Jornada Para Erebor

20 Uma noite para jamais esquecer


Notas iniciais
Intensidade de emoções e confissões

Atordoada, Anna vagueou sem ver pelas lindas sacadas de Rivendell, a luz da lua crescente do solstício a guiar seus passos, embora suas emoções estivessem fora de controle. Ela tentava digerir a informação de que muito provavelmente seria obrigada a assistir à morte de Thorin (e também de Kíli e Fíli) na batalha que estava a alguns meses de ser travada aos pés da Montanha Solitária.

E o que ela faria? Tiraria o Um Anel de Bilbo para proteger seu amado? Ou melhor ainda: tentaria ela mesma achar o anel na caverna do Gollum antes de Bilbo?

Sim, isso passara por sua cabeça. Possuir o anel era uma das melhores chances de salvá-lo. Mas o que isso faria à Guerra do Anel?

Anna, porém, sentia uma dor profunda em suas entranhas só em pensar na chance de Thorin morrer. Ver aqueles olhos azuis profundos se apagarem ou pior, fecharem-se para sempre, era mais penoso do que ela podia admitir.

Haveria alguém a quem ela pudesse apelar? Algum desses Valar poderia ouvi-la? Ela daria sua própria vida de bom grado para deixar Thorin vivo, rei sob a montanha, desfrutando de sua conquista, seu lar retomado...

Seria isso que ela tinha que fazer? Dar a vida por ele?

Mas deixá-lo morrer certamente era o mesmo que ela mesma morrer, pois sem Thorin, sua vida certamente acabaria. Estava cada vez mais difícil pensar em viver, fosse na Terra Média ou fora dela, sem aquele anão teimoso, bipolar, mal-humorado e adorável. Se ela conseguisse voltar para o seu próprio mundo, essa era outra complicação que iria enfrentar.

Mas era necessário priorizar primeiro. Porque sem Thorin, o melhor mesmo era Anna deixar aquele lugar. As lembranças seriam dolorosas demais para ela.

Anna se deteve diante de uma balaustrada de madeira, contemplando mais sua vida do que o lindo vale abaixo, iluminado pela lua plena. Ficou distante da ala residencial, certa da privacidade que tanto queria. Ela não impediu as lágrimas de percorrerem seu rosto, nem a angústia de se cravar em seu coração. Mais e mais ela se encaminhava para a hora em que teria que encarar esse momento terrível. Soluçou, sozinha e silenciosa, tentando lavar o grande abismo que ameaçava engolir seu coração.

— Não imaginei que estaria aqui — disse a voz solene de Thorin, atrás dela. Assustada, Anna se virou, e ele se surpreendeu com os olhos vermelhos e inchados de chorar que ela trazia. — Minha pequena, o que aconteceu?

Anna não resistiu e atirou-se em seus braços:

— Oh, Thorin…!

— O que aconteceu? O que eles fizeram a você? Alguém a destratou? Não se pode confiar nesses elfos!

Ela garantiu:

— Não é isso — conseguiu dizer, entre soluços. — Ninguém me destratou. Só… me abrace, por favor.

Thorin obedeceu, e Anna se confortou no corpo sólido e firme dele, um rochedo quando ela se sentia tão frágil e vulnerável. Oh, era um alívio tão grande!...

Mas ela teve pouco tempo para se confortar. Sabia que Thorin ia querer saber o que a deixara naquele estado e ela tinha que pensar numa explicação.

— Não chore, Anna — pediu o rei anão. — Isso me corta o coração.

— Eu só… estou com medo. Muito medo.

Thorin quis saber:

— Aqui? De quem?

Anna tentou explicar:

— Lady Galadriel me explicou sobre a ferida orc. Você sabia que a marca era a de um consorte? Que aquele monstro me marcou para ser sua mulher?

Thorin pareceu vexado.

— Desconfiava, mas não tinha certeza.

— Por que ninguém me disse? Eu não fazia a mínima ideia que orcs gostassem de virgens. E agora também tem dragões!

Thorin a manteve em seus braços.

— Fique descansada. Não deixarei nenhuma dessas criaturas chegar perto de você: nem orcs, nem dragões.

Anna confessou:

— É totalmente indigno que essas criaturas sejam atraídas por donzelas. Acho uma injustiça!

Thorin parecia achar aquilo divertido.

— Donzelas não deveriam vagar por lugares perigosos, onde possam ficar sujeitas a ataques de orcs e ameaçadas por dragões.

Anna realmente estava revoltada.

— Meu mundo é muito diferente. Uma mulher não se detém apenas porque é solteira.

Thorin achava aquilo cada vez mais divertido.

— Oh, então, elas se atiram na frente de wargs, é isso?

Anna estava tão nervosa que nem notou que ele fazia um gracejo.

— Não, não temos wargs, nem orcs, nem dragões. Infelizmente, nossos monstros são outros homens, que fazem mal aos seus próprios irmãos. Mas isso é uma conversa muito filosófica.

— Não, é uma grande sabedoria. Melhor do que isso, fez você mais uma vez reclamar de uma injustiça e, com isso, parar de chorar.

Anna enrubesceu, com um sorriso envergonhado.

— É verdade. Obrigada.

Thorin a presentou com outro daqueles suaves sorrisos, encarando-a, os dedos acariciando suas faces. — Gostaria de ter o poder de jamais fazer você chorar novamente. Seu rosto não foi feito para ter lágrimas.

— Obrigada, mas não tem como impedir. A vida tem esses momentos.

Ele não parava de encará-la.

— Você está linda. Só tem um jeito de você ficar ainda mais linda.

Num movimento rápido, ele tirou a tiara do cabelo dela e a jogou longe. Anna se assustou:

— Thorin! Que está fazendo?

— Você não precisa dessas bugigangas de elfos. Fica mais linda sem elas.

Com um suspiro, Anna tentou dizer:

— Thorin, por que você é assim com eles? Eles foram tão gentis com todos nós. E foram extra gentis comigo.

— É um insulto para nós — disse ele, azedo. — Você está sob minha proteção. Deveriam considerá-la uma de nosso povo.

— Eles sabem que não sou anã. Nem hobbit. Por que não procura relaxar? Eles querem ser bons anfitriões.

Thorin parecia cada vez mais irritado.

— Você sabe o que os elfos fizeram ao meu povo. O dragão ataca Erebor, e os elfos só olham!

Anna tentou argumentar, perto dos balaústres:

— Está sendo duro demais. Lord Elrond e sua família só nos têm coberto de gentilezas, não só eu, mas toda a companhia. Salvaram minha vida. E também foram muito respeitosos. Fizeram um banquete para nós, um banquete de Estado. Ele o tratou como um rei.

Ele perdeu a paciência, enciumado.

— O que sabe sobre essas coisas? Você é apenas uma camponesa, incapaz de tratar de assuntos de Estado! Esses não são tratados como questões pessoais. Suas constantes tentativas de dar desculpas a Lord Elrond estão ficando cansativas. Não ouse supor que sabe como eu devo ou não me comportar nesses assuntos!

Ela ficou abismada, dando um passo para trás diante da veemência dele:

— Eu só tentei...

Thorin a interrompeu, irado:

— Você quis me ensinar coisas que venho aprendendo a vida toda. Foi presunçosa ao ponto de tentar me educar sobre coisas para os quais fui preparado desde que nasci! Tenho um berço nobre e não preciso que me digam como devo agir! Não vou tolerar mais esta insolência!

Havia um ligeiro eco quando a veemência das palavras dele encontrou o silêncio absoluto. Os olhos de Anna estavam cheios de lágrimas, que ameaçavam cair. Ela o encarava, chocada, uma tristeza profunda nos olhos, tão grande que Thorin se surpreendeu.

— Tem razão. Está totalmente certo. Esta camponesa nunca mais vai presumir nada, Majestade. Lamento se abusei de minha posição inferior, e vou entender se quiser me deixar para trás na sua jornada. Vou deixá-lo agora. Por favor, senhor, tenha uma boa noite.

— Anna! — ele disse, dando-se conta do que dissera, horrorizado. — Não, por favor, me desc-

Ele tentou tocar o ombro dela, mas Anna se encolheu, evitando seu toque. Então as lágrimas de Anna começaram a embaçar mesmo sua visão, e ela cambaleou para trás, antes de se virar e sair correndo sem sequer saber para onde ia, desorientada naquele lugar estranho à noite. A lua teve a generosidade de iluminar seu caminho, ao menos. Ela localizou a tiara que ele jogara e a pegou, sem parar de correr pelos corredores e escadas de Rivendell.

Finalmente, Anna se viu próxima a ala residencial, onde estava seu quarto, e parou, tomando fôlego, enquanto tentava chorar baixinho, mas a dor era muita. Oh, por que ele era assim? E que poder ele tinha por destruí-la desta maneira, apenas com umas poucas palavras duras? Quando ela tinha se apaixonado tão intensamente sem sequer perceber?

Anna segurou o rosto entre as mãos, curvada, soluçando. As palavras dele ecoavam em sua cabeça, então ela não ouviu quando Thorin se aproximou dela.

— Anna, por favor.

Ela se virou, assustada. Ele pegou seu braço, impedindo-a de fugir. Anna pediu:

— Por favor, senhor…

Thorin era o retrato do arrependimento. Pediu, em voz miúda:

— Não me chame assim. Você sempre me chamou pelo nome.

Anna não podia encará-lo e baixou os olhos:

— E foi muita presunção minha. Prometo não repetir.

— Anna, por favor, me perdoe.

A voz chorosa dela tirava o impacto de suas palavras, mas ela disse, ainda de cabeça baixa:

— Não, senhor, só posso agradecer. O senhor me mostrou meu lugar, e fico agradecida.

— Anna, por favor! — Anna se assustou ao ver Thorin Oakenshield cair no chão ajoelhado diante dela. — Eu estou de joelhos aos seus pés, implorando que perdoe. Fui um tolo, um insensível. Continuo magoando você, mesmo depois de ter me prometido que não faria mais isso. Mas tenho um temperamento curto, desastroso. Por favor, eu imploro seu perdão. Nunca ninguém me deixou em tal estado, muito menos uma mulher. Meu escudo é de carvalho, meu coração é de ferro, mas ele se queima, derrete e se funde só por você. Você tem esse poder, Anna. Eu lhe disse uma vez que meu coração é seu, e esta é a prova. Você pode esmagá-lo com uma única palavra. Ou pode me fazer o homem mais feliz do mundo. Eu a magoei e não posso me perdoar, nem posso culpá-la se não me perdoar. Ainda assim, ainda sem razão, eu desnudo minha alma diante de você para rasgá-la ou restaurá-la.

Anna estava de olhos arregalados, tantas emoções diante dela naqueles olhos azuis mais do que profundos. Num impulso, ela se jogou nos braços dele, também ajoelhada.

— Thorin…!

Ele a recebeu em seus braços, abraçando-a com força.

— Oh, Anna, meu amor…

Seus lábios se encontraram afinal, desta vez sem gentileza, com sofreguidão e urgência. Thorin tinha os braços em volta de Anna, o corpo musculoso dele parecia envolver totalmente o dela, franzino. Anna se sentiu totalmente à mercê daquele homem como nunca. O beijo não tinha batalha de dominância porque não havia dúvida quanto a isso: Thorin era um líder nato, um conquistador e guerreiro.

O beijo dele tinha gosto forte e um vago cheiro do fumo que ele desfrutara após o jantar. Mesmo curta, a barba de Thorin era áspera e parecia arranhar todo o rosto de Anna. Os lábios eram ligeiramente secos, mas tinham um toque suave contra os de Anna, assim como o bigode, que quase fazia cócegas na moça.

Em questão de minutos, os dois estavam arfando, sem fôlego, corpos esfogueados. Puseram-se de pé, sem se desenlaçarem.

— Eu quero você — murmurou ele, sempre direto. — Anna, preciso tê-la.

Anna encarou-o, agora a milímetros de seu rosto, os narizes se encostando, ainda misturando respirações. Sentiu que seu corpo também desejava aquele homem. Mas ela hesitou, pois as implicações eram muitas.

— Prometo ser gentil… — acrescentou Thorin, ao notar a hesitação dela. — Mas preciso de você esta noite. Anna, quero ser seu. Entreguei meu coração, agora quero entregar meu corpo.

— Thorin… Também quero você — assegurou ela. — Mas para mim isso será selar um compromisso. Você não tem obrigação nenhuma nesse momento. Mas se fizermos isso... Não vai ter volta. Não para mim.

Os olhos azuis encararam Anna profundamente, e ele garantiu:

— Já era sem volta quando eu me declarei a você. Disse que minhas intenções eram honradas e não mudei de ideia. Quero que seja minha mulher. Agora, esta noite.

Anna indagou, envergonhada:

— Então você não se incomoda que eu seja… ?

Como ela não terminou a frase, ele pronunciou a palavra:

— Virgem? Oh, Mahal, isso só me incentiva mais. Estou me controlando para não a tomar agora mesmo. Você não conhece outros homens, isso não deve ser motivo de vergonha. Mas quando eu a fizer minha, você será só minha. Nenhum outro a terá também depois, e esse será meu orgulho.

— Por favor, Thorin, eu… Vai ter paciência comigo?

Ele sorriu amplamente, mas os olhos traziam um brilho de cobiça e desejo.

— Minha pequena, não se preocupe. Será minha rainha, e eu estou à mercê de seus caprichos. Se você disser sim, na verdade, eu é que serei seu essa noite.

E Anna, que já tinha certeza que diria sim, agora sabia que era a chance de uma vida. Era o homem que queria, o homem que ela amava, e ele também a amava.

Implicações que fossem para o inferno.

— Sim, Thorin Oakenshield — disse ela, com determinação —, eu quero ser sua... para sempre.

— Posso sugerir seus aposentos? A menos que queira que toda a companhia veja... Mas isso não é comportamento de donzelas respeitáveis.

Anna quase soltou um gritinho escandalizado, mas terminou rindo:

— Thorin!... Seu devasso!

Com um rosnado que arrepiou Anna, ele pediu:

— Mostre o caminho, minha pequena.

Ela obedeceu, levando-o pela mão até seu quarto. Lá ela mal fechou a porta e Thorin cobriu seus lábios com ímpeto, envolvendo-a em seus braços. Anna respondeu com igual vigor, sentindo-se como se seu corpo estivesse derretendo, tão ardente era seu desejo. Thorin tinha gosto de pinho, maçãs e hidromel, e Anna cheirava a lírios, mel e cedro.

Anna sentiu a barba dele em seu rosto, a língua explorando a sua, lábios que pareciam estar por todo o rosto dela. As mãos dele também vagavam por seus braços, suas costas, seus quadris. Perdida na intensidade daqueles beijos, Anna não sentiu quando Thorin repentinamente a ergueu em seus braços. Com o susto, ela exclamou:

— Oh-!

Thorin a jogou na cama com tanta força que Anna quicou no colchão macio, rindo. Imediatamente, ele se livrou do casaco de pele, das proteções de couro, da blusa de lã e da malha de combate, sem tirar os olhos dela. Ele continuou a tirar peças de roupa, as botas de peles e variado armamento, sempre encarando Anna.

Retirando os sapatos, Anna brincou, ao vê-lo retirar tantas camadas de roupas e armas:

— Fico feliz que tenha feito isso, porque eu não ia saber como começar.

— Quero ver você — disse ele. — Você toda.

Anna se ajoelhou na cama, encarando-o enquanto procurava a barra do vestido élfico. Acompanhou o olhar dele enquanto a olhava, faminto, retirando as calças e acelerando o processo.

Num movimento só, Anna retirou o vestido, ficando só com a fina camisa de baixo e roupas íntimas. Thorin soltou um ruído baixo gutural que Anna não ouviu direito. Ele também só estava com os panos que serviam de roupa íntima naquele tempo.

Aquele ruído... "Poderia ter sido um rosnado?", pensou Anna.

No segundo seguinte, ela não pensou em mais nada, porque Thorin usara incrível velocidade e agilidade para jogar-se na cama, imprensando-a embaixo do corpo dele. Quando Anna se deu conta, aqueles olhos azuis estavam escuros de desejo, bem próximos dos dela e ele sorria, safado. O rosnado estava de volta.

— Minha...

Thorin se inclinou para beijar o pescoço de Anna, as mãos dele já se enfiando por baixo da túnica para retirá-la. Anna se arrepiou com o toque da pele áspera da mão calejada em seu ventre. Ela ajudou-o a retirar totalmente a blusa, deixando-a nua da cintura para cima.

Sem perder tempo, Thorin mergulhou o rosto dele entre os seios dela, aguçando-lhe a percepção com o contato do rosto barbudo e do longo cabelo com sua pele macia.

Lábios curiosos passeavam por seu esterno, e Anna arqueou o corpo, arrepiada. Envolveu-o em seus braços, e Thorin pôs-se a mordiscar e beijar seus seios, excitando-a, ao mesmo tempo em que desfazia os nós da roupa íntima que ela usava como por baixo.

— Thorin... — suspirou ela.

Anna tinha uma parte mínima do cérebro dedicada ao raciocínio, mas percebeu que estava em desvantagem, e pôs-se a atacar também os panos que ele usava como roupa íntima.

Então ambos terminaram ficando nus ao mesmo tempo.

Thorin não se deteve muito tempo em desfrutar dos seios de Anna. Ele se sentou na cama, apreciando a nudez total dela com olhos brilhando.

— Mahal, você é linda... Macia... — sussurrou ele. — Minha linda pequena...

Anna também apreciou os músculos definidos, o corpo irrepreensível dele, a masculinidade aparente. Ela não tinha como negar seu desejo por aquele homem, ainda mais quando ele a encarava daquele jeito.

Antes temerosa com a diferença de tamanho entre eles, Anna não pôde deixar de admirar a ereção dele. Sim, provavelmente aquilo causaria dor, mas haveria prazer, com certeza.

De repente, Anna se sentiu envergonhada.

— Thorin... Quero ser sua. Meu corpo é seu, mas tenho um pedido.

— Peça, minha amada.

— Não sei se fazem isso aqui, mas quero conhecer seu gosto. Você se incomoda se...

— Pequena — Thorin acariciou o rosto dela —, você sabe que tem meu coração. Meu corpo também é seu para fazer o que quiser.

Mesmo sem jeito, Anna se aproximou dele e beijou-o, suavemente fazendo-o deitar de volta na cama. Depois, ela fez seus lábios passearem pelo pescoço e descer pelo peito peludo até abocanhar o prêmio entre as pernas dele.

Anna fez seus lábios envolverem toda a cabeça primeiro, enquanto usava as mãos para massagear o que sua boca certamente não alcançaria. Ela deixou o cheiro dele, almiscarado e misterioso, penetrar por suas narinas e gravar-se em seu cérebro.

O silvo que Thorin produziu a encorajou a prosseguir, tanto quanto a mão dele na cabeça dela. Anna delicadamente lambeu e sugou, atenta aos sons que ele fazia. Mas ela também usou a língua para catalogar a deliciosa textura que ajudava sua boca a salivar de satisfação. A respiração errática dele, os gemidos curtos, o suave movimento dos quadris, o modo como os dedos dele se flexionavam entre os seus curtos fios de cabelo... Todas as reações de Thorin a encorajavam a pensar que ele estava gostando.

— Anna... — Thorin tinha a voz estrangulada. — Pare, minha pequena...

Ela parou o que fazia e pareceu decepcionada.

— Eu não o agradei? Eu não sou boa, mas...

Ele a abraçou, abrigando-a no seu peito:

— Por Mahal, jamais diga isso. Você é mais que boa e vai me fazer perder o controle. Mas prometi ser gentil, já que sou o seu primeiro.

Ela brincou com as tranças dele:

— Então você gostou?

— Muito. — Ele suspirou. — Eu não mereço você.

— Por que diz isso?

— Eu trato você mal. Faço você chorar.

— Isso é verdade. Mas você é o que você é. Eu o amo assim mesmo.

Thorin tocou o queixo dela e a fez encará-lo.

— Você não cansa de me surpreender. Cada vez mais eu me apaixono.

— Eu também, Thorin — Anna confessou, encarando os olhos azuis que tanto amava. — Às vezes me assusto com a intensidade de meu amor.

Thorin inclinou-se para beijá-la profundamente, o gosto dela misturado com um pouco do seu, e ele a virou na cama, Anna sentindo o desejo dele se renovando e cutucando-a no ventre.

Mas as mãos dele passeavam por todo o corpo dela, fazendo-a arder de paixão como aço incandescente. E quando ela sentiu um dedo calejado a investigar sua anatomia mais feminina, ela jogou a cabeça para trás, arqueando-se com um gemido profundo quando a boca dele mordiscava seu pescoço.

Longe de estarem vagas, as mãos dela se afundaram nos cabelos dele, para tentar libertar a tensão. Thorin passou a mordiscar a orelha dela, sussurrando:

— Você cheira tão bem...

— Ah!... — foi o que ela pôde dizer.

Thorin lambia as orelhas dela, que nem Anna sabia serem tão sensíveis. E ela quase levou um susto ao explorar as orelhas dele quando ele voltou a beijar seus seios e descobriu um ornamento de metal na orelha direita.

O pensamento teve vida muito curta porque Anna percebeu os lábios de Thorin escorregando para o seu ventre, a língua dele fazendo círculos em seu umbigo. Antes mesmo que ela pensasse aonde ele ia, a língua ágil já estava em seu centro mais feminino, pegando Anna de surpresa com a intensidade de suas emoções e fazendo-a corcovear como um potro assustado.

Thorin jogou as pernas diminutas dela por cima de seus ombros, posicionando-se bem diante de seu prêmio, atacando-o com entusiasmo. Ele pressionou as mãos no baixo ventre dela, acalmando-a. Anna arfava, gemia, tentando se controlar, mas o corpo dela estava submetido a uma overdose de estímulos.

— Shh... Calma, pequena...

Anna sinceramente temia se descontrolar e urrar como uma banshee, ainda mais quando Thorin alternou língua e dedos no seu ponto mais sensível. O corpo dela tremia e vibrava por inteiro, e ela passou a agarrar os lençóis com força no esforço de não gritar e despertar o vale inteiro.

De repente, Thorin estava em cima dela, a testa dele contra a testa dela, posicionado entre suas pernas. Também ofegante, ele indagou:

— Pequena, minha joia, tem certeza de que quer isso?

Anna sentia que ele estava em sua abertura, hesitante em prosseguir. Ela respondeu o que pôde, as mãos dela agarradas nele:

— Thorin...! Por favor...!

Ele se empurrou com o quadril, sentindo a resistência:

— Mahal, você é tão pequena! Eu prometi não machucá-la...

— Thorin...! Por favor...!

Ele obedeceu, a Anna lutava para respirar através da dor, sabendo que era necessário, agora com as mãos agarradas ao quadril dele. Ele viu a expressão dela:

— Minha Anna... Minha!...

Em meio à dor que se intensificava, Anna sentiu que ele se introduzia dentro dela, animando-se, agarrando-o com mais força. A dor ia sendo substituída pelo prazer que se espalhava por todo seu ventre.

— Você sente, minha amada? Estou dentro de você, minha Anna. Você é minha!...

Anna respondia, arfando:

— Sim, Thorin...! Sua, só sua!

Com o fim da resistência, Thorin se movimentava, levando Anna ao prazer crescente. Excitados, os dois não demoraram a ultrapassar os limites e explodir em glorioso clímax.

Dragões e orcs não mais estariam tão atraídos por ela a partir daquele momento, pensaria Anna, isso se o cérebro dela estivesse funcionando. Felizmente, porém, naquele instante o cérebro dela estava ocupado demais catalogando sensações, cheiros, sabores e lembranças.

Anna ainda sentiu Thorin jorrar-se para dentro dela antes de praticamente se derreter em forma líquida, com grandes golfadas de ar. Thorin deixou-se desabar por cima dela, mas rolou para o lado em seguida, também em languidez pós-coital.

Por alguns minutos, os dois recuperaram o fôlego, totalmente incapazes sequer de se mexer. Anna estava tão gloriosamente exausta que imaginou ser capaz de dormir por duas semanas. Nem sequer chegou a cochilar e notou Thorin se mexendo.

Os olhos dela se abriram de susto quando ela sentiu um pano úmido em seu corpo quente, limpando-a. Thorin tinha um sorriso tímido e um pano na mão.

— Desculpe, milady, só quis aliviar seu desconforto.

Anna sorriu.

— Muito gentil, milord.

— Eu sou?

— O quê?

— Seu lord. Seu senhor. Seu único.

Anna pensou e respondeu:

— Você é meu rei no momento.

— No momento — repetiu ele, limpando-se no ventre. — E depois?

Anna deu de ombros.

— Depois a gente vê.

Thorin pôs o pano na bandeja ao lado da cama e deitou-se, puxando Anna para junto de si. Acariciou-a, dizendo:

— Sua pele... Tem alguma coisa que atrai a minha... Estou me viciando nela...

— Deve ser contagioso — brincou ela —, porque a minha pele parece ter o mesmo problema.

Eles se beijaram, Thorin aprofundando o beijo e enlaçando Anna em seus braços até os dois ficarem sem fôlego. Thorin comentou:

— Espero que tenha gostado, pequena, porque tenho planos para você até o dia raiar.

— Adorei o que fizemos, Thorin, mas pensei que fôssemos embora na primeira luz.

— Até lá, quero tomá-la mais vezes, minha beldade sem barba. Se você concordar.

Anna sentiu-se decididamente desavergonhada ao dizer, sorrindo:

— Está muito enganado se pensa que também não tenho planos para você, Thorin, filho de Thráin.

Ele sorriu amplamente, fazendo aparecerem rugas no canto dos olhos.

— Essa perspectiva me agrada, pequena...

Anna investiu contra seus lábios, retornando o sorriso, pois nunca o vira tão relaxado, aberto e em paz. Ela estava feliz por proporcionar isso a ele.

Quando seus lábios se separaram, ambos ofegavam. Thorin a encarava, acariciando-lhe o rosto:

— As mulheres de meu povo se adornam, com contas, brincos. Todas têm barbas e suíças. Mas esse seu rosto liso me agrada, por Mahal.

Anna indagou:

— Preferiria que eu tivesse barba? Para meu povo, mulheres com pelos faciais são feias e indesejáveis. Nem penugens são aceitas. Muitas mulheres retiram pelos de outras partes do corpo também.

— Que partes?

— Embaixo do braço, as sobrancelhas e o excesso na região pubiana.

A informação o espantou.

— Você diz...?

— Lá mesmo — confirmou ela. — Só o excesso, normalmente. Mas outras preferem tirar tudo. Alguns homens também.

— Homens?! — Thorin não podia estar mais admirado. — Mas por quê?

Anna deu de ombros. — Bom, há um fator de higiene. Fora isso, as mulheres se sentem mais atraentes. Os homens as preferem assim. Mas não sei dizer por que um homem prefere se depilar com cera.

Thorin arregalou os olhos e a encarou. Anna riu-se, dizendo:

— Acho que podemos deixar essa conversa para outra hora.

— Concordo. Eu posso pensar em uma ou duas coisas bem mais agradáveis que poderíamos estar fazendo.

Anna riu-se e novamente se viu nos braços do homem que mais queria, Thorin Oakenshield.