Journey Into Trickery
5 The Pieces Are Moving
Notas iniciais
Desta vez demorei exatamente uma semana para postar, e tenho alguns agradecimentos a fazer: 49 comentários em 4 capítulos, UAU! Isso é uma média maravilhosa, 12,5 comentários a cada capítulo!!! ♥ Só tenho mesmo a agradecer, e muito, e a pedir a todos os leitores que gostam desta minha humilde historinha que continuem mandando seus reviews que me enchem de alegria! o/ Espero postar mais um capítulo esta semana, até porque este é menor do que o anterior, e a ação incutida nele é mais... Particular, por assim dizer, ohohohhoo! No próximo teremos mais Loki quebrando o pau da barraca, mas não desanimem, pois este capítulo está fervendo (é exatamente isso o que estão pensando), e tem algumas informações importantes! Nada de filler que eu não gosto, LOL!
Massss... Como hoje é primeiro de abril (e não vou pregar uma peça em ninguém, deixo isso pro deus da trapaça, LOL): é o dia da mentira, o dia do Deus Loki! Não poderia deixar esse dia em branco sem mais um capítulo protagonizado por ele!
Aêêê! Parabéns para esse fdp tão admirado por sua personalidade dúbia! XD
Assim, sem delongas mais... Aí vai mais um capítulo, queridinhas!
Beijos e boa leitura!
If you want to kiss the sky, better learn how to kneel
– U2, Mysterious Ways.
Thor olhava, perdido em pensamentos, para o horizonte asgardiano, apoiando-se acima da bancada da varanda do salão de reuniões do castelo. Asgard e os Nove Reinos viviam em paz desde o último incidente com Loki, quando ameaçara destruir sozinho todas as terras de Jotunheim, sendo impedido por Thor no último momento.
Agora, o príncipe asgardiano, que pouco a pouco substituía as tarefas de seu pai Odin em vias de melhor tornar-se o futuro rei e regente de todos os Nove Reinos de Yggdrasil, encontrava-se em uma situação aparentemente sem saída. Havia conquistado a confiança de seu pai novamente, provando-se merecedor do Mjolnir. Entretanto, contra a aparente vontade de seu genitor e dos sábios anciãos de Asgard, libertara Loki pelo amor que sentia ao irmão. Afinal de contas, por mais mal que Loki tivesse causado, nada duraria por toda a eternidade.
Ao contrário da prisão que lhe fora decretada.
Thor baixou os olhos para os cotovelos e braços que se apoiavam cruzados naquela bancada de mármore abaixo de si, respirando fundo e esforçando-se para pensar. Era apenas uma questão de tempo até seu pai descobrir o que havia feito, e não sabia qual seria seu castigo. Tentaria com todas as suas forças fazê-lo compreender, convencê-lo do contrário, evitando tomar alguma atitude esnobe ou arrogante como faria antigamente. Algumas lições foram aprendidas, ele sabia, e superara muitos de seus antigos defeitos.
Mas agora era o tempo de seu pai também superar os próprios.
Thor pôs a mão direita nos bolsos das vestes de guerreiro asgardiano que utilizava, enquanto virava-se para apoiar-se de costas no balcão da varanda e olhar o que havia tirado do bolso. Sua capa vermelha deslizou levemente, enquanto seus olhos azuis brilhavam assustados, arregalando-se com a própria visão.
Na superfície da safira-gêmea que guardava consigo formara-se a imagem de Miranda tocando-a com o dedo indicador, estando ela levemente borrada. Era sinal de que aquilo já havia acontecido há certo tempo, e Thor estava atrasado.
Entretanto, a expressão da midgardiana não parecia preocupada. Pelo contrário. Aparentava certa... Satisfação.
Ainda assim preocupado, Thor não pensou duas vezes. A passos largos e silenciosos, abandonou o castelo que dormia a sono solto pela hora tardia, e precavido checou se Heimdall fazia alguma ronda noturna. O guardião parecia estar de olhos fechados, parado na frente do antigo portal que ele, Loki, Sif e os Três Guerreiros costumavam utilizar, e Thor sabia o que aquilo significava. Estava adormecido.
Era o momento perfeito.
Passando pelo guardião, rápido como uma sombra, o deus não proferiu som algum e saiu das fronteiras do castelo. Não tardou muito, graças a sua velocidade devido ao seu porte físico sobre-humano e a seus poderes sobrenaturais, alcançou finalmente o ponto que descobrira, remexendo nas anotações de Loki e em seus pertences pessoais. Já havia decorado a mapa que ali o levava como se o tivesse impresso em sua mente, e, antes que pudesse piscar, deslizou para dentro do buraco que era o túnel para Yggdrasil. A maneira mais segura de se atravessar para os outros Reinos, onde a visão de Heimdall jamais alcançaria.
***
No melhor aposento da taverna e estalagem Emmerald Eyes – a mais frequentada de Nidavellir – Miranda aproveitava o silêncio noturno e o recente triunfo do logro do astuto deus para ocupar-se com tarefas mais prazerosas.
Deitava-se com Loki, e sabia o que ele estava fazendo. O deus beijava-a por todo o seu corpo, de maneira tão deliciosa que poderia ser considerada tortura. Não parecia ter a mínima pressa, apesar de já ter antecipado a saída de Thor de Asgard, assim que o mesmo tocasse na safira-gêmea que havia ficado consigo.
O deus agora transformado em sua aparência asgardiana pelo calor que compartilhavam, sorria malicioso e perigoso como um predador que se depara com a presa mais apetitosa, e decide que dedicará o tempo que for necessário para tê-la – total e completamente – para si, e somente para si. Suas mãos passavam desde as canelas de Miranda até o alto de seus joelhos, e a cada vez que iam encontrando mais carne, aproximando-se das coxas, iam apertando sua pele com mais intensidade. Quando quase se aproximava do vão que levaria ao seu sexo já cheio de umidade, suas mãos apertaram a parte interna das coxas fartas da mulher, e ela não pôde reprimir um gemido intenso.
Os olhos verdes do deus tornaram-se enegrecidos, como se influenciandos pela reação excitada da midgardiana. Estava ainda totalmente vestido, a capa escura cobrindo seu corpo, apenas seu capuz abaixado, deixando a visão de seu rosto belo e naturalmente altivo, as feições estranhamente nobres que sempre deixaram Miranda antever que, realmente, havia algo diferente naquele homem. Naquele deus.
Ele levantou a capa de Miranda até a altura de seu umbigo, e retirou, ainda mais lentamente, como se quisesse torturá-la com a demora, as roupas íntimas que ela utilizava. Em seguida, crispou os lábios e lambeu-os com elegância, quase imperceptivelmente, como se aquela fosse realmente uma visão apetitosa.
– Portou-se muito bem e muito mal hoje, pequena. Terei algum trabalho para decidir como merece ser paga. – Loki sorriu enviesado, seus verdes olhos fitando profundamente os grandes e redondos olhos cor de mel de Miranda.
– E o que é você, uma prostituta ao contrário? Faço algo para você e vai me pagar com sexo? – Miranda debochou, tentando controlar seu próprio tesão que a tomava por inteiro. – Eu dei dinheiro pros anões, eram eles que deviam estar fazendo isso aí agora, por essa lógica. – Ela provocou.
Loki fechou lentamente os olhos, como se a menção dos anões relacionando-se sexualmente com Miranda fosse algo capaz de atingi-lo. Satisfeita, ela sorriu debochada, semicerrando seus olhos, sabendo que o provocara.
– Não acho que seria algo que eu permitiria. Já me ouviu dizer que não gosto que cobicem o que é meu. – Loki respondeu, o sorriso sumindo de seu rosto, agora sério.
– E eu suponho que já me ouviu dizer que eu não sou sua. – A mulher provocou, ainda mantendo o sorriso debochado, que, porém, vacilou levemente.
Loki riu uma risada curta e debochada, quase como se desdenhasse das palavras dela. Suas mãos ainda tocavam suas coxas, e ele baixou levemente seus olhos.
Em seguida, antes que Miranda pudesse reagir, ele arrancou com violência o resto das vestes que a vestiam, deixando-a completamente nua abaixo de si. Deixou sua cabeça pender para o lado enquanto a avaliava, seu sorriso malicioso voltando-se a desenhar-se em seu rosto.
Miranda tentou levantar e tomar ela mesma alguma iniciativa, mesmo que fosse a de empurrá-lo para longe – afinal, não entendia porque, com ele, a excitação e a raiva estavam sempre caminhando juntas – mas ele segurou seus pulsos, e deitou-a com facilidade contra a cama, deixando-os prensados ao lado de seu rosto, como se segurasse algo fraco e leve como uma folha de papel. Miranda soltou um grunhido visceral de raiva, irritada por cair no mesmo truque pela milionésima vez, e Loki riu baixinho, dizendo-lhe em seguida.
– Shhh. Agora vem a melhor parte. – Suas pernas foram pouco a pouco abertas pelas pernas do deus, até onde ele julgou ser suficiente. Em seguida, ele segurou, com uma das mãos, os pulsos de Miranda, e, com a outra, foi até a capa dela, retirando da cintura das vestes uma corda que ela utilizara como um cinto improvisado, algo para fazer suas vestimentas mais femininas. Loki sorriu um de seus sorrisos mais deliciosamente maliciosos, quase amedrontador.
– Nem pense nisso. – Miranda disse, levemente assustada, sem querer demonstrá-lo para não dar-lhe essa satisfação.
– Penso nisso com frequência desde que nos conhecemos. – Ele alargou ainda mais seu sorriso. – Agora só vou simplesmente... Colocar em prática. – Antes que Miranda pudesse tentar desvencilhar-se, ele puxou seus braços em direção a cabeceira da cama, com pequenos pilares de madeira, e amarrou seus pulsos juntos, em um nó tão firme e forte que ela não conseguiria soltar-se sozinha. Em seguida, firmou seus braços para cima, amarrando-os em um dos pilares da cama.
Loki afastou-se levemente, admirando o resultado do próprio trabalho. Mantendo o sorriso malicioso, teve a audácia de dizer:
– Nunca a vi tão bela quanto agora. – Ele encarou Miranda, provocando-a até a alma, seus olhos verdes debochados e travessos, apenas aguardando o momento final.
– ...Pervertido. – Miranda só pôde dizer. Por que estava gostando tanto daquilo? Não conseguia compreender. Só sabia que, mesmo a contragosto do que seu lado racional queria, seu corpo implorava para que ele continuasse. Negara-lhe, dissera-lhe várias vezes que estava errado, mas, como queria, ah, como desejava... Tinha de ser dele.
– ...Não negarei. – Loki riu baixinho, e, lentamente, abaixou a cabeça para beijar Miranda em seus outros lábios.
A mulher soltou um forte gemido de prazer, sentindo, ao mesmo tempo, um impulso irrefreável de tocá-lo. Queria que aquilo continuasse, mas o prazer era tão intenso que era quase insuportável. Sua mente enevoava-se, seus olhos reviravam-se de prazer em suas pálpebras fechadas, e ela mexia seus braços os poucos centímetros que conseguia, imobilizados pela força do nó da corda que Loki fizera, loucos de vontade de tocá-lo, de puxá-lo para cima de si para que a tomasse de uma vez. Enquanto isso, ele apenas a beijava, sugava suas carnes ali, ali, fazendo com que as pernas dela abrissem-se voluptuosamente cada vez mais.
Quando finalmente estava prestes a alcançar o êxtase, seu corpo todo preparando-se como uma bomba relógio a segundos da explosão, Loki levantou levemente seu queixo, olhando-a com inegável satisfação impressa em seu rosto. Ela gemeu de insatisfação, e o sorriso do deus apenas aumentou. Entendera o que ele queria.
Filho da puta.
– Tem certeza que não é minha? – Loki brincou, debochado.
Miranda respirou fundo, seu corpo todo reclamando da frustração do desejo carnal, enquanto ele massageava lentamente seu monte de Vênus. Pouco a pouco, ela sentia as mesmas ondas de prazer invadindo seus sentidos, levando-os de novo a percorrer a mesma exaustiva e inebriante espiral de prazer. Não poderia lhe dar aquele gostinho.
Quando soltou um gemido agudo que não pôde reprimir, o deus sorriu enviesado e colocou dois de seus finos dedos dentro de seu sexo, movimentando-se em seu ponto G. O prazer foi ainda mais intenso, e ela soltou um gemido tão alto que se assemelhava a um grito, um grito de angústia e, ainda assim, deliciado.
– Está certa de que não me pertence? – O deus sorria, debochado e triunfante, brincando com ela a seu belprazer.
Miranda moveu a cabeça de um lado para o outro, em negativa, e ele apenas intensificou o ritmo, seus dedos massageando-a implacavelmente e fazendo-a perder os sentidos de tanto prazer. Ela gemia várias vezes, incapaz de refrear seus instintos animais e, outra vez, quando estava prestes a desfalecer de prazer, o deus parou de tocá-la, afastando-se subitamente.
Dessa vez, ela realmente gritou, e Loki apenas riu.
Antes que pudesse protestar, ela sentiu o membro viril do deus invadi-la, como seu corpo já havia implorado desde o início daquela sessão de tortura prazerosa. Fechou os olhos e respirou fundo, sabendo que não mais resistiria. Não tinha como. Aquilo era covardia, era golpe baixo... Era trapaça.
Quando mais uma vez estava em seu derradeiro momento de êxtase final, Loki mordeu o lóbulo de sua orelha, enquanto dizia, sussurrando de maneira tão sensual que deveria ser proibido:
– É minha? – Ela podia sentir o sorriso junto ao hálito quente e delicioso do deus em seus ouvidos. Miranda, reunindo seus últimos esforços, forçou os braços contra o tecido que a prendia com a maior concentração que conseguiu reunir, rasgando em tiras a corda que os imobilizava. Loki quase havia abandonado seu corpo quando olhou aquilo, seus olhos verdes surpresos com a mudança da situação. Como um animal selvagem, Miranda lançou-se ao seu pescoço, beijando-o com tanto afã e violência que poderia arrancar-lhe um pedaço da carne.
Em seguida, suas pernas enlaçadas na cintura do deus moveram-se de maneira que, desta vez, era ela quem estava por cima, segurando os pulsos de Loki. Ele sorriu malicioso, parecendo antever o que ela faria
Miranda abaixou-se e beijou-o longamente, seus quadris movimentando-se acima dele cada vez mais, e o próprio deus interrompeu o beijo devido aos gemidos guturais que saíam de sua garganta, ele também envolto em pleno prazer. Miranda liberou seus braços, que a enlaçaram pela cintura, incentivando seus movimentos sinuosos até que, juntos, gemeram de encontro ao ápice do prazer.
A mulher praticamente jogou-se em cima dele, deixando seus lábios molhados de suor pelo esforço aproximaram-se de seus ouvidos, sendo a sua vez de segredar-lhe algo.
– Sou sua. Mas você também é meu.
***
Miranda ainda deitava-se com Loki, desta vez de maneira não carnal, pois estava agora adormecido: ressonava baixo, da maneira elegante que não condizia com o sono dos reles mortais.
Ela fitava o teto da cama, ainda arfando de leve pela sessão carnal que haviam tido, uma das mais intensas das vezes recentes. Ela franzia as sobrancelhas, pois sabia que aquilo tudo era também uma arma que ele usava contra ela, para distraí-la do que realmente queria, ou temia... Ou planejava.
Mal haviam terminado a farsa para convencer os anões a se posicionarem do lado do deus da trapaça, em sua falsa identidade jotun, chamando a si mesmo Laufar – o que Miranda chegou à conclusão de ser uma mistura do nome de seu pai com algum outro alguém o qual ela não saberia dizer – e os anões caíram de joelhos sobre si, prometendo-lhes mil maravilhas. O interesse obviamente regado à cobiça e corrupção daqueles pequenos seres era praticamente palpável, mas não deixava de assombrá-la pela maneira perfeitamente correta com que o deus os previra e manipulara. Tudo acontecera exatamente como Loki dissera que aconteceria, o que levava a jovem mulher a pensar se ele realmente havia perdido seus poderes mágicos.
Aquilo não era apenas manipulação, era algo além. Como se os anões fossem meros fantoches, e Loki brincasse com eles a seu belprazer.
Apesar de estar, aparentemente, do seu lado, e de todas as estranhas declarações afetuosas que o deus lhe dava com certa regularidade, desde quando se conheceram e Midgard e, de certa forma, evoluíram em intimidade... Aquilo não podia deixar de perturbar Miranda: e se ele estivesse, afinal de contas, agindo da mesma forma com ela?
E o pior era saber que não seria a primeira vez que isso lhe aconteceria.
Assim que o “jogo” com os anões acabara, a mulher surpreendera-se com o dono da taverna fazendo mil e uma honrarias para o exótico casal de forasteiros viajantes, oferecendo-lhes por conta da casa hospedagem no melhor quarto da estalagem. Os anões, em seus sorrisos amarelos que resplandeciam ouro, pareciam, literalmente, terem sido comprados.
E ela temia a moeda que Loki poderia estar usando para comprar a si mesma.
Ele jamais a contara que matara o próprio pai biológico. Ela sabia que ele era, de fato, uma pessoa com ações perturbadoras no passado, alguém que lidara com diversas dificuldades internas ao longo da vida, e que, sinceramente, tinha uma péssima personalidade. Arrogante, agressivo, convencido, egocêntrico e manipulador.
Ironicamente, tudo o que a agradava. Afinal de contas, ela era igual. Farinha do mesmo saco.
E, nos poucos momentos em que baixava a guarda, ela podia vislumbrar como ele era antes de ter sido... Quebrado. Seus sorrisos de menino, suas palavras sussurradas... “Eu quero você.” Ditas com tanta urgência, que não poderiam ser, realmente, apenas um jogo de atuação. Seu ciúme possessivo, seu natural senso de proteção quando tratava-se da segurança dela, aquilo tudo não poderia ser apenas mentira, ser totalmente falso, superficial.
Ainda mais quando lembrava-se da expressão embasbacada que ele fizera quando o beijara em sua forma jotun. Tivera a sorte de, realmente, ter conseguido surpreender o deus da trapaça.
Mas o que adviria disso? Loki não parecia lidar nem um pouco bem com seu passado, tanto a respeito de Odin e Thor, e muito menos sobre suas origens jotuns. Era curioso estar utilizando-as agora para seu próprio benefício, quando ele aparentemente as desprezava e não conseguia aceitá-las. Será que pretendia, de algum forma, prejudicar aqueles que eram seu próprio povo?
A mulher foi surpreendida com três curtas batidas na porta. Deveria ser o estalajadeiro, pensou, oferecendo mais alguma regalia por conta do interesse que tinham em conseguir as pedras preciosas de Asgard.
Miranda vestiu-se rapidamente e abriu uma fresta da porta. O pequeno homem, chamado Mahar, pareceu constranger-se, dizendo baixo para não incomodá-la:
– Sinto muito pelo transtorno, senhora, mas são boas notícias. – O anão disse rapidamente.
– A respeito de...? – Miranda falou sarcasticamente, embora seu coração tenha passado a bater rápido. Loki era, realmente, digno de nota em suas manipulações.
– Pode dizer ao Rei Jotun que Hreidmar deu seu apoio. O grupo liderado por Fehir, o anão ancião que tratou com a senhora mais cedo – o taverneiro explicou – dirigiu-se ao seu castelo, mesmo a tal hora tardia, e recebeu o apoio da coroa. O jotun terá sua guerra, milady, e você sua vingança. – Ele sorriu cobiçoso, enquanto Miranda deu-lhe uma pequena – e falsa – pepita de ouro.
– Informá-lo-ei agora mesmo. Muito obrigada. – Miranda disse, fingindo cortesia, enquanto fechava lentamente a porta. O anão segurou-a por breves instantes, soltando uma exclamação hesitante.
– O que mais? – Ela disse, imperiosamente. Sabia que com tipos assim tinha de mostrar autoridade, senão não seria respeitada.
–Tenha cuidado, milady. – Miranda espantou-se. Os olhos do anão, redondos e azuis, olhavam-na com misericórdia. – Temo estarem travando uma batalha perdida. – Ele baixou os olhos para seus pequenos pés, e depois levantou-os até Miranda.
– Nunca confie em Loki, ou maus ventos virão ao seu alcance. Ele não tem amigos, somente inimigos. Como a senhora descobriu. – Ele disse, entre sussurros amedrontados.
Miranda engoliu em seco. Até um pequeno anão, sem ligação com a realeza, tinha ciência daquilo. Por que ela não poderia ter também?
– Estou certa disso. Por isso desejo tanto esta vingança. – Ela sustentou a atuação, enquanto o anão aquiescia, e finalmente fechou a porta.
Olhando de volta ao deus da trapaça, dormindo a sono solto naquele aposento de taverna medieval, Miranda se via de frente com algo que poderia tanto ser um sonho quanto um pesadelo. Mas que teria, afinal de contas, de continuar a sonhar até que finalmente descobrisse.
Mas será que desejaria descobrir?
Ela deitou-se devagar ao lado vazio do colchão, cobrindo-se com as cobertas vermelhas, perdida em pensamentos temerosos. Estava de costas para o deus adormecido, e, subitamente, sentiu um braço forte enlaçá-la, abraçando-a por trás e puxando-a para si. Miranda voltou o rosto para trás, surpresa e assustada, e viu que Loki, ainda adormecido, a havia abraçado, enlaçando-a por trás, seu corpo virado em sua direção.
Sentiu seu peito aquecer-se como se uma tocha tivesse sido acesa em seu coração, e não pôde evitar um sorriso sincero. Pôs uma de suas mãos acima da mão de Loki que repousava em sua barriga, e fechou os olhos, para continuar a sonhar.
Ah, que Odin me ajude. Eu estou realmente fodida.
***
Loki foi acordado com o som de algo que não reconhecia, e uma luz forte e branca indo diretamente em seu rosto. Tapando os olhos e coçando-os levemente, ele reconheceu a risada de Miranda, divertindo-se com algo que ele ainda não entendia nem podia reconhecer.
– Agora vou escolher o filtro e... Voilá! – Miranda virou o apetrecho tecnológico de Midgard chamado “celular”, mostrando-lhe uma gravura de si mesmo adormecido, com um filtro amarelado, parecendo com que a máquina tivesse algum tipo de defeito.
Irritado com as baboseiras da midgardiana, ele sentou-se rapidamente e pôs-se a se vestir.
– Com instagram e essas paradas, agora todo mundo é fotógrafo. Pena que não tenha sinal bom de internet aqui, senão eu compartilhava no “face” essa sua foto. Tá lindo. – Miranda debochou, ainda rindo e olhando o celular. – Adoro esses starkphones. – Ela sorriu, deixando o aparelho de lado.
– Este maldito objeto tem relação com Stark? – Loki disse, enojado e subitamente enciumado.
– É claro que sim! Em que mundo você vive? – Ela revirou os olhos e riu da própria piada que viria em seguida. – É claro. Asgard! – Ela gargalhou com a infâmia, e Loki ficou ainda mais irritado.
– Pensei que ele construísse armas de guerra. – Loki disse, desdenhoso.
– Antes. Agora só as armaduras egocêntricas dele mesmo. Se bem que indústrias de celulares podem ser tão inimigas da humanidade quando uma ogiva nuclear! – Miranda disse, séria, e Loki resolveu cortar suas besteiras antes que se demorasse mais.
– Olhe a safira. – O deus disse, imperioso.
– Existe uma palavrinha mágica... – Miranda disse, debochando bem-humorada. Loki reparava em como era fácil, e ao mesmo tempo, difícil, dobrar a midgardiana a seu favor. Nada que alguns truques não deem conta... Ele pensou, malicioso, enquanto sentia a costumeira e irritante pontada de culpa apertar-se em seu peito após esses pensamentos desdenhosos.
A mulher pegou a pedra, revirando os olhos já que Loki não lhe pedira educamente. Ignorando sua reação, ele apenas aguardou até que a jovem moça tocasse a safira e fosse revelado o paradeiro de Thor.
Com expressão cansada e sujo de terra e lama, o irmão mais velho de Loki aparentava confusão, olhando em várias direções diferentes. Loki entendera imediatamente.
– Como eu pensava. – Ele sorriu. – Meu tolo irmão não foi capaz de descobrir sozinho como chegar a Nidavellir. Temos a vantagem, mas não podemos abusar. – Sorriu enviesado e voltou seus olhos para Miranda, que parecia espantada.
– Desça e peça gelo ao taverneiro, muito gelo. Não podemos nos atrasar. – Loki sorriu, sentindo o mesmo triunfo da noite anterior, e ajeitou devidamente o seu capuz.
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