Jomal
23 Capítulo 37
Amanheceu. Durante a madrugada, enquanto Rachel dormia Finn se levantou, pondo mais 4 pedaços de lenha no fogo que morria. Logo as chamas estavam vivas novamente. A chuva se acalmou um pouco pela manhã, travando uma batalha com o vento forte. Dentro da cabana as tochas haviam apagado, restando só a lareira. Rachel estava deitada no peito de Finn, de costas pra ele, que a abraçava firmemente com os dois braços. Os dois olhavam os fogo, quietos, apenas se sentindo.
Rachel: Nós podemos ficar aqui. – Disse, se aninhando a ele – Para sempre. Ficar velhinhos juntos. – Disse, manhosa.
Finn: Nosso “para sempre” aqui não ia durar muito. Iríamos morrer de fome. – Lembrou, e sorriu com a careta dela – Mas nós vamos ficar velhos juntos. – Prometeu, beijando a orelha dele.
Rachel: Vão dar por nossa falta logo. – Comentou, franzindo o cenho.
Finn: Amor, já deram por nossa falta há horas. – Corrigiu e ela riu, se virando pra ele, ficando deitada de barriga pra cima em seu peito. Ele tirou o cabelo dela do rosto, acariciando-a.
Rachel: Eu amei ter fugido com você. – Ele sorriu.
Finn: Mesmo com nosso pequeno banho no rio? – Brincou, ela revirou os olhos.
Rachel: Principalmente por nosso banho no rio, é claro. – Ele riu, inclinando o rosto para beijá-la.
Ele a abraçou com força, expulsando o ar que ela tinha nos pulmões, o que a fez rir dentro do beijo. Ele rolou com ela pela cama, pondo-a pra baixo, e a encheu de beijos mordidos, fazendo-a gritar pelas cócegas. Quando eles saíram, por fim, da cabana, já havia amanhecido. A chuva perdera para o vento, e o tempo estava frio. Os dois caminharam tranquilamente pela volta. Ao chegar no rio, com sorte, a correnteza havia baixado um pouco, revelando o caminho de pedras. Eles tiveram que molhar os pés ao passar, mas nada que incomodasse demais. Ao chegar no castelo..
Finn: Bom dia. – Disse, entrando na cozinha pela entrada dos funcionários. Tinha a mão dada com Rachel. A cozinheira e Nina olharam, se curvando em seguida. A expressão do rosto de Nina ficou, se era possível, ainda mais fechada. Ela observou as roupas dos dois: Finn de capa, a camisa e a calça amassados, os cabelos arrepiados, e Rachel com a capa fechada (para ocultar a camisola), os cachos soltos pelos ombros, levemente aerados pelo vento. Ambos descalços. – Onde estão os outros?
Cozinheira: Tomando café, senhor. – Respondeu.
Finn: Ótimo. – Disse, virando o rosto para olhar Rachel, que sorriu – Com licença. – E saiu com ela.
Eles se despediram com um beijo no corredor do quarto dela, cada um tomando seu rumo. Rachel, feliz e satisfeita, quase saltitante, entrou no quarto, tirou a capa e foi direto para o banho. Parou em frente ao espelho após tirar a camisola, se olhando: Seu corpo estava TODO marcado. Marcas de boca, de mão, de unha, de tudo. Mas ela sorriu. Tomou um banho quente e demorado na banheira, e seus pés doeram quando ela saiu; Havia corrido feito uma condenada pela floresta, as pedras do rio, tudo... Descalça. Os pés tinham roxos e até uns cortes. Ela se penteou, vestiu outra camisola e se deitou, feliz, em sua cama. Cansada. Exausta. Morrendo. Mas ainda podia sentir o perfume dele na pele, e só isso lhe bastava.
Finn por sua vez tomou um banho normal, rápido, sorrindo as vezes ao se lembrar de passagens da noite anterior. Ao sair do banho constatou que seus pés também estavam em um estado deplorável, com direito a uma lasca de madeira presa na pele, que ele retirou. Ele se vestiu, se penteou, e quando se sentou para resolver como faria para se calçar... Se descobriu exausto. Riu consigo próprio, passando as mãos nos olhos, e decidiu que poderia se atrasar um pouco pro café. A pobre Rachel havia dormido apenas uma hora quando seu sono foi interrompido.
Quinn: Qual o problema com seus pés? – Perguntou, parada, aos pés da cama, olhando os as solas dos pés de Rachel. Rachel gemeu, se encolhendo.
Santana: Acorde e brilhe, estrelinha. – Disse, se encostando na cama.
Rachel: Pelo amor de Deus. – Murmurou, cobrindo o rosto com os braços. Pelo menos os braços não tinham marcas... Só os pulsos.
Kristen: Não seria melhor pedir uma salmoura? – Perguntou, avaliando.
Rachel: Não é nada, gente. – Disse, suspirando e abrindo os olhos. Kristen e Quinn se sentaram. Santana ficou de pé.
Santana: É, não foi nada, ela só fugiu para Deus sabe onde descalça. – Disse, prendendo o riso.
Rachel: Sant, porque não se senta conosco? – Perguntou, observando. Santana estreitou o olhar e Rachel sorriu, satisfeita.
Santana: Estou bem de pé. – Agradeceu. Rachel ergueu a sobrancelha, esperando. Santana respirou fundo e se sentou nos pés da cama... Porém com uma dificuldade notável. Rachel riu.
Rachel: Fala de mim e é igual. – Acusou, e Santana riu também.
Santana: Há uma diferença entre nós: EU sou casada. – Disse, fazendo as três rirem.
Rachel: Me deixem dormir. – Disse, derrotada, se afundando nos travesseiros.
Quinn: A costureira está ai. Você esqueceu, mas tem prova do vestido hoje. Mas pelo visto mandarei dispensarem ela por hoje. – Disse, observando as marcas no pescoço e colo de Rachel – Nós não queremos um escândalo. – Assinalou, debochada.
Resultou que Rachel não conseguiu voltar a dormir. Se contentou em saber que dormiria a noite. Porém ela não sabia o que a noite reservava. Estavam todos na sala de estar, conversando antes do jantar, quando Sam entrou na sala. Estava mais pálido que o normal.
Sam: Santana desapareceu. – Anunciou, em um silvo, alertando a todos os outros na sala.
—--*
Puck: Não pode ter sumido do nada para o nada. – Disse, mas já estava na defensiva. Nada de bom viria do sumiço de Santana.
Sam: Ela me pediu licença para voltar ao quarto antes do jantar, para descansar. Ela sempre faz isso. Eu dei permissão. Ela foi. Há 3 horas. – Ele rosnou – Voltei para chamá-la e a cama nem sequer fora desfeita. – Sam tinha uma aparência doentia – Eu já revirei o castelo inteiro. Ela não está.
Finn: Muito bem. As propriedades são enormes, ela pode estar em qualquer lugar. – Disse, se levantando. Ele colocou o rosto no corredor, gritando por alguém – Ela deve estar em algum lugar.
Sam: É bom que esteja. – Rosnou, olhando o chão.
Um homem apareceu na porta e Finn deu a ordem para que se reunisse o maior numero de homens possível e dessem uma batida na propriedade atrás de Santana. Foi feito. Rachel pediu licença e foi aos tropeços até o quarto de Suri, mas a menina se aprontava para jantar. Rachel lhe disse que jantaria no quarto hoje, e que não era pra sair em hipótese alguma, gritando a plenos pulmões se precisasse de algo. Quando ela voltou todos já estavam alvoroçados... E o pior, na sala de armas. Quinn estava com Kristen em um canto, quietas. Finn e Puck mexiam em algo em um armário, e Damon olhava papeis em cima de uma mesa. Rachel se aproximou de Finn e assentiu, garantindo que Suri estava bem. Sam era o pior: Respirava aos ofegos, andando de um lado pro outro.
Damon: Nós não estamos prontos para uma ofensiva agora. Vamos vencer, mas a que custo? – Disse, a voz baixa, olhando os papeis.
Sam: Eu simplesmente não me importo. – Disse, debochado.
Rachel: Finn. – Disse, segurando a mão dele. A gaveta com as adagas dele, de prata com “FH” cravadas no punho estava aberta. A adaga que ela havia perdido já havia sido reposta – O que vai fazer? Vai atacar Jesse? Hoje? – Perguntou, atordoada. Seu coração latejava. Finn assentiu, os olhos focados em algo que ele mexia na gaveta – Mas Damon disse que não estão prontos. – Disse, atordoada.
Puck: Se Santana realmente sumiu iremos ainda assim. – Disse, puxando uma espada de dentro do armário. Não era a dele, mas Rachel tinha a breve impressão de que ele não deixaria Quinn sem guarda – Somos família agora, Rachel.
Damon: Que nós vamos é um fato, mas temos que ter pelo menos uma rota. Sejam racionais. – Disse, e todos sabiam que ele tinha razão.
Sam: Eu tenho uma rota. – Disse, virando o rosto. Parecia doentio. Principalmente por ter uma adaga na mão. Rachel recuou um passo inconscientemente. – Eu vou sair e vou buscar minha mulher. Vou matar todos e cada um que se colocar no meu caminho, até encontrá-la. – A desgraça era que ele estava falando sério.
Puck: Gostei disso. – Disse, pensativo – Rápido, pratico, simples de memorizar. – Disse, debochado.
Finn: Realmente, adorável. – Finn não gostava de matar, seja qual fosse a ocasião. Ele se virou para Rachel, retirando duas adagas do estojo na gaveta. O tom de voz dele era só para ela – Deixarei você com Suri, e as outras. Fique com isso, esconda como puder. Haverá guarda, mas se chegar a hora, se defenda. Não há nada bonito em matar uma pessoa, Rachel, mas faça isso se for preciso. Me prometa. – Disse, olhando-a, e ela assentiu. Ele entregou as adagas a ela, beijando sua testa em seguida. Então um soldado entrou.
Soldado: Senhor. – Todos olharam – Terminamos a busca. Sua alteza não está em lugar algum. – Sam sorriu de canto, assentindo.
Puck: Preparem as tropas. Lançaremos uma ofensiva agora. – O soldado arregalou os olhos mas assentiu, se retirando.
Sam: Se ele tiver tocado nela... Eu vou retalhar o reino dele até que chova sangue. – Disse, olhando o chão, ainda com aquele sorriso estranho – Se ele tiver tocado nela, essa guerra acaba hoje. – Encerrou, saindo da sala, provavelmente para se armar.
Todos iam sair (Finn levando Rachel pelo braço para trancá-la), quando ouviram um barulho. Um barulho forte, de coisa pesada caindo no chão. Todos se imobilizaram imediatamente. Puck passou o corpo na frente do de Quinn, protegendo-a. Finn imitou o gesto. Sam franziu o cenho, voltando pelo corredor.
Damon: Em nome de Deus, ninguém vai ver o que foi? – Perguntou, revirando os olhos. Sam passou a frente, avançando. Porém, quando todos pararam na porta da sala de jantar...
Santana: Estou perdendo alguma festa? – Perguntou, parecendo divertida, vendo todos parados, e desamarrando uma capa que tinha nos ombros.
Damon: Graças a Deus. – Murmurou pra si próprio, sumindo no corredor, provavelmente pra retirar a chamada do exercito.
Sam: Onde você estava? – Perguntou, em um silvo furioso, partindo pra cima dela.
Santana arregalou os olhos e recuou. Puck passou a frente, junto com Finn, contendo Sam.
Puck: Calminha, campeão. – Disse, empurrando Sam de volta pro lugar.
Sam: Olhem como está vestida! – Santana tinha o cabelo preso em um coque elegante, e usava um vestido tomara que caia, de veludo preto, fora luvas que iam até depois do cotovelo. Estava linda, mas para aquela época era quase indecente. Tomara-que-caia era moderno demais, ainda polemico na época, e os seios fartos dela formavam um decote chamativo – Santana... – Ele respirou fundo – Onde você foi? – Rosnou. Mas...
Rachel: Mãe? – Chamou, vendo o corpo caído nos pés de Santana. Era uma mulher, obviamente, mas estava de costas, deitada no chão.
Finn: Mãe? – Repetiu, olhando Rachel. Shelby havia se sentado quando ele olhou novamente. Os traços, a semelhança, a cor dos olhos... Era evidente demais. – Mãe. – Disse, erguendo as sobrancelhas. Então caiu na real – Perdoe-me. – Ele se abaixou, ajudando a mãe de Rachel a se levantar. Santana sorriu, satisfeita.
Sam: Santana, o que é isso? – Perguntou, tentando respirar. Puck ainda o segurava. – Porque está vestida desse modo?
Santana: Um presente de casamento. – Disse, obvia. Então se virou para olhar Rachel, que abraçava a mãe. Rachel a encarou, os olhos mareados, pelo ombro de Shelby – Em nome dos Lopez. – Disse, assentindo com a cabeça.
Sam: Deus, não permita que eu mate ela. – Pediu, em um sussurro. Puck riu gostosamente – Voltou até lá sozinha?
Santana: Querido, não faça perguntas estúpidas. Você conhece a resposta. – Disse, piscando pra ele.
Sam: Alguém viu você? – Perguntou, respirando fundo novamente.
Santana: Ninguém que tenha sobrevivido para contar. – Disse, com um sorriso encantador.
Sam: Menos mal. – Ele passou a mão no rosto, tentando se acalmar.
Kristen: Como deixaram você passar pelas fronteiras? – Perguntou, franzindo o cenho.
Santana: Como se eu tivesse permitido que alguém me visse. – Disse, divertida com a idéia. Kristen e Quinn riram. Damon voltou, e Kristen a abraçou.
Rachel: Está tudo bem agora, mãe. – A voz de Rachel estava rouca – Veja. – Ela se separou da mãe, revelando Finn atrás dela. Finn teve o breve impulso de correr, mas o controlou. Estava nervoso e nem sabia porque. – Este é Finn. Agora meu noivo. – Disse, sorrindo.
Shelby olhou Rachel, os olhos observando-a, e logo após Finn... Então ela se curvou em reverência.
Finn: Não, por favor. – Impediu, e ela o olhou – Estou encantado em conhecê-la. – Disse, apanhando a mão dela e beijando-a. A mãe de Rachel parecia ter perdido a voz.
Santana: Adoro finais felizes. – Disse, sorrindo e cruzando os braços. A mãe de Rachel se sobressaltou ao ouvir a voz dela.
Sam: Eu ainda não decidi seu final, não o comemore. – Disse, e ela suspirou.
Rachel: Está assustada? – Perguntou, só pra mãe ouvir, e ela negou educadamente com a cabeça.
Santana: Ela está com medo de mim. – Observou, franzindo o cenho. – Tudo bem, ela se assustou e não quis vir, eu não tinha tempo então a trouxe a força. Os meios justificam os fins. – Assinalou.
Rachel: São amigos, mamãe. – Tranquilizou. Shelby assentiu.
Santana: Não houve tempo antes, mas... Eu sou a rainha Santana Lopez. NY, Estados Unidos. – Se apresentou – Este tentando me matar é meu marido, Sam. – Shelby arregalou os olhos.
Puck: Puck. – Se apresentou – Mystic Falls, Virginia. Esta é minha esposa, Quinn. – Disse, e Quinn assentiu.
Damon: Você está em Mystic Falls? – Perguntou, franzindo o cenho. Sam ainda fuzilava Santana.
Puck: Faz anos. – Disse franzindo o cenho, e virando o rosto – É o melhor ponto em toda a Virginia. – Justificou.
Kristen: Sou a rainha Kristen, de Forks, Washington. – Disse, meio tímida. Damon sorriu – Esse que resolveu discutir geografia no momento mais inoportuno é meu marido, Damon Salvatore. – Damon e Puck riram.
Rachel: Está segura, mamãe. – Ressaltou. Shelby parecia ainda mais branca.
Sam: Santana, vá para o quarto. – Ordenou. Santana ergueu as sobrancelhas – Foi uma ordem. – Ressaltou.
Santana: Sam, você está sendo infantil. – Ressaltou.
Sam: Agora. – Santana revirou os olhos e saiu, após cumprimentar os outros.
Shelby: Não me deu tempo de trazer nada. – Disse, preocupada. Santana a trouxera apenas com a roupa do corpo.
Finn: Não se preocupe com isso. Tudo será providenciado. – Shelby pareceu empalidecer ainda mais com Finn se dirigindo diretamente a ela. Ele tocou o ombro de Rachel, que o olhou – Vou mandar prepararem um quarto para ela, sim? – Rachel assentiu. Ele lhe beijou a testa e saiu.
Shelby: Então os boatos eram mesmo verdade. Vais casar com o rei. – Rachel sorriu, radiante.
Sam: Com licença. – Disse, e ia saindo.
Rachel: Sam. – Sam se virou, os olhos castanhos parados nela. Shelby observou – Eu quero interceder por Santana. – Sam ergueu uma sobrancelha, voltando.
Sam: Interceder por ela? – Repetiu.
Rachel: Ela fugiu por mim. Para salvar minha mãe, e sou grata. – Falar com Sam naquele estado a deixava nervosa – A intenção foi boa. Quero rogar por ela.
Sam: Porque se importaria? – Sondou, observando-a.
Rachel: Porque ela é minha amiga. – Rebateu. Sam ergueu as sobrancelhas – E porque ela intercedeu por mim na hora da minha morte. – Shelby olhou Rachel, franzindo o cenho – Por favor. – Sam a observou por um instante.
Sam: Gosto da sua atitude. – Assinalou. Sam valorizava a gratidão, e principalmente a amizade. – Não se preocupe. Nada acontecerá a Santana.
Rachel: Obrigada. – Sam assentiu e saiu. Rachel suspirou.
Puck: Não se preocupe. – Disse, olhando-a – Ele é louco por aquela mulher. Dois gritos depois estará nos braços dela. – Rachel sorriu.
Quinn: Puck! – Ralhou. Kristen e Damon riram.
Kristen: Bom, vamos deixar vocês a sós. Se precisar de qualquer coisa... – Rachel assentiu. Todos saíram.
Shelby: O que foi isto? – Perguntou, aparvalhada.
Rachel: Vou explicar tudo, mamãe. – Disse, abraçando a mãe de novo – Está tudo bem agora. Pelo menos dessa vez a história se desenrolou sem briga. Dessa vez.
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