Jornada Para Erebor
18 Se você está mesmo melhor, vamos falar de amor
Notas iniciais
Desta vez, quando tentou acordar, Anna levou muito mais tempo até estar totalmente desperta. Ela teve sonhos estranhos, mas não se lembrava deles. Quando abriu os olhos, não reconheceu o local.
Sua primeira constatação era que ela estava numa cama. Uma cama mesmo, de verdade, com lençóis vaporosos, um colchão macio. Por um momento imaginou que pudesse estar em sua casa, em seu mundo, e que tinha tido apenas um sonho muito vívido com a Terra Média. Mas então reconheceu que estava num local claro e muito iluminado, com uma arquitetura muito peculiar.
Rivendell.
Ao reconhecer onde estava, ela se lembrou num clarão do que acontecera e sentou-se de supetão, só para ouvir uma voz atrás de si.
— Não tão depressa, minha pequena.
Seu coração se acelerou e ela se virou:
— Gandalf…!
O velho mago estava numa cadeira ao lado da cama, com seu cachimbo apagado, a sorrir para ela.
— Bem-vinda de volta, Anna.
— O que aconteceu? Que houve comigo? — Ela se lembrou da mão ensanguentada, então a ergueu e viu que havia um curativo diferente. — Minha mão...
— Sua mão está quase boa — garantiu ele. — Mas ela foi a fonte de um mal que quase nos fez perder você de vez.
Anna se ajeitou na cama.
— Não estou entendendo.
Gandalf quis saber:
— O que pode me contar sobre esse ferimento na mão?
Ela respondeu:
— Azog, o orc, me feriu com aquela lança que ele usa no lugar do braço. Nada doeu tanto na minha vida. Você viu isso, Gandalf, vocês me encontraram ferida. Por que pergunta?
Gandalf respondeu com outra pergunta:
— Ele fez algum tipo de ritual ou encantamento?
Anna tentou se lembrar:
— Não que eu tenha reconhecido. Mas como não falo aquela língua deles, não tenho como saber se ele falou algo assim. Gandalf, o que é tudo isso? Por que essas perguntas?
O mago circundou a cama e sentou-se ao lado dela antes de responder:
— Havia uma maldição naquela ferida. Não sabemos de onde ela veio, ou por que se instalou na ferida. Só o que podemos teorizar é que a proximidade com orcs a tenha ativado, e o ferimento voltou a abrir. Bilbo disse que ela voltou a sangrar pouco antes da emboscada daquela patrulha de orcs, no lado de fora do vale. Isso é correto?
— Sim, isso mesmo. Mas por que teria voltado a sangrar em Rivendell? Não há orcs aqui – ou há?
Ele garantiu:
— Não existe nenhum orc aqui. Mas quem colocou a maldição já sabe que você está em Rivendell.
— E o que faz essa maldição?
— Fazia. Não faz mais. Conseguimos retirá-la.
Anna indagou:
— Você e Lord Elrond a retiraram?
— Quem detectou a maldição foi Lady Galadriel. Ela trouxe mais águas de Lórien para ajudar você.
Anna arregalou os olhos.
— Lady Galadriel esteve aqui? Mas ela vive em Lothlórien!
Gandalf sorriu:
— Ela está aqui e tratou de você pessoalmente. Se não fosse ela, na verdade, acho que não conseguiríamos salvar você, minha querida Anna.
Anna ficou tocada.
— Preciso falar com ela e agradecer pelo que ela fez por mim. Não sei como ela soube que precisávamos dela, mas ela é mesmo uma mulher especial. Espero ter uma oportunidade de fazer isso.
— Não se preocupe. Não faltará oportunidade. Na verdade, Lady Galadriel insiste em falar com você.
— Mesmo? — Anna parecia intimidada. — Oh, ela quer me ver? Uma mulher importante como ela?
Neste momento, do arco perto da cama, uma pessoa se aproximou.
— Você me lisonjeia, pequena Anna.
Anna se virou e viu a dama toda de branco, uma tiara de prata e pedras brilhantes, a sorrir para ela. Anna reconheceu, admirada:
— É o anjo…!
— Anjo? — Galadriel pareceu divertir-se com a ideia, os longos cabelos louros balançando ao vento quando ela se aproximou. — Por que diz isso?
Anna respondeu, envergonhada:
— Eu a vi, minha senhora, pouco antes de perder a consciência. Parecia uma visão do céu, a coisa mais linda que meus olhos já viram, um ser descido diretamente dos lugares mais divinos de toda essa criação. Eu não estava muito consciente, mas agora que estou, parece ser ainda mais celestial...
A elfa sorriu suavemente. — Você é encantadora, pequena. Mithrandir me falou a seu respeito. Fiquei intrigada.
— Senhora, eu sou mesmo pequena diante de vocês, seres tão altivos. Não sinto ser digna de tanta atenção.
A Senhora de Lothlórien disse:
— Ah, mas você me chamou atenção. Há tempos venho detectando a presença de um mal muito terrível em lugares onde não deveria estar. Você carregava uma força tenebrosa, tão tenebrosa que eu a detectei de longe. Por isso vim o mais depressa que pude. Foi por muito pouco que consegui salvá-la. Temi que nada pudesse fazer por você, e isso me entristeceria enormemente.
Anna confessou:
— Senhora, eu nada sabia sobre esse mal em minha mão. Nem sei como me puseram isso. Talvez Gandalf tenha lhe dito sobre minha presença... e minha origem.
— Sim, ele mencionou — ela disse, olhando fixamente para ela. — Eu gostaria de conversar com você sobre isso. Mas não agora. Precisa se alimentar, corpo e alma. Faça uma refeição, veja seus amigos. Eles estão ansiosos sobre sua saúde. Podemos conversar depois.
— Obrigada por tudo que fez, milady.
Gandalf disse:
— Vamos deixar que se arrume e vá até o salão de Lord Elrond. Estão todos no café.
Anna encontrou seu vestido de laços limpo e esperando por ela numa cadeira. Vestiu-se e arrumou-se para ir até o salão. Finalmente lá encontrou todos.
— Anna! — gritou Bilbo. — Você está bem!
Todos a saudaram ruidosamente, e ela enrubesceu, cumprimentada por todos os anões, até Bifur, que parecia entusiasmado por vê-la bem, gesticulando vigorosamente. Ela se sentou à grande mesa comprida, entre Bilbo e Bofur, em frente a Thorin e Balin.
— Então, Dona Anna, sente-se melhor? — indagou Balin.
— Como nova, Mestre Balin, obrigada.
Thorin cumprimentou:
— Fico feliz em vê-la recuperada.
Ela anunciou:
— Gandalf garantiu que o ferimento está completamente curado e não vai mais incomodar.
A notícia foi muito bem recebida. Bilbo sorriu, Óin soltou vivas, Bofur bateu nas costas de Anna animadamente. Aliás, animação foi o tom da refeição.
Logo depois, Bilbo e Anna foram até o local onde a companhia acampava. Bilbo tinha visto a espada de Anna e comentou:
— Ela é realmente única. Vê a minha? — Ele a mostrou. — Ela é totalmente élfica. Gandalf me deu, pois ele a encontrou na mesma caverna de troll onde você estava. Ele mesmo e Thorin também pegaram espadas élficas naquele lugar. Lâminas excelentes.
Anna disse:
— Thorin forjou a minha espada.
Bilbo a encarou, e depois disse, tentando disfarçar a admiração:
— Oh, nossa. Então, er, então foi isso que ele fez durante o dia. Ele ficou fora muito tempo, eu fiquei imaginando... É. Foi.
Anna percebeu:
— Bilbo, o que há? Tem algo que queira me dizer?
Ele enrubesceu e tentou disfarçar:
— Não, claro que não. O que poderia ser? Nada a dizer. É: não tenho nada a dizer.
— Bilbo — insistiu Anna, com gentileza. — Há algo incomodando você?
— Não, er nada incomodando. — Ele ia falar outra mentira, mas desistiu ao ver o olhar dela. — Está bem, eu falo! Eu não deveria falar nada, mas não posso mais ver isso. Anna, Thorin é louco por você. E eu posso ver que você também está caída por ele. Então eu gostaria muito que vocês dois resolvessem logo isso, porque se não vocês podem terminar se magoando, sabia? E eu prezo vocês dois. Não quero ver nenhum de vocês magoado. Agora, eu sei que posso falar com você, mas já imaginou o que Thorin me diria se eu falasse alguma coisa assim para ele? Portanto, eu queria que vocês dois pusessem logo isso às claras porque-
— Bilbo — Anna tentou interromper.
Mas o hobbit parecia bem empolgado no seu discurso e não se deixou interromper.
— -daqui a pouco a situação pode interferir em toda a companhia. E isso pode ser desastroso para o objetivo. Como já disse antes, eu não ia dizer nada, mas parece uma pena que vocês se gostem tanto e não façam nada-
Anna insistiu suavemente:
— Bilbo, Bilbo. Bilbo. Bilbo! — O hobbit se interrompeu, e ela continuou, em voz baixa. — Já falamos sobre isso, Bilbo. Thorin e eu estamos... bem, estamos conversando sobre isso. Já admitimos que temos interesse um pelo outro.
Ele arregalou os olhos, sorrindo:
— Já? Oh, que alívio! Isso é excelente. Porque deixe dizer, aquele homem sabe arrastar uma asa, Anna. Ele ficou fora de si quando Gandalf disse que você poderia morrer. Que anão teimoso! Agora que você está bem, ele deve ficar mais calmo. Ele não dormiu essa noite, e não sei como não invadiu a ala residencial atrás de você.
Anna estava enrubescida com as palavras do hobbit.
— É mesmo? — Ela perguntou como se não acreditasse.
— Anna — disse Bilbo solenemente —, acredite: ele realmente gosta de você. Anões não fazem espadas para outras pessoas todos os dias, especialmente em forjas alheias, muito menos de elfos. Sabe, pensando bem, pode até ser parte de algum ritual de corte.
— Será?
— Vou ter que perguntar, porque os anões são muito reservados com seus hábitos e costumes. Eles têm nomes secretos, e até a língua deles não pode ser aprendida por outros que não anões.
— Nomes secretos?
— Como nomes verdadeiros, ou algo assim. Ori estava me dizendo isso hoje de manhã, e levou uma bronca de Dori. Pelo visto, não é para ninguém saber disso.
Anna deu de ombros.
— Sei tão pouco sobre eles. Temo ofender Thorin e os outros sem querer. Por exemplo, ele me deu uma espada, e eu nem sei empunhar uma.
Bilbo lembrou:
— Eu nunca tinha usado uma também. Venha, pegue a sua. Vamos treinar.
— Está bem.
Eles pularam do banco, os dois com suas pequenas espadas. Anna se sentia muito estranha com uma espada na mão.
— Qual é o braço que você favorece?
Anna respondeu:
— Acho que é o direito, o braço com que eu escrevo.
O hobbit indicou, mexendo as pernas e movimentando a espada:
— Então plante bem os pés no chão, deixe as pernas um pouco afastadas e balance um pouco a espada com esse braço.
Anna obedeceu, desajeitada, mas a espada parecia se adequar bem a seu braço. Bilbo instruiu:
— Agora tente variar os movimentos, sempre mantendo a espada empunhada.
Anna quis saber:
— Como sabe tanto sobre isso?
— Dwalin tentou me ensinar — explicou. — Não virei um expert, mas prestei atenção, pelo menos. Agora, use as duas mãos, isso, leve a espada acima da cabeça, para os lados.
Anna ia seguindo as instruções dele. Mas ela tinha dificuldade numa coisa.
— Não dá! O vestido não deixa que eu movimente direito. E não posso erguer o vestido porque preciso do braço livre para erguer a espada! — Ela estava furiosa. — Que irritação!
— É — suspirou Bilbo. — Damas não foram mesmo feitas para empunhar armas.
— Eu consigo, vou conseguir — disse ela, determinada. — Thorin fez essa espada para mim e eu quero usá-la decentemente. Só preciso de treino – com roupas adequadas. Por enquanto, vamos usar estas mesmo.
— Essas roupas são mais do que adequadas para você — comentou Thorin, surpreendendo os dois, que se viraram para ver quem chegava. Thorin chegava com Dwalin e Balin, além de Fíli e Kíli. — Importam-se?
— Não, claro que não — disse ela. — Gostaria de ajudar?
Kíli não resistiu, rindo:
— Mas vocês estavam indo tão bem!...
Bilbo indagou:
— Vocês estavam espiando?
— Supervisionando — corrigiu Dwalin, sem esconder a ironia. — Só para ter certeza de que vocês não se machucariam.
Bilbo ia protestar, mas Fíli interrompeu:
— Mas vocês estavam mesmo indo muito bem. De verdade.
Kíli tentou esconder o riso, mas Dwalin nem se deu ao trabalho. Anna deu de ombros.
— Sei que vocês devem achar isso engraçado. Mas talvez vocês não tenham sido diferentes na primeira vez com a espada.
Thorin comentou:
— Isso é verdade. Lembro que Kíli quase arrancou fora o próprio pé.
— Ei! — O rapaz protestou quando os outros riram alto.
Dwalin explicou:
— Vocês já imaginavam que deveria ter um motivo pelo qual ele prefere arco e flecha, não?
Os risos continuaram, mas Anna disse:
— O arco e flecha de Kíli mais do que compensam a falta de habilidade com espadas. E duvido que ele continue tão desajeitado como eu.
O rapaz fez uma reverência agradecida, e os demais riram alto. Bilbo notou que o grupo procurava, discretamente, imprimir mais distância entre eles e Anna e Thorin.
Thorin chegou-se até ela e instruiu:
— Erga os braços na altura dos ombros e deixe a visão desimpedida. Treine golpes fortes e rápidos.
Anna tentou fazer como indicado. Thorin corrigiu a postura, tocando os braços. — Assim, agora use os dois braços para o lado, rápido!
Anna fez um movimento semelhante a um bastão de beisebol. Mais uma vez Thorin corrigiu a postura, indo por trás dela e colocando suas mãos nas dela, segurando a espada.
— Com esse movimento, assim. — Anna sentiu o peito dele às suas costas, o calor que ele irradiava. A proximidade dele a desconcentrou rapidamente, mesmo que ele continuasse explicando: — Mantenha os pés firmes para não se desequilibrar, porque seu oponente vai tentar derrubá-la.
Anna começava a transpirar — e ela não tinha certeza que era só devido ao esforço físico. Os outros respeitosamente não interferiam, concentrando-se em Bilbo — que também estava subitamente dedicado a ouvir as instruções de Dwalin. O grupo se afastou ainda mais do casal.
Por quase meia hora, Thorin e Anna se dedicaram a treinar com espada. Anna estava esfogueada, tanto pelo exercício como pela melhor chance de aproximação física entre eles que não era abertamente sensual. Ela nem sabia se chegariam a isso, mas ela tinha a intuição que aquilo podia ser o prelúdio para alguma coisa dessa natureza. E ela não tinha como negar que Thorin parecia cada vez mais atraente, com seus movimentos elegantes e sensuais, alternando velocidade, força e sutileza.
Sem contar os olhares que ele lançava para ela. Sim, Anna reconhecia a paixão, o desejo mal contido. Mas as mãos dele jamais desrespeitaram o corpo dela com avanços indesejados ou toques inapropriados.
Ao fim da lição, Thorin parecia ter se apiedado de Anna, e comentou:
— Talvez seja melhor parar agora. Afinal, você mal se recuperou da febre.
— Tem razão. — Anna sorria. — Puxa, isso foi mais divertido do que pensei! Eu estava gostando.
— Você tem jeito com a espada — comentou Thorin. — Deve ser aquela sua prática de guerra.
— Tai chi chuan não se destina ao combate — lembrou Anna.
— Precisa aprender a se defender — disse Thorin. — Com treino, saberá usar sua espada. Deve atacar na sua altura; é baixa demais para os outros, e eles não vão saber se defender de um adversário tão pequeno se o golpe for poderoso. Aprenda a se desviar, a evitar o adversário, a correr e a se esconder, porque seu corpo é pequeno e ágil o bastante para essas coisas. Se for atacar, não hesite e não tenha medo. Concentre-se. Ache o ponto certo, o momento certo e não vacile jamais.
Anna se deixou levar pela mão para o banco, onde se sentou ao lado dele. Ela suspirou:
— Estou tão fora de meu elemento. São tantas coisas a aprender.
Thorin segurou sua mão e sorriu suavemente. Anna notou que a visão a fazia derreter por dentro.
— Você está indo bem — comentou ele. — Tento imaginar seu mundo, mas não tenho referências. Você sente falta dele?
Ela deu de ombros. — Acho que sim. Mas sinceramente, fora minha mãe e uns poucos amigos, não há muito que me atraia. Só que eu estava acostumada àquele mundo.
— Você era uma pessoa diferente?
— Mais do que imagina. Para começar, eu tinha o tamanho da raça dos homens.
— Você parece ser humana, mas... — Ele parecia constrangido demais para terminar a frase.
Anna suspirou, revirando os olhos:
— Eu sei, sou pequena demais. Homúnculo. Entendo o que quer dizer. Não consigo subir nem num pônei!
Thorin a encarou, com outros daqueles sorrisos suaves.
— Você fica adorável quando está brava. — Anna imediatamente enrubesceu. — E fica ainda mais adorável toda vermelha, mas não sei por que fica tão envergonhada. Foi alguma coisa que eu disse?
Anna estava escarlate.
— Sim, é que eu não estou acostumada a ouvir essas palavras. Não é costume de onde venho.
— Não? Seus homens não elogiam suas mulheres?
— Sim, mas... é diferente. Na verdade, eu é que não estou acostumada. Homens não costumam me elogiar. De onde eu venho, as mulheres são mais atiradas que eu. Por isso os homens nunca olham para mim. Não sou considerada atraente – muito menos adorável, como diz.
— Então os homens de seu mundo são loucos ou cegos. Nenhuma mulher é mais adorável que você, em qualquer mundo.
Sem jeito, Anna riu e comentou:
— Não sei de onde você tirou a ideia de que não tem jeito com as palavras. Só não entendo o que você vê em mim. Eu não sou ninguém atraente, nem importante.
— Suas qualidades são mais do que meros atributos físicos. Eu a admiro e a desejo por essas qualidades. Se você retorna meus sentimentos, então nada mais precisa ser dito. A menos que você decida mudar de ideia sobre o que sente a meu respeito.
Anna o encarou com um sorriso.
— Ainda que eu não entenda o que uma pessoa importante como o rei de Erebor vê em mim, não pense que desistirei de você, a menos que me dispense.
Mais um sorriso fez Anna se derreter. — Não pense nisso, minha pequena. Jamais pense que irei dispensá-la.
A chegada do mago Gandalf os interrompeu.
— Então, querida Anna? Nada de febre?
— Foi-se completamente. — Ela examinou a mão. — Até o corte na mão está bem fechado.
— Ah, que boa notícia! Embora sua presença esteja sendo requisitada por Lady Galadriel, querida Anna, ela mesma pediu que desfrutasse a refeição com a companhia. No momento, porém, além de formalizar o convite de um banquete de Mestre Elrond comemorativo à sua saúde restaurada — Gandalf fez uma reverência a Anna, que respondeu com outro cumprimento —, meu objetivo aqui é roubar o líder de nossa companhia por uns minutos. Importa-se?
Anna pulou do banco, dizendo:
— Sem problemas. Vou ver se os demais precisam de ajuda. Vejo vocês mais tarde.
Ela se juntou aos demais, com quem conversou e brincou até após o almoço, quando retornou à ala residencial — a mesma onde passara a noite. Sentia-se feliz, finalmente parte da companhia.
Mal desconfiava Anna que era bom mesmo desfrutar daqueles momentos de descontração com seus companheiros de viagem. Afinal, dali para frente eles se tornariam raros.
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