Jomal

8 Capítulo 22


Finn: Vim o mais depressa que pude. Estava preocupado. – Disse, abraçado a ela, na cama.

Rachel: Foi apenas um mal estar. – Disse, erguendo o rosto para beijá-lo. Finn retribuiu o beijo dela docemente, até que sentiu ela estreitando o corpo ao seu, intensificando o beijo.

Finn: Não. – Murmurou, e ela suspirou, frustrada.

Rachel: Porque não?

Finn: Porque você está esgotada. Quero que descanse. Venha. – Ele a acomodou em seu abraço, e ela deitou a cabeça novamente em seu ombro, aspirando seu perfume – Durma. Eu estou aqui. Vou cuidar de você.

Rachel: Eu sei que vai. – Disse, a voz rouca de sono, e sentiu os lábios dele em sua testa.

Nada mais foi dito. O próprio Finn dormiu antes que ela. Era claro, a consciência dele estava tranquila, ele estava em paz com a vida.

Ela ficou lá, aspirando o perfume dele e sentindo o tamborilar de seu coração debaixo do peito. Por quanto tempo ainda teria aquilo?

—--*

Rachel dormiu pesadamente... Assim que conseguiu dormir. Finn saiu na manhã seguinte e avisou que cortaria o pescoço daquele que interrompesse o sono dela. Assim foi. Tanto que ela se sobressaltou na hora em que acordou. Deu um pulo na cama, se aprontando de qualquer jeito, mas Suri já havia tomado seu café.

Rachel: Eu dormi. – Disse, derrotada, e Suri sorriu – O que há? – A menina olhou – Está triste, anjinho?

Suri: Não sei. – Disse, confusa consigo mesma.

Rachel: Se você estivesse, porque estaria?

Suri: Hoje é meu aniversário. Eu acho. – Disse, franzindo a sobrancelha – Não tenho certeza. Acho que esqueci. – Rachel ergueu as sobrancelhas.

Rachel: E... Oh. – Ela hesitou com o choque. Como assim era aniversário da princesa e ela estava só? – Hey, meus parabéns! – Disse, apanhando a menina no colo e lhe dando um beijo apertado. Suri sorriu. – O que quer fazer hoje?

Suri: Se for meu aniversário eu não posso sair. – Comentou, franzindo o cenho.

Rachel: Porque? Eu... Ah, é claro. Seu pai. – Ela respirou fundo e Suri assentiu – Deixa comigo. – Disse, pondo a menina na cama.

Suri: Ele vai brigar. – Avisou.

Rachel: Eu sei como lidar com ele. – E piscou para a menina, saindo do quarto.

Rachel caminhou pelos corredores direto a sala de reunião. Isso era impossível, o aniversário de Suri era tão desprezado que ela própria estava esquecendo a data! Isso com 6 anos! Ela freou no corredor, ouvindo as vozes na sala. Não podia entrar, mas precisava chamar Finn. Ela parou perto da porta aberta, tomando coragem. Quando tomou impulso recuou. Um par de olhos negros a olhava. Rachel encarou Santana por um instante, o coração doendo pela rapidez com que batia. Como era possível alguém ter olhos tão negros? Santana, porém parecia tranqüila. Suas feições eram calmas, e havia um meio sorriso no canto de sua boca. Ela sustentou o olhar de Rachel por um longo instante, então virou o rosto pro lado do marido, se inclinando sutilmente para dizer algo a ele.

Sam ergueu as sobrancelhas, e ela assentiu. Rachel a essa hora estava em pânico, mas nenhum dos dois falou nada. Foi então que o olhar de Finn recaiu sobre o dela. Ela fez sinal, chamando por ele, que pediu licença, se retirando. Algo era diferente hoje: Ele usava preto. A camisa, o colete, tudo. É, era aniversário de Suri.

Finn: Queres permissão para que?! – Perguntou, no corredor, em tom baixo e incrédulo.

Rachel: É aniversário dela! – Lembrou, exasperada.

Finn: E quer que eu dê permissão para fazer uma festa comemorando o dia em que a mãe dela morreu? – Perguntou, debochado e irritado.

Rachel: Não, quero permissão para que ela comemore o dia em que ela sobreviveu! – Rebateu, e em seguida respirou fundo. Bater de frente com Finn nunca funcionava. – Suri não consegue andar. Não tem mãe. Ainda assim ela é adorável, ela sorri e ela é amável, ela sobreviveu a tudo o que lhe ocorreu com o rostinho erguido. – Finn estava impaciente – Por mais que lhe doa falar sobre isso, assim é. Crianças normais tem uma festa e presentes no dia do seu aniversário. Crianças normais. Porque Suri, que é tão especial, não pode ter?

Finn: Rachel...

Rachel: Não quero dar uma festa. Você nem precisa ir. – Insistiu – Me permita apenas levar um bolo, alguns doces, essas coisas que crianças gostam. Comemorarei com ela sem fazer algazarra alguma. Irei até a vila e trarei dois presentes, ou três, levarei tudo pro quarto e estaremos de portas trancadas, apenas para que ela se sinta feliz. – Ele ficou calado – Não a prive disso. Finn, por favor. – Pediu, entregando todos os argumentos que tinha.

Ele ficou em silencio por um minuto. Ia contra todos os seus instintos qualquer tipo de alegria no dia em que Dulce se fora. Mas por outro lado o que Rachel dizia era verdade. Ele nem nunca visitara Suri no dia de seu aniversário.

Finn: Tem minha permissão. – Concedeu, em voz baixa. Rachel sorriu.

Rachel: Obrigada. – Ele assentiu, quieto. Rachel podia sentir o peso da dor sob seus ombros. Não seria um dia fácil.

Ela caminhou até a porta da sala onde estavam, fechando-a, sob o olhar dele. Voltou e o abraçou pelos ombros, lhe beijando. Sentiu as mãos dele em sua cintura, apertando-a durante o beijo, e lhe acariciou os cabelos. A verdade era que Finn ainda era em demasiado jovem e já havia sofrido demais, ainda tendo uma guerra sob as costas.

Rachel: Eu amo você. – Murmurou, nos lábios dele, e abriu os olhos pra se debater com os olhos dele perto demais dos seus, em um mudo “eu também”.

Rachel o beijou mais uma vez, levemente, e deu as costas, saindo. Finn a observou sumir pela porta, e passou a mão no rosto enquanto se perguntava: Haveria alguma coisa que ela pedisse que ele seria capaz de negar?

Durante as horas que se seguiram nada se soube nem nada se ouviu sobre Rachel ou Suri. Por um instante Finn teve receio de que Rachel fizesse realmente uma festa, com musicas e risos, mas logo ele afastou essa hipótese da cabeça.

Confiava nela. Se ela dissera que não criaria tumultos, então ele acreditava.

Puck: Finn? – Chamou, e Finn virou o rosto – Onde estava?

Finn: Lugar nenhum, apenas tive um lapso. Perdão. – Disse, e suspirou em seguida. Qualquer coisa que pudesse ter sido dita foi abafada pelo que ocorreu.

Quinn: Santana! – Disse, alegre, entrando na sala. Santana, que estava a um canto conversando com o marido, virou o rosto. Em seguida sorriu: Uma fileira de dentes brancos, alinhados, com aparência de serem afiados. O tipo de sorriso que ao mesmo tempo é deslumbrante e assustador.

Santana: Quinnie. – Respondeu, fazendo a volta pela mesa até alcançar a outra, abraçando-a delicadamente.

Acontecia que Quinn tivera um mal estar durante a manhã, então só vira os outros agora, Santana inclusa. Depois de tanto se corresponderem era como se fossem melhores amigas. Damon chegou logo em seguida.

Damon: Perdoem a demora, eu... Ora, Quinn. – Cumprimentou, com um gesto sutil da cabeça, e Quinn sorriu.

Santana: Onde está Kristen? – Sam observava os gestos da mulher com um sorriso que quase exalava orgulho no rosto.

Damon: Ficou no quarto... Ei! – Ele chamou um criado no corredor. O criado largou o que tinha imediatamente e veio atender, de olhos baixos – Vá até meus aposentos, diga a Kristen que Santana e Quinn estão aqui. – O criado assentiu e saiu.

Puck: Se sente melhor? – Perguntou, se aproximando de Quinn. Ele apanhou o rosto dela entre as mãos e ela sorriu, assentindo. – Avisei para não apanhar tanto sol ontem. – Ralhou.

Quinn: Não apanhei tanto sol. É inverno. – Brincou, e ele sorriu.

Observar aquele grupo reunido era meio desconcertante. Parecia haver algo suspenso no ar, algum mistério... Começando pelos olhos, cada um de uma cor impactante: Santana e seu olhos cor de carvão, Damon com os seus da cor de topázio e Puck com os olhos cor de água. O próprio olhar que trocavam parecia haver algum segredo seguramente guardado. Seguia pelas posturas dos corpos, todos muito eretos e flexíveis, terminando pela cor da pele. Principalmente a cor da pele. No topo ficava Santana, tão branca que parecia impossível, parecia que ela nunca havia se exposto ao sol, e não fosse ofensivo quase como alguém sem vida, cujo sangue já não corava os tecidos. Logo depois vinha Damon, também branco, porém não como Santana. Era outro que parecia nunca corar. Então vinha Puck, que não ficava quase nada atrás de Damon. Era... Desconcertante. Sam desviou os olhos de Santana um instante, vendo Finn que observava a cena com o olhar longe. Finn era o único desparelhado ali.

Sam: Puck comentou que tu pensas em casar outra vez. – Puxou o assunto, observando Finn, que o olhou. A beleza de Sam era algo com que nem a própria Santana conseguira se acostumar. O cabelo, os olhos, a maçã do rosto, os lábios, a cor da pele, o físico, o porte, a voz...

Finn: Puck ainda morrerá pela língua. – Rosnou, se abraçando.

Sam: Desculpe? – Perguntou, franzindo o cenho.

Finn: Nada, apenas pensei alto. – Se retratou, quieto.

Sam: Sei que hoje não é dia para falar sobre isso, respeito seu luto e sua dor. – Continuou – Apenas quero assinalar que tens meu total apoio. Já travas uma guerra pela morte de Dulce, logo tens todo o direito de querer outra esposa. – Concluiu. Finn assentiu, agradecendo, e Sam encerrou o assunto voltando a olhar para Santana.

Kristen: Dam, mandou me chamar? – Perguntou, então sorriu. Kristen era mais baixa que Santana e Damon, do tamanho de Quinn, pálida, com os cabelos da cor de chocolate, caindo ate o meio das costas, e da mesma cor dos olhos.

Santana: Sam. – Chamou, virando-se. Seu olhar encontrou ao dele e ela notou que ele já observava. Sorriu para o marido, que retribuiu.

Sam: Tudo bem. – Assentiu e Santana apanhou a aba do vestido pesado, saindo dali com as outras mulheres. Puck piscou duas vezes, mas Damon já havia ido se sentar.

Puck: O que foi isso? – Perguntou, apontando pro corredor. – Ela chama seu nome e você diz tudo bem?

Sam: Ela queria minha permissão para sair. Caminhar no jardim. – Disse, se recostando, tranqüilo.

Puck: Ela só disse seu nome, como pode saber?

Sam: Porque eu conheço minha mulher. – Disse, obvio. Damon riu. – Vá até o jardim, se lhe apraz. Ela está lá. Estava pedindo minha permissão.

Finn: Mas o tempo está frio, vai chover, está nublado. – Disse, ainda distraído. O dia não estava sendo fácil para ele.

Sam: Tão melhor. – Se resumiu. Logo outro assunto subiu a mesa, e aquele foi abafado.

Finn não soube nada sobre Rachel o dia todo. As celebrações e missas pela morte de Dulce levaram toda a tarde, e ele tampouco teve tempo. Toda cidade comparecia, todos os anos. Suri não ia. Rachel também não foi.

Nina: O que significa isso? – Perguntou, entrando na cozinha que cheirava levemente a açúcar e estava coberta de doces. Rachel confeitava um bolo enorme.

Rachel: O que parece ser? — Perguntou, fazendo um confeito bonitinho na lateral do bolo.

Nina: Finn vai matá-la. – Disse, satisfeita. Rachel revirou os olhos – E eu vou contar. – Rachel suspirou.

Rachel: Será que tu não aprendestes ainda que não pode me contrariar? – Perguntou, debochada.

Nina: Isso só porque és amasia dele. – Alfinetou. Rachel parou um instante, mas não se conteve.

Rachel: É, porque eu sou amásia dele. – Confirmou, divertida. As sobrancelhas de Nina se ergueram em surpresa.

Nina: Então tu o confirmas? – Perguntou, e Rachel ergueu o queixo. Todos já sabiam mesmo.

Rachel: Confirmo. – Disse, divertida – Confirmo e tu tens inveja. – Disse, pondo um dedo sujo de confeito na boca.

Nina: Inveja de ti? – Perguntou, mordida.

Rachel: Inveja porque ele escolheu a mim, não a ti. Inveja por ele quase não me deixar trabalhar, por me dar presentes e um quarto enorme e confortável, enquanto tu continuas com o teu de empregada. – Começou, lavando a alma – Inveja porque ele confia tanto em mim que me confiou a filha. Inveja porque ele me deixa fazer tudo o que quero, na hora que quero. – Continuou, então sorriu – Inveja, porque toda noite ele faz coisas comigo... Coisas que nem nos teus melhores sonhos tu podes imaginar. – Disse, descarada, sorrindo – E aqui entre nós, sei que tu já o imaginou.

Nina: Estás louca. – Repudiou, mas estava corada.

Rachel: Ele é melhor. Melhor do que tudo o que fantasiaste. Tão melhor que me custa respirar as vezes. – Rachel estava adorando provocar – E não, ele não se cansa. É a toda hora, em todo lugar, de todos os modos possíveis. – Ela suspirou – Não que seja de tua conta, é claro. Agora saia daqui que tenho muito o que fazer.

Nina: Eu vou estar aqui para rir quando teu conto-de-fadas terminar, Rachel. Eu vou rir de você. – Rachel nem olhou para ela, mexendo um tacho – Que crês? Que ele vai assumi-la, colocar uma coroa em tua cabeça e ter uma mão de filhos? – Ela riu – Pobre de ti.

Rachel: Meu conto de fadas terá um final feliz. – Ela queria acreditar nisso – E sim, tu estarás aqui para vê-lo. Agora saia, já disse.

Nina fuzilou Rachel por instantes, então saiu. Uma vez sozinha Rachel riu de leve, balançando a cabeça, e voltou ao trabalho. Suri esperou. Sozinha, em silencio, horas a fio. Porém, quando Rachel voltou, estava de mãos vazias.

Suri: Eu avisei que ele não deixaria. –Disse, sorrindo de canto – Ele não brigou contigo, brigou? – Preocupou-se.

Rachel: Não se preocupe com isso. – Disse, se aproximando – Venha, vamos tomar um banho. – Disse, descobrindo as pernas da menina e carregando-a.

Suri: Estás cheirando a açúcar. – Comentou, divertida, no colo de Rachel, que sorriu.

Rachel: Estou? – Suri assentiu. Rachel deu de ombros.

Rachel levou Suri para o banho. A menina não se entristeceu por não ter uma festa. Se frustrou por um instante, mas logo estava brincando com as bolhas de espuma na banheira. A capacidade de Suri se recuperar de uma desilusão era fascinante. Rachel pediu licença por um instante, e correu. No corredor haviam vários carrinhos, com toda a comida que ela havia preparado. Ela trouxe tudo para o quarto, enchendo-o, e correu para buscar os pacotes. Não havia comprado um, ou dois brinquedos, como dissera a Finn. Comprou vários, dezenas. Bonecas, livrinhos, ursos de pelúcia, joguinhos, tudo. Arrumou o quarto todo e voltou pro banheiro, terminando o banho da menina. A vestiu com uma camisolinha rosa, fofa, e lhe penteou os cabelos. Quando voltou ao quarto os olhos de Suri se arregalaram em choque.

Rachel: Parabéns pra você, nessa data querida... – Cantarolou, feliz. Suri ainda não tinha palavras.

Fora todos os brinquedos haviam montes de comida ali. Comida que criança gosta: Doces, guloseimas, tudo o que Rachel conseguiu preparar durante o dia, e três bolos. Exagero, pois eram só elas duas, mas a menina merecia.

Suri: Ele deixou?! – Perguntou, a vozinha aguda de felicidade. Os olhos da menina corriam dos montes de doces pros vários brinquedos. Haviam velas nos bolos. Haviam chocolates, balas, pãezinhos... Um dos bolos era de morango, um de creme e outro de chocolate confeitado.

Rachel: Seu pai ama você, demais. Mesmo que não tenha tempo para demonstrar como deve. – Disse, levando a menina para a cama. Finn, parado no corredor as escondidas, escutava tudo com os olhos contraídos em dor.

Suri: As vezes eu não sei. Parece que ele me evita. Só vem na hora de acordar e na de dormir. – Ela deu de ombros.

Rachel: Um homem mal fez algo muito feio com o seu pai. – Explicou, arrumando o cabelo da menina – Muito, muito feio. Agora seu pai está magoado, ele quer revidar. Não que seja certo revidar. – Ralhou, e Suri sorriu – Mas ele quer. Está demorando, por isso ele não vem muito. – Suri assentiu – Sabe, foi ele que me mandou fazer isso tudo. – Mentiu. Os olhinhos de Suri se arregalaram e Finn franziu o cenho. Ele não mandara.

Suri: Ele me mandou essa festa? – Perguntou, agora radiante de felicidade.

Rachel: Com tudo o que tem aqui. Eu pedi permissão e ele me ordenou fazer tudo o que desse tempo. – Continuou. Finn sorriu consigo mesmo, o olhar distante – Ele ama você, acredite. Mas agora vamos a sua festa. – Disse, puxando uma das bonecas. Suri apanhou, desembalando-a animadamente.

Dali pra frente a festa correu solta. O barulho das brincadeiras entre as duas e os risos não passavam da porta do quarto. Finn saiu dali quando a conversa sobre ele acabou. Parou em seu quarto e abriu a gaveta, apanhando a foto de Dulce a muito colocada lá. Todo ano ele mantinha o luto, como agora, vestido de preto até a alma, e a dor nunca passava. Ele se lembrou das pilhas de doces e presentes... Como Suri podia duvidar de seu amor? Ele tinha sido um bom pai, não tinha? Ele nem sabia dizer... Olhou a foto de Dulce novamente, e se lembrou da voz de Rachel, mentindo, dizendo que ele tinha ordenado a pequena festa. O mérito era dela e ela mentiu para fazer sua filha feliz... Para ajudá-lo.

Finn: Dulce... – Chamou, observando a foto. Dulce o encarava de lá, neutra. – Porque eu não consigo mais sonhar contigo? – Perguntou, olhando-a.

Finn largou a foto na cama, apoiando os cotovelos nos joelhos e apanhando a cabeça nas mãos, os dedos adentrando os cabelos, o cenho cerrado. Como todas as perguntas que ele fizera a Dulce nos últimos 6 anos, esta também ficou sem resposta.

Já era tarde. Rachel já tinha recolhido toda a festa, e já havia se recolhido. Suri estava pronta pra dormir, debaixo de suas cobertas.

Finn: Está acordada? – Perguntou, alisando os cabelos da menina, que se virou, admirada, olhando o pai. – Feliz aniversário, meu amor. – Disse, oferecendo um embrulho grande que havia em suas mãos. Suri se sentou, apoiando nos braços, e coçou os olhinhos.

Suri: Estou dormindo? – Perguntou, confusa. Finn sorriu.

Finn: Não, meu anjo. Vim trazer um presente para você. – Disse, e Suri apanhou o embrulho, desembalando-o. Era uma boneca enorme, linda, de porcelana. Foi a mais cara que Finn encontrou. Seus cabelos eram louros, e o corpo de pano. – Eu gostaria de ter comprado mais, mas Rachel trouxe tudo ao alcance. – Ele riu de leve.

Suri: Porque o senhor mandou trazer. – Lembrou, feliz – E essa é a minha preferida, porque o senhor escolheu. – Disse, abraçando a boneca. Finn lhe acariciou o cabelo.

Finn: Me perdoe por ser ausente, Suri. Você merecia um pai melhor do que eu sou. – Disse, olhando-a – Me perdoe por não fazer uma festa no seu aniversário, por não fazer festas, é que eu... Eu... – Ele procurou palavras.

Suri: É que a mamãe morreu no dia do meu aniversário. – Disse, observando-o. Finn precisou de um instante para voltar a falar. – Por isso eu não consigo andar.

Finn: É. – Confirmou – E eu ainda não sei lidar com tudo isso, mas você não tem culpa, me perdoe.

Suri: Tudo bem, hoje o senhor veio. – Disse, alisando o braço dele. Finn observou a mãozinha da menina no tecido preto de sua camisa – Eu espero o senhor aprender a lidar. Ainda tenho muitos aniversários. Vai dar tempo.

Finn: Você é a melhor filha que alguém poderia ter, sabia? – Ele sorriu para ela. Finn passou pro lado dela na cama, apanhando-a em seu colo e abraçando-a – Eu amo você. – Disse, beijando-lhe a testa. Rachel, que vinha verificar a menina, temendo que a quantidade de doces que a menina comeu lhe desse dor de barriga. Mas percebeu que Finn estava lá e retrocedeu.

Suri: Também amo você, papai. – Disse, tentando abraçar Finn. Os bracinhos dela eram demasiado curtos, mas a intenção era clara. Finn a abraçou forte, esmagando-a, e a menina riu, alegre – Esse é o melhor aniversário de todos do mundo. – Comentou, e ele sorriu, enchendo-a de beijos. Rachel sorriu e saiu dali. Aquele momento não era dela, era deles dois.

Rachel ficou lendo em seu quarto por horas, esperando que Finn viesse. Por fim concluiu que ele decidira dormir com Suri, era provável e justo, então fechou o livro, foi ao banheiro e voltou, apagando as velas. O quarto estava quase todo no breu quando ela ouviu a porta fechando. Não podia ver mais nada, não sobravam velas. A situação podia ser assustadora: Estava escuro, frio, chovia lá fora... Mas ela sentia a presença dele. Ficou imóvel, esperando, até que ele a abraçou, a boca sedenta atacando sua pele, beijando e mordendo.

Rachel: Já não ia esperá-lo. – Disse, sorrindo, e ouviu o riso baixo dele, perto de sua orelha. Era incrível, ele estava em plena depressão, mas bastava se aproximar dela que era capaz de sorrir outra vez.

Finn ficou em silencio. A boca dele mordia o pescoço dela, o queixo, lábios, rosto, as mãos sedentas passeando por seu corpo. Durou minutos onde só o que se ouvia era o ofegar dos dois, então ele falou, rompendo o silencio.

Finn: Quero que vá ao baile. – Anunciou, e Rachel arregalou os olhos no escuro.

Rachel: Enlouqueceu? – Perguntou, se segurando nos ombros dele para não tropeçar ou cambalear. O rosto dela oscilava com os beijos dele. – Vão me reconhecer. Sou só uma criada.

Finn: Será um baile de mascaras. – Explicou, resumidamente – Ninguém a verá. Se alguém vir, eu mando matar. – Rachel o estapeou no escuro. As mãos de Finn subiram por debaixo da camisola dela, apertando a barriga, e logo se enchendo dos seios dela, que ofegou – Você vai. E não haverá mulher tão linda quanto você. – Concluiu.

Rachel: Está louco... Ai! – Quase gritou, lânguida, oscilando para trás. Ele riu de novo. Rachel sentiu as mãos dele descendo por sua barriga, apanhando-a pelas coxas, e ela estava no colo dele.

Finn: Não estou louco, só amo você. – Se resumiu e passou com ela pra cima da cama. Rachel riu com a simplicidade dele. – Que está fazendo? – Perguntou, quando ela afastou suas mãos. Uma vez que ser rejeitado era frustrante, sem poder ver era impossível.

Rachel: Shhh. – Ele sentiu um dedo em seus lábios. Ele percebeu que ela queria se soltar e saiu de cima dela... Só pra rir quando ela passou pra cima de si, sentando-se em seu colo. Ela puxou um travesseiro, pondo-o deitado com a cabeça em cima. Finn esperou. – Quieto. Eu vou cuidar de você – Sussurrou, mordendo a orelha dele. Finn não sabia, mas aquilo era uma tentativa de fazê-lo relaxar e esquecer o dia exaustivo que tivera.

Não era do fetil de Finn obedecer, verdade seja dita, mas ele obedeceu. Ficou quieto, esperando. Ela tirou a camisola e ele nem viu, aliás, ele não estava vendo nada. Só quando ela apanhou as mãos dele, pondo-as em sua barriga, foi que ele deu pela falta da peça.

Finn: Isso pode ser interessante. – Observou, começando a gostar da brincadeira. Rachel riu até sentir as mãos dele apertando-a, o dedo encontrando seu umbigo, brincando com ele, fazendo-a sentir uma fisgada no ventre.

Tutorial Faça Você Mesmo: É muito simples. O material necessário é um dedo indicador e um umbigo. Pegue o seu lindo dedo, coloque no umbigo e pressione com a unha. Pronto, você conseguiu a fisgada da qual eu estou falando. Xoxo, Gossip Girl.

As mãos de Finn fizeram sua festa aquela noite. Valendo-se do fato que ele não enxergava, as mãos se fartaram nela. Rachel se inclinou, tomando os lábios dele em um beijo sôfrego enquanto as mãos dele se divertiam passeando pelo corpo dela. Primeiro pelos seios, sua atenção principal, brincando, apalpando como se nunca tivesse visto. Depois as mãos desceram pelas costas dela, arranhando-a de modo apertado, e Rachel arfou, o que o fez sorrir de canto, mordendo-lhe os lábios. O ponto final do tour foi o traseiro dela, do qual ele judiou. Apalpava, apertava, e logo teve a brilhante ideia de pressioná-la contra si. Nisso Rachel gemeu. Ele deixou os lábios dela, já inchados, para deixá-la respirar, e desceu até seu pescoço, provando-lhe a pele. Rachel puxou a camisa dele, as unhas marcando-o sem intenção, estourando os botões, e uma vez livre pressionou os seios, túmidos pelas mordidas, apertadas e beliscões que levara, no peito forte dele. Finn gostou da sensação. Ela se moveu no peito dele, friccionando os dois, até que as peles começaram a esquentar... E bastou.

Finn: Não quero mais brincar. — Disse, meio rouco, e ela se afastou para permitir que ele se livrasse das roupas dos dois.

Finn desviou da própria calça, e o que foi feito do short de Rachel é mistério até hoje. Os corpos dos dois se uniram em um movimento suave, natural. Enquanto ela prendeu a respiração ele suspirou, satisfeito. Rachel se abaixou novamente, beijando-o de modo mordido e se movendo devagar, permitindo seu corpo sentir o dele antes que tudo se emaranhasse. Finn, como havia prometido, ficou quieto... Até onde sua força de vontade permitiu.

Quando não pôde mais apertou o quadril dela, provavelmente deixando a marca, e a puxou, começando a guiar os movimentos do seu jeito. Depois dali nada mais fez muito sentido. Quando Rachel sentiu que estava por vir, afundou o rosto no ombro dele, mordendo-o, e ele a sentiu. Depois de poucos minutos foi a vez dele, que a apertou contra si, gemendo abafado e deixando a cabeça cair para trás. O silencio comandou tudo depois disso. Após instantes ele acariciava as costas dela com a ponta dos dedos e Rachel, o peito dele, ambos abraçados. Ele só quebrou o silencio para dizer uma coisa.

Finn: Você irá ao baile. — Finalizou, e ela não encontrou argumentos. Ela iria.

Semanas depois...

O dia do baile chegou. Na primeira semana depois do mês em que Dulce expirara. Rachel acordou e Finn já havia partido. Ela seguiu sua rotina, cuidou de Suri e fez tudo de modo normal. Ao entardecer deixou Suri brincando e foi em seu quarto, sentar um pouco para descansar as pernas. O choque se deu quando abriu a porta do quarto. Havia um vestido em sua cama. Era o vestido mais lindo que ela já havia visto. De festa, cor de pele, meio acizentado, com vários detalhes. Rachel perdeu a fala. Ela se aproximou da cama, tocando o tecido do vestido. Era leve, suave. Na loucura de Finn sobre ela ir ao baile ela nem pensara que não tinha roupa para ir. Mas ele pensara, e lá estava. O vestido, roupa de baixo, sapatilhas, meia calça, luvas cinzas e uma mascara negra. Do lado da mascara havia uma rosa vermelha e um bilhete. Ela sorriu, apanhando o papel branco, pesado, e desdobrando-o. "Use isto e será a mulher mais bonita da história da criação. A mulher que estará ao meu lado, e que fará os homens terem inveja de mim por possuí-la. Eu te amo. Finn. "

Nina: Rachel, Suri se recusa a ir pro banho se você não for até lá, e antes que eu perca a paciência... – Ela parou na porta aberta, olhando tudo. O vestido, delicado, estendido na cama. As roupas, as luvas, a sapatilha preta, tão nova que parecia lustrada... A máscara. – Eu não acredito nisso. Ele vai levá-la ao baile?!

Rachel: As coisas em que tu não crês e que são verdades poderiam compor um livro.

Nina: É impossível. – Disse, exasperada, olhando o vestido.

Rachel revirou os olhos, se aproximando dela, mostrando o bilhete. O rosto de Nina desmoronou, e Rachel riu, pondo o bilhete na cama, junto ao vestido.

Rachel: Vou ver Suri. Vamos, saia daqui. – Nina a olhou, ainda incrédula – Não pense que eu vou deixá-la aqui para quando voltar encontrar meu vestido em frangalhos. – Disse, e esperou Nina sair. Ela trancou a porta – Se alguma coisa acontecer a esse vestido direi a Finn que foi tu, e que Deus tenha piedade da tua alma perante a fúria dele. – Avisou, se fazendo entender, e saiu.

Uma vez longe de Nina, Rachel riu gostosamente. Estava rindo quando chegou ao quarto de Suri. A menina sorriu, satisfeita.

Rachel: O que houve, anjo? – Perguntou, se sentando.

Suri: Uma criada queria me levar pro banho. Eu disse que você era minha criada, e que eu só ia com você. – Disse, orgulhosa, e Rachel sorriu.

Rachel: Mas precisarei sair. – Disse, acariciando o rosto da menina. – Trabalharei no baile.

Suri: Ah. – Disse, erguendo as sobrancelhas – Eu esqueci.

Rachel: Fazemos assim. Te dou banho e te deixo prontinha, então outra criada trará seu jantar, trato? — Ofereceu a mão.

Suri: Trato. – Disse, apertando a mão de Rachel, que riu, abraçando a menina.

Rachel banhou Suri, a aprontou e deixou a menina jantando. Depois foi pro próprio quarto, tomando um banho bem perfumado e demorado. Em seguida escondeu o vestido e as coisas e pediu a uma criada para enlaçar seu corpete. Quando terminou Rachel mal conseguia respirar. Agradeceu e a criada saiu. Ela vestiu a meia calça, e em seguida o vestido, apertando-o ainda mais, por cima do corpete. Resultou lindo. O corpete tinha a aparência meio metálica, o decote em V, os seios fartos realçados, e as camadas do vestido delicadamente pousadas. Encaixou os pés nas sapatilhas que logo ficaram ocultadas pelo vestido. Soltou os cabelos e os escovou até que os cachos pareciam lustrados, em um chocolate escuro perfeito caindo pelo meio das costas. Calçou as luvas e por fim pôs a pequena máscara.

Estava pronta. Se olhou no espelho procurando imperfeições aqui e ali, mas não encontrou. Foi até o banheiro, apanhando um vidro delicado de um perfume que Finn lhe dera, pondo-o levemente no pescoço, no decote e atrás das orelhas. Foi quando ouviu a voz dele.

Finn: Carinho? – Chamou, fechando a porta. Finn se portava em um terno de festa, com uma camisa preta por baixo, tudo muito luxuoso.

Rachel: Estou aqui. – Respondeu, apanhando a rosa na bancada do banheiro e saindo. Finn demorou quase um minuto admirando a beleza dela. Parecia um anjo, caído a sua frente. Ela sorriu, ansiosa, e os olhos dos dois se encontraram.

Finn: Em nome de Deus, nosso senhor, se vê tão preciosa que devia ser pecado eu ter que partilhá-la. – Disse, encantado.

Rachel: Não seja tolo. – Disse, ruborizando.

Finn: Se vê encantadora. – Disse, se aproximando. Ele abriu uma caixinha a frente dela. Rachel recuou.

Rachel: Já é demais. – Recusou. Havia uma gargantilha e um par de brincos na caixinha. Rachel nunca havia visto uma jóia, mas agradava aos olhos.

Finn: São safiras. Valorizarão teus olhos. – Disse, apanhando a gargantilha.

Rachel: Finn, não! – Ela se desviou dele, que revirou os olhos – Não vou usar as jóias de Dulce, você não precisa fazer isso, eu estou bem assim.

Finn: Dulce odiava safiras e tudo mais que fosse azul. Isso não é dela, é seu, comprei-as hoje, para você. – Ele se aproximou de novo – Vai usá-las, é uma ordem. – Ressaltou.

Sem alternativa Rachel permitiu que ele colocasse a gargantilha. O toque frio da prata se fechou sobre o pescoço dela, e logo as duas alfinetadas dos brincos nas orelhas. Os brincos eram só as pedrinhas, mas por ser singelos eram preciosos.

Finn: Eu deveria trancá-la, para que apenas eu pudesse vê-la. – Rachel o empurrou de leve, o que o fez rir. – Está linda, meu anjo.

Rachel: Pare com isso. – Pediu, ruborizada.

Finn: Tudo bem. – Ele apanhou a capa que tinha deixado em cima da cama antes de entrar – É minha. – Disse, pondo a capa em cima do ombro dela, amarrando em volta do pescoço –Irá na carruagem comigo. Quando chegarmos lá eu desço e entro. Siga na carruagem, desça nos fundos e me encontre no salão. Deixe a capa na carruagem. – Orientou e ela assentiu, enquanto ele colocava o capuz em sua cabeça. Ele deu um beijinho no nariz dela que sorriu, radiante.

E assim seria.