Jornada Para Erebor
22 Ainda em Rivendell
Notas iniciais
A claridade despertou Anna antes mesmo de sua mente. Ao abrir os olhos e ver o dia claro, uma enxurrada de imagens da noite anterior percorreu sua mente e ela se espreguiçou languidamente, com um largo sorriso nos lábios. O movimento fez despertar músculos doloridos que trouxeram mais lembranças e novos sorrisos. Anna tinha até a impressão de sentir o fantasma da barba espessa roçando o seu rosto.
Que homem! Que paixão!
Então ela se deu conta do sol alto.
A companhia!...
Pulou para fora da cama, esperando a qualquer momento alguém vir chamá-la. Thorin dissera que eles partiriam na primeira luz, então ela os estava atrasando! Com pressa, vestiu as roupas de viagem e arrumou a trouxinha. Se precisasse, sairia sem o café, para não atrasá-los ainda mais.
Uma batida suave à porta a afobou mais ainda. Antes que ela pudesse responder, a porta se abriu.
— Ah, Gandalf! Bom dia! — Anna se aliviou, terminando de arrumar a trouxa. — Que bom, significa que estão todos aí. Já estou quase pronta. Espero não estar atrasando o grupo. Será que dá tempo de tomar café?
Ele disse, baixinho:
— Bom dia, Anna. Poderíamos conversar um pouco?
Ela tentou dizer:
— Precisa mesmo ser agora? Vamos atrasar os demais.
— Não pense nisso, Anna — disse ele, gentilmente. — Sente-se.
Anna obedeceu, intrigada. Gandalf não a deixou perder tempo com especulações:
— Agora, minha querida Anna, não precisa se preocupar em atrasar os outros porque eles partiram horas atrás. Aliás, partiram algumas horas antes do amanhecer.
Anna não entendeu, confusa:
— Já foram? Não, não pode ser. Eles iam sair ao-
Gandalf a interrompeu, suavemente:
— Eles sabiam que havia oposição à jornada deles e achavam que alguém tentaria impedi-los de sair de Rivendell. Por isso partiram antes do esperado.
— Lord Elrond jamais faria isso! — Anna se deteve, com uma expressão de espanto. — Saruman...! Ele poderia tentar detê-los!
Gandalf concordou pesadamente:
— Sim, ele poderia tentar.
Anna ainda tentava juntar as peças, mas fez a constatação óbvia, num misto de choque, horror, raiva e decepção:
— Eles me abandonaram...! Foram embora sem mim...!
Gandalf apressou-se em dizer:
— Não, não é bem assim. Eu vou levá-la a eles depois. Vamos nos encontrar com a companhia mais tarde.
Anna o encarou, os olhos brilhando de indignação:
— Você sabia!... Você sabia e não me avisou! E que Deus me ajude, mas começo a acreditar que essa ideia foi sua!
O mago desviou o olhar, tentando dizer:
— Bom, eu não diria isso...
— ARGH! — Anna rugiu, sacudindo os punhos fechados para o alto com tanta veemência que o mago chegou a se encolher. — Vocês deviam se envergonhar! Vocês dois, Gandalf: você e aquele anão teimoso, grosseiro, dissimulado e mentiroso! Argh! Ele tem sorte de não estar aqui!
Gandalf arregalou os olhos.
— Ele disse que você soltaria fogo, mas jamais imaginei que seria quase literalmente!
Anna continuou, enfurecida, apontando o dedo em riste:
— Você é tão responsável quanto Thorin Oakenshield, mago! Isso se não for mais! Então, não me provoque, pois minha vontade é arrancar fora seus olhos com minhas próprias mãos!
— Oh, bem, talvez esteja exagerando um pouco...
— Exagerando?! — vociferou Anna, sacudindo o dedo como uma espada afiada. — Vocês me usaram para enganar os elfos! Nem preciso mencionar a descortesia para com nossos anfitriões, ou o quanto vocês simplesmente ignoraram e atropelaram meus sentimentos! Eu odeio você, entendeu? Odeio vocês dois!
Finalmente ela parou, ofegante. Gandalf nada respondeu por uns minutos, e Anna tentava processar todas aquelas informações. Ela ainda não conseguia absorver o golpe emocional.
Anna estava praticamente em choque. Depois de ter se aberto ao máximo que uma mulher era capaz, de entregar-se de corpo e alma àquele homem, ela não entendia como Thorin pudera traí-la daquele jeito. Dessa vez, a traição doera porque ela sinceramente acreditara nele.
Que burra! Depois de tantas decepções, ela mais uma vez se deixara cair numa armadilha daquelas. O truque mais velho do mundo!...
"Duvido que isso tivesse acontecido se eu tivesse ido parar em Hogwarts," pensou, frustrada.
Por mais inacreditável que fosse, porém, a situação estava acontecendo e Anna ia ter que lidar com ela. Se era para encarar os fatos, era melhor começar o quanto antes.
Imediatamente, Anna sentiu vergonha de ter explodido daquela maneira. Mais do que ninguém, ela sabia da importância da missão da companhia de Thorin Oakenshield no contexto maior dos fatos. Sim, era provável que Gandalf tivesse sugerido que eles partissem sorrateiramente na calada da noite, e ele estava certo. A missão era importante demais.
Mas a dor era insuportável. Seu coração ameaçava se partir ou ser arrancado de seu peito, ela não sabia qual das duas alternativas. O dia amanhecera quente e ensolarado em Rivendell, mas Anna só via tons de cinza em seus olhos. A raiva rapidamente cedia espaço para a depressão. Era uma sensação conhecida: o abandono, a traição, as mentiras. Era só o que Anna conhecia em sua vida amorosa, então ela não devia estar tão surpresa.
Talvez a maior surpresa tenha sido acreditar que Thorin não estava mentindo. Ou ter se apaixonado com tamanha intensidade que ela se doara de corpo e alma. Sim, isso a deixara surpresa.
Anna mergulhara dentro do amor por Thorin sem reservas, sem limites. Aquele homem marcara profundamente sua alma, a ponto de ela não acreditar ser capaz de amar outro nunca mais.
Talvez tenha sido essa certeza que a deixou tão anestesiada em toda sua dor. A clareza que sua mente experimentava era um bálsamo.
Thorin tinha saído no meio da noite para não dar chance aos elfos de impedirem sua jornada pela reconquista de Erebor.
Isso era importante.
Derrotar Smaug era importante.
Evitar o avanço de Sauron era importante.
Anna não era importante.
Se Anna se concentrasse nas prioridades, talvez ela encontrasse conforto e sentido. Talvez ela devesse manter isso em mente.
Depois de uns minutos, Anna se surpreendeu, dizendo a Gandalf, ainda de cara fechada:
— Desculpe minha explosão. Sei que você tomou essa decisão pensando no bem maior, para evitar que eles fossem detidos. Entendo os seus motivos, Gandalf.
— Pensei em sua saúde, também — garantiu Gandalf, sabendo que era uma desculpa para lá de esfarrapada. — Precisa se recuperar.
— Ainda odeio você — garantiu Anna, sem levantar a voz. — Não se engane quanto a isso.
O mago teve a decência de parecer constrangido.
— Entendido.
— Onde vamos encontrá-los e quando partimos?
— Como eu disse, você precisa se recuperar. Eu tenho um compromisso anterior, mas já está tudo arranjado com Lord Elrond para você ir até o reino elfo de Mirkwood. Depois eu a encontrarei na Cidade do Lago, que não é distante de Mirkwood.
Anna indagou:
— É uma cidade de homens? Ou estou enganada?
Gandalf confirmou:
— É uma cidade de homens. Mandarei um recado e os elfos de Mirkwood a trarão até mim, já na cidade.
— E a companhia?
— Com sorte, já estarão todos lá. Estaremos bem perto da montanha.
— Conseguiremos chegar a Erebor no Dia de Durin?
Gandalf olhou para Anna, espantado.
— Você sabia qual era a mensagem escondida no mapa?
Anna comentou, azeda:
— Não me tome por desinformada só porque me enganou uma vez. Eu falei antes que sabia de coisas, coisas sobre as quais não podia falar. Se eu dissesse a mensagem oculta no mapa, Thorin jamais teria concordado em parar em Rivendell.
Gandalf assentiu gravemente, admitindo:
— Verdade.
— Seria bom se lembrar disso. Quando vai partir?
— Amanhã de manhã. Prometo não partir sem dizer adeus.
— Agradeço. E tome cuidado. Se está mesmo indo a Dol Guldur, procure tomar cuidado.
Ela o encarou duramente, ainda magoada, e o mago devolveu o olhar, vexado. Pela primeira vez, Gandalf pareceu estar sinceramente arrependido ao dizer:
— Anna, acredite: eu realmente sinto muito. Sinto mais do que posso dizer.
— É — fez ela, desanimada. — Eu sei.
O mago cinzento se ergueu e saiu. Anna se curvou na cama imensa e chorou até o cansaço vencê-la. Na mão fechada, ela tinha a conta de Thorin, transformada em colar improvisado.
Seu bem mais precioso.
0o0 o0o 0o0 o0o
Ao pé da cama de Anna, dois elfos observavam a pequena criatura em seu sono pesado.
— Como ela está? — indagou Lord Elrond. — Ela já dorme há quase um dia.
— Ela teve um choque profundo — respondeu Galadriel. — Mithrandir não imaginou que fosse tão grande.
Elrond observou:
— Ele a subestima. Mesmo sendo um Istari, ele não foi capaz de perceber a verdadeira natureza da menina.
Galadriel deu um risinho:
— Nós também não, Elrond. Se não fosse Lindir, você ainda acreditaria que ela era um hobbit. Eu tive um aviso bem mais traumático: eu a vi morrer aqui em Rivendell pelo veneno de orc durante uma visão.
Com um meneio de cabeça, Elrond concedeu o round para a sogra. Mas sua expressão permanecia perturbada.
— Estaremos fazendo a coisa certa? Ela tem o direito de saber.
Galadriel virou-se para ele.
— Posso sentir que ela ainda não está pronta. Ou, talvez nós a estejamos superestimando. Ela pode não ser o que achamos.
— Mas ela tem bons instintos — argumentou o meio-elfo. — Ela não me fez perguntas, mas fez a você. Ela sabe que você é quem pode ajudá-la.
— Ela tem que trilhar seu próprio caminho — observou Galadriel severamente. — Minha ajuda não lhe terá muita serventia neste momento.
— E ela também fez as perguntas certas — ajuntou Elrond. — Mas ficou claro que ela não sabia nada sobre si mesma.
Galadriel encarou o rosto de Anna, os vestígios de lágrimas secas em seu rosto, e comentou:
— Quase a deixamos passar. Mas mesmo que ela não consiga realizar todo o seu potencial, ela merece ser acompanhada.
Elrond lembrou:
— O arranjo de Gandalf para que ela fique em Mirkwood será bem conveniente para acompanharmos seus passos. Mandarei Lindir liderar a expedição. Vem conosco para Dol Guldur?
— Encontrarei vocês lá — disse Galadriel. — Acho que preciso conversar mais com ela. Talvez um caldo a anime.
0o0 o0o 0o0 o0o
Um toque suave despertou Anna de seu sono, pesado, profundo e sem sonhos. Com dificuldade, ela abriu os olhos. Sentia-se pesada e indisposta.
Lady Galadriel a encarava, um sorriso suave nos lábios. Anna tentou se erguer:
— Milady...
Ela a interrompeu:
— Pode ficar deitada. A febre persiste um pouco, o descanso lhe fará bem.
Anna franziu o cenho:
— Mas eu estava melhor antes... Não deveria me sentir tão fraca.
— Você dormiu quase o dia todo — disse a elfa. — Deve tomar um pouco desse caldo para poder se recuperar.
Só então Anna notou a tigela ao seu lado. Galadriel tomou a tigela e começou a alimentá-la, explicando.
— O choque emocional afetou sua saúde. — Anna notou que a dor ameaçava partir seu coração, mas engoliu o caldo. — Muitas, muitas e profundas emoções, não?
Entre uma colherada e outra, Anna comentou, amarga:
— Desilusão, só isso. Não é nada novo na minha vida. Pensei que dessa vez seria diferente. Como fui burra!
Galadriel se espantou:
— Então em sua terra, vocês têm vários amores?
— Acho que algumas pessoas conseguem fazer isso. Mas não eu. — Anna deu de ombros, lágrimas escorrendo. — Talvez eu tente me enganar um dia e tente achar outro amor. Mas no fundo eu sei que não será a mesma coisa. Ele pode ter mudado de ideia, mas...
A dama a interrompeu:
— Acha que Thorin mudou de ideia e renegou o amor por você por não tê-la levado?
— Não é óbvio?
— Parece haver um mal-entendido. Você sofre com a separação, mas Thorin Oakenshield não renegou seus sentimentos. Ele seria incapaz de fazer isso.
Anna estava confusa:
— Como? Ele me deixou para trás!...
Galadriel fez uma pequena pausa, antes de explicar em voz suave:
— Anões são como a rocha: constante e inabalável. Amam profundamente, transformam riquezas. Dificilmente amam mais de uma pessoa em suas longas vidas. Quando amam, é para sempre. Ser alvo de um sentimento assim é uma dádiva, Anna. Nós, elfos, temos esse traço em comum com a raça dele: só amamos uma vez.
— Se o que diz é verdade... então eu não entendo.
Galadriel pôs a sopa na bandeja e deu de ombros:
— Não vou sequer fingir que entendo as motivações de Thorin Oakenshield. Mas o que sei é que anões, muitas vezes, escolhem passar suas vidas sem alguém, se não conhecem uma pessoa que considerem adequada. Pude ver que ele tem sentimentos profundos por você.
Anna admitiu:
— Ele mesmo me confessou ter dificuldade de lidar com eles ou exprimi-los.
— Ele quer protegê-la, Anna — declarou ela. — Isso é palpável, mais do que a desconfiança dele em relação a meu povo.
Anna suspirou, tonta. Agora essa. E a saúde dela. Como ela podia estar tão exausta se tinha dormido o dia inteiro?
Galadriel continuou:
— Se não está sendo fácil para você, imagine para ele. Ele quer proteger você, desesperadamente.
Anna sentiu a angústia voltando:
— Sei que eles passarão por perigos. Vai ser arriscado! Eu queria estar lá, com eles. Queria ajudar.
Galadriel sorriu. — Eu sei. Mas agora deve se cuidar. Antes, Mithrandir gostaria de se despedir.
— Ele já vai?
— Pretende sair antes do primeiro sol da manhã.
Anna suspirou:
— Espero que Gandalf consiga cumprir sua missão sem incidentes. Isso é muito importante.
— E também é sua saúde. Descanse agora.
Ela saiu e Gandalf entrou em seguida. Anna estava deitada quando ele se sentou a seu lado, parecendo aflito:
— Preocupa-me deixar você doente assim. Ao menos você está na mão dos melhores de toda a Terra Média.
— Sei disso. — Anna sorriu. — Obrigada.
Ele parecia tímido, ao dizer:
— Espero que um pouco de sua zanga tenha esfriado.
Anna garantiu:
— Não é com você a maior parte da minha zanga, você sabe. Mas posso sentir que, até eu poder demonstrar o meu desprazer, boa parte dessa zanga terá passado. Espero que você faça um relato detalhado quando o vir na casa de Beorn.
O mago pensou duas vezes antes de perguntar como Anna sabia que ele se encontraria com Thorin e a companhia. Apenas levantou a sobrancelha, garantindo:
— Esse relato eu faço questão de entregar em riqueza de detalhes.
— Ótimo! — disse ela. — Por favor, Gandalf, mantenha-se seguro. Desejo-lhe todas as bênçãos de todos os seres superiores dessa terra.
— Até a volta. E lembre-se, querida Anna: quando precisar de mim, é só me chamar, e eu virei assim que puder.
O sol caía no horizonte, mas Anna só via o céu avermelhado, o coração pesado. Onde estavam seus amigos? Thorin estaria em perigo? Será que Bilbo estava bem?
Com a mente cheia de indagações, Anna voltou a deixar-se levar pelo sono que era pura anestesia.
0o0 o0o 0o0 o0o
No dia seguinte, Anna acordou sentindo-se fisicamente mais descansada. Com as roupas de hobbit, ela se dedicou a uma rotina leve de tai chi e alongamento numa das sacadas do vale de Imladris. O exercício procurou também aquietar a mente, mas ela não pôde evitar as lágrimas e a dor.
Quando ela declarou a rotina acabada, uma das amas ofereceu desjejum e a companhia de Lady Galadriel no salão do Mestre Elrond.
Anna se refrescou rapidamente e foi ao salão. Lady Galadriel estava lá e saudou-a.
— Posso ver que está melhor. Fico feliz.
— Talvez não esteja tão bem, mas de nada adiantaria mais um dia de cama — disse Anna.
— Boas falas, pequena. — O adjetivo causou-lhe dor quase física, pois era o preferido de Thorin. — Tem planos para o tempo até sua partida a Mirkwood?
— Sempre posso me exercitar e aprender a usar aquela espada novinha em folha. — Anna deu de ombros. — Ou posso testar minha capacidade recém-adquirida para seu lindo idioma e fazer uso de alguns livros, se não fosse abusar.
Ela sorriu. — Acho ótimas ideias. Ainda deve demorar alguns dias até a partida. As costureiras estão lhe fazendo roupas de viagem, incluindo uma capa leve e uma armadura pessoal, parecida a uma cota de malha.
— É muita generosidade, milady.
— Não pense nisso. Será muito útil. Deve saber que Elrond e eu partiremos em breve.
Anna sentiu uma onda de choque, tristeza e apreensão atingi-la. Por outro lado, ela sabia que era necessário: eles iam a Dol Guldur, atacar o temível necromante.
— Posso ver que conhece nosso intento.
— Preocupo-me por vocês, milady.
— Tudo está arranjado aqui para sua partida. Lindir está encarregado de cuidar de sua proteção e suas necessidades. Pedirei a ele que designe um instrutor para seu uso da espada. Pena que Haldir não tenha vindo comigo. Ele seria perfeito.
— Tenho certeza que Lindir encontrará alguém de igual competência.
— É claro. Fico feliz que tenha mostrado interesse em leitura. Terá livre uso da biblioteca. Alerto que poderá encontrar lá um menino, um humano. Ele é um estudante, quase um hóspede permanente de Lord Elrond e seu nome é Estel.
Num impulso, Anna arregalou os olhos ao se dar conta de quem era o menino humano a quem Galadriel se referia: ninguém menos que Aragorn, filho de Arathorn, último rei de Gondor. Em algumas dezenas de anos, ele seria um dos generais da Guerra do Anel — o mesmo anel que Bilbo Baggins estava prestes a pegar da criatura Gollum.
Ao ver a reação de Anna, a elfa ergueu uma sobrancelha.
— Vejo que sabe precisamente de quem estou falando. Mas parece surpresa.
— É só que... Estel deveria ser apenas um bebê, pelos meus cálculos. Droga, eu sou mesmo péssima com números.
A senhora de Lothlórien riu-se suavemente e olhou Anna com profunda afeição. — Vou sentir sua falta, querida Anna, viajante do futuro. Espero vê-la novamente um dia.
Anna percebeu, com tristeza, que aquela era uma despedida.
— Minha senhora, foi uma honra e um privilégio. Jamais terei palavras para agradecer tudo que a senhora e Lord Elrond me fizeram. Que todas as bênçãos caiam sobre vocês.
E foi assim que Anna se viu absolutamente sozinha em Rivendell.
Fale com o autor