por quem nutria sentimentos fortes e o desejo era um deles. Se virou, não era direito fazer isso com ela.

“Eu não posso fazer isso”

Ao se afastar acabou derrubando um objeto, deixando Julieta em alerta

— Quem está aí? Matilde? – não obteve resposta. Ele já havia ido embora suando frio. Do lado de fora da casa, pegou o lenço para enxugar o suor se formando. Queria pensar em outra coisa que não fosse Julieta nua na banheira. Afrouxou a gravata, aquilo estava apertando demais. Precisava de um suco e um banho muito gelado

— Por que não me respondeu? – a mãe de Camilo se enxugava

— A senhora não me chamou não

— Ora, você esteve aqui quebrou meu vaso

— De forma alguma patroa. Eu estava lá embaixo com o Tião na cozinha

— Alguém esteve aqui

— Eu vim justamente para avisar a senhora que um homem lhe aguarda lá embaixo

— Que homem? – Julieta estava desconfiada – Ande mulher, fale

— Eu não perguntei o nome. Ele disse que tinha assuntos importante a tratar. Pedi para esperar lá embaixo

— Fez muito mal, Matilde. Como é esse homem?

— Ah! Bonitão, maduro, não muito mais alto que a senhora. Cavanhaque e uns olhos verdes

— Aurélio. Maldição

— Como?

— Vá embora, sua incompetente. Nunca mais deixe esse homem pôr os pés aqui.

— Sim senhora.

— Ele foi embora não é?

— Foi.

Antes mesmo de Matilde detalhar o homem, ela já sabia que era ele. Será que ele lhe espiou? Não. Não teria essa audácia. Ficou nervosa ao pensar na possibilidade dele vê-la sem roupa, não que ela tivesse vergonha do seu corpo, apesar que com tanto trabalho as vezes se esquecia de ser mulher, mas era errado invadir um quarto sem permissão ou talvez Aurélio não tenha entrado de forma calculada, ele era curioso e não chegou a ir ao banheiro. Estava defendendo-o? Riu de forma irônica, era uma fase e passaria ou talvez não.

*

Alguns dias tinham se passado no Vale Do Café. Aurélio ainda não havia procurado saber de Julieta, duvidava que conseguisse olhar em seus olhos sem lembrar do acontecido que noite e dia lhe atormentava. Por isso estava enfurnado em um quarto abandonado, era onde se escondia quando criança. Tinha boas recordações e agora ali novamente era seu refúgio e esconderijo. Depois que suas encomendas de São Paulo chegaram, era hora de pôr em prática um talento, a qual estava adormecido.

— Nem acredito que finalizei um quadro. Fazia tanto tempo que não sentia orgulho de mim mesmo

Aquele seria o primeiro de muitos, estava transbordando em inspiração. Foi difícil pegar o jeito dos traços, mas finalmente conseguiu dar voz ao seu coração.

Ao subir de volta a realidade teve uma surpresa

— Estou aqui com o oficial de justiça. Tudo isso aqui é meu

— O que está fazendo, dona Julieta?

— Tomando o que é meu por direito, minha querida. Seu avô e seu pai lhe enganaram, vocês tem dívidas altíssimas, as quais eu comprei.

— Julieta, eu exijo uma reunião. Agora

Todos ficaram perplexos com Aurélio enfrentando Julieta, só Ema que ainda estava em estado de choque.

— Tínhamos um acordo, Julieta. Como pode fazer isso?

Na verdade ele estava mais triste do que com raiva

— Eu decidi voltar atrás. É um direito meu

— Será que sua ganância é tão grande? Não basta ter tudo que já tem?

— Negócios nunca são demais

Foi quando ele se aproximou com lágrimas nos olhos e segurou seu braço firme assustando-a

— Em um momento se mostra aberta ao amor, mas logo fecha a mínima fresta que existe. Eu não consigo te entender

— Eu exijo que me solte

— Eu sei que há sentimentos por trás dessa atitude. Me parece um revés de uma mulher ferida de amor

— O senhor está equivocado. Minhas atitudes são práticas, não tenho culpa se o senhor e o seu pai são incompetentes

Ele a soltou, deixando-a nervosa com a expectativa de um possível beijo. Aurélio se virou para conter a emoção, não queria Julieta vendo sua humilhação, mas um fungado escapou e isso a abalou.

— Nos de um dia para explicações. Garanto que amanhã sairemos, rainha – ele a olhou escondendo o rastro das lágrimas. Sua voz estava rouca

— Tudo bem

Ao deixa-lo sozinho se lembrou dele cuidando do seu ferimento. Foi quando ficou perdida em devaneios. Quando caiu em si:

— Eu preciso afastar você de mim, Aurélio

Notas finais
Xiii gente, agora deu ruim.