Journey Into Trickery

32 The King And The Lionheart


Notas iniciais
Eita rapaziada! Dessa vez eu demorei! Bem, foi mal mesmo pela demora, mas, como vocês sabem, minha vida é muito corrida, com faculdade e trabalho. Ainda mais agora em últimos períodos, nos quais estou envolta em simulados da OAB e cada vez mais responsabilidades. A segunda temporada de JIT está chegando BEM perto do final, sinceramente acho que em menos de 12 capítulos já iremos terminá-la. Tem MUUUUUUUUUUITO drama e muita emoção ainda pela frente, até porque TEREMOS a terceira temporada. ^^ Êêêê todos comemora! Só que essa terceira temporada virá num formato diferente, heheeh! Nada que vocês não vão gostar, relaxem. xP Dedico este capítulo especialmente a renatadupont, leitora muito querida e nova por aqui que recomendou a fanfic! Vinte recomendações é um número muito foda heehehehe adorei! Agradeço muito. Espero que isso incentive outras leitoras a recomendarem também, afinal de contas, vocês são literalmente centenas de leitoras e somente uma dezena se pronuncia a cada capítulo. =/ Leitoras fantasmas, isso é maldade com a autora aqui. Se não querem comentar, ao menos escrevam uma recomendaçãozinha aí! Isso incentiva a tia aqui a escrever mais rápido, hehehe, saibam disso! É uma via de mão dupla! Aproveitando para agradecer ao apoio das leitoras Baggins, Hellikait, Natii laufeyson Malfoy, GhostStories, LaurenPS, Larizg, TheWitness, Arrriba, CokeeH, Merida Mad Hatter e Nara, que comentaram no último capítulo! ^^ Aguardo os comentários de todas vocês, que responderei com muito carinho e toda a devida atenção! Eu demoro pra postar, mas não para responder comentários HAHAHAHAH! Esse capítulo é todo POV da Miranda, e o próximo (que eu já vou começar a escrever agora), será todo POV do Loki, por sua vez! Teremos muita ação nesse capítulo, Frigga sendo fofa como sempre e um final a la tiro, porrada e bomba! Hahahaha! É um capítulo interligado com o próximo, como se fossem os dois o mesmo, mas não daria para postá-los juntos porque sairiam umas dez mil palavras. Reparem que a música que colocarei em epígrafe é MUITO o Loki e a Miranda. Tudo a ver com os dois, e é uma gracinha! Recomendo a todas que ouçam! Até durante a leitura do capítulo mesmo. Então, beijos e boa leitura! Aguardo os comentários! ^^

Taking over this town, they should worry
But these problems aside I think I taught you well
That we won't run, and we won't run, and we won't run
That we won't run, and we won't run, and we won't run

And in the winter night sky ships are sailing
Looking down on these bright blue city lights
And they won't wait, and they won't wait, and they won't wait
We're here to stay, we're here to stay, we're here to stay

Howling ghosts
They reappear
In mountains that are stacked with fear
But you're a king and I'm a lionheart
A lionheart

His crown lid up the way as we moved slowly
Pass the wondering eyes of the ones that were left behind
Though far away, though far away, though far away
We're still the same, we're still the same, we're still the same

Howling ghost
They reappear
In mountains that are stacked with fear
But you're a king and I'm a lionheart
And in the sea that's painted black
Creatures lurk below the deck
But you're a king and I'm a lionheart

And as the world comes to an end
I'll be here to hold your hand
'Cause you're my king and I'm your lionheart
A lionheart, a lionheart
A lionheart, a lionheart
A lionheart, a lionheart
A lionheart, a lionheart

Howling ghost they reappear
In mountains that are stacked with fear
But you're a king and I'm a lionheart
And in the sea that's painted black
Creatures lurk below the deck
But you're a king and I'm a lionheart
A lionheart, a lionheart
A lionheart, a lionheart
A lionheart, a lionheart
A lionheart, a lionheart

Of Monsters and Men ~ King and Lionheart

– Está pronta?

Miranda piscou os olhos.

Estava de volta aos aposentos onde a “sociedade feminina” antes dialogara com ela, quando se recuperara do último confronto com as criaturas de Hela. Bem à sua frente, via Frigga, a mãe de Loki, suas mãos cruzadas na frente do corpo em uma postura de espera.

Ao lado da Rainha-Mãe da dinastia aesir, Sif encarava a própria espada, olhando a superfície da lâmina como se também estivesse aguardando algo. Leah, do outro lado de Frigga, encarava Miranda por cima do ombro, levantando seu queixo. Seus olhos verde-esmeralda mostrando a mesma expressão de desprezo costumeira. Por último, ao lado de Sif, estava Elaine, seus olhos presos na janela do aposento de hóspedes do castelo de Asgard no qual Miranda havia repousado durante aquele dia.

A midgardiana demorou algum tempo para assimilar o que a deusa queria dizer. O último encontro com Loki ainda mantinha seu efeito de torpor agradável em seu corpo e mente, enevoando seus pensamentos. Talvez pela distância física trazida pelos dias que passaram separados, Miranda tinha a impressão de que a cada curta ‘visita’ que podia lhe fazer, o deus da trapaça parecia mais... Aberto, na sua presença.

É claro, devia considerar que Frigga fizera um movimento no mínimo ousado ao enviá-la – sem que soubesse – vestida com roupas de noiva asgardiana para ter com ele enquanto preso em sua cela nas masmorras do Palácio Real Dourado. Mas, depois de tanto tempo recebendo o mesmo tratamento frio e distante que eram típicos do deus da mentira, era surpreendente essa mudança... Por mais que ainda sutil.

A forma como ele a olhara, da última vez, com tanto zelo e preocupação... Sua revolta com as atitudes do Pai de Todos, em arriscar a vida de Miranda em um teste de suas forças recém-adquiridas pelo porte da pedra norn da vida. Sua certeza sagaz dos perigos que a jovem mulher se envolveria, sabendo e prevendo que ela pretendia tomar parte definitiva na derrota de Hela...

– A deusa-mãe lhe fez uma pergunta. – Leah interrompeu o fluxo de pensamentos de Miranda, seus lábios franzidos enquanto falava. Se meus pensamentos te desagradam, pirralha enxerida, é só não lê-los. Miranda pensou propositalmente, enquanto a aprendiz de Hela a encarou, franzindo os olhos aguilhoados. Provavelmente a menina estava enciumada, mais uma vez.

– Sinto muito. – A midgardiana de olhos cor de mel passou uma das mãos por seu rosto, levantando as sobrancelhas e comprimindo um suspiro. Lembrou-se de imediato da próxima tarefa que teria de desempenhar.

Antes de conversar com Loki por meio do truque ilusório de Frigga, magia que ambos compartilhavam, e que Miranda desconfiava ter sido ensinada ao deus da trapaça por Frigga, a deusa-mãe lhe alertara que Odin exigira uma conferência particular com ela. A jovem mulher desconfiava de que seria algum presumível teste de seus poderes, mais uma vez.

– É claro que sim. – Miranda se esforçou para manter uma postura firme, enquanto as outras mulheres a encaravam. – Apenas me diga para onde devo ir. – Ela olhou Frigga, buscando fidúcia em seus orbes azuis celestes como os de Thor.

– Ao sair destes aposentos, alguns guardas reais a esperam para encaminhá-la ao encontro de Odin. – A rainha de Asgard explicou.

– Não se preocupe. – A imponente deusa falou, com propriedade, enquanto segurava as mãos de Miranda. A jovem mulher sentiu gratidão e alívio instantâneos pelo gesto maternal e acolhedor, recebido de bom grado. – Não há o que temer. Você está preparada. – Frigga falou com certeza ímpar, e moveu as mãos de forma a transformar as vestimentas de Miranda outra vez na armadura com detalhes verdes e prateados que ela mesma projetara para si, baseada na de Sif.

– Bem... – Miranda não sabia como responder àquilo. Não sabia se era realmente digna de tanto carinho por parte de uma mulher altiva e admirável como a rainha aesir.

Assim, seus olhos perpassaram novamente os rostos de Elaine, que agora lhe sorria confiante, Sif, que lhe dava olhares de esguelha, enquanto mexia no cabo da lâmina de sua espada, e Leah, que a encarava com um claro olhar de zombaria, como se duvidasse de suas capacidades supostamente garantidas por Frigga.

– Obrigada pelo apoio de todas. – A jovem midgardiana sorriu mais uma vez, balançando a cabeça de leve em uma espécie de agradecimento. – Espero não demorar muito. – Se permitiu arregalar levemente os olhos e fazer a piada simpática, o que levou Frigga a rir com naturalidade. As outras, provavelmente tendo sido incentivadas pelo gesto informal da deusa, deram risos simpáticos. Com exceção de Leah.

Miranda girou em seus calcanhares, e pôs-se a caminhar para a porta do quarto. Era melhor não olhar para trás, e enfrentar logo o que quer que Odin tivesse lhe reservado de uma vez.

– Miranda. – Leah falou, e a midgardiana de cabelos castanhos parou subitamente. Sua mão direita já havia encontrado a maçaneta da porta.

Ela olhou por trás de seus ombros, e reparou que todos os olhares repousavam em Elaine. Os olhos antes azuis escuros da ninfa loira de Freya estavam agora prateados.

A jovem mulher sabia o que aquilo significava.

O coração de Miranda retumbou em seu peito, aguardando a nuvem prateada perpassar os olhos da ninfa, para que voltassem outra vez à sua coloração original. Engoliu em seco, e, depois de alguns segundos, finalmente Elaine falou:

– Na próxima vez que Leah e Frigga lhe procurarem, será a hora de pôr o plano em prática. – A vanir previu, e de imediato o ar daqueles aposentos foi transformado do antes aconchegante sentimento de cumplicidade para um praticamente palpável desconforto.

Já não podia esperar mais. Era chegada a hora de agir.

Munindo-se do máximo de coragem que conseguia, a jovem midgardiana controlou suas mãos para que não tremessem, e deu um último aceno de seu rosto em despedida às mulheres que tanto a ajudaram.

Ao fechar a porta do quarto, viu quatro guardas aesires armados dos pés a cabeça, que imediatamente assumiram suas posições ao redor dela. A cercaram em uma espécie de quadrado protetor, e Miranda logo se perguntou se aquele cerco era para protege-la... Ou para se protegerem a si mesmos.

Enquanto caminhavam por inúmeros corredores, atravessavam pátios de pedra, jardins e salões incontáveis do descomunal Palácio de Asgard, Miranda se mantinha em silêncio durante todo o percurso, e era acompanhada pelos guardas neste quesito também.

Seus pensamentos voavam desconexos em sua mente, relembrando tudo o que vivera em sua jornada até então. Desde o dia em que um deus quase literalmente caíra em sua vida, ela fora levada para mundos e realidades que sequer imaginava existirem, e agora enfrentava o que poderia ser o evento mais arriscado de todos os Nove Reinos.

A desconstrução da profecia do Ragnarok.

A guerra estava cada vez mais perto, Elaine previra que o confronto com Hela estava próximo... Miranda imaginara que a deusa da morte tentaria esgueirar-se para dentro de Asgard antes que os embates realmente começassem, antes que liderasse Hreidmar e Surtr para o território aesir. Ela provavelmente conseguiria seu apoio e vingança ao contar-lhes da descoberta do falso príncipe jotun “Laufar” e da também da enganosa aprendiz de Loki “Hale”.

Mas, ainda que ela, Frigga, Elaine e Leah já tivessem uma manobra pronta, ainda que estivessem supostamente preparadas para o confronto, ainda que tudo estivesse correndo conforme o que todas esperavam... Era amedrontador. Quase paralisador.

Por que ela deveria estar ali, afinal de contas? Ela era apenas uma midgardiana. Uma midgardiana que, pela força do acaso, fora tocada pelo sopro de Hela, e agora portava a pedra norn da vida.

Mas teria sido o sopro de Hela, com o qual a deusa agraciara sua alma antes de seu próprio nascimento, antes que Freya ou qualquer deusa da adivinhação pudesse imaginar que iria pertencer a uma midgardiana, uma jovem mulher chamada Miranda, que em seus 26 anos encontraria com o deus da trapaça e suas vidas se fundiriam em uma...

...Teria tudo isso sido apenas coincidência?

A cabeça de Miranda já começava a doer, angustiada pelos seus pensamentos, e por todas as dúvidas e aflições que, não restavam dúvidas, fora Loki quem as trouxera para si. Caminhava naquele momento junto aos guardas por uma escadaria a céu aberto, no que parecia ser um terreno anexo ao Palácio de Asgard. O sol vespertino batia nos degraus dourados, claramente embebidos em ouro, mas ela não assimilava nada daquilo. Ainda estava presa dentro de si mesma, presa naquela realidade que era difícil, difícil demais de assimilar.

Mais uma vez, passou a sentir a costumeira raiva das atitudes displicentes e egoístas do deus da trapaça. Quantas vidas ele não prejudicara, ou pior, quantas vidas ele não permitira serem ceifadas por seus caprichos e tramoias? A de Miranda, as vidas de todos os Nove Reinos estavam por um fio, graças ao plano elaborado da mente que era, provavelmente, a mais maquiavélica de todas. Um plano que poderia ser a salvação de todos, ou a completa perdição. O fim de todos os mundos.

Mas, ao mesmo tempo, ele agira, desde o início do plano, de forma a tentar protege-la. Ainda que de uma maneira completamente distorcida e controversa, Loki cada vez mais mostrava se importar, de verdade, com a segurança de Miranda. A midgardiana de olhos cor de mel franziu as sobrancelhas, subindo degrau atrás de degrau, respirando pesado. Seu coração se acelerava, e ela sabia que aquilo não tinha relação com o esforço físico impelido.

Minha cabeça vai explodir e não vai ter pedra norn da vida que dê jeito. Hela não vai nem ter que fazer esforço. Miranda pensou, passando a mão em sua testa, respirando uma tragada funda de ar.

Por alguma razão curiosa, lembrou-se de um trecho de sua obra literária favorita, “O Senhor dos Anéis”, de J. R. R. Tolkien: “Não se preocupe, Peregrin Tûk. Você encontrará sua coragem.”

Em seguida, como que por um feitiço em sua mente, a imagem do hobbit foi substituída de imediato pelas íris verdes que mais amava em todos os Nove Reinos.

Acho que já encontrei a minha, Galadriel. A jovem mulher respondeu seus próprios pensamentos mentalmente. Sorriu consigo mesma, para não cair em prantos.

****

Ao enfim terminar o percurso até onde se daria a conferência com o Pai de Todos, Miranda teve de controlar-se para não permitir que seu próprio queixo caísse em uma expressão de puro assombro.

Os guardas reais a haviam levado para uma espécie de arena a céu aberto, lembrando-a do coliseu para gladiadores, como o famoso sítio histórico italiano. Após uma subida de inúmeros degraus, as escadas terminam em um terreno plano, alto e arenoso, muito acima da superfície do chão aesir.

Não havia ninguém nas arquibancadas ao redor. Exceto, muito ao longe, ocupantes de uma espécie de camarote de honra, no que seria o ponto mais ao norte daquele terreno. Os guardas fizeram um gesto com as mãos como se apontassem naquela direção, e Miranda os seguiu, escoltada por todo o tempo que caminhava.

Ao estar bem próxima, pôde reconhecer os imperiosos traços que pertenciam ao pai adotivo de Loki. Odin, mantendo seu cetro firme em suas mãos, sentava-se em uma cadeira de espaldar alto, sua postura firme e incontestável imponente mesmo àquela distância.

Ao lado do rei de Asgard, Miranda via muitos homens idosos, verdadeiros anciãos, vestindo o que pareciam ser vestes elaboradas com capuzes caídos atrás de seus pescoços. Alguns portavam pergaminhos longos e penas, enquanto outros, sem estarem munidos de nada específico, conversavam entre si em vozes baixas e sérias.

Que velho fdp. Estar rodeada de figurinistas de “O Nome da Rosa” significa “conferência particular”, agora?!

Com austeridade, Odin levantou-se, assim que os guardas pararam de caminhar ao lado de Miranda, que já encontrava-se também inerte na posição que usara para estudar os acólitos do deus idoso. Em seguida, saudou respeitosamente o pai do deus da trapaça, contra sua própria vontade, acompanhando o movimento solene dos guardas asgardianos.

– Miranda Foster, filha de Pavlo Diericht Kohler, filha adotiva de Jonathan William Foster. – Odin mencionou o nome do pai de criação dela, que tanto a machucara, e jurou poder ter escutado algumas risadinhas disfarçadas de escárnio de alguns dos anciãos ao redor do deus rei. Devem estar me comparando com Loki. Debochando de dois filhos adotivos que, pelo visto, não deram certo. Miranda pensou, seus lábios se franzindo de raiva, enquanto fechava as mãos em punhos. De imediato, sentiu-se ainda mais cúmplice do deus da trapaça, mas de forma calorosa. Como se quisesse realmente defende-lo.

Vão ver do que valem os filhos desgarrados. Ela pensou, seu sangue já fervendo dentro de si, pela raiva imediata trazida pela troça por parte dos anciãos.

– Você foi chamada aqui para se apresentar diante de mim. – Odin falou, sua voz ainda mais retumbante que a de Thor, ainda que tivesse o tom mais rouco e falho pela idade. – Pude testemunhar, ao longe, graças à vigilância de Heimdall, sua bem sucedida investida contra os arautos de Hela. – O deus rei pausou seu discurso antes de continuar. – Mas ainda não sei em totalidade do que esta pedra norn da vida é capaz. – Ele concluiu.

– Vossa Graça, se me concede a palavra. – Miranda pediu, tentando manter sua voz o mais educada possível. Odin assentiu com austeridade. Não poderia admitir para o deus rei que não conhecia os limites da pedra norn da vida, mas também não seria plausível inventar algo de que não tivesse total certeza.

– Os poderes da pedra norn da vida compreendem a defesa. Ela não é realmente um instrumento de ataque, mas sim de contra-ataque. Fornece uma proteção sem igual ao portador, e a quem mais ele desejar garantir a própria segurança, em caso de ataques imprevistos. – Ela tentou resumir. Os guardas reais ainda mantinham o cerco a jovem mulher, parados ao seu redor.

– Isso eu poderia imaginar. – Odin respondeu, com leve sarcasmo em sua voz, que se mantinha no mesmo tom sério e autoritário que, ao que parecia, lhe era rotineiro. – Mas terei de testá-lo efetivamente para avaliar sua capacidade danosa. – O deus rei falou, e moveu seu cetro de forma a batê-lo em um baque junto ao chão de seu camarote.

Capacidade danosa? Miranda franziu as sobrancelhas. O que esse velho está pensando? Que vou usar a pedra contra ele? Ela arregalou levemente os olhos, percebendo o quanto aquela dinâmica familiar era realmente preocupante.

Provavelmente ordenados pelo movimento feito por Odin e seu respectivo cetro, os guardas afastaram-se de Miranda, para logo depois retirarem suas armas, que pareciam, como tudo no Palácio aesir, simultaneamente modernas e antigas ao mesmo tempo. Apontaram-nas para a jovem mulher, que olhou chocada para o deus rei da dinastia aesir.

Um segundo depois, Miranda teve o olhar desviado para um som longínquo em meio à ampla arena repleta de areia. Assim, reparou em portas que se abriram nos muros ao redor das arquibancadas, das quais inúmeros guardas reais saíram, caminhando firmes em sua direção. Todos portavam as mesmas armas que os outro quatro guardas, e já as miravam contra si.

– Atirem. – Odin falou, displicente.

Velho filho da puta! Miranda pensou, de imediato, enquanto suas mãos se fechavam em volta da pedra norn da vida.

Tudo aconteceu no mesmo segundo.

Durante o mesmo momento em que projéteis de energia eram atirados em sua direção, fazendo um ruído ensurdecedor pelos inúmeros disparos vindos de todos os lugares da arena, ela sussurrou para si mesma o encantamento de proteção que Loki lhe ensinara, e o efeito foi mais do que instantâneo.

Logo que os projéteis se aproximaram do seu corpo, feitos de uma matéria quase transparente que Miranda não sabia aferir o que era, dada sua natureza totalmente estranha ao que ela já conhecia, foram isolados para os céus, em todas as direções. Ela conseguira manejar um bem sucedido campo de força lilás, seus ouvidos quase ensurdecidos pelo barulho supersônico da energia de força imensurável que era compreendida para o esforço.

O campo de força fora tão violento que, enquanto a jovem mulher de olhos cor de mel não podia enxergar nada ao seu redor dada a imensidão lilás gerada pelo feitiço, não pôde ver o que realmente fizera.

Ao piscar os olhos assim que o campo enfim sumira, Miranda baixou os braços ao longo do corpo, e, dessa vez, seu queixo realmente caiu.

Estatelados no chão arenoso da arena, estavam centenas e centenas de guardas aesires, a maioria com as mãos em seus ouvidos, seus dentes crispados, seus maxilares contraídos pelo ruído fragoroso do feitiço de proteção da pedra norn da vida.

Os ouvidos de Miranda se recuperaram da surdez momentânea rapidamente, talvez até mesmo por efeito da pedra norn, que era também curativa. Porém, dos guardas não poderia se dizer o mesmo, aparentemente. Logo, a jovem midgardiana de cabelos castanhos reparou que eles jaziam longe de si, comprovando que o campo de força não só desviara os projéteis de suas armas como inclusive os forçara para longe da figura de Miranda.

Ela moveu seus olhos cor de mel para Odin, e teve de se controlar para não mostrar uma expressão de triunfo que soasse desafiadora. Um sorriso gaiato brincava em seus lábios, mas ela não poderia ousar demais.

Orgulhoso, Odin não mostrava surpresa alguma, tampouco preocupação com o estado dos próprios soldados.

Já sei de onde o inglesinho tirou tantas ideias fascistas...

– Interessante. – Ele disse, meramente. – Mandem o Destruidor. – Odin clamou, e os anciãos passaram a cochichar de maneira aflitiva entre si.

“Destruidor?” Essa porra não me soa bem... A mulher levantou as sobrancelhas, um pouco nervosa. Reparou, em seguida, nos guardas que enfim se levantavam, com dificuldades, e saíam pelos diversos túneis de entrada, até então invisíveis em meio aos muros em volta das arquibancadas da arena. Quando só havia Miranda, sozinha, em meio ao amplo local, ela ouviu um ruído metálico trovejante.

A terra abaixo de si tremeu. A jovem midgardiana engoliu em seco, olhando para o terreno arenoso. Logo em seguida, levantou os olhos.

Bem em frente, a uma distância considerável de si, um túnel escuro se abriu em um pedaço randômico do muro. Os sussurros dos anciãos ficavam cada vez mais audíveis, e Miranda quase gritou para que se calassem com urgência, dada a agonia intensa que aumentava paulatinamente, com seu coração pulsando em sua garganta.

Não via nada mais além, no túnel. Apenas um espaço escuro, o que a angustiava cada vez mais.

Finalmente, depois de longos segundos de espera, ela viu um reflexo prateado brilhar graças ao sol da tarde.

Seus olhos se arregalaram, e ela comprimiu uma exclamação de ansiedade.

Um ser enorme – se é que era um ser – que mais parecia um humanoide robótico, de muitos e muitos metros de altura, do tamanho de um balrog de Surtr, pisava com estrondo na terra repleta de areia da arena. Caminhava decidido na direção de Miranda, que teve o impulso de pular a mureta e fugir arquibancada adentro.

Aquilo, o que quer que fosse, era uma arma de guerra. E uma arma de guerra forte, poderosa, talvez até mesmo com propriedades invencíveis. Tinha mãos, pernas, tronco e uma cabeça, mas não tinha rosto. Apenas um espaço escuro no que seria o visor de sua armadura.

Estou com um péssimo pressentimento.

A armadura humanoide levantou uma das mãos, direcionando-a para Miranda, como se fosse uma arma em processo de carregar seus disparos.

No segundo seguinte, as mãos de Miranda já tinham se fechado em volta da pedra norn, e ela conjurou o outro feitiço que conhecia.

Com o coração aos pulos, a jovem mulher concentrou-se no “Destruidor”, esperando que algo saísse de suas mãos. Mas, subitamente, seu olhar foi atraído para o rosto do humanoide robótico.

O visor de sua armadura flamejava, fulgurando em chamas.

Uma fração de segundo depois, um jato de chamas veio na direção da jovem mulher. Ela só pôde sentir o calor insuportável quase a consumindo por inteira, antes de fechar os olhos pela intensa luz promovida pelo seu feitiço conjurado.

De olhos fechados, Miranda levantou as mãos, que antes estavam em concha. Nelas, uma esfera de luz cada vez mais larga desviava as chamas de seu corpo, que eram obrigadas a fazer um círculo de fogo ao redor da silhueta de Miranda, metros distante de si, de forma a não prejudica-la realmente. Ela vira o que acontecera ao piscar rapidamente os olhos, e ser obrigada a fechá-los outra vez, para não cegar a si mesma.

Depois disso, a esperta mulher pôde ouvir, muito ao longe, exclamações de surpresa dos anciãos, bem como reclamações audíveis e mais sussurros afobados.

Após o que acontecera, ela abriu novamente seus olhos, vendo que o “Destruidor” já recarregava a própria munição para continuar a ataca-la. Propositalmente, aproveitando os segundos de folga que lhe restavam, Miranda moveu as mãos em movimentos rotatórios, fazendo a esfera de luz e energia aumentar cada vez mais. Piscou os olhos, vendo que até mesmo Odin tinha de tapar a própria visão com as mãos, enquanto areia e fogo se alastravam para todos os lados. A esfera trouxe uma espécie de vento promovido por sua concentração de potência tal que o humanoide foi arrastado para trás, tropeçando no terreno arenoso para se manter de pé.

Em seguida, Miranda, com uma das mãos, conjurou uma bola de fogo e a lançou na direção de alguns dos anciãos que riram do fato de ser filha adotiva, claramente debochando dessa sua similaridade com Loki e do fato de serem “ovelhas negras” de suas respectivas famílias. De olhos fechados, eles apenas gritaram quando sentiram suas vestes pegando fogo. Como a luz intensa do feitiço luminoso da jovem mulher, promovido anteriormente, impedia a todos de enxergarem por alguns momentos, ninguém poderia acusa-la de tê-los atacado deliberadamente.

Miranda sorriu para si mesma, e voltou suas atenções para o Destruidor.

Passaram alguns minutos atacando um ao outro, enquanto Miranda desviava da trilha de chamas que o humanoide robótico criava e tentava aumentar ainda mais a amplitude da esfera de energia da pedra norn da vida. Por mais que lançasse suas chamas de volta para ele e o atacasse com outros diversos feitiços e encantamentos, nada parecia ter efeito contra sua carapaça intransponível. Ela inclusive havia lhe atacado com a esfera, já não mais sabendo o que fazer, mas ela somente lançara a armadura longe, de encontro ao muro, que rachou dada a potência do golpe. Todavia, segundos depois, o “Destruidor” se levantou, sua armadura apenas arranhada e queimada.

Em determinado momento, Miranda cometeu um erro quase fatal. Tentando desviar da trilha de fogo do “Destruidor”, ela calculou mal a distância e se viu presa em um círculo de fogo crepitante, sendo obrigada a transpassa-lo pelo caminho que voltara.

Mas, se o fizesse, iria de encontro à arma de destruição em massa aesir.

De súbito, teve uma ideia plausível. Poderia pôr tudo a perder, mas, era a única saída.

– Vem me pegar, Homem de Lata! Vou passar a “receita” dessa sua armadura aí pro Tony, se um dia eu voltar a Midgard! Ele vai se amarrar! – Miranda fez a piada que só ela entenderia, já acostumada com essa rotina de não ser compreendida.

Miranda abriu os braços, correndo de encontro ao “Destruidor”. O humanoide a levantou com uma das mãos, assim que ela se aproximou o suficiente, sem a menor dificuldade. Ela sentiu sua mão metálica apertando seus ossos com uma força que, tinha certeza, não fosse a magia de Hela e da pedra norn da vida, a teria quebrado em mil pedacinhos.

Sentindo uma dor lancinante em todos os seus músculos, Miranda aguardou que o visor da armadura do “Destruidor” passasse a mostrar as chamas que carregava dentro de si, e foi rápida e certeira:

– Do tamanho de um balrog, e burro como um! – Ela provocou, enquanto proferiu o encantamento que funcionara contra a fera de Surtr, e movia suas mãos na direção do fogo crepitante do visor do robô de guerra aesir. — “Fra brann til vann, monster.

Logo em seguida, de suas mãos saíram jatos potentes de água, inundando toda a armadura do “Destruidor”. Em segundos, ele a soltou, e Miranda caiu lépida no terreno arenoso, seus joelhos se dobrando para amaciar a queda, uma de suas mãos favorecendo seu apoio. Já não mais conjurava água, e sabia que apenas precisava assistir para ver o fim do duelo.

Ela admirou a figura humanoide levar as mãos ao próprio rosto, parecendo confusa, enquanto a água jorrava armadura afora. Miranda sorriu vitoriosa ao ver a armadura se desfazer, desmontando-se em diversos pedaços, caindo separados. Enquanto se desmontava, a água que consumira a armadura ia saindo aos borbotões do que antes eram os braços, pernas e tronco da arma de guerra dos aesires. A água, espalhando-se pelo campo da arena, apagou os vestígios de fogo que ainda havia.

Quando tudo estava enfim terminado, ela voltou-se na direção de Odin, e, finalmente, permitiu-se fazer uma reverência debochada, seus cabelos tocando o chão de areia de tanto que se curvou em zombaria.

– Impressionante. – Odin respondeu, mas seu rosto não demonstrava nada além de pura apatia, arrogância e pompa. – Quem mais poderei chamar para lutar contra você? – Ele perguntou retoricamente. Os anciãos finalmente passavam a abrir seus olhos, e Miranda vira que os que atacara finalmente haviam conseguido apagar as chamas em suas vestes, reduzidas pela metade, de forma ridícula. Pelo visto, não haviam sido queimados pelas chamas, não de forma considerável.

Ela encarou o deus pai da dinastia aesir, quase sem acreditar. Tem mais? Quantos? Esse reumático escroto não vai desistir? Estava quase soltando um suspiro exasperado, quando uma fumaça acinzentada, repleta de negrume, estourou em meio a arena.

Miranda, voltando-se em uma posição de defesa, sua mão machucada apertando com força a pedra norn da vida, sentiu a magia conhecida trazer-lhe a típica sensação de formigamento em todos os poros seus.

Logo, após alguns segundos, fizeram-se ver em meio à névoa escura, não Hela, para alívio da jovem mulher. Mas sim, Leah e Frigga.

Todavia, aquilo tampouco era um bom sinal.

– A deusa da morte invadiu Asgard. – Leah falou agourenta. – É chegada a hora de agir.

Miranda engoliu em seco, assentindo silenciosa. Os anciãos passaram a discutir em altos brados, alguns gritando, outros exclamando impropérios e reclamações. Odin gritou por silêncio, não se movendo de sua cadeira.

– Vossa Graça! – A voz de Frigga fez-se ouvir, imperiosa, e nem mesmo o deus rei falou. – Não há tempo a perder. Terei de leva-la. – A deusa mãe da dinastia aesir ordenou, e não houve quem a contestasse.

Foi mal gente, não tem como negar! São um OTP hahahaha!

Notas finais
Nesse capítulo tivemos várias reminiscências tanto do início de JIT quanto da primeira temporada! Acreditem, pessoal, nada do que eu coloco aqui na história é por acaso! Está tudo interligado e tem um motivo por trás hehehehehe! A frase em norueguês do feitiço da Miranda significa "do fogo para a água, monstro", e ela já tinha usado o mesmo feitiço contra um balrog antes hehehe! E Odin menciona os nomes dos pais dela, tanto do biológico quanto do adotivo. Espero que tenham gostado! No máximo até amanhã sai o próximo! Apenas peço que comentem nos dois, por uma questão de consideração, por favor! Capítulo sem comentário é algo muito deprimente.