João e Maria

4 Ela não queria mais fugir


Notas iniciais
Jennifercosta09 e Alexis M, obrigada pelos comentários! Esse capítulo é pra vocês! É curtinho porque o próximo promete mais! Aos poucos a Dandara vai aceitando o que sente por Gael... Espero que gostem! Bjs!

Dandara adentrou o Perfeitão respirando fundo para conter as lágrimas que insistiam em se formar.

'Bom dia, Lincoln! Tudo bem?' E sem esperar resposta parou à porta da cozinha 'A Delma está por aí?'

'Oi dona Dandara, bom dia! Hoje é o dia do seu Marcelo comandar aqui o restaurante… A dona Delma deve estar em casa. Esses dois tão que tão se evitando, vixe?' Ao reparar na face avermelhada de Dandara, adicionou 'Tá tudo bem com a senhora?'

Dandara assentiu.

'Tudo sim, Lincoln… Só to precisando da minha amiga...' Despediu-se do cozinheiro com um sorriso sincero e virou-se em direção ao apartamento de Delma.

Apoiada em frente à porta, Dandara pressionou a campainha e a porta se abriu imediatamente. Pedro gritava do lado de dentro para Karina esperá-lo.

'Ô Esquentadinha! Só falta o Johnny se trocar que a gente tem aula de dança hoje na Ribalta… Espera mais um pouquinho vai…'

'Ai, Pê, eu tenho que entregar aquele trabalho hoje, lembra? É no primeiro tempo!' Karina mantinha a porta um pouco aberta e respondia o namorado, sem ver Dandara do outro lado.

'E aí você ficar no ponto de ônibus sozinha? Nem pensar! Não vou perder um só minuto da minha Esquentadinha!' Puxando Karina pela cintura, tascou-lhe um beijo que fez Dandara sorrir. Karina então reparou sua presença e se desvencilhou de Pedro.

'Tá bom, Pê, mas vai apressar o seu amigo que eu já to atrasada!'

'Oi tia Dandara! Tchau, tia Dandara!'

'Oi Pedrinho!' Mas o menino já tinha entrado de novo. Dandara voltou-se para Karina. 'Oi Ka, tudo bem com você?'

Karina deu um sorriso forçado e fez que sim com a cabeça. Ela pareceu considerar e virou-se para Dandara.

'Na verdade não, na verdade tá tudo péssimo! E você não tá ajudando, né?'

'Eu?' Dandara ri de leve, confusa 'Eu posso fazer alguma coisa por você? É só falar que eu faço! Quer que eu vá apressar o João?' Passando por Karina, ela já estava no meio da sala quando a menina respondeu.

'Na verdade... Você podia era dispensar logo o meu pai, né?'

Dandara virou-se, franzindo a testa. Karina continuou, falando um pouco mais baixo como se tivesse medo que outra pessoa a escutasse.

'Você sabe que eu não gosto de me meter na vida dos outros, mas meu pai tá lá virando todas as noites falando sozinho com os bonsais… Sem você ele fica ainda mais no meu pé e do Pedro, resmungando pelos cantos... E você já tá em outra, né, Dandara?'

'Ka, não é bem assim, eu não to em outra, na verdade eu estou confusa--'

'Não precisa me falar nada, Dandara.' Karina cortou-a reparando que Pedro saía do quarto com João. 'Só to falando pra você decidir logo o que você quer, tá?'

'Pronto, minha linda, já tá tudo certo pra esperar o busão com você!' Pedro chegava nas duas, já segurando Karina pela cintura. 'Tia Dandara, minha mãe tá lá em cima no quarto! Hoje a dona Delma tá meio mal... A Tomtom tá lá com ela.'

'Karina, me desculpe, mas eu não vou poder te dar a minha bela companhia esperando o ônibus.' João se aproximava do grupo 'Eu tenho mais o que fazer do que segurar vela quente! Entendeu? Quente, esquentadinha...' E virando-se para Dandara adicionou 'Tchau, mãe, te vejo na aula?'

Dandara ainda encarava Karina, mordendo o lábio inferior tentando decidir se deveria responder algo ou não.

'Manhê! Oiê!' João balançava os braços chamando atenção de Dandara.

'Oi, meu filho, desculpa… Fala, você já tá indo pra Ribalta, né?'

João revirou os olhos.

'Liga não, mãe… Já to me acostumando com essas drogas novas que você tá usando... Tão começando a afetar sua atenção, hein? Cuidado que eu ouvi dizer que com a dependência só piora...'

'Cala a boca, João!' Dandara exclamou sem paciência. Karina e Pedro encararam João surpresos. 'Tá vendo? Fica falando besteira e seus amigos acreditam… Vai logo pra aula pra ver se gasta essa esperteza toda com outra coisa, vai!'

Os meninos se despediram de Dandara e Karina deu um sorriso de canto além de um aceno de leve. Dandara retribui o aceno para a menina… Ela só estava tentando proteger o pai. Enquanto subia as escadas em direção ao quarto de Delma, Dandara pensava em Gael e em como em diversas ocasiões ele fora medieval com as filhas, mas elas permaneciam suas defensoras… Por trás daquele jeito turrão tinha um homem muito sensível e elas sabiam disso. Ela própria já havia presenciado em primeira mão algumas vezes… Na verdade, enquanto estavam sozinhos ela mal conseguia reconhecer o homem bruto…

Enquanto conversava com Delma, Dandara não conseguiu contar sobre os acontecimentos que antecederam o almoço. Ela não sabia porque René e Gael haviam brigados, mas poderia imaginar que era parte da intriga. Ela não era o tipo de mulher que ficava feliz em ser disputada por dois homens, na verdade, a rixa entre eles afastava-a cada vez mais de ambos. Mas ficar distante de um deles doía muito mais do que ficar longe do outro. Ela não queria mais fugir, queria resolver.

**

O dia seguinte chegou e como de praxe, Dandara chegara à Ribalta de carona com René. Durante o trajeto eles falaram sobre o João e suas notas escolares. René acreditava que se eles devolvessem os eletrônicos para o filho ele poderia estudar melhor, porém Dandara estava irredutível. Sem os joguinhos e a internet João havia se tornado mais sociável e ela não estava disposta a voltar atrás em sua decisão de banir os eletrônicos.

Da porta da fábrica, Gael observa-a deixar o carro do galã. Seus punhos cerrados ao pensar em René com sua morena. Ele pensou em desistir, virou-se para voltar à fábrica mas de canto de olho viu-a sair do carro. Ela usava um vestido longo, que delineava seu corpo. Seu cabelo caía para um lado e a irritação de Gael passou imediatamente ao vê-la acenar e abrir um sorriso em sua direção. René partiu com o carro para estacionar e Dandara caminhava sozinha em direção à fábrica.

Checando para ter certeza que estava com bom hálito, ele esperou-a chegar à porta.

'Bom dia, Dandara.'

'Bom dia, Gael.' Ela sorria para ele com a mesma ternura que sorria quando eles ainda estavam se conhecendo. Por um tempo permaneceram os dois se encarando, ambos cientes de que queriam outro tipo de cumprimento, nenhum dos dois se atrevendo a tentar algo a mais. 'É impressão minha ou você estava me esperando?'

'Impressão sua, lógico! Quer dizer, um homem não pode ficar parado em frente à sua academia de manhã cedo, não? Não pode pedir para o aluno prodígio dar aula só para que ele possa ter a chance de ver um monumento passar?' e adicionou charmoso 'Sabia que valeria a pena...'

Ela sorriu encabulada.

'O que isso quer dizer, Gael? Você quer conversar?’

'Não.' Ele respondeu de imediato. 'Eu quero outra coisa.'

O olhar de Dandara, antes decepcionado com o 'não' imediatamente se transformou. Ela arqueou a sobrancelha e sorriu de canto, o que provocou arrepios por todo o corpo de Gael. Ele se aproximou dela e tocou seu rosto, passando uma mão por seu pescoço e repousando atrás de seus cabelos.

Isso era golpe baixo. O toque dele em seu corpo fazia os joelhos de Dandara tremerem. Um simples carinho e ela queria se entregar.

'Eu quero outra chance.' Ele pediu. 'Fica comigo essa noite?'