Journey Into Trickery

29 Hello, My Old Heart


Notas iniciais
Olá minhas lindas leitoras! =D Tem tempo que não vemos uma atualização por aqui! Eu sei, e peço desculpas. Como sabem, andei muito ocupada com minha rotina de estágio e faculdade, ainda mais durante esse semestre maluco cheio de feriados e datas truncadas. Está sendo uma correria e tanto, mas venho com um capítulo que, imagino, irá emocionar muitas de vocês ao final! Teremos uma boa interação entre Frigga e Miranda, POV do Loki e da Mia, e a participação de algumas outras... Personagens que alguns gostam bastante! Esse capítulo é mais de diálogo e estratégia, então praticamente não tem a ação toda que os outros estavam tendo. Mas se preparem que a partir do próximo é praticamente só tiro, porrada e bomba, HAHAHAAH! Miranda descobrirá mais sobre as consequências de seus poderes, e suas alianças irão se firmar. Mostrará, também, um pouco do porque tem muito em comum com Loki, sendo capaz de ideias mirabolantes. Gostaria de agradecer as leitoras que me acompanham sempre, e um agradecimento para as fofas TheWitness e Merida Laufeyson Baggins, que comentaram bastante hoje em muitos capítulos diferentes! Espero vê-las sempre por aqui. Ademais, gostaria de avisar que estou com 109 leitoras contabilizadas pelo nyah, obaaaa! E são 123 em Living La Vida Loki, assim como 89 favoritações! Agradeço muito ao carinho de todas que me fazem me sentir uma ficwriter popular HUUHAAUHHE! Assim, peço apenas que comentem sempre, especialmente as leitoras fantasmas, que são maioria esmagadora! Sintam-se também mendigadas para favoritarem e recomendarem a história, HAHAHAHA! Incentivos assim só me fazem ter mais e mais vontade de escrever, é uma via de mão dupla: me deixam feliz e recompensada, e me inspiram e incentivam a postar mais e mais capítulos. Por isso, quem realmente gosta da fanfic, por favor: RECOMENDEM! =D Dou a dica de escutarem a música que postei. É A CARA do Loki. Ademais, segue o link do meu ask, caso alguém queira falar comigo: ask.fm/mentabolseiro, e Assim, boa noite a todas, beijos e uma ótima leitura!

Hello my old heart
How have you been
Are you still there inside my chest?
I've been so worried
You've been so still
Barely beating at all

Oh, don't leave me here alone
Don't tell me that we've grown
For having loved a little while
Oh, I don't want to be alone
I want to find a home
And I want to share it with you

Hello my old heart
It's been so long
Since I've given you away
And every day I add another stone
To the walls I built around you
To keep you safe

Hello my old heart
How have you been?
How is it, being locked away?
Well don't you worry
In there, you're safe
And it's true, you'll never beat
But you'll never break

Nothing lasts forever
Some things aren't meant to be
But you'll never find the answer
Until you set your old heart free

Until you set your old heart free

The Oh Hello's — Hello My Old Heart

Lar doce lar, ele pensou, ironicamente.

Seguindo o comando dos guardas que o levavam pelas correntes, o deus da trapaça caminhava em direção a cela dos calabouços do Palácio Real da Cidade Dourada. Levavam-no o guiando pelos seus punhos, tornozelos e até mesmo garganta presos em fortes correntes encantadas para serem resistentes até mesmo à sua magia de ilusão, o cercando por todos os lados.

Enquanto descia as escadas para as masmorras do Palácio de Asgard, ele repensava o que acontecera. Tudo aquilo fora previsto por ele. Mais do que isso... Fora planejado.

Porém, a imagem dos olhos redondos de Miranda, lacrimejantes e atemorizados, estava marcada em sua mente. Seus orbes cor de mel portavam tal expressão irrequieta e angustiada que ele, para sua própria irritação, pôde senti-la dentro de si. Mas teve de ignorá-la. Tudo tinha de caminhar consoante ao plano, caso contrário, as conseqüências seriam terríveis.

Sua intuição lhe dizia que a midgardiana confiava cada vez menos em sua capacidade estratégica, no sentido de assegurar-lhe que todo o plano corria conforme o esperado.

De certa forma, não era uma postura inesperada. Tendo em vista que Loki era nada menos que o deus da trapaça, não era algo surpreendente que Miranda duvidasse do que ele lhe dizia ou o questionasse com frequência. Aliás, ela quase todo o tempo agia dessa forma. Mas ele percebia uma tênue... Mudança.

Miranda parecia sempre ter o prazer de lhe desafiar ou fazer-lhe frente em vias de provocá-lo. Ela pessoalmente deliciava-se quando o via irritadiço ou mexido quando fazia suas piadas ininteligíveis e tiradas insanas, ele percebia isso sem dificuldades. Mas ultimamente, após ter aferido sua fraqueza sentimental perante ele – que, vez ou outra, o deus usava em seu favor – e especialmente após Hela ter começado a mostrar suas garras de sombra e pavor, espreitando, procurando-lhes ameaçadora, a jovem midgardiana dos olhos cor de mel parecia ter caído em cheio no jogo de gato e rato da deusa da morte. Desacreditava, aparentemente, a superioridade de Loki sobre os acontecimentos.

Hela tivera esse comportamento desde sempre. A deusa da morte, quando obstinada, assemelhava-se a Loki. Mantinha-se furtiva, realizava seus desejos longe da vista de todos, apenas esperando o momento certo para atacar. Como representante do poder da morte, a deusa era realmente “inesperada”. Tentava armar arapucas, cercar suas vítimas sem que elas sequer percebessem que estavam sendo mais alguém em sua mira.

Loki planejara tudo levando isso em consideração. Sabia que Hela tentaria uma aproximação esquiva, antes de liderar a guerra propriamente dita. Percebia a magnitude do ódio que nutria por ele, e evitaria ao máximo correr riscos demasiados; Hela desejava demais consumir a vida do deus da trapaça para permitir-se falhar.

Portanto, tendo recebido o sopro de Hela, Miranda tornara-se não apenas uma midgardiana fora do comum, poderosa como uma deusa nórdica, como também alguém similar a deusa da morte. Sua magia tinha a mesma essência da de Hela, e a de Miranda fora inclusive ampliada pelo contato com a pedra da norn da vida, cujos poderes Loki fazia questão de não revelar em totalidade para a jovem moça, temendo que ela os usasse de forma que atrapalhasse seus planos. Aquilo lhe trazia um nó desagradável ao peito, como se seu corpo sabotasse sua mente e sua racionalidade... Como se houvesse algo de errado em manipulá-la assim.

Rangendo os dentes com esse sentimentalismo barato, Loki foi inserido dentro da cela que ocupara anteriormente, a qual Thor, no auge de sua imbecilidade, invadira e o libertara tão esdruxulamente. De qualquer forma, sua capacidade de improviso saíra por cima da idiotice do deus do trovão; graças ao plano estúpido de seu falso irmão mais velho, Loki formulara seu plano mais mirabolante e efetivo de todos, o que o permitiria, dentre outros resultados, alcançar enfim sua liberdade.

Loki recapitulava o que acontecera até então, caminhando lentamente por dentro da cela, relembrando os detalhes do lugar que ocupara. O mesmo tapete encontrava-se disposto em seu piso de pedra branca, assim como as paredes alvas com algumas escritas aesires. Os livros que sua falsa mãe lhe doara, com sua piedade deplorável, continuavam nas pequenas estantes ali encontradas, assim como uma pequena mesa e algumas cadeiras. Aquele ambiente não mais o angustiava; estar ali era exatamente o que ele queria, naquele instante.

Ao salvar a todos da guerra que ele mesmo incentivara em segredo, por baixo de sua segunda identidade de Príncipe Jotun, criada com tanto esmero e inteligência, o deus sagaz deixaria os Nove Reinos em dívida consigo. Por mais que ele tivesse sido o responsável inicial por todos os riscos, não havia outra forma de vencer Hela, Surtr e Hreidmar sem seu auxílio. Ele seria o diferencial na guerra, e Odin admitiria isso, antes de ser tarde demais, e o libertaria da prisão muito em breve.

E era aí que residia o perigo. Loki percebia as emoções à flor da pele da midgardiana que, surpreendentemente, por baixo de toda a sua loucura aparente, escondia uma mente brilhante. Miranda era capaz de acompanhar seu raciocínio astuto e até mesmo formular estratégias quase dignas do próprio deus da trapaça, sem que ele a ajudasse nisto. Havia um grande talento sagaz naquela mulher, que era sua verdadeira força, além dos poderes que recebera da aprendiz desgarrada de Hela. A entidade que tinha a forma de uma criança e a mentalidade de uma deusa anciã, Leah, unira-se a causa de Loki por alguma razão que ele desconhecia.

Além da burrice de Thor, a ajuda de Leah, fornecendo a Miranda seus poderes similares aos seus próprios, fora o que o permitira criar suas estratégias atuais. Ainda era um mistério para Loki o que motivava a poderosa garota de olhos verde esmeralda, que agia como se realmente o conhecesse de épocas passadas. Não tinha lembrança alguma que a envolvesse, e, quando pensava a respeito, sentia-se cada vez mais irritado por não alcançar alguma conclusão concreta sobre suas motivações.

De qualquer maneira, Loki temia o lado irracional de Miranda. A cada dia que passava lhe parecia mais e mais evidente que a mulher nutria algum tipo de emoção por ele, e seu desespero neste dia apenas lhe evidenciava o quanto estava certo em temer por alguma ação... Um tanto impensada.

Caminhando dentro da cela e perdido em pensamentos, o deus da trapaça vislumbrou Sif e os Três Guerreiros sendo conduzidos cada qual para uma cela diferente, dentro do calabouço. Fandral, Hogun e Volstagg lhe lançaram olhares do mais pesado desprezo quando passaram na frente de sua cela, provavelmente julgando que seu plano fracassara e os condenara definitivamente. Sif, nem sequer se deu ao trabalho de encará-lo, passando gelada, ignorando sua existência naquele momento.

O deus da trapaça sorriu consigo mesmo, seus lábios movendo-se debochados para o canto de seu rosto. Será divertido quando não puderem negar o quanto os ajudarei. Lembrou-se repentinamente das investidas do ignóbil aesir, Fandral, ao tentar cortejar Miranda como se fosse uma mera prostituta de um porto na periferia de Asgard, e sentiu seu sangue ferver. O quanto me agradaria poder deixá-lo preso por toda a eternidade... O deus pensou, imaginando o tipo de castigo que poderia infligir ao soldado aesir que ouçou cobiçar o que era somente dele. Ao perceber-se muito exaltado com o assunto, Loki rangeu os dentes e afinou os lábios em uma linha rígida, em desagrado contra si mesmo, sabendo que estava dando importância desmedida a algo que era muito pequeno. O sentimentalismo intenso dela parece estar me contagiando. Ele pensou, levemente incrédulo. O deus controlava-se bem, mas sentia-se cada vez mais ansioso para executar as próximas partes do plano.

Decidido a distrair a si mesmo, Loki buscou um compêndio sobre as leis elementais da alquimia, um volume grosso que particularmente muito lhe agradava, e voltou a estudar sobre o assunto que já tinha ciência. Cruzou as pernas discretamente, relendo os princípios há muito aprendidos, e o tempo passou. Volta e meia ele tinha de repreender-se, lembrando da expressão angustiada de Miranda.

O QUE EU POSSO FAZER?! DIGA-ME! DIGA-ME, POR FAVOR!”

Ela lhe gritara algumas horas atrás, sua voz aguda revelando a urgência explícita em seu desespero. O estômago de Loki revirou-se em ondas crescentes de preocupação, para seu desgosto.

O tempo todo, o deus fazia questão de assegurar-lhe que tudo corria conforme o planejado, sem revelar-lhe mais do que ela deveria saber, até mesmo para sua própria segurança. Tomado pela própria fragilidade da mulher, chegara a lhe jurar o que não podia negar ser verdade; esconder-lhe tudo o que planejara era também uma forma de manter-lhe segura.

Lembrando da expressão de alívio que a jovem mulher de cabelos castanhos e belos olhos cor de mel lhe fizera, quando juntos na fronteira do Reino de Nornheim, sentiu-se irritantemente emocionado. Miranda tinha seus olhos revelando-lhe uma candura sem igual, estreitando-os um pouco no que lhe passava uma sensação relutante e agradável de compreensão e afabilidade. Logo em seguida à memória lembrada, o deus sentiu algo quente subir-lhe pelo corpo e espalhar-se em seu peito. Recordou dos malditos sonhos que tivera na noite anterior, na imagem fixa em sua mente do rosto e corpo de Miranda, desnuda em seus braços, rindo-lhe sem amarras ou pretensões escusas.

Quando a conhecera, vira nela uma mulher tão esquiva quanto ele, repleta de segredos, estranhamente interessante para uma mera midgardiana. Escondia-se por trás de sua beleza e charme altamente sensual, e tinha um passado no mínimo conturbado e controverso. Miranda ironicamente passara por dificuldades em vida, tendo inclusive também sido uma criança de adoção, rejeitada por sua falsa família.

Tinha muitos pontos em comum com o deus, o que sempre o surpreendia e o irritava, ao ver-se similar a uma jovem humana. Com o passar do tempo, assumiu que Miranda não poderia ser apenas uma simples moça de Midgard, o que lhe parecia cada vez mais concreto.

Loki fechou o livro que lia, dispondo-o na pequena mesa ao seu lado, mantendo-se sentado. Olhou pelo campo de força da cela, e pôde ver apenas um sentinela muito ao longe, vigiando o calabouço.

Franzindo a testa, o deus postou a cabeça para trás, encostando-se mais à parede. Lembrou-se do que há muito já raciocinara; uma mera mulher não poderia ser tão resistente a magia, ou poderia falar com os mortos durante seu sono. A mediunidade de Miranda era apenas mais uma marca, junto com sua rapidez, força e resistência físicas e até mesmo sua esperteza fora do comum, de que ela fora tocada por algo... Divino. Leah não poderia conferir-lhe o sopro de Hela com sucesso sem que a jovem moça de redondos olhos cor de mel tivesse aptidão para tanto.

O que o levava a se questionar a respeito de outro detalhe importante... Até onde Leah saberia dessa veia “divina” na alma de Miranda? Teria ela algum conhecimento que o próprio deus só poderia especular?

Mais uma vez irritado com sua ignorância no assunto, o deus da trapaça bufou, já repleto de ira, e fechou a mão direita em riste, socando o chão.

A voz que ouviu o surpreendeu a ponto de lhe trazer um curto calafrio.

– Isso provavelmente vai deixar uma marca no piso. – Sem sorrir, com a voz repleta de sarcasmo, em meio a uma fumaça escura subitamente materializada em meio a sua cela, surgiu a figura da aprendiz desgarrada da deusa da morte.

– Pensei que Hela tinha lhe ensinado boas maneiras. – Loki debochou de volta, tentando não mostrar-se surpreso.

– Poupe suas piadas. – Ela lhe disse secamente. – Acho que imagina porque estou aqui. – A menina disse, aproximando-se lentamente, mantendo uma distância segura do deus da trapaça.

– Tenho alguns palpites. – O deus da trapaça respondeu sarcástico. – Talvez venha me alertar de algum perigo iminente... Que eu mesmo provoquei? – O deus fez a pergunta retórica em resposta. – Estou certo de que entrou aqui por ordens de Frigga. – Loki disse.

– Sabia que já o imaginara. – Leah respondeu, ainda ríspida. – Você foi um tanto incauto com esse plano, desta vez. – A garota ousou dizer, seus olhos verde esmeralda faiscando em meio a alvura da cela, semelhantes a cor de seu longo vestido.

– O que está querendo insinuar? – O deus levantou uma sobrancelha, perigoso.

– Não me refiro à execução dele. Tampouco a sua capacidade imaginativa. – A garota parecia um tanto desconcertada, falando como se o conhecesse mas, de alguma forma, aquilo a constrangesse. – Refiro-me aos detalhes que você não previu. Os mais claros de todos. – Ela respirou fundo, meneando delicadamente a cabeça, seus longos cabelos negros balançando devagar.

– Do que está falando? – Loki disse, seco e gélido, diretamente. Se recusou a se levantar em respeito a garota. Parecia querer testá-lo de alguma forma, e a distância que manteve do deus, bem como a posição levemente escusa, lhe demonstrava que ela sentia algum tipo de possível rejeição da parte dele.

– Dela. – Leah levantou a palma da mão esquerda, e uma espécie de névoa branca e circular, emoldurando as imagens que lhe apresentava, mostrou-lhe Miranda. A jovem moça sentava-se junto a Frigga em um banco de pedra cinzenta em um dos jardins internos do Palácio de Asgard. Junto as duas, via as inúmeras fontes douradas resplandecentes ao seu redor que lhe eram familiares, revelando a imagem do Jardim das Águas. Ainda encarando a imagem formada acima da palma esquerda de Leah, Loki reparou no rosto de Miranda, parecendo portar uma versão não mais desesperada de seu rosto quando fora detido pelos guardas reais, mas ainda assim... Preocupantemente angustiada.

– Ela sabe suas diretrizes. – O deus respondeu, tentando desviar o olhar da imagem, virando o rosto para a direita. Subitamente, ouviu o som da risada de Miranda escapar de dentro da névoa branca, e percebeu seu próprio corpo o traindo, encarando inevitavelmente de volta a imagem. Leah já havia desfeito o feitiço e sorriu parecendo estranhamente desgostosa.

– Ainda nega. – Leah disse, parecendo familiarizada com algo que Loki desconhecia. A irritação subia-lhe mais e mais pelo sangue, sentindo sua temperatura corporal esquentar em desagrado. Quem ela pensa ser? As mãos de Loki se fecharam em punho, prostradas acima de seu colo.

– Será possível, Loki, que depois de todo esse tempo você nega algo tão óbvio? – A menina dizia, e sua voz pareceu mostrar uma espécie de tristeza.

– Tenho todo o tempo para enigmas. – O deus respondeu, debochado. – Apenas não tenho interesse algum. – Ele disse, irritado e grosseiro.

– Ah, tem. Certamente tem. – Ela meneou a cabeça mais uma vez, cruzando os braços. – Tenha cuidado com o que ela pode fazer. Não serei eu a lhe dizer o que sei que você sabe. Uma hora será obrigado a assumir. – A menina disse, e, voltando sobre si mesma, despareceu na mesma nuvem de fumaça escura.

Desagradável como a mestra. Loki pensou, já irritado.

O que Leah poderia estar tentando lhe alertar a respeito de Miranda que ele já pudesse saber? Era muito claro que a jovem mulher tinha uma fraqueza a seu respeito, e o quanto estava angustiada. Miranda desacreditava Loki há algum tempo, tendo sido enganada inúmeras vezes diferentes pelo deus, e manipulada por muitas outras também. Assim sendo, Leah teria vindo alertar-lhe de alguma conduta... Imprevisível, da parte de Miranda? Que ela poderia desejar dar para trás em seu plano, mudar sua postura diante dele, arriscar algo impensado?

Estaria a maldita entidade lendo seus pensamentos anteriores?

Loki praguejou audivelmente, chutando os pés de uma cadeira próxima e pondo-se de pé. Passou os dedos da mão direita pelos lábios, outra vez furioso. Será possível que basta eu me afastar dela para que faça alguma idiotice?

O deus lembrou dos olhos da midgardiana marejados de angústia, suas íris cor de mel refletindo o mais profundo desamparo. Loki sentiu algo torcer-se na altura de seu coração, rejeitando a imagem, trazendo-lhe, irritantemente, desespero similar ao da mulher.

Teria ele levado Miranda, sem assim o desejar, a cometer a falha que trairia todos os seus planos?

****

A noite já caía pelos jardins verdejantes de Asgard, repleto de árvores de troncos largos e compridos, e flores e plantas ornamentais ricamente cuidadas, delineando a paisagem de sofisticação da residência dos deuses aesires mais poderosos.

Caminhando pelas fontes douradas, esculpidas na forma de animais marinhos diversos, incluindo criaturas que a própria Miranda desconhecia, a jovem mulher de cabelos castanhos e olhos cor de mel vagava, junto a Frigga, a mãe de Loki.

Sua recepção pela “sogra” fora a melhor possível. Não apenas a salvara dos guardas aesires, quanto de seu próprio desconhecimento da pedra norn da vida, que quase poderia ter-lhe levado a causar uma explosão acidental em meio ao Salão do Trono do Palácio de Asgard.

Não contente com seu salvamento, Frigga passara toda a tarde contando-lhe sobre a vida em Asgard, talvez tentando lhe acalmar. Dissera-lhe, ao retirá-la do Salão, que estava sob sua guarda e seus cuidados, e nem mesmo Odin teria coragem de lhe banir outra vez deste Reino, enquanto fosse sua protegida. Garantira-lhe que faria Odin jurar que a jovem moça só sairia de Asgard quando assim o entendesse, tendo licença para andar pelo Palácio Real e pela cidade como uma hóspede pessoal da deusa-mãe da dinastia aesir.

Miranda, sem saber como retribuir, apenas respondeu às suas perguntas. Frigga parecia querer saber tudo sobre ela. Seu nome todo, seus pais, biológicos e adotivos, como fora sua vida até então, como era sua prima, Jane Foster, como Thor a tratava e tratava a si mesma, e ignorava, aparentemente, o que ela e Loki fizeram até então. Seu vínculo com o deus da trapaça restava implícito enquanto conversavam, e a cada nova informação Frigga parecia mais alegre.

A bela deusa, com sua postura elegante de Rainha, respeitável e, simultaneamente gentil, parecia tentar esconder uma dor maior. Miranda percebia que ela tentava distraí-la ou até mesmo distrair-se de algo, mas não sabia aferir, até então, se era apenas sobre a prisão de Loki, o tratamento previsível de rejeição conferido por parte do Pai de Todos a Miranda, ou... Algo a mais.

Por alguma razão, seu sangue fervia com o formigamento que sabia estar relacionado com a presença de forte magia na localidade em que se encontrava. Aquilo, porém, lhe soava previsível, tendo em vista estar no Palácio Real, repleto de deuses e outros seres de magia latente.

O que a levava a se perguntar, porém, de que fonte poderia ser os poderes que sentia... Era que, dentro de si, podia aferir algum tipo de familiaridade neles.

Alguém que ela já conhecera anteriormente estava presente no Palácio da Cidade Dourada.

Assim, quando já dizia a Frigga mais detalhes sobre seus irmãos adotivos, ela a parou com delicadeza, apontando-lhe discretamente com o rosto para uma antessala próxima aos Jardins das Águas, nos quais elas caminhavam. Fez um gesto educado para dispensar os guardas reais presentes próximos, e, quando seus passos já soavam longe, a guiou para lá.

Miranda sentiu seu queixo cair.

Sentadas em um pequeno divã dourado estavam as figuras que ela jamais imaginara encontrar dentro do Palácio de Asgard.

E muito menos juntas.

Leah, parecendo impaciente, lhe encarara com o típico desdém em seus olhos verde esmeralda, uma de suas mãos ansiosas tamborilando o braço do divã.

E, ao seu lado, sentava-se com todo o seu charme inocente e pueril, sorrindo-lhe de orelha a orelha, suas pernas cruzadas polidamente em contraste com suas sedas reveladoras, a preferida de Freya: a ninfa Elaine.

– O quê... – Miranda, seu rosto tremendo rapidamente para os lados, já passava a tentar perguntar.

– ...Viemos ajudar vocês. – Elaine respondeu, amável, levantando-se e dando um abraço com uma intimidade que não havia entre as duas, em Miranda. Ela, levantando uma sobrancelha e encarando Frigga com algum desconforto, deu-lhe alguns tapinhas nas costas, em resposta.

– Eu devo dizer que estou muito surpresa. – A jovem mulher respondeu, arregalando os olhos, olhando de uma para outra, quase incrédula.

– Pudemos entrar graças à deusa-mãe. – Leah respondeu um tanto seca, levantando-se devagar e curvando-se com educação apenas para Frigga. – Ela conhece passagens para dentro do Palácio que nem mesmo Loki desconfia. – A aparente garota deu um sorriso torto.

– Ele tem a quem puxar. – Frigga piscou para as três, fazendo uma piada que surpreendeu Miranda. A jovem moça a respondeu com um sorriso sincero.

– Frigga acredita que você deveria falar com ele. – Elaine disse, seu rosto sorridente adotando uma postura mais séria, enquanto soltava Miranda e segurava suas mãos. – Tudo o que pudermos fazer para auxiliar no desdobramento bem sucedido desta guerra será importante. – Seus olhos azuis escuros brilharam, passando a ter a coloração prateada que ela sabia ter relação com seus poderes clarividentes concedido-lhes pela benção de Freya.

Miranda discretamente soltou as mãos de Elaine, sem querer que a ninfa loira pudesse descobrir mais sobre o que havia entre ela e Loki, acima do que desejaria.

– Fico muito grata de ver que sobreviveu, Elaine. – A moça disse, sentindo-se culpada pelo massacre em Vanaheim que Loki sequer lhe contara. – Eu juro que não tinha ideia... – Tocou uma das mãos da ninfa outra vez.

– Isso será discutido depois. – Elaine respondeu, parecendo calma e séria ao mesmo tempo, soltando as mãos de Miranda. – Sei que tudo é, na verdade, responsabilidade de Loki. Assim como sei que ele será fundamental no equilíbrio dos Reinos. – A ninfa loira disse, encarando Frigga com solenidade.

A deusa-mãe se adiantou: — Elaine me contou a última visão de Freya. – A mãe de Loki olhou da ninfa para Leah, e, por último, para Miranda. – Meu filho pode ter conjecturado o plano mais danoso que já criou, mas os resultados que poderá trazer são muito mais benéficos do que sequer se poderia imaginar. – Ela olhou para Elaine com cumplicidade.

– Freya me disse para proteger Loki. – Elaine explicou. – Somente ele será capaz de nos salvar a todos, por incrível que pareça. – A ninfa disse.

– Só ele poderá deter Hela, e nos livrar de uma ameaça que existia desde épocas ancestrais. – A aprendiz desgarrada de Hela disse, com urgência, referindo-se ao Ragnarok.

– Quer dizer que... Tentando ludibriar a todos – Miranda voltou os olhos para Frigga, com medo de tê-la ofendido, mas ela não esboçou reação de ofensa – ele realmente acabará por nos salvar? – Seus olhos cor de mel mais uma vez se arregalaram.

– As previsões de Freya jamais erram. – Frigga disse com propriedade.

– Portanto, a nossa tarefa agora é protegê-lo. Ele será essencial para o bem de todos. – Elaine manteve o tom austero, o que contrastava com as sedas rosas que usava, transparentes demais para um ambiente solene como o Palácio de Asgard.

– Elas também estão sob a minha guarda e proteção. – Frigga explicou para Miranda. – Passarão algum tempo em Asgard, a não ser que seja necessário que saiam, como é o caso específico de Leah. – Frigga disse, e Miranda entendeu o que queria dizer.

– Leah está sondando o paradeiro de Hela? – A jovem mulher deu o palpite que sabia provavelmente ser certeiro.

– Sim. – A aprendiz disse, a encarando com certo desprezo. – Atualmente, a encontrei, enquanto me disfarçava, rondando os arredores das fronteiras de Asgard. Vocês foram bem sucedidos em adentrar o Reino com discrição. – Leah falou com um ar superior, fazendo o mais próximo que conseguia de um elogio.

Por muito pouco. Miranda pensou, passando os dedos da mão pela ferida causada por apertar demais a pedra norn da vida.

– Agora somos todas alvos da deusa da morte. – Frigga disse em tom conspiratório. – Temos certa irmandade entre nós. – A deusa-mãe brincou, e Miranda ficou surpresa com seu bom humor e gentileza. O inglesinho tem mesmo a quem puxar. Pena que também não pegou a simpatia.

– Não é muito educado pensar isso na frente da mãe dele. – Leah disse, inconveniente, e Miranda a encarou subitamente irritada.

– Certamente somos. – Elaine confirmou, parecendo preocupada, lembrando-se muito provavelmente de Vanaheim. – E temos nossos motivos para enfrentá-la. – Ela reafirmou sua posição, algo parecido com raiva brilhando em seus olhos azuis escuros, que antes apresentavam-se sempre doces e adoráveis.

– Loki parece preocupado. – Frigga voltou ao assunto. – Teme que seus planos não saiam conforme o planejado, e, conhecendo meu filho, é melhor assegurarmo-nos de que continuará onde está agora. Ironicamente, não há lugar mais seguro para ele estar que não seja a própria prisão de Asgard. Hela jamais poderá burlar sua vigilância. – Frigga assegurou, assertiva, e Miranda logo entendeu que tivera aquela informação pela habilidade de leitura da mente de Leah, que provavelmente lhe contou o que Loki pensara ao entrar em contato com o deus.

Miranda sentiu um calafrio percorrer-lhe o corpo. A prisão talvez não... Mas não o disse a respeito de outros lugares do Palácio.

– É aí que você é essencial. – A deusa-mãe disse, enquanto a ninfa e a aprendiz olharam em seus olhos cor de mel. – Você irá falar com ele, irá assegurá-lo de que estamos bem, e que está sob a minha guarda. Sei que ele já imagina que o fiz, mas precisamos ter certeza de que Loki acredita que tudo corre conforme o que imaginou. – Frigga disse, e subitamente ficou muito parecida com o deus da trapaça, aos olhos de Miranda.

– O que, percebo, talvez não seja verdade? – Miranda perguntou retoricamente com o máximo de ousadia que podia.

Frigga e Elaine se entreolharam, para encarar Leah por último. A menina olhou profundamente para Miranda, e respondeu, sem encarar as outras duas:

– Ela virá primeiro por você. – A garota respondeu diretamente.

Instintivamente, a pedra norn da vida pareceu pesada abaixo do pescoço de Miranda. Pareceu encrustar-se em sua pele, e ela imediatamente a apertou na mesma mão machucada, sentindo a dor que agora lhe era familiar.

– A sua conexão com a pedra norn da vida e os poderes de Hela – a menina continuou – permite que você não apenas seja equivalente a ela em magia, como também as une. Isso é algo muito bom, mas também é... Perigoso. – A garota disse de forma agourenta.

– Ela consegue... Pressentir-me? – Miranda perguntou, sabendo ter acertado.

Leah confirmou com a cabeça, silenciosa, e entre as três pareceu pairar uma sombra pesada.

Como se não bastasse ser a "Portadora do Anel", agora também tenho um lado "Harry Potter" e essa pedra norn da vida é como uma merda de uma cicatriz em formato de raio. E meu "Voldemort" é nada menos do que a deusa da morte. Com quantos mártires literários eu ainda vou parecer até essa porra toda terminar? Miranda pensou, levemente insana, sentindo-se muito frágil e desconcertada.

– Ela saberá onde te encontrar. Loki já desconfiava disso, e lhe escondeu esse detalhe para lhe proteger. Sua magia a chama. – Elaine disse, e Miranda abriu a boca, percebendo que as três já haviam conversado a respeito.

– Ela vai tentar tirar a pedra da vida de mim. – Miranda disse, sem perguntar, e as três concordaram.

– Hela não irá conseguir. – Frigga lhe assegurou. – Faremos todos os nossos esforços possíveis para que isso não se concretize. – A deusa-mãe segurou sua mão com gentileza, e Miranda soltou a pedra norn da vida, sentindo seu machucado ainda latejar, segurando-a de volta. A midgardiana passou os olhos das íris de Frigga, iguais aos olhos azuis claros de Thor, para os orbes verde esmeralda de Leah, e o azul escuro de Elaine. Estavam todas seguras disso.

Já chega. Já feri muitas pessoas por minha causa. Miranda sentia-se cada vez mais angustiada. Se Hela a perseguiria até os confins de todos os Nove Reinos, ela não ficaria sentada esperando, como Loki queria.

Teria de agir.

– Eu tenho uma ideia... E espero que vocês concordem. – Munindo-se do máximo de coragem que tinha, decidiu ela mesma formular um plano, dessa vez.

Loki... Eu não estou ao seu lado à toa. Miranda pensou, lembrando-se dos olhos verdes que tanto amava, e Leah a encarou com a sombra de um sorriso.

Como se concordasse.

****

Já era de madrugada, e Miranda e Elaine caminhavam, discretas, usando mantos aesires cobrindo seus cabelos e suas silhuetas, descendo por uma escada em caracol de uma passagem secreta para dentro dos calabouços de Asgard. Frigga distraíra os sentinelas da prisão, conversando com eles sobre suas tarefas diárias do lado oposto ao qual elas desciam, muito longe de onde a passagem desembocava.

Leah saíra em uma missão para reconhecer o paradeiro de Hela, em disfarce, após o plano combinado entre ela, Elaine, Frigga e Miranda. Saber que a deusa-mãe concordara com aquilo, apesar da dor que traria as duas, era um sinal do quão preocupada ela estava. Desculpe-me, Frigga... Apesar de não ter lhe dito com todas as palavras, sei que sabe muito bem minhas intenções.

Por baixo dos mantos, a jovem mulher de cabelos castanhos e olhos cor de mel escondia uma doce surpresa.

Frigga fizera questão de que Miranda vestisse as roupas que as deusas da Corte de Asgard usavam, lhe presenteando com um vestido inteiramente conjurado por ela para a própria jovem mulher de olhos cor de mel. Era de um tom verde levemente mais claro que os olhos de Loki, bordado ricamente em prateado na cintura e nas mangas compridas, assim como em suas saias compridas e femininas que pareciam esvoaçar enquanto ela caminhava, com desenhos adoráveis de flores rendadas. Tinha um leve decote pelo qual pendia a pedra norn da vida, carregada em seu colar como um pingente, no qual os bordados prateados apenas se acentuavam com sofisticação e beleza simples, ao mesmo tempo.

Miranda usava também os mesmos sapatos prateados das deusas da realeza aesir, tendo seus cabelos castanhos trançados em uma única trança pendendo elegantes pelas suas costas. Em sua testa, portava uma linda tiara também de prata resplandecente, com detalhes de pequenas asas nórdicas a direita e a esquerda do acessório delicado e singelo.

Qualquer um que a olhasse juraria que poderia ser a própria princesa de Asgard encarnada.

Ao admirar-se no espelho junto a Frigga e Elaine, alguns momentos antes, ela não resistira. O gesto da deusa-mãe fora suficientemente significativo para que ela entendesse ser alguém muito importante para ela. Ela escolheu verde, inclusive, por causa dele. Pensamos parecido... Miranda voltou-se para Frigga, e, aproximando-se devagar, deu-lhe um abraço tímido. A deusa-mãe prontamente retribuiu, apertando-lhe com delicadeza contra si, e Elaine tinha os olhos azuis escuros cheios de lágrimas, assim como Miranda, que mal segurava os soluços que queriam se formar. Seus olhos cor de mel estavam mais marejados do que no início daquele dia, banhados por um pranto feliz.

– Seja bem-vinda, minha menina. – Frigga lhe disse, após o abraço, tocando-lhe os ombros.

Miranda sorriu-lhe de volta, dando uma pequena risada simpática. Elaine riu também, junto a Frigga.

Descendo o último lance de degraus, Elaine proferiu o encantamento que Frigga lhe dissera, e uma abertura curta e baixa, na altura do chão de pedra escura da passagem secreta, se abrira. Revelou a luz dos archotes que iluminavam o corredor dos calabouços, e uma sugestão da cela mais afastada que lá havia.

Com essa lembrança em mente, relembrando-a cheia de carinho, Miranda foi desperta pela voz suave de Elaine lhe mostrando a abertura da passagem secreta.

– Vá. – Elaine sussurrou para Miranda, com um grande sorriso, como que para incentivá-la. Concordando com a cabeça, a midgardiana passou esgueirando-se pela baixa abertura, vendo logo em seguida as paredes de pedra também escura, assim como o piso um tanto mal cuidado para a fulgurante arquitetura do Palácio Real, pertencentes às masmorras. Ela caminhou apenas alguns passos, e sentiu seu coração parar quando o viu.

Livre das correntes e algemas, Loki estava sentado ao chão, suas costas apoiadas na parede de mármore branco, lendo um livro de capa dura, com letras desconhecidas delineadas pela sua capa e contracapa, bem como em suas bordas. Usava as mesmas roupas verdes e negras que vestira quando se conheceram em Midgard, as mesmas com que fora trancafiado ali.

Um formigamento quente espalhou-se pelo corpo de Miranda, e ela sabia não ter relação com a grande carga mágica do poder de Loki...

...Mas sim, com o amor que já sabia nutrir por ele.

Sentindo seu coração se acelerar, ela andou devagar até a cela dele, que pareceu pressenti-la, mesmo totalmente silenciosa e ainda não visível pelo que parecia ser um campo de força transparente, as supostas grades da cela.

Loki levantou-se de rompante, deixando o livro de lado a uma mesa, e quando olhou para fora da cela, aproximando-se, ela já havia tirado os mantos escuros que cobriam suas outras vestimentas, e estava parada defronte a ele.

Os olhos verdes mais lindos que os Nove Reinos já viram a encararam, antes com uma expressão de surpresa, e depois com tal doçura que ela sentiu seu rosto ruborizar-se, assim como uma gostosa sensação de calor preencher seu coração.

O deus da trapaça deixara sua cabeça pender um pouco para o lado, bem como arregalara levemente seus olhos, com a expressão de um menino que descobre um tesouro que jamais imaginara ser possível existir. Pouco a pouco, ele se aproximava, como se Miranda o atraísse como um ímã. Portava tal admiração e encanto em suas íris verdes, que as vira brilhar mais fulgurantes que toda a beleza de Asgard.

Miranda sentiu borboletas dançando em seu estômago, e era difícil retribuir o doce olhar que ele lhe dava, a deixando totalmente desarmada... Feliz como ela não imaginava ser possível se sentir. Uma sensação urgente de tocá-lo se apoderou dela, e ela se aproximava cada vez mais da cela.

– Ela lhe emprestou essas roupas? – Ele falou finalmente, com a voz levemente rouca, parecendo dividido entre um grande desconforto e uma profunda admiração. Sua aparência aesir fora capaz de deixar Loki desconcertado.

– Deu. – Ela disse, com a voz também fraca, sabendo que ele se referia a Frigga, um sorriso bobo e tímido espalhando-se pelo seu rosto.

Loki não parecia conseguir tirar os olhos dela, encarando os detalhes das vestimentas, a tiara, a trança e o rosto de Miranda. Brincando com ele, ela deu uma voltinha ligeira, sentindo as saias do vestido esvoaçarem.

O deus da trapaça ainda parecia mexido. Ele caminhou para mais perto do campo de força, e ela também, ao que ele prontamente disse:

– Pare. Vai se machucar. – O deus franziu as sobrancelhas, parecendo confuso, e levantou uma das mãos como que para pará-la. Miranda instintivamente levou uma mão na altura da dele, e sem querer tocou no campo de força da cela.

Sentindo uma forte queimadura nas mãos, ela fechou o rosto em uma expressão de dor, e o olhar de Loki vacilou, parecendo subitamente preocupado e desdenhoso.

– Eu falei para não se aproximar mais, sua tola! – O deus a repreendeu, exasperado, olhando para a palma da mão dela, que a jovem mulher também examinava. Fora a mão machucada pela pedra norn da vida, e ela rapidamente o encarou, tentando esconder o ferimento que não era relativo ao campo de força da cela alva.

Os lábios de Loki se crisparam, mas ele não se moveu. Parecia um tanto desapontado, e ela subitamente sentiu que sua felicidade diminuíra em vários níveis de intensidade.

– Eles a machucaram? – O deus da trapaça perguntou, parecendo querer esconder algo, tentando se forçar a uma expressão indiferente. Mas a admiração que sentira ainda estava evidente em seus olhos, apesar de todos os traços de seu rosto estarem duros e sérios.

– Não. Estou sob a guarda de Frigga. – Ela disse, tentando assegurá-lo de que estava protegida.

– Como eu imaginava. – Ele pareceu respirar mais devagar, contendo um suspiro. – Continuará discreta, e junto a ela. Certo? – O deus da trapaça disse, em tom de ordem.

Miranda manteve seu olhar firme nos olhos dele, quase se sentindo mal pelo que diria.

– Eu juro. – A jovem mulher mentiu, levantando as mãos fingindo que iria tocar nas dele. O feitiço de juramento não seria feito, tendo em vista que não poderiam se tocar por conta do campo de força que os separava.

Loki lhe deu um sorriso enviesado. Não parecia achar seguro ter aquela conversa, uma vez que volta e meia olhava para a direção longínqua na qual os guardas do calabouço se encontravam, ocupados com a deusa-mãe.

– Ela não vai poder distraí-los para sempre. – Ele mencionou Frigga, intuindo corretamente que ela estava distraindo os guardas.

Miranda voltou-se para sair, sentindo-se ainda movida pelo olhar que ele lhe dera, a mesma sensação gostosa em seu estômago. Seu coração batia forte, retumbante, até que ouviu a voz dele outra vez, e voltou-se em seus calcanhares para olhá-lo.

– Sabe o que está vestindo, pequena? – Loki falou, e sua voz quase tão baixa como um sussurro parecia conter uma afeição tamanha que ele não conseguia esconder. Miranda já estava mais uma vez entregue a ele, mesmo que não pudesse tocá-lo.

– As roupas das deusas da Corte de Asgard. – Ela disse, sem jeito, da maneira acabrunhada que ele a deixava, tão diferente de sua personalidade extrovertida, arredia e confiante de sempre.

– Não. – Ele respondeu com um sorrisinho, como se soubesse que ela responderia aquilo. – Frigga te enganou. – O deus soltou um riso sem som, baixando os olhos, suas mãos cruzadas as suas costas, parecendo incrivelmente sem jeito. Miranda jamais o vira assim. Aquela postura era inédita, e ela arregalou os olhos, sentindo seu queixo cair, assombrada.

– Como assim? – A jovem mulher perguntou, levantando as sobrancelhas.

– Está usando vestimentas de noiva. – O deus disse, e lhe deu um olhar fulminante. Miranda sentiu que desfaleceria.

– Só que verdes. – Ele completou, e sorriu seu lindo sorriso de garoto.

Miranda sentiu suas bochechas queimarem como se estivessem em brasas. Levantou uma das mãos a boca, cobrindo-a, e Loki riu de seu choque, sua doce risada de menino audível apenas para ela.

Sentindo-se idiota e desconcertada, Miranda voltou-se sobre si mesma correndo de volta para a passagem secreta, sem saber como agir ou reagir.

Mais calma, adentrou a passagem, encontrando-se outra vez com Elaine, e seguindo de volta para o descanso antes da execução do plano contra Hela que ela mesma formulou.

Ele com certeza puxou a mãe. Miranda baixou os olhos, sorrindo o mais doce dos sorrisos para si mesma, sem saber realmente o que pensar sobre isso.

Créditos a LaurenPS, querida amiga e leitora da fanfic que me agraciou com este lindo presente! Muito obrigada, linda! Miranda lhe brinda saúde e Loki aprecia o tributo, hehehehehe!

Notas finais
Aguardando reviews, favoritações e recomendações! =D Por favoooor!