Jovens - Interativa
21 Capítulo 21 - Baile - Parte 2
Notas iniciais
Jovens – Interativa / Capítulo 21 – Baile — Parte 2
Laura estava ciente da mais de meia dúzia de olhares, amigáveis e nada amigáveis que recebeu quando chegou. Internamente não tinha certeza se pretendia ficar por ali por muito tempo, a imagem dos eppendorfs ainda lhe atormentava a mente, de modo que até se esquecia da péssima aparência quando atendeu a porta.
No entanto foi só quando olhou nos rostos de seus colegas de faculdade que se deu conta do tamanho da pressão que lhe fora jogada nos ombros, os olhares de pena pelo irmão, os olhares de culpa por quem perdeu amigos e achava que Andy tinha alguma coisa a ver, os olhares de indiferença por causa de sua personalidade.
Ela quis dar as costas para todos no segundo seguinte. Algo a impeliu a ficar, Israel tinha ido até onde ela morava só pra chama-la, não poderia ir agora.
Como ele descobriu onde ela morava?
Praguejou baixo quando alguém esbarrou em seu ombro, ela estava perto de se acomodar e ainda assim as pessoas não eram capazes de desviar? Estava com a cabeça cheia de mais para colocar seja lá quem for o seu devido lugar. Apesar de certa exaustão interna, sentou-se de maneira mais apresentável que pode.
– Laurinha – Merak sorriu, dando origem a um apelido que ela desconhecia, logo que a viu. Sorriu em resposta – O que vai ser?
– O que você achar melhor – Sua voz soou mais como um murmúrio com o elevado som da música.
– Pode deixar – Ele se virou a procura de alguma coisa.
– Depois não venha dizer que sou quem cheira a bebida alcoólica – Israel comentou de forma descontraída ao seu lado, passando o olhar pelas pessoas a sua volta. Laura não precisou se esforça muito para ver os olhares nada agradáveis que recebia de Helena. Deu de ombros.
– Se eu bebo a culpa é sua.
– Minha culpa? – Pareceu surpreso.
– Você é minha má influência – Comentou em descaso.
Ele balançou a cabeça em negativo, um sorriso convencido nos lábios. Laura agradeceu de forma doce quando Merak lhe entregou uma taça, ele sorriu visivelmente contente voltando sua atenção aos outros.
Laura franziu o cenho quando Israel não pediu nada e levantou a cabeça para encara-lo.
– O que vai tomar?
– Eu pretendo ficar sóbrio hoje, pelo tempo que eu conseguir – Comentou, mas a julgar a cara que fez ele não se sentia muito confortável com tanta gente bebendo a sua volta. Laura se perguntou se deveria pedir outra coisa. Não, se ele não beberia isso era problema dele.
– Vai me contar porque estava chorando?
– Depois de outras quatro taças dessas – Levantou a que tinha em mãos, deixando claro que não ficaria sã – Talvez.
– Laura! – Uma garota muito bem vestida por sinal a chamou, por Israel ter se virado ela se viu na obrigação de fazer o mesmo. Era uma conhecida de passarela, fazia literatura. Soltou um suspiro baixo enquanto ficava de pé.
Seja simpática, pareça contente em vê-la.
Laura sorriu, não era de verdade, mas fora o suficiente para a garota de azul retribuir na mesma alegria, que talvez não fosse tão verdadeira assim. Elas se abraçaram, a garota falou um pouco sobre o repentino sumiço de Laura no mundo da moda e a desculpa que usou foi ter tido alguns pequenos problemas familiares, e que não se via fazendo aquilo para o resto da vida. Convencida do texto decorado de Laura, ela citou que rumo algumas garotas tinham tomado depois de sua saída, e como ela fizera o mesmo alguns anos depois, estava estudando medicina e literatura, era a segunda da turma e queria se tornar cirurgiã plástica. Laura usou sua melhor expressão de interesse, e quando a garota se afastou com um aceno e uma brincadeira de que deveriam marcar para qualquer dia, ela soltou o ar que prendera em seus pulmões.
– Eu quase acreditei que se gostavam – Israel cruzou os braços enquanto ela virava a taça toda garganta a baixo, voltando para seu lugar – Mas eu fiz muito desse teatrinho de amar Deus e o mundo durante tempo o suficiente pra reconhecer.
– Ela estava convencida de que eu sabia o nome dela – Deu de ombros – Já é mais do que o suficiente.
Ficaram em silêncio por alguns minutos.
– Por quê?
– Por que o que?
– Qual a necessidade de ser carismática com algumas pessoas, superior a outras e uma cascavel com outras?
Laura fechou os olhos, era muita ousadia, mas algo lhe dizia que ele estava tentando ser educado, ignorou o insulto.
– Posso te pedir um favor? – Se ela não estivesse na metade de sua segunda taça ela não teria dito aquilo, odiava pedir favores.
Ele permaneceu olhando-a, esperando ela jogar a proposta pra ele recusar.
– Será que hoje podemos só encher a cara e ser Laura e Israel? — Ele franziu o cenho e ela prosseguiu – Só por hoje você não é um alcoólatra sociopata e eu não sou uma vadia vingativa?
Ele sorriu.
– Muito bem, acho que posso tentar.
Ela suspirou aliviada, tinha conseguido se livrar do questionário sobre porque agir como age e todo o complexo porque fazemos o que fazemos.
– Sobre o que nós vamos falar? – Bebericou da taça. Não era forte pra álcool, já podia sentir sua cabeça ficar mais leve e sentia-se a vontade o suficiente pra dançar. Ele ficou pensativo, mas não respondeu. — Diga algo que eu ainda não sei sobre você.
– Depende do que quer saber – Ele não parecia confortável sobre ter que falar de si mesmo, ela ignorou também não se sentia confortável quando sóbria pra falar de si, mas ainda assim sempre falava. Ele teria que aprender a fazer o mesmo. — É mais fácil se você falar sobre você.
– Já sabe mais do que eu realmente gostaria sobre mim, e além de que bebe, tem dificuldade em fazer amizades, e é a pessoa mais louca que eu já vi em cima de uma moto eu nem sei seu nome completo.
Ele sorriu.
– Israel Davis Callen, não que isso seja muito relevante.
– Família?
– Só pai e mãe, sou filho único. São jornalistas. E a sua?
– Tenho um pai, uma mãe, um irmão, dois tios, e três primos.
Israel franziu o cenho.
– Onde estão as mulheres nessa família?
– E a minha vez de perguntar – Sorriu por ele estar curioso – Gostos?
– Jogos, música, atuar – Deu de ombros – Nada fora do normal. Os seus?
– Não sei – Suspirou o corpo mais relaxado – Sou uma pessoa ocupada demais pra sair gostando de coisas ou pessoas.
Israel gargalhou alto, Laura balançou a cabeça confusa.
– Qual a graça?
– Ninguém pode simplesmente ‘gostar de nada’ – Ele fez as aspas com os dedos, girando a cadeira para observa-la – Faz parte da natureza do ser humano meu bem, não pode evitar.
– Você está sendo cínico? – Estreitou os olhos, vendo como o sorriso dele foi diminuindo por ter ficado séria. De repente parecia muito fácil engana-lo – Porque é melhor que não esteja.
– Foi só-
Laura sorriu largamente.
– Relaxa, eu só estou brincando com você.
Israel estreitou os olhos.
– Que maravilha, então você gosta de pregar peças.
~*~
– Muito bem – Um Brandon mais pra lá do que pra cá, colocou o copo vazio sobre a mesa – Vamos fazer um jogo.
– Ah meu Deus – Michelle passou a mão pelo rosto enquanto sorria – Nada vem de bom de jogos entre bêbados e sóbrios.
– Bom então, beba um pouco – Sugeriu de forma inocente, apontando para o bar ainda em funcionamento – Você aproveita e dá uma relaxada.
Onix riu.
– É melhor que tenha alguém são para contar pra você o que você não se lembrar.
– E que jogo vai ser? – Dae cruzou os braços, era o segundo na roda que tinha bebido mais, depois de Brandon – Nada que exija muito do cérebro por favor, não sei se o meu ainda está funcionando.
Josh balançou a cabeça em negativo, desaprovando tudo aquilo.
– Strip Poker.
Onix gargalhou alto.
– Eu não vou jogar strip Poker com vocês – Disse entre risos – Não dá, simplesmente não vai acontecer.
– Ué, por que não? — Ele começou a vasculhar os bolsos – Somos todos amigos não é, você que é uma pervertida, fica ai achando que-
– Gente eu não sei jogar Poker – Michelle pareceu aborrecida.
– Você não sabe o que é s-
– Eu sei qual conceito de Strip Poker – Michelle interrompeu Dae antes que ele terminasse – Não sei jogar Poker.
– Não tem problema, a gente te ensina – Josh deu de ombros e sorriu quando Brandon encontrou o finado baralho.
– Não, não, não – Onix negou firmemente – As garotas estão em desvantagem aqui. Sem querer ofender Mi, mas vocês são três contra duas, e uma de nós não sabe jogar Poker. Sem contar que vocês têm mais peças do que nós, como paletós, gravatas e meias.
– Não seja por isso meu bem – Brandon afastou a cadeira já com a mão em um dos sapatos.
– Não! – As duas gritaram veemente, Brando permaneceu sorrindo.
Onix olhou a volta, há muito praticamente quase todo mundo já tinha ido embora. Já estava praticamente amanhecendo e nenhum deles tinha sono ou vontade de voltar pra casa. Pelo que vira dos rostos que lhe eram familiares, a conversa entre Logan e Genevieve estava agitada demais pra ser interrompida enquanto permaneciam enlaçados em um canto da pista vazia, a música tocando baixinho. O papo entre Merak, Jell e Kaike de um lado do balcão com Israel, Laura, Cass, Cris e Keira também não parecia muito longe de acabar.
– Onde está Lena? – Brandon também ergueu o queixo pra olhar em volta – Ela também gosta de participar dessas coisas quando enche a cara.
– Duvido muito que ela vá sair de onde está agora – Josh comentou com um meio sorriso – Ela e Raymond se desentenderam pelo menos umas três vezes, e nem sei que rumo os dois tomaram.
– Bom, precisamos de mais uma mulher de qualquer maneira, ou eu e Michelle não jogamos.
Brandon bufou ao se levantar.
– Aonde vai? – Dae franziu o cenho e Brandon apoiou as mãos na cadeira, o efeito do álcool fazendo o mundo girar.
– Arrumar mais alguém pra jogar, já volto.
~*~
Keira cobriu o rosto vermelho, simplesmente não conseguia parar de ouvir, tinha a sensação de que ouvira tanta besteira e discordara de tantos comentários idiotas que a única coisa que conseguia fazer era rir, sabia que tinha bebido demais e sofreria com séries dores de cabeça na manhã seguinte se rezasse pra não vomitar.
– Ah meu Deus, acho que ela vai acabar morrendo de tanto rir – Jell lhe deu alguns tapas camaradas nas costas. – Respire ai moça, é importante respirar.
Keira ergueu o rosto afogueado, respirando fundo algumas vezes para tentar se estabilizar.
– Cara, vocês são doentes.
– É uma das minhas melhores qualidades – Mek deu de ombros.
Brandon se infiltrou na roda.
– Alguém consciente o suficiente para jogar Strip Poker? Uma garota de preferência.
– Sinto muito – Laura ergueu a mão – Só se me pagarem bem pra isso, se bem que eu bebi demais pra conseguir pensar em jogar poker.
– Sinto muito também – Cris virou o copo que tinha de uma vez só – Meu irmão me mataria.
– Com certeza – Concordou.
– Eu tenho uma reputação a manter – Keira logo se esquivou dos olhares.
Cass ficou de pé, chamando mais atenção do que gostaria.
– Quem vai jogar?
Merak franziu o cenho.
– Eu, Josh, Onix e Michelle.
– Beleza – A garota deu a volta dos amigos, mas foi segurada por Merak ao passar por este. Brandon já havia se afastado.
– O que está fazendo? – Balançou a cabeça confuso.
Cass tinha um sorriso brincalhão no rosto.
– Eu vou jogar com eles.
Merak ergueu as sobrancelhas. Cass puxou o próprio braço se soltando.
– Qual é, eu não sou propriedade de ninguém não. – Sorriu outra vez, e lhe deu as costas.
– Uh! – Kaike exclamou como se recebesse um chute – Acho melhor você colocar uma corrente na sua garota Merak, antes que ela comece a te fugir do controle.
– Vai se ferrar.
~*~
–Aff Raymond, você não sabe o conceito de brincadeira – Helena não estava nem um pouco contente.
Raymond revirou os olhos, a garota tentava evita-lo a todo custo.
As coisas não tinham se desenrolado como planejava, tinham apostado que aquele que tomasse a iniciativa para beijar o outro perderia, e acabaram se desentendendo uma porção de vezes de lá pra cá, inicialmente como ‘não valeu’ ‘isso não foi um beijo’, e por fim porque a ideia de que nenhum dos dois estava ‘a fim de perder’ começava a frustra-los.
– Ah qual é – Ele a segurou forçando a se virar em sua direção – Não vem descontar sua raiva em cima de mim por eu não ceder, achou que eu fosse algum maníaco descontrolado?
– Sim, achei. A julgar como você consegue se empenhar perfeitamente bem no seu papel de idiota às vezes, achei que seria muito fácil fazer você perder.
Raymond riu em desdém.
– Como se você fosse o exemplo de uma pessoa controlada.
Helena lhe mostrou a língua de modo infantil, voltando a se afastar a passos largos. Escutou Raymond bufar logo atrás. Tinham se infiltrado em um corredor que levava a cozinha e quase se agarraram se não tivessem sido brutalmente expulsos. Estava bêbada, não poderia negar, às vezes cambaleava dando com os ombros na parede pelo corredor estreito e só escutava Raymond bufar atrás de si.
Ele tinha advertido boa parte da noite para que maneirasse e tudo o que fez foi a continuar a beber e ignorar.
Abriu a porta que levava de volta ao salão enraivecida, olhando a volta e vendo como já era tarde. Tinha sobrado apenas rostos conhecidos no salão. Haviam arrastado uma mesa para o meio da pista, e em volta dela, Michelle, Cass, Onix, Josh, Brandon e Dae.
Dae tinha desfeito do paletó e da gravata, Onix estava descalça e o penteado elaborado de Cass havia se desfeito.
Strip Poker, a mente perversa gritou. E ela havia chego atrasada.
Revirou os olhos.
– O que eles estão fazendo? – Raymond parou ao seu lado, a expressão confusa.
– Alguma coisa que não é da sua conta – Jogou seu olhar na direção do bar, vendo Jellal insistir com o braço nos ombros de Keira e Kaike e Cris afastados. Provavelmente brigaram, juntamente com um Merak que esbravejava batendo com as mãos no balcão, Cass tentava contê-lo aos risos.
Logan e Genevieve estavam do outro lado do salão, e algo lhe disse que era melhor não interromper.
Caminhou em direção ao bar, se debruçando no primeiro banco que viu, sentindo seus pés agradecerem.
– Sobre o que estão falando?
Keira franziu o cenho.
– O que é isso no seu pescoço?
Raymond sentou-se dois bancos de distância com um sorriso perverso no rosto. Helena levou a mão de imediato ao próprio pescoço. Jell riu.
– Que bom que você já sabe até que lado que é.
Helena fechou os olhos, sentindo a pele dolorida por debaixo dos dedos.
– Eu vou matar você – Cerrou os dentes enquanto virava a cabeça lentamente na direção do outro. O sorriso de Raymond se estendeu.
– Você vai me agradecer?
– Onde vocês foram? – Keira apoiou o rosto sobre uma das mãos com um sorriso sapeca.
– Encontramos-
– Não importa – Helena o interrompeu – Porque não aconteceu nada, e você está bêbada.
Keira deu de ombros.
– Estou – Revirou os olhos – Mas o meu pescoço está inteiro, e não tenho nenhum irmão chato que vai vasculha-lo amanhã de manhã.
Kaike riu e Helena apenas estreitou os olhos.
– Logan, felizmente, está entretido demais com Gê para lembrar de mim.
O comentário fez parecer Raymond acordar de algum sonho distante.
– O quê? – Ele ergueu a cabeça para vasculhar o salão.
– Vish – Keira virou o que ainda sobrava de seu copo garganta a baixo.
– Acho que já deu né? – Jell tirou o copo de sua mão antes que ela colocasse de volta a bancada.
–Hey! Meu copo!
Raymond ficou de pé.
– Pode sentar ai – Helena se quer deu ao trabalho de olha-lo, tudo o que aqueles dois menos precisam é de um Raymond Inconveniente aparecendo pra causar.
– É claro – Ele revirou os olhos – Porque quando ele nos interrompe ele está sempre sendo conveniente não é mesmo?
– Interrompe vocês no que? – O sorriso de Keira era absolutamente perverso.
– Pare de falar merda, os dois – Bufou irritada em como a situação toda havia se desenrolado.
Um som conhecido começou a soar baixinho.
– O celular de alguém está tocando – Cass cantarolou logo que viu não ser o seu.
– É o meu – Uma Laura suada e animada se debruçou entre Jell e Keira para alcançar o celular esquecido na bancada. Jell ergueu as sobrancelhas surpreso pelo surgimento repentino da garota – É o meu irmão – Passou a mão de qualquer jeito no cabelo antes de atender – Alô?
Ela tampou o outro ouvido para escutar melhor, a bancada toda permaneceu em silêncio.
– Não estou te ouvindo, espera um minuto – Ela deu a volta e sumiu, segundos depois Israel surgiu, arrumando o paletó no corpo.
Metade da bancada se entreolhou.
– Onde vocês estavam? – Helena franziu o cenho.
– Hum? – Ele olhou para amiga meio atordoado.
Raymond riu baixinho.
– Você poderia ser um pouco mais discreta Helen.
– Por que eu deveria – Ela olhou na direção de Raymond deixando a frase morrer, piscou algumas vezes antes de voltar a olhar para Israel com o olhar fuzilando-o – O que estavam fazendo?
Merak tossiu enquanto sorria.
– Acho que você não entendeu o conceito de discrição.
Israel pareceu voltar à razão quando praguejou baixo e endireitou o corpo.
– Não estávamos fazendo nada.
Jellal riu colocando a mão no ombro do outro.
– Estamos todos entre amigos aqui parceiro, não precisa esconder nada da gente. A garota estava eufórica-
Israel empurrou o braço do outro com ignorância.
– Não somos amigos – Voltou a encarar Helena que estava na outra ponta do balcão – Quando digo que não estávamos fazendo nada, era porque não estávamos fazendo nada.
Jellal pareceu crescer.
– Qual é cara, estamos só brincando com você aqui – Comentou empurrando o outro no peito, fazendo com que Keira levanta-se pra entrar no meio, mas de repente ela pareceu muito pequena.
E tudo foi rápido demais para os olhos de Keira acompanhar, Jell tinha a colocado de lado quando recebeu um soco de Israel fazendo-o cambalear e metade das pessoas levantarem, porque quando Jell recuperou o equilíbrio, estava irado.
– Parou! – Foi Kaike quem esbravejou no meio dos dois, Jell estava sendo segurado por Merak, e Keira quanto Helena era a única que tinha conseguido segurar Israel pelo braço sem ser empurrada com brutalidade – São duas crianças agora?
– Pode falar pro seu amigo que não é pra ele tocar em mim outra vez antes q sobre pra ele-
– O que está acontecendo aqui? – Laura surgiu esbravejando tão alto que chamou atenção da mesa do poker. Helena revirou os olhos quando soltou o amigo para voltar para seu lugar.
– Agora chegou à miss pra causar de vez. – Murmurou ao passar por Raymond, no entanto a outra já havia escutado. Laura voltara a ser Laura, encarando Helena de baixo a cima com seu melhor olhar de nojo.
– Se ponha no seu lugar Jackson, porque eu não tenho tempo pra desperdiçar com você agora – Ela voltou sua atenção a Israel – Eu vou embora agora, com ou sem você – E voltou a colocar o celular na orelha, dando meia volta e caminhando na direção da saída.
– Depois a gente se fala – Israel voltou a alisar a roupa indo atrás de Laura.
– Vai, corre atrás dela que nem cachorrinho – Helena resmungou em resposta voltando a revirar os olhos.
~*~
A única certeza que Keira tinha quando abriu os olhos era de que sua cabeça doía, doía, e doía muito. Quis perguntar onde estava, porque tudo era um completo breu a sua volta, mas falar pareceu um sacrifício tão grande quanto se mexer. Sentou-se com dificuldade e ficou de pé sentindo a cabeça pesar.
Nunca mais vou beber na minha vida, prometeu para si mesma, nunca. Quando encontrou a maçaneta da porta e a abriu a rajada de luz que bateu em seu rosto pareceu imensamente forte, fazendo com que cambaleasse pra trás. Segurou firme na parede para se manter de pé.
Nunca mais.
Arrastou-se pelo corredor, forçando a cabeça a raciocinar, não estava na sua casa.
– Bom dia! – Uma voz feminina soou energética.
– Meu Deus – Keira cobriu as orelhas se ajoelhando, teve a sensação de que sua cabeça ia explodir, acabou ajoelhando no chão – Por que está gritando?
Cass se conteve para não rir enquanto se aproximava com um copo em mãos.
– Acho melhor você tomar isso e voltar pro quarto – Sussurrou.
– O que é isso? – Keira sussurrou de volta.
– Vitamina, vai parecer horrível no inicio porque seu estomago não confia em você pra mais nada agora, mas se forçar, até o fim do dia você já está melhor.
Keira abriu os olhos com dificuldade.
– Onde estou?
– Você dormiu no quarto do Jell, não conseguia nem andar até o carro ontem à noite, mas não se preocupe, ele dormiu no sofá e saiu cedo pra resolver uns problemas com a diretora na faculdade, ele não sairia impune por ter levado as bebidas e brigado com aquele idiota.
– Meu Deus – Keira se encolheu no chão – Ele vai levar duas punições de uma só vez.
– Jell vai dar um jeito, ele sempre consegue se safar desses tipos de enrascada, e você precisa se recuperar, vamos, eu te ajudo a levantar.
– Okay – Keira sentiu o corpo reclamar quando voltou a se mexer, mas se colocou de pé e com a ajuda de Cass chegou até a porta do quarto, a escuridão pareceu magicamente bem vinda.
– Não tem luz aqui? – Perguntou por mera curiosidade, queria distancia de qualquer coisa que pudesse se quer enxergar.
– Tem, é logo aqui – Cass indicou na parede, mas Keira não viu nada – O quarto fica escuro assim porque Jell deixa fechado pra quando ele está de ressaca, e como acontece com frequência...
– Entendi – Keira tentou sorrir, mas não obteve muito hesito, pegou o copo de Cass – Obrigada por tudo, me avise quando ele chegar.
Pra eu acabar com a raça dele, quis continuar, mas se conteve, Cass sorriu em resposta e fechou a porta. O silêncio e o escuro pareciam tudo que Keira mais precisava.
~*~
– Bom dia senhoras e senhores! – Logan arreganhou as portas da casa de forma exagerada – Já passa do meio dia, e seria a hora perfeitamente para as princesas e os príncipes largarem de vagabundagem, é o primeiro da das férias de inverno meus amores, está na hora de aproveitar.
Helena cobriu o rosto com o travesseiro, choramingando alguma coisa.
– Por favor, Logan, não – Dae reclamou do outro quarto – Eu te imploro, não faça isso.
– O quê? – Logan berrou alto – Eu não entendi uma única palavra do você disse Dae, poderia repetir?
– Tenha misericórdia Logan, por tudo que é mais sagrado, eu to destruída – Helena se levantou apenas para fechar a porta do quarto. Logan a barrou.
– Se eu não tivesse visto o chupão no seu pescoço ontem à noite, se eu não soubesse que encheu a cara e invadiu a cozinha do salão, se eu não soubesse que bebeu mais ainda e quase saiu no tapa com o seu ex que está mais pra atual, talvez eu deixasse você dormir o dia inteiro.
Helena apoiou a cabeça no batente, a vontade súbita de chorar.
– Minha cabeça dói muito.
– Qual é Logan – Gê apareceu, usava um jeans branco e uma camiseta regata azul piscina – Deixe eles em paz, vão ter tempo o suficiente pra se arrepender de tudo que fizeram na noite passada.
– Obrigada Gê – Lena murmurou – Eu te abraçaria, mas é exigir demais do meu corpo.
– Vou levar Logan pra dar uma volta, tratem de tomar um banho e beber bastante água.
– Ah! Mas eu estava me divertindo tanto, torturando eles-
– Menos Logan – Genevieve forçou a saída dele do quarto – Você não ia querer que ninguém ficasse batendo porta e gritando na sua cabeça quando você está de ressaca.
– Se você soubesse a metade das coisas que essa garota já em aprontou-
– Ta bom, ta bom – Genevieve abriu a porta da rua – Você me fala tudo no caminho até a sorveteria.
– Eles já foram? – Dae ergueu a cabeça do travesseiro.
– Já.
– Abençoado seja – E deixou a cabeça cair.
~*~
– Ainda estão dormindo? – Onix abriu a porta afogueada, colocando as sacolas sobre a mesa da cozinha antes de fechar a porta.
– Estão – Michelle manteve o olhar preso à unha que lixava – Brandon levantou algumas vezes pra vomitar e praguejar, nada fora do comum.
Onix riu. Raymond trocou o canal pela milésima vez.
– Não vai poder assistir se não deixar em um canal só Raymond – Michelle comentou em ar divertido quando ele voltou a apertar o botão.
– Desculpe – Jogou o controle sobre a mesinha de centro – Não estou a fim de ver nada.
– O que aconteceu? – Abaixou a lixa com uma pitada de curiosidade, Raymond estava na escala zero de comunicativo com o pessoal com quem dividia o apartamento quando estava nele, e um negativo quando estavam na faculdade. Talvez ainda estivesse sobre o efeito do álcool.
– Conheço Laura de algum lugar e não consigo me lembrar da onde.
– E porque isso importa? – Onix se jogou sobre o sofá ao lado de Michelle assim que pegou o controle voltando a ligar a TV. – Pensei que estivesse com Lena.
Michelle a repreendeu com o olhar.
Raymond franziu o cenho, tinha tirado breves cochilos depois que deitara em sua cama, nunca fora bom em fisionomias, mas depois que Genevieve dissera que conversara com Laura, e que Laura sabia quem ele era a ideia toda o deixara ainda mais intrigado.
Como se apenas aquilo não fosse o suficiente, seus pais o haviam atormentado durante um bom tempo pelo telefone sobre quererem vê-lo e acabou se atrasando para pegar Helen. Sabia que eles voltariam a ligar no fim da tarde e não gostava nem um pouco da ideia.
Não conseguia se lembrar de onde conhecia Laura, não sabia por quanto tempo ainda conseguiria enrolar seus pais, e Helen estava revoltada com ele e ele mal conseguia entender o porque, hora estavam bem, hora não estavam.
– Não estamos juntos – Comentou ao se sentar – Parece que estamos?
– Não que isso –Onix comentou de modo irônico fazendo com que Michelle levasse a mão ao rosto – Nem me passou pela cabeça.
Raymond franziu o cenho.
– Ela só está brincando – Michelle comentou, se sentindo na obrigação de ser a educada na conversa – É que vocês estão sempre juntos, ou um atrás do outro, e ver você falando de outras parece meio fora dos padrões.
Michelle o observou encarar o chão, ele parecia completamente confuso. Ele deu uma risada sem graça.
– Vocês falam como se estivéssemos namorando.
Michelle e Onix se entreolharam.
– Não estão?
Ele encarou o chão outra vez, Helen estaria brava com ele porque ele não assumira nada sério com ela?
~*~
Israel observou Laura passar a mão pelos cabelos talvez pela milésima vez, nenhum dos dias se quer pregara o olho, depois de terem procurado pelo celular dela o salão todo, ele ainda havia batido em alguém e acompanhado Laura até a casa dela por mera falta do que fazer, porque sabia que se ficasse andando de lá pra cá no salão acabaria enchendo a cara, coisa via que tentando evitar fazer com tanta frequência.
Precisou insistir por pelo menos duas horas pra que ela respondesse o porque da ida pra casa repentina, e graças ao efeito do álcool ela acabou desembuchando metade da história, a enfermeira pegara o celular do irmão dela na cômoda do quarto porque fora a única coisa que o irmão deixara antes de sair.
Sair.
Como alguém cheio de ataduras pelo corpo conseguia fugir de um hospital? Essa era pergunta que ele vinha se fazendo desde que amanhecerá e que Laura fazia para os médicos com quem esbravejava loucamente no telefone. Quando ela não obteve nada conclusivo, tudo o que fez foi jogar o aparelho celular na parede e observa-lo se espatifar.
– Você precisa de um banho – Comentou, estava encostado na parede ao lado da sacada, escondido do sol pela cortina, enquanto o ar abafado das três da tarde entrava pela porta de correr e atingia diretamente no rosto no sofá em que estava.
Surpreendentemente, ela parecia bem por fora aos olhos de Israel, ela não tinha abandonado os saltos mesmo depois de ter em chegado em sua própria casa e queria acreditar que ela era humana o suficiente para estar com os pés doloridos depois de ter andado pelo apartamento inteiro com eles quando estivera ao telefone. Pouco visível, a barra do vestido estava um pouco encardida, mas nada que não perdesse o foco com o bater insistente da perna dela em ansiedade por qualquer noticia. Os cabelos cacheados, marcados pelo elástico, estavam caídos indisciplinadamente pelo ombro, e a maquiagem fora há tempos.
Israel se perguntou como ela conseguia permanecer tão bonita e concentrada quando por dentro deveria estar um verdadeiro caos.
Ela ergueu o rosto para encara-lo.
– O quê?
– Além de questões de higiene, você precisa esfriar um pouco a cabeça, posso sentir sua ansiedade daqui.
Ela piscou meio atordoada.
– Desculpe – E voltou a encarar o chão.
A porta da rua abriu assustando a ambos, tanto que os dois se endireitaram pelo susto, encarando um Andrew em péssimo estado.
As gases nos braços estavam se desfazendo, com se tivesse se enroscado em alguma coisa, o cabelo completamente bagunçado pelo suor que lhe escorria pelo rosto, usava uma camisa que parecia duas vezes maior que ele, então Israel não tinha como saber como as costas estava. Ele revezou olhares entre os dois, mas nenhum som saiu quando tentou falar.
– Onde você estava? – A voz de Laura era uma mistura de medo, preocupação, e algo que Israel identificou como ódio, muito ódio.
Talvez fosse hora de ir pra casa.
Andrew jogou um olhar assassino na direção de Israel, como se de alguma forma ele fosse algum tipo de ameaça, e escondeu uma das mãos, ocupada com alguma coisa que até então não tinha visto atrás do corpo.
– Mande-o embora – Andrew soou tão firme que foi o suficiente pra mente de Israel entrar em alerta, o irmão caçula de Laura podia ter passado por maus bocados para chegar até ali, mas ele ainda era maior que ela e mais forte apesar das feridas mais do que graves.
Não quis sair da onde estava.
– Andrew-
– Agora.
– Israel – Ela se virou na direção dele séria, séria como ele ainda não tinha visto – Você poderia nos dar licença, por favor? Outra hora nos falamos, meu irmão já está em casa e eu me entendo com ele.
Israel ergueu as sobrancelhas, surpreendido.
– Você não precisa fazer isso.
– Sim – Ela soltou um suspiro cansado – Eu preciso, por favor, vá embora.
Encarou Andrew na porta, que mantinha a pose de garoto durão apesar do estado horrível em que estava.
Não é da minha conta.
Sentiu seu ego ser ferido, dificilmente, quase nunca se preocupava com as pessoas, menos ainda com seus problemas, tinha praticamente se oferecido para ajuda-la agora estava sendo colocado para fora. Pegou o paletó jogado no braço do sofá e saiu, sem olhar pra trás.
~*~
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