Journey Into Trickery

26 I'm Glad You Came - Parte Três


Notas iniciais
Mantendo a linha de raciocínio... Teremos agora umas tretas interessantes entre o grupo, e, como estava em falta... Momentos Miloki cheios de feels! Obaaa! Com toda a dose de controvérsia e discórdia que sempre foi a marca do casal... Beijocas e boa leitura!

Thor, assim, guiou o grupo para uma taverna que julgou apropriada. Não era das mais famosas, também nem uma das piores, tendo uma qualificação mediana, segundo o que disse. Para viajantes que não queriam despertar a atenção de ninguém, era a melhor escolha possível.

– “A Ale Vermelha.” Gostei bastante do nome! – Miranda comemorou, fechando a mão direita em punho, tentando mostrar animação em um gesto de comemoração. Sorriu largamente para Thor, que parecia um tanto exausto. Deuses se cansam, realmente... Eu meio que estou começando a sentir isso na pele.

– Tem bom gosto, minha jovem. – Volstagg, o mais velho do grupo, disse também sorridente. Parecia realmente animado com a ideia de comer, beber e descansar. – Quer dizer que prefere as cervejas vermelhas? – O guerreiro glutão perguntou.

– Certamente! — Miranda respondeu um tanto efusiva demais para parecer natural. – Cervejas vermelhas são... – Ela se segurou para não falar de Midgard, mostrando seu nervosismo à flor da pele. — ...Bem, são deliciosas. Já viajei para um Reino admirável no qual é uma das principais receitas da bebida. – Ela respondeu, mencionando a Irlanda sem que alguém pudesse desconfiar de suas origens.

– As minhas preferidas sempre são as encorpadas. – Volstagg respondeu, divertindo-se com a conversa, enquanto o grupo se reunia para adentrar a taverna. Um homem alto e loiro que até lembrava fisicamente Fandral, antes da aparência idosa, conversava com uma mulher também alta, de cabelos ruivos e espessos e sardas no rosto, na altura da entrada.

– Ah, bem, as minhas preferidas mesmo são as de trigo... – Miranda respondeu, reparando um tanto ansiosa nas pessoas que entravam na estalagem junto a eles. Sif ainda a encarava de esguelha, parecendo especular mentalmente sobre o que poderia estar lhe tirando do sério.

– E as minhas preferidas são todas, ao mesmo tempo, em quantidades monstruosas! – Fandral disse, jogando os braços por cima dos ombros de Sif e de Miranda, que não resistiram e deram uma curta risada antes de desvencilharem-se do rapaz, agora velho, por vezes inconveniente. A jovem mulher olhou de esguelha para Loki, que, de costas, acompanhando Thor no balcão com o estalajadeiro, voltou o rosto para trás, entediado, e chegou a ver Miranda se desvencilhar de Fandral. Seus olhos agora cor de mel faiscaram, irritadiços, e ele pareceu conter um movimento bruto de se aproximar do antes loiro guerreiro.

– Eu devo concordar com o Fa... Farrow. – O guerreiro fanfarrão, Volstagg, agora parecendo um rapaz de cabelos longos e castanhos quase disse o nome verdadeiro do amigo, parecendo relaxar até demais. – Quantidade é qualidade! – Riu.

– Nem sempre... Nem sempre... – Miranda encarou as costas de Loki, que retomara a compostura e parecia conversar seriamente com Thor, a expressão dos dois irmãos similares, imponentes e majestosas mesmo em seus trajes de camponeses. Sif a olhou de esguelha, e as duas sorriram sorrisos cúmplices, enquanto Miranda sentia uma sensação quente e gostosa subir pelo seu peito.

Ela bem sabe que o que eu disse não tem relação alguma com comes e bebes...

– Amigos! – Thor os saudou com alguma alegria, mas logo perceberam que não passava de mera atuação para que os estranhos que passavam de um lado para o outro na taverna não desconfiassem de quem o grupo realmente era. – Conseguimos quartos e uma mesa para todos. – O deus do trovão disse, parecendo satisfeito, mas seu olhar nervoso perscrutava cada uma das pessoas presentes na estalagem.

– E o que estamos esperando para sair daqui? – Fandral disse, levantando uma sobrancelha, seus olhos idosos perdidos em uma jovem moça de cabelos longos e morenos, lisos, descendo até quase seus glúteos. Ela usava um vestido violeta claro, quase rosa, chamativo com um decote nas costas considerável.

Loki deu uma risadinha curta, parecendo realmente satisfeito. Miranda julgou ser por estar com suas mãos livres, mas em breve entenderia a razão de fato.

– Porque só conseguimos seis quartos. E somos sete. – O deus do trovão pareceu desculpar-se. – Temos que solucionar esse breve impasse. – Thor disse, sério.

– Sem piadinhas. – O irmão mais velho de Loki pareceu pedir o impossível.

Com certeza ele deu um jeito de mandar uma ilusão dentro da cabeça do estalajadeiro. Miranda segurou um largo sorriso que queria desenhar-se atrevidamente em seu rosto. Esse deus da trapaça é impossível mesmo. Ela sentia ser quase impossível não rir.

Sif parecia constrangida, especulando mentalmente sobre esse quarto que teria de ser, no mínimo, duplo. Tadinha. Será que é virgem? Miranda teve que conter ainda mais seu sorriso travesso, colocando a mão direita junto aos lábios e mordendo seu polegar. Evitava a todo custo olhar para Loki, sabendo muito bem a expressão que ele lhe faria.

– Ora, “Theon”. – Hogun respondeu, também constrangido. – Estamos discutindo tolices. – O guerreiro sério falou, levantando uma das mãos. – Já dormimos juntos em barracas em nossas caçadas, cada qual em seu saco de dormir. – Ele disse.

Opa. Brokeback Mountain. Espero que o Lokito não esteja nessas brincadeiras também. Miranda quis repreender a si mesma por aumentar sua vontade de rir.

– Bem... Este é o problema. – Thor disse constrangido. – Não tem camas sobrando. Nem sequer sacos de dormir. Na verdade, um dos seis quartos só tem uma cama... De casal. Acho que Sif e Miranda podem dormir juntas e solucionamos a questão. – Ele coçou a cabeça, parecendo em dificuldades.

– O quê?! De jeito nenhum. – A guerreira nórdica disse, alguns centímetros mais baixa do que Miranda, parecendo indignada e bastante ofendida. Suas mãos abaixaram-se até o cabo da espada guardada dentro das vestes de camponesa, e Fandral intercedeu pela amiga, segurando sua mão gentilmente. A agora loira deusa da guerra deu-lhe um tapa na mão que a tocara, mas pareceu mais calma.

Ih, rapaz. Será que ela tem alguma queda lésbica por mim? Miranda pensou, divertindo-se muito com a situação. Não vai ser hoje que você vai dormir com o namorado da Jane, lindona. A jovem midgardiana abaixou o rosto e levantou-o de novo, fechando os olhos, para controlar o próprio divertimento. Abriu-os outra vez, e a discussão continuava.

– Bem, eu posso dar uma machadada e qualquer um dos rapazes pode dormir na cama ao meu lado. Divido ela ao meio, e pronto. – Volstagg disse, e Fandral e Hogun riram.

– E qual a parte de “não chamar a atenção” você esqueceu, Vo... Volantis? – Thor disse, ele mesmo rindo, agora. – Dormiria com “Hoggart”, e revezariam entre quem dorme no leito e quem dorme no tapete, algo do gênero? – O deus do trovão sugeriu.

– Não vou dormir em uma cama que “Volantis” dormiu. Ele ronca e baba tudo, é repulsivo, e me recuso a ser desfavorecido de novo e dormir no chão. Já me bastaram os barris. – Hogun disse, agora também revoltado. Isso está divertido demais.

– E eu não dividirei meu leito com ninguém. – Sif disse, séria, parecendo ainda mais na defensiva.

– Ei, ei, fica calma, Lady Castidade. – Fandral disse, e Miranda teve de rir. Loki a olhou, repreendendo sua reação, mas ela não poderia demorar o olhar em seu rosto, senão não conseguiria controlar o próprio divertimento. Fandral a encarou devagar, abrindo um sorriso repleto de malícia em seu rosto idoso.

– Se o nosso líder não se incomodar, o velho inofensivo aqui faria as honras de acompanhar nossa ilustre... Convidada. Sou idoso, não teria condições de tentar nenhuma ação desonrosa. Se ela não quiser, posso muito bem acompanhar nossa pequena e bela loira companheira. – Fandral debochou malicioso, seus olhos brilhando ao encarar Miranda, que sentiu a tempestade se formando. Ela engoliu em seco, já sabendo o que estava por vir.

– Eu teria muito mais cuidado com as palavras se eu fosse você. – Loki respondeu, sua voz tomando um tom perigoso e grave, de dar inveja ao psicopata mais frio e assassino, o que fez Miranda sentir arrepios na espinha. Delineou bem e claramente as palavras, dando ênfase no “muito.”

O deus da trapaça deu um passo sinuoso a frente de Fandral, olhando-o como um leão alfa confrontaria um leão menor e mais fraco. Ah não. Barraco agora não.

– Como você me assusta, “Luke”. Na posição que está, suas ameaças não me parecem tão amedrontadoras assim. – O guerreiro audacioso o confrontou, mantendo o sorriso malicioso. Metade do motivo de falar essas coisas deve ser para tirar o inglesinho do sério.

– Parem com isso. – Thor bradou, e alguns homens próximos ao balcão do estalajadeiro, bebendo cerveja em canecas de madeira, olharam curiosos para o grupo. – Fa... Farrow, exijo que tenha mais respeito, em nome do grupo... Ou será o próximo a andar de algemas. – O deus do trovão ameaçou claramente.

– Não está mais aqui quem falou. – O agora idoso levantou as mãos, olhando para Loki e sorrindo desafiador. – Por enquanto. – Sussurrou de forma que apenas Loki e Miranda puderam escutar.

– Cavou sua cova, seu merdinha. – Loki respondeu, simples e direto, seu rosto sério refletindo todo seu desprezo e fúria contida, e Miranda sabia que ele falava sério. Para ele usar palavrão de macho alfa... Fodeu. O deus da trapaça virou as costas para ambos, e ela sabia que sobraria para si mesma mais tarde. Puta que pariu.

– Tomei uma decisão. – Thor disse, sério. – Já que nenhum de vocês se decide, e já estamos chamando a atenção. – Ralhou com o grupo, e Miranda se controlou para não revirar os olhos. – Não quero ouvir nenhum comentário a respeito, e quando digo nenhum, falo muito sério. – O deus do trovão disse da mesma forma que seu irmão mais novo dissera para Fandral, momentos atrás.

– Miranda e Luke dormirão neste quarto. – Thor decidiu, e Volstagg e Hogun se entreolharam, levantando as sobrancelhas, Sif arregalou os olhos discretamente e Fandral fez uma expressão incrédula como se estivesse sendo injustiçado. – Não quero saber o que vão fazer, se vão dormir no chão, no teto ou dentro do armário. Não me interessa. – Thor disse sério. – E não interessa a nenhum de vocês. Tirem essas expressões de seus rostos. Estou falando sério. – Miranda se sentiu imediatamente contrita e reparou que o grupo aparentou maior austeridade.

– Cada um de nós ficará em quartos vizinhos. Estejam preparados para qualquer eventualidade. As portas e janelas e qualquer forma de saída do quarto de Miranda ficarão trancadas por dentro, possíveis de serem abertas apenas por um de nós cinco. Hoggart conhece o encantamento, e o fará. Cada um de nós quatro, eu, Silla, Volantis e Farrow estaremos presentes quando ele conjurar a magia de proteção. – O deus do trovão aproveitava a ebriedade dos outros presentes na taverna para dar uma bronca em voz baixa em todos os membros da pequena comitiva da pedra norn da vida.

– Esta noite, dormiremos tranqüilos. Mas não porque me ajudaram a tomar essa decisão. – Thor ralhou, afinal. – Lembrem-se do porque estamos fazendo tudo isso. – Logo em seguida, Thor e todos encararam Loki. – Lembre-se. – Thor parecia segurar a fúria contra seu irmão, fuzilando-o com o olhar.

– Se não conseguimos nos resolver em relação a uma questão tão pequena, como poderemos esperar... Triunfar... Como grupo... No que sabemos que está por vir? – O deus do trovão repreendeu a todos, voltando seu rosto para encarar os restantes. Estava repleto de razão, mostrando porque tinha a liderança em sua personalidade.

Quando virou as costas, Loki fez uma reverência discreta e debochada ao irmão, como se o agradecesse de verdade.

Pouco a pouco, silenciosamente, o grupo dirigiu-se a mesa que ocupariam. Fandral foi por último, alguns metros atrás de Miranda, resmungando consigo mesmo algo como “injustiça” e “favorecer a causa do problema”. Ela segurou-se para não rir, maliciosa, e Loki possessivamente colocou a mão esquerda entre sua nuca e seu ombro, como se a guiasse para a mesa.

– Já que todos sabem que vamos dormir juntos... Acho que temos de fazer os ares de casal. – Loki debochou, e Miranda lhe sorriu rapidamente, porém percebeu em sua expressão que ainda estava furioso com Fandral.

O clima ainda estava tenso e constrangedor quando sentaram a mesa larga e rústica de madeira, como todas as outras da taverna. Miranda finalmente pôde reparar na decoração da taverna, repleta de lustres de velas pendendo do teto, relativamente baixo, com uma abóboda que convergia ao centro da construção. O ambiente todo era feito de madeira simples, com lareiras de pedra dura e escura aqui e ali, acesas por conta do outono que findava, trazendo consigo noites frias. Muitas pessoas comiam, bebiam, circulavam e conversavam dentro da taverna, mulheres com longos cabelos bem cuidados e vestidos ricamente ornamentados, de costura bem acabada, e homens bem vestidos, com armaduras polidas, alguns inclusive utilizando capacetes. Será que alguém aqui é freqüentador do Palácio Real? Ela não pôde deixar de se perguntar.

Assim que terminou de estudar o ambiente, Thor novamente teve uma boa – ou péssima, dependendo do ponto de vista — ideia para amenizar a situação.

– “Silla”, sente-se aqui. – Thor deu tapinhas amigáveis no banco ao seu lado, e Sif levantou-se, saindo do lado esquerdo de Miranda, que ficou na ponta do banco, contra a parede, e sentou-se ao lado do deus do trovão, entre Hogun e ele.

– Somos um grupo de quatro homens e duas mulheres. – Thor começou, explicando o plano. – Até para evitar constrangimentos e brigas, considerando a ebriedade das pessoas nesta taverna — o deus do trovão indicou com uma das mãos livre alguns outros hóspedes, caindo por cima das mesas de madeira enquanto tentavam puxar pelo braço outras moças aesires com semblantes de puro desgosto — acho que o melhor é fingir que temos, ao menos, dois pares na mesa. – O deus do trovão sorriu, como se sua ideia fosse genial, e deu um meio abraço em Sif, com seu braço direito, atravessando-o pelos ombros dela, que, constrangida, deu um meio sorriso amarelo.

Loki comprimiu um sorriso e um riso silencioso, e Miranda, porém, sentiu-se mal por Sif. Sabia que Thor era de Jane, mas aquilo era vergonhoso. A antes morena moça olhou para baixo, seus olhos azuis entristecidos, forçando um sorriso mentiroso.

– Theon, nossa Silla é tímida. Não a exponha assim. – Fandral respondeu, sorrindo gentilmente, tentando ser solidário com a amiga, que provavelmente se sentia humilhada, além de rejeitada.

– Bem, eu sou casado, de qualquer forma. – Volstagg disse, e riu, para amenizar. Hogun o acompanhou por bom senso, não por achar graça.

– E eu sou casado... Com o meu charme. – Fandral disse bobamente, tentando fazer graça, e Thor riu sonoramente.

– Se não estivéssemos prezando o sigilo, adoraria vê-lo tentando seduzir alguma aesir com todo esse seu charme experiente. – Thor debochou ainda abraçado a Sif como bons amigos, a guerreira agora loira aparentando emoções conflitantes, e todos na mesa riram, exceto Loki, que começara a parecer desagradado e entediado. Miranda encarou o deus da trapaça, pensando no que poderia estar lhe ocorrendo. Já deve ter sido parte genuína desse grupo, alguma vez... E agora só recebe desprezo. Não que não tenha pedido por isso, mas... Ela pensou, e seu coração retorceu-se de dor em solidariedade.

O tempo passou, e todos beberam e comeram. Miranda se deleitou com os pratos, faisões, lebres, cordeiros, também degustando as cervejas vermelhas, até que Loki segurou seu copo, também feito de madeira como um sonho de fantasia medieval, e ela teve que concordar com seu bom senso. Thor, com o olhar, mais tarde, reprimiu Volstagg e Fandral com os olhos, que também pararam de beber. O deus do trovão, Sif, Hogun e Loki mal tocaram na bebida, e também comeram pouco. Estávamos todos rindo, mas... Estão todos com tanto medo quanto eu. Miranda percebeu, angustiada.

– Bem, não duvido que todos irão dormir hoje. Uma noite de sono abençoada pela cerveja e devidamente pesada! – Volstagg disse glutão, e riu sonoramente, acompanhado da maioria dos companheiros. Thor deu o braço para que Sif se levantasse, e ela aceitou, seu rosto exibindo o conflito emocional dentro de si. Thor, sua porta. Como você não percebe?!

Cada um foi, pouco a pouco, subindo as escadas em caracol que levariam até seus quartos. Miranda e Loki seguiram por último, a jovem mulher seguindo o deus, que a guiava discretamente. Por algumas horas, pôde se esquecer de Hela, sendo lembrada da dureza da realidade quando chegaram aos aposentos em que ela dormiria, na frente do qual, Thor, Sif, Hogun, Volstagg e Fandral uniam suas forças em um mesmo feitiço conjurado pelo guerreiro de traços como os dos povos orientais.

– Se algum de nós, ou qualquer outro estranho sem ser um de vocês tentar adentrar o espaço entre a porta e este quarto, todos saberemos. Se estivermos dormindo, seremos acordados pela força deste feitiço. – Hogun explicou ao estranho casal, e Miranda assentiu.

Bocejando, Thor entrou em seu quarto, ao lado dos aposentos de Loki e Miranda. Hogun entrou no outro, do lado direito ao quarto deles, e, pouco a pouco, cada qual tomou seu rumo. Loki encarou Fandral diretamente, e o agora idoso guerreiro manteve seu olhar, fraquejando por último e fechando a porta.

– Bem, eu espero que esse feitiço não os permita ver o que acontece dentro do quarto. – A jovem midgardiana fez a piada maliciosa para amenizar os ânimos, mas Loki não lhe sorriu de volta. Muito pelo contrário.

Ah, não, sério? D.R. quando eu achava que teria alguma diversão? Ela revirou os olhos, e, praticamente desapontada, entrou nos aposentos.


****

Loki fechou a porta atrás de si, e, enquanto Miranda despia as roupas imundas pelo contato com os peixes mortos, sentiu-se estranhamente tímida pela presença de Loki, mesmo sabendo bem que este já a vira nua por diversos momentos.

Ela sentou-se na beirada da cama, tendo pouco tempo para sorver a simplicidade do quarto: tinha uma cama com dossel e espaldar altos, com cobertores quentes para uma noite fria de fim de outono, dourados como a cor típica de Asgard. O chão dos aposentos era de madeira escura, e havia uma pequena mesa também do mesmo gênero, circular, com duas cadeiras, na frente da cama, junto a uma única e grande janela, fechada por cortinas douradas, do lado esquerdo do quarto. Acima da mesa, um candelabro com várias velas fazia a iluminação do quarto, semi-escurecido. A porta ficava ao lado direito da perspectiva de quem estivesse sentado no meio da cama, e já havia sido trancada pelo deus da trapaça. Um papel de parede branco e amarelo subia pelas paredes, com desenhos de girassóis e outras flores de cor similar. Por último, em um pequeno espaço do lado direito da porta, também na extremidade direita do quarto, havia uma cômoda para que um hóspede pudesse guardar seus pertences.

A jovem midgardiana despia suas botas campesinas, estalando os músculos dos pés, tentando finalmente relaxar, mas Loki não lhe permitiria isso. Rapidamente, aproximou-se e segurou-a firme por um dos braços.

– Acha divertido flertar com os amiguinhos de Thor? – Loki perguntou, perigoso, sua ira contida de fato ameaçadora. Olhava-a do alto de seu porte majestoso, parada à sua frente, em pé, e parecia ter dificuldades em conter a raiva que pouco a pouco liberava. Seus olhos antes cor de mel já haviam se transformado nas íris verdes que Miranda tanto amava, assim como todos seus traços físicos retornaram, e ela sentiu-se voltando também a sua real aparência, sentindo seus fios de cabelo se modificarem para seu castanho ondulado habitual. Ao ver os olhos de Loki, entretanto, demorou a responder, tendo de se esforçar para raciocinar.

– Ele que flertou comigo. E eu não flertei de volta. Não dei moral nenhuma pro cara. – Miranda disse, séria, dando de ombros.

Loki a segurou mais firme ainda, dessa vez, pelos dois ombros, forçando-a a olhar para si outra vez.

– Está achando isso engraçado? – O deus perguntou repetidamente, sua voz sibilante e perigosa.

– Está me vendo sorrir? – Miranda disse, séria, levantando os olhos para ele, devagar, depois de abaixá-los, como se estivesse buscando reunir paciência. – Você ficar irritado só está dando motivo para ele te provocar ainda mais. Conheço esse tipo. Esses caras gostam de provocar só para arrumar confusão, na verdade. – A jovem mulher disse, tirando uma manga do vestido atrás da outra, provocando-o sensualmente de propósito. Porra, não fiz nada. A culpa é do Jack Sparrow de fralda geriátrica, caralho.

– E de onde você conhece “esse tipo”? – Loki questionou, seus dedos apertando com mais firmeza ainda os músculos dos cantos dos ombros de Miranda. O deus da trapaça parecia a mais perfeita e pura personificação do ciúme, abaixando seu rosto para perto do dela em um arco gracioso, porém não menos ameaçador. Seus olhos verdes faiscavam à luz soturna do quarto, e ela achava tudo aquilo ao mesmo tempo sensual e irritante.

Ela levantou os olhos, mais uma vez, devagar, para ele. – Você comeu quase todas as deusas dos Nove Reinos que eu conheci, e você não me viu criando caso por isso. Se eu tenho uma vida pregressa... – Miranda se levantou, afastando as mãos dele, e aproximando-se da mesa redonda de madeira. – Lide com isso. – Ela rebateu, séria, vestindo outra vez o vestido de camponesa. O deus da trapaça pareceu levemente descompensado, agindo como se, por mais difícil que parecesse, ela realmente tivesse razão, o que apenas deixou Miranda mais irritada. Ele passou uma das mãos pelos seus lindos cabelos negros, baixou seus olhos verdes para o chão e levantou-os, escurecidos, para ela.

– Eu sei como lidar com isso. – Loki disse, sério e malicioso, voltando-se devagar para sua jovem deusa midgardiana. Circundou-a vagarosamente, suas vestes negras e verdes de camponês curiosamente vestindo sua aparência verdadeira muito bem.

– Lembrando-te mais uma vez de que é minha... Somente minha. – O deus da trapaça multiplicou-se em vários de si mesmo, e Miranda não sabia quem era o real. Ambos seguiam a mesma linha, circundando-a, suas mãos para trás das costas, seu queixo levantado em uma expressão ao mesmo tempo sensual e arrogante. Loki deu-lhe um sorriso perigosamente sedutor, e ela sabia que não poderia resistir muito tempo.

– E tinha que ser... Jogando sujo. – Miranda respondeu, sorrindo-lhe travessa da maneira que sabia provocá-lo, encarando um Loki atrás do outro.

– Do jeito que você gosta. – Um dos Lokis a puxou pela cintura, um que estava na direção contrária a que ela encarava, e beijou-a com afã. Miranda sentira sede dele, fome dele, repleta de desejo. Suas mãos firmes e fortes passaram da cintura da midgardiana para seus glúteos, apertando-os com força, enquanto seus lábios mordiam e sugavam levemente o lábio inferior e voluptuoso de Miranda, que tinha de se controlar para fazer o que pretendia. Estava louca de desejo, preparada para entregar-se completamente a ele, esperara tanto por aquilo de novo, por tantos dias... Mas ele precisava sossegar um pouco, antes que não só se julgasse como se acreditasse dono dela, de corpo e alma, de uma maneira nem um pouco saudável.

Sem que Loki percebesse, tentou guiar seu corpo para perto de uma porta do quarto, a qual se abria para um banheiro interno, uma suíte. Beijavam-se quase com violência, Miranda o puxando por todos os pontos de seu corpo que podia encontrar, por seus braços, costas e pescoço, e senti-lo pronto, seu membro viril desperto, contra si, quase a fazia desistir. Pense. Se esforce. Pense.

O deus da trapaça já havia rasgado seu vestido na altura de seus seios, quase grunhindo por tanto desejo, e os beijava tão deliciosamente que Miranda podia julgar que iria explodir de excitação. Sentir a umidade de seus lábios deliciosos e da sua boca contra um ponto tão sensível do seu corpo... Há quanto tempo não desejava e ansiara por isso, outra vez... Ser dele. Só dele. Somente dele.

Calma. “Wait for it...”

Antes que Loki pudesse entender o que acontecera, Miranda girou a maçaneta de metal antigo da porta do banheiro, e entrou rapidamente, fechando a porta atrás de si. Seu corpo urgia, gritava por Loki, mas ela tinha de ser forte. Ouviu o deus esmurrando a porta atrás de si imediatamente, mas ela rapidamente copiou o mesmo feitiço de Hogun, e trancou a porta, porém, de dentro do banheiro. Somente ela conseguiria entrar e sair daquele lugar, agora, enquanto estivesse ali dentro.

A jovem midgardiana encostou as costas contra uma das paredes de pedra branca do banheiro, respirando com dificuldade, seu peito subindo e descendo como se tivesse corrido uma maratona, como se tivesse feito maior esforço físico do que todos os encantamentos que aprendera a fazer.

– Se você diz tão ferrenhamente que sou sua... Pense bem no que me falou, hoje. Pense em como anda me tratando, e tudo antes de Nornheim. Estou do seu lado desde que nos conhecemos. – Miranda disse, séria e corajosa, sabendo que ele estava escutando, seu coração retumbando dentro do peito a cada palavra nova. – Se você quer que todos me considerem sua... Pense em como age comigo na frente dos outros, também. – Ela terminou, despindo o resto das roupas que faltavam, preparando-se para banhar-se e relaxar, controlando seu corpo para que não corresse até a porta e pulasse em cima do deus da trapaça. A banheira já estava pronta, e, ao lado de um balcão de madeira com um tampo que parecia de mármore, havia duas jarras para lavar o cabelo.

Miranda ouviu o deus da trapaça zunir longe algum objeto que se partiu em diversos pedaços ao romper-se contra a parede dentro dos aposentos. E lá se vai um candelabro... Mas ele vai conjurar outro igual.

Seu coração batia acelerado, parecendo ter taquicardia. Ela levou uma das mãos ao peito, e sentiu que elas tremiam descontroladas. Seu corpo ainda ansiava pelo corpo dele, sua alma vivenciando um misto de emoções e sensações que juraria, antes de conhecê-lo, jamais ser possível.

Puta que pariu. Estar apaixonada é uma merda mesmo. Colocando primeiro a perna esquerda e depois a direita, entrou na banheira de água morna, que pareceu fria contra sua pele explodindo em chamas. Em seguida, deitou-se, mergulhando na água pelo máximo de tempo que conseguiu. Ao emergir, cobriu o rosto com as mãos, rindo, para não chorar.

Notas finais
Esperando com alegria as reviews de vocês todas!