Journey Into Trickery

28 There Is Still Hope


Notas iniciais
Boa noite, queridonas! Demorei um tempinho, afinal, tinha postado QUATRO capítulos de uma vez durante a atualização passada. Digamos que, a partir de agora, a jiripoca vai piar. =P Depois dessa capítulo teremos ação atrás de ação, e a guerra e as tretas vão começar de verdade. Teremos muito drama, e tem bastante informação neste capítulo, mas tudo terá explicação ao final da temporada. Podem relaxar e aproveitar, então! Como sou cara-de-pau mesmo, peço que continuem comentando e, se não for um esforço digno de concentrar todas as energias na pedra norn da vida XD que recomendem minha humilde história! Tem muito tempo que não recebo recomendações, e sabem como é, escritores são movidos pelo retorno! Estou com 122 leitores garantidos pelo nyah em Living La Vida Loki e 86 favoritações, e 107 leitores em Journey Into Trickery e 53 favoritações. Entretanto, recebo uma média de 10-14 comentários por capítulo e só tenho 17 recomendações :( para o número de gente que acompanha, é pouco! Peço que sejam gentis e compreendam meu pedido, hehehehe! Quanto mais propaganda, mais a história cresce - e posto com mais frequência e afinco - hohohohoh! Aproveito para agradecer a todas as leitoras que sempre comentam e já recomedaram a fanfic, mais uma vez, e reitero o quanto sou grata por todo seu carinho e apoio! Beijos e boa leitura!

Ela só podia ver e ouvir. Nada imperava tão absoluto quanto o silêncio.

E não havia mais nada a ser feito.

Espalhados por uma extensão de terra enorme, jogados em meio a grama devastada, de um Reino antes pacífico, verde e intocado... Inúmeros cadáveres, com seus olhos quase sonhadores fitando os céus escuros de Vanaheim, pareciam ocupar quase todo o espaço disponível do que fora uma vez um campo florido. Deitavam inertes em meio a desolação do local, em outra época repleto de encostas e colinas férteis.

A cena se modificou. Ela sentia seu coração acelerar-se cada vez mais, ameaçando parar, sem ritmo em meio ao compasso do que parecia uma taquicardia incontrolável.

Os rostos de Leah, Boann e Elaine surgiram a sua frente. Cada qual passando rapidamente, como em flashes de luzes, encarando-a profundamente, como se soubessem que ela estava ali, também incapaz de agir, apenas chocada com as terríveis imagens que lhe foram mostradas.

Em suas faces, ela via seus semblantes preocupados, ansiando por algo. Os olhos azuis cor de água de Boann brilhavam tristes, Leah, em sua expressão tipicamente fechada, franzia as sobrancelhas mais do que de costume e Elaine, com seu rosto inocente e pueril, transparecia uma seriedade a qual ela jamais a havia visto portar anteriormente.

A guerra começara.

E o preço já estava sendo pago.

Subitamente, as imagens e silhuetas das três sumiram. Em um ponto além, como se em um terreno elevado que não podia alcançar, vislumbrou, pelo que pareceu uma fração de segundo, o rosto e a silhueta de uma mulher altiva, de grandes tranças loiras, usando um vestido azul que lhe lembrou imediatamente das vestimentas nórdicas dos deuses do trovão e da travessura.

A mulher piscou os olhos, e desapareceu. Julgou ter visto em seu rosto um pequeno sorriso contido, apesar da expressão de profunda tristeza. Algo a agradara.

E seus olhos azuis... Eram idênticos aos de Thor.

Confusa, passou a caminhar em meio a um lugar escuro, o qual não pôde identificar. Seus pés instintivamente iam galgando espaço devagar, pouco a pouco avançando, como se já intuíssem que algo estava errado.

Aos poucos, ela pôde ver uma névoa, uma espécie de cerração descer alguns metros distantes. Foi caminhar até onde vira sua origem, e por trás da branquidão espessa, subitamente uma mulher, uma quase desconhecida, porém cuja existência era muito significativa... Surgiu em meio à névoa.

Irene Rogers sorria melancolicamente. Comprimindo um suspiro de choque, engolindo em seco ao sentir-se por sua vez ser engolida pela culpa já conhecida, ela avançou ainda mais. Sentia que precisava dizer algo, mas ainda mantinha-se um tanto desconfiada. Algo estava errado. Aquilo tudo não era simplesmente... Desconjuntado. Aleatório. Havia um significado maior por trás daquelas imagens.

Tentou tocar as mãos da mulher, sentindo urgir dentro de si a necessidade de desculpar-se mais uma vez, de lhe perguntar se estava em paz, e saber se Marcel Rogers já havia encontrado o lume de sua proteção. Ao chegar muito perto dela, porém, sua imagem se desvaneceu, tornando-se parte da mesma névoa que se mantinha espessa, envolvendo todo o local.

De súbito, alguns metros adiante, viu também outra figura conhecida. Podia aferir quem era apenas por sua silhueta, tão conhecida, tão familiar, tão amada... Jimmy estava parado, de costas para ela, sua postura, porém, mesmo não estando de frente, parecendo-lhe convidativa e acolhedora.

Ela sequer pensou outra vez.

Correndo, aproximou-se de seu irmão falecido. Mesmo o movimento brusco e sem cuidado mantinha o silêncio pairando pesado no ar, junto com a névoa de uma alvura ímpar envolvendo a tudo que lá havia. Ao enfim estar perto do irmão, puxou-o pelo braço, sentindo sua mão tocar firme o tecido de algodão confortável e elegante que ele vestia, em uma camisa de cor rosa clara de mangas compridas. Jimmy, voltou-se para ela, e instintivamente ela sorriu, esperando ver seu sorriso acalentador mais uma vez, dando-lhe a esperança de que tudo seria melhor e poderia de fato dar certo.

Ao voltar-se para si, porém, não vira a silhueta de Jimmy.

O irmão transformara-se em um vulto escuro, usando uma longa capa preta que, ao tocar o chão, parecia unir-se com o solo negro como tentáculos movendo-se sinuosa e ameaçadoramente.

Ela gritou.

A figura baixou o capuz.

Em uma expressão aterrorizante, Hela lhe sorriu, seus olhos mais escuros do que a noite e o submundo a encarando fulminantes. Seu sorriso lhe prometia um futuro sombrio, perigoso... Repleto de agouros.

Assim, em meio a uma taverna de média qualidade no centro comercial de Asgard, Miranda Foster acordou gritando, debatendo-se contra os lençóis. Seu coração acelerado parecia pular para fora de seu peito. Sua mão direita sangrava, apertando firmemente a pedra norn da vida que lhe fora emprestada há pouco por Karnilla, a deusa de Nornheim. Fechada em riste, a mão segurava a pedra como se segurasse, assim, a própria vida.

– Solte isso. – Uma voz conhecida disse ao seu lado direito, o dono dela movendo-se para mais perto da jovem mulher. Sentiu uma mão também conhecida puxar, com firmeza, seus dedos que apertavam a pedra com uma força que ela mesma desconhecia.

– Eu s-sonhei... – Miranda tentou começar, respirando fundo para se acalmar, mas ele a interrompeu prontamente.

– ...Eu sei com o que sonhou. – Loki disse, falando baixo. Seus olhos verdes brilharam banhados pela luz da alvorada que surgia pela janela na parede esquerda do quarto, as cortinas douradas abertas. – Ela esteve por perto. Acordei ao sentir sua presença. – O deus disse, saindo debaixo das cobertas e vestindo-se por meio de sua magia, ao fazer um curto movimento giratório com sua mão direita. Passou a usar os trajes verdes e pretos que ela o viu vestindo quando se conheceram, no que parecia ter sido outra vida, em New York.

– Ela percebeu a nossa? – Miranda perguntou, preocupada, segurando os lençóis com as mãos. Sentiu a mão direita arder, quando a ferida aberta tocou a seda do tecido.

Loki aproximou-se dela, circundando a cama, e tomou-lhe a mão direita. Voltou a palma dela para cima, examinando a ferida. Seus olhos verdes pareceram semicerrar-se, como se portasse um misto de preocupação... E raiva. Raiva que, instintivamente, Miranda sabia não estar relacionada com ela, e sim com quem a fazia sentir-se tão desprotegida. Sentiu seu coração se acelerar mais uma vez, enquanto o deus conjurou o feitiço de cura que já a havia ensinado, e aquilo fez seu peito aquecer-se por inteiro. Algo em sua voz enquanto proferia as palavras mágicas denunciava a preocupação evidente em seu rosto, e Miranda sentiu-se, por uma fração de segundo... Querida, por ele. Sou uma idiota mesmo.

– Não. Senão não estaríamos aqui. – Ele respondeu grosseiro, sorrindo-lhe debochado, atestando o lógico. Miranda, ofendida pela gravidade da situação, tirou sua mão direita de perto dele, levantando-se e movendo-se para longe do deus. Vestiu o roupão transformado por Loki na seda mais fina de Asgard, também de coloração negra e esverdeada, ignorando o membro de seu corpo que parara de sangrar.

– É curioso que a magia da pedra norn da vida não cure feridas que ela mesma causa. – O deus da trapaça lançou a sugestão, e Miranda percebeu o que queria dizer. Levantando uma sobrancelha, ela ajeitou seus cabelos castanhos, e voltou seu rosto para encará-lo.

– Acha que isso pode ser útil mais tarde? Contra... Certas pessoas? – Ela perguntou retoricamente.

– Acho que isso pode ser útil de mil maneiras diferentes. – O deus respondeu com uma de suas mãos acariciando seu próprio queixo, refletindo, seus olhos verdes perdidos no lençol dourado que agora passara a examinar. Devagar, moveu-o para olhar para as manchas do sangue de Miranda, derramado pela ferida aberta na palma de sua mão direita. O ferimento era sempre aprofundado quando nervosa pela proximidade de Hela.

Ela olhou para a própria mão, estudando os contornos do machucado. As marcas tornaram-se ainda mais visíveis. Em seguida, mordendo os lábios por ansiedade, moveu os dedos da mão direita para levantar a pedra norn da vida pendurada em um colar ao redor de seu pescoço, um pouco acima de seus seios. Puxou a pedra, e reparou que aparentava a cor cinza e discreta de quando seus poderes não estavam em uso.

– O peso do Anel está me esmagando, meu caro Sam moreno, de olhos verdes e gostoso. – Miranda debochou, citando o personagem Frodo Bolseiro de “O Senhor dos Anéis”. A ligação profunda e fortalecida que desenvolvia mais a cada dia com a pedra norn da vida era algo no mínimo surpreendente.

Mas tinha de reconhecer o mais assustador: não sabia quais eram os limites de tal artefato mágico. E, muito menos... A dimensão de seus poderes.

Ignorando seu comentário que para si deve ter parecido sem sentido, Loki foi em direção a porta dos aposentos, parecendo não querer encarar a mão de Miranda. O gesto de desviar o olhar dessa parte do corpo dela poderia não ser perceptível para outros, mas ela convivera por tempo suficiente – e ininterruptamente – ao seu lado, para perceber esse detalhe.

O que não significava que sabia aferir o real significado de tal gesto.

– Preste atenção. – Loki a acordou de seus pensamentos, movendo uma de suas mãos no mesmo gesto giratório que fizera para vestir-se a si mesmo quando se levantaram. Sua aparência se modificou, voltando a aparentar ser o mesmo homem ruivo, de olhos cor de mel como os reais olhos da jovem mulher, usando as roupas campesinas da noite passada. Miranda sentiu a magia de Loki transformá-la na mesma aparência que se disfarçara na noite anterior, em uma mulher jovem de longos cabelos negros, de corpo esbelto e de físico mais avantajado, com olhos de lince, negros e astutos, assim como as mesmas vestimentas também. – Este é um momento muito importante. Não há como fugir mais: hoje será o dia da conferência com Odin. – O deus atestou, sem esperar chance de resposta, enquanto abria a porta do quarto.

Como que chamados por magia, no corredor estavam alinhados Thor, seguido de perto por Sif e os Três Guerreiros, todos portando os mesmos disfarces conferidos pela magia ilusória de Loki.

– “Boy, that escalated quickly.” – Miranda comentou, levantando as sobrancelhas. Tentou disfarçar que engolira em seco com a piada que, claro, nenhum dos aesires poderia sequer entender, mas seus pensamentos já estavam povoados com a ideia aterrorizante e preocupante de enfim conhecer o deus mais poderoso de todos os Nove Reinos.

E o fato de que, provavelmente, ele não estaria nada feliz consigo. E muito menos com o presente desagradável que seria esta última – e maior – travessura de seu filho desgarrado.

****

Caminharam pelas ruas e vielas de Asgard, envoltos em um silêncio solene que só lembrava Miranda do próprio sonho desagradável que tivera. Ao passar pelas ruas douradas e literalmente divinas que permeavam a Cidade Dourada, Miranda sequer podia aproveitar o passeio e apreciar toda a sua beleza resplandecente, mas apenas morder seu polegar, tentando conter com dificuldade todo o seu nervosismo e ansiedade.

Teria ela tido um dos seus sonhos mediúnicos? E se tivera, o que aquilo significara?

Queria parar e conversar a respeito com Loki que, presumivelmente, a tratava com distância e frieza depois daquela noite. O que acontecera entre eles horas atrás parecia ter acontecido há eras, tamanha a aura de perigo e seriedade que rondava aquele grupo. Sabia que aquele tratamente não era gratuito, havia algum sentido por trás, mas era difícil suportar mais uma vez seu comportamento frio quando mais precisava de apoio emocional.

Quando estavam próximos do Palácio de Asgard, Miranda parou de caminhar instintivamente. Nem mesmo o que estava por vir era capaz de impedi-la de olhar, com assombro, a magnitude e a grandeza do que era, sem dúvidas, a obra arquitetônica mais impressionante que seus olhos tiveram a chance de apreciar.

– Incrível... – Miranda disse, seu queixo se abrindo, enquanto Sif sequer a esperava, caminhando em direção ao Palácio metros adiante. A maior parte do grupo se afastava dela, mas a jovem mulher não conseguia dar mais um passo, enquanto atestava a grandiosidade do lugar. Parecia uma construção feita para centralizar todos os caminhos possíveis em sua direção, unindo tudo à sua incomparável majestade.

Seus picos e torres dourados iam pouco a pouco guiando a visão para seu centro, no qual a mais alta das torres crescia esplendorosa, e um enorme portão com o símbolo incrustado no Mjolnir, a triquetra nórdica e celta, já conhecida por Miranda em Midgard, atraía o olhar de todos. Em uma mistura de medieval e moderno, via, ao longe, pátios com jardins e muralhas douradas envolviam o Palácio mais belo que ela tivera a chance de ver, e sentia-se pequena e insignificante perante sua amplidão e magnanimidade.

Sentiu dedos discretamente fecharem-se, com delicadeza, ao redor de seus punhos, como se incentivando que mantivesse seu foco e continuasse a andar mais. Quando acabara de perceber que já estava caminhando em uma espécie de corredor enorme a céu aberto que, junto a muitos outros, guiava o caminhante para a mesma porta central do Palácio, ela voltou seu rosto para quem a tocava.

Loki, em sua aparência distinta da original, mesmo por trás de tantos traços físicos diferentes, vestimentas diversas das quais lhe eram costumeiras, a lançou um olhar tipicamente seu.

E aquilo lhe bastava.

Miranda não precisou de palavras reconfortantes, ou frases acolhedoras. Como uma vez o sorriso de seu irmão a confortara, o olhar significativo de Loki, mostrando um pouco do menino travesso e esperto que ainda vivia dentro de si, já lhe dissera tudo o que precisava.

Mesmo que por meio de olhos cor de mel como os seus, e não pelas íris que traziam o lume verde que mais amava em todos os Nove Reinos.

Sentindo seu coração retumbar em seu peito pelo toque e gesto significativo do deus, Miranda mais uma vez condenou-se a si mesma como uma tola perdida.

Perdidamente apaixonada.

****

– Quem deseja adentrar o Palácio Real? – Após de fato alcançarem as portas do Palácio Real, foram recepcionados. Um dos guardas da Guarda Real de Asgard, trajando capas e elmos dourados como toda a cor predominante do Reino, perguntou austeramente para o grupo.

– Precisamos conferenciar com o Pai de Todos. – Thor, agindo como líder da comitiva, ainda usando o disfarce, respondeu. Os guardas mantiveram a mesma postura, responde-lhe por vez com outra pergunta:

– Por qual motivo? – O outro guarda, ao lado do primeiro que lhe questionara, disse com a mesma firmeza. Portavam também lanças compridas, que seguravam como cajados.

– Trazemos algo de seu interesse. – Thor respondeu, fazendo um aceno de cabeça para Loki, que lhe seguia. O deus da trapaça, também disfarçado, aproximou a mochila de viagem que Miranda transformara, há muito tempo, e a abriu devagar, aos pés dos guardas. Loki sorriu enviesado, e disse:

– Podem vasculhar, se assim quiserem. – Debochadamente, afastou-se, fazendo uma reverência sarcástica aos guardas que sequer podiam imaginar sua verdadeira aparência. Sua frieza e ousadia surpreendiam mais uma vez a jovem mulher. Estavam à beira de um dos momentos cruciais do plano, e ele agia como se nada estivesse em risco.

Thor lançou ao irmão de idade menor um olhar de censura, sério, e Sif e os Três Guerreiros mantiveram-se impassíveis. Miranda, muito preocupada, mal conseguia se concentrar em respirar.

Um dos guardas, após uma breve conversa com o outro, aproximou-se da mochila, e mexeu em seu conteúdo com sua lança. Deu um pulo para trás, ao enfim ver o que traziam, e correu para chamar o outro, mostrando-lhe o que lá havia.

– Por Odin... – O segundo guarda atestou, atônito, cobrindo a boca com a mão que não carregava a lança. As pedras norns da terra, da água e do fogo, luziam em suas cores esverdeadas, azuladas e avermelhadas, exibindo inegavelmente sua carga singular de magia de tempos remotos, repletas de soberania ancestral.

– Foi exatamente por ele que trouxemos isso. – Loki respondeu, debochado, e Thor mais uma vez reprovou seu comportamento ousado. Miranda encarou o deus da trapaça, mal se contendo por tamanha ansiedade.

– Quem são vocês? – O outro guarda perguntou, desconfiado, também não disfarçando sua surpresa e desconfiança.

– Partidários de Odin. – Thor respondeu, sério, pegando de volta a mochila e a levando para Loki. – Acho que já comprovamos a urgência da visita. – O deus do trovão respondeu, sua voz retumbante superando a austeridade dos guardas.

Logo depois, os aesires de Capa Dourada tocaram firmes suas lanças junto ao piso dourado e radiante da entrada do Palácio, e a porta se abriu.

Controlando o próprio êxtase e choque, Miranda mais uma vez foi forçada a caminhar, desta vez fascinada com o Palácio Dourado por dentro.

Um Salão vasto, de teto altíssimo, abria-se a sua frente, repleto por pilastras de altura fenomenal, pelas quais podiam ser fitadas runas de idiomas desconhecidos – que faziam o sangue de Miranda correr mais rápido por seu corpo, como se seu fluxo fosse motivado por uma sensação de formigamento, a qual ela sempre relacionava com fenômenos de magia – que subiam e subiam cada vez mais alto, perdendo-se em um teto que ela mal podia sequer avistar. A jovem mulher caminhou ainda mais, tentando não mexer seu pescoço para olhar para todos os detalhes ricos e estonteantes, sentindo-se zonza por tamanha beleza, simetria e imponência. Era simplesmente lindo demais.

Ao estar próxima do enorme Trono circular, atrás do qual uma enorme esfera com imagens e alfabetos desenhados em palavras e significados desconhecidos para ela, fazendo cada um de seus pelos arrepiarem-se pela carga de magia que parecia infinita em meio ao Salão que adentrava cada vez mais, Miranda levantou os olhos ao ser acordada de seus devaneios de deslumbramento por a voz de outro guarda de capa dourada.

– Todos saúdem o Rei Supremo, o Pai de Todos, o Líder dos Nove Reinos! – Um dos guardas disse, ao lado esquerdo do Trono, sendo seguido por outro guarda, localizado ao lado direito:

– Todos saúdem Odin! – O outro guarda proferiu a frase com virilidade, enquanto inúmeros guardas, em movimentos já treinados, cercavam os visitantes. Não havia chance de escapatória, caso precisassem fugir. Miranda respirava com dificuldades, seu peito subindo e descendo sem parar, suas pernas bambas, tremendo. Suas mãos suavam, e ela as fechou em riste, tentando disfarçar o pico de ansiedade que não seria possível evitar.

Levantando-se do Trono, Miranda olhou a figura respeitável e imponente de um homem idoso aproximar-se de um dos feixes de luz que saíam por inúmeros vitrais ao longo do Salão do Trono, tornando-se plenamente visível aos olhos de todos do grupo. A quantidade de magia que emanava de sua silhueta era tão grande que ela teve de fechar os olhos e concentrar-se, para outra vez abri-los novamente.

Era um homem de idade, com uma barba branca grossa, e cabelos alvos como a neve crescendo até a altura de seus ombros. Usava uma espécie de tapa-olho, que a fez lembrar-se instantânea e ridiculamente de Nick Fury, seu ex-chefe quando se infiltrara na S.H.I.E.L.D, anos atrás em Midgard. Além disso, trajava vestes altivas e medievais, como as que Thor e Loki usavam, parecendo armaduras vikings de tempos de outrora, bem como uma majestosa capa vermelha, similar a de Thor em sua original aparência.

Era um homem que parecia ser implacável, intocável, de majestade monumental. Tudo em sua imagem parecia transparecer autoridade, e dizer não a uma figura daquelas parecia, de fato, uma tarefa impossível.

Para não dizer, no mínimo, inconseqüente... E perigosa.

O homem de idade moveu a lança que carregava, e, a um movimento, Miranda sentiu-se levada por um torpor de pânico imensurável. Ele não dissera palavra, tampouco o grupo de sete membros, mas fora capaz de desvendá-los por alguma razão.

Sentiu a magia de Loki ser lavada por aquele gesto, como se o movimento da lança revelasse o que havia por trás da ilusão, e encarou instantaneamente o deus da trapaça. Estava ao lado de Thor, sorrindo displicente e debochado para o pai, como se o desafiasse. Ela arregalou os olhos, incrédula com sua expressão... Apesar de ser previsível. Como ele era capaz de tamanha ousadia era algo inacreditável.

– Perdoe-me, pai. Não pretendi mal algum. – Miranda ouviu a voz de Thor, agora em sua aparência original, porém se recusando a se curvar para o pai. Ela sentiu um arrepio de terror gelar seu sangue, ao perceber que a voz do deus do trovão parecera ter falhado ligeiramente.

– Não há perdão para o imperdoável. – A voz ressonante de Odin se fez ouvir por todo o Salão, e Miranda sentiu suas pernas bambolearem ainda mais. – Cometeu muitos erros, Thor. Cometeu traição! – Odin exclamou, batendo com força sua lança ao chão do Salão do Trono, degraus acima do grupo que o encarava de baixo. O deus superior os encarava como se fossem um desapontamento, fracos, tolos, parado em frente ao Trono, localizado em um patamar superior do Salão, degraus acima de onde estava o grupo.

– Queremos o melhor, Vossa Graça. – Sif respondeu, levando a mão direita fechada até seu ombro esquerdo, curvando-se humildemente a frente de Odin.

– Por quererem o melhor, enganam a mim e a toda Asgard, soltando este... – Odin encarou Loki, que ainda o olhava com seus verdes olhos fixos em seu rosto, e pareceu refletir. Por fim, disse:

– ...Monstro, da cela que lhe era devida por seus crimes, e o substituem por magia de ilusão, como a que ele tanto usou contra todos nós? – Miranda sentiu seu coração contorcer-se de dor, ao ver o olhar de Loki vacilar. O deus da trapaça baixou seus olhos para o chão, parecendo controlar-se, e depois encarou Odin outra vez, seus verdes olhos subitamente enegrecidos, repletos de um ódio amargo.

– Serão todos condenados por traição. Não há outra penalidade suficiente para tamanho ultraje. Heimdall entregou-se minutos atrás, e já ocupa uma cela das masmorras, apesar de não ter me contado nada a respeito do que aqui vi. – Odin disse, altivo e austero, descendo na direção do grupo. – Não há segundas chances. Não há desculpas. – Odin sentenciou definitivo.

– Sabe que precisará de nós. Não há outro meio de vencer a guerra que se aproxima, a guerra que sabe que virá. – Thor respondeu, mantendo a mesma postura desafiadora, porém não desrespeitosamente debochada como a de Loki.

– E quem terá trazido esta guerra? Alguém que tirou o juízo de todos vocês, e os manipulou como meras peças para seus propósitos doentios? – Odin encarou Loki, um degrau acima dele e de todos os outros, como se nada em todos os Nove Reinos fosse digno de mais desdém do que o filho.

– Loki é responsável por tudo isso. Mas parte dessa culpa é minha, pois fui tolo e o salvei. Fui eu quem o exilou em Midgard. Fui eu quem retirou seus poderes. Fui eu quem o deixei desassistido, apenas acompanhado da prima de Jane Foster, que aqui se encontra. Fui eu que fiz Sif, Fandral, Hogun e Volstagg arriscarem suas vidas para agir em clandestinidade. – Miranda engoliu em seco. Era quase impossível não desmaiar de tanta ansiedade. – Fui eu quem permitiu que Loki criasse toda essa confusão, por mais que fosse além do imaginável por todos nós. – Thor admitiu, aproximando-se do pai. – Eu aceito meu destino. Aceito minha punição. Alguns, porém, não devem ser punidos. – O deus do trovão encarou Sif e os Três Guerreiros.

– Mas apenas o fiz para salvar meu irmão, que julgava ser capaz de redenção. – A voz do deus do trovão era pura dor e amargura, e Miranda mal controlava as lágrimas.

– Não há justificativas. – Odin respondeu, sério e decidido.

– Não peço perdão ou misericórdia. Apenas quero que me permita lhe contar, sobre o feitiço do juramento – Thor tocou uma das palmas da mão de seu pai, que não pôde recuar – que não há outra forma de vencermos esta guerra, se não lutarmos juntos. – O deus do trovão encarava seu pai, também tão decidido quanto.

– Não tenho interesse algum em suas mentiras. – Odin semicerrou os olhos, parecendo levemente curioso.

– Conseguimos as pedras norns de Karnilla! Tem de nos ouvir! É verdade! – Miranda gritou, interrompendo o diálogo de maneira inconseqüente. Era impossível se segurar um segundo a mais sequer, por mais que espernear assim fosse uma atitude tola de sua parte.

A um movimento de cabeça do Rei de Asgard, os guardas de capa dourada se aproximaram de Miranda, como se fossem contê-la.

– É uma midgardiana. Que seja levada de volta para o seu lugar! – Odin ordenou, enquanto os guardas portavam suas lanças, ameaçadoramente, e um deles a puxou pelo braço. Thor bradou um “não”, enquanto Loki a encarou, sério, como se soubesse o que aconteceria. Ao olhar para seus olhos verdes, Miranda instintivamente tocou a pedra norn da vida.

Um gigantesco campo de força de cor lilás formou-se instantaneamente ao redor de si, jogando para longe todos os guardas que a circundavam, fazendo alguns deles inclusive desmaiar pelo barulho ensurdecedor e supersônico formado por aquela magia. Thor, Sif, Odin, Loki, Fandral, Hogun e Volstagg tentaram se proteger, mas também foram afetados, retorcendo-se em desagrado pela magnitude de sua magia.

– Ela... – Odin encarou incrédulo a mão de Miranda que ainda segurava a pedra norn da vida, cintilando branca e poderosa, e, em seguida, voltou seus olhos para cada um do resto do grupo.

– ...Traz consigo a pedra norn da vida. – Loki respondeu, debochado. – Não há magia sua capaz de fazer frente a ela, agora, Odin. – O deus da trapaça respondeu, parecendo divertir-se, porém, seus olhos entregavam a seriedade e o peso daquele momento.

– Tem de me ouvir, pai. – Thor respondeu, sério, enquanto Loki executava a outra parte do plano – e do juramento – combinado com seu irmão mais velho. O deus da trapaça colocou aos pés do pai cada uma das pedras norns: a pedra norn da terra, da água e do fogo, e Odin olhou a tudo sem acreditar.

– Precisamos conversar a sós. – Thor insistiu. – Eu, Loki e você. Talvez Miranda também. Talvez Sif e o grupo todo. – A jovem mulher o encarou, franzindo as sobrancelhas por ter sido deixada de fora. – Estamos dispostos a realizar juramentos para que acredite em nossas palavras. – O deus do trovão disse.

– Ele teve a oportunidade de ter para si todas as pedras norns, e me oferece três? Concedeu a uma midgardiana a pedra da vida? – Odin respondia, como se não pudesse acreditar em nada daquilo que agora sabia.

– Posso explicar tudo. – O deus do trovão insistiu, e Loki dessa vez também falou:

– Não estou lhe oferecendo três. Ofereço-lhe a pedra norn do fogo, e, na sua frente, ofereço a Thor a pedra norn da água. A pedra da terra ofereço a Frigga, que sei estar escutando, conforme o juramento que proferi. – O deus da trapaça disse honestamente, com um sorriso enviesado. Odin parecia ainda incrédulo, sem saber como agir ou responder.

– O que pode sequer ganhar com isso? – Odin respondeu, encarando Loki e ignorando a Thor e todos os outros.

– Ganhei meus poderes. – Loki respondeu, debochado. – Pretendo ganhar minha liberdade. Tudo ao seu tempo. – O deus da trapaça manteve-se sarcástico.

– Isso eu jamais permitirei. – Odin, sério e furioso, mandou prender o deus da trapaça, mesmo a protestos de Miranda. Ela tentou tocar a pedra norn da vida para impedir que os guardas avançassem para Loki, prendendo-o não apenas com algemas, da cabeça aos pés, como também a uma espécie de coleira humilhante. Com lágrimas nos olhos de raiva, ela tocava firme a pedra da vida, fazendo sua mão sangrar outra vez pelo esforço, mas não pôde fazer nada.

– Poupe seu esforço. – Thor respondeu, aproximando-se de Miranda e lhe sussurrando. – A pedra vai lhe proteger sempre, e aqueles que tiverem sua vida em risco que você desejar salvar. Não poderá evitar por magia que Loki seja preso, pois não será executado. Não agora, ao menos. – O deus do trovão lhe disse rapidamente, tocando em seu punho com delicadeza. Foi lançado para longe assim que tocou em sua pele, como se pudesse ser algum tipo de ameaça para a pedra, mas usou o Mjolnir para manter seu eixo de equilíbrio, parando em pé e firme alguns metros longe dela e da pedra.

– Pai, sua magia é forte o suficiente para ler minhas memórias. Eu as forneço de bom grado, caso nossas palavras sejam supérfluas para você. — Thor, em seguida, aproximou-se do pai, e estendeu uma das mãos. Odin, relutante, tocou em seu braço. O deus superior fechou seus olhos, e, quando os abriu, deixou-os firme no olhar do filho. Pareceu ter compreendido tudo.

– Preciso ter uma conferência particular com Thor. Prendam Sif e os Três Guerreiros até segunda ordem! – Odin exigiu, e, mesmo sob protestos de Thor, os guardas fizeram o que lhes foi ordenado. A guerreira e os amigos foram escoltados para perto de Loki, presos da mesma forma humilhante, e Sif trocou olhares com Miranda, que silenciosamente lhe disse “me desculpe”.

– Pai, você mesmo me deu isto. – Thor levantou o Mjolnir, aproximando-se protetora e heroicamente de Sif, os Três Guerreiros e Loki. – Segundo a sua própria magia, somente aquele que fosse digno poderia levantá-lo! – O deus do trovão insistiu, levantando o Mjolnir enquanto bradava com intensidade. Todos ouviram o som de trovões formarem-se fora do Palácio Real, enquanto o filho de Odin tentava protegê-los.

– A sua magia comprova a realidade, pai! Acredite em mim. Acredite em nós! – Thor disse heroicamente, e Miranda sentiu seus pelos se arrepiarem com o gesto nobre.

– Eu sou capaz de erros. Como vocês me lembraram mais uma vez. – Odin disse, desapontado, e caminhou para fora da Sala do Trono. Thor, não tendo outra escolha, o seguiu, garantindo aos amigos que poderia ajudá-los muito em breve. Miranda, aparentemente abandonada, não sabia para onde seguir. Não sabia se deveria aceitar ser presa, ou sequer o que fazer a partir daquele momento em diante.

Em seguida, os guardas escoltaram os prisioneiros para as masmorras. Loki, silencioso, deu um último olhar significativo para Miranda, como se cada acontecimento fizesse parte de seus planos e tudo estivesse realmente sob controle. Ela, não suportando, gritou, desesperada, sem ajuda:

– O QUE EU POSSO FAZER?! DIGA-ME! DIGA-ME, POR FAVOR! – A jovem mulher de olhos cor de mel perguntou, chorando, enquanto o rosto de Loki sumia de seu campo de visão, e ele mantinha o mesmo olhar sério, enquanto todos os guardas da Guarda Real a cercavam, decididos a impedir que ela avançasse. Não podia atacá-los. Tinha medo de acabar matando a todos, não sabia ainda os limites do seu poder, e, em volta de si, crescia algum tipo de fumaça lilás, a envolvendo e a protegendo de antemão. Sabia por instinto que era uma questão de segundos até que seu poder explodisse e levasse consigo todo o Salão do Trono. Estava desesperada, e não havia chance de conseguir ser racional, estando tão abalada emocionalmente.

Miranda sentiu-se inútil, ignorante, e totalmente desamparada. Estava sozinha, e não podia seguir mais Loki, nem mesmo rumo às masmorras e à prisão do Palácio Real. Eu o amo. Eu o amo tanto, e não sei o que fazer. Nem sequer consigo dizer isso a ele.

E não sei quando o verei outra vez.

Engolindo a própria dor, imersa em suas lágrimas, Miranda levantava os braços, em postura de defesa, tentando se proteger física e emocionalmente de tudo o que a rodeava. Os guardas se aproximavam, e as portas já haviam se fechado.

Estava instável demais naquele momento para decidir o que fazer. Se atacasse a Guarda, não haveria chances de conseguir um dia a confiança de Odin, e tentar libertar Loki, ou sequer Sif e os outros. Se nada fizesse, apenas os impediria de atacá-la, mas também não podia seguir Thor ou Odin, e ameaçar a pouca confiança conseguida por Thor perante Odin, para ter uma mera conversa a sós com seu pai. Aquele deus parecia irredutível, e a diferença de tratamento que trazia a Loki e Thor era gritante, e a revoltava, fazia suas estranhas revirarem de ira mal contida.

Tudo estava por um fio, e ela só conseguia pensar no olhar de Loki, no seu par de olhos verdes, tão queridos, tão importantes, tão amados, que, ela sabia, era alguma tentativa de fazê-la acreditar que estava tudo bem. Como poderia acreditar naquilo? Ele fora preso, mais uma vez. Odin estava quase executando seus próprios filhos, e a Guarda Real toda se voltava contra ela, ocupando todo o espaço presente no Salão do Trono. Hela chegaria, em breve, e ninguém estaria seguro.

Eu te amo, Loki. Eu te amo, e eu falhei. Falhamos...

– PAREM! Parem o que estão fazendo, abaixem as armas! Dêem-me passagem! – Uma voz feminina gritou aguda, porém majestosa, e todos os guardas, imediatamente, baixaram as lanças. Em meio a um mar de guardas de capas douradas, uma figura feminina avançava, e Miranda pouco a pouco conseguia ver detalhes de sua silhueta.

Usava um vestido azul, envolto por um colete dourado, do mesmo tipo de traje viking trajado por Sif, e, aparentemente, pelas mulheres da alta Corte aesir. Seus pés avançavam impacientes, decididos, como se nada pudesse lhe parar.

Ela viu cabelos loiros esvoaçarem em tranças compridas e bem feitas, elegantes e ferozes ao mesmo tempo, e, logo, após uma dúzia de guardas na frente de Miranda lhe dar passagem, ela pôde vê-la em plenitude.

A Deusa-Mãe da Dinastia dos aesires a encarava, uma de suas mãos tocando seu próprio coração, como se a visão de Miranda lhe trouxesse algum conforto.

– Você está aí, menina. Doce menina. – A elegante deusa respirou fundo, fechando os olhos, e aproximou-se de Miranda. A jovem mulher, sem saber como reagir, apenas piscou seus grandes olhos cor de mel, ainda incrédula com quem acabara de ver.

Como pude me esquecer dela?

– Deixem-nos a sós. – A deusa dispensou os guardas, que foram obrigados a seguir o que pedia. – Vou levá-la comigo, e não quero ser seguida por nenhum de vocês. – Ela ordenou, séria, e os guardas de capa dourada e capacetes da mesma cor assentiram.

A jovem mulher a seguiu, confusa, ainda muito movida por tudo o que acabara de vivenciar, sem realmente pensar em nada. Sentia seus ouvidos zumbirem, e sua visão estava levemente enevoada em razão da quantidade de magia que aflorou de dentro de si, e do esforço grandioso desprendido.

Ao estarem sozinhas, a deusa voltou-se para ela, e enfim perguntou:

– Qual é o seu nome, minha querida? – Ela disse, carinhosamente.

– Miranda Foster, Vossa Graça. – A jovem mulher respondeu, baixando os olhos ante a sua grandeza.

– Miranda. Lindo nome. – Os olhos da deusa brilharam, e eram de fato iguais aos olhos de Thor. A elegante mulher respondeu, e segurou as mãos de Miranda, sem medo de tocá-la. Ela hesitou por um segundo, receando que a pedra norn da vida tomasse aquilo por uma ameaça. Não houve reação alguma da pedra, e a jovem mulher sentiu-se grata pelo gesto acolhedor, lacrimejando mais uma vez de emoção. Porém, aliviada.

– Eu sou Frigga. A mãe de Loki. – A Deusa-Mãe disse, e tocou o rosto de Miranda com uma das mãos, sorrindo-lhe melancólica como no sonho mediúnico que tivera na noite anterior, agora enfim atestado como realmente significativo. Prevera, afinal, que veria Frigga.

– Eu sou... Bem... – Miranda não sabia como explicar seu envolvimento com Loki, e já era difícil o suficiente digerir todos os acontecimentos anteriores, ou melhor, tudo o que se sucedera desde que encontrara o deus da trapaça pela primeira vez. Engoliu as próprias lágrimas, e, sem saber o que dizer, apenas riu.

– ...É a minha esperança. A nossa esperança. – A mãe de Loki disse de maneira belamente simbólica, e Miranda não soube como respondê-la a altura.

Um tanto acanhada, a jovem mulher caminhou até a pedra norn da terra e a entregou para a mãe de Loki, a presenteando com toda aquela magia. Frigga a segurou com as duas mãos, olhando, junto com a jovem moça, o brilho esverdeado da pedra dançando em volta de seu corpo até que desvaneceu em uma nuvem singela. Em seguida, guardou-a junto a cintura de seu colete.

– Como poderemos soltá-lo? – Miranda perguntou, colocando uma mecha de seu cabelo castanho atrás de uma das suas orelhas, sem saber realmente como conversar com ela.

– Com jeitinho. – Frigga respondeu, sorrindo cúmplice para a jovem mulher, e puxando-a por uma de suas mãos.

Sem saber bem por qual razão, Miranda riu, e pôde de fato sentir-se esperançosa, segurando a mão da deusa em gratidão e a seguindo Palácio adentro.

Notas finais
Espero reviews, e adoraria receber recomendações! =D