Jomal

20 Capítulo 34


Finn: Ela está dormindo há tempo demais. – Disse, angustiado. Era noite. Suri adormecera pela manhã, logo após tomar o remédio, e não acordara. Estava pálida, quieta, mal parecia respirar.

Rachel: Tenha calma. – Pediu, observando a menina.

Finn: Ela tem a aparência de Dulce María. – Ele estava entrando em pânico. – Eu vou chamar um médico. – Disse, se levantando em um rompante.

Rachel: Ei. – Ela o segurou pelo colete. Finn a olhou, atordoado – O medico resolveu da ultima vez? – Finn não respondeu – Confie em mim.

Puck: Com licença. – Disse, batendo na porta. Rachel e Finn olharam. – Finn, o jantar foi servido. Tu vens?

Finn: Não. – Respondeu, de imediato.

Rachel: Vai. – Rebateu, ao mesmo tempo. Puck ergueu a sobrancelha, esperando. Finn a olhou, indignado – Sim, tu vais. Tua preocupação a deixará ainda mais tensa, vá e só volte quando eu chamar. – Disse, empurrando-o.

Finn: Não vou sair daqui, você enlouqueceu? – Perguntou, exasperado.

Puck: Precisa de ajuda? – Perguntou, sorrindo, debochado.

Rachel: Por favor. – Pediu, cansada. Houve uma luta corporal rápida dentro do quarto. Puck era rápido, mas Finn se esquivava. Até que Rachel se lançou, abraçando Finn com força, o que deu tempo de Puck agarrá-lo pelo fundo da camisa.

Finn: Rachel. – Contestou.

Rachel: Confie em mim. – Disse, acariciando o rosto dele – Vá.

E Puck rebocou Finn. Rachel olhou Suri, após fechar a porta. A menina estava quase cinza. Apenas horas depois, já noite aberta, que houve resposta. Suri gemeu, franzindo o cenho, e Rachel se adiantou.

Rachel: Shhh. Shhh. – Disse, apanhando o rosto da menina – Eu estou aqui.

Suri: Meu corpo está doendo. – Gemeu, rouca.

Rachel: Calma. – Acalientou.

Suri: Ai. – Choramingou, se encolhendo. Só que dessa vez ela se encolheu totalmente, junto com as pernas – Você viu o que eu fiz? – Perguntou, chocada.

Rachel: É claro que eu vi. – Disse, dando-lhe um beijinho.

Suri: Está doendo! – Exclamou, exasperada. Estava quase às lágrimas.

Rachel: Calma. Respire. – Suri soluçou, segurando as pernas. Era como se estivessem lhe enfiando agulhas, dezenas delas.

Suri: Faça isso parar. – Pediu, angustiada.

Rachel se levantou, indo até os pés da cama. Apanhou um dos pés da menina com cuidado, tentou dobrar-lhe a perna, mas ela gritou. Rachel respirou fundo. Ela se pôs a massagear os pés da menina, que apenas choramingou, angustiada. Finn estava atrás da porta, vendo tudo, observando tudo. Levou horas para Suri parar de chorar. Mais horas para se acalmar. Já amanhecia quando, exausta, adormeceu. Ele entrou no quarto e Rachel ergueu o rosto, assentindo. Ambos estavam exaustos. Finn foi até ela, a apanhando no colo e beijando seu ombro de leve.

Finn: Acabou? – Perguntou, em tom baixo.

Rachel: Não posso ter certeza, mas acho que ela ainda sentirá dor quando acordar. – Ambos suspiraram – Sinto falta da tua cama agora. – Rachel estava realmente cansada. Desde a fuga ela não dormia.

Finn: Durma um pouco. Estás quase desmontando. – Disse, tirando o cabelo do rosto dela.

Rachel: Dormirei quando tu fores. Estou bem. – Disse, se aconchegando no peito dele, suspirando.

Finn: Não gosto de vê-la sofrer assim. Minha função sempre foi impedir que toda e qualquer dor alcançasse Suri. – Disse, vendo a filha dormir, o rostinho ainda molhado das lagrimas.

Rachel: Não poderá fazê-lo para sempre. – Disse, aspirando o perfume dele – E pense que logo ela estará correndo, para cima e para baixo. – Finn sorriu.

Finn: Teremos que trancar a porta do quarto. – Disse, divertido. Rachel o beliscou, o que o fez rir.

Rachel: Hum... – Ela suspirou novamente, cansada — Seria abuso meu pedir que me beijasse? – Perguntou, encolhida no peito dele, que sorriu, tocando-lhe a maçã do rosto.

Finn: Eu estava prestes a pedir. – Confessou, o que a fez sorrir.

Finn abaixou o rosto, tomando os lábios dela de modo delicado, doce. O sentimento que havia entre os dois parecia se fortalecer mais a cada minuto. Rachel se perguntava se aquele frenesi nunca passaria. Só de sentir os braços dele, ou até mesmo seu perfume, ela se sentia segura, em paz, feliz. Ela o abraçou pelo pescoço, tendo cuidado para não machucá-lo com o gesso, entregando-se de boa vontade. Finn suspirou com a receptividade dela, satisfeito. Essa sim o queria, o amava. Podia ver em seus olhos, em sua voz, no modo como ela se estreitava no abraço dele, como se não quisesse mais vê-lo partir. Só que...

Suri: Nem no meu leito de morte vocês dois param com isso? – Perguntou, observando. Rachel e Finn se separaram, sobressaltados, e ela sorriu.

Finn: Ela começou. – Acusou, brincando, e Rachel ergueu as sobrancelhas, ultrajada. Suri riu.

Rachel: Sente alguma coisa, bebê? – Perguntou, descendo do colo de Finn.

Suri: Meu pé está formigando, só, eu acho. – Disse, respirando fundo, então se tocou. Seu pé jamais formigara – Ei, olhe isso! – Disse, novamente chocada.

Finn: Fique calma. – Pediu, cauteloso.

Suri: Mas está formigando! – Repetiu, como se Finn não tivesse captado a mensagem direito.

Rachel: Tente mover. Sem expectativas, só por tentar. – Suri assentiu, e haviam três pares de olhos nos pés dela: Um chocolate, um verde e um castanho esverdeado. Suri franziu o cenho delicado, olhando os pés. Aos poucos o pé direito foi se movendo, como de ela desse impulso tentando levantar a perna.

Finn: Devagar. – Orientou, mas Suri ignorou. A menina conseguiu dobrar a perna quase até a metade então ofegou, cansada. Rachel levou as mãos a perna dela, apanhando-a.

Rachel: Dói? – Perguntou, flexionando o joelho da menina, dobrando a perna e desdobrando.

Suri: Formiga. Meio que arde. – Disse, parecendo sonolenta.

Finn: Será que foi pouco? – Perguntou, em um sussurro.

Rachel: Creio que com mais tempo... – Respondeu, no mesmo tom, equilibrando a perna da menina com o gesso da mão – Suri, você... – Ela parou. A pequena caíra no sono outra vez. – Deixe que durma. Vai ficar bem. – Finn assentiu, preocupado. Rachel apanhou duas das varias almofadas da cama de Suri, e se levantou do colo dele – Venha aqui.

Ela o puxou pro chão. Finn achou graça; Ela sempre o surpreendia. Se ajoelhou, desabotoando o colete e os pulsos da camisa dele, e lhe tirou os sapatos. Ele observou ela desamarrar seu cinto, divertido.

Finn: Posso tirar sua roupa também? – Propôs, e Rachel revirou os olhos.

Rachel: Não seja tolo. – Ela o empurrou, fazendo-o cair deitado, com a cabeça no travesseiro. Ele riu. Ela empurrou as sapatilhas de qualquer jeito, e ia deitar, mas ele a deteve – O que?

Finn: As costelas. – Lembrou, severo. Rachel revirou os olhos – Você não está em condição de reclamar. Ainda estou pensando se devo enforcar você por ter fugido ou não. – Disse, severo, e se sentou. Ela deu as costas, deixando ele afrouxar os cordões do vestido e do espartilho, se era o que queria – Rachel...

Rachel: Hum? – Respondeu, cansada.

Finn: Uma de minhas adagas sumiu. – Disse, e ela franziu o cenho. Isso era encrenca – Quer explicar?

Rachel: Queria que eu fosse desarmada? – Perguntou, o corpo oscilando pelas puxadas dele.

Finn: Não queria que você fosse. – Corrigiu. Houve um instante de silencio – Onde está? – Rachel não respondeu. Estava perdida em algum lugar naquele quarto medonho. Finn interpretou o silencio dela de modo errado – Rachel, você o atacou! – Disse, exasperado.

Rachel: Ele me atacou. – Corrigiu – Tentou me violentar. – Isso desarmou Finn, o deu nojo – Eu tentei me defender, mas escapuliu da minha mão. A perdi. Terminei usando uma espátula da lareira pra me defender, afinal. – Disse, se virando para olhá-lo. Finn parecia meio verde. Só a possibilidade de Jesse ter posto a mão nela, os lábios forçando sua pele...

Finn: Maldito seja. – Rosnou, enraivecido.

Rachel: Dei na cabeça dele até que desmaiasse. Ele precisava aprender que o único que pode me tocar és tu. – Disse, beijando-lhe sutilmente.Ele sorriu de canto com carinho dela.

Finn: Venha. – Ele se deitou, puxando-a para o seu peito. Ele observou o modo como ela se agarrou a ele, se acomodando. Gostava disso. Os dois adormeceram dentro em breve. Perderam a noção do tempo perante o cansaço, até que...

Suri: Ei. – Disse, cutucando o pai – Vocês dois. Pelo amor de Deus, acordem. – Disse, impaciente.

Finn: Está sentindo al... – Os olhos sonolentos se abriram em placas – Rachel. – Chamou, cutucando a outra. Rachel suspirou, abrindo os olhos novamente, depois arregalando-os.

Rachel: Ah, meu Deus. – Exclamou, quase engolindo a voz. A menina estava de pé do lado da cama, diante deles, olhando-os com um sorriso radiante no rosto.

Finn: Você está vendo isso também? – Perguntou, olhando a filha, mas agarrado no braço de Rachel.

Rachel: Deu certo. – Murmurou, maravilhada. – Finn, você vai quebrar meu gesso. – Avisou, olhando a menina, mas se referindo ao braço que ele segurava. Ele a soltou.

Suri: Porque vocês estão sem roupa no meu quarto? – Perguntou, erguendo a sobrancelha.

Rachel: Não é do que quero falar agora. – Disse, se sentando. O vestido frouxo não aderiu ao seu corpo, quase levando-a de volta ao chão. Finn a amparou, por reflexo, ainda olhando a filha. Estava branco. – Sente algo?

Suri: Na verdade, não. – Disse, o rosto ansioso, quase saltitando. – Eu acordei e vocês estavam dormindo. Eu levantei, depois me lembrei que não podia levantar, ia gritar, mas desisti. – Contou – Olhe isso! – Ela caminhou em direção a eles perfeitamente, orgulhosa. Finn agarrou Rachel novamente. – Eu posso andar! Houve um momento de silencio entre os três, até que Rachel (se libertando do apertão que tomava), se levantou, abraçando a menina, que riu gostosamente, comemorando.

Finn continuou estático. Nem acreditava que aquele pesadelo finalmente havia acabado. Suri o olhou, como se esperasse aprovação, mas ele não conseguiu falar. Estendeu a mão para ela, que caminhou até ele, pegando-a, e a abraçou forte. Rachel sorriu vendo a expressão dele sob o ombro da menina.

Finn: Meu bebê. – Murmurou, rouco. Suri se agarrara ao ombro do pai, quietinha – Estou tão orgulhoso de você. – Completou, dando um beijinho no cabelo dela.

Finn olhou Rachel, que observava quieta, e disse um “Obrigado.”, sem som. Ela apenas sorriu. Foi um longo, longo, dia. Suri descera para o almoço, se comportando como uma perfeita dama, e conversou com as rainhas presentes educadamente. Primeiro houve um momento de surpresa, admiração, depois a comemoração, os parabéns, um champanhe foi aberto. Rachel ficou a beira, primeiramente, atenta a Suri, mas Finn a surpreendeu, chamando-a. Depois do almoço, Suri ficou irredutível. Queria andar o mundo em uma tarde, e foram precisos Rachel e Finn para contê-la. A noite foi pior ainda. A menina não queria dormir, por nada.

Rachel: ACABOU! – Disse, exasperada. Finn e Suri olharam. Rachel tentava por Suri na cama há quase duas horas, mas Finn brincando com a menina não ajudava – Já chega. Saia daqui. – Ordenou, apanhando-o pelo braço. Suri gargalhou gostosamente. – Fora. – Ela o empurrou até a porta do quarto. Ele soltou um beijinho para a filha, que retribuiu, e ela o empurrou porta a fora – Suma daqui. – E ia fechar a porta, mas ele segurou seu braço.

Finn: Estarei lhe esperando.- Disse, em tom baixo, os olhos encarando os dela. Ele sorria.

Rachel: Grande novidade. – Disse, revirando os olhos, e ele riu. Ela o empurrou e fechou a porta. – Agora você, mocinha. – Disse, se virando.

Suri pulou pra fora da cama, rindo, e correu pro banheiro. Rachel suspirou. Levou mais meia hora até ela conseguir pôr Suri para dormir. Por fim ela cobriu a menina, sorrindo, apagou as velas e saiu. O cansaço a apanhou logo na porta. A escadaria da torre parecia interminável, e ela considerou dormir ali. Por fim abriu a porta da torre, vendo Finn sentado na cama, sem camisa, os cabelos curtos molhados, banho recém tomado.

Finn: Você está despencando. – Lamentou, vendo as olheiras dela. Ele tentou contar o tempo desde que Rachel havia dormido... Mas a lembrança dele se perdia no momento em que ele voltou a torre, após ter encontrado os restos do diário de Dulce María, e a encontrou lá. Ele quase a violentara, logo depois ela fugiu, passara Deus sabe lá o que com Jesse, voltara fugida, então perdera outra noite cuidando de Suri... Ele suspirou.

Rachel: Nada que um pouco de sono não resolva. – Disse, se aproximando, e ele a puxou pro seu colo. – Você viu o sorriso dela? – Perguntou, cansada, mas sorrindo. Sentiu as mãos dele começarem a puxar os cordões do vestido.

Finn: Esperei por esse momento minha vida inteira. – Disse, puxando o vestido solto pelos ombros dela, deixando-a de espartilho. Logo estava puxando os cordões do espartilho, removendo-o – Obrigado. – Disse, dando um beijinho no ombro dela ao terminar. Ela sentiu o espartilho frouxo e se recostou nele, de olhos fechados, fungando-lhe o pescoço. Finn deu um beijinho na maxilar dela.

Rachel: Você cheira a sabonete. – Comentou, fungando dele novamente, que riu.

Finn: Vou te dar um banho. – Ofereceu, se levantando, e levando-a junto. Ele empurrou o vestido dela de qualquer jeito, deixando-o no chão. Rachel estava quase dormindo em pé. Tropeçou alguns passos e ele a pegou no colo.

Rachel: Você acabou de sair do banho. – Observou, meio aérea.

Finn: Shh. – Ela assentiu, se acomodando no peito dele. Ficou lá, quieta, até que ele a colocou de pé. Ela nem sentiu ele tirando o resto de sua roupa, então a água quente a acolheu. Ela suspirou, se prendendo a realidade.

Rachel: Esse momento tinha que ser romântico. – Observou, sentindo as mãos dele subindo por seu pescoço, massageando. Ele estava sentando na borda da banheira, de bermuda.

Finn: Está sendo. – Disse, e ela deixou a cabeça cair quando ele apertou seus ombros. As mãos dele eram fortes, e seus ombros estavam tensos, doloridos.

Rachel: Mentiroso. – Disse, soprando a espuma, e ele riu – Porque não entra na água comigo?

Finn: Porque... – Os dedos dele traçaram o ombro dela, apertando a pele cansada, e ela suspirou – Eu não tenho tanto controle assim. Porque se eu entrar na água vou terminar fazendo o que não devo. Porque se eu fizer amor com você, você vai entrar em coma. – Disse, beijando a testa dela, que riu. – Só quero que você descanse.

Rachel: Amanhã... – Começou.

Finn: Não vai precisar nem me lembrar, eu prometo. – Ela riu do tom dele.

Finn a massageou até que ela desfaleceu, caindo no sono. Ele a ensaboou, a banhou, e se desafiou a não acordá-la. A carregou com cuidado, secando-a sutilmente, e a vestiu. A pegou no colo, levando-a para cama, e a deitou. Soltou o cabelo dela, ajeitando o travesseiro, e a cobriu. Se secou, apagou as velas e se deitou ao lado dela. Sorriu no escuro, porque assim que se deitou ela, adormecida, o abraçou, deitando a cabeça no peito dele, se estreitando, abraçando-o. Ele amava cada um desses atos. A abraçou, trazendo-a para si, e ela suspirou em seu sono.

Finn: Durma bem, meu amor. – Murmurou, beijando-lhe o cabelo em seguida. E ela dormiu. O sono era profundo, merecido, cansado, o sono dos justos. Dormiu a noite inteira. Ela não sabia, mas o dia seguinte seria longo.