Journey Into Trickery

2 Power Isn't Power: Knowledge Is Power


Notas iniciais
Queriditas de meu corazón! Sinto muito por ter demorado para postar este capítulo, mas minha faculdade voltou as aulas semana passada e eu tive um bando de pepinos para resolver! Entretanto, acho que essa semana teremos dois capítulos postados, hohohoho, para compensar. Antes de falar do que trataremos neste capítulo, e aí, alguém viu Oz? Estou doida para ver Mila "Miranda" Kunis nas telonas dos cinemas! ♥ Se alguém tiver visto, conte-me nos comentários o que achou! Neste capítulo, veremos Miranda descobrindo mais sobre um lugar que achava existir apenas em sonhos, e Loki, passo a passo, começa a trilhar seu caminho para um plano que não é nada mais, nada menos do que... Repleto de maquinações e trapaças, fazendo jus a seu nome. O que estão esperando, gatinhas? Beijos e boa leitura!

Miranda olhava para o céu estrelado de Ljusalfheim, caminhando atrás de Loki, seguindo-o para onde ele queria levá-la, enquanto pensava, atônita, em como sua vida tinha — quase literalmente — virado de cabeça para baixo.

Há um dia atrás eu estava em Midgard, e agora... Sentiu seu coração se acelerar. Ela era adepta de loucuras, de viagens radicais e amante da adrenalina; gostava de sentir seu sangue pulsando rápido pelo seu corpo, correndo pelas suas veias com sua respiração acelerada, ameaçando parar de tanto esforço. Ela gostava de viver perigosamente, flertando com a morte, descobrindo até onde teria coragem de chegar.

Mas isso era antes de dar valor à vida... E a vida dos outros.

Ainda mais ao considerar que estava em um local totalmente estranho, do qual não conhecia a geografia, história, cultura, política, ou o menor dos detalhes. Até os seres que ali viviam eram estranhos para ela, e, quando parava para pensar nisso, sentia uma vertigem maldita tomando conta de seu corpo, como se estivesse em queda livre, mesmo apoiada em um chão firme. Era demais para aguentar.

Mas então seu olhar dirigia-se, como que por um feitiço, em direção a Loki. Não sabia o que se passava pela mente dele, ou que jogo estava realmente jogando... Não sabia sequer o que planejava, afinal, ele aparentemente não pretendia abrir-se com ela a respeito disso. Sabia apenas que ele era o deus da trapaça, o deus do logro e do engano, e, por algum motivo estúpido, patético e sem sentido...

...Ela se sentia segura com ele.

Acho que essa é a pior TPM da minha vida. Ela pensou, ironicamente, como se culpar seus hormônios femininos servisse como desculpa para aquele comportamento irracional e sem motivos. Mas agora ela não tinha outra escolha.

Ou teria? Se quisesse... Ela sabia o caminho para voltar. Poderia rumar até Yggdrasil, e tentar descobrir um dos túneis que levasse a Midgard. Era uma opção. Mas por que, então, preferia colocar-se naquela situação de risco, expondo-se sem garantias, confiando na última pessoa que deveria confiar?

"We're all mad in here." Ela pensou, ironicamente, e soltou um muxoxo de desdém contra si mesma.

– Divertindo-se? — Loki interrompeu o fluxo de pensamentos de Miranda, um sorriso enviesado e debochado em seu rosto, seus lábios movendo-se para o canto direito de sua boca, fazendo pouco da jovem mulher. Seus olhos verdes encaravam-na intensamente, como se pudessem ler cada sentimento, sensação e pensamento dela.

– Ah, acredite, não. — Miranda disse, revirando os olhos. — Estava apenas pensando. — Ela pegou uma folha do chão, caminhando atrás de Loki, que a levava agora para outro lugar dentro daquele reino digno de contos de fadas.

– Não sabia que era capaz disso. — Ele disse quase inocentemente, debochando abertamente dela. Miranda pegou uma pedrinha do chão, indignada, e mirou-a certeira na nuca de Loki. Sem sequer olhar para trás, o deus levantou seus braços e segurou-a antes que atingisse aquela parte do seu corpo, deixando a pedrinha de lado, jogando-a para seu canto direito.

– Uau. Isso foi digno do Yoda. Vai me ensinar a usar a Força? — Ela sorriu sarcasticamente. — Mas você tá mais pra Sith do que pra Jedi. — Miranda manteve o sorriso debochado. — Lembre-se que os padawans dos Sith sempre matam seus mestres no final.

Loki soltou uma risada abafada. Ela sabia que não poderia ter relação com sua menção à Star Wars — afinal, duvidava que tivessem cinema ou dvd em Asgard — mas acreditava que tal humor vinha das suas últimas palavras.

– Não sabia que alguns de seus desejos por mim eram também assassinos. — Ele sibilou, sua voz fria e, ao mesmo tempo, provocante.

– Freud explica. Dizem que toda pulsão tem agressividade, ou algo assim. A linha entre a dor e o prazer é muito tênue, e também entre o desejo e o ódio. Pergunta pro seu terapeuta. Aliás, você é alguém que precisava muito fazer análise... — Miranda começou a falar suas bobagens, mas Loki, sem dar-lhe atenção alguma, havia parado de caminhar. Ela esbarrou seu rosto na altura dos ombros do deus, e soltou um suspiro de exasperação.

Quando olhou por cima do ombro de Loki, seu queixo caiu em admiração.

À sua frente, havia uma espécie de templo, ou os destroços que restaram dele — que lembravam ruínas gregas — ao ar livre. Não havia ninguém no local, apenas inúmeras árvores, de troncos grossos, escuros e copas altíssimas, que impediam aqueles que por ali caminhassem de ver o céu mais acima. A grama crescia em meio aos degraus de uma pequena construção agora abandonada, e, entre uma espécie de mármore do piso dela, em pequenos vãos criados pelas intempéries e o correr dos anos e eras, cresciam a verde relva que ali havia, junto a pequenas flores campestres. O material parecia unir-se à natureza, de maneira praticamente idílica, sonhadoramente.

Parece com aqueles campos europeus... Miranda pensou, extasiada. Manteve-se encarando aquele idílico local, estudando mais seus detalhes. Pilastras do mesmo mármore erguiam-se ali, contornando a edificação já destruída pelo tempo, com pequenos muros brancos no que deveriam ser as suas paredes. As pilastras encontravam-se algumas pela metade, outras ainda inteiras, embora com algumas rachaduras aqui e ali.

Em volta deste pequeno cenário em ruínas, vários vagalumes brilhavam, como minúsculas lanternas cândidas voando, luzes belas e brilhantes como se protegessem e guardassem aquele distinto lugar.

Miranda fechou os olhos, sentindo o perfume noturno daquelas flores, e o ar fresco e límpido de um lugar intocado de poluição e outros males. Aproximou-se devagar, esquecendo-se da presença de Loki, e, por algum motivo que não sabia explicar, suas memórias de infância vieram à tona.

Lembrou-se de si mesma, ainda bebê, embalada nos braços de sua mãe. Uma mulher de pele bronzeada, cabelos mais escuros do que os dela e os mesmos redendos e distintos olhos cor de mel. Ela a encarava cheia de carinho, cantando-lhe uma canção de ninar em ucraniano. Miranda fechou os olhos, e, com suas pequenas mãozinhas, pegou o dedo indicador que a mãe usava para acariciar seu pequeno rosto.

Seus sensíveis ouvidos captavam a voz doce e aguda da mãe, cantando devagar, como se não houvesse ninguém mais no mundo além delas duas. Não sabia que era sequer capaz de entender aquela língua, tão claramente como se fosse realmente fluente, mesmo só tendo escutado-a por curtos anos de sua vida.

Sua mãe sentava-se em uma cadeira de balanço, e os curiosos olhinhos de Miranda olhavam do rosto da mãe para a janela da pequena casa do interior da Ucrânia na qual moravam, em uma cidadezinha afastada. Via a noite estrelada e pacífica como a que vivia agora com Loki, naquele reino muito distante. Fechou seus pequenos olhos, e seus ouvidos atentos apenas escutavam, tranquilos, em paz, o doce som da voz materna, repleta de amor e afeição.

"O Sonho passa pela janela,

E o Sono pela cerca.

O Sonho pergunta ao Sono::

"Onde deveremos descansar esta noite?"

Onde a casa for quente,

Onde as crianças forem pequenas

Para lá nos iremos

E as embalaremos até dormir.

Lá iremos dormir

E as crianças acalentar

Durma, durma, meu pequeno falcão,

Durma, durma, minha linda pombinha..."

Quando abriu os olhos de novo, estava caída ao chão, seus cabelos espalhando-se pela grama, e Loki segurando-a nos braços, olhando-a com afinco. Não parecia preocupado, como se prevesse aquela reação. Miranda controlou as lágrimas que queriam descer de seus olhos, e respirou fundo para acalmar seu coração, emocionado por ter vivenciado aquela vívida memória. Era como se tivesse visto sua mãe biológica a sua frente, em carne e osso, mais uma vez. E ela sequer se lembrava da aparência que a mulher detinha.

– O que... O que aconteceu? — Miranda levantou-se de súbito, assustada, olhando para as luzes dos vagalumes que dançavam um pouco acima dela. Intuitivamente, julgou que eles teriam algo a ver com isso.

– Um teste. — Ele sorriu, enquanto Miranda franzia as sobrancelhas e o olhava incrédula.

– Um teste do quê? — Lembrou-se de todas as situações que Leah a fizera passar, e começou a irritar-se pensando se isso lhe viraria rotina em breve.

– Lembra-se de quando eu lhe disse que este é o reino de Ljusalfheim? — Loki disse, um sorriso sincero brincando em seus lábios, o que despertava mais a curiosidade de Miranda do que suas palavras a revelar-lhe algo ainda desconhecido.

– Saúde. Precisa se curar dessa alergia. — Miranda brincou, enquanto sua expressão e sua voz estavam sérias ao fazer a piada infame outra vez.

Loki franziu o cenho e continuou. — Isto é sério. Eu realmente te pus à prova, agora.

– Ah, muito obrigada. Sempre que quiser me fazer viajar na maionese e ter um flash estranho de memória que me faz desmaiar, vou te procurar então. É muito agradável, sabia? — Ela debochou, começando a se irritar de verdade.

Loki deu uma risada desdenhosa. — Acredite. Não sabe ainda o quão desagradável pode ser ter... Poderes. Embora seja muito melhor do que não os ter. — Ele encarou-a sério.

– Blá-blá-blá, "com grandes poderes vêm grandes responsabilidades" a ladainha do Homem-Aranha. Aliás, nem vi esse filme. O Tobey Maguire é um merdinha, e o Homem-Aranha outro! — Ela continuou, como se pudesse se desviar do real sentido do que estava acontecendo.

– Ah, em momento algum eu me referi a responsabilidades, ou deveres, ou todo o tipo de tolice em que Thor acredita. Eu me referi a... Limitações. E o que pode lhe acontecer se tentar ultrapassá-las. Dói, fere, e pode até... Matar-te. — Loki sorriu malignamente, e a curiosidade de Miranda apenas aumentou.

– O que quer dizer? — Miranda voltou a seriedade, e Loki, satisfeito, pôde retomar ao ponto onde havia parado.

– Quero dizer que não estava muito certo quanto a sua súbita mudança. — Miranda ajeitou-se, sentando-se ao lado de Loki, que se aconchegara acima de uma pedra, adotando uma pose senhorial. Miranda sentiu vontade de rir, reparando em como aquilo combinava com ele.

– Por que não estaria? Não acredita em mim? — Ela piscou os olhos várias vezes, arregalando-os, debochada, como se fizesse charminho.

– Não entrei nem neste mérito. Apenas não podia entender o que uma criada de Hela poderia lucrar, dando-lhe tamanho poder. — Loki franziu as sobrancelhas, sem entender. — E ainda não compreendo. — Ele virou seu rosto para Miranda, encarando-a ardentemente, como se tentasse perscrutar no íntimo de sua alma e encontrar suas respostas.

Ela, ao contrário do que lhe era usual, baixou os olhos para a grama, tímidos. Jamais confessaria a ele que sabia os propósitos de Leah, ao menos o que lhe dissera. Não lhe daria o gostinho de saber que ela se tornara tão poderosa apenas para poder tornar-se alguém que realmente pudesse auxiliá-lo...

...E acompanhá-lo.

– Entretanto... Não sabia se isso se tratava de algo, digamos... Real. Precisei comprovar com meus próprios olhos. — Ele encarou as ruínas daquela espécie de templo.

– E por isso me fez desmaiar? Muito galante de sua parte, mas acho que eu não deveria esperar algo diferente, vindo de você. — Ela debochou levemente irritada.

– Não fui eu que o fiz. Foram suas próprias capacidades. — Ele sorriu e deu uma risadinha baixa. Seus olhos verdes intensificaram seu brilho esperto, encarando o rosto de Miranda que agora o fitava sem entender.

– Disse-lhe que os seres que aqui habitam são muito diferentes. — Seu verde olhar encarava intensamente os redondos e confusos olhos cor de mel da jovem mulher. — Diferentes dos midgardianos e dos asgardianos. Não têm consciência, nem são capazes de raciocínio. Mas isso não significa que não tenham algum tipo de... Influência. — Ele sorriu ainda mais.

– Desembucha, cacilda! — Miranda soltou impaciente para saber de uma vez o que aquilo significava.

– Loki baixou os olhos para as próprias mãos, cruzadas em seu colo, e depois os levantou de novo. — Significa que você é ainda mais poderosa do que eu imaginava. Agora. — Ele reiterou a última parte com ênfase na última palavra.

Miranda respirou fundo, e controlou-se para não xingá-lo.

– Ainda não compreendo. Poderia, por obséquio, iluminar-me? — Ela falou, imitando o sotaque inglês e formal do deus, que soltou uma breve risada legítima.

– Isto é Ljusalfheim. O Reino dos elfos da luz. As criaturas que aqui habitam são mágicas. Por mais que não tenham consciência, têm poderes. E, quando em contato com outras criaturas também mágicas, isso gera consequências. Frey foi responsável por cuidar destas terras desde criança, quando havia perdido seu primeiro dente. Este local é permeado por suas memórias infantis, e ele é alguém que dá muito valor a esta etapa da vida. — Loki bufou desdenhoso, e continuou a falar.

– Alguns destes seres, a mando de seu senhor, são enviados inclusive a Midgard, para presentear as crianças que perdem seus dentes de leite. Frey, um sentimental irrecuperável — Loki falou carregado de deboche — considera que a infância traz o marco de descobertas e lições importantes, que durarão para o resto da vida. Por isso é tão pacífico, avesso às guerras e disputas, e também tolo. — Loki revirou os olhos. — Ele é uma criança enrustida.

– Peraí... — Miranda falou, mas, antes de compreender o que ele dizia, não poderia deixar de perguntar. — A fada do dente é um deus?! Ela existe?! — Miranda quase gritou incrédula.

Loki, perplexo, encarava-a como se não acreditasse. — Você ouviu o resto das palavras que eu lhe disse? — Parecia irritado, como costumava ficar quando Miranda dizia seus absurdos de sempre.

– Ouvi professor, me desculpe. — Miranda revirou os olhos, debochada. — Então isso significa que... Outros seres mágicos, no caso eu — ela olhou espertamente para Loki, semicerrando os olhos — e também você, vamos ter algum tipo de... Reação... Neste lugar específico? E isso comprovaria a minha veia mágica, tipo as varinhas do Harry Potter? "A varinha escolhe o bruxo", etc? Que irado! — Miranda sorriu, exultante, embora ainda levemente confusa.

– De uma maneira estúpida e completamente leiga, sim, foi isso o que eu quis dizer. — Loki debochou, e Miranda soltou uma exclamação de censura pela ofensa gratuita.

– Mas por qual motivo então, inglesinho, eu desmaiei? — Ela ainda não compreendia essa parte.

– Porque a carga foi tamanha que seu corpo não suportou. Nada demais, afinal de contas, você tem a essência de uma midgardiana em seu sangue, apesar do sopro de Hela. — Loki disse como se desdenhasse. — Você é fraca e forte ao mesmo tempo. — Loki olhou para ela, provocando-a, e sorriu.

– Isso está te divertindo pra caralho. — Miranda disse vulgarmente, devolvendo-lhe o olhar.

– Ah, você não faz ideia. — Ele sorriu ainda mais debochado.

Miranda semicerrou os olhos e aproximou-se dele, sentando-se de seu lado, na mesma pedra larga que ele agora sentava. Levou seus lábios próximos aos seus ouvidos, enquanto Loki fingia não se interessar.

– Uma coisa não me passou despercebida... Se eu me lembrei de partes da minha infância, lembranças remotas que eu nem sabia que tinha, como que por magia... O que foi que eles lhe despertaram em você? — Miranda falava devagar, e viu Loki tremer levemente, virando seu rosto bruscamente para encará-la. Ela apenas sorriu e afastou seu rosto devagar, enquanto seu sorriso travesso se espalhava mais e mais em seu rosto maroto.

– Memórias tristes do mini-Loki com o mini-Thor? — Miranda debochou, sabendo que tocaria fundo na ferida do deus.

Loki imediatamente segurou seus braços, fechando as mãos firmes em seus antebraços, quase a machucando.

– Não ouse falar do que não entende, humana... — Loki disse a última palavra carregada de desprezo e fúria mal contida. Sua voz era fria, gelada, mas a ameaça evidente em seu tom irritadiço.

– Não ouse mexer com quem não pode, asgardiano. — Miranda, já preparada para aquela reação, levantou suas mãos até os braços de Loki. Ele teve tempo apenas de olhar para a mão esquerda dela, quando, no segundo seguinte, ela concentrou-se da mesma forma quando havia agido contra Fury, e lançou-o ao longe, fazendo um curto movimento de empurrar apenas com seus dedos. Como se uma pressão de uma força desconhecida o tivesse atirado para longe, ela pôde apenas ver o corpo do deus descrever uma pequena parábola no ar, e foi cair praticamente de maneira graciosa acima de um dos degraus da construção em ruínas.

Ela riu, satisfeita, enquanto se aproximou dele, oferecendo-lhe uma mão para que pudesse se levantar. Ainda sorria travessa, satisfeita por tê-lo ludibriado.

Para sua surpresa, Loki sorria, parecendo realmente divertido. Sem muitas dificuldades, ele levantou-se, sentando-se e encarando-a com afinco, um sorriso de canto de lábios brincando em seu rosto, seu olhar verde agora quente, encarando Miranda como se pudesse desnudar seu corpo e sua alma apenas com aquele olhar.

Ela sentiu suas bochechas corarem, estranhamente, ao que o deus prontamente disse-lhe:

– Você não faz ideia do que está fazendo. — Ele sorriu ainda mais.

– Talvez não. E você também não deve me subestimar. — Ela semicerrou os olhos, respondendo ao sorriso quente do deus.

– Ah, certamente. — Ele levantou-se, e encarou-a mais perto. Levou sua mão direita até o rosto de Miranda, acariciando-o de leve com a ponta dos dedos. Ela fechou os olhos, controlando sua respiração, agora entrecortada e excitada.

– Eu acho que essa situação pode ser útil para nós dois. — Miranda disse, afastando-se um pouco, para poder se concentrar. — Loki sorriu, como se realmente soubesse do motivo dela ter se afastado, e aproximou-se novamente. Miranda caminhou para trás, e suas costas bateram levemente de encontro com uma das pilastras.

– Como? — Loki disse, como se debochasse, caminhando lentamente na direção dela. Miranda sentiu seu sangue pulsar mais forte, e tentou concentrar-se nas próprias ideias.

– Como você já especulou. Você pode me ensinar como lidar com... Isso. E eu posso ajudá-lo com... Bem, com isso. — Se referia aos seus poderes. — Mas precisamos agir como uma via de mão dupla. Como você disse... No que eu posso lucrar, com essa situação? — Miranda debochou.

– Muito justo. Uma troca equivalente, como eu mesmo lhe ensinei. — Loki debochou, sorrindo enviesado, e se aproximando ainda mais. Miranda encarava-o, sentindo-se como uma presa, uma pequena lebre, sendo circundada por um lobo, seu olhar hipnotizante, e, ao mesmo tempo, docemente amedrontador... Como uma fera faminta, da qual não conseguiria escapar.

Quando estava muito próximo, perto o suficiente para quase colar seu rosto no da jovem mulher, ele passou seus lábios pelos lábios dela, sem beijá-la, apenas tocando-a levemente, enquanto ela apenas sentia a respiração calma e controlada do deus em sua face. Seu rosto parecia quase explodir de tanto calor. Sua pele queimava, ardia como se estivesse em chamas.

– Mas você deveria saber... — Loki disse, sua voz calma, disfarçando o que pretendia, e pegou Miranda de surpresa, segurando seus punhos, levantando-os acima de seu rosto. Apesar de estar sem sua magia, ainda era mais forte em força bruta do que ela. Com apenas uma mão, segurou os punhos da mulher acima de seu rosto, prensados contra a pilastra. Com a outra, passou os dedos pelo rosto dela, evitando que ela os mordesse como tentara.

Ele riu, realmente divertido, não por parecer achar graça... Divertindo-se de outra maneira. Seus verdes olhos semicerraram-se brevemente, seu rosto a centímetros do da jovem mulher.

– ...Nunca levante as mãos para mim. Isso jamais funcionará. — Ele sorriu um último sorriso de predador, e beijou-a longamente. Miranda, irritada, não queria corresponder ao beijo, mas era inútil. Sentia desejo demais por ele para que pudesse evitar.

Descontando a própria raiva naquele sentimento fervente, ela mordia os lábios dele enquanto o beijava, tentando soltar os próprios braços que ele ainda segurava. Ele passou sua mão livre pela cintura dela, aproximando sua pélvis de seu corpo, e ela arfou de tanta excitação. Ele afastou-se o suficiente para vislumbrar o rosto dela, tão quente e tão desejoso por sua causa, e sorriu triunfante. Lentamente, ele baixou seus olhos para o zíper do uniforme da S.H.I.E.L.D. que ela ainda usava, e o despiu, devagar. Olhou ainda mais satisfeito para as curvas que ela escondia, e pôs-se a beijar seu pescoço, seus ombros, e acima dos seus seios. Miranda arfava descontrolada, em pleno prazer.

– Me solta. — Miranda pediu, entre gemidos, sua voz lânguida e sensual, quase implorando. Queria que ele a soltasse, racionalmente, mas ao mesmo tempo, seu corpo ardente implorava que não, que a mantivesse assim, e não a soltasse de jeito nenhum.

– Ah não... Você vai gostar desse jeito, pequena. — Loki disse, e sua voz estava carregada de desejo e malícia.

***

Miranda se recuperava da sessão carnal que havia acabado de ter, em uma situação tão pouco propícia. Cacete, eu sou um animal. Ela se repreendia. Como podia deixar aquelas sensações tão primárias dominarem-na com tamanha facilidade? Aquilo não estava certo. Tentara ficar por cima da situação, mas, ainda assim, Loki acabou no controle. Em todos os sentidos possíveis.

Mas isso foi tão gostoso... Ela se pegou pensando, lembrando-se de todas as carícias e toques que recebera dele, sem poder sequer se mover, algo tão prazeroso, quase no limite do insuportável de tão delicioso... Em seguida, quis socar a si mesma por conta do pensamento. Não poderia se deixar manipular assim, tão fácil.

Por melhor que fosse a sensação.

Sentia-se ridícula com aquilo. Depois que aqueles momentos efusivos e quentes terminavam, ela se sentia tola, porque algo mais a dominava depois. Sentia como se seu corpo não quisesse se separar do dele, mas não por uma questão carnal ou sexual, e sim porque... Começava a sentir uma estranha, uma indesejada... Afeição. Deseja abraçá-lo, tocá-lo com carinho, dormir em seu colo, e passar uma eternidade assim, apenas enlaçada, em um encontro único, perfeito, inevitável entre seus corpos...

E, assim, para evitar esses impulsos, subitamente se afastava, sentindo o olhar e o sorriso debochado do deus em suas costas. Ele deve me considerar a bonequinha dele, um brinquedo divertido, agora com novos apetrechos especiais...

Miranda bufou insatisfeita. Seu corpo estava totalmente anestesiado, relaxado, ainda sorvendo a grande quantidade de prazer que aquilo lhe trazia. Mas a confusão mental posterior não lhe deixava aproveitar aquilo que, a cada vez que acontecia mais intenso tornava-se. Estava indo por um caminho tortuoso, do qual ela não sabia haver volta.

Assim, perdida em pensamentos confusos, ela sentiu, mais do que viu, um vulto se aproximar. Como se por um sexto sentido — a provável magia de Hela — Miranda voltou-se na direção correta, e adotou uma postura de perigo antes que Loki finalmente se revelasse, saindo das sombras.

– Muito bem. Sentidos aguçados. — Ele fingiu bater palmas, debochado. — Mas isso não é nenhuma novidade... — O deus falou, sua voz carrega de malícia, em referência a cena que acabaram de vivenciar juntos.

Miranda sentiu seu rosto corar, e irritou-se mais uma vez consigo mesma.

– É imprescindível que tenha uma boa noite de sono hoje. Amanhã iremos para Svartalfheim, e preciso que tenha todas as suas energias intactas. Terei algumas coisas novas para lhe ensinar. — Loki disse, enquanto sorria levemente.

– Só nome difícil. Acho que quem criou esses nomes estava sofrendo um ataque de tosse ou morrendo engasgado. — Miranda revirou os olhos, tentando fazer humor. — O que tem de especial lá? — Ela perguntou.

– Anões, elfos negros, tavernas e minério. — Loki disse displiscentemente. — Nada que deveria nos interessar, mas... Faz parte do plano.

– Qual plano? — Ela inquiriu, debochada, pois já cansara de vê-lo conjecturando possibilidades diferentes. — E qual é a dos elfos? Aqui também não tem esses elfos? — Miranda perguntou.

– Aqui é a terra dos elfos da luz. Não dos elfos negros. Os elfos que aqui vivem são basicamente estes vagalumes que agora dançam ao seu redor, e que te fizeram desmaiar. — Ele disse realmente divertido.

– Peraí... Isso são elfos? Então quer dizer que... — Miranda arregalou os olhos, chocada, e Loki riu de sua expressão. — Eles nos viram! — Ela falou, num sussurro urgente, como se estivesse realmente chocada.

– Eles não têm consciência. Nem saberiam dizer que estamos aqui. — O deus reiterou, ainda divertindo-se com a ignorância de Miranda. — É por isso que vamos mais além. Precisamos ser vistos. — Ele sorriu, divertido com o que já esquematizara.

– Precisamos ser vistos? Como assim? Pensei que você era um foragido da justiça. — Miranda franziu as sobrancelhas, estranhando.

– Oh, mas eu sou. — Loki manteve o sorriso, e aproximou-se de Miranda. Ela teve o instinto de recuar, mas manteve-se firme. Tinha de aprender a controlar-se junto a ele.

– Então... Qual é o sentido? — Miranda manteve a pergunta, ainda sem entender.

– Loki, filho de Odin, é um foragido, e está supostamente preso. — Ele pôs-se a tocar nos cabelos de Miranda, seus dedos descendo pelos seus fios castanhos, olhando-os com afinco. Ela se esforçou para não se distrair com o gesto, e manter a atenção no que ele dizia.

– Mas o filho de Laufey não. — Loki disse quase enigmaticamente, sorrindo com as próprias palavras misteriosas. Aproximou-se rápido de Miranda e deu-lhe um longo beijo, quase a deixando sem respirar.

Miranda soltou um leve gemido quando ele se afastou, como se seu corpo protestasse contra aquilo. Queria mais, e sentia seus olhos cor de mel enevoarem-se brevemente.

Loki sorriu um sorriso malicioso, tão típico dele, e disse apenas.

– Durma bem, bela. Ainda tem muito que aprender.

Notas finais
E aê, galere! Espero vários reviews, hein? :D