Jomal
21 Capítulo 35
O dia estava frio. Todo o reino estava reunido em frente ao castelo. Um palco fora montado em frente as escadarias. Haviam 8 tronos ali. Os primeiros a chegar foram Damon e Kristen, seguidos por Puck e Quinn, logo por Finn, por ultimo Sam e Santana. Apenas um trono ficou vazio. A cada vez que alguém chegava, todos se curvavam. Finn, sentado no trono do centro, tinha um sorriso de canto no rosto. Todos aguardavam, sem fazer idéia do porque haviam sido convocados ali. Até a guerra havia parado para esse anuncio; Apenas permaneceram guardas nas fronteiras . Finn quis o máximo de pessoas possíveis.
Suri: Estou nervosa. – Disse, passando a mão no vestido. Seu vestido era rosa, delicado, e as luvas eram de renda branca. Ela estava pálida.
Rachel: Não vejo porque. Está linda. É a princesa. – Disse, dando de ombros. Suri sorriu. Rachel usava seu vestido de criada, cinza e branco, e tinha os cabelos presos no tradicional rabo de cavalo baixo. Ela puxou a aba do vestido de Suri, olhando as sapatilhas brancas, delicadas – O sapato está machucando? – Perguntou, e Suri negou – Sente algo?
Suri: Fora a vontade de sair correndo? – Perguntou, apertando as mãos, e Rachel sorriu, beijando-lhe a testa.
Rachel: Vai ficar tudo bem. – Prometeu – Eu vou lá fora espiar pra você, certo? – Suri assentiu, ansiosa.
Rachel sorriu, caminhando até a plataforma, pela lateral, espiando escondida pela sombra do trono de Kristen. Ela arregalou os olhos. Havia gente até o horizonte, de todos os lados, pessoas paradas, olhando. Ela tentou contar, mas não havia como. Até a linha do horizonte, e além, haviam pessoas. Ela respirou fundo, procurando se acalmar. O reino todo estava ali, era gente demais, não cabia no alcance dos olhos. Ela olhou para Finn, mas ele olhava para frente. Rachel observou. Era a primeira vez que via Finn usando a coroa. Ela sabia que, se estivessem a sós, ela riria dele. A coroa dele era de prata, com algumas pedras que ela não podia distinguir pela distancia, envolvendo a cabeça a partir da testa. Ela olhou em volta. Todos os reis usavam coroas. Diferentes, é claro, mas todos usavam. As rainhas também. As delas eram mais delicadas, cada uma a seu formato. A de Santana tinha diamantes cravados, Rachel reconhecia pela cor e pelo brilho. Se prendia na raiz dos cabelos negros, e era grande, bonita. Prendia a visão. Todos estavam muito bem vestidos. Santana de preto, como sempre. Quinn de vermelho e Kristen de azul turquesa. Os reis usavam ternos longos, negros, tudo muito luxuoso. Até que Finn se levantou. Havia uma pequena caixa preta no trono vazio ao lado dele. Rachel tropeçou de volta, correndo pra Suri.
Suri: E então? – Perguntou, ansiosa.
Rachel: Er... Vai ficar tudo bem. – Disse, tentando conter o rosto.
Suri: Venha comigo. – Pediu, agarrando a mão dela. Rachel arregalou os olhos.
Rachel: Não posso, está louca? – Perguntou, exasperada. Mas a voz de Finn soou. Silencio total se fez. Rachel olhou em direção ao “palco”. Finn estava de pé, bem na frente, com as mãos as costas, e todos observavam atentamente.
Finn: Creio que todos nós conheçamos as bases da guerra em que vivemos. – Começou, sério. – Há seis anos minha... – A boca dele amargou – Minha esposa, Dulce María, foi assassinada. Minha filha sobreviveu, porém jamais pôde andar. – Todos esperavam. Todos conheciam aquela história, onde ele queria chegar? – Eu tentei de tudo, desesperadamente, e me vi como um pai frustrado. Não consegui ajudá-la. – O silencio reinou – Quando eu achei que tudo estava perdido, entretanto, um raio de luz nos alcançou. – Ele sorriu consigo mesmo – Houveram controvérsias, problemas, desentendimentos, mas não se pode tapar o sol com a mão. A luz chegou até mim, até minha vida, até meu castelo... Até minha filha. – Ele sorriu novamente, e respirou fundo – Então hoje eu os chamei aqui pois tenho considerações e apresentações a fazer.
Suri se agarrou ao braço bom de Rachel, que nem sabia o que fazer. Era demais pedir a uma criança para encarar aquilo.
Finn: Em primeiro lugar, lamentavelmente com seis anos de atraso, eu quero lhes apresentar vossa princesa. – Ele se virou e franziu o cenho vendo Suri agarrada em Rachel. Rachel o explicou com um olhar e ele entendeu. Caminhou até a escadaria e estendeu a mão pra Suri, que não conseguiu se mover. Rachel apanhou a mão dela, levando-a até o pai. Suri pegou a mão de Finn, e respirou fundo, sorrindo. Um murmúrio começava a nascer entre o povo. Finn caminhou com Suri até a beira do palco, e um silencio violento se abateu – Esta é minha filha, Suri Marie Hudson, a princesa herdeira de meu trono. – Encerrou, e sorriu para filha.
Todos olhavam a menina de pé. Era um milagre. Então um rugido nasceu e a multidão estava gritando, batendo palmas, comemorando. Suri se assustou, mas ele a acalentou, e ela sorriu, se inclinando brevemente para agradecer os aplausos. Finn se afastou por um instante, apanhando a caixa negra e abrindo-a. Havia uma coroa ali. Pequena, delicada, mas ainda assim uma coroa. Rachel observava tudo. Quando Finn se voltou para Suri, levando a coroa, todos os reis e rainhas, ainda batendo palmas, se levantaram em reverencia. Suri sentiu a coroa delicada tocando-lhe os cabelos, e sorriu para o pai. Os aplausos aumentaram. Rachel batia palmas, sorrindo. Até que Finn pediu um pouco de silencio, e os aplausos cederam.
Finn: Por ultimo, mas não menos importante, eu quero lhes apresentar a luz. – Disse, sorrindo. Ele se virou e viu Rachel com os olhos arregalados, já com um passo atrás pra correr. Ele ergueu a sobrancelha pra ela – Minha noiva, futura esposa, e vossa futura rainha: Rachel Berry. – Ele estendeu a mão para ela. Rachel estava branca – Rachel, por favor. – Chamou. Rachel nem sentia as pernas, pra começar. Como aquilo havia ocorrido?
Rachel apanhou a mão dele, e se viu ser levada até a frente do palco. Estava gelada. Ele apanhou um anel delicado na caixa onde estivera a coroa. Havia um diamante cravado nele. Ele apanhou a mão direita dela, sorrindo de canto.
Finn: Você me prometeu uma vez que quando a guerra acabasse, se eu te repetisse esse pedido, você me diria sim. – Disse, e ela o encarou – Bom, nossa guerra acabou. – Disse, dando ênfase ao “nossa” – Case-se comigo, Rachel. – Pediu.
Ela o encarou por um instante, tendo mil coisas pra falar e não dizendo nada. Então apenas sorriu. Ele entendeu e a aliança fria deslizou pelo dedo dela. Finn beijou a mão dela, em seguida se afastando, segurando-a na palma da mão.
Finn: Vossa futura rainha. – Repetiu, mostrando a aliança recém colocada.
Houve um instante de murmúrio, então aos poucos todos se curvaram. Não perante a presença opressora de Santana e Sam, nem a de Finn; Se curvaram perante Rachel. Ela nem acreditava em tudo aquilo, mas o encarou e ele sorria. Suri, radiante, apanhou a outra mão dela, sorrindo. Parecia impossível, mas acontecera.
Naquele dia, mais tarde... Todos haviam comemorado o dia inteiro, com direito a muito vinho e champanhe. Suri adormecera há uma hora, cansada. Uma criada a levou para cama.
Rachel: Podemos subir? – Perguntou, aninhada no abraço de Finn. Ele a olhou, acariciando-lhe o cabelo, e assentiu.
Finn: Bom, com a licença de vocês. – Começou – Eu vou me retirar. Foi um longo dia.
Puck: É claro. – Disse, vendo Rachel se levantar com Finn. Parecia achar graça em algo.
Damon: Boa noite. – Disse, e uma mão fria apanhou Rachel pelo braço, afastando-a de Finn. Não se soube qual foi o olhar mais indignado: O dele ou o dela.
Finn: O que está fazendo? – Perguntou, erguendo a sobrancelha.
Damon: Você disse que ia dormir. – Lembrou. Sam riu gostosamente, pondo a mão na barriga.
Rachel: Eu... – Ela hesitou. Falar diretamente com um rei era uma completa novidade. – Eu vou com ele.
Finn: Pois é, ela vem comigo. – Disse, debochado.
Puck: Não, eu acho que não. – Disse, prendendo o riso.
Santana: Vamos, não torne isso tão obsceno. – Disse, enquanto Sam brincava com sua mão.
Finn: Eu não estou entendendo a piada. – Disse, se irritando. Tentou apanhar Rachel, mas Damon a tirou do alcance rapidamente.
Kristen: Ela é sua noiva agora, não sua esposa. – Lembrou.
Finn: E...?
Quinn: E... Que sendo sua noiva ela não pode estar em seus aposentos com você. – Disse, como o marido, prendendo o riso – Não até ser sua esposa.
Finn: Isso é brincadeira, não é? – Perguntou, lentamente.
Santana: Como eu disse, não torne isso tão obsceno. – Disse, sorrindo.
Sam: Vá dormir, Finn. – Aconselhou, tranqüilo.
Finn encarou Rachel, exasperado, mas ela piscou pra ele, muito timidamente. Ele se despediu de todos e saiu. Uma hora depois Rachel estava em seu quarto, não o de empregada, o outro, em seu banho. Ainda sentia o perfume dele, o calor de sua pele... E ela se aprontou, pondo a camisola e um hobbie. Apagou as velas, e saiu descalça, na ponta dos pés e rapidamente. Mas na curva do corredor...
Puck: Cuidado com a pressa. – Disse, parado, encostado na parede. Estava encostado preguiçosamente na parede – Pode cair em um corredor escuro. – Ele riu levemente – Evite acidentes, vá para o seu quarto, Rachel.
Rachel: Puck... – Apelou.
Puck: Nanana. Não no meu posto, nem no meu plantão. – Rachel suspirou – Farei um favor, mandarei avisar a ele que você não vai. Viu? Eu sou um anjo.
Rachel: ARGH! – Disse, e Puck gargalhou. Ela correu. Colocou tanta força que suas pernas doeram... Mas ele então, do nada, ele estava parado a sua frente, trancando o corredor. Ela ofegou pela breve corrida, derrotada – Estou indo, estou indo. – Disse, voltando pro quarto. Ele não poderia ficar lá a noite toda; era um rei.
Rachel esperou até a madrugada. Puck foi embora... Mas deixou um guarda. Não tinha jeito de sair. Ela olhou pela janela, mas era alto demais para pular. Finn quase matou a criada que foi lhe mandar o recado de Puck. Desceu para ir buscá-la, chegou a dispensar o guarda, mas Damon apareceu, e o levou. Por fim os dois dormiram, sozinhos e separados. Era o inferno.
Dias se passaram, e Rachel não conseguiu fugir. Finn estava, resumidamente, espumando. Ficou se sabendo do casamento de Belinda e Jesse. Apenas se soube que se casaram; o silencio sob esse fato parecia meio agourento.
Rachel: Mas por que eu não posso?! – Perguntou, indignada.
Kristen: Porque você será rainha. – Explicou, paciente.
Rachel: E ele será meu marido. – Rebateu.
Santana: Será, do verbo não é ainda. E solte esse cabelo, isso é coisa de empregados. – Ela puxou a fitinha do cabelo dela, soltando-o. Os cachos caíram soltos sobre os ombros .
Quinn: Esses uniformes também... Em nome de Cristo, não trouxeram roupas ainda?
Rachel: Trouxeram. – Disse, lembrando-se das malas e malas com vestidos e todos os tipos de roupa que chegaram para ela.
Kristen: E você não os usa por...
Rachel: Porque eu não sou rainha. – Disse, debochada – Usarei quando for, no verbo não sou ainda. – Santana riu gostosamente.
Santana: Gosto da sua atitude. – Disse, se sentando. Então uma criada bateu na porta, dizendo que “ela” havia chegado. Quinn mandou entrar.
Rachel: Ela quem?
Santana: A não ser que tu queiras virar rainha vestida em trapos, precisaremos de um vestido de noiva. – Disse, divertida. A costureira entrou.
Aquilo distraiu Rachel por instantes. A costureira tinha modelos dos mais perfeitos vestidos que ela já havia visto, e além. Rachel queria o vestido perfeito para quando fosse se tornar mulher de Finn. Depois do que Dulce fizera, ele merecia o melhor. Dias depois...
Finn: Soube que tu estas trabalhando em um vestido. – Comentou. Os dois caminhavam no jardim dos fundos. Ele a observava, como quisesse memorizar cada pedaço.
Rachel: E eu, que tu estas trabalhando em uma coroa. – Rebateu, o que o fez sorrir. Iam perguntar quem os delatara... Mas a mini delatora passou correndo em frente aos dois, rindo.
Finn: Como está indo?
Rachel: Você não pode saber. – Rebateu, imediatamente. Finn franziu o cenho, confuso – O noivo não pode saber do vestido antes do casamento. Dá azar.
Finn: Oh. – Disse, entendendo.
Rachel: E tu? – Perguntou, divertida.
Finn: Estou indo maravilhosamente bem, já que perguntas. Quero uma coroa perfeita, para a rainha perfeita. – Disse, parando de andar e tomando o rosto dela entre as mãos. Ela sorriu.
Rachel: Soube que tua audiência foi marcada para antes do casamento. – Disse, preocupada.
Finn: Não se moleste com isso. Eu darei um jeito. – Disse, tocando o nariz dela. Rachel fez um bico insatisfeito. Ele lhe deu um selinho – Não sabe como sinto tua falta. – Disse, olhando os lábios dela.
Rachel: Me prendem. – Se queixou, insatisfeita, tocando o queixo dele.
Finn: Eu sei. No fundo, estão certos. Haveriam boatos, seria o inferno. – Ele selou os lábios com os dela novamente, como se testasse o gosto – Mas está sendo impossível. – Murmurou.
Rachel olhou por cima do ombro dele, procurando Suri, mas a menina havia sumido. Ele sorriu vendo a expressão dela, que o beijou em seguida. Ele suspirou, satisfeito pela iniciativa, tomando espaço entre os lábios dela e devorando-lhe a boca. Ela arfou, languida, e ele a abraçou forte pelas costas, oprimindo o corpo contra o dela, os lábios quase se machucando de saudade... Então um barulho os interrompeu. Era... Algo estava cacarejando. Os dois abriram os olhos, ainda com os lábios unidos, ambos confusos. Olharam pro lado a tempo de ver Suri passar desembalada, correndo atrás de uma galinha. A galinha tinha uma vantagem obvia, mas a menina tentava, perdendo tempo toda vez que se lançava para agarrar o animal. Rachel riu alto.
Finn: Mas... Porque ela está fazendo isso? – Perguntou, aturdido. A galinha passou quicando em frente a eles, e Suri atrás. Rachel ainda ria. – SURI! – A menina não deu bola.
Rachel: Deixe ela. – Disse, abraçando-o.
Finn: E se ela cair? – Perguntou, exasperado.
Rachel: Se levantará. – Ela beijou o queixo dele. – Soube que está reformando a torre. – Disse, chamando a atenção dele antes que ele cortasse a alegria de Suri.
Finn: É necessário. Quando me mudei para lá estava aturdido demais para pensar em algo, e então terminou uma torre... Masculina. – Explicou – Mas agora tenho uma rainha. – Ela sorriu com a suposição.
Rachel: Não precisa mudar nada, se não quiser. Gosto dela do jeito que é. – Disse, fungando do perfume dele.
Finn: Por enquanto só estou ampliando os armários. Não sou bom com arquitetura. – Disse, franzindo o cenho – Tu estás livre para mudar qualquer coisa, é só dar a ordem. – Disse, baixando o rosto para olhá-la – E se preferir outra torre, há uma suficientemente grande na ala norte que nós podemos tentar adap... – Ela tocou os lábios dele com o dedo, calando-o.
Rachel: Só faça o necessário. Quero ela do jeito que é. – Finn sorriu. Odiaria ter que ter o trabalho de ir para a outra torre, embora jamais fosse admitir. Estava acostumado com as coisas do jeito que estavam... O que o fez lembrar do pandemônio que foi sua vida quando casou com Dulce; ela fez questão de mudar TUDO de lugar (Na antiga torre, a qual ele deixou após sua morte) – Deixe as camisas sob a cadeira, a porta do banheiro sempre encostada e a toalha molhada em cima da cama. – Ele riu de leve, apaixonado. Ela sempre o repreendia por isso. – Não quero que você mude em nenhum único aspecto. – Encerrou.
Finn: Amo você. – Disse, encantado, acariciando-lhe os cabelos... – SURI! – Exclamou, soltando Rachel quando a filha passou a sua frente novamente, seguindo a galinha branca, atordoada.
Rachel riu vendo Finn correr atrás de Suri. Ele alcançou a menina em poucas passadas, carregando-a. A galinha se safou, sumindo de vista. Ele jogou Suri, que ria gostosamente no ombro e foi na direção de Rachel, que correu, mas logo foi alcançada. A apanhou pela cintura, erguendo-a do chão e mordendo-lhe o ombro, o que a fez gritar. A felicidade parecia estar ali, no alcance das mãos.
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