Journey Into Trickery
27 I'm Glad You Came - Parte Final
Notas iniciais
Ela despejava, um por um, os sais aromáticos de banho que os empregados da taverna haviam deixado, junto às jarras para lavar os cabelos, em cima do balcão de mármore, o mesmo local onde também se encontrava a pia do banheiro.
Miranda pegou um dos sais e leu o que havia sido escrito em uma caligrafia gótica no frasco: “Afrodisíaco”. Ok. Eu mereço... Pensou, com ironia.
Deixando seus pés para fora da branca banheira, também parecendo ser feita de mármore, ela relaxou o pescoço em uma das bordas, suspirando audivelmente. Ele vai estar muito puto comigo quando eu sair daqui. Ai, caralho...
Ela se esforçava para relaxar, concentrando-se na espuma que se alastrava pela água, com um doce cheiro de limpeza e frutas cítricas. Quem diria que em Asgard também teriam hotéis bacanas... Esse lugar é estranhamente moderno e antigo ao mesmo tempo.
Loki estava silencioso há algum tempo. Miranda tinha certeza de que passara uns bons vinte minutos ou mais se banhando e limpando-se. Seus cabelos já estavam devidamente limpos e perfumados, e era apenas uma questão de reunir coragem para sair do banheiro e enfrentar a fúria ciumenta do deus da trapaça outra vez.
Pelo reumatismo de Odin! Ele me despreza, me trata mal, tira sarro de mim na frente dos outros... E vem com esse papo de ciúmes e possessividade quando estamos sozinhos? Parece um adolescente, porra.
Por fim, a jovem mulher de olhos cor de mel tomou coragem, respirou fundo e levantou-se da banheira. Pendurado em um cabideiro, haviam dois roupões brancos para hóspedes, e ela pegou o menor e o vestiu. Secou os cabelos com uma toalha dourada que lá havia, usando também um pente que o hotel disponibilizara para tirar os nós. Seus cabelos caíam úmidos na altura dos seus seios, levemente ondulados, e a jovem midgardiana olhou para seu próprio reflexo no espelho do banheiro.
Seus olhos cor de mel, redondos e grandes, pareciam, simultaneamente, cansados e tristes. Sua pele nem bronzeada nem branca, da coloração típica das mulheres do leste europeu em Midgard, local onde havia nascido, na Ucrânia, estava limpa e brilhante graças ao banho recente. Muito nojenta essa história de passar dias viajando sem banho. Frodo, eu te entendo, devo dizer mais uma vez. Miranda pensou debochada, tentando divertir a si mesma, mas falhou miseravelmente. Seu rosto continuou sério, e seus olhos brilharam melancólicos.
Ela levantou sua mão direita, segurando o punho de seu braço direito com a esquerda, olhando seu reflexo no espelho. O ferimento por ter segurado com tanta força a pedra de Karnilla, a pedra da vida, ainda não havia cicatrizado, e parecia ainda mais visível agora que tinha se banhado. O desenho da pedra se fazia visível na palma de sua mão direita, em algumas partes por meio de um curte profundo na pele, em outras por leves arranhões.
Mas o formato era perfeitamente inconfundível.
Baixando as mãos, ansiosa e angustiada, lembrando-se de Hela, a jovem midgardiana sentiu ondas de calor subirem pelo seu corpo, relacionadas, agora ela percebia, com o fluxo mágico que fora provocado por emoções tão intensas. Ela abraçou os próprios ombros, tentando se conter, mas sem desejar conscientemente, trincou o mármore do balcão da pia em vários pedaços, com um ruído sonoro e agudo.
Respirando fundo, a jovem mulher concentrou-se, vendo seu próprio reflexo triste no espelho, e proferiu o encantamento de cura que fez o balcão reconstruir-se perfeitamente.
Decidida a sair logo daqueles aposentos e voltar ao quarto que dividiria com Loki, ela olhou uma última vez para a banheira. A água já havia escorrido, e ela resolveu testar o feitiço que uma vez usara contra um balrog de Surtr, pensando travessamente. Poderia permitir, assim, que o deus da trapaça também se banhasse e esfriasse um pouco a cabeça.
A jovem mulher de olhos cor de mel fechou-os, unindo as mãos, e proferiu as palavras em uma língua nórdica antiga que conjuravam água. Moveu a palma das mãos abertas, girando-as graciosamente em direção à banheira, e, como se saída de dentro das suas palmas, duas fontes de água límpida passaram a jorrar dentro do objeto, preenchendo-o com o líquido.
Miranda pôs-se a rir gostosamente, mantendo as mãos abertas, as palmas ainda liberando a água conjurada pelo feitiço. Entretanto, não conseguiu concentrar-se a tempo de parar sem que a água vazasse para fora da banheira, deixando o banheiro completamente encharcado. Lembrou-se de Thor exigindo que fossem discretos, e fez uma careta de preocupação.
Foi mal aí, "cunhadinho". Ossos do ofício.
Tentando evitar as poças recém-formadas, Miranda abriu, enfim, a porta do banheiro.
Loki estava sentado, de costas para ela, e não havia vestígio algum do candelabro que ele havia quebrado por volta de meia hora atrás. Ele encarava a noite asgardiana pela janela de vidro fechada, alta, com as cortinas que abrira quando sozinho enquanto ela se banhava.
– Uau... – Miranda não pôde deixar de dizer, caminhando a passos largos para dentro do quarto, parando do lado esquerdo da cadeira em que Loki se sentava. As velas do candelabro ao centro da mesa estavam apagadas, agora a jovem midgardiana percebia, e a luz que adentrava o quarto, resplandecente e lindíssima, misteriosa e etérea, era a luz do luar, de uma lua cheia, e de mais de mil estrelas brilhando em um céu tão próximo que ela jamais julgaria possível.
– Noite de magia. – Loki respondeu, misterioso, sua voz indecifrável. Não movera um músculo, a não ser a própria boca e maxilar para falar.
Miranda instantaneamente voltou seu rosto para ele, que estava sentado com as mesmas roupas campesinas, suas botas negras apoiadas acima da outra cadeira que havia no quarto. O semblante do deus da trapaça parecia distante, com as sobrancelhas discretamente franzidas, e seus lábios finos estavam parados em uma expressão distante, parecendo um tanto pensativo, talvez até... Indiferente.
– Até o céu de Asgard é lindo... – Miranda comentou, olhando sonhadoramente pela janela, seu sorriso de criança deslumbrada desenhando-se pouco a pouco em seu rosto. Loki, entretanto, não pareceu movido com o gesto. Manteve-se frio e distante, levantando-se devagar.
– Durma onde quiser. Ouvi a bagunça que fez lá dentro. – O deus disse sem traço de humor na voz. – Vou aproveitar que encheu a banheira novamente e me banharei. – Loki, secamente, afastou-se de Miranda, que tentou tocá-lo com uma das mãos, sem sucesso.
– Eu me lembro de uma mulher bêbada deitada no chão de enormes jardins da cidade de New York, em Midgard. Lembro-me de vê-la levantando a palma da mão de encontro ao céu, dizendo que, se a fechasse, poderia sentir como se tivesse tocado as estrelas. Dizendo sobre como sonhava em ir para muito longe de onde morava, para mais perto do céu. – O deus disse, de costas para ela, com uma das mãos na maçaneta do banheiro.
– Por que está dizendo isso? – Miranda perguntou, sinceramente, sentindo lágrimas subirem aos olhos.
– Porque essa mesma bêbada realizou seu desejo. – Loki voltou os olhos para ela, repletos de desprezo. – Fique em frente à janela. Tente fazer o mesmo gesto. Quem sabe agora consiga tocar as estrelas. – O deus da trapaça disse secamente, repleto de ironia, entrando no banheiro e fechando a porta atrás de si, da mesma maneira grosseira que Miranda fizera momentos atrás.
Ela virou-lhe as costas, entre raivosa e entristecida, e jogou-se na cadeira que Loki ocupava. Colocou as pernas em cima da mesa redonda, e passou a mão esquerda pelo rosto, secando as lágrimas que insistiam em se formar e cair.
Loki, irônico, agressivo e sarcástico, acabara de fazer um comentário metafórico sobre algo que ela mesma falara, mostrando não apenas lembrar-se da primeira noite em que conviveram juntos, quando ela lhe levara para um bar próximo a sua residência em New York, como também ao comportamento de Miranda... Ele era arisco, e fugia de seus sentimentos, mas, dessa vez, nessa noite, por mais que tivesse razão, afinal de contas, em exigir que a tratasse melhor... Fora ela que adotara a postura covarde, que o enganara e o trancara para fora como um animal malcriado.
Apesar de tudo, o deus teve de reunir alguma coragem para confrontar Miranda e exibir seus ciúmes, e, inclusive, admitir, de certa forma, sentimentos passionais por ela na frente de todo o grupo de aesires, na frente de seu irmão, ao ameaçar Fandral. Se ela não significasse absolutamente nada, se não passasse de uma mera peça... Por que se sentiria tão ofendido com a postura inconveniente do guerreiro nórdico?
Loki era difícil, era irascível, temperamental, frio, calculista, intenso, e refletia as mais diversas emoções controversas e conflitantes possíveis... Mas ela o amava. Se o amava, não devia aceitá-lo por quem ele era? Não devia tentar contornar as dificuldades, e ter mais paciência? Podia discordar de seus atos errados, mas atacá-lo justamente quando ele se revelava, quando ele se digladiava com seus conflitos... Seria só razão para afastá-lo ainda mais.
Sua burra... Sempre quis tocar as estrelas, e agora que elas querem te tocar de volta... Você foge.
Subitamente, contendo o choro, Miranda lembrou-se de Boann. Lembrou-se da idosa e de seus bondosos olhos cor de verde-água, de íris de espelho d’água, e sua sabedoria... “Enquanto estiverem juntos, há esperança.”
Ela respirou fundo, e inclinou a cabeça para trás, sentindo seus cabelos castanhos caírem para o meio das suas costas.
Eu espero que ainda possamos estar juntos, Boann.
Ao final de tudo.
****
Sentindo seus músculos mais relaxados, Loki estalou o pescoço ao sair do banheiro da suíte que dividia com a jovem midgardiana. Demorara horas, propositalmente, para que não a encontrasse acordada.
Seu instinto masculino arrependia-se daquela decisão, mas a mulher de grandes olhos cor de mel fizera por merecer. Desde que chegaram em Asgard, tomara uma decisão idiota atrás da outra.
Primeiro, a ideia ridícula de sugerir a viagem por cinco noite em barris repletos de peixes mortos. Loki teria acreditado que aquilo era uma espécie de vingança contra si, da parte dela, mas o fato de ela ter claramente sido conduzida por dentro de um dos barris, como era previsível de ser decidido pela mente limitada de Thor, não seria condizente. Ela jamais teria se colocado ali se não fosse por um lapso de ingenuidade.
Apesar de eu ter de admitir que foi esdruxulamente engenhoso.
Segundo, deixar sua fraqueza tão aparente quando tratava-se de Hela. Ela tinha de ser forte, como ele sabia que era, com o sopro de Hela e a pedra norn da vida. Loki não compreendia porque a jovem midgardiana não conseguia acreditar em seus próprios poderes, em seu próprio potencial. Era superior, agora, em força, à maioria dos deuses nórdicos, deixava tipos treinados em batalha como Sif e os Três Guerreiros parecendo meros amadores, mas assustava-se como uma criança ao ver-se perseguida pela deusa da morte.
Aquilo também o perturbava, não apenas por vê-la insegura consigo mesma, mas, especialmente... Por vê-la insegura com ele. Com o seu intelecto, com a sua confiança, com a sua força. Por que ela não consegue confiar na minha superioridade? Ele se perguntava, sentindo a dúvida também preencher, como uma enfermidade, parte de sua mente. Pare. Contenha-se. Isso não passa de sentimentalismo. Infantilidade. Não é real.
Porém, Loki sabia, e mais uma vez, como tantas outras verdades... Havia omitido aquilo da midgardiana de olhos cor de mel. Miranda não se assustava tanto com Hela apenas por sua fraqueza clara de ter nascido midgardiana; a temia porque seus poderes a uniam, mesmo que não soubesse disso. O instinto mais básico dentro do corpo de Miranda a deixava mais angustiada do que qualquer um, à presença de Hela, dado que era ela quem poderia senti-la mais intensamente. Ela e Leah. As únicas que partilhavam os poderes da deusa da morte.
E, agora, ainda mais agudamente... Por portar consigo a pedra norn da vida, apenas aumentando a amplitude de sua magia.
Eu a guiarei. Tudo seguirá conforme meus planos. Durante todo este tempo, seguiu. Não há motivos para mudar agora.
Loki lembrou-se do ódio profundo nos olhos de Hela, lembrando-se da traição que uma vez lhe cometera. Aquilo fora marcado na sua mente não à toa, mas por uma razão muito simples e também inevitável como a morte; o ódio nos olhos de Hela refletia o ódio que o deus da trapaça alimentara de sua falsa família. Conhecendo bem a origem propulsora deste sentimento... Ela não desistiria tão fácil.
O deus da trapaça rangeu os dentes, irritando-se consigo mesmo, e sacudiu levemente a cabeça, desviando os pensamentos. Lembrou-se do atrevimento recente da midgardiana, e a raiva subiu-lhe por todos os seus poros.
A terceira e última razão para tirá-lo do sério era a mais obtusa de todas. Deixar-se em uma posição tão aberta que permitisse a aproximação de tipos como Fandral, o gênero mais baixo possível de guerreiro aesir. Tão estúpido como Thor, fanfarrão como Volstagg e ainda menos sagaz que Hogun, um dos poucos que Loki considerava relativamente menos tolo do que os outros integrantes do grupo de guerreiros amigos de Thor. O idiota que se julgava “Fandral, o Audaz” era um mero soldado obediente da marionete de Odin, seu irmão mais velho, preocupado em seduzir as prostitutas aesires e divertir-se em competições de força.
Imaginar alguém como ele ousando desejar algo que era dele, somente dele, era quase enlouquecedor de tanto ódio que lhe gerava. Quando chegar a hora, eu o farei sofrer. E ele vai desejar jamais tê-la sequer conhecido.
O deus da trapaça encarou, assim, o roupão restante que a taverna de segunda categoria havia fornecido aos seus hóspedes. Não usaria algo tão esdrúxulo quanto aquilo. Levantando sua mão direita e fazendo um semi-arco com seus dedos, Loki transformou o roupão de algodão barato em um roupão de seda verde e negro, como os que usaria nos dias de falsidade que passou com sua família que o traiu, em Asgard.
Terminou de se secar, sua mente ainda fervilhando com estes pensamentos, pôs o roupão e assim saiu.
A primeira visão que teve o fez sentir como se Thor esmagasse seu coração com o Mjolnir.
Mesmo horas depois de tê-la deixado sozinha propositalmente, Miranda, de costas para Loki, parecia tremer convulsivamente na cadeira que ele abandonara. Seus ombros tremiam dentro do branco roupão de baixa categoria que a taverna fornecia, enquanto seus cabelos castanhos ondulados dançavam ritmadamente com o movimento angustiado.
Odiando a si mesmo, e sabendo ser inevitável agir assim, agir por uma razão mais forte do que ele mesmo... Loki se aproximou e segurou-a pelos ombros, parando atrás de si.
– Não precisa ser assim... – O deus da trapaça, irritantemente comovido, passou a massagear os ombros da midgardiana, que pareciam tensos, como se seus próprios músculos sofressem a dor que ela chorava. Ela pensa que eu não percebo... Tão inteligente, e por vezes tão tola... O deus da trapaça, porém, esforçava-se para negar a si mesmo o quanto vê-la assim o incomodava.
– É sempre assim. – Miranda respondeu, sem olhá-lo em retorno, e ele suspirou, em dificuldades. Parece que será cada vez pior. Loki pensou, entre o conformado e o irônico. A jovem midgardiana afastou-se de suas mãos, curvando-se na cadeira e se levantando, logo em seguida.
– Não acha uma boa ideia tentarmos uma trégua, por enquanto? Tem de descansar. — O deus insistiu, tentando lhe trazer um pouco mais de racionalidade e diminuir seu comportamento emotivo.
– Tenho de descansar por sua causa. — Miranda respondeu, secando as lágrimas com as costas do roupão.
Loki viu que fora duro demais com ela. Não adiantaria tentar contornar o que dissera, ela parecia realmente ferida e ofendida. Tão emotiva para alguém com tanto potencial... O deus pensava, quase desdenhando, tentando mentir para si mesmo que vê-la assim, como ela mesma dissera, "por sua causa"... Também não o machucava profundamente.
– Tem razão. — Ele mentiu, fingindo dar o braço a torcer. O deus da trapaça aproximou-se da mesa, enquanto Miranda o encarava levantando uma sobrancelha, desconfiada. Rapidamente, tocou com leveza e destreza a manga do roupão barato que ela utilizava, e o transformou em seda tão fina e requintada quanto a do que ele mesmo usava.
– Você merece muito mais. — O deus da trapaça deu-lhe uma piscadela e sorriu, pensando em uma deliciosa... Travessura.
– O que está armando aí dentro dessa sua cabeçona mirabolante? — Miranda perguntou, sem muita elegância, olhando o tecido do roupão, estudando suas mangas, passando as mãos pela fábrica. — Não vai me subornar conjurando coisas caras, já deveria saber que não sou dessas. — Ela respondeu, fingindo não ter se sentido mexida não com seu gesto, mas com suas palavras.
– Não era meu propósito. Se eu quisesse te subornar, primeiro conjuraria ao menos uma dúzia de barris de cerveja. — O deus da trapaça brincou, e Miranda não pôde deixar de sorrir.
– Começaria bem. E depois? — A jovem midgardiana de olhos cor de mel caminhou até a cama, sentando-se na borda que havia ocupado quando discutiram horas e horas atrás.
O deus caminhou até ela, levando um dedo indicador ao queixo, fingindo especular. — Eu a convenceria com o meu... Talento. — Loki sorriu sedutor.
– Esse que você tem entre as sedas? — Miranda perguntou vulgarmente, sorrindo-lhe travessa e devassa enquanto semicerrava os olhos. Loki quase se sentia mal por saber manipular os tolos sentimentos que ela nutria por ele, mas vê-la o provocando da maneira que ela sabia mexer com certos... Instintos, dentro de si... Era fácil esquecer muito rápido dessa incômoda sensação de culpa.
– Não precisamente. — O deus da trapaça apontou para o alto de sua cabeça. — Meu cérebro. O que mais falta a Thor. — Comentou, divertido.
– Falar do seu irmão nessas horas é meio quebra-clima, não acha não? — Ela levantou as sobrancelhas, fazendo uma careta.
– Considerando o tempo que não tenho você pra mim... — Loki falou diretamente, e sentiu-se orgulhoso e triunfante ao ver o olhar de Miranda vacilar e faiscar, mostrando como meras palavras sedutoras dele eram capazes de deixá-la mais desejosa. Mais lasciva do que sempre foi. O deus se controlou para não tomá-la nos braços imediatamente.
Não sem antes me divertir um pouco.
– ...Não teria nada que me impediria de tomá-la agora. — O deus sussurrou sensual, aproximando-se dela para beijá-la, apertando o canto de seus ombros com languidez. Miranda continuava sentada, e instintivamente fechou os olhos.
– E me julga assim tão fácil? — Ela perguntou, lambendo os lábios dele devagar, mantendo a provocação, fingindo não ter se sentido seduzida.
– Jamais. — Loki sorriu, beijando seu pescoço, enquanto ela ainda se recusava se mexer. Sentiu, mais do que ouviu, a deliciosa midgardiana comprimir um gemido, e deu uma risada abafada em sua pele, em triunfo.
– Mas eu não sei se depois de tantas discussões eu estou disposta a me divertir de outras formas esta noite. — Miranda respondeu, afastando Loki com os braços. — Sabe, não tem bem um botão de liga-e-desliga. — Ela insistiu, e o deus percebia que ela estava mentindo, tentando tirá-lo do sério. Ah, pequena. Dessa vez você já perdeu.
– Está certa disso? — O deus insistiu, sentando-se ao seu lado na cama de casal. — Eu diria que há. — Loki insinuou, sua mão esquerda puxando a jovem midgardiana pela cintura, enquanto sua mão direita entrava pela abertura de seu roupão, acariciando sua pele sempre quente e tão convidativa. Senti falta disso. Ele teve de admitir para si mesmo. Deixou, assim, seus dedos caminharem pelo ventre de Miranda, acariciando-a, enquanto ela fechava os olhos, sorrindo deliciada. Seus dedos desceram até seu sexo desnudo, e ele pôde sentir a umidade presente ali com a ponta dos dedos. Estava difícil resistir.
– Não me lembro de ter deixado você tocar "nesse botão". — Miranda respondeu, subitamente afastando-se dele, tentando propor uma espécie de jogo sexual. Todas as vezes em que ele se aproximava e tentava um movimento, ela o permitia por algum tempo para depois se afastar. Subitamente, Loki percebeu que ela queria ir à desforra pelo que ele lhe dissera sobre "alcançar as estrelas" por horas atrás.
Tão vingativa... Do jeito que eu gosto.
– Tudo bem. Sei bem como convencê-la. — Loki aproximou-se uma última vez, puxando-a pela cintura e pescoço para si. Envolveu-a em um beijo tão quente e entusiasmado que, quando se separaram, a midgardiana arfava, buscando fôlego.
E, então, ao encará-lo, ela gritou.
– MAS QUE PORRA É ESSA? — Miranda encarava Loki, agora duplicado e transformado, uma de suas formas uma ilusão, e a outra, ele mesmo em sua forma original. O verdadeiro deus da trapaça a encarava em pé, encostado na mesa circular de madeira, e a ilusão conjurada... Assumira a forma de Jane Foster, a prima da bela mulher, e beijara Miranda outra vez. Usava o mesmo roupão de seda de Loki, de tons verde e negro, e parecia ansiosa em continuar o que já começara.
– Confesso que sempre quis ver isso. — Loki ria da reação de sua bela midgardiana de olhos cor de mel, empurrando para longe a ilusão de sua prima que a olhava com castanhos olhos lascivos e desejosos.
– Seu... Seu... Pervertido! — Miranda, sem acreditar, arregalava seus grandes olhos e encarava Loki e a falsa Jane Foster com a libido em chamas tentando avançar outra vez. — TIRA ISSO DAQUI! — A jovem mulher gritou agudo, outra vez, fazendo uma careta chocada.
– Porque certamente vocês nunca brincaram de nada parecido. — Loki respondeu, sarcástico, divertindo-se muito com a reação da jovem mulher. — Não se finja de inocente, não foi por ser assim que estamos aqui esta noite. — Ele a provocou, sentindo que seus olhos brilhavam com aquela bela cena, não apenas pela diversão de ver Miranda surpreendida e fora do sério.
– Não sei se incesto é algo comum em Asgard, ou se você praticou com o seu irmão — a jovem mulher respondeu, dessa vez conseguindo irritar Loki profundamente — mas minha prima é quase minha irmã, e eu não tenho interesse em mulheres, caso talvez não tenha percebido! — Ela empurrou a ilusão de Jane para longe, enfim, ajudada pela pedra norn da vida, que desfez a falsa Jane Foster em diversas luzes esverdeadas, a cor da magia de Loki.
– Não seja grotesca. E não estrague a brincadeira. — O deus da trapaça respondeu, seus olhos agora mais estreitados, provocado pela menção repulsiva e desprezível a Thor.
– Se seu irmão visse isso, estaríamos os dois mortos agora. — Miranda respondeu, levantando da cama e afastando-se de Loki, temendo pela próxima ilusão. Levou consigo uma almofada de cor dourada como os lençóis, usando-a como escudo, e o deus não pôde deixar de rir.
– Talvez. Mas se ele tiver algo de homem também teria se deleitado com a cena. Só que... — O deus baixou os olhos e levantou-os de novo, e Miranda franziu as sobrancelhas, recuando, preocupada.
– Isto é algo apenas para os meus olhos. — Ele fez um gesto displicente com uma das mãos, ainda apoiado na mesa redonda de madeira, divertindo-se muito com a brincadeira.
Subitamente, a ilusão de Sif, vestida com o mesmo roupão que a falsa Jane utilizara, passara os braços pela cintura de Miranda e beijava deliciada seu pescoço, seus olhos negros brilhando de prazer.
– Eu poderia assistir isso a noite inteira. — Loki respondeu, sorrindo, enquanto Miranda se desvencilhava da forte ilusão de Sif, ainda lhe "atacando" com carícias sensuais.
– Eu sempre soube que você era tarado, mas não tinha ideia de como seus poderes favoreciam esse seu lado! — Miranda conseguiu puxar a ilusão de Sif pelos braços e jogá-la na cama. A falsa guerreira morena sorriu-lhe de volta, fazendo menção de abrir o próprio roupão, e a jovem midgardiana fechou os olhos, fazendo uma careta de repulsa, chutando-a para longe da cama com força. Ao cair no chão, parecendo rejeitada e revoltada, a ilusão de Sif desfez-se em outras luzes esverdeadas.
Loki curvava-se de tanto rir. Fora mais divertido do que imaginava. Miranda parecia realmente incomodada com a pequena peça que ele lhe pregara, como se sentisse ameaçada por algo. Tão maliciosa, e tão indefesa em alguns aspectos... O deus sentia um misto de pena e desejo de continuar com aquilo ainda mais, pela expressão em seus grandes olhos cor de mel. Ela parecia confusa, e, ao mesmo tempo, muitíssimo irritada.
– Quer dizer que acha minha prima bonita... E a Sif idem? — Miranda perguntou, cruzando os braços e levantando uma sobrancelha. Sentou-se outra vez na cama, ajeitando seu corpo de forma que suas curvas ficassem ainda mais sinuosas. Ah... Ela quer brincar.
– Beleza não é tudo. — Loki respondeu, dúbio, estudando suas reações, sorrindo-lhe cinicamente. A jovem midgardiana franziu as sobrancelhas e mordeu os lábios, enquanto uma de suas mãos descia de sua cintura até a altura de sua coxa.
– Acha que são mais bonitas do que eu? — Ela perguntou, abrindo lascivamente e devagar a corda do roupão, deixando seus seios quase totalmente expostos.
– Não. — Loki respondeu sincero, sem dificuldades. — Mas, como eu disse... Beleza não é tudo. — O deus continuou, aproximando-se devagar dela. A meia-luz do luar desenhava o corpo de Miranda contra os lençóis dourados, deixando antever montes e curvas que ele mais do que nunca desejava tocar, o lembrando da noite em que a tomara para si pela primeira vez.
– Não. Contam poderes, inteligência, astúcia... — Miranda deixou as mãos abrirem ainda mais devagar o roupão, e ele podia ver, agora em totalidade, seus lindos e fartos seios. — ...Falta de vergonha na cara, capacidade manipulativa... — Ela abriu o resto de seu roupão, exibindo todo o resto de seu corpo lindo em sua nudez deliciosa. — E, quem sabe... Reais experiências lésbicas? — A jovem midgardiana sorriu deliciosamente travessa, seus olhos cor de mel semicerrados faiscando à curta luz dos aposentos.
– Do que está falando? — A atenção de Loki foi desviada de novo para o que ela falava, subitamente interessado. Estava perto de tocá-la, e encarou outra vez seus olhos cor de mel, refletindo a mais doce travessura.
– Em Midgard, eu já estive com mulheres. Mulheres belas. Tão belas quanto Jane ou Sif. — Ela provocou, escondendo um pouco de seu corpo, outra vez, com o tecido do roupão. Loki levou as mãos instintivamente para o tecido, comprimindo um gemido de frustração por ter perdido a visão deliciosa de momentos atrás.
– Eu teria de ver para acreditar... — Loki respondeu, excitado, aproximando-se dela na cama, agora já segurando seu corpo acima do dela. Abaixou-se, beijando outra vez sua pele, sentindo a carne farta em volta de seus seios, e era difícil raciocinar.
– Um dia, talvez, será? — Miranda respondeu, dúbia, acariciando seus cabelos, agindo com submissão. O deus abria agora o próprio roupão, e, antes que percebesse, Miranda fechara as pernas em volta de sua coxa, e, com uma força surpreendente, girou seu corpo, firmando-se acima dele. Surpreso, ele a encarou, levantando seus braços para segurá-la pela cintura.
– Tolinho. — Miranda disse, descarada, mantendo o mesmo sorriso sensual que o tirava do sério. Ela abaixou-se, enquanto seus cabelos castanhos e ondulados espalhavam-se na altura do peito do deus, e ela o encarava com seus grandes olhos cor de mel.
– Você pensa que "me fez querer". Mas eu já queria desde o início. — A jovem midgardiana tirou, em um movimento inenarravelmente sensual, o resto de roupão que a vestia, e passou uma das mãos pelos seus cabelos longos, enquanto a outra acariciava o peito do deus. Com a ajuda da mão que passara pelos seus sedosos fios castanhos, encaixou-se deliciosamente, e girava sinuosa os quadris com urgência, tão rápida e desejosa que, em poucos momentos, o deus, segurando com força sua cintura, quase violentamente, seus dedos quase enterrando-se em sua carne... Grunhiu para dentro de sua alma, atingindo o êxtase em uma intensidade tão poderosa que julgou quase ter perdido os sentidos. A visão de Miranda, desejosa, forte e impetuosa acima de si, só dele, guiando-se em seu corpo, senti-la toda por dentro... Levava-o a acreditar que realmente tinha consigo uma deusa midgardiana.
Sua deusa midgardiana.
Alguns momentos depois, puxando seus ombros com força, fora a vez dela de atingir o ápice do prazer. Não havia expressão mais bela em seu rosto do que quando o deus a via assim, desmoronando de desejo por ele.
Sentindo os batimentos cardíacos acelerados da deliciosa midgardiana, que aproximava-se dele e deitara-se em seu ombro, sentindo que ainda estava dentro dela, Loki apenas escutava os suspiros satisfeitos de Miranda, e, quando julgou que já estava recuperada, a empurrou para o lado, colocando-se acima dela. Segurou os punhos de jovem midgardiana, cada um ao lado de seu rosto, e lhe sorriu outra vez, respirando fundo. Estava outra vez repleto de desejo.
– Eu mal comecei. — Loki a beijou profundamente, fazendo menção a primeira vez em que estiveram juntos em sessão carnal, e o olhar satisfeito e deliciado nos grandes olhos cor de mel de Miranda lhe diziam o que as palavras mentirosas que os dois eram tão bons em proferir não seriam capazes...
Ambos desejavam que aquela noite não terminasse jamais.
****
Algumas horas depois, sentindo-se deliciosamente cansado, Loki sorria para o teto, deitado na cama que testemunhara alguns momentos deveras agradáveis para ele e sua midgardiana.
Miranda arfava ao seu lado, recuperando-se, falando repetidos "uau" e "ah meu deus Loki", o que o divertia consideravelmente. Ria, satisfeito, sem imaginar que poderia ter momentos tão prazerosos durante aquela etapa de seu plano, tão perigosa e arriscada.
– Eu senti falta disso. — Miranda admitiu, enquanto um de seus braços cobria seus olhos, e suspirava audivelmente.
– Não foi a única. — Loki respondeu, ajeitando-se ao seu lado, sentindo um formigamento em seus olhos, aferindo-se sonolento.
– Você acha que algum deles escutou algo? — Ela perguntou, subitamente preocupada, virando o rosto para Loki, abaixando o braço que cobrira seus olhos.
O deus soltou uma risadinha curta. — Não. Eu já previa que terminaríamos assim. — Sentiu seus olhos faiscarem. — Então me senti livre para conjurar um feitiço de isolamento sonoro dentro do quarto. — Loki sorriu esperto.
– Ufa. Menos mal então... Porque não fui muito silenciosa dessa vez. — Miranda soltou uma risada sincera, e o som daquilo, por alguma estranha razão, fez Loki sentir algo quente subir-lhe ao peito. Franziu as sobrancelhas, confuso.
– Certamente não foi. — Ele lhe respondeu. — Mas tenho certeza que terá uma noite de sono melhor, agora. — O deus virou-se de costas para ela, afastando seu corpo, pronto para adormecer.
– É assim? — Miranda fez uma voz falsamente ofendida. — Sem nenhum beijo de boa noite? — O deus ignorou o comentário petulante. — Não é a primeira vez que transamos, não que eu esteja contando, mas... — Loki a interrompeu:
– Durma. Deixe de tolices. A partir de agora será muito mais difícil. — Sua voz soou fria e seca, como desejara, mas quando terminou de falar, sentiu-se estranhamente culpado. A jovem midgardiana continuou silenciosa por algum tempo, e ele sentiu o movimento de seu corpo levantando-se da cama.
– Aonde pensa que vai? — Loki rapidamente a puxou de volta, segurando-a em um abraço forçado. O corpo de Miranda caiu quase graciosamente na cama, enquanto ele a puxava para si.
– Agora está melhor. Menos frio, depois de tanto sexo maravilhoso. — Miranda virou-se e mordeu seu nariz, divertida, e ele a soltou, revirando os olhos de impaciência.
– Boa noite. — Ela disse, o provocando por mera diversão.
Loki continuou silencioso, virado de costas para ela. Passaram-se muitos minutos, e ele não fora bem sucedido em dormir. Tentava adormecer, mas a presença da midgardiana ao seu lado o perturbava. Todas as vezes que chegava perto de dormir, algum som estranho proferido perto de Miranda, ou por ela mesma, o despertava. A cada suspiro que ela dava, ele se sentia alerta, acordado. Como se algo que pudesse incomodá-la, o incomodasse também.
Como um estúpido protetor.
Irritado consigo mesmo, rangendo os dentes de raiva, ele voltou-se para ela.
– Por que continua acordada? — Loki perguntou, odiando-se a si mesmo por fazê-lo.
– Veja. — Miranda estendeu a mão direita para Loki, sendo direta, o que não era de seu feitio. Pôde ver seus olhos cor de mel brilharem preocupados, e, franzindo as sobrancelhas, subitamente preocupado também, o deus estudou a mão que ela lhe estendera.
Havia uma ferida, um machucado de formato oval dentro da palma de sua mão. Em algumas partes do contorno, havia apenas arranhões, em outras, um corte profundo, que não havia sequer cicatrizado.
– Fez isso na vez que ela quase nos viu dentro do barco? — Loki perguntou, também direto, suas sobrancelhas franzidas em preocupação.
– Primeiro. Mas algumas vezes, depois, por... Instinto. — Ela respondeu, tremendo. É claro. Loki suspirou, entendendo, e meneou a cabeça.
– Você me julga fraca, não é? — A jovem midgardiana perguntou, e o tom triste de sua voz cortou o coração gélido e ferido do deus da trapaça.
– Muito pelo contrário. — Loki respondeu, honestamente. — Acho que não tem ideia da sua força. E isso a enfraquece. — Ele disse, colocando a mão direita de Miranda junto de sua mão esquerda. Com esse gesto, ele acabou por abraçá-la com seu braço direito, por baixo dos lençóis, sentindo a textura e a temperatura de seu corpo, achando difícil soltá-la outra vez.
– É difícil ter ideia da minha força quando por vinte e seis anos tudo o que eu conheci foi Midgard. — Ela respondeu, sorrindo irônica. — Toda essa vida de Príncipe dos Reinos de Fantasia é novidade pra mim. — Miranda falava em um tom sério e melancólico.
– Mas não são fantasia. E, se servir de algum consolo... Apesar de ter te manipulado um pouco para tanto... — Loki sentiu Miranda dar-lhe um tapinha fraco, parecendo divertida, o que lhe aliviou a preocupação, e o fez se sentir incrivelmente estúpido. — ...Sou grato por ter vindo. Admito que essa jornada não teria a metade da graça se não tivesse sido louca a ponto de adentrar o portal que Thor conjurou em Midgard alguns dias atrás. — Ele falou, tentando convencer a si mesmo de que apenas dizia palavras doces para fazê-la adormecer, mas percebia dentro de si a verdade que de fato continham.
Miranda pareceu movida. Demorou para responder, ajeitando seu corpo para mais perto do de Loki. Após algum tempo, puxou a mão que a abraçava, intensificando o enlace dos corpos de ambos.
– E eu também sou grata por ter decidido vir. Não vai se livrar tão fácil de mim, deus da trapaça. — Ela riu gostosamente, e Loki sentiu a mesma sensação terna outra vez, para sua surpresa e conflito.
– Já me conformei com meu destino infeliz... — Miranda outra vez riu, e, por instinto, Loki beijou os cabelos dela, e sentiu, com o braço direito que enlaçava seu corpo, seu coração se acelerar.
Finalmente, após algum tempo, o deus viu que a jovem midgardiana havia adormecido. Ouvindo-a ressonar de leve, lembrando das vezes que a ouvira roncar, e não pôde conter um sorriso que o fez sentir-se um perfeito idiota. Irritado, sentiu-se incapaz de conter seus próprios pensamentos indevidos e o sono que também finalmente se apresentara.
Adormecendo com o som da risada de sua deusa midgardiana ecoando em seus ouvidos, Loki sonhou com seus olhos, seu sorriso, e a sensação de abraçá-la, e, durante o sono, não se sentiu em algum conflito interno, ou tampouco tolo.
Mas jamais admitiria isso para alguém.

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