Jomal

19 Capítulo 33


Ao chegar na fronteira fez o cavalo saltar sobre a barreira, para não perder tempo. Se embrenhou nas arvores em seguida. Ele não a perderia. Não ela, que o amava. Após quase uma hora correndo, com Sam em sua cola, ele a avisou. Usava o vestido azul que ele lhe dera, o primeiro, e tinha o cabelo solto, caído as costas.

Finn: Rachel! – Rugiu, raivoso. Ela olhou para trás, sobressaltada, e seu cavalo se pôs a correr mais ainda – Inferno. Ele tentou alcançar ela por mais um bom tempo, mas as arvores não ajudavam. O problema é que estava chegando perto da fronteira de Jesse. Da morte dele.

Rachel: Finn, PELO AMOR DE DEUS, VOLTE! — Disse, exasperada.

Finn: Não. – Rosnou, atiçando mais o cavalo.

Rachel: Sam! – Rogou.

Finn nem viu como. Em um instante estava correndo, a alto galope, no outro o cavalo de Sam havia passado na frente do seu e ele estava no chão. A pancada foi dolorosa. Finn se levantou, pronto para ir atrás dela, mas Sam bloqueou sua visão.

Rachel: Só uma noite. – Disse, longe, em uma promessa.

Finn a encarou, seu olhar implorando para que ela não fosse. Ela murmurou um “Eu te amo”, mudo, e retomou seu caminho, logo sumindo pela árvores.

Sam: Deixe ela ir. – Disse, tranquilizando o outro.

Finn: Ela vai morrer nas mãos dele. – Disse, passando a mão no rosto.

Sam: Não vai. – Intercedeu – Se você a detivesse agora, ela fugiria no meio da noite. Você não ia poder prendê-la para sempre.

Finn: Inferno. – Murmurou, consigo mesmo.

Sam: Ela vai voltar. Tenha fé. – Tranquilizou.

Finn: Você deixaria, se fosse Santana? – Perguntou, debochado.

Sam: Como você acha que a mãe de Jesse morreu? Quebrando o pescoço enquanto dormia? – Perguntou, óbvio.

Finn: Eu quero lançar uma ofensiva. – Sam cerrou os olhos – Atacar e ir buscá-la.

Sam: Os homens de Damon ainda não chegaram, e eu quero atacar com toda a potencia. – Ele respirou fundo – Finn, se acalme. Ela vai voltar. – Prometeu – Perdoe pelo tombo. – Disse, apontando o cavalo de Finn, que esperava – Vamos voltar, não é seguro aqui.

Finn foi. Montou no cavalo e deu as costas, indo embora. Deixou seu coração lá, esperando a volta dela, mas foi.

—--*

Rachel suspirou aliviada quando percebeu que Sam havia interceptado Finn. Ele estava em segurança. Pelo menos ele. Ao chegar na fronteira, os guardas pararam para ver Rachel. Não havia ninguém no reino de Jesse que não soubesse quem ela era. Ela não disse nada, apenas passou pela fronteira, ciente de que em minutos Jesse saberia que ela estava lá. Mas antes ela precisava fazer algo.

Shelby: Já vai! – Exclamou, tirando o avental, pondo-o na bancada. Era uma senhora, magra, dos cabelos louro claro e os olhos azuis. Ao abrir a porta, o choque. – Senhor Jesus. Rachel! – Exclamou, puxando a filha em um abraço. Rachel já chorava abertamente.

Rachel: Mamãe. – Disse, rouca, abraçando a mãe com força.

Ela percebeu que tudo que precisara todo esse tempo fora disso: Sua mãe. Que lhe abraçasse, lhe passasse conforto, alguém que não a machucaria, nem a faria mal. Todo o peso de tudo que havia acontecido desde sua partida pareceu cair sobre suas costas e Rachel se apertou mais a mãe, chorando desconsoladamente. Shelby fechou a porta, já também ás lagrimas, sem soltar o abraço de Rachel, como se temesse que aquilo fosse um sonho.

Shelby: Meu anjo, olhe só para você. – Disse, pegando o rosto de Rachel entre as mãos, olhando-a – É uma mulher agora, minha bonequinha. – Disse, o rosto cansado coberto pelas lágrimas. Rachel soluçou em seu choro, sorrindo.

Rachel: Senti tanto sua falta, mãe, precisei tanto de ti! – Disse, e abraçou a mãe novamente. Demorou bastante tempo para as duas se acalmarem. Por fim Shelby passou um café e tortinhas de chocolate para as duas.

Shelby: Sente-se, vamos conversar. – Disse, ainda saudosa.

Não desgrudava os olhos de Rachel. Rachel olhou o banco alto, e olhou para baixo. Estava dolorida dos pés até a cabeça. Sentar já estava impossível depois da manhã inteira com Finn, e ela ainda teve que cavalgar.

Shelby: Rach? – Chamou, confusa.

Rachel: Estou bem em pé, mamãe. – Disse, sorrindo de canto.

Shelby: Não seja tola, esta é sua casa. Sente-se. – Disse, ainda sorrindo. Rachel olhou o banco alto de madeira novamente.

Rachel: Tudo bem. – Disse, respirando fundo.

Rachel tentou sentar, mas o banco era alto. Sem alternativa bateu a mão na xícara de café, derramando-a. Shelby se virou imediatamente para apanhar um pano e Rachel subiu no banco, com uma careta de dor.

Rachel: Ai. – Gemeu, mordendo a boca.

Shelby: Está tudo bem, meu anjo? – Disse, alvoroçada pela presença da filha, enquanto limpava tudo – Sempre atrapalhada. – Disse, sorrindo consigo própria. Rachel ainda tinha uma careta no rosto. Então Shelby parou – O que está fazendo aqui, Rachel?

Rachel: Eu precisei... – Santo Deus, aquilo estava impossível! Ela quase podia ver Finn rindo da cara dela agora – Preciso resolver algo aqui, mamãe. Mas antes precisei vir vê-la. – Disse, tomando do café para ver se conseguia se distrair da dor. Não podia ser um sofá? Uma almofada? Porque o banco, além de ser alto, tinha que ser de madeira?

Shelby: Do que... – Interrompida.

Rachel: Mamãe! – Exclamou, descendo do banco, abafando um gemido. Shelby franziu o cenho – Vamos para a sala.

Shelby: Porque? – Perguntou, confusa.

Rachel: Senti saudade de casa. – Mentira, é porque tinha um sofá, e ele era baixo.

Shelby assentiu, e apanhou uma bandeja para pôr as coisas. Rachel passou na frente, indo para a sala. O sofá com certeza seria melhor.

Rachel: Maldito seja, Finn. – Rosnou, consigo própria, e sentou devagar no sofá. Era desagradável, mas bem melhor que o banco.

Shelby: Aqui. – Disse, pondo a bandeja. Rachel pegou um bolinho. – Pode começar a falar. – Disse, autoritária.

Rachel: Preciso falar com Jesse. – Disse, de boca cheia. Shelby engasgou.

Shelby: Enlouqueceu? – Perguntou, escandalizada.

Rachel: Não, eu... Mamãe. – Shelby esperou – A senhora, por acaso, teria uma muda de Oleandro aqui?

Shelby: É claro que não. Tenho pavor daquela flor. Por quê?

Rachel: Por nada. – Disse, tomando mais do café.

Shelby: Meu amor, como você cresceu! Está mais bonita, mais madura. – Rachel sorriu.

A mãe de Rachel contemplava a filha até que chegou no decote do vestido. Haviam marcas de mordidas, chupões, marcas de dedos, vermelhas e roxas, por toda a parte. Ela olhou o vestido. Era de um tecido luxuoso, caro. Estranho.

Shelby: Bebê, você se casou? – Perguntou, olhando-a. Rachel seguiu o olhar da mãe.

Epa.

Rachel: Na verdade, não. – Disse, completamente sem jeito.

Shelby: Quem te fez isso? – Perguntou, ainda confusa, meio indignada.

Rachel: Al... O rei Finn, mamãe. – Disse, passando a mão no cabelo. Não fazia sentido algum esconder.

Shelby: Oh, meu anjo. – Ela estava penalizada – Ele forçou você? – Perguntou, acariciando o rosto de Rachel.

Rachel: Ahn... Não. – Disse, e estava vermelha. A mãe dela a olhou, esperando – Eu estou apaixonada, mamãe. – Admitiu.

Shelby: Pelo rei? – Perguntou, lentamente.

Rachel: Ele me ama. Juro que ama. Ele que me deu esse vestido. – Disse, apontando pro vestido – Ele me dá tudo o que eu quero. Ultimamente tenho dormido no quarto dele. – A mãe de Rachel estava branca, cor de papel. – Ele me deu isso, veja. – Ela puxou o escapulário de dentro do decote mostrando a mãe. A insígnia real estava cravada no ouro.

Shelby: Rachel, você enlouqueceu?! Quando ele descobrir a verdade...

Rachel: Ele sabe. – Interrompeu. A mãe dela ergueu as sobrancelhas – Ele me pediu em casamento, mãe. – Disse, sorrindo – Então eu contei a verdade. – Shelby parecia ter engolido a voz – Ele não aceitou a inicio... – A voz dela abaixou, se lembrando dos dias na masmorra, da dor e da certeza da morte iminente – Mas agora ele sabe.

Shelby: Se ele a amasse não deixaria que você tivesse vindo até aqui! – Disse, preocupada. Rachel sorriu.

Rachel: Ele não deixou. Eu fugi. – Explicou. – Preciso de algo. Algo que está no castelo de Jesse, tenho que ir até lá buscar. – Ela respirou fundo – Ele me prometeu que dentro em breve virá levá-la daqui. Para ficar comigo. – Contou, e Shelby sorriu da felicidade da filha – Eu o amo tanto, mãe. – Disse, abaixando a cabeça.

Shelby: O que quer que você tenha para fazer no castelo de Jesse não vale a pena. – Alertou – A esta altura ele já sabe que tu estás aqui. Fuja, Rachel.

Rachel: A filha de Finn sobreviveu, mamãe. – Contou, e Shelby perdeu as palavras – Ao contrario do que acreditamos, está viva. Eu preciso de uma muda fresca da flor, para curá-la. É uma menina encantadora. Eu só volto quando tiver o que vim buscar. – Ela respirou fundo – Preciso ir, mamãe. – Disse, grunhindo consigo mesma, ao se levantar.

Shelby: Rach, por favor, não vá até lá. – Intercedeu, os olhos tingidos de preocupação.

Rachel: Voltarei em breve para buscá-la. Se cuide, fique bem, até que eu volte. – Disse, abraçando a mãe novamente – Eu amo você, mamãe. – Murmurou.

Shelby: Eu também, meu anjo. Eu também. – Disse, acariciando os cabelos da filha.

Após a despedida Rachel saiu. Subir no cavalo foi outra tormenta. Da primeira vez ela fez as pressas, só se lembrou da dor quando ela veio, mas agora não. Por fim montou, e seguiu seu caminho. Várias pessoas na rua apontavam para ela, cochichavam, mas ela já tinha seu destino certo.

O cavalo de Rachel passou pelos portões do castelo e ela respirou fundo. Coragem. Ela parou em frente a escadaria principal, e desceu do cavalo.

Diogo: Rachel?! Pelo sangue de Cristo, o que você pensa que está fazendo aqui? – Perguntou, escandalizado.

Rachel: Preciso falar com Jesse. – Disse, os olhos empedrados no jardim a sua volta. Haviam milhares das flores que ela precisava.

Diogo: Falar com Jesse?! Você enlouqueceu?! – Perguntou, incrédulo.

Rachel: Apenas mande avisar que estou aqui. – Disse, olhando as flores.

Foi com os olhos incrédulos que Diogo viu Rachel subir as escadarias e entrar no castelo. Já anoitecia. Ela estava na janela onde mandaram ela aguardar. Não havia nada na sala, apenas uma mesa e a lareira. Ela olhava pela janela, mas não tinha como ver o castelo de Finn no horizonte. Ele estava longe, e ela estava só. Ela baixou os olhos do horizonte até o jardim, novamente olhando as flores. Até que...

Jesse: Minha pombinha. – Disse, a voz repentinamente próxima. Rachel respirou fundo e se virou, vendo-o parado no portal da sala – Devo admitir que sua visita me deixou intrigado.

Agora não havia mais volta.

Rachel: Boa noite, Jesse. – Respondeu, quieta. Ele cruzou os braços.

Jesse: Eu me pergunto... Que motivo traria você aqui. – Disse, se aproximando. Ele sorria – Perdeu o juízo?

Rachel: Eu quero fazer um acordo. – Disse, neutra.

Jesse: Pois muito bem. – Ele se encostou na mesa, ainda sorrindo, e a olhou de cima abaixo – O que você tem a me oferecer, Rachel?

Rachel: Eu me ofereço. – Disse, lutando para manter a calma – Essa guerra já perdeu o sentido. Estou aqui, me entrego em tuas mãos, mas desista disso. Sobreviva. – Jesse riu gostosamente, a cabeça pendendo um pouco para trás.

Jesse: Preocupação comigo? – Perguntou, debochado.

Rachel: Por mim tu morres. – Respondeu, sorrindo – Mas amo a Finn, e quero ele fora do campo de batalha. É minha proposta.

Jesse: Curioso... O que Finn te disse sobre o dia em que você foi raptada, Rachel? – Ele viu a confusão riscar os olhos dela brevemente – Oh, ele não te disse que eu estava lá, não é?

Rachel: Se ele não disse é porque não era relevante. – Disse, ainda neutra.

Jesse: Não era relevante que Dulce María me amava? Que ela odiava Finn, e que tinha nojo da aberração que ele plantou em seu ventre? – Rachel franziu o cenho – Não era relevante o fato de que ela o traiu o tempo todo comigo? De que nós íamos fugir? Tens certeza?

Rachel: Bom. – Ela respirou fundo – Isso tudo revela que Dulce María tinha um péssimo gosto. Deplorável. Um homem como Finn não se troca, ela era tola se pretendeu fazer isso. – Jesse ergueu as sobrancelhas – Ele é bonito, rico, gentil, fiel, honesto, carinhoso, atencioso, sem contar que é maravilhosamente bom de cama. – Alfinetou, atrevida.

Jesse: Você cresceu. – Observou, sorrindo. – É uma mulher agora, Rachel. – Completou, observando-a.

Rachel: Ele me fez mulher. – Desafiou, de queixo erguido – Mas eu não sou o assunto principal aqui. Lhe fiz uma proposta. – Jesse tornou a rir. Rachel via o rosto de Finn toda vez que piscava os olhos, era isso que a mantinha de pé.

Jesse: Tu crês que vales a guerra, Rachel? Que eu iria desistir por ti? Pelo amor de Deus. – Ele respirou fundo – A guerra não vai acabar, e tu não vais fugir novamente.

Rachel: Isto é uma recusa?

Jesse: É muita audácia sua vir ao meu castelo, me confrontar, insultar a memória de Dulce...

Rachel: Não insultei, apenas assinalei que ela não tinha bom gosto. Ou que era burra, escolha o que lhe apraz.

Jesse: CALADA! – Ela havia conseguido irritado – Sim, isto é uma recusa. Não, você não vai voltar. E veja só, você ter fugido só me fez bem. Melhorou consideravelmente. – Rachel se aproximou de Jesse, e ele sorriu. Ela estava próxima dele agora, podia sentir seu hálito, os olhos próximos, e ele sorria, sondando-a.

Rachel: Estarei morta antes de permitir que tu me possuas. Não tendo Finn como meu homem. – Disse, em um sussurro, encarando-o – Tenho nojo de ti.

Jesse: Estará morta logo após que eu me satisfizer, minha pombinha. – Respondeu, a mão se erguendo para tocar a maxilar dela – Há muito esperei por isso. Temos um assunto pendente. – Lembrou, os olhos dos dois próximos demais, assim como os lábios. Ela podia sentir a respiração dele, quente, em seu rosto.

Rachel: Soube que irá se casar. – Disse, estreitando mais a distancia entre os dois. Mais um milímetro e os lábios se tocariam – Achaste um ser tão desprezível quanto tu, afinal? – Perguntou, sorrindo. Ela não sabia de onde encontrara coragem, mas sentia prazer naquilo.

Jesse: Tua ousadia me fascina. – Disse, ainda sorrindo, tocando o queixo dela com o polegar — Mas onde estão meus bons modos? – Perguntou, irônico, se afastando – Venha, vou levá-la aos seus aposentos. – Chamou, mostrando-lhe a porta. Ela ergueu a sobrancelha, sorriu, e foi. Seja o que Deus quiser.

Para surpresa de Rachel, ele a levou a um dos quartos de hóspedes. Ela não havia levado nada, logo, não tinha nada. Foi chamado por um mensageiro, algo sobre o casamento. Rachel escapou na hora. Correu até o jardim, se lançando no canteiro de flores, e colheu uma porção enorme com todo o cuidado, guardando-as em um envelope grande. Quando voltou pro quarto, ele ainda não estava lá. Ela estava tremula. Como iria sair dali? Largou o envelope em cima de uma cômoda, e apanhou a adaga de prata que roubara, com as iniciais FH entalhadas no punho. Olhou pela janela. A noite era cruel lá fora.

Jesse: Me demorei? – Perguntou, irônico. Rachel escondeu a adaga debaixo do vestido, no espartilho. Ela nem o olhou. Estremeceu quando o corpo dele se juntou ao dela.

Rachel: Reconsiderou em sua resposta? – Perguntou, os olhos fixados na janela. Jesse farejou o pescoço dela, aspirando seu perfume, e ela sentiu a primeira ânsia vindo. Finn, eu amo você...

Jesse: Por suposto que não. – Ela sentiu os cordões do vestido serem desamarrados, seu corpo se balançando com as puxadas, e franziu o cenho.

Rachel: Tire as mãos de mim, Jesse. – Alertou. Ele riu, e a virou de frente pra si. Não conseguira se desfazer totalmente dos cordões; o vestido de Finn a protegeu.

Jesse: Senão o que? – Perguntou, debochado.

Rachel: Veja. – As mãos dela subiram pelo peito dele. Seu estômago se rebelava completamente contra isso – Você vai morrer. Aceitando minha proposta vive, e ainda me leva como bônus.

Jesse: E, eu aceitando, o que você pretende fazer com as flores que acabou de roubar do meu jardim? – Perguntou, debochado. A máscara de Rachel quase caiu.

Rachel: Aquilo é para o caso de você não aceitar. – Disse, sorrindo. Cada pedaço do corpo dela emanava sedução, mesmo ela estando a ponto de vomitar.

Jesse carregou Rachel. Uma ânsia forte veio até ela, mas ela se conteve, mantendo o olhar dele. Os dois desmontaram na cama, e ele já atacava o corpo dela, a boca maculando as marcas deixadas por Finn. A mão dele puxou o decote do vestido, na intenção de rasgá-lo, e Rachel permitiu. Queria ele distraído. Jesse mordeu o decote do espartilho dela, apanhando uma porção de seu seio na boca, como se provasse. Meu Deus, por favor, que eu não vomite. Não agora. Rachel se moveu cuidadosamente. A adaga estava em sua mão. Ela ergueu o braço, como se fosse abraçá-lo, tomou o impulso para cravar a adaga e... Do nada a mão dele estava segurando seu punho. Ele ria. A mão dele apertou o punho dela até que ela não aguentou a dor e soltou a adaga, que ele apanhou e jogou longe, caindo no chão do quarto.

Jesse: Tão fácil assim, minha pombinha? – Perguntou, debochado. Agora Rachel estava com medo. Muito medo. – Vamos ver até onde vai sua ousadia, uma vez desarmada. E ele partiu pra cima dela outra vez. Agora ela estava perdida.

Rachel: Não! – Grunhiu, empurrando-o – Saia de cima de mim! SOCORRO! – Gritou, em pânico.

Ele era consideravelmente mais forte. Jesse riu da tentativa dela. E pra desespero de Rachel ele tentou beijá-la. Ela trancou os lábios com toda a força que tinha, forçando os dentes uns contra os outros, mas isso não parava os lábios dele, que estavam sobre os seus. Rachel tinha nojo. Ela se lembrou do toque de Finn e se resetou ainda mais, estapeando-o, arranhando-o. Ele baixou a boca pro pescoço dela, deixando beijos pegados por onde passava. Uma ânsia de vomito veio a garganta de Rachel, mas ela a deteve. Continuou resistindo. Não permitiria, nem que morresse no intento. Seu desespero piorou quando sentiu suas pernas descobertas (ele puxara o vestido para cima), e as mãos dele apanhando as pernas dela. Ela trancou as pernas, empurrando-o, se debatendo, mas Jesse parecia estar se divertindo. Então, do nada, se lembrou da voz de Puck, distante, dizendo que um golpe em um certo local machucava miseravelmente um homem, quase imobilizando-o...

Jesse: Puta! – Exclamou, momentaneamente paralisado, após receber uma joelhada entre as pernas com toda a força que podia reunir. Ele se encolheu, cego pela dor, e ela escorregou, ofegante. Mas ao se levantar ele a puxou de volta – Você não vai embora, sua vadia. – Rosnou, puxando-a.

Mas Rachel estava de pé, e ele, caído, ainda retardado pela dor. Ela tentou se soltar e ele puxou o vestido dela, rasgando-o, deixando o espartilho dela exposto. Rachel o empurrou, desesperada, e não sabia como, mas conseguiu pegar o atiçador da lareira do quarto. Queria tanto estar com a adaga agora! Ela tentou golpeá-lo com o atiçador, mas não era afiado o suficiente e ele estava se recuperando.

Rachel então bateu nele com o pedaço de ferro, na cabeça, com toda a força que tinha. Ela perdeu a conta de quantas vezes, até que ele caiu. Desesperada, e ainda ofegante, com a roupa rasgada, Rachel apanhou o envelope e disparou correndo porta a fora com toda a velocidade que conseguia atingir. Tropeçou nos degraus da escadaria, nos últimos, caindo na grama, mas se levantou imediatamente. Por sorte ainda não haviam retirado seu cavalo dali. Ela montou e saiu, ofegando, parecendo um borrão. As pessoas paravam para olhar ela passando. Era como uma alarme. Problema foi quando chegou a fronteira. Jesse havia dado ordens para que ela não passasse.

Rachel: Por favor. – Implorou, quase as lagrimas – Pelo amor de Deus, me deixem ir. – Nenhum dos guardas se moveu.

Uma multidão se formou ali, e Rachel presa contra a fronteira. As pessoas a olhavam, especulando. Lá estava ela, os cabelos alvoroçados, a roupa rasgada, soando, ofegando. Era uma proscrita. Rachel não soube porque, mas se sentiu na obrigação de fazer o que fez.

Rachel: ESCUTEM TODOS! – As pessoas olharam para ela, os murmúrios parando – A filha do rei Finn sobreviveu. Tem 6 anos recém completados, e é uma criança absolutamente saudável. – Disse, olhando de rosto em rosto – Jesse mentiu. Mentiu o tempo inteiro. Mentiu para todos vocês, levando seus maridos e filhos para morrer em seu nome no campo de batalha apenas porque perdeu a mulher que queria para um homem melhor que ele! – O cavalo oscilava no lugar – Finn tem o apoio do rei Sam, do rei Damon, e do rei Puck. Nossa potencia de ataque é a maior possível. Quando ocorrer, quem se opor morrerá.

As pessoas cochichavam entre si, assustadas, sem saber se acreditavam ou não. Algumas assustadas, outras receosas. Como assim a filha de Finn sobrevivera? Jesse mentira?

Rachel: No reino de Finn há paz, mesmo em guerra. Não há fome, não há dor, há respeito e compreensão. – Continuou – Fugi daqui para escapar de Jesse, e ele me acolheu. Soube da minha verdade, e ainda assim não me matou. – Os cochichos aumentaram – Aqui está a prova. – Ela puxou o vestido – Jesse tornou a me atacar hoje, mas antes dele me rasgar as vestes esse vestido era lindo, e foi Finn quem me presenteou com ele. Ele escuta as pessoas antes de matá-la, e nunca mata ninguém por capricho. – Ela respirou fundo, se segurando no cavalo – Sim, senhores. Eu sou a amásia dele, como correm os boatos. Tenho orgulho disso.

O alvoroço foi total. Rachel estava causando um motim mesmo sem saber.

Rachel: Finn não pretende matar NINGUÉM por ser daqui. Pelo contrário, ele vai abrigá-los, assim que esta maldita guerra acabar. As famílias poderão se unir novamente, essa fronteira já não vai existir. – Ela respirou fundo. Uma voz veio dentre a multidão, questionando-a do porque voltara – Voltei porque precisava disso. – Ela estendeu a mão, mostrando o envelope – São oleandros. A filha de Finn, a princesa Suri, precisa disso para voltar a andar. – Respondeu, então se virou para os guardas novamente – Então por favor. Por. Favor. Me deixem ir antes que Jesse me alcance novamente.

Porém os guardas foram impassíveis. Tinham ordens, e as cumpririam. Duas lagrimas caíram pelo rosto de Rachel. Tudo isso e morreria na maldita fronteira. Até que houve um alvoroço entre a multidão.

XXXX: Deixe que ela passe! – Exclamou uma voz de homem.

Rachel não reconhecia. Aos poucos o caos reinou. A multidão se lançou contra os guardas, causando um alvoroço. Rachel se viu obrigada a recuar. Esperara tudo, menos aquilo. Apenas alguns homens brigavam, os outros ainda observavam, com as mulheres e crianças.

Rachel: A PRINCESA VIVE! – Incentivou – CHEGA DE MENTIRAS, JÁ BASTA! A OFENSIVA ESTÁ POR VIR, ESSE INFERNO VAI ACABAR! – De repente todos gritavam em aprovação. Rachel sorriu e atiçou seu cavalo, passando pela multidão em luta, passado a fronteira e sumindo dentre as arvores.

Finn estava, resumidamente, indócil. Ficara na fronteira por horas, esperando, olhando... Então voltou para o castelo. Se trancou em seu quarto. Tremia. Cada minuto pareciam 10 anos. Ele estava furioso. Se ela sobrevivesse, ele a mataria só por ter ousado fazer. Não, não a mataria. A cobriria de beijos, e a abraçaria, não soltando-a nunca mais.

Finn: É tudo culpa sua. – Rosnou, apanhando o retrato de Dulce da armação. O rasgou furiosamente, jogando-o na lareira em seguida. Finn abriu uma gaveta de uma cômoda, apanhando uma caixa de madeira grande, abrindo-a. Haviam dezenas de jóias ali dentro. As jóias de Dulce, todas elas. Dezenas de colares, brincos, pulseiras... Diamantes, rubis, prata, ouro, e Finn apanhou tudo com raiva, atirando ao fogo – Tudo sua culpa, Dulce María, MALDITA SEJA! – Rugiu, lançando a própria caixa com todo o resto no fogo.

A noite passou de modo tortuoso. As chamas derreteram todas as jóias, a foto, o porta retrato, tudo, e ele ainda estava lá. Cada minuto, e ela estava nas mãos de Jesse. Ele se sentou na cama, se amparando nos joelhos. Mal conseguia respirar. Até que duas mãos suaves tocaram seus ombros.

Rachel: Eu só pedi uma noite. – Sussurrou, e ele se virou em um rompante. Ela estava lá, toda rasgada, com alguns cortes pelos braços, mas inteira.

Finn: Ah, meu Deus. Obrigado. – Disse, arfando, e a puxou pro seu colo, abraçando-a com toda a força. Ela caiu no choro. Uma vez em segurança, todo o pânico de tudo o que ela passara caiu sobre seus ombros. Mas ela estava nos braços dele agora. Ele percebeu os soluços do choro dela, e aquiesceu – Nunca mais, Rachel. Nunca mais. – Disse, a voz cortada, embaçada. – Está tudo bem. Já passou. Rachel ainda chorou por minutos. Estava apavorada. Mas estar nos braços dele a confortava, e aos poucos ela se acalmou.

Rachel: Meu Deus, eu amo você. – Murmurou, se apegando no ombro dele.

Finn: Me deixe ver você. – Ele a colocou de pé em sua frente, e pegou os braços dela, um de cada vez, observando os cortes. Mas eram apenas talhos, provavelmente de galhos de arvores. Então algo passou na cabeça dele. O estomago dele se revirou, vendo a roupa dela rasgada – Você... Ele te... Ele obrigou você a... Vocês... – Ele não conseguia terminar. Ela tapou a boca dele com um dedo.

Rachel: Você é e sempre vai ser o único homem a tocar em mim. – Finn sorriu, respirando fundo – É o único em minha alma, Finn. – Disse, beijando a testa dele. Ele a abraçou pela cintura, amparando a cabeça em sua barriga — Bom, no meu corpo também. – Sussurrou, brincando, e ele riu de leve.

Finn: Mas sua roupa... – Disse, vendo o estado do vestido dela. O espartilho quase todo estava exposto. Rachel: Ele tentou. – Admitiu, e Finn fechou a cara – Mas eu fugi. – Disse, sorrindo. – Me sinto suja pelo toque dele. – Admitiu, e Finn a apanhou pelas coxas, trazendo-a sentada pro seu colo. Ele puxou o vestido, terminando de rasgá-lo, deixando-a só de roupa debaixo. Rachel o beijou sedentamente, apanhando seu rosto entre as mãos, e ele a aceitou, puxando-a pela cintura. O beijo durou minutos, mas ela o freou – Não. – Murmurou, e ele a encarou.

Finn: O que há? – Perguntou, confuso. Rachel: Preciso usar isso antes que seque. – Disse, apanhando o envelope na cama, atrás dele. O rosto de Finn empedrou.

Finn: Você conseguiu. – Disse, mortificado. Rachel: Passou da hora de alguém aqui começar a andar. – Sussurrou, antes de morder o ouvido dele, e se levantou. Mas ele não teve resposta para aquilo. Finalmente.

Finn observou atentamente cada passo de Rachel. Ela apanhou o primeiro vestido que encontrara e jogou por cima, prendendo os cabelos de qualquer jeito. Ela foi até a escrivaninha dele, apanhando um canivete, e abriu o envelope, despejando as flores brancas na mesa lustrada. Eram de uma beleza sedutora. Rachel cortou as pétalas imediatamente, e se virou para ele.

Rachel: Toque fogo nisso. Em todas elas, e em cada uma. – Pediu, e ele assentiu, pegando o bolo grande de pétalas brancas amassadas nas mãos, caminhando até a lareira. Atiçou o fogo, e jogou as pétalas lá. O perfume que veio foi forte. Ele voltou até Rachel, vendo que ela observava o caule da planta. Rachel apanhou um vidrinho vazio, de vidro, em uma gaveta qualquer, e colocou o caule da flor na borda da mesa. Com o canivete ela pressionou o caule. Um sumo branco opaco saiu dali, em uma quantidade quase assustadora para uma flor tão pequena, e ela o recolheu até que o frasquinho estivesse cheio. Fez isso com todos os caules, no final 12 frascos estavam cheios.

Finn: Acha que precisará dos 12? – Perguntou, e podia se ouvir a hesitação dele sobre aquilo, enquanto andava com ela no corredor.

Rachel: Não sei ao certo a quantidade. Vou dar aos poucos, até que ela recupere os movimentos totalmente, então eu paro. Não é uma ciência exata. – Disse, e ele parou na porta do quarto de Suri, respirando fundo – Confie em mim.

Finn: Eu estou confiando. – Disse mas ainda parecia nervoso – Estou lhe confiando o que tenho de mais precioso. – Ele respirou fundo novamente.

Rachel: Vai ficar tudo bem. – Garantiu, e selou os lábios com os dele, entrando no quarto. Suri despertou satisfeita, por ter o pai e Rachel ali. Sua satisfação foi embora assim que ela viu o frasquinho. O sumo cheirava a planta, e era branco opaco, quase cinza.

Suri: Não vou beber isso. – Disse, vendo Rachel apanhando uma colher.

Rachel: Sim, a senhorita vai. – Suri fez bico – Tu serás rainha, seja corajosa. — Incentivou.

Suri: Eu nem estou doente. Para que é isto? – Finn permanecia calado, nos pés da cama.

Rachel: Quando for o momento, tu saberás. – Rachel não queria criar falsas expectativas, caso não desse certo.

Suri: Papai. – Apelou, desgostosa, vendo Rachel depositando o “xarope” na colher.

Finn: Ouça ela, meu anjo. – Pediu, em voz baixa. Finn estava branco feito cal.

Rachel: No três. – Disse, e Suri olhou o remédio com uma careta – Um, dois, três! Finn abaixou os olhos ao ver Suri abrir a boca e engolir o remédio. Rachel ainda lhe deu mais duas colheres , três no total.

Suri: Minha boca está ardendo! – Exclamou, com uma careta. Finn olhou para Rachel, preocupado.

Rachel: Está tudo bem, já acabou. – Ela tampou o frasco, deixando-o na cabeceira de Suri. Ela apanhou um copo de água da cabeceira e deu a menina, que bebeu.

Suri: Rach, minha garganta está queimando. – Se queixou, atordoada. Sentia os lábios ardendo, dormente, assim como toda a boca e a garganta. Ela tomou mais da água, mas não ajudava.

Rachel: É pro seu bem, acredite. Se deite mais um pouco, logo tudo vai passar. – Prometeu, ajeitando a menina na cama. Suri tinha uma caretinha desgostosa no rosto – Vai passar. – Sussurrou, beijando a testa dela em seguida, e a menina sorriu de canto, fechando os olhos.

Finn: E agora? – Perguntou, angustiado, em um sussurro.

Rachel: Agora nós esperamos. – Respondeu, e ele suspirou. Ela o abraçou e ele a apertou forte contra o peito, aspirando seu perfume, enquanto observava a filha. Só restava esperar.