Jomal

9 Capítulo 23


Rachel fez como Finn orientou. Entrara no salão com sucesso. Era tão lindo! Enorme, teto alto, bem iluminado, com musica, mesas com aperitivos, salão de dança... Na extremidade norte havia uma escadaria que levava a uma plataforma alta, com quatro tronos. Santana usava um vestido grafite, tomara que caia e luxuoso, os cabelos em um penteado sofisticado. Kristen estava de verde musgo, metálico, e Quinn de marrom-vinho. Damon conversava com Puck, Kristen com Santana e Quinn. Finn e Sam não estavam. Rachel olhou em volta, deliciada. Passou um tempo caminhando entre as pessoas, observando. Um garçom a serviu uma taça de champagne. Tinha um gosto engraçado. Quando a musica começou, Rachel se afastou, animada, vendo os casais se formando, dançando a valsa que tocava. Foi quando um homem de meia idade, se direcionou a ela.

XXXX: É a dama mais encantadora da noite, me permita dizer. – Disse, reverenciando-a. Rachel empedrou. O que devia fazer? Pense, Rachel. Se você fosse uma princesa, o que faria? Ela sorriu delicadamente, apanhando a aba do vestido e retribuindo a reverencia.

Rachel: Obrigada.

XXXX: Posso saber seu nome, senhorita? – Perguntou, galante.

Finn: Patrick. – Disse, aparecendo atrás de Rachel. O coração dela deu um pulo. Ela tomou um gole grande do champanhe para se acalmar. Ele viu o gesto e quase sorriu – Se importa?

Patrick: Ora, Finn! – Cumprimentou com a cordialidade de quem cumprimenta um superior – É claro que não, sinta-se a vontade. – Finn assentiu com a cabeça e estendeu a mão a Rachel, que colocou a taça em um canto, pegando a mão dele.

Os dois caminharam até o meio do salão sob os olhares de todos. No meio do salão ele a trouxe para sua frente, encarando-a. Os dois ergueram uma das mãos, quase tocando-as, e girando no mesmo lugar.

Rachel: Quem era ele? – Perguntou, encarando Finn, enquanto se movia sutilmente em torno dele.

Finn: Alguém que estava gritando pela morte. – Respondeu, tranquilo, e ela sorriu. Os dois trocaram as mãos, girando na direção oposta – Quem a ensinou a dançar? – Ele viu o sorriso no olhar de Rachel morrer – Desculpe. Não precisa responder.

Rachel: Meu pai. Quando eu era pequena. – Respondeu, sorrindo de canto.

Finn: Não fique triste. Não hoje. – Pediu, apanhando-a pela cintura. Rachel sorriu, assentindo, enquanto os dois valsavam. Nesse momento Puck e Quinn desceram pro salão, se juntando a dança. – Eu estou miseravelmente com vontade de beijá-la. – Admitiu, com uma careta frustrada. Rachel riu.

Rachel: Não se atreva. – Alertou e ele suspirou, fazendo-a rir. Os dois rodopiavam sutilmente pelo salão, pareciam dois bonequinhos daqueles fofos que vem em caixa de som.

Finn: Você é a atração da noite. – Comentou, vendo ela arregalar os olhos – Já me pararam varias vezes, perguntando quem tu eras.

Rachel: E tu? – Perguntou, observando-o. Ele girou e os cachos dela balançaram no ar, batendo na mão dele, causando uma sensação gostosa.

Finn: Não respondi. — Disse, satisfeito, e ela riu de leve. — Todos estão olhando para nós agora. E eu continuo querendo beijá-la. — Suspirou, frustrado. Rachel ficou repentinamente alerta de que todas as atenções agora eram dela: Nada bom.

Mas não teve tempo de pensar. Finn a rodopiou, embolando-a em seu braço, a ergueu do chão levemente, encarando-a, depois... Puta que o pariu. Quando ele a pôs de volta no chão ela sorriu, momentaneamente desviada da preocupação. Como podia ser tão único? A valsa acabou e Finn a soltou, encarando-a, e se curvou perante ela, como todos os homens da pista faziam para suas damas. Rachel sorriu vendo Finn se afastar, então se virou, sentindo sede. Mas algo a paralisou. Havia um homem, há alguma distancia, batendo palmas levemente. Encarando-a. Jesse.

Rachel recuou, apavorada, então um garçom passou por ela. Quando ela olhou novamente ele já não estava lá.

A paz e a felicidade que habitavam em Rachel foram substituídas por um pânico sem precedentes. Ela procurou, e procurou, e não encontrou. Não era alucinação, ela tinha visto. A situação piorou quando Sam tirou Santana para dançar: As pessoas que estavam no salão de dança saíram, sentando-se em seus lugares, e Rachel não podia ficar de pé, dando bandeira, em frente a todos. Ela se viu Sam oferecer a mão a esposa que sorriu, apanhando a mão dele. Viu os dois descerem a escadaria, se posicionando um em frente ao outro no meio do salão. Então se sentou, o coração em duras marteladas. Iria morrer. Iria morrer essa noite. Ela viu Sam e Santana começarem a valsar elegantemente no meio do salão, e sua visão se desviou até Finn. Este estava sentado em seu trono, conversando algo com Puck tranquilamente. Quando, por fim, a valsa de Sam e Santana terminou, o barulho ensurdecedor das palmas assustou Rachel a ponto de quase fazê-la pular. Os dois sorriram um pro outro e voltaram pra plataforma. Aos poucos tudo voltou ao seu lugar e Rachel voltou a procurar. Passou-se uma hora assim. Ela achava que ia desmaiar. Se amparou em uma mesa, em um canto, respirando fundo. Pânico nunca resolvera nada. Quando por fim, aparentemente se regularizara, se virou... Para dar de cara com quem procurava.

Jesse: Tenho a impressão de que está procurando por alguém. – Comentou, tranqüilo, de braços cruzados frente a ela. Os olhos de Rachel entraram em choque. Estava mesmo ali, em frente a ela, falando com ela. Ela ia morrer. Mas como tudo que está ruim pode piorar...

XXXX: E agora a corte real! – Anunciou em voz alta.

Finn: Rachel! – Chamou, a voz se aproximando. Jesse sorriu vendo o desespero no rosto de Rachel – Venha, dance comigo. – Disse, se aproximando, e pegando o braço dela.

As vezes a sorte gosta de pregar peças. Finn estava tão distraído que não viu que Rachel conversava com um homem. Não viu quem era o homem.

Finn: Carinho, está gelada. – Comentou, estranhando – O que há? – Perguntou, olhando o rosto dela, preocupado. Jesse sorria, debochado, de braços cruzados. Rachel ia ter uma síncope. Se Finn se virasse, se olhasse para trás, se visse de relance...

Rachel: Acho que foi o champanhe. – Mentiu, montando um sorriso no rosto.

Finn: Está se sentindo mal? – Perguntou, ainda mais preocupado. Finn zelava por Rachel como a se próprio, talvez mais. – Há uma sala nos fundos, posso ficar com você até que melhore. – Jesse ergueu as sobrancelhas, ainda sorrindo.

Rachel: Não. Vamos... Vamos dançar. – Disse, apontando pra corte que se formava. Finn a encarou, sondando-a. Havia algo errado. – Venha. – E ela puxou ele, fazendo-o sair dali sem olhar pra trás. Por sorte.

Finn pegou a mão de Rachel, guiando-a. Eles passaram por toda a corte, se posicionando a sua frente. Eram quarto casais: Damon e Kristen na ponta esquerda, Rachel e Finn, Sam e Santana, Puck e Quinn fechando na ponta direita. A musica começou a tocar, assim como todos a dançar. Era uma espécie de quadrilha, os movimentos de todos eram iguais, nada muito diferente. De vez em quando os casais se trocavam. Quando Rachel foi parar nos braços de Puck, este ria.

Rachel: Qual a graça? – Perguntou, hesitante. Os dois dançavam sutilmente, seguindo os outros. Rodopiaram por Finn e Quinn, que dançavam com cortesia.

Puck: Fora tu estares da temperatura de Santana? – Perguntou, e Rachel esperou – Nada. Só que ele deve gostar muito de ti para trazê-la aqui. – Rachel sorriu, quieta – Está passando mal? – Perguntou, franzindo o cenho.

Rachel: Não é nada demais. – Tranquilizou, e ele assentiu. Então os casais se destrocaram e ela voltou para os braços de Finn – Acha que vai demorar muito para acabar?

Finn: É o primeiro baile ao qual tu vens? – Rachel assentiu. Costumavam haver bailes na época de Dulce, por isso a pergunta – Em geral levam até o amanhecer, carinho. – Respondeu, e Rachel sentiu o estomago embrulhar. Não passava da meia noite. – Ainda se sente mal?

Rachel: Vai passar. – Respondeu, e graças aos céus nessa hora as damas da pista giraram, rodopiando, o que evitou que Finn visse os olhos dela. O som das abas dos vestidos rodopiando abafou o soluço seco que ela emitiu.

Enfim a quadrilha terminou. Os casais, na posição inicial, se inclinaram, agradecendo os aplausos. Rachel se perguntava se entregar-se e morrer logo não seria melhor que essa agonia. Talvez fosse.

Rachel rodou incansavelmente. O que era pra ser a noite perfeita terminou sendo seu pior pesadelo. Era madrugada. Ela não aguentava mais. Finn viu ela encarando-o e pediu licença, se aproximando. Ele sorria. Que pena.

Rachel: Finn... Ele está aqui. – Disse, a voz falha em seu pânico.

Finn: Ele quem, carinho? – Perguntou, arrumando a mascara dela.

Rachel: Jesse. – A voz dela estava tão sofrida que era quase imperceptível. Quase. Ela viu ele empedrar no momento em que ela proferiu o nome.

Finn: Como pode saber? – Perguntou, a fúria substituindo a alegria que estava no rosto dele.

Rachel: Eu vi. Me bati com ele. – Ela respirou fundo – Está de preto, usa uma máscara...

Finn: Você tem certeza? – Perguntou, sondando os olhos dela.

Rachel: Absoluta. – Confirmou, se entregando aos leões – Ele está aqui.

Finn: Não vá para lugares vazios. – Ordenou e deu as costas, saindo.

Rachel nem se moveu. Que Deus tivesse piedade dela. Finn subiu as escadarias a passadas largas. Foi até o canto onde Puck, Sam e Damon estavam e disse algo rapidamente. Os olhares de alerta foram imediatos. Sam perguntou algo que Rachel interpretou como: “Tem certeza?”, e Finn confirmou. Sam se levantou, em seguida, e foi até Santana, apanhando-a sutilmente pelo braço. Santana a olhou, indagadoramente, mas ele apenas negou com a cabeça, tirando-a dali. Depois que as rainhas foram tiradas dali, Rachel viu soldados entrando discretamente no salão. Rachel se abraçou, vendo todos se dispersando, procurando. Passou-se bem uma hora. Ela queria ir pra casa. Queria estar em sua cama, com Finn em seus braços, e saber que tudo estava bem. Saiu caminhando, tentando se acalmar... Sem perceber que estava se afastando. Terminou em um canto afastado, perto da saída, onde estavam as carruagens.

Jesse: Ou você é realmente corajosa, ou realmente tola. – Comentou, a voz atrás dela, e Rachel franziu o cenho.

Rachel: O que quer, Jesse? – Perguntou, se virando, cansada.

Jesse: Há um leque de coisas. Primeiramente eu quero que você volte para casa. Em segundo plano, quero seu namoradinho morto.

Rachel: Voltarei para casa quando isso tudo acabar. – Disse, tranquila. Não tinha mais nada que perder mesmo – Finn não irá morrer. Não tão cedo, nem por tuas mãos.

Jesse: Quem me deterá, tu? – Perguntou, debochado.

Rachel: Se tentar, vou ser eu a cravar a adaga em teu coração. Eu prometo.

Jesse: Se vê que tu não é mais a menina tola que ia com a mamãe lavar roupas atrás de meu castelo. – Observou, olhando-a.

Rachel: Você não me conhece. – Disse, quieta. – Vá embora. Retire suas tropas, acabe essa guerra. Deixe Finn em paz. – Jesse riu – Que inferno, você já matou a mulher dele, já aleijou a filha, o que mais você quer?

Jesse: Você não sabe da metade das estruturas dessa guerra. – Disse, divertido. Ele olhou pro chão, sorrindo. Então uma mão estava no braço de Rachel, puxando-a – Mas ainda assim voltará para casa esta noite.

Rachel: Já disse que voltarei para casa quanto terminar. Tire as mãos de mim! – Ela se debateu, tentando se soltar.

Jesse: Voltará para casa agora, comigo. – Corrigiu.

Rachel: Tu não és homem de pisar onde é minha casa. – Debochou, sorrindo de canto, ainda se debatendo. Jesse ergueu as sobrancelhas.

Jesse: E tu, Rachel, se considera mulher? Mulher o suficiente? – Perguntou, balançando a cabeça pro lado – Se eu abrir a boca e gritar tua verdade para que teu amado a ouça agora, vai continuar sendo mulher assim? Vai ser mulher quando ele a matar?

Rachel: Ele sabe a verdade. – Murmurou.

Jesse: Mentira tua. – Rebateu, na mesma hora. Rachel voltou a se debater.

Rachel: Tu não vais abrir a boca para gritar nada, pois é um verme. Sabe quem está aqui, e sabe que morrerá se colocarem os olhos em ti. – Debochou, com um sorriso morto no rosto. Então voltou a se debater – ME LARGUE! – Gritou, puxando o braço, mas ele a arrastava. Ela olhou para trás; Seus gritos não alcançariam Finn. Estava perdida, Jesse a levaria.

Santana: Solte-a. – Ordenou, a voz branda, vindo de trás dos dois. O coração de Rachel despencou do peito, atravessando o chão. Jesse parou por um instante, virando o rosto para Santana. A morena ergueu o rosto, encarando-o com um desprezo que chegava gelar, os olhos negros feito carvão. Mas, ao contrário de Rachel, não havia medo em seu rosto.

Jesse: Está falando comigo? – Perguntou, lentamente, achando graça da afronta.

Santana: Com quem mais seria? – Perguntou, educada.

Jesse: És bonita, mas não faz meu tipo. E mulheres não mandam em mim. – Debochou, puxando o braço de Rachel novamente.

Santana: Se vê de longe que não sabes quem eu sou. – Comentou, mordendo o lábio. Os cabelos caiam pelos ombros até a altura da cintura, negros, sedosos. O penteado provavelmente se desfizera quando Sam a levou dali as pressas. Ela passou a mão nos cabelos, tirando-os do rosto. Jesse respirou, cansado, e se virou. Rachel perdera a voz.

Jesse: Eu deveria saber? – Perguntou, falsamente interessado.

Santana: Se fosse alguém inteligente saberia quem é meu marido. Mas é claro que inteligência de você seria pedir demais. – Observou – Solte-a.

Jesse: Cansei dessa brincadeira. – Suspirou – Ande, sua pequena vadia, vamos. – Rosnou, puxando Rachel, que cambaleou. Santana ergueu as sobrancelhas.

Santana: Você beija sua mãe com essa boca? – Perguntou, e Jesse se virou. Santana tinha um sorriso autentico no rosto agora. Ela ergueu as sobrancelhas, fingindo surpresa – Ops. Esqueci. Não beija mais. – Disse, e abriu um sorriso faiscante.

Jesse: Quem é você? – Perguntou, agora irritado com Santana. Aquela mulher tinha dedo na morte de sua mãe.

Santana: Santana Lopez. – Disse, tranquila – Eu vou dizer pela ultima vez: Solte-a. Se não solta-la agora eu vou gritar, meu marido estará aqui em uma fração de segundo e tu estarás morto antes de bater no chão.

Jesse: Está blefando. – O braço de Rachel doía barbaramente. Santana assentiu.

Santana: Tudo bem, vamos ver. – Ela tomou um sopro de ar – Sam! – Chamou, em um grito, encarando Jesse. – Experimente contar até dez. – Disse, abrindo aquele sorriso ameaçador novamente.

Jesse, desgostoso, encarou Rachel. Os olhos azuis estavam quase sem vida, de tanto medo. Por fim ele a soltou. Rachel gemeu, segurando o braço. Jesse passou por Santana, encarando-a, e a outra manteve seu olhar, destemidamente. Jesse não era burro: Uma ofensiva com Sam naquele momento era pedir para morrer. Uma vez que ele saiu, o olhar de Santana voltou-se para Rachel.

Santana: O que ele queria com você? – Perguntou, os olhos sondando Rachel.

Rachel: Eu não sei. – Murmurou, quase com a certeza de que ia desmaiar. – Só me agarrou, queria me levar. Obrigada. – Santana assentiu.

Santana: Aparentemente Jesse quer realmente criar problemas com todas as mulheres de Finn. – Comentou, ainda encarando Rachel.

Sam: Santana? – Chamou, aparecendo ali. Incrível, levara poucos segundos.

Santana: Saiu por ali. Fugiu de mim. – Apontou. Sam fez um sinal e uns 20 homens o acompanharam. Logo Rachel e Santana estavam sozinhas novamente.

Santana: É bom que tu não estejas mentindo para mim, Rachel. – Disse, e Rachel a encarou – Se estiver mentindo e meu marido estiver defendendo a ti e a Finn debaixo de uma mentira, é comigo que tu deverás se preocupar. – Avisou, em seguida apanhando seu vestido e voltando para o salão, tranquilamente.

Rachel, uma vez sozinha, se amparou em uma parede, cobrindo o rosto com as mãos. Quando esse pesadelo ia terminar?