Journey Into Trickery

34 It's Always Darkest Before The Dawn


Notas iniciais
Oiê gente! Antes que queiram me matar com tochas acesas, forquilhas e pedradas, calma, eu sei que demorei demais dessa vez! Cinco meses sem dar as caras é tenso mesmo. Primeiro: FELIZ ANO NOVO! XD Segundo, podem ficar tranquilas porque eu vou ser bem sincera e esclarecer meu sumiço: simplesmente tive um bloqueio criativo ABSURDO com esse capítulo e ele acabou de sair 12:00 do dia de hoje. Provavelmente demorará mais do que isso a ser postado porque eis que, enquanto eu tentava postá-lo, deu um PANE na porcaria do navegador e eu perdi o texto INTEIROOO. Mas como ele tá fresco na minha cabeça e hoje ninguém me segura e eu VOU postar xD vou reescrever ele como bem me lembro! Portanto, desculpas pela demora! Como sabem meu dia a dia é muito ocupado, com estágio e faculdade (tive férias da faculdade mas não do estágio, oh céus, oh vida). E juntar tanta coisa pra fazer e um bloqueio criativo, naturalmente daria em um atraso fenomenal... Bem, como eu já havia adiantado, esse capítulo é tenso, cheio de ação e tem um fim triste. Mas lembrem-se: JIT terá um final feliz. JIT será dividida em duas partes, a segunda parte será como uma terceira temporada. Para acabar essa parte de agora, a primeira, faltam cerca de apenas 5 capítulos. Já estamos mesmo na reta final! =D Não fiquem fulas da vida comigo pelos acontecimentos tristes da fic; toda boa história precisa intercalar momentos de drama com momentos de alegria. Se fosse tudo só felicidade e "oba" pra lá e "oba" pra cá a história seria uma porcaria, certo? De mais a mais, quero agradecer as leitoras Bia, Renata Dupont, Baggins, CokeeH, Jade Kingsley, Hellikait, madiejasper, Arrriba, LaurenPS, TheWitness, Larizg e P Bruna Barros, dedico esse capítulo para todas vocês, que sempre se manifestam nos comentários! ^^ Quem sabe essa minha volta depois de um longo inverno anime alguns das literalmente centenas de fantasminhas que acompanham essa fic a comentar. xD Recomendações também são muito bem-vindas, e animam e inspiram a escritora aqui! São facas de dois gumes, ahusuhshue! Beijos e boa leitura!

Regrets collect like old friends
Here to relive your darkest moments
I can see no way, I can see no way
And all of the ghouls come out to play

And every demon wants his pound of flesh
But I like to keep some things to myself
I like to keep my issues drawn
It's always darkest before the dawn

And I've been a fool and I've been blind
I can never leave the past behind
I can see no way, I can see no way
I'm always dragging that horse around

And our love's pastured such a mournful sound
Tonight I'm gonna bury that horse in the ground
So I like to keep my issues drawn
But it's always darkest before the dawn

Shake it out, shake it out, shake it out, shake it out, ooh woaaah
Shake it out, shake it out, shake it out, shake it out, ooh woaaaah
And it's hard to dance with a devil on your back
So shake him off, oh woah

I am done with my graceless heart
So tonight I'm gonna cut it out and then restart
Cause I like to keep my issues drawn
It's always darkest before the dawn

Shake it out, shake it out, shake it out, shake it out, ooh woaaah
Shake it out, shake it out, shake it out, shake it out, ooh woaaah
And it's hard to dance with a devil on your back
So shake him off, oh woah

And it's hard to dance with a devil on your back (Shake it off)
And given half the chance would I take any of it back (Shake it off)
It's a fine romance but it's left me so undone (Shake it off)
It's always darkest before the dawn

And I'm damned if I do and I'm damned if I don't
So here's to drinks in the dark at the end of my road
And I'm ready to suffer and I'm ready to hope
It's a shot in the dark and right at my throat
Cause looking for heaven, found the devil in me
Looking for heaven, found the devil in me
Well what the hell I'm gonna let it happen to me

Shake it out, shake it out, shake it out, shake it out, ooh woaaah
Shake it out, shake it out, shake it out, shake it out, ooh woaaah
And it's hard to dance with a devil on your back
So shake him off, oh woah

Shake it out, shake it out, shake it out, shake it out, ooh woaaah
Shake it out, shake it out, shake it out, shake it out, ooh woaaah
And it's hard to dance with a devil on your back
So shake him off, oh woah

Florence + The Machine — Shake It Out

Ela cavalgava impavidamente, montada em um alazão negro da tropa destinada ao uso exclusivo da família real aesir e sua corte. Sua capa de viagem esvoaçava com o movimento rápido e constante, seu capuz voando atrás de si deixando antever seus cabelos castanhos balançando ligeiros.

Miranda seguia pelas ruas de calçamento dourado da capital de Asgard, galgando as pedras do calçamento que mais lembravam pepitas de ouro, já muito longe do Palácio Real asgardiano.

Galopava em uma velocidade surreal, como se o animal que montasse fosse capaz de voar. Alguns transeuntes surpreendidos encaravam-na, surpresos com a pressa da jovem mulher que montava o cavalo real rumando acelerada a um destino determinado como se sua vida dependesse disso.

E realmente depende.

Pensou a midgardiana, mordendo o lábio inferior, concentrando-se no plano intrépido que formulara.

Miranda tivera de usar de seus maiores esforços para levar adiante aquela mentira que formulara e contara a Loki. A forma como ele a encarara, de certa forma como se aquilo não o surpreendesse, como se realmente esperasse que um dia ela o abandonaria... Como se não fosse nada incomum e inesperado ser rejeitado, aquilo quase a destruíra por dentro.

Mas fizera tudo o que fizera, usando de uma capacidade de resistência sobre-humana para continuar com aquele plano, para protegê-lo, afinal de contas.

Miranda, Frigga, Leah e Elaine haviam combinado uma arapuca para Hela. Armadilha essa que envolvia a suposta fuga da midgardiana de Asgard, como se finalmente desistisse de tomar parte da guerra e cedesse ao temor de vivenciar algo tão grandioso e além de suas próprias habilidades e responsabilidades. Teria consigo o auxílio, guarda e cobertura das quatro mulheres — e de Sif, que mais tarde juntou-se ao plano -, para que pudessem enfim derrotar Hela.

A deusa da morte, afinal, não viera primeiro para matar Loki. Ou Odin.

Viera para assassinar Miranda, querendo, com isso, atingir o deus da trapaça, e tomar a pedra norn da vida de Karnilla das mãos da midgardiana. Pois, o ser vivente que detivesse consigo o poder da morte e também da vida em mãos... Seria o ser mais poderoso de todo o universo.

Assim, com o esquema em mente, a jovem mulher de cabelos castanhos subiu com o alazão a encosta que a levaria para o local que não traria suspeita a Hela; a passagem secreta que Loki descobrira, e levava para os ramos e raízes de Yggdrasil. Miranda fingiria que concretizaria sua fuga por aquele ponto, para onde a visão de Heimdall não conseguira alcançar.

Ao terminar de galopar veloz por toda a íngreme subida, Miranda olhou para trás e viu uma fingida última vez o abismo abaixo, que demonstrava toda a magistral visão da belíssima Cidade Dourada. Ruas e mais ruas calçadas por pedras brilhantes que mais pareciam jóias cintilantes brilhando à luz do sol vespertino, unindo-se sinuosas até a ponte Bifrost, fulgurante em todas as cores do arco-íris. A idílica ponte seguia em frente, delineando-se pelo ponto mais central de Asgard, para onde havia, muito ao longe, o Palácio Dourado. Árvores frondosas de alturas imensas desenhavam-se pelo ambiente urbano, simultaneamente ancestral e moderno ao mesmo tempo, e um rio principal cruzava a cidade, caindo em uma linda cachoeira.

Aquela era uma vista espetacular, capaz de tirar-lhe o fôlego mesmo em meio a uma situação tão preocupante como a que estava. Mesmo sabendo que Frigga, Sif, Leah e Elaine estavam escondidas além da passagem secreta, apenas aguardando o momento correto para agirem, ela pôde senti-la antes de vê-la.

Miranda fora avisada por Leah que Hela estava em Asgard. Havia superado as defesas e vigilâncias do enfim liberto Heimdall, e caminhava em meio aos aesires, alheios à sua presença. Mas a midgardiana a percebia. Sentia-a, cada vez mais perto.

Pois Hela e Miranda eram faces de uma mesma moeda. De um lado, a deusa da morte. De outro, a portadora da pedra norn da vida. Uma faceta da destruição e do fim. Outra, do nascimento e recomeço.

A midgardiana havia deixado o cavalo, que rumou a esmo para a esquerda. Naquele momento, a jovem moça caminhava para perto da abertura da passagem secreta para os fins de Asgard e raízes de Yggdrasil. Sem pensar no que fazia, Miranda Foster moveu a mão com a palma ferida no formato da pedra norn da vida para o objeto, apertando-o com força contra si e machucando-se novamente. Aquele movimento involuntário de proteção, ao apertar contra sua mão ferida a pedra, era a forma que seu espírito e corpo encontravam de guardar-se da influência nefasta daquela que se aproximava cada vez mais.

Aquela presença poderosa, hedionda, agourenta... Não poderia ser ninguém mais.

Não poderia deixar de ser a marca da deusa da morte.

Ninfa Hale... – A voz sórdida e macabra de Hela chegou aos ouvidos de Miranda antes de ter um mísero vislumbre de onde ela estaria. — ...Não faz ideia de como estava ansiosa por lhe encontrar. – A deusa da morte falou, surgindo em meio a trevas de brumas e fumaça escura, assim que Miranda girou nos calcanhares.

A roupa que usava era o mesmo vestido negro de quando Miranda Foster a havia conhecido nos confins do submundo de Helheim. Mas, estranhamente, talvez movida por algum encantamento maléfico, o tecido se misturava à nevoa de escuridão que Hela e Leah eram especialistas em conjurar, como se fossem tentáculos esfumaçados de negrume horripilante. Seu rosto branco como um cadáver refletia a beleza sobrenatural que tinha, simultaneamente linda e assustadora.

A sua mão direita, seu cetro de ossos, suas unhas negras e compridas retorcendo-se nele como garras de seus lobos e feras bestiais.

– Quer dizer que enfim decidiu abandonar seu amante? – Hela perguntou em tom de ironia, assim como usara o falso nome de Miranda, utilizado pela midgardiana quando ela e Loki foram a Helheim convencer a deusa da morte de tomar parte na guerra contra Asgard. – É mais sábia do que parece, seu vermezinho petulante. – A voz da deusa da morte foi tornando-se gradualmente mais baixa, sussurrante, porém ainda mais periculosa.

Miranda Foster não conseguia responder. A aproximação da personificação da morte, tão próxima de si, querendo, mais do que tudo, tirar-lhe sua vida, tinha um efeito de impacto sobre-humano contra si. Suas pernas bambolearam, enquanto ela se esforçava para conter os inúmeros calafrios de horror que subiam por seu corpo, e a sensação de pânico pleno que ousava levá-la em um torpor inescapável.

– O deus ladino de fato desceu muito... – A deusa da morte encarava Miranda com desprezo profundo, percebendo seu medo, e se deliciando com ele. Suas unhas arranhavam os ossos de seu cetro, trazendo um som agonizante aos ouvidos da jovem mulher de olhos cor de mel. — ...Para tocar em um ser tão repugnante quanto você. Uma concubina de Midgard. Uma mera midgardiana. Patética. Covarde. Mal consegue suportar minha proximidade. – Desdenhou Hela, divertindo-se com a sensação de pavor insuportável que despertava em Miranda.

Por justamente serem opostas em seus respectivos poderes, Miranda Foster sentia Hela mais intensamente do que qualquer um, e vice-versa. Para o bem ou para o mal.

– ...Porém não tão baixo como quando desceu para te usar, Hela. Ele literalmente desceu ao submundo para te enganar, e conseguiu. – Miranda respondeu de volta, munindo-se de uma coragem que sequer sabia ser possível exibir.

Uma centelha de fúria moveu-se pelas íris de Hela, orbes mais escuros que os covis de Helheim. – E tem o desplante de me desafiar? Ainda não percebeu, criança... Que está morta? Resta saber como. Penso em levar sua cabeça e atirá-la na frente de seu derrotado comparsa, ou quem sabe estripá-la devagar até o seu último suspiro... – Falou a deusa da morte, proferindo a sentença fatal de Miranda, divagando a respeito. Apertou a ponta do cetro onde jazia uma caveira, e riu consigo mesma em uma gargalhada estrepitante, fazendo Miranda quase ficar surda em meio ao medo e adrenalina que consumiam seu corpo por inteiro.

– Que tal esfolá-la? Jogar sua pele sangrenta aos pés da cela de seu querido, quando tudo estiver terminado, e Asgard ajoelhada aos meus pés. – A deusa parecia se divertir cada vez mais, o que paulatinamente incrementava os temores da midgardiana. – Mas você já sabe, não é? Que não é isso o que o fará sofrer mais? Já sabe, oh, já sabe sim... Que sua maior e aflitiva agonia virá nos meus territórios. Há muito mais sofrimento eterno em Helheim do que o pouco que você presenciou, sua prostituta sarnenta e pretensiosa. E eu farei questão de lhe reservar o pior de todos os tormentos. – Prometeu Hela com uma voz tão assertiva que Miranda temeu pôr tudo a perder, e sair correndo em uma fuga desesperada.

Ao invés disso, tirando forças de um local muito mais sutil do que a pedra norn da vida... Ela conseguiu responder.

– Então por que não tenta vir me pegar? – A midgardiana retrucou, ainda apresentando uma valentia sem igual.

Hela gargalhou histericamente. Miranda foi obrigada a tapar os ouvidos, pois aquela risada não mostrava nenhum som de alegria. Era uma risada de agouro, de fatalidade, lúgubre. Uma risada de ódio.

Ela apenas teve tempo de baixar os braços rapidamente, juntando seus antebraços em um movimento preciso, abaixar levemente seu queixo e proferir o feitiço de proteção que há muito lhe fora ensinado.

Em aesir antigo, Miranda Foster conjurou o campo de força lilás no mesmo instante em que Hela a atacava com a ponta afiada de seu cetro, a base do objeto, mirando em cheio em seu rosto.

O som reverberou por todos os cantos de Asgard, fazendo a terra tremer, quando a deusa da morte foi atirada como carne morta metros longe. Hela deixou um rastro de sangue pela terra árida que ali havia, fazendo uma trilha com seu corpo por onde ele percorrera até ela finalmente parar.

No mesmo instante, surgiram, preparadas para atacar se necessário, Frigga, Elaine, Leah e Sif. Frigga retirou um punhal afiado de sua armadura em suas belas vestes azuis, Elaine, falava sussurrando feitiços que faziam as pontas de seus dedos brilharem argênteas como seus olhos que agora estavam prateados – sinal da magia de Freya -, Leah conjurava em volta de si a fumaça escura típica da magia de sua antiga mestra e Sif, munida de sua poderosa espada, já tomara sua posição de cobertura.

– Sua traírazinha... Farsante... Fedelha insolente! – Bradou Hela, furiosa agora também com Leah, que já sabia tê-la traído. A aprendiz da deusa da morte pareceu tremer ligeiramente seus lábios, e Miranda percebeu o quanto aquela portadora do poder da morte era realmente temível. Até mesmo sua aprendiz, conhecedora profunda de suas artes, sentia-se pequena e ameaçada em frente a ela.

– Vá embora, Hela. Se ainda quiser sobreviver. – Frigga respondeu, aproximando-se de Miranda, mas ainda protegida pelo campo de força. A jovem mulher, a frente do campo protetor que conjurara, já sabia o que deveria fazer.

– Eu cuido disso. – Sentenciou Miranda Foster, andando na direção de Hela, que se levantava cuspindo sangue.

– Não reconhecem a derrota quando a veem frente a frente?! – Perguntou Hela, quase incrédula. – Terei mais quatro almas do que previ para levar ao sofrimento eterno quando isto acabar. – Garantiu a deusa da morte, lambendo os lábios em um deleite cruel e antecipado.

– Alguém já te disse que você fala muito para quem gosta de gente morta? – Revidou Miranda, levantando uma sobrancelha, e retirando ela mesma a espada que guardava dentro de suas capas de viagem, lâmina criada a partir do modelo da espada aesir de Sif.

Decididas, Hela e Miranda avançaram uma contra a outra, a espada dotada de magia e potência asgardiana defendendo os golpes da ponta afiada do cetro de ossos da deusa da morte. A capa marrom de viagem da jovem mulher movia-se em movimentos sinuosos, enquanto o vestido de trevas de Hela fazia o mesmo, a portadora do poder da vida e a dona do poder da morte envoltas em uma dança fatal. Hela, um tanto em desvantagem por ter enfrentado o feitiço antigo e potencializado por toda a energia sem igual da pedra norn da vida, em determinado momento vacilou.

Seus pés tropeçaram, e Miranda aproveitou a deixa.

A midgardiana fincou no peito de Hela, na altura de seu coração, a lâmina de propriedades asgardianas, manchando a prata da arma com o sangue da deusa da morte. Hela deu um grito de dor lancinante, enquanto Miranda já havia retirado a lâmina e a golpeara outra vez, dessa vez na altura de suas costelas direitas.

A deusa da morte tombou ao chão, mal segurando-se em seu cetro, enquanto Miranda se afastava, olhando-a em repúdio. Hela respirava com dificuldades, sangrando muito, ferida em demasia.

Mas bastou Miranda Foster das as costas que o jogo mudou.

– CUIDADO! – Gritou Leah, desesperada, em uma emoção tão atípica para si, sempre desdenhosa e séria.

A midgardiana voltou seus olhos redondos e cor de mel assustados para trás, mas já era tarde demais.

Hela recuperara-se, atirando-se com o resto de suas forças contra Miranda, perfurando seu abdome com a ponta anavalhada de seu cetro branco como uma ossada.

A arma perfurou barriga, ossos e carne de Miranda, atravessando-a pelas costas. A deusa sorriu, satisfeita, ouvindo os gritos e lamúrias desesperados das mulheres que atravessavam o campo de força lilás para vingarem-se da morte iminente da companheira de Loki.

A um movimento feito com a mão direita, Hela proferiu palavras de magia perversa que conhecia, prendendo as quatro parceiras de Miranda Foster em meio a tentáculos brumosos que as paralisaram em pleno terror.

Hela abaixou-se até o corpo já sem vida de Miranda, sorvendo deliciada seus odiosos olhos grandes e redondos agora apáticos, olhando para o céu, mas não vendo nada. Antes de levar sua alma consigo, a deusa da morte arrancou de seu pescoço o colar da pedra norn da vida, vendo aquele objeto de poder imensurável cintilar em suas mãos de branco cadavérico assim que o tocou.

E era, finalmente, o ser mais poderoso de todos os Nove Reinos.

Um sorriso maléfico surgiu as faces da deusa, mas foi interrompido no mesmo momento.

Pois sua sorte mudara, mais uma vez.

Eis que, abaixo de si, o corpo de Miranda e até mesmo seu cetro, fincado atravessado no ventre da midgardiana, havia sumido. Desaparecido em pleno ar, desvanecendo em uma fumaça esverdeada.

A deusa da morte, atônita, encarou as próprias mãos. Em suas palmas, o que era a pedra norn da vida e o colar que arrebentara também se refundiu do mesmo jeito. Em névoa verde.

– Arrivederci, gótica vadia. – Falou Miranda às suas costas. Bastou Hela girar nos calcanhares que a midgardiana, usando o próprio cetro da deusa da morte perfurou seu coração congelado, fazendo-a engasgar-se em uma exclamação de ódio, surpresa e dor. Sua última visão foi a do colar envolvendo a pedra norn da vida, e percebeu que fora enganada.

Por truques de ilusão como os do deus da trapaça.

Seu grito morrera consigo, enquanto Miranda Foster a empurrou pela encosta, seu corpo sem vida caindo em direção ao abismo.

A jovem mulher, cercada de Sif, Leah, Frigga e Elaine que, entre o choque e a alegria, testemunharam juntas a queda de Hela, demoraram até realmente esboçar reação. Depois de longos segundos em que o cadáver da deusa da morte fora cercado por tropas do exército asgardiano, que, atraídos por aquela luta de enormes proporções entre duas mulheres detentoras de grande poderio, viera inclusive acompanhado de Thor, Hogun, Volstagg e Fandral. Os soldados se ocupavam em examinar o corpo morto de Hela, enquanto Thor subia correndo o declive para encontrar sua mãe e as outras mulheres na frente da passagem secreta que levava às raízes de Yggdrasil.

Miranda abraçava-se com Elaine, ambas chorando de alegria, depois de já ter cumprimentado uma tímida Leah, que tentava esconder o próprio alívio, e abraçar uma reservada Sif, que finalmente permitira que a midgardiana criasse mais intimidade consigo, depois de ambas terem compartilhado um momento tão intenso e perigoso.

Por fim, a moça de olhos cor de mel buscou os braços de Frigga. Ela e a mãe de Loki se abraçaram em um abraço sincero, apertado, e Miranda sentiu-se muito confortada, como não havia se sentido há dias, desde que toda aquela louca viagem por todos os Nove Reinos começara. Lágrimas brilhavam também nos olhos azuis celestes como os de Thor – os olhos de Frigga -, enquanto a deusa mãe da dinastia asgardiana acariciava gentilmente o rosto de Miranda, encarando-a com orgulho.

– Meus parabéns! Você conseguiu. – A deusa mãe falou, segurando seu rosto com afabilidade.

– Não. Você conseguiu. Se não fosse sua ilusão... – Miranda respondeu, segurando agora as mãos de Frigga e as apertando, genuinamente grata e aliviada.

– Nós conseguimos, então. – Assegurou Frigga, um sorriso bondoso e amplo de contentamento desenhando-se em seu rosto altivo, porém doce e gentil.

Assim que se separaram, Miranda buscou a companhia de Leah, já pensando em provocá-la em deboche para que demonstrasse mais alegria, mas, mais uma vez...

Algo totalmente inesperado aconteceu.

Um som muito abaixo do declive ecoou metros acima, como se vários corpos no fim da encosta tivessem sido subitamente atingidos por algum projétil em um ruído surdo e grosso, e atirados para o lado.

Frigga, de costas para a íngreme encosta pela qual descera o corpo sem vida da deusa da morte, tinha seus olhos em seu filho mais velho, que já se aproximava dela.

Mas por trás dela surgiu uma sombra de névoa mais escura que o submundo. E, em meio às sombras, brilhou a brancura fúnebre do cetro de ossos de Hela.

O pescoço de Frigga foi cortado, sangue saindo de seu ferimento em profusão, enquanto ela tombava contra o chão. A figura que a matara arrancara, com mãos de unhas negras em gafa, o colar em seu pescoço que levava por si só a pedra norn da terra. As brumas das trevas deslizavam pela encosta, fugindo em disparada quase como se voasse pelo terreno, e, por meio segundo, ninguém entendera o que acontecera.

Miranda sequer percebeu que se movera, mas, no segundo seguinte, estava jogada ao chão, do lado do corpo moribundo e estendido de Frigga.

As lágrimas que antes eram de pleno alívio transformaram-se em desespero e tristeza. Miranda Foster retirou a pedra norn da vida de seu pescoço, em movimentos atabalhoados e desalentados, enquanto Thor, do outro lado de Frigga, segurava as mãos da mãe e urrava em ira profunda, como uma tempestade de raios e trovões, seu sofrimento inconsolável.

Miranda moveu a pedra pelo ferimento de Frigga, curando-o e drenando o sangue, fazendo-o sumir em pleno ar como as ilusões da mãe de Loki. Seus olhos estavam embaçados pelas lágrimas, seu peito palpitava como de uma criança que chora desconsolada. Era difícil conter os próprios suspiros de pranto, já que seu queixo não parava de tremer.

Não. Por favor não. Tinha tudo dado certo, tudo ia dar certo, tínhamos certeza, por que, não, por favor, não...

Elaine, correndo para seu auxílio, sentou-se ao lado de Miranda, ela mesma conjurando todos os encantamentos de cura que conseguia, exaurindo as próprias forças até quase desmaiar. Em segundos, voltou-se para Miranda, e meneou a cabeça, seus olhos azuis escuros marejados de lágrimas.

Frigga estava além da cura da magia da deusa da cura, e da salvação pela pedra norn da vida.

Leah aproximara-se devagar, seus passos parecendo pesados como se carregasse toneladas em cada perna. Sif, ao lado de Thor, olhava incrédula para o corpo da deusa mãe. Seus olhos escuros não queriam demonstrar, mas mal conseguiam conter o choro que ameaçava transbordar pelos seus cantos.

– Estou orgulhosa de você. – Disse Frigga, subitamente, e todos comprimiram a respiração. A deusa mãe dos aesires piscou os olhos, e encarou Thor, Sif, Leah, Elaine e por último Miranda.

– E de você também, meu filho. – Falou a mãe de Thor, olhando com doçura para o filho. Seus olhos pareciam pesados, as pálpebras comprimidas, quase totalmente fechadas.

– Só peço que me prometa uma coisa. – Frigga pediu, voltando-se com suas últimas forças para Miranda, afastando a pedra norn da vida que a jovem mulher tentava mais uma vez usar para recuperar as forças da deusa mãe da dinastia aesir.

– Fique ao lado dele. Ele não sabe... Ainda... O quanto precisa de você. – A deusa mãe falou, e seus olhos piscaram, sua boca entreabriu-se, um suspiro calmo saindo de seus lábios.

– Amo muito você, Thor. Assim como amo Loki. Amo e sempre amei meus filhos... Igualmente. – Ela falou em despedida ao deus do trovão, que, dessa vez, começou ele próprio a chorar, não se contendo.

Frigga fechou os olhos, e, com um sorriso doce no rosto... Morreu em paz.

– NÃO! – Thor bradou, sem acreditar. Levantou-se, levado pela raiva e fúria, e passou a girar o Mjolnir com todo o seu incrível vigor. Em segundos pôs-se ao ar, e passou a perseguir a sombra que já pairava muito além, léguas distante, para depois das fronteiras de Asgard.

Sif, controlando o próprio pranto, seguiu-o o melhor que pôde. Os Três Guerreiros foram ao seu encalço, assim como o que sobrou do exército aesir, feito em pedaços por um feito maléfico da deusa da morte.

Sozinha com Elaine e Leah, Miranda não deixou o corpo de Frigga. Olhou seu semblante pacífico, as lágrimas descendo por seu rosto intermináveis, incansáveis como o fluxo da cachoeira que tempos depois testemunharia o funeral de Frigga...

A Cidade Dourada parara de brilhar. O entardecer já avançava para um crepúsculo tardio, de um céu amplo sem nuvens, mas não havia mais beleza alguma na capital aesir. A cidade parecia levada por um anoitecer sem cor, tristonho, insípido por conta daquela perda que não podia, não poderia, jamais, ser medida.

Frigga se fora, a mãe de Loki, a mãe de Thor. Hela tirara sua vida, mas não conseguira tocar em sua alma. Frigga fora para Valhala, onde, na companhia de seus ancestrais, não mais conheceria guerra, ou morte, ou sofrimento. Deixara seu Reino, seu trono, seu marido... Deixara seus filhos, e deixara a companheira de seu filho mais jovem, que mal a conhecia, mas já a amava profundamente.

Assim como amava Loki.

E todos os Nove Reinos, naquele dia, ficaram órfãos da pessoa mais maternal e amorosa que já caminhara por Asgard.

Notas finais
Eu falei que o final ia ser triste... Mas ao menos agora o drama abranda um pouco, e, no próximo capítulo, alguém vai dizer as clássicas três palavrinhas. Sim, finalmente, e depois de tanto tempo. E sim, será em um contexto dramático. :P ~ Frigga no gif: goodbye, dear mother. Aguardo reviews! o/ Espero que fiquem felizes com a minha volta depois de um longo inverno! xD