Journey Into Trickery
1 On The Road Again
Notas iniciais
Não era a primeira vez que ela tinha aquela sensação.
Miranda sentia seu corpo ser sugado por uma energia intensa, uma força extraordinária que a levava, sem que se movimentasse, cada vez mais e mais longe. Das últimas vezes que isso ocorrera, ela não aguentara e desmaiara.
Porém, por algum motivo, desta vez foi capaz de suportar toda a passagem.
Abraçada com força ao corpo de Loki, ela não desejou sequer olhar seu rosto. Não sabia qual seria sua reação por ter, sem sequer avisá-lo antes, se metido na sua saída de Midgard. Mas tinha certa desconfiança de que ele não estava tão descontente.
Cada vez mais rápido, ela sentia seus corpos seguirem o fluxo incessante de energia que os levava mais e mais longe. Sentia todos os seus sentidos mais aguçados. Sua audição, visão, tato, paladar e olfato estavam em um nível nunca antes visto; era como se estivesse testemunhando tudo a sua volta pela primeira vez.
Quando a viagem enfim terminou, e os três despontaram no mesmo conhecido precipício que ela havia visitado com Leah horas atrás, ela finalmente veio a ter consciência de que — de fato — viria a testemunhar tudo aquilo pela primeira vez. Afinal, ela já não era mais a pessoa que um dia já fora.
– Ah, Yggdrasil... Meu point ultimamente. — Miranda debochou, espreguiçando-se. Sentia seus músculos muito mais resistentes do que eram antes.
– Como reconheceu este lugar? — Loki perguntou a ela, atônito, com a mesma expressão incrédula de antes de viajarem.
– Segredos femininos. — Ela brincou, mas Loki se aproximou, seus olhos verdes faiscando. — Se realmente quer saber... Uma amiguinha sua me procurou. E não foi pela primeira vez. — Miranda rolou os olhos e aproximou-se da borda do precipício. Olhou para baixo, e reparou que, nas encostas de terra, haviam ramos e mais ramos que levavam a túneis diversos.
– Do que está falando? — Loki continuou incisivo, enquanto Thor guardava um cristal brilhante, do qual saíra a energia que os transportara.
– Leah. Discípula de Hela. Ela veio com um papo mucho loko sobre eu ser tipo um X-Men nórdico, que eu tenho o "toque de Hela" e o escambau... — Miranda falou, como se fosse algo sem importância, enquanto franzia a sobrancelha estranhando aquelas raízes. Deve ser por isso que isso é chamado de Árvore.
– O "toque de Hela"? — Loki parecia assombrado, e, em seguida, divertido. — Se eu não tivesse visto o que vi, diria que estava brincando. Mas, se bem que... — Aproximou-se dela e falou-lhe baixo, de forma que Thor, que se afastava deles talvez para dar-lhes privacidade, não pudesse ouvir. — Quando me acertou aquele soco em cheio em meu rosto, pensei até que não fosse humana. — Miranda riu, divertida.
– O que uma discípula de Hela queria com você? Mesmo que tivesse o toque de Hela, qual seria o sentido de dar-lhe poderes maiores? — Loki insistiu, não satisfeito.
– Pergunte pra ela. Ela parecia gostar bastante de você, seu pedófilo. — Miranda debochou, levemente séria em sua colocação.
– Do que me chamou? — Loki perguntou, exasperado, sempre surpreso com os xingamentos da midgardiana.
– Eu chutaria que ela tem tipo uns trezentos anos de idade, mas parece uma criança. Você não tem vergonha na cara? — Miranda disse, mesmo sabendo que, neste plano, este Loki, o seu Loki, não havia conhecido Leah. Mas isso não significava que não pudesse ter ciúmes.
– Não compreendo. Nunca conheci nenhuma Leah. — Loki parecia absorto, tentando raciocinar.
– Ela disse que conheceu você criança, e que eram bffs. Só você mesmo pra friendzonar uma menina. — Miranda levantou as sobrancelhas, debochando, e Loki mais uma vez pareceu não entender nada. Ele levou a mão direita ao rosto, exasperado, e controlou-se, para em seguida dizer, sério e solene.
– Você está fora de sua terra. Está longe de tudo o que você conhece. Só há duas pessoas que pode confiar, e estão neste momento ao seu lado. Se for sensata, será sincera conosco. Senão... Bem, a escolha será por sua conta em risco. — Loki levantou as mãos em um gesto de rendição e afastou-se dela, contando mentalmente o tempo que ela levaria para contar-lhe todos os detalhes.
Um... Dois... Três...
– Tá bom! Mas sem senso de humor eu vou acabar pirada como o Rogers. — Miranda ameaçou, sarcasticamente, enquanto Loki, ainda de costas para ela, abria seu sorriso de triunfo por ter premeditado suas ações.
***
Loki observava Miranda ao longe, tentando derrubar os galhos inférteis que saíam da terra de Yggdrasil. Via a midgardiana tentar, sem sucesso, derrubá-los com a força de sua mente, apenas levantando os braços e mirando-os na direção do objeto. Ela não compreendia os poderes que havia recebido, e Loki quase não conseguia conter a própria alegria com isso.
Thor o destituíra de seus poderes, mas agora, Leah, ou a discípula qualquer de Hela que Miranda havia encontrado, dera-lhe o sopro da deusa. E não havia hora mais conveniente da midgardiana receber aquilo do que naquele momento. Ela confiava em Loki. Ele poderia, facilmente, ensiná-la tudo o que achasse necessário, e ganhar ainda mais sua confiança. E sua afeição.
Por mais que negasse, ele via em seus olhos o quanto ela estava envolvida com ele. O deus poderia usá-la para seus próprios propósitos, enquanto não conseguia sua própria força de volta, e, assim, reerguer-se novamente. O que faria depois com ela seria algo a se pensar futuramente...
Porém, quando pensava em manipulá-la a seu favor, em usá-la egoisticamente, não conseguia deixar de sentir uma pontada de culpa em seu peito, o que muito o desagradava. Não era de seu feitio importar-se com isso, e não poderia deixar passar uma chance tão grande quanto essa.
De qualquer forma... Já sabia seu objetivo a curto prazo. Ele a faria evoluir, conhecer seus limites e sua força, e, além de tudo, cuidaria para que estivesse sempre segura.
Não se esquecera do que sentira quando Rogers ousara tocar nela. Por mais que o homem estivesse morto, agora, poderiam surgir novas ameaças. E Loki finalmente compreendia o baque que isso poderia causar em seu ser, se acontecesse outra vez.
Ela poderia, agora, ter se tornado a mais distinta midgardiana... Mas ainda era mortal.
E, de qualquer forma... Sempre fora a mais especial a seus olhos, muito antes do sopro de Hela.
Assim que teve o último pensamento, indevidamente alojado em sua mente, o deus levantou-se de um salto, furioso com suas tolices. Moveu-se em direção a Thor, e continuou a discussão que haviam levado tempos antes.
– Então, meu caro irmão... Acho que na atual conjuntura seus planos precisam de modificações. – Loki disse, a voz carregada de sarcasmo. Os olhos azuis de Thor desviaram-se da midgardiana, a qual ele ainda fitava, incrédulo, e brilharam ao encontrar os de Loki. Ele sentiu um severo desconforto com a afeição do falso irmão, que, por sua vez, tomou a palavra.
– Temos de pedir um novo julgamento a Odin. Ele é justo, concederá. – Thor repetiu a mesma tola ladainha.
Loki fechou os olhos e soltou um suspiro impaciente. – É mesmo? E como pretende pedir a ele? Me levará em uma carruagem, ignorando o fato de que traiu a confiança dele e de todo o Conselho ao me transportar a Midgard? – Loki bufou, raivoso.
– Não... Mas podemos pensar em algo. Você é tão inteligente, Loki, use seu gênio para algo bom! – Thor disse, como se fosse um paladino da justiça.
– Interessante, pois eu já pensei em algo... – Loki disse, a voz repleta de sarcasmo, misteriosamente contendo sentidos ocultos que Thor jamais descobriria. – Mas antes, terá de concordar comigo. Veio a Yggdrasil para fugir da visão de Heimdall. Deve retornar prontamente a Asgard, para que sua demora não gere desconfianças. Heimdall não deve voltar seus olhos a Midgard, neste momento. – Loki sabiamente colocou.
– Está certo, irmão. É o próximo lugar que pensava viajar. Porém... Como posso confiar que estarão seguros? – Thor olhou-o preocupado.
– Simples... Eu não tenho meus poderes. – Loki debochou. – E estou junto a uma midgardiana. Podemos nos disfarçar, e ninguém desconfiará de nada. Conheço estes mundos, e caminhos que você nem sequer imagina. – Ele sorriu, misterioso. – Dê-me um voto de confiança, Thor. – Loki, enojado consigo mesmo, pediu ao falso irmão. – Dê um voto de confiança a ela. – Apontou com os olhos Miranda, que comemorara audivelmente ter finalmente conseguido derrubar um galho seco.
A desconfiança nos olhos de Thor sumiu tão rápido quanto chegara. Era ridículo o quanto era fácil manipulá-lo com esse assunto. Provavelmente, para seu próprio desgosto, Thor julgava Loki tão tolo a respeito de “sua” midgardiana quanto ele o era com Jane Foster.
– Está certo. De qualquer forma, conseguiria achá-los rapidamente. Eu quero que carregue isso. – Thor entregou a Loki uma pequena pedra preciosa, uma gema azul, parecendo uma safira. Mostrou-lhe, em seguida, outra pedra idêntica.
– Viu? – Thor falou, seu sorriso infantil brotando em seus lábios. – São idênticas! São irmãs. – Thor riu tolamente, e Loki forçou um sorriso, enquanto seu estômago se embrulhava por dentro.
– E por que eu deveria carregá-la? – Loki disse, desgostoso.
– É uma espécie de sinalizador. Você pode estar sem sua magia, agora, mas se entregá-la a Miranda, ela poderá fazer contato comigo. Toda vez que estiverem em perigo, a pedra brilhará, tornando-se mais clara. E a minha pedra corresponderá a cor da sua. – Thor explicou, e Loki quase sentiu pena de sua ingenuidade.
Thor aproximou-se lentamente de Miranda, e despediu-se dela formalmente. Deixou com ela a mochila que a midgardiana sempre usava, retirando dela seus pertences e, obviamente, o Mjolnir, assim como seus trajes de humano e disfarces da S.H.I.E.L.D. Com a energia de Loki e a própria magia, Thor conseguira conjurar seus trajes originais, sem maiores problemas. Em seguida, desceu pelo precipício, segurando-se perigosamente em uma das várias raízes que despontavam da encosta. Os dois olharam o forte deus afastar-se, ao longe, e seguir por um determinado túnel ao final da encosta.
– Qual é a nossa quebrada, senhor comandante? – Miranda brincou, sorrindo, para Loki. Ele sabia que ela tentava fazer graça, mas percebia que, em seu íntimo, não se sentia muito segura. Deveria estar sendo um baque e tanto para ela, subitamente ter se tornado alguém tão poderosa.
E ainda mais atraente... Loki se pegou pensando, para em seguida odiar-se pela quinquagésima vez.
– Devemos evitar Asgard. Por enquanto. – Loki sorriu. – Estive pensando em fazer uma visitinha a esta sua amiga. – Ele olhou para Miranda, seus verdes olhos faiscando de astúcia. – Mas, antes, teremos de atravessar alguns locais diferentes, apenas para evitar levantar suspeitas. E devo situá-la melhor.
– Então você realmente a conhecia... – Miranda semicerrou os olhos, estudando-o também com precisão. – O que está tramando, deus da trapaça? – Ela disse, receosa e, ao mesmo tempo, divertida.
– Algo que você terá participação especial e incrivelmente necessária. – Loki sorriu, e levou seus dedos finos ao queixo de Miranda, acariciando-o lentamente. Minha.
– Se tiver que fazer nudez total eu não topo. No máximo, parcial. Uma bundinha de costas e olhe lá. – Ela tentou fazer piada, e Loki olhou-a incrédulo.
Ele levantou as sobrancelhas, e continuou o raciocínio.
– Acho que devo um mínimo de sinceridade a você. – Ele sorriu enviesado, enquanto Miranda soltava uma exclamação: — Ah! Não me diga. Jura? – A mulher o olhava, curiosa.
– Em Midgard, você era a foragida, e eu era o estrangeiro. Aqui, nossos papéis se invertem. Você desconhece estes lugares. Eu não. Você é livre para cruzá-los, embora lhe seja tudo novo. Eu não sou. É por isso que preciso que confie em mim.
– Bom, o que será que eu devo responder? – Miranda levantou as sobrancelhas, debochando. – O deus da mentira, do engano e da trapaça pede para eu confiar nele. Acho que a resposta a isso é óbvia. – Ela continuou encarando-o, dessa vez levemente ameaçadora.
– E qual seria ela? – Loki respondeu à ameaça. Não teria medo dela, apenas porque tornara-se mais poderosa.
– Que eu não tenho outra escolha. – Miranda semicerrou os olhos, surpreendendo o deus com a resposta, da maneira sensual que tanto o atraía e beijou-o sem pudor algum. Sorrindo por dentro, Loki retribuiu a todas as suas investidas, e, por pouco, quase que Yggdrasil testemunharia algo totalmente inédito até para a Árvore dos Mundos.
Mais tarde, quando soltaram-se de seu enlace, Loki orientou Miranda para que seguissem caminho em direção a um determinado túnel. Havia escolhido a primeira parte de sua jornada.
Antes de mais nada, Miranda precisaria conhecer-se a si mesma. E ele a ajudaria a fazer isso.
Com todo o prazer.
Desceram a encosta com cuidado, segurando-se pelos ramos e galhos inférteis que saíam duros das raízes que desciam por todo o precipício. Miranda volta e meia olhava para baixo, e assustava-se, deixando seus braços trêmulos moverem-se perigosamente pela descida que faziam, ameaçando soltarem-se, no que era repreendida pelo deus. Deveria deixar algumas de suas fraquezas anteriores para trás, e ele a ajudaria nisso.
Quando finalmente alcançaram o chão, seguiram adiante por poucos metros até entrarem por um túnel ligeiramente apertado e escuro. Caminharam pelo que poderiam ser horas, até que Loki viu uma conhecida paisagem desenhar-se lentamente à medida que se aproximavam do final do percurso, tornando-se cada vez mais rica em seus detalhes e aspectos.
A sua frente, Loki podia ver, claramente, as últimas fronteiras do reino de Ljusalfheim. Tal reino era reconhecido por ser governado por Frey, irmão de Freya, um pacífico deus, belo e forte, responsável por cuidar de todos os seres vegetais. Ljusalfheim era uma terra próspera, repleta de campos férteis e seres etéreos, alguns sequer sem consciência, como algumas fadas. Tais seres eram geralmente sem forma física, apenas assumindo a aparência de brilhantes luzes que se movimentavam.
Satisfeito, viu que a primeira parte do plano dera certo. Heimdall não dava importância a este local, por jamais ter sido fonte de problema algum para Asgard. Poderiam passar despercebidos, se aprontassem acampamento em locais longínquos, os quais Loki conhecia da infância. Visitara estes lugarejos muito jovem, quando Odin comparecia aos seus reinos protegidos em deveres reais, acompanhado de seus filhos, para que aprendessem deveres necessários para a futura sucessão do pai.
Loki sentiu certa angústia torcer-se em seu peito, lembrando-se de seu passado junto a Thor e Odin. Aquilo fora há muito tempo, e era repleto de falsidade, de mentiras disfarçadas com palavras belas e gestos vazios. O falso amor de seu pai, que fingia tê-lo como filho, e pretendia usá-lo apenas como uma arma política. Thor, o filho predileto, o futuro Rei de Asgard, soberano de tudo e todos, o único merecedor de afeto e atenção que de fato eram reais.
Perdido em pensamentos, o deus não percebera Miranda esgueirando-se por trás de si, e correndo feliz pelos campos que se estendiam como um mar verde e ensolarado a frente deles.
– Que legal! Estou me sentindo em Lothlórien! Olha essas árvores, essas flores, uau, que lugar maravilhoso! – Miranda parecia deslumbrada, embebedando-se com a visão da paisagem maravilhosa do reino.
– Isso porque não viu a morada de Frey, em Álflheimr. – Loki sorriu, debochado.
– Saúde. – Miranda disse, e Loki ignorou-a, sem entender suas palavras.
– Que é um lugar humilde perto do castelo de Asgard, diga-se de passagem. – Ele continuou, e Miranda virou os olhos para ele, sorrindo divertida.
– Eu sempre soube que você era um riquinho irrecuperável! Deve ser cheio de mordomos e serventes que te ajudam até a dar uma barroada. – Miranda disse, suas palavras vulgares sempre inapropriadas à sua beleza.
– Fique quieta e me siga. – Loki disse, sem saber o que responder a tamanhos impropérios. Miranda apenas sorriu, pulou em seu braço e mordeu-lhe levemente o ombro. Loki desviou-se, sem compreender a alegria da midgardiana.
– Acho que essa viagem será algo inesquecível. – Ela sorriu-lhe, realmente divertida, e Loki não pôde deixar de sorrir de volta. E de concordar.
Sem dúvidas... Inesquecível. Loki sorriu misteriosamente para si mesmo, e levou-a a seguir caminho pelos campos.
***
Caminharam por quase um dia, chegando ao entardecer no local específico que Loki desejava alcançar. Em uma clareira na qual batia o sol da tarde, pássaros chilreavam, e pequenas luzes, parecidas com vagalumes, dançavam pelo ar, etéreas e místicas, intocáveis. As grandes e frondosas árvores protegiam do exterior a visão de quem ali se encontrasse e, junto a eles, havia um rio correndo, de cor azul clara, transparente, límpido e convidativo. Miranda sentou-se à sombra de uma grande árvore de folhas douradas, e parecia absorver com os olhos toda a beleza do local. Loki não pôde evitar compartilhar da alegria da jovem mulher, cujos olhos cor de mel arregalavam-se, adoráveis em sua surpresa, em uma cena de meiguice incomparável. Basta. O deus repreendeu-se a si mesmo.
– Cacete. Você me levou ao motel da Terra-Média. Isso é melhor que Valfenda! Que lugar lindo! Estou ficando com tesão agora mesmo. – Miranda disse, suas palavras fora de sentido mais uma vez surpreendendo o deus.
– Preciso que esteja atenta. – Loki a repreendeu, desviando-se de seus absurdos. – Eu a trouxe aqui para ensiná-la.
Miranda levantou o rosto devagar para ele, seus olhos semicerrando-se devagar. Seu sorriso travesso e incrivelmente sensual, o rosto mais convidativo sexualmente que o deus já vira em toda a sua existência, mais uma vez exibindo-se para ele, provocando-o até a alma.
– Sim, professor. Pode me ensinar o que quiser. – Ela usou sua voz no tom mais devasso possível, provavelmente apenas para tirá-lo do sério.
Loki fechou os olhos e respirou fundo. – Primeira lição. – Ele fez um gesto rude para que ela se levantasse e se aproximasse dele. Miranda levantou calmamente, rebolando seus quadris na roupa justa, o uniforme da S.H.I.E.L.D que roubara para passar despercebida e alcançá-los no momento de sua saída. Não pôde evitar olhá-la intensamente, não com aquele traje erótico que explicitava suas curvas.
– Sim? – Ela controlava a sua risadinha travessa, e Loki não sabia se queria atacá-la ou agarrá-la. Talvez os dois ao mesmo tempo.
– Vou ensiná-la a lidar com matéria. Entenda uma coisa: transformar objetos em outros não é difícil, é apenas uma troca equivalente. O princípio da alquimia, como chamam em sua terra. – Miranda agora parecia interessada. – Toque nesta flor. – Loki entregou-lhe uma flor que caíra da copa das árvores. – Agora feche a mão, e se concentre. Pense nela diminuindo seu tamanho, ficando cada vez menor. – Miranda fechou os olhos e deu uma risadinha. – Eu disse para se concentrar. – Loki ralhou com a jovem mulher.
– Apenas pensei em algo. Eu já sei a magia que se faz para aumentar as coisas. Ao menos na minha mão. Se eu agarrar algo que você tem entre as pernas, eu sei que garantidamente vai crescer rapidinho. – Ela manteve os olhos fechados e o sorriso sensual, e Loki, por sua vez, fechou os próprios olhos, evitando seus pensamentos sexuais. Precisaria manter o foco para treiná-la. Acabara de perceber o quanto aquilo seria difícil e demorado. Não por falta de capacidade dela, mas sim pelo quanto ela iria se divertir provocando-o até não mais conseguir segurar-se.
Ficaram por um tempo treinando tal magia com objetos diferentes, até que Miranda parecia ter pegado a prática. Loki elogiou-a, e, surpreso e agradado – a contragosto do que desejaria racionalmente sentir – viu que ela sorriu feliz, orgulhosa verdadeiramente. Como se realmente se importasse em impressioná-lo.
Mais uma vez Loki olhou para suas vestimentas e não pôde deixar de reparar no quanto eram inapropriadas. Em vários sentidos. Pensou, possessivo e ciumento.
– Precisaremos arranjar roupas decentes para você. Ninguém acreditará que você é de quaisquer um dos reinos vestida dessa maneira midgardiana. – Loki evidenciou, com desprezo.
– E se eu não usar roupa alguma? – Miranda disse, inocentemente, seus olhos grandes e cor de mel fitando os de Loki intensamente. Em segundos, ela baixou o zíper de seu uniforme da S.H.I.E.L.D, e suas roupas íntimas, ficando completamente nua.
Antes que ele pudesse reagir, ela pulou no rio que corria ao lado deles, e chamou-o com um gesto da mão.
– Vamos relaxar... Professor. – Miranda debochou da maneira mais sensual que Loki já vira.
Como poderia dizer não àquilo?
Com um sorriso de canto de boca, ele mesmo despiu-se e aproximou-se dela. Quando seus corpos se entrelaçaram, Miranda beijou-o ardentemente, e, apesar da fria água que corria em seus corpos, Loki sentia-se ferver por dentro.
– Acho que neste quesito eu não tenho nada a aprender. – Miranda provocou, sorrindo sensualmente, sua ninfa midgardiana, devassa e astuta.
– Não. Neste quesito você é a melhor aluna que eu já tive. – Loki debochou, e ela jogou-lhe água no rosto, rindo também. Loki fechou a expressão, como se tivesse se incomodado com o gesto. Subitamente apreensiva, Miranda semicerrou os olhos, e afastou-se levemente.
Em seguida, quase com violência, Loki puxou-a a seu encontro. Agarrou seus cabelos molhados, puxando o rosto da midgardiana para trás, enquanto sugava seu pescoço, sorvendo sua pele e a água fria que descia pelo seu corpo repleto de calor.
Miranda gemia, e estava completamente entregue.
E assim se seguiu. Seus corpos, unindo-se junto ao movimento do rio, cada vez se movimentavam mais rápido, mais rápido, unidos na correnteza que não só levava a água a seguir seu curso, mas também as sensações dentro deles, cada vez mais intensas, ondulando cada vez mais, até que Miranda, agarrando-o pelo pescoço, enterrou seu rosto em seu ombro, gemendo de prazer, atingindo o êxtase. Segundos depois, foi a vez dele, enquanto a puxava com força, deixando a marca de seus dedos fechados no ápice do prazer em suas costas.
Miranda olhou para ele, seus olhos anestesiados de prazer, satisfeitos, e disse:
– Acho que vou adorar essas aulas.
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