Journey Into Trickery

22 1/3 True Feelings - Parte Final


Notas iniciais
Bem... Basicamente, aguardo reviews, e como disse anteriormente, sou pidona mesmo *o* meu aniversário se aproxima, será nesta terça-feira agora, e gostaria de pedir comentários/recomendações/favoritações como presente, se alguém me achar digna de tanto, HEHEHEHE! XD No mais, as notas do capítulo anterior foram bem esclarecedoras, eu acho... Se eu falar mais vou dar spoiler do capítulo e do desenrolar da fic. Sei que esse último capítulo foi uma jogada de informações, mas, com o tempo, tudo vai se encaixar aos poucos! Acreditem no potencial caótico e depois organizador do Loki, HAHAHAH XD e, claro, na capacidade também genial de estratégia da Miranda, e tudo dará certo ao final! Beijos e boa leitura!

Miranda fechava os olhos, silenciosa, se esforçando para continuar. A avalanche de informações daquele dia ainda a inundava por dentro, como se estivesse se afogando em seus próprios medos e sentimentos controversos, e ela desistira das aparências perante aquele grupo o qual tentara no dia anterior tão ferrenhamente agradar. Loki mentira, mais uma vez, para ela, e ela jamais se sentira tão machucada antes... Quebrada por dentro.

Ela se esforçou para escutar o que acontecia, tentando fugir de sua própria desolação, e, parecendo vir de muito longe, escutou a voz do irmão mais velho de Loki falar ameaçadora e imponente.

– Você conseguiu o que queria, irmão. – Thor falou, parecendo censurá-lo, parado nas fronteiras de Nornheim, evitando chamar a atenção de Karnilla que os rechaçaria assim que soubesse que haviam aesires em seu Reino.

– Talvez. – Loki respondeu, e sua voz eram como mil lâminas atiradas em cada pequeno milímetro do coração de Miranda. Ela ainda chorava, sem se importar mais com seu orgulho, com sua dignidade e sua pompa, e não levantava os olhos para ninguém. Sabia que seria a imagem da dor e da humilhação, mas não se importava com mais nada.

Loki conseguira machucá-la por inteiro, finalmente.

– Lembre-se do que lhe jurei. – Thor disse firme. – Um passo em falso... – O deus do trovão disse, sério.

– E eu morrerei. – O deus da trapaça respondeu, parecendo enfastiado, e Miranda se arrependeu pelas algemas que se oferecera para usar em um imbecil gesto de companheirismo. Queria cobrir seus ouvidos para não mais ouvir sua voz. – Você é muito repetitivo, irmão. – O irmão mais novo de Thor debochou.

– Se não morrer pelas mãos de Thor será pelas nossas. – Volstagg se adiantou, e Miranda ouviu o som de outras quatro lâminas sendo sacadas, como uma ameaça silenciosa para o deus da trapaça.

– Claramente haverá uma fila, então. – O deus da trapaça debochou, mas Miranda não podia ver humor em mais nada.

– SILÊNCIO, LOKI! – Thor bradou, e Miranda estremeceu de medo, sentindo a única emoção diferente de tristeza, pesar e dor, em horas, podendo sentir que todos os outros presentes também o fizeram. – Estique suas mãos. Irá jurar. – Thor disse enfaticamente, não aceitando outras condições.

– Juro-lhe, Thor, que conseguirei as pedras norns de Karnilla e virei diretamente ter com você neste mesmo túnel de Yggdrasil que acabamos de passar. Entregarei a pedra da água em suas mãos, darei a pedra norn da vida para Miranda Foster perante a presença de Karnilla e guardarei as pedras da terra e do fogo, a serem dadas, respectivamente, para Frigga e Odin, sem utilizar seus poderes em momento algum. Se fizer algo diferente disto, quero ser punido com minha morte imediata. – Loki recitou também sério, e Miranda pôde perceber certa tensão no ar, embora nada daquilo a afetasse, remoendo sua própria dor, que a atingira aguda quando o deus que tanto a ferira falara seu nome todo daquela maneira tão distante.

– Aproveite seu prêmio. – Foi a vez do próprio Thor soar debochado, e o brilho de um metal escuro e comprido chamou a atenção de Miranda. Não queria olhar no rosto de nenhum deles, mas ela viu uma espécie de cristal negro em superfície ser levado por Thor, que agora usava luvas de metal, até as mãos de Loki, ainda algemadas. Assim que o irmão mais novo de Thor tocou a superfície do cristal, o objeto tornou-se subitamente verde como seus olhos.

A coloração verde que havia no cristal brilhou tão intensamente em seguida, que Miranda poderia jurar que havia ficado cega por instantes. Ela viu as veias nas mãos de Loki tornarem-se aparentes, como se aquilo tivesse um enorme efeito sobre si, e ainda assim se recusava a olhar em seu rosto. Foi somente quando viu seus dedos longos e compridos apertarem-se tanto sobre a pedra, ameaçando quebrá-la, e o som de sua voz saindo em um grito agudo e longo que Miranda o encarou, com medo de que, talvez, ele pudesse ter sido ferido.

O deus da trapaça caiu ao chão, parecendo contorcer-se de dor. Miranda encarou os outros guerreiros, que não pareciam comovidos com sua dor, e os invejou. Thor encarava Loki com uma mistura de fúria, repulsa e dor no olhar, e, talvez, julgava Miranda...

Esperança?

A midgardiana segurou seu impulso de perguntar o que estava acontecendo. Ele fora baixo, tão baixo com ela, que não deveria mais sequer sentir um mínimo de empatia com seu sofrimento. Embora, apesar de tudo, sua dor só tivesse sido aumentada com a dor dele.

– ...Finalmente. – Loki sorriu, parecendo simultaneamente enlouquecido e aliviado, seu sorriso ampliando-se largamente por seu rosto. Encarava suas mãos, e Miranda viu uma espécie de luz esverdeada transpassá-las. Thor lhe deu sua magia de volta. O metal que Thor encostara nas mãos de Loki era provavelmente o cristal Ambreon, o qual fizera menção mais cedo, que continha toda a magia do deus da trapaça, retirada pelo irmão. Ela concluiu imediatamente.

– Você tem de ir. – Sif falou próxima de Miranda, indicando com o queixo Thor, que soltava as algemas de Loki. A guerreira soltou as algemas de Miranda também, e a obrigou a proferir juramento similar ao de Loki, sem envolver a questão do recebimento das pedras norns.

Em seguida, Miranda caminhou até a companhia que menos desejava no momento, suas lágrimas já secas em seu rosto. Talvez eu possa matá-lo e me matar depois. Ela pensou, tentando divertir a si mesma, mas não havia humor nem mesmo em seus próprios pensamentos.

– Sejam breves. – Thor ordenou sem gentileza, abrindo espaço para que finalmente caminhassem sozinhos pelos terrenos de Nornheim.

Caminhando lentamente, com dificuldade, Miranda olhava para a direção oposta a de Loki, que andava ao seu lado. Quando se afastaram o suficiente do ponto onde o grupo lhes havia deixado, andavam juntos por uma espécie de floresta temperada, na qual pareciam cair as últimas folhas de outono. A jovem mulher reparou melancolicamente no fraco sol de fim de tarde, e ela passou a ver os contornos de uma pequena cidade ao longe, que lhe lembrava um pouco dos burgos espanhóis que já havia visitado em outra vida. Uma vida muito diferente daquela que Loki havia recentemente destruído.

– Bem-vinda a Nornheim. Não é tão bela quanto Asgard, mas imagino que irá gostar. Tem uma Muralha antiga ao seu redor, também construída por Karnilla e... – Loki dizia, parecendo divertido e feliz consigo mesmo, e Miranda não pôde suportar.

– Cale-se. – Ela disse, tentando soar imperiosa, mas falhara miseravelmente. Sua voz saiu fraca, trêmula, expondo para quem pudesse ouvir toda a dor presente naquela palavra.

Ela pôde ver, com o canto dos olhos, o movimento súbito do rosto de Loki em sua direção, mas não queria olhá-lo nos olhos. Podia imaginar sua expressão ferida, sem entender a dor dela, mas não queria mais uma vez ser vítima de seus jogos e manipulações. Em seguida, sentiu sua mão, antes tão querida, tocar-lhe seu braço direito.

Miranda reagiu instantaneamente. Retirou seu braço direito de perto dele, e, com a mão esquerda, retirou junto a adaga de Fandral do cinto da armadura que utilizava, e quase o atingiu. Parou a centímetros de seu coração, lembrando-se de que não poderia matá-lo se não quisesse comprometer o destino de todos. Ela continuou estática, sentindo-se completamente tola, abobalhada, sua mão esquerda tremendo, até que derrubou a adaga ao chão, e não pôde controlar outra vez as lágrimas. Seu corpo reagia intensamente junto a dor imensa que inundava seu coração.

– Você também quer me matar? – Loki perguntou, sincero, parecendo simultaneamente contrito e compreensivo. Sua voz soou suave, honesta, como se esperasse a reação dela, e entendesse perfeitamente. Ela levantou seus olhos para os dele, e sabia que havia se perdido mais uma vez. Seus olhos verdes eram consoantes a sua voz, e lhe revelavam tamanho carinho como ela jamais havia visto antes, nem quando ele dissera as urgentes palavras da Torre Stark que lhe voltaram imediatamente... “Eu quero você.”

– Porque você já está me matando por dentro. – Miranda respondeu, honesta, tentando controlar os soluços, mantendo seu rosto o mais sério e impassível que conseguiria. Seus olhos não paravam de piscar por conta das lágrimas que insistiam em se formar.

Loki franziu as sobrancelhas em uma expressão de tristeza profunda, e, instantaneamente, a puxou para si, abraçando-a forte contra seu peito. Com sua magia renovada, Miranda percebia o quanto ele era muito mais forte do que ela, e inclusive mais poderoso, sabendo que não poderia escapar de seus braços mesmo que estrebuchasse até não mais agüentar.

– Eu não quero lhe fazer mal. Por mais que depois de tudo isso, você não acredite. – Loki disse aos ouvidos de Miranda, enquanto ela sentia seu queixo encostar-se de leve contra o meio de sua cabeça, pressionando de leve seus cabelos em seu cocuruto.

– Como posso acreditar em você? – Miranda perguntou honestamente, querendo realmente poder fazê-lo, seu rosto comprimido contra seu peito, desejando abraçá-lo e matá-lo simultaneamente. As lágrimas lhe desciam grossas e sua voz saía cada vez mais fina, impotente, fraca... Aquela sensação de encostar seu rosto contra seu peito, sentindo sua pele gelada que a abraçava ficar cada vez mais quente, acalentando-a, era ao mesmo tempo doce e hedionda, tamanha a raiva e a tristeza que a consumiam... Como se ele a matasse sufocada em um abraço seu, levando-a a morrer de amor.

– Eu posso jurar. De novo. – Loki a afastou com delicadeza, tentando limpar-lhe as lágrimas com um de seus polegares, enquanto seu outro braço e mãos ainda a mantiveram próxima em um abraço. Sua expressão era tão... Diferente, cálida, não mais fria... Parecia sincera, zelosa... Amorosa até.

Miranda deu-lhe um tapa com uma das mãos em seus dedos, e ele não mais tentou tocá-la, deixando-a se afastar. A jovem mulher virou as costas para ele, abraçando a si mesma, tentando suportar tudo o que sentia.

– Eu não posso confiar em nada do que você diz. Você é o deus da mentira, afinal de contas. – Ela disse, ferina e ferida.

– Você acha que eu vou lhe dar a pedra norn da vida para servir como uma peça em meus planos? Para chamar a atenção de Hela? Para distraí-la da guerra? – O deus da trapaça perguntou, adivinhando os pensamentos de Miranda, como aparentava não ter dificuldades em fazer. Cada pergunta dele parecia mais urgente, porém, dita em um tom em cadência mais baixo do que o outro, como se estivessem trocando confidências. Ela não respondeu, e apenas comprimiu mais um soluço. Patética. Tornei-me uma idiota patética.

– Eu não sei o que você quer. Eu sou só uma midgardiana, nada mais, como fez questão de me provar. – Miranda disse cortante, ainda de costas para ele.

– Você não é só uma midgardiana. Eu sei que não. Eu sinto que não. – Loki disse, e falou tão abruptamente, tão subitamente que parecia ter revelado uma espécie de segredo.

Miranda virou-se no mesmo instante para Loki. Atrás de si, não ouviam nenhum som além de pássaros chilreando ao final da tarde, e o vento levando consigo algumas das folhas mortas do outono. O deus da trapaça estava parado, usando um traje similar ao que vestira quando fora deixado por Jane na casa de Miranda, seus olhos verdes encarando-a tão profundamente que pareciam ver por dentro da sua alma, através de seus olhos cor de mel que mais uma vez se abriam como se encantados por ele.

– E o que você sente? – Miranda devolveu a pergunta, como se o desafiasse. – Fale-me a verdade. Como disse para Thor. – Ela perguntou impetuosa, e não mais chorava. Olhos cor de mel encararam fixamente olhos verdes, que piscaram e a encararam com um calor nunca antes visto por Miranda.

– Eu sinto... Eu juro sentir que devo protegê-la. Não apenas para receber meus poderes de volta, eu menti para lhe proteger. Porque eu sabia que tudo precisaria ocorrer precisamente como planejei para que estivesse a salvo. Para que recebesse a pedra norn. – O deus disse franzindo as sobrancelhas, tentando lhe tocar as mãos, mas Miranda recuou um passo, afastando-se de seu movimento. – Só quero que compreenda. – O deus insistiu, parecendo ansioso, seus olhos verdes buscando urgentemente os olhos de Miranda.

– E por que me colocou no olho desse furacão? Por que me jogou direto no abismo para encontrar o perigo? Por que me usou para me fazer servir de sacrifício?! – Miranda quase gritava, suas mãos fechadas em concha, cada palavra mais difícil de ser dita, reverberando toda a dor que sentira por ter sido, mais uma vez, enganada da pior das maneiras.

– Você acha que eu fiz isso? – Loki sorriu triste, enviesado. – Foi isso que entendeu? Eu deveria ter pedido a Thor para lhe contar, então. – Seus olhos verdes pareceram brilhar não surpresos, porém melancolicamente resignados.

– Não ouse mentir para mim de novo agora. Não ouse! – Miranda gritou, dessa vez, avançando para ele e estapeando seu peito com selvageria. A raiva, a tristeza e a dor se misturavam dentro de si, fazendo-a agir completamente irracional.

– Não há nenhuma mentira no que vou lhe contar agora. Eu juro. – Loki não reagia, parecendo não se ferir pelos ataques dela, mas sim pelas suas palavras. Em seguida, puxou uma de suas mãos, e Miranda sentiu o segundo coração bater ao seu lado direito, em compassos curiosamente acelerados como o seu próprio coração batia, fazendo-lhe eco.

Ela fez um gesto de negativa com a cabeça, baixando seu rosto, como se não agüentasse mais ouvir nenhuma palavra do deus. Estava cansada demais, machucada profundamente...

– Estou lhe dando a pedra norn da vida não apenas porque você detém os poderes de Hela. Quero lhe dar esta pedra porque eu sei que só assim estará protegida de verdade. – O deus começou, mas Miranda o interrompeu.

– Como posso estar a salvo se Hela virá diretamente para mim? – Miranda perguntou desesperada.

– Porque ela não poderá lhe tocar enquanto não tiver a pedra. Ela não poderá lhe machucar. Você terá o poder da vida e da morte consigo, e quem detém o poder da vida... Não pode morrer. É imortal. – Loki confidenciou a Miranda, mas ela ainda se manteve afastada.

– Você quer que eu use a pedra norn... Para me proteger? – Ela perguntou, ainda não acreditando.

– Para lhe proteger e para proteger a todos. Só assim poderemos derrotar Hela. – Ele insistiu.

– E se ela conseguir tirar a pedra de mim? – Miranda perguntou, preocupada, abraçando seus próprios ombros, olhando para seus próprios pés.

– Ela teria que me matar primeiro. – Loki disse sério, e Miranda o encarou. Assim que o olhou, ele abriu seu sorriso irresistivelmente apaixonante de garoto em seguida. Ele a olhava firme, da forma que sempre a deixava desarmada, e desta vez ela sabia, ela sentia, por magia, que ele estava sendo honesto. Ouvia seu coração se acalmando junto ao dele, e aquilo era a sensação mais romântica que já havia sentido em vida.

Como poderia resistir? Ele era louco, terrivelmente insano, egoísta, frio, mesquinho, e, ao mesmo tempo, era são como nenhum deles podia ser. Movia pessoas, deuses e seres a seu favor, manipulava a todos, entretanto ali estava, dizendo-lhe de bandeja, jurando-lhe, preso a um único feitiço que não o permitia mentir...

– Isso é verdade? – Miranda perguntou bobamente, comprimindo as lágrimas, que, agora, eram de um grande alívio. Ele se aproximou e levantou seu rosto com seus dedos longos, para encará-lo mais de perto. A jovem mulher sorriu, perdendo-se em seu vício irrefreável que eram seus lindos olhos verdes, sentindo-se muito tola, porém finalmente em paz novamente.

– Eu preciso responder? – Loki perguntou, sorrindo discretamente, e Miranda sentiu que parara de ouvir as últimas batidas de seu coração dentro de si. Ele honrara o juramento, e lhe dissera a mais pura verdade.

– Na verdade... Não menti em minhas palavras. Menti em minha forma. Este não sou eu. – Loki lhe deu um sorriso travesso, seus olhos verdes faiscando como se estivesse divertindo-se com algo que ainda aconteceria.

– Do que está falando? – Miranda perguntou sem entender, franzindo as sobrancelhas, e subitamente o Loki que estava a sua frente desvaneceu, sem ela sentir mais seu toque em seu queixo.

Ela subitamente sentiu seus braços lhe abraçarem pelas costas, puxando-a com força, e, simultaneamente, delicadeza, para si. Sentiu o contorno de seu corpo contra as suas costas, e sorriu consigo mesma também divertida pela pequena e doce travessura. Passou as mãos pelos braços que a apertavam carinhosamente, e girou seu corpo em direção a ele.

– Você precisa me ensinar a fazer isso um dia. – Miranda voltou seu rosto para o dele, enlaçando-o pelo pescoço, sorrindo honestamente, sentindo suas bochechas doerem por sentir-se mais uma vez tão feliz.

– Eu sou inteligente demais para isso. – Loki disse também honesto, como se a possibilidade de Miranda ser capaz de usar sua magia de ilusão o preocupasse profundamente, sabendo de antemão que ela não o deixaria em paz se soubesse fazê-lo.

Ela riu divertida, e, finalmente, permitiu-se beijá-lo.

– Preciso buscar a adaga do Jack Sparrow nórdico de volta. Pode vir a ser útil. – Miranda fez a ameaça sutil de brincadeira, e voltou-se na direção de onde deixara a arma cair momentos atrás.

*****

Após as pequenas revelações de Loki, o deus e Miranda caminharam por mais algumas horas, adentrando a cidade principal de Nornheim. Quando viram alguns guardas a vigiar a Muralha que protegia a cidade, parecendo ser feita de mármore ou alguma pedra muitíssimo clara e ornamentada, Miranda viu Loki fazer um gesto estranho com a mão direita, e, em seguida, o enxergara transformar-se em uma cópia idêntica a um dos guardas que ali havia, alguns centímetros mais baixo e truculento do que era, armado dos pés a cabeça, com um capacete com detalhes em pequenas asas douradas no canto esquerdo e direito da cabeça. Seus olhos abriram-se em assombro, sem acreditar que aquele tipo de poder era possível, quando o deus lhe fez um gesto impaciente para que olhasse para as próprias mãos.

Miranda passara a usar grossas luvas pesadas, botas escuras e uma armadura prateada idêntica ao segundo guarda que vigiava aquela entrada para Nornheim, assim como o mesmo capacete de Loki. Entretanto, sua aparência deveria ser a do outro guarda, considerando que, ao passar as mãos pelo rosto, sentiu pelos equivalentes a bigodes e barbas.

– Você é um doppelganger! – Miranda se controlou para não gritar, entusiasmada.

– Seja mais silenciosa. – Loki ralhou entre dentes, seus verdes olhos agora azuis.

– Meu deus... – Miranda falou sugestiva, pensando se Loki entenderia que era uma indireta para ele próprio. Ele obviamente percebeu, sorrindo-lhe enviesado de volta, o que era no mínimo divertido considerando que sua aparência era agora completamente diferente. – Você é cheio de surpresas. – A jovem mulher disse, seguindo-o por um caminho afastado da entrada por onde estavam parados os guardas que haviam copiado a aparência.

– Eu avisei para não me subestimar, há muitos dias, ainda em Midgard. – Loki respondeu também falando de maneira sugestiva.

– E eu lhe avisei o mesmo. – Miranda respondeu à altura, caminhando ao seu lado, sussurrando.

– Há muito tempo não lhe subestimo. – Loki disse sério, para em seguida lhe lançar o mesmo sorriso cheio de significados. Miranda sentiu-se ruborescer, e imaginava a ridícula imagem que deveria ser quando naquela aparência masculina e viril, de um guarda norn com bigodes e barba.

– Mas não vou lhe beijar com essa aparência. – O deus da trapaça debochou, rindo de leve sua risada de garoto, e Miranda lhe deu um curto tapa em sua armadura, compartilhando de suas risadas.

Caminharam por mais algum tempo, agindo como se fossem guardas da cidadela, andando a passos largos e imponentes pela espécie de burgo que era a capital de Nornheim. Apenas guardas andavam pelas ruas naquela hora tardia, e, discretamente, dirigiram-se ao castelo de Karnilla.

A imponente construção, toda de um dourado reluzente, parecendo ter literalmente sido construída por ouro, era repleta de arcos e passagens imensas, as quais Miranda tinha de fazer esforço para não sentir-se assombrada perante seu esplendor. Subiram uma escadaria principal, após terem atravessado um conjunto de arcos, e a jovem mulher reparou não haver nenhuma vigilância no local.

– Ela tem guardas por toda a cidade, mas não dentro do próprio castelo? – Miranda sussurrou para Loki, sem compreender.

– Karnilla não precisa dos guardas. Eles estão aqui apenas para proteger seu povo. – O deus da trapaça respondeu rapidamente.

– Mas e se... Dois, bem, estranhos, como nós, com atitudes suspeitas, resolvessem entrar de boa na casa dela? Seria bom ter alguém para avisar, não? – Ela insistiu, ainda não entendendo.

– Você verá. – Loki sorriu enigmaticamente. – Ela não precisa de vigilantes para enxergar a verdade. – O deus disse enfaticamente e debochado, como se desse o assunto por encerrado, mas a jovem mulher abriu a boca para perguntar outra vez.

Assim que atravessaram as escadarias e adentraram o palácio de Nornheim, Miranda sentiu como se chamas, sem queimá-la, tivessem lambido todo o seu corpo.

– Mas que porra...? – Ela perguntou, mas encarou suas próprias mãos, novamente, e viu que estava mais uma vez em sua verdadeira forma, usando a armadura esverdeada que vestia se baseando na de Sif. Olhou imediatamente para Loki, e o viu em sua aparência também regular, sorrindo debochado, como se já esperasse o que viria a seguir.

– É melhor ter uma boa razão para invadir meu palácio, deus da trapaça. – A voz poderosa e retumbante de uma mulher ressoara pelo cômodo escuro em que Miranda e Loki se encontravam. Ela não conseguia ver nada além de Loki e a si mesma, sentindo-se rodeada pela mais completa escuridão. Fechou os olhos, e sentiu, de imediato, a abundante carga mágica que havia naquele local. Era forte, pesada, ameaçando esmagar-lhe em sua pequenez, fazendo-a sentir-se tão fraca e insignificante quanto o era em relação a esses deuses, quando ainda não dispunha de magia alguma.

Era a imensurável magia da deusa Karnilla.

Notas finais
Aguardando possíveis presentes, ahahahahahahahah!