Jomal

22 Capítulo 36


Quase um mês depois...

Uma mudança clara se via em Rachel. Após Quinn ter sumido misteriosamente com seus vestidos simples (Embora ela negasse participação) e Kristen ter dado fim em todo o resto (Com um sorriso de anjo no rosto), ela se via vestida com vestidos mais caros, mais bonitos, os cabelos se viam mais sedosos, as expressões mais delicadas. Após algum tempo, a convivência com as outras rainhas se tornou mais natural. Ela não se sentia mais uma criada entre a realeza; ela era a noiva do rei.

Rachel: Suri dormiu? – Perguntou, e a criada assentiu. Rachel sorriu. Suri sempre dormia depois do almoço, principalmente agora que passava a manhã inteira aprontando. Rachel olhou a criada retirando a mesa, e a sala vazia. Era uma oportunidade – E Finn? – Perguntou, mas...

Kristen: É por isso que eu disse. Se resultar pesado demais ela ficará corcunda com o passar das horas. – Comentou, a voz vindo do corredor. Rachel suspirou, derrotada, e se recostou na cadeira.

Santana: Você tem noção de quanto meu vestido pesava? – Perguntou, e se ouviu o riso de Kristen – Se passaram quase 20 horas até que eu pudesse parar e descansar. – As duas entraram na sala – Ai está você.

Rachel: Quanto seu vestido pesava? – Perguntou, franzindo o cenho. Dessa vez foi Santana a rir.

Santana: Não queira saber. – Ela se sentou ao lado de Rachel – A saia do vestido tinha 25 camadas de tecido. – Rachel arregalou os olhos – Juro por Deus! Isso fora o corpete, as luvas, o colar e por fim a coroa. Depois da primeira cerimônia eu estava com tudo isso e ainda era manhã. – Ela suspirou – Quando por fim terminei, e tirei o vestido, foi como se eu tivesse ganhado asas.

Kristen: 25 camadas. – Repetiu, olhando pra frente.

Santana: Cada passo que eu dava era um exercício para as pernas. Mas podem olhar as fotos, foi o vestido mais lindo em que eu já coloquei os olhos. Fiz questão. – Ela sorriu. – Aliás, foi o casamento perfeito. Me lembro de cada detalhe: A igreja, as flores, o sorriso de Sam... Mas enfim. – Ela ergueu o rosto – Aqui estamos.

Kristen: Pelo menos suas botas foram de couro. Soube da história de uma que se casou com sapatilhas de mármore. – Entregou. Rachel até saiu de seus devaneios. Ela e Santana viraram o rosto ao mesmo tempo, lentamente. Foi cômico. Dois pares de olhos, um negro e um castanho, completamente exasperados. Kristen se sentou – Estou dizendo.

Rachel: Mármore? – Repetiu, escandalizada. Santana olhou os próprios pés, ocultos sobre as botas pretas, então caiu no riso.

Kristen: Mármore branco. – Confirmou. Santana ainda ria. – Qual a graça?

Santana: Estou me imaginando com meu vestido e sapatos de mármore. Está doendo só de imaginar. – Disse, e Rachel riu.

Rachel: Ela não caiu? O sapato não quebrou? – Kristen negou — Como pode, gente?!

Essa conversa se prolongou por horas. Saíram das sapatilhas para o vestido de Rachel, e os preparativos da festa... Assuntos de rotina. Até que resolveram ir buscar Quinn, que dormia. Queriam a opinião dela.

Rachel: Você ainda é viva? – Perguntou, parando. Nina limpava um corredor.

Santana: Não por minha vontade. – Respondeu, parando atrás de Rachel – Vamos, não dê atenção a isso. – Ela apanhou a mão de Kristen e passou, sumindo pelo corredor. Rachel quase tinha esquecido de Nina; sua vida tinha mudado tanto... Entretanto isso não mudava nada.

Rachel: Eu avisei que você estaria aqui para ver o final. – Disse, os olhos quase congelados na outra. Nina largou a esponja no chão e suspirou.

Nina: Nunca vai me deixar em paz? – Perguntou, exasperada.

Rachel: Não. – Disse, erguendo as sobrancelhas – Você matou meu filho. – Lembrou.

Nina: Finn matou teu filho. – Rebateu, ao mesmo tempo.

Rachel: Cuidado com as palavras! – Ela não gostava de ouvir o nome de Finn na voz de Nina – E se dirija a ele com a reverencia que ele merece, ele não é teu amigo ou algo o tipo. – Rosnou. Cada segundo que passava a irritava mais – O sangue está em suas mãos.

Nina: Ele deu a ordem. – Lembrou. Rachel ficou calada por um instante, os olhos fuzilando a outra, até que em um movimento rápido chutou o balde com a água suja, que virou, jogando água por todo corredor, sujando tudo. Nina apenas olhou o trabalho todo acabado.

Rachel: Eu não me importo. – Disse, com um sorriso debochado. Então houveram risos vindo do corredor – Acredite, só vai piorar. – Os risos se tornaram mais altos, até que a voz de Quinn soou.

Quinn: Rachel? – Chamou, a voz se aproximando. O riso de Kristen acompanhava – Rach, onde está?

Rachel: Estou indo. – Disse, olhando Nina. Ela apanhou as abas do vestido, erguendo-as para passar pela água – Limpe isso. – E deu as costas, sumindo. Mas após aquilo, a irritação não passou. Ela não conseguia se manter focada na conversa, estava irritadiça.

Kristen: Rachel? – Chamou, vendo a outra aérea.

Rachel: Desculpem. – Disse, erguendo o rosto – Eu estou meio... Desculpem, eu preciso mesmo ver Finn. – Só ele a faria se acalmar – Com licença.

Quinn: Rachel, espere. – Disse, e a outra se virou – Bom, ele saiu. – Rachel achou algo de errado no rosto de Quinn.

Rachel: Onde ele foi? – Perguntou, desconfiada. Finn não saia sem falar com ela. Quando o viu, no café da manhã, ele não disse nada. O silencio reinou – Onde ele está?

Santana: A audiência dele é hoje, Rachel. A esta hora já está acontecendo. Ele não quis dizer para não preocupá-la, perdoe. – Disse, quieta. Os olhos de Rachel se arregalaram em placa. Como ela não percebera? Fora Finn, Sam sumira, juntamente com Puck e Damon, e ela não se tocou! – Escute, não fique nervosa.

Agora era tarde.

Finn chegou horas depois. Estava exausto. Passara o dia com pessoas a sua volta que dariam uma mão para tomar-lhe a coroa. Colocaram todos os fatos da guerra em mesa, falaram sobre Dulce María, expuseram Suri... Questionaram cansativamente o casamento de Finn com uma mulher que não tinha sangue azul, e principalmente era naturalizada do reino cujo qual ele atacava. Só teve fim quando Sam pediu a palavra, expondo sua opinião, declarando seu apoio na guerra e acrescentando meia dúzia de ameaças, que foram ironicamente apoiadas por Puck e sutilmente confirmadas por Damon. No final não deu em nada.

Finn percorreu a sala com os olhos, procurando Rachel. Mas cada mulher da sala foi até seu respectivo marido, e Rachel não estava ali.

Kristen: Digamos que você criou um problema. – Disse, vendo o olhar dele.

Quinn: Um problema enorme. – Acrescentou. Finn suspirou.

Finn: Ela sabe. – Disse, passando a mão no rosto.

Santana: Deu por sua falta, queria sair a sua procura. – Ele assentiu – Eu avisei que isso não iria dar certo.

Finn: Com licença. – Disse, dando as costas.

Puck: Não se exceda. – Lembrou, divertido, e Quinn riu.

Quando Finn entrou no quarto, Rachel estava deitada. O tecido do vestido estava ao longo da cama, e ela tinha os olhos fechados. Ele sorriu ao ver a expressão no rosto dela. Era daquela paz que ele precisava agora. Porém quando ele se aproximou...

Rachel: Eu realmente quero matar você agora. – Disse, ainda de olhos fechados. Ele não conseguiu não sorrir.

Finn: Em vez disso me dê um abraço. Eu senti sua falta. – Disse, acariciando o rosto dela. Ela abriu os olhos e viu a expressão dele.

Rachel: O que fizeram com você? – Perguntou, se sentando. Ela acariciou o cabelo dele, vendo o cansaço em seus olhos.

Finn: Nada. Só estou cansado. – Ela o trouxe para perto, abraçando-o forte. Finn deixou a cabeça repousar no ombro dela, aspirando seu perfume.

Rachel: E então? O que aconteceu lá? – Perguntou, meio que ninando-o.

Finn: O que eu disse que aconteceria. Nada. – Ele se abraçou a ela, quase esmagando-a.

Rachel empurrou o terno dele, feliz por se ver livre do gesso, e o trouxe para si. Ele terminou deitado em cima dela. Empurrou os sapatos de qualquer jeito, sentindo o peso do mundo nas costas. Dentro de pouco Finn estava dormindo. Rachel ninou o sono dele todo o tempo. Meia hora depois Puck e Damon apareceram para buscá-lo, mas ela intercedeu.

Rachel: Por favor. Ele só está dormindo. – Os olhos de Puck observaram a cena, avaliando – Só dessa vez. – Damon assentiu e apanhou Puck, que riu, saindo dali. Rachel beijou a testa de Finn, que continuou dormindo. Nada mais foi dito ali.

Finn acordou no cair da noite. Avisou que não desceria para o jantar, e ela entendeu. Chovia furiosamente lá fora. Após se aprontar para dormir, Rachel ficou perto da janela, olhando a chuva cair. Quase não se via nada lá fora, o cheiro era gostoso e o barulho era reconfortante. Ela caminhou até a porta, abrindo-a de leve... Não havia ninguém lá fora. O que não mudava o fato de que Puck adorava aparecer do nada, no escuro. Ela fechou a porta e, descalça, saiu na ponta dos pés. Na curva do corredor não havia ninguém... E ela desatou a correr. Correu como se estivesse salvando a vida, desembalada pelos corredores desertos, os pés mal tocando o chão frio.

Finn estava em seu quarto. Tinha tomado banho, se preparava para dormir... Novamente. Ele abriu uma gaveta, e procurando uma pasta terminou derrubando-a.

Finn: Que maravilha. – Murmurou consigo mesmo, se abaixando. Estava catando os papéis quando a porta se abriu com um baque, se fechando em seguida. Ele virou o rosto pra se debater com a imagem dela parada, encostada na porta, ofegando. Estava de camisola, os cabelos soltos, descalça.

Rachel: Consegui. – Murmurou pra si mesma, passando a mão para trancar a porta. Ela se virou, dando de costas na porta, e viu o olhar confuso dele.

Finn: O que houve? – Perguntou, alerta.

Rachel: Eu fugi. – Disse, satisfeita, com um sorriso enorme aparecendo no rosto. Finn teve que rir.

Finn: Fugiu? – Repetiu, se levantando.

Rachel: Fugi. Correndo. – Ela tirou o cabelo do rosto, e ele riu mais gostosamente ainda – Eu tenho graça? – Perguntou, erguendo a sobrancelha.

Finn: Em certa parte. – Admitiu, coçando a sobrancelha. A expressão do rosto dela fez ele rir mais ainda. Ela observou por um instante, então ele viu ela abrindo a porta novamente.

Rachel: Eu não mereço. – Disse pra si, abrindo a porta. Quando tomou impulso para sair, entretanto, a mão dele a puxou de volta, fechando a porta. Ela sorriu ao sentir a boca dele em seu ombro, os beijos quase fazendo a pele arder. Ele trancou a porta e tirou a chave da maçaneta, largando-a no chão.

Finn: Não conhecia esse teu lado caprichoso. – Murmurou, virando-a pra si, e viu o sorriso travesso no rosto dela.

Rachel: É novo. – Provocou e ele sorriu, tomando a boca dela em seguida. Uma coisa era certa: Ela não voltaria pro quarto aquela noite.

Ele se afastou com ela da porta, abraçando-a forte, a boca devorando a dela. A resposta estava ali, era dela que precisava para esquecer aquele dia horroroso. Rachel arfou, satisfeita, e ele sorriu, mordendo os lábios dela. Apenas quando ela tombou sentada nos pés da cama dele, que se tocou de algo. Ele não entendeu porque ela o afastou.

Finn: O que há? – Perguntou, confuso. Estava começando a ficar bom e ela o afastava?

Rachel: Vão vir me buscar. – Disse, frustrada – Assim que derem minha falta. – Finn olhou para a porta. A tranca não impediria Puck de armar um pandemônio, aos risos ainda.

Finn: Temos que sair daqui. – Constatou.

Rachel: Pra onde? – Perguntou, e ele se afastou um pouco dela, tentando manter o foco. Demorou. – Pare de me tratar como se eu fosse outra pessoa. – Ralhou.

Finn: Como é? – Perguntou, achando graça do biquinho dela.

Rachel: Pare de pensar em mim como uma rainha. Com alguém da realeza. – Insistiu.

Finn: Mas você é alguém da realeza. – Brincou, apanhando o queixo dela com a mão e selando-lhe os lábios.

Rachel: Eu sou sua mulher. – Corrigiu, e ele sorriu – Não me trate cheio de não-me-toques, eu não vou aceitar. – Finn riu. Ela se jogou de costas na cama, tapando o rosto com os braços – Ótimo. – Ela abriu os braços, deixando-os cair de lado. – Continue rindo. Não vai demorar nada e Puck estará do outro lado da porta. – Mas Finn apenas a observava, com um sorriso de canto – O que agora?

Finn: Tem uma mulher linda se espreitando na minha frente, em minha cama. É indecente de tão tentador. – Ela sorriu com o elogio, então se sentou, puxando-o para si.

Rachel: Se não sairmos daqui vão me levar embora. – Lembrou. Finn se focou novamente por um instante, então se soltou dela, sumindo dentro do closet. – Então? – Perguntou, olhando na direção da porta.

Finn: Sei de um lugar. – Disse, a voz abafada dentro do closet – Mas vamos nos molhar. – Avisou, saindo de lá. Ele já tinha uma capa sobre os ombros, e trazia uma para ela. Rachel sorriu. Ele vestiu a capa nela, puxando seu capuz, e em seguida lhe deu a mão, indo pra porta.

Os dois avançaram rapidamente pelo corredor da torre, descendo as escadas em silencio. Após observarem o corredor principal, saíram em disparada, porém na direção oposta a saída. Ela não questionou, apenas o seguiu; ele conhecia o castelo melhor que ela. Vários corredores e escadarias depois os dois deram nos fundos, no gramado perto da lavanderia. A chuva forte fustigou os dois, que correram até que ele ouviu o riso dela, que o fez parar, sorrindo.

Finn: O que há? – Perguntou, a voz um pouco mais alta para ela ouvir. Ele não usava capuz, os cabelos já estavam molhados, pingando.

Rachel: Parecemos crianças. – Respondeu, se lançando no pescoço dele e o beijou de modo apaixonado. Ele a ergueu do chão, retribuindo seu beijo, e ela sentiu ele andando, meio que tropeçando pro lado. O gramado devia estar escorregadio, a terra fofa. Chovia tanto que quase não se podia ver, mas Rachel viu de relance uma luz vindo do corredor da área de serviços. Podia ser qualquer criado... Mas podiam ser Puck e Damon. Ela arfou, soltando os lábios dele, que beijou-lhe o queixo, ainda erguendo-a no ar – Vem alguém. – Murmurou, os olhos focalizando o corredor... Mas não dava pra ver.

Na falta de opção os dois saíram correndo novamente. Ao chegar a copa das arvores Rachel ofegava, rindo, e ele apanhou a mão dela novamente, guiando-a no escuro. Ali a chuva era abafada pelas arvores, mas ainda estava muito molhado. Correram até chegar no rio. Foi então que Finn praguejou.

Rachel: O que foi? – Perguntou, ofegando pela corrida.

Finn: Havia um... Umas pedras ali. – Ele apontou pra um lugar onde a água cobria. — Eu não me dei conta que a chuva faria a correnteza subir. – Rachel olhou o lugar onde ele apontava. A água corria solta – Perdoe.

Rachel: Vamos nadar? – Perguntou, olhando-o. Ele ergueu as sobrancelhas e riu.

Finn: Nadar? – Confirmou.

Rachel: Há outro modo de atravessar? – Perguntou, e ele riu – Bom, ou nós nadamos, ou vamos terminar aqui no chão. Eu não passei por tudo isso pra voltar pra casa tão cedo. – Ele a olhava, meio fascinado.

Finn: Você realmente quer estar comigo. – Disse, ainda com aquele olhar estranho sobre ela. Finn ignorou o fato de Dulce María se encontrar com Jesse ali. Rapidamente veio um flash em sua cabeça, de uma passagem do diário dela, comentando o quanto era desprezível ter que conviver com ele, quem dirá ter que tê-lo em sua cama. Mas Rachel sorriu, abraçando-se a ele, selando-lhe os lábios.

Rachel: Se eu não quisesse tanto não estaria nessa chuva. – Disse, passando a mão no cabelo dele. A chuva açoitava os dois sem piedade. Finn a olhou por um instante, e ela queria poder saber o que ele estava pensando.

Finn: Então nós vamos nadar. – Confirmou, apontando com a cabeça pro rio, e ela sorriu, travessa.

Rachel se arrependeu da ideia na hora em que a água se fechou sobre sua cabeça. Estava tão frio que ela mal conseguiu manter o ar dentro dos pulmões. A correnteza quase a levou, mas a mão dele a agarrou pelo braço, trazendo-a de volta.

Finn: Tudo bem? – Perguntou, a voz preocupada.

A água batia no colo dela. Pareciam facas atravessando seu corpo. A respiração dos dois formava pequenas nuvens brancas a sua frente. Ela assentiu, soltando-se dele e tomando impulso novamente. Logo os dois estavam nadando. Finn ficara pra trás propositalmente, para não perder ela de vista. Os braços de Rachel pareciam se negar a se mover, os músculos quase empedrados, ma ela nadou com toda a força que conseguiu. A correnteza forte, tentando desviá-los do caminho, também não ajudou. Passaram-se minutos a fio. Quando ela achou que não ia mais conseguir, seus braços se bateram em pedras; Chegara. As mãos de Finn a apanharam por debaixo dos braços, tirando-a da água. Ai foi que o barraco desabou: Se dentro da água o frio era horrível, fora dela era excruciante. Ela ofegou, se arqueando, e ele a apanhou no colo, pondo-se a andar, sumindo nas arvores do outro lado. Dentro de minutos ela pediu para ir pro chão; andar a aqueceria.

Finn: Não falta muito. – Disse, apanhando a mão dela. Os dois voltaram a andar rapidamente. As capas pesadas de água não ajudavam.

Rachel: Para onde estamos indo? – Perguntou, os dentes batendo.

Finn: Há uma cabana de caça aqui perto. – Explicou. Ela assentiu.

Dentro de alguns minutos ela viu: Uma casinha, pequena, aparentemente de um só cômodo. Ele se aproximou, então rosnou.

Finn: É claro que você não vai trazer a chave, alteza. – Disse, debochando de si próprio, e se afastou, dando um pontapé na porta que se abriu.

A cabana era no meio do nada, só haviam arvores em volta, e estava fria, mas pelo menos completamente seca. Ele a pôs pra dentro e fechou a porta, puxando uma cadeira e pondo atrás da maçaneta, como tranca.

Finn: Tem um acendedor em algum lugar aqui. – Disse, tentando se lembrar.

Rachel: Me dê sua capa. – Ela passou a mão nos ombros dele, tirando-lhe a capa molhada.

Só de não estar mais na chuva seus dentes pararam de ranger. Falando em chuva, o barulho dessa no telhado era alto, quase ensurdecedor. Finn conseguiu fogo poucos minutos depois. Achara um frasco com um liquido de cheiro forte em algum lugar. Após jogá-lo na lenha da lareira, tacou fogo. Rachel torcia as capas cuidadosamente, para não estragá-las, em um canto afastado. Após acender a lareira ele apanhou uma das tochas presas na parede, acendendo-a na lareira e espalhou o fogo pelo resto das tochas. Rachel olhou em volta. Não havia muito ali: Uma mesa de madeira com 4 cadeiras (uma agora servia como tranca para a porta), uma cama de casal num canto, um armário com objetos que Rachel não identificou, e só. Uma cabana de caça, resumidamente. Ela apanhou duas cadeiras, colocando do lado da lareira e colocou as capas nelas, deixando-as aquecer. O calor logo aqueceu os dois. Finn foi até a cama, puxando um lençol de proteção que haviam posto de cabeceira a cabeceira. Os lençóis eram brancos, simples, e havia um cobertor grosso dobrado aos pés da cama.

Rachel voltou ao canto molhado e jogou os cabelos pro lado, torcendo-os. Finn voltou até o armário, fuçando algo, e apanhou duas toalhas. Entregou uma a ela.

Rachel: Não está empoeirado nem nada. – Disse, olhando em volta, enquanto secava o pescoço.

Finn: Tem um criado que vem aqui periodicamente. Troca a lenha, os forros, espanta a poeira e evita que algo dê mofo, ou cupins. – Ele tirou a camisa molhada, e teve o impulso de largá-la na cama. Rachel ergueu a sobrancelha e ele riu. Ela foi até ele e tomou-lhe a camisa, o que o fez rir mais ainda. Ela levou a camisa dele até o „canto da água‟ e a torceu, colocando-a perto do fogo.

Rachel: Me dê a calça. – Disse, na maior naturalidade.

Ele, que a observava de braços cruzados, ergueu as sobrancelhas, mas não disse nada. Tirou a calça, ficando de cueca, e deu a ela, que repetiu o procedimento. Os olhos dele se aguçaram quando ela tirou a camisola, ficando de calcinha, os cabelos molhados caindo até o meio das costas pálidas, e a torceu, desprezando-a. Ela não viu nada, só quando ele a abraçou pelas costas.

Finn: Não tens vergonha de se desnudar na minha frente? – Perguntou, afundando o rosto no pescoço dela, beijando-a, e afastando-a das cadeiras com as roupas, e ela sorriu, pondo seus braços em cima dos dele.

Rachel: Eu deveria ter? – Perguntou, deixando que ele se banqueteasse em sua pele.

Finn: Houve uma época que você corava só por me olhar nos olhos. – Lembrou, e ela riu. Ele a virou pra si, estreitando os corpos dos dois. Os seios dela se comprimiram contra o peito dele, e o frio parecia ter sumido.

Rachel: Deus, como eu senti sua falta. – Disse, saudosa, tocando os lábios dele. Finn sorriu de canto, observando-a.

Finn: Não sente mais? – Perguntou, os olhos sondando-a, e ela sorriu, se esticando para beijá-lo. Finn a tomou nos braços, retribuindo seu beijo.

Rachel enfrentara a chuva, a floresta e o rio só para estar nos braços dele, e isso o fascinara. Ele a ergueu do chão, caminhando até a cama, onde a deitou, atravessada. A cama apesar de simples era enorme. Ela mal havia deitado e ele já estava por cima dela, ela sorriu, saudosa, o acolhendo dentre as pernas. Ele apanhou os pulsos dela, prendendo-os do lado do corpo. Sentira falta do peso dele roubando-lhe o ar. Quando Finn deixou os lábios dela, eles tinham a tonalidade vermelho sangue. Os beijos dele desceram pela frontal do pescoço dela, mordiscando-a, provando-a. Rachel apenas acariciava perna com a ponta do pé, uma vez que estava presa.

Finn: Senti falta de cada pedaço. – Murmurou, antes de morder a lateral do seio dela. Ela gemeu, surpresa, quando ele abocanhou um seio seu, sugando-o na boca, como se quisesse guardar o gosto. – Principalmente do som dos seus gemidos. – Assinalou, e ela corou, se arrepiando. Ele viu e sorriu – Tão minha, Rachel. – Disse, antes de mergulhar o rosto no colo dela, descendo até os seios como uma criança faminta. Rachel arfou, languida, e os beijos dele continuaram.

Depois de marcar a pele alva dos seios inteira ele mordeu a barriga dela, torturando-a em seu umbigo, fazendo-a se encolher e rir. Logo o corpo dela tinha marca de mordidas por toda a parte. Mas havia desejo demais acumulado. Minutos depois ele se desfez do que sobrara de roupa e a possuiu com um movimento brusco. Rachel cravou as unhas na mão dele que prendia seu pulso, respirando fundo para conseguir aceitar a invasão. Ele se deteve por um instante, o rosto afundado no pescoço dela, respirando por arfadas, para desfrutar da sensação do corpo dela acolhendo-o novamente, aceitando, se adequando. Rachel não teve certeza de como não desmontara aquela noite. Ele pôs a se mover sobre ela furiosamente, incansavelmente, parecia que o tempo tinha resultado nisso. Ela mal conseguia respirar. Tinha as unhas tão cravadas na mão dele que quase o fazia sangrar. Os gemidos dela chegavam ao ouvido dele como musica, e parecia servir de combustível. Cada vez mais forte, cada vez mais fundo. Ele parecia ter perdido o controle; apenas sentia.

Rachel: Me solte. – Choramingou, e por um breve instante ele pensou tê-la machucado. Mas eram apenas seus pulsos, presos do lado do rosto.

Finn a soltou e ela o abraçou pelas costas, as unhas logo deixando um traço vermelho por ali e enlaçou as pernas na cintura dele. Ele apanhou os quadris dela com as mãos, prendendo-a no lugar, e retomou seu ritmo. Rachel gemeu abafado no ombro dele com isso. Meu Deus! O prazer chegava a se formar dor em alguns pontos, mas ela não se importava. Ela o queria, cada pedaço, cada aspecto. As costas dele logo estavam decoradas com marcas de unhas, cada vez mais vermelhas. Então chegou o ponto em que o prazer se fez insuportável... E Rachel abafou seu grito final no ombro dele. Após alguns instantes dele se agarrou a ela, gemendo abafado, e o silencio reinou, só perdendo pro barulho da chuva. Os dois ficaram quietos até que ela acariciar as costas dele, acarinhando. Ele se acomodou no colo dela, quieto, até que ela sentiu a pele dele esfriar. Apesar das tochas e da lareira ainda chovia lá fora.

Rachel: Venha. – Chamou, e ele foi com ela, ambos deitando-se direito na cama, enquanto ela puxava o cobertor pra cima dos dois. Uma vez aquecidos ele a puxou pra si, os dois ficando de conchinha.

Finn: Eu amo você. – Sussurrou, perto do ouvido dela, que sorriu, se aninhando nos braços dele. Uma resposta não era necessária.

Os dois ficaram quietos por vários minutos; ela acariciando os braços dele e ele beijando-lhe o ombro carinhosamente, até que caíram em um sono tranqüilo. Pro inferno com o temporal, o rio frio, com Jesse ou com a guerra. Nada importava ali.

Não se sabe ao certo quanto tempo se passou, mas ainda era madrugada, ainda chovia e as chamas da lareira ainda ardiam a pleno vapor. Rachel e Finn ainda estavam juntos... E completamente acordados. Ele estava recostado nos travesseiros, e ela deitada em cima dele. Era a terceira vez que transavam desde que chegaram ali. Mas dessa vez havia calma, carinho, sem afobação ou agressividade. Ainda era ele que a guiava, como sempre, mas os movimentos eram leves, tranquilos, os beijos eram doces, lentos. Quando por fim acabou ela continuou por cima dele, quieta, o cobertor tendo escorregado até as cinturas dos dois, e ele acariciava as costas dela, após ter afastado o cabelo já seco. Finn tinha o corpo gostosamente relaxado, mas seus olhos estavam fixos em algum ponto da parede.

Finn: Há algo que eu não lhe contei. – Disse, sem precisar alterar a voz porque sua boca estava do lado do ouvido dela. Rachel abriu os olhos, o rosto deitado no peito dele, olhando-o – No dia em que te apanharam no castelo... Que você acordou caída na floresta da divisa. – Rachel assentiu – Bom... Eu menti sobre aquele dia. – Rachel franziu o cenho – Quando eu cheguei você realmente já estava caída... – Disse, lembrando – Mas algo me golpeou e eu cai. Quando despertei você continuava desmaiada... Mas Jesse estava lá. – Completou. Rachel ergueu o rosto, apoiando o queixo no peito dele para olhá-lo.

Rachel: Porque escondeu isso? – Perguntou, tocando uma marca de unha mal posicionada, que ficara na curva da maxilar, provavelmente da segunda transa.

Finn: Porque eu ainda não estava pronto para falar sobre o que ouvi. Ainda não estou, mas não quero ter segredos com você. – Ela sorriu de canto e ele lhe beijou o nariz.

Rachel: O que ele te disse? – Finn hesitou, e ela viu – Se não quiser falar disso eu vou entender. Não me importa, não é da minha conta. – Então ela franziu o cenho – Mas se foi algo sobre mim, é mentira. – Alegou, e ele até saiu das lembranças ruins, rindo de leve.

Finn: Não, não foi sobre você. – Disse, ainda sorrindo de canto, acariciando o rosto dela – Foi sobre... Foi sobre Dulce María. – Um breve silencio se instalou ali. – Rachel... Dulce foi amante de Jesse. O tempo todo. Desde antes de nosso casamento até o momento de sua morte. Ela nunca me amou. – Começou, e ia continuar, explicar até que ela entendesse, mas...

Rachel: Eu sabia. – Finn a encarou, erguendo a sobrancelha – Desde que fui buscar a flor para Suri, desde meu encontro com Jesse... Eu o confrontei e ele me contou.

Finn: Porque você não me disse nada? – Perguntou, encarando-a.

Rachel: Porque nada que vá te machucar, ou te causar dano, é do meu interesse. Se você não sabia, se aquilo não o havia alcançado, eu não diria. Morreria comigo. – Finn a observava – Não valia a pena machucá-lo, não fazia sentido. Eu só quis protegê-lo.

Finn: O que ele te disse? – Perguntou, colocando o cabelo dela atrás da orelha.

Rachel: Não me lembro em palavras, foi uma noite horrorosa. – Os olhos dela se desfocaram do olhar dele enquanto ela tentava lembrar – Ele me disse que a namorava, porém não pediu sua mão, pois não era de maior. Que então você a tomou em casamento, mas que ela ainda o amava, e que teve um caso com ele durante... Durante todo o tempo. Que ele iria fugir com ela, largar o trono, quando ela engravidou. Por o filho ser seu ela não podia fugir, então eles esperariam o bebê nascer... Mas ela jamais pôde fugir.

Finn: O que você disse a ele? – Perguntou, observando-a.

Rachel: Que ela tinha mal gosto. – Respondeu, imediatamente. Disso ela lembrava. Finn riu, surpreso.

Finn: Como? – Perguntou, sorrindo para ela.

Rachel: Que ela tinha mal gosto. E tinha. – Disse, indignada com o riso dele – Ele é bonito, mas não chega aos teus pés em nada. – Ela lhe deu um selinho.

Finn: Acha ele bonito? – Perguntou, erguendo a sobrancelha. Rachel arregalou os olhos.

Rachel: Ah, não. Esqueça que eu disse isso. – Finn ainda a encarava, ultrajado – Certo, escute. As mulheres tem como mania dividir os homens em categorias: Bonitos, simpáticos e feios. – Finn parecia ter levado uma bolacha – Mas isso é pelo físico, e não é tudo o que importa. Nós não procuramos saber o interior a principio, nós olhamos um homem e pelo físico determinamos onde ele fica. Desculpe, amor. – Disse, beijando o queixo dele.

Finn: Muito bem. Eu vou ignorar essa parte. – Ela riu de leve – Foi só isso que ele lhe disse? – Ela assentiu – Bom, a mim teve mais uma coisa... Ele me disse onde encontrar o diário de Dulce María. Em uma pedra, na beira do rio. Eles se encontravam lá, o diário dela ficou lá. Eu o encontrei no dia em que você fugiu. Estava danificado, molhado e desgastado, mas eu consegui ver algumas paginas. – Rachel esperou, mas ele não encontrou palavras.

Rachel: Não precisa me dizer nada disso, você sabe.

Finn: Mas eu quero dizer. Você é minha mulher, e eu quero que saiba tudo sobre mim. – Ela sorriu – O diário dela... Bom, Dulce María me odiava. Ela realmente tinha nojo de mim, sentia raiva o tempo todo por ter que conviver comigo. Dizia que meu toque lhe causava náuseas, uma vez até ânsias. – Rachel ergueu as sobrancelhas – Ela odiava tudo, minha voz, meu cheiro, meu toque, meu castelo, meu reino... Tudo que tivesse relação comigo. Quando engravidou, passou a odiar a criança também, porque era um pedaço meu. Praguejava Suri dia após dia, e após algum tempo passou a dizer que a entregaria a Jesse antes de fugir. Que deixaria que matassem, só por ter lhe “deformado” o corpo.

Rachel: Isso é absurdo. – Disse, chocada. Ela pensou em Suri, agora curada, e nesse momento dormindo, feliz, em seu quarto, no castelo.

Finn: Em seu leito de morte ela me implorou que salvasse o bebê. – Lembrou – Suplicou. Ela não sabia o que tinha tomado, acho que a gravidez a estava matando. Me implorou varias vezes. – Ele respirou fundo – Eu pensei que fosse por amor! Depois de sua morte, por dias eu não pude olhar para Suri, eu a repugnava. Mas no final ela só queria que eu salvasse o bebê para que Jesse viesse e a matasse. Creio que ele nunca tentou porque eu declarei guerra logo após a morte dela. – Encerrou.

Rachel: Incrível... É mais burra do que eu pensava. – Disse, e Finn ergueu as sobrancelhas. O modo como Rachel via as coisas era subjetivamente hilário. – Não, é sério. Perdoe se ainda o ofende, mas ela teve o final que mereceu.

Finn: Não ofende. – Disse, suspirando – É por isso que as vezes eu me paro e te pergunto se você realmente quer estar comigo, se eu não a estaria forçando. No inicio cheguei a pensar que uma mulher não poderia se aproximar de mim por livre vontade, e que tu só estavas comigo, que só se submetia em minha cama porque eu a obrigava. – Rachel esperou por um instante.

Rachel: Está me chamando de burra? – Perguntou, erguendo as sobrancelhas, e ele riu gostosamente.

Finn: Longe de mim. – Ele beijou o bico que ela fez – Agora você sabe tudo. – Rachel deitou o rosto no peito dele de novo. Passaram-se alguns instantes até ele falar novamente – Já pensou que um dia podemos ter bebês?

Rachel: Penso sempre. – Disse, sorrindo – Bebês turrões como tu. – Brincou, e ele a pegou pela cintura, pondo-a pra baixo, e a encheu de mordidas. Rachel gritou, rindo em seguida pelas cócegas.

Finn: Não sou turrão. – Rachel fez um “aham” debochado, que fez ele mordê-la mais ainda. Ela gritou novamente, se encolhendo debaixo dele – Você acha... Acha que o que eu fiz antes nos prejudicou? – Perguntou, o rosto sério. Ela sabia do que ele estava falando. Já pensara nisso.

Rachel: Não. Só não chegou o momento certo ainda. – Finn ergueu a sobrancelha – Finn, eu conheço aquela erva. Ouvi minha mãe comentando sobre ela várias vezes. Não causa dano. Não chegou o momento ainda – O rosto dele ficou menos tenso – O que significa que nós temos que continuar tentando. – Sussurrou, atrevida. Ele ergueu as sobrancelhas, sorrindo, e viu que ela sorria, travessa, mordendo o lábio.

Finn: Feiticeira. – Acusou, tomando-a no braço e ela riu, mas não durou muito porque ele a beijou, fazendo-a suspirar, satisfeita. Ela o acolheu dentre as pernas, as mãos passeando pelas costas (machucadas de unha) dele, enquanto os lábios se consumiam. E aquilo levaria a noite toda.