Jomal

36 Capítulo 50


Semanas depois... Chord e Rosalie cresciam a pleno vapor, saudáveis, e Rachel era feliz em todos os sentidos. Menos por um: A guerra parecia cada vez mais próxima. O estado de humor de Santana, cada vez mais calada, avisava que não demoraria muito.

Santana: Comentarão essa guerra por anos. Escreverão livros e contarão histórias sobre ela. – Disse, observando o treinamento dos soldados. Rachel, Kristen e Quinn estavam com ela, na torre de Rachel. – Os nomes dos guerreiros que lutaram nela permanecerão pela eternidade. – Disse, contemplando. Haviam soldados treinando ao perder de vista.

Kristen: Não está preocupada? Por Sam? – Perguntou, os olhos aflitos em um homem no meio dos soldados, observando tudo, totalmente desarSanto. Os cabelos dele eram de um bronze claro.

Santana: Não. Veja como ele se diverte. – Disse, deixando a cabeça cair pro lado, sorrindo carinhosamente, observando. Sam tinha as mãos as costas, calado, olhando tudo – No fundo ele anseia que o momento chegue.

Quinn: Anseia por matar? – Perguntou, erguendo a sobrancelha.

Santana: Anseia pela vitória. Pela glória. O nome de Sam sempre esteve dentre os grandes, e essa guerra ganhou proporções que o agradam. – Disse, dando de ombros. Rosalie deu um gritinho no carrinho, e Santana virou o rosto, sorrindo – O que há? – Perguntou, sorrindo. A menina riu. Santana foi até o carrinho, apanhando-a no colo. Rachel não deu atenção. Olhava Finn. A amizade entre Rosalie e Santana era curiosa, porém cresceu de modo natural, aos poucos. As duas se conheceram e se amaram. A parte curiosa é que Santana não gostava de crianças. Parecia que não conseguira manter Rose longe.

Rachel: Ganhou proporções? – Repetiu, e Rosalie apertou o nariz de Santana, que riu.

Santana: Cresceu. – Explicou – Como com fermento. Você não sente? Começou por uma vingança idiota, então cresceu, cresceu... E estamos com uma granada, prestes a explodir. – Ela arregalou os olhos pra Rosalie, brincando – Não sejam tolas em pensar que Jesse não está se preparando, todo esse tempo. Se armando, conseguindo aliados. Uma granada. – Repetiu.

Kristen: Chega. – Disse, nauseada.

Santana: Ka-bum! – Rosalie riu, batendo palminha – É, kabum, bebê linda.

Rachel: Sem “kabum”, Rosalie. – Ralhou, mas prestava atenção nos soldados.

Santana: Não sejam tolas. Quando chegar o momento, eles atacarão, nós venceremos. – Disse, pondo Rosalie no berço – Se Jesse atacar antes, estaremos prontos, e venceremos. Simples.

Só que ocorreu dias depois. Puck não dormira. Quinn conseguira até ele, e ele quase lhe quebrou o pescoço. Ela estava deitada sozinha em seu quarto, ele no de hospedes. Damon tinha Kristen nos braços, ambos dormindo. Sam e Santana dormiam de conchinha, ele com o rosto afundado no ombro dela, ambos com os dedos enlaçados. Finn dormia com a cabeça no colo de Rachel, que o abraçava pelos ombros, os cabelos caídos a sua volta. Devo acrescentar que nenhum dos casais estavam de roupa.

Então houve um barulho ensurdecedor. Ainda amanhecia, o seu cinzento, e o sino caiu, quase em câmera lenta, o objeto enlouquecedoramente grande quebrando os tijolos da construção, caindo no vazio, batendo no chão com um baque absurdo. Rosalie e Chord desataram a chorar, assustados. Finn já havia pulado da cama. Sam idem. Santana olhava pra frente. Kristen gemeu quando Damon saiu da cama. Puck, que tinha a vantagem de já estar vestido, passou pra fora do quarto correndo.

Soldado: Senhor. – Disse, desesperado. Sam chegou ao mesmo tempo, e então Damon estava lá. – Eles estão por toda a parte!

Sam: Por onde eles invadiram? Porque vocês não detiveram? – Perguntou, exasperado.

Soldado: Dormindo. Todos dormindo, na fronteira. Vieram em silencio, ninguém deu o alarme. Havia alguma coisa na comida, eu não sei, todos que jantaram estão desmaiados, dormindo. – Avisou. – Jesse está com eles. Eu o vi, senhor.

Damon: Nina. – Ninguém contestou.

Sam: Eu vou entregar ela a Santana e não vou ter pena, juro por Deus. — Disse, respirando fundo.

Então alguém atingiu o soldado por trás, a espada transpassando sua armadura. O homem estava morto antes de bater no chão. O atacante partiu de espada na direção de Sam, que esquivou, e Puck passou por cima do soldado morto, quebrando o pescoço do atacante, que caiu no chão. Outro soldado chegou atrás deles.

Sam: Nós já sabemos. – Cortou.

Finn: Eles estão aqui dentro? – Sibilou, vendo os dois corpos no chão. O soldado assentiu, ofegando. – Como?!

Sam: Depois, Finn. – Ele se virou pro soldado – Eu quero todos os homens armados pra batalha na formação treinada agora. Tirem esses vermes de dentro do castelo.

Finn: Suri. Armem a porta do quarto de Suri. De Rachel, e Santana, e Quinn, Kristen, e da mãe de Rachel. Protejam-nas. – Disse, tentando pensar.

Puck: Agora. – Silvou. O soldado saiu correndo. Já haviam gritos de briga dentro do castelo, pelos corredores. Todos saíram correndo, sem dizer nada, para se armar.

Chegara a hora, mas era o caos: A guerra estava dentro do castelo.

Uma vez que anunciada, a guerra emanava no ar. As tropas de Sam foram as primeiras a entrar em combate, seguida pela da de Puck. Os reis se preparavam. Porém, cada um em seu clima.

Finn: Ei, ei, ei. – Disse, indo até Rachel. Já estava completamente armado – Carinho, shh. – Rachel tremia, encolhida – Não é nada. Vai passar.

Rachel: Eles estão aqui dentro. – Murmurou, a voz tremula – Eles vão te machucar.

Finn: É claro que não vão, ei! – Disse, tranquilizando-a. Não tinha tempo agora – Me dê alguns pares de horas, então eu vou voltar, e tudo terá terminado.

Rachel: E se ele te... Finn, e se você morrer? – Perguntou, branca de pavor. Ele sorriu.

Finn: Eu não vou, acredite. Não vou a lugar algum sem você. – O barulho de uma nuvem de flechas que se seguiu não acalmou Rachel – Eu preciso ir. Voltarei antes do que imaginas. Vou matá-lo, Rachel. – Havia alegria nos olhos de Finn. Como podia? – Hoje tudo acaba.

Ela o beijou, os lábios frios de medo, mas não durou muito. Ele teve de ir. Rachel se pôs a rodar pelo quarto. Rosalie e Chord estavam inquietos. Ela apanhou o primeiro vestido que achou, branco e roxo, e o vestiu. Por favor, Finn, por favor, volte... Em outro quarto... Ninguém dissera a Suri o que estava ocorrendo. Só que ela não podia sair. A menina não contestou. Então houve um barulho de briga do lado de fora, e a porta foi estourada. Um homem alto, de olhos verdes, parou no portal, olhando-a.

Suri: Quem é você? – Perguntou, recuando por instinto – Meu pai não quer que ninguém entre aqui, saia!

Jesse: Aberração. Eu estava certo em vir a você primeiro. – Murmurou, cheio de nojo. Ele se aproximou e Suri recuou mais ainda, os olhos inocentes arregalados – Seus olhos... Lembram os olhos dela. Como se atreve?!

Suri: Os olhos dela quem? – Haviam homens caídos na porta. Havia sangue. Suri estava com medo – PAPAI! – Chamou, vendo o estranho se aproximar.

Jesse: Ah, teu pai está longe. Mas não tão longe quanto tua mãe. Você a matou. – Acusou.

Suri: Mentira. – Ela havia começado a chorar. Estava com medo.

Jesse: Ela te odiava. Tinha nojo de ti. Não a quis em nenhum momento. – Disse, e Suri soluçou. A menina ainda usava camisola, descalça, os cabelos soltos – Sua mãe me amava, e você estragou tudo. Você a matou. – Disse, agora próximo demais.

Suri: Mentiroso! Minha mãe amava meu pai, assim como minha mãe Rachel ama! – Ou pelo menos essa era a história que lhe contaram. Jesse riu.

Jesse: Rachel? Sua mãe? – Perguntou, se divertindo com o pavor nítido da menina.

Suri: Sim. Rachel é minha mãe. – Disse, secando o rosto com o punho – E eu tenho dois irmãos. Chord e Rosalie. E você não é bem vindo!

Jesse: Aberração. Eu prometi a sua mãe, a sua verdadeira mãe, que faria isso. Demorei, mas vou cumprir minha promessa. – Então a mão de Jesse agarrou o pescoço de Suri, estrangulando-a. A menina arregalando os olhos, tossiu, agarrando a mão que a asfixiava. – Eu estou cumprindo, minha Dulce. Estou matando o monstro. – Disse, mais pra si próprio, apertando a mão. Suri estava ficando branca, o rosto molhado pelas lagrimas, sem conseguir respirar. Mais um pouco e...

Santana: Eu não faria isso se fosse você. – Disse, a voz cortando o quarto como um punhal. Jesse soltou Suri, por reflexo, que caiu, segurando o pescoço, tossindo.

Santana estava parada na porta, vestida com um vestido negro luxuoso, os cabelos caindo, negros, até a cintura, os olhos parecendo um poço preto, opaco, sem fim, a pele branca feito papel. Jesse se virou, reconhecendo-a.

Jesse: De novo você. O que, vai chamar o maridinho de novo? – Debochou.

Santana: Suri, vá para debaixo da cama. Só saia quando eu mandar. – Ordenou, sem deixar de encarar Jesse. Suri rolou pra debaixo da cama imediatamente, ainda tossindo. Santana deu um passo pra dentro do quarto – Eu tenho um problema pra resolver. – Completou. Jesse se virou pra ela, preparado.

E ali estava, pronta, uma luta que resultaria épica.

Santana sumiu, como um borrão no ar, mas no segundo em que ia apanhar Jesse (Quebrando-lhe o pescoço) ele desviou. Ela se viu de cara com a parede. Se virou pra ele, o cenho franzido.

Santana: Não pode ser. – Murmurou, olhando-o. – Você não pode estar aqui. Não foi convidado a entrar. – Especulou, os olhos negros insondáveis. Jesse riu.

Jesse: Não, eu não sou uma anormalidade. Sou normal. Apenas tenho bons reflexos. – Se aquilo foi só reflexo, Finn teria problemas – Os únicos monstros que vivem aqui, que eu saiba, são você e o seu amiguinho, Damon.

Santana: Como sabe tanto? – Perguntou, enojada.

Jesse: Você matou minha mãe, Santana Lopez. É claro que eu ia querer saber quem eu ia ter que enfrentar. Ia mesmo procurar você, assim que terminasse com a aberração que está tossindo debaixo da cama. – Ele deu de ombros.

Santana: O que faria de você um tolo. – Silvou, raivosa.

Jesse: Mas falando em aberração... Ai está você. E o que você é. – Ele a olhou, com nojo – O que você faz. Na floresta. Com Damon. Ah, eu vi. – Ela ergueu a sobrancelha – Tive ânsias.

Santana: Pior só gente que entra no quarto de crianças, inocentes e indefesas, atacando-as para compensar o fato que é um completo fracassado. Há beleza no que sou, pessoas já se ajoelharam perante a mim por isso, mas você... – O deboche era claro — Se sabe o que eu sou, sabe o que vou fazer com você, e ainda assim está parado na minha frente, falando. – Ela deixou a cabeça cair pro lado.

Jesse: Não tenho medo de você. – Disse, sorrindo. O sorriso dela em retorno foi deslumbrante.

Santana: Não sabe o que eu já vi. Não sabe o que já fiz. Não sabe o que sou capaz de fazer. – Sussurrou – Eu vou lhe ensinar sobre medo.

E ela partiu pra cima dele, um rosnado alto subindo por seu peito. Suri, que via por debaixo da cama, viu a cauda do vestido de Santana sumir do chão, como se ela tivesse pulado, e o par de botas sumir logo depois. Em seguida estampidos, baques, o barulho de pano rasgando. Os dois eram apenas um borrão preto rodopiando pelo quarto, se batendo em coisas, quebrando-as, e então a mão do homem apanhou o bracinho dela, puxando-a com força pra fora da cama.

Santana: Tire as mãos dela. – Grunhiu, e Suri viu o que fora o barulho do pano: Ele puxara o tecido do vestido dela, para derrubá-la. Ela tinha reflexos impecáveis e evitou a queda, mas agora as camadas de renda grafite aparecendo, o vestido destruído. – AGORA!

Jesse: Como queira. – Mas ele não largou Suri; Ele a jogou. A testa da menina bateu com toda a força no chão e ela gritou, soluçando em seu choro. Santana já havia saído na mão com Jesse novamente.

Ela era forte, rápida, mas ainda era mulher. Ainda assim conseguiu apanhá-lo pela gola da camisa, erguendo-o e lançando-o no chão. O barulho foi estrondoso. As mãos buscaram o pescoço dele, mas ele a puxou, lançando-a no chão ao seu lado, e ela rolou, logo recuperando o equilíbrio. Se Sam visse o modo como Jesse chutou Santana em seguida, fazendo-a cambalear pra trás, Jesse não viveria pra mais uma respiração. Apesar do pontapé que recebera ela partiu pra cima dele, e conseguiu cravar os dentes na curva do pescoço dele. Jesse grunhiu, logo gritando, tentando empurrá-la. Caiu de joelhos. Santana não engoliu uma gota do sangue, mas destruiu tudo que seus dentes puderam alcançar. Porém outro cheiro a alcançou antes que ela pudesse terminar. Sangue novo, limpo... Em grande quantidade. Santana ergueu o rosto (O queixo banhado em sangue, assim como os lábios) e viu Suri caída, a testa lavada em sangue.

Jesse rastejou pra longe de Santana, aproveitando a distração dela, segurando o pescoço que doía horrivelmente.

Santana entrou em batalha consigo própria: Suri estava morrendo e Jesse estava fugindo. Matá-lo ou salvá-la? Suri gemeu, fraca, e Santana assentiu. Não cabia a ela a morte de Jesse, lamentavelmente. Ela deu as costas, deixando o verme rastejar pra fora, e foi até a menina. Rasgou um pedaço do vestido destruído e limpou a testa de Suri com cuidado. O sangue fluía por debaixo do cabelo da menina.

Santana: Ei. – Disse, apanhando outro pedaço de pano, pondo-o em cima do corte. Suri gemeu com a pressão – Consegue me ver?

Suri: Minha cabeça está doendo. – Gemeu, sem abrir os olhos.

Santana: Eu sei. – Disse, sentindo o tecido se molhar sob seus dedos – Respire fundo. Não deixe que o sono a leve. – Suri assentiu – Inferno. – Rosnou consigo própria, frustrada.

Só que, ao deixar Jesse fugir, Santana estava preocupada demais pra notar que não o ferira o suficiente para aleijá-lo; ele ainda andava. E tinha vários outros alvos ainda dentro do castelo.