Jornada Para Erebor

21 Falta muito para o sol nascer


Notas iniciais
Paixões e promessas durante a madrugada

Thorin a beijou profundamente, apertando-a contra seu corpo possessivamente. Entregue ao beijo, Anna afundou as mãos nos longos cabelos dele, sentindo o desejo renascer em seu corpo.

— Você é incrível, minha joia. Faz meu sangue ferver.

Anna sentiu que ele também tinha o desejo reaceso e sorriu em seus lábios. Thorin rosnava suavemente, agora tentando explorar o resto do corpo dela, tão pequeno que era quase totalmente envolvido pelo seu.

— Tão linda... Minha rainha... — dizia ele, os lábios beijando o pescoço. — Você será minha ruína...

— Thorin... — sussurrava Anna. — Diga o que quer...

Ele interrompeu o que fazia e a encarou solenemente.

— Quero que faça comigo o que desejar. Sou seu e entrego-me a você.

Anna sorriu.

— Confia em mim?

Ele sorriu:

— Totalmente.

— Então deite-se de bruços e não pense em nada.

Anna viu a ligeira confusão no rosto dele, mas foi uma fração de segundo. Ele obedeceu, e Anna sentou-se nele, sussurrando:

— Tenho certeza que vai adorar isso. Estou querendo fazer isso há semanas... Relaxe.

Ele soltou um som, mas Anna o silenciou com um beijo entre as omoplatas. Em seguida, levou as mãos às costas dele, com uma massagem leve, beijando a nuca dele. Com carinho, Anna massageou as costas, os ombros e o pescoço dele, confirmando a suspeita de que ele era um poço de tensão. A cada nó de músculos que ela desatava, Thorin soltava um suspiro satisfeito, ou até um gemido longo.

Mas quando Anna massageou os glúteos (que ela admirou pela perfeição e firmeza), os gemidos dele mudaram de natureza. Anna sorriu, sabendo que tinha conseguido o efeito que queria. Em menos de 15 segundos massageando o grupo certo de músculos e ele se mexia, desconfortável, para em seguida virar-se e puxá-la contra si.

— Não cansa de me surpreender, pequena. Quero você de novo.

— Ah, não — disse Anna, com um sorriso possessivo. — Desta vez, Thorin Oakenshield, eu é que terei você. Pode voltar a se deitar.

Ele respondeu ao sorriso e ela o beijou, fazendo-o voltar a deitar-se. Ao mesmo tempo, ela se posicionou onde queria: montada nele. Com cuidado, guiou-o para sua abertura já úmida e enterrou-se lentamente nele, saboreando cada centímetro, suspirando de prazer. Quando sentiu Thorin inteiramente abrigado dentro de si, Anna começou a se movimentar, deliciando-se também com os grunhidos que ele produzia, metade em Khuzdul, metade desarticulado. As mãos dele a agarraram pela cintura, e as dela arranhavam o peito dele.

O ritmo era dela, o prazer também, pois ela se sentia totalmente preenchida, o corpo vibrando de tanto desejo. Anna aumentou o ritmo, seus pequenos seios pulando num passo que enlouquecia Thorin.

Num movimento brusco, ele a virou na cama, sem desenganchar dela, e ergueu-lhe as pernas, arremetendo num ritmo enfurecido. Anna gritava o nome dele, puxando-o para si pela cintura, como se pedisse mais, mas internamente pedindo piedade, como se pudesse morrer de amor mas sem querer que aquela sensação deliciosa terminasse nunca.

— Ah, Thorin...!

— Você queria isso? — A cada palavra ele arremetia fundo, fazendo Anna revirar os olhos. — Era isso?

Sem ar, sem controle, ela só arfava:

— Sim!... Sim, meu rei!

Quando disse isse, Anna sentiu o êxtase como uma onda gigante a varrer todo o seu corpo. Ela se agarrou com todas as forças a Thorin, olhos espremidos, vibrando como nunca antes. Durante a explosão, ela ouviu a voz de seu amado como se estivesse longe, num sussurro sensual:

— Minha pequena... Quero deixá-la tão louca quanto você me deixa...

Só quando Anna começou a recobrar o fôlego é que ela viu estar apoiada no peito dele, as mãos dele acariciando o cabelo dela atrás da orelha. Ainda ofegante, Anna ergueu-se o suficiente para sorrir para ele.

— Assim você me mata...

— Não diga isso. Se você morrer, como poderei coroá-la rainha sob a montanha?

Ela sorriu:

— Nesse momento, eu já me sinto uma rainha.

— Farei de você minha rainha anã. Meu tesouro, ghivashel, mais preciosa que todo o ouro de Erebor.

Anna riu, comentando:

— E você insiste que não tem jeito com palavras...!

— A verdade é que você me inspira. Pequena, você faz de mim um homem diferente... Melhor. Por isso vou precisar de você ao meu lado quando retomar meu reino.

A isso Anna não respondeu, uma dor cortando seu coração enquanto ela mantinha um sorriso nos lábios. Ela tentava afastar a imagem que o livro evocava: Thorin mortalmente ferido, os sobrinhos caídos no campo de batalha...

— Vou cobri-la de ouro — continuava Thorin, sem perceber o conflito interno dela. — E as mais ricas roupas!

Anna usou as mãos para tocar o rosto dele e fazê-lo encará-lo. Com total sinceridade e solenidade, ela garantiu:

— Não quero seu ouro. Mas quero cobri-lo de beijos pelo resto da minha vida, se puder. Nada quero além disso. Uma vida de paz, amor e saúde, com alegrias, ao seu lado, meu amor.

Thorin encarou Anna, os olhos azuis penetrantes tão intensos que pareciam querer perfurá-la. Ele deslizou a ponta de um dedo pelo rosto dela.

— Ainda não sei o que fazer para merecer você. Por exemplo, agora eu gostaria de fazer uma trança em seus cabelos, dar-lhe uma conta para prendê-los. Mas eu mesmo mandei cortar seus lindos cabelos. Não sei como você me perdoou por isso.

— Thorin, está tudo bem com o cabelo. Não deve pensar nisso.

— Espere.

Anna o observou erguer-se da cama e, com as mãos habilidosas, arrumou um pedaço de corda fina, ao qual prendeu a conta de uma de suas tranças. Era um colar rústico.

— Você merece o mais fino ouro, mas quero lhe dar isso como símbolo. — Thorin pôs o colar nela, e o comprimento foi na altura do peito. — Não importa o que o futuro traga, essa é a prova que meu amor estará sempre junto a seu coração. Esta é minha marca real. Acompanha meu selo e será o padrão de minha coroa quando eu governar em Erebor, se Mahal assim quiser.

Anna observou com atenção o pequeno objeto de prata, com padrões hexagonais. Mais uma vez, ela encarou Thorin, emocionada demais.

O rei anão reparou que Anna tinha lágrimas em seus olhos. Ele não esperava aquilo.

— Minha pequena, o que a angustia?

— Meu amor, você perdeu tanto... E agora me dá esse presente tão lindo. Sabe que vou valorizá-lo enquanto viver, não importa o que o futuro traga.

— Oh, minha eterna...

Anna o envolveu, sentindo os músculos dele apertando-a contra seu corpo, um misto de paixão, proteção e promessas. O beijo que trocaram foi terno, demorado e profundo. Logo o beijo se transformou em algo mais, deixando-os ofegantes e ansiosos.

— O que você tem...? — perguntou ele, olhando para ela, para seu corpo. — Parece que não consigo me desgrudar de você. Sua pele macia...

— Thorin, por favor...

Ele cochichou diretamente no ouvido dela:

— Quero me enterrar em você, ficar para sempre dentro do seu calor... Ah, pequena Anna...

As palavras dele acenderam ainda mais o fogo dentro dela, que levava as mãos aos cabelos dele, aos ombros largos, às costas, ao traseiro, tentando mapear as formas de seu amado e impregná-las em seu cérebro. Thorin parecia empenhado em fazer o mesmo, emitindo sons tão guturais que só aumentavam a excitação de Anna.

— Quero você... — sussurrava ele. — Possuir você toda...

— Por favor, meu amor...

— Minha eterna...

Thorin novamente se lançou contra os seios dela, e Anna jogou a cabeça para trás, enfiando as mãos nos fartos cabelos dele. Thorin a pôs deitada gentilmente, alternando beijos no ventre e umbigo, enquanto os dedos a provocavam no interior úmido, pronto para recebê-lo.

Sem desgrudar os lábios da pele dela, Thorin virou-a de bruços, beijando as costas, subindo pela espinha até a nuca, provocando um longo suspiro em Anna. Ela estava enlouquecida de vontade. Ele se pôs a mordiscar o ombro dela, que arcava o corpo para trás, sibilando alto para assinalar a dor e o prazer.

Com um movimento gentil, Thorin usou as duas mãos para erguer a cintura dela, elevando o quadril. Ele beijou a área e ainda passou a língua nos globos, causando longos gemidos de excitação.

Então ele parou e a puxou pela cintura para perto dele, fazendo-a sentir a ereção firme entre as bochechas. Anna praticamente choramingou, erguendo ainda mais os quadris:

— Thorin, por favor...!

Ele riu, um som profundo e forte.

— Pequena esfogueada e impaciente!... Quero você... Está pronta, minha eterna?

Anna estava de quatro, arfando:

— Mais que pronta...! Por favor, Thorin...!

Ele se posicionou e afundou-se dentro dela, que se derreteu ao recebê-lo todo em si. A sensação era tão intensa que Anna tremia, as pernas bambas, os músculos se contraindo de prazer. Ela sentiu o prazer intenso ali, intensamente, mas se manteve excitada com os movimentos dele, a princípio gentis, mas depois intensos e apaixonados.

Com a cabeça zonza, Anna mal dava conta das sensações de seu corpo, e soltava curtos gritos de prazer, enquanto Thorin imprimia um ritmo impiedoso em seu corpo recém-deflorado. Finalmente as pernas não mais resistiram e ela desabou na cama, vencida pelo segundo orgasmo seguido.

— Você se machucou?

Anna se enterneceu com o tom preocupado na voz de Thorin. Ela estava ofegante.

— Não, só... exausta...

— Quer que eu pare?

— De jeito algum!

Ele riu alto e voltou a usar os quadris poderosos, um movimento de vaivém que balançava o colarzinho no peito dela. Anna também riu, mas logo outras sensações desviaram sua atenção.

Nem mesmo a exaustão de seu corpo impedia Anna de sentir as chamas de sua paixão, e o ímpeto de Thorin a arrastava mais uma vez rumo ao êxtase, um que a deixou quase azul pela falta de oxigênio, mas que a levou a um mundo paralelo, pelo ineditismo das suas sensações.

Thorin manobrou o corpo dela: sem desengajar os dois corpos, usou uma mão atrás do joelho para afastar as pernas dela e posicionar-se de lado, incrementado o ritmo das estocadas a tal ponto que Anna explodiu, arqueando as costas para trás mudamente.

O prazer dela se prolongou quando ela sentiu Thorin mais uma vez despejar sua semente dentro dela, as mãos dele a puxando com força e girando os quadris, criando novas sensações antes mesmo que Anna pensasse em voltar a respirar.

Tamanha intensidade foi recompensada pela total incapacidade de ambos de sequer se mexerem por vários minutos. Respirar, por si só, era uma dificuldade, pensou Anna, depois que conseguiu recuperar o raciocínio.

Thorin desenganchou-se dela, abraçando-a ainda ofegante. Suada, Anna ajeitou-se, sentindo os braços dele na sua cintura e o rosto dele na sua nuca.

— Hum... Mahal, seu cheiro...

Anna suspirou, satisfeita em várias maneiras.

— Thorin... Se você tivesse ideia de como mexe comigo...

Ghivashel...

Ele já tinha usado a palavra antes, e Anna entendera o significado, mesmo em Khuzdul, uma língua secreta. Para confirmar as suspeitas, Anna indagou:

— O que isso quer dizer?

— Tesouro de todos os tesouros — respondeu ele. — É o que você é para mim.

— Eu amo você, Thorin Oakenshield. Deus me ajude, mas eu amo você como jamais amei um homem até hoje. Nunca pensei que precisaria vir até tão longe para encontrar meu grande amor.

— Você... amou outros?

Anna quase riu:

— Não dá para chamar de amor. E em troca fui maltratada e abandonada. Tinha desistido de encontrar alguém. Mas ficar sem um par é reprovado entre meu povo. Dizem que não é saudável.

— Há muitos anões que não encontram um par. Eu jamais tive ilusões, nem desejo, até você aparecer. Não pensei que fosse encontrar aquela que Mahal forjou para mim. Eu só sonhava com a montanha, com meu lar. Agora sonho com você a meu lado, minha pequena.

— Gosto do seu sonho. Passou a ser o meu também, meu amor.

— Vamos sonhar juntos e descansar um pouco. O sol trará um longo dia, com certeza. — Ele olhou nos olhos dela. — A menos que você queira mais uma vez...

Anna o encarou, sincera:

— Não me falta vontade, acredite. Mas no momento uns minutos de descanso serão benéficos. Só me abrace, Thorin.

Com um sorriso, ele respondeu:

— Nada me daria mais prazer, minha pequena eterna.

Anna ajeitou-se entre os braços musculosos com um sorriso, sentindo-se segura, confortável e amada. Deixou-se escorregar para um sono profundo. Mas pouco antes de mergulhar na inconsciência, ouviu o sussurro na voz grossa:

Ghivashel...

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Anna ouviu sem registrar ruídos suaves à sua volta. Só quando sentiu o toque suave de lábios em sua testa é que abriu os olhos:

— Hum...?

O ambiente ainda era noite e uma vela queimava solitária. Anna viu Thorin já vestido, fitando-a com um daqueles sorrisos suaves.

— Sossegue, minha pequena — tranquilizou. — Por mais que isso me doa, preciso deixá-la agora. Devo arrumar nossa partida. Pode continuar a dormir, o sol vai demorar.

Sonolenta, Anna disse:

— Pena... Queria você de novo...

— Não me tente. — Thorin a beijou longamente. — Agora devo ir ou ficarei aqui para sempre com você. Volte a dormir. Descanse. Nós nos veremos depois.

Anna deitou-se.

— Amo você, Thorin...

— E eu amo muito você. Jamais se esqueça disso.

Ela segurou nas mãos a conta da trança dele e fechou os olhos. O sono logo a arrastou, mas ela ainda teve consciência que Thorin cheirou seus cabelos mais uma vez e sussurrou, em Khuzdul, tão baixinho que ela nem teve certeza de ter ouvido:

— [Perdoe esse meu pecado, minha eterna.]

Anna sorriu internamente pelo tratamento carinhoso dele. Fantasiou que ele queria voltar para junto da companhia antes que o sol saísse. Dormiu, feliz.

Claro, Anna mal sabia que as intenções de Thorin Oakenshield eram bem diferentes do que ela podia imaginar.

Palavras em Khuzdul:

ghivashel = tesouro de todos os tesouros