Jornada Para Erebor
7 Acampamento
Notas iniciais
A princípio, Anna achou indelicado recusar o convite de Gandalf para acompanhá-la ao rio, mas aceitou-o, a contragosto. Em minutos, achou que tomara a decisão correta, pois o rio estava um pouco afastado e estava escuro. Assim que chegaram a uma distância da fogueira, Gandalf disse, discretamente:
— Deve desculpar Thorin e os demais. Anões são uma raça desconfiada por natureza. Duvido que não digam a você o motivo dessa expedição, mas deve dar tempo a eles.
Anna tentou explicar:
— Sr. Gandalf, eu realmente não quis ser indiscreta. Vou pedir desculpas mais tarde. Mas no momento estou assustada demais para me irritar com qualquer coisa. Sinto muita falta de minha família, de minha cidade. Tudo aqui é tão diferente.
— Como está a mão? — perguntou ele.
— Ainda dói, dependendo do movimento que eu faço. Mas agradeço seus cuidados. Aquilo que eu bebi era alguma coisa alcoólica? Devia ser muito forte.
Gandalf respondeu:
— Era uma água de cura, que trazia refletida a luz de Gil-Estel, a Estrela da Esperança de Lórien.
Anna o encarou, perdida. Ela não fazia ideia do que ele falava. Ele percebeu.
— Não sabe o que é isso, não é?
— Desculpe. Tenho certeza de que eu deveria conhecer, mas... eu não sou daqui. — Anna deu de ombros. — Não quis ofender.
— Está tudo bem — sorriu ele. — Mas fique certa de que essa água ajudou muito você. Com certeza, mais do que imagina. De qualquer modo, talvez Mestre Óin, que conhece poções e unguentos, possa tratar seu ferimento.
Anna passou por sua primeira experiência de lavar louça no rio em plena noite com a ajuda de Gandalf e os dois levaram os pratos de volta para Bombur. Gandalf disse:
— É melhor eu me recolher agora. Bilbo, meu rapaz, deixe-me sugerir que fique ao lado de Dona Anna essa noite. Tenho certeza que vai se sentir mais protegida assim.
Anna tentou dizer:
— Oh, por favor, gente, eu não –
Bilbo começou:
— Claro, excelente ideia!
Thorin orientou:
— Fiquem perto do fogo. Tome conta dela, Mestre Baggins. E procurem se recolher logo. Partiremos à primeira luz.
Bilbo pegou as cobertas e chamou Anna, afastando-se dos demais:
— Ali é um lugar excelente. Vamos, use essas cobertas.
Anna disse a Bilbo:
— Agradeço, Mestre Bilbo, mas eu-
Ele a interrompeu:
— Tio.
Ela não entendeu.
— Como?
O hobbit sorriu, arrumando as cobertas no chão:
— Se vai ser meu sobrinho, deve se acostumar a me chamar de tio. Tio Bilbo estará bom, não temos tanta formalidade assim. E como vai ser seu nome?
— Não pode ser Anna?
— Se você for um dos Bolgers, pode ser irmão de Filibert, Rudibert e Adalbert Bolger de Brudgefort, se eu não estou enganado.
— E que tal Anni?
— Muito bom! — Ele abriu um sorriso. — Anni... Poderia ser abreviatura para Annibert. É, isso vai dar certo.
Anna sorriu também, talvez pela primeira vez com um pouco de alegria.
— E agora? Mais tranquila?
— Um pouco — confessou. — Ainda não sei como vou voltar para casa, mas isso é coisa para se pensar mais tarde, acho.
— Também tem saudades de casa? Marido, filhos? Ou você é nova demais para isso?
— Não, eu tenho idade, mas não tenho nem marido nem filhos. E você, tio Bilbo? Tem mulher e filhos?
— Não, só meus livros, meu jardim, minha toca... É o meu lar.
— É — Anna sorriu. — Nada como o nosso lar. Bom, melhor ir dormir. Boa noite, Bilbo.
— Boa noite, Anni.
Anna tentou se ajeitar no chão duro, ignorando as pedras às suas costas. Ela tinha muito em que pensar, muito o que lembrar. Preferencialmente, ela tentou se lembrar de tudo o que podia sobre O Senhor dos Anéis e O Hobbit.
Ela adormeceu desejando, de novo, e não pela última vez, ter ido parar no universo de Harry Potter.
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Naquela noite, Anna sonhou que estava presa, com quatro monstros a segurá-la. Diante dela, o orc branco, Azog, a encarava, um sorriso nos lábios. Ele estava nu, um pênis descomunal e desproporcional saía de seu corpo e apontava para ela.
— Não! — debateu-se ela. — Deixe-me em paz!
Os monstros riam, e Anna se debatia ainda mais, sem sucesso. Azog avançava contra ela, a intenção clara em seus olhos.
— Você é minha, pequena. Não adianta fugir.
— Não! Fique longe de mim!
Os sons dos risos deles se misturaram a uma voz distante que chamava por ela:
— Anna, acorde! É só um sonho!
Mas ela continuava a se debater e a gritar, mas a voz insistia:
— Anna!
Uma mão agarrou o braço dela e Anna tentou se defender, debatendo-se com o agressor:
— Não! Me larga! Não!
— Anna, pare! Sou eu, Bilbo!
Finalmente, Anna conseguiu abrir os olhos tempo suficiente para reconhecer quem a segurava:
— B-bilbo?
— Está tudo bem, agora. Foi só um pesadelo. Você está segura.
Anna o encarava, encolhida, em prantos:
— D-desculpe... Tive medo...
— Você está tremendo muito — Ele chegou perto dela, e ela se encolheu. — Está tudo bem agora. Já passou.
— Sinto muito... — Anna soluçava. — D-desculpe. Não quis a-acordá-lo... Mas... Tive tanto medo...
Anna ainda estava abalada, mas deixou que ele a abraçasse, sentindo como seu corpo tremia de medo. Bilbo dizia, gentilmente, como se ela fosse uma criança:
— Já passou. Está tudo bem agora. Ninguém vai machucar você. Pode dormir. Shh. Tudo bem.
Anna sentiu as mãos dele fazendo círculos nas costas dela. Era confortante.
— Tanto medo, Bilbo... — Ela soluçava, já sem saber o que dizia, o cansaço vencendo-a mais que o pavor. — Muito medo...
Bilbo continuou a sussurrar baixinho para acalmá-la e olhou para os lados, para ver se tinha alguém acordado. Seus olhos encontraram Gandalf, que meneou a cabeça. Bilbo sorriu para ele e continuou a acalmá-la.
Ele não viu Thorin atrás dos dois, acompanhando a cena atentamente. Nem o olhar trocado entre Thorin e Gandalf.
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