Joining the dots
1 O salão dos corpos
Notas iniciais
O dia clareou em Baker Street, seus cabelos negros e ondulados estavam bagunçados referente a noite que passaste em claro. Sherlock abriu seus olhos no momento em que uma fresta de luz invadiu o quarto iluminando-o.
– Urg – Sherlock levanta-se lentamente. E senta-se na beirada da cama encarando os recortes de jornais colados na parede. Calçou seus chinelos de veludo, vestiu seu roupão que estava posicionado estrategicamente no chifre de uma cabeça masculina – sim, era um humano com chifres. – Bom dia Bob – deixando para trás um quarto escuro e bagunçado. Desceu as escadas de ser apartamento entrando na sala onde estava seu misterioso chá, que, por algum motivo aparecia todos os dias magicamente em cima de sua mesa próxima a sua poltrona favorita de couro.
– Olá sra.Hudson – Sherlock disse bebericando seu misterioso chá.
– Bom dia Sherlock, como sabia que era eu? – pobre senhora Hudson, viúva, teve seu marido culpado e morto pelo homicídio de duas pessoas. Sua única e atual companhia era um sociopada funcional que nunca dobrava suas próprias cuecas.
– Deixe elas ai em cima – disse Sherlock referindo-se as camisas que sra. Hudson carregava e depois sentou-se em sua cadeira abrindo seu notebook sem mesmo olhar na cara de sua senhoria.
– Claro, mas como?
– Seus sapatos de sola de madeira fazem eco quando entram em contato com o chão, o som de seus leves passos são facilmente identificáveis pelo uso de palmilhas de madeira ortopédica, correto? – disse ele, ainda com os olhos focados na tela de seu computador portátil.
– Correto – sussurrou sra. Hudson impressionada com a capacidade de dedução de seu companheiro de chá.
– E além do mais, só moramos nós dois aqui e eu não imaginaria que a senhora traria uma companhia nem um cliente assim, tão cedo na manhã – Sherlock disse virando-se para mrs. Hudson e dando um alegre sorriso, fazendo com que a pobre mulher core e se retire da sala. – Vamos ver... genocídio? Hmm, não. Traição, god, não. Cachorrinho perdido? Hmm esse pode ser interessant- Sherlock, que pesquisava por um caso, fora interrompido pelo toque de seu celular.
– Estou com ele aqui – MIke Stamford, uma pessoa que lhe prometeu encontrar um colega para dividir o apartamento acabou de telefonar avisando que havia encontrado o residente perfeito. Sherlock levantou-se, deu uma boa goleada em seu chá e saiu em direção ao seu quarto com o proposito de se trocar. Vestiu-se com seu terno preto sem gravata, odiava gravatas, logo a campainha tocou.
DING DONG
Sra. Hudson correu para abrir a porta, afinal, é falta de educação deixar o convidado esperando. Sherlock sentava-se em sua poltrona com os braços sob os braços da mesma e fazia seus dedos dançarem ao ritmo de Sull’aria.
– Por aqui, vamos entrando meninos. Aceitam uma xicara de chá? – sra. Hudson se dirigia aos cavaleiros que logo entravam no ambiente. Ambos tiravam os casacos e ambos aceitaram a oferta de sra. Hudson. Sherlock os avistava pelo canto do olho.
– Aqui está o homem que eu lhe falei, Sherlock Holmes, o detetive consultor. – Mike disse apresentando o futuro companheiro de sr. Holmes.
– John, John Watson – disse o homem esticando a mão para que Sherlock pudesse cumprimenta-lo.
Sexo masculino, cabelos quase loiros, rugas ao redor dos olhos, não muito velho, 31-35 anos, muito baixo, aproximadamente 1, 70. Rígido com sua mão esquerda, anda com a ajuda de bengalas, bronzeado, apenas no rosto e mãos, isso indica serviço militar, machucado em guerra – dispensado – provável terapia, não precisa da bengala só sente mais confortável com ela. Solteiro, calos nas mãos. Comeu waffles e chá no café da manhã, acabou de voltar da terapia? Confuso e cansado.
– Sherlock Holmes, prazer. – Sherlock apertou a mão de John e o puxou para próximo o fazendo perder o equilíbrio e soltar a maldita bengala. Sherlock o puxou para mais perto tocando seu peito contra o de John, ainda apertando rigidamente suas mãos sussurrou na orelha de seu futuro companheiro – Você não precisa dela não é?
– Como? – disse John confuso soltando a mão do sr. Holmes.
– Ferimento de guerra. Afeganistão ou Iraque. Mas você já está curado não é? Só sente-se mais seguro com ela. – Sherlock disse virando as costas e andando em direção a lareira no fundo da sala. – Que seja. Bom, — bateu suas mãos e disse esfregando-as – Cadê suas malas, Dr. Watson?
– Malas? Que malas? E como sabia que eu estava em guerra? E que eu sou doutor? – confuso, John fazia perguntas enquanto encarava Stamford que neste momento estava rindo da situação.
– A policia não contrata amadores. Seu bronzeado e seu ferimento só podem indicar uma coisa: serviço militar. Então eu pergunto, Afeganistão ou Iraque? – Sherlock disse virando-se ao seu novíssimo doutor – Você é velho, baixo e fraco demais para ser um soldado, além disso, soldados não comem waffles no café da manhã. Então quando você se muda?
– Impressionante. – resmungou John com um sorriso tolo na face. – Amanhã está bom para você?
– Amanha é ótimo.
Oito da manha e as caixas não param de chegar.
Senhora Hudson preparava chá feito louca, John arrumava suas coisas na sala e quarto enquanto Sherlock bebericava sua bebida sentado ao computador.
– Você bem que poderia ajudar. – disse John enquanto colocava uma almofada com a bandeira do reino unido sob uma das poltronas.
– Peça a sra. Hudson – Sherlock respondeu, suas palavras foram levemente abafadas pela porcelana de sua xicara.
– Eu não sou sua empregada! – afirmou sra Hudson enquanto retirava o chá já tomado por Sherlock e John
– Ta, Ta – Sherlock disse dispensando-a com um gesto feito por sua mão enquanto ainda encarava seu computador sem mudar de posição nem se quer para piscar. – Telefone – disse ele no momento em que o primeiro toque ecoou pelo ambiente.
– Está do seu lado! – disse John que logo se rendeu e atendeu o telefone. – John Watson, com quem eu falo?
– Watson quem? Aqui é Greg Lestrade departamento de homicídios de Londres. Estou procurando por Sherlock Holmes.
– OH, sim, um instante. — telefone para você – John entregou na mão de Sherlock que não estava nem um pouco interessado na ligação.
– Já vou indo. – Sherlock arrastou John pela gola de sua camisa e o colocou dentro de uma taxi sem responder nenhuma pergunta que o pobre homem fazia.
– Onde estamos indo?
– Isso importa? De onde viemos? Para onde vamos? Onde estamos indo? São perguntas que assolam a humanidade desde o inicio e não é só porque um ex-médico do exercido insistiu nelas que foram respondidas. – Sherlock disse fazendo John bufar encolhendo-se no banco do taxi.
Chegando no local, era um grande salão de festas e estava rodeado por carros de policias e pessoas com vestidos de gala que estavam sendo interrogadas.
– Meu homem. – disse Lestrade vindo em direção a Sherlock com esperanças de um abraço que foi logo desviado o levando em encontro a John – Quem é esse?
– Meu assistente. – disse Sherlock e que foi logo em seguida questionado por John mas sem dar a mínima em responde-lo.
– Assistente!? UAL! Grite se estiver aqui contra vontade. – sussurrou Lestrade ao ouvido de John, que deu uma breve risadinha interrompida por Sherlock.
– O que temos aqui? – perguntou Holmes passando pelas faixas de “Não ultrapassar.”
– Veja por você mesmo.
O salão estava imundo, cheio de policiais, Sherlock andava pelo local, e logo encontrou a primeira vitima:
Mulher, aproximadamente 42 anos, cabelos louros tingidos, mãos e rosto pálidos com pequenas manchas roxas, morte por envenenamento. Rica, pela quantidade de joias, sem calos em nenhuma das mãos, nunca trabalhou na vida. Casou-se com um marido rico. Lindo vestido mas não o mais bonito – convidada.
Sherlock fazia sua dedução em vos alta e todos os que o rodeavam, com exceção de Anderson, estavam impressionados pela sua capacidade. Holmes andou mais um pouco pelo local o que o levou a segunda vitima:
Homem, não muito velho, aproximadamente 19 anos, mãos e rostos pálidos com pequenas manchas roxas, morte por envenenamento. Sem calos nas mãos, provavelmente não estuda, terno apertado, não foi feito especialmente para esta noite – convidado.
Assim chegou a terceira vitima, mesmas características, mesma morte.
A coisa se repetiu na quarta vitima que tinha uma idade mais avançada.
Quinta vitima, uma criança, de acordo com a policia era a mais nova da festa seguida pela segunda vitima.
Quinta e ultima vitima:
Homem, 53-55 anos, mesma causa da morte, calos nas mãos, provavelmente o marido rico. Características de alguém acima do peso, restos de remédio em seu colarinho, provável remédio para hipertensão. Melhor terno com abotoadeiras de ouro, símbolos RH... RH??? O que poderia ser RH? Recursos humanos? Restaurante Hispânico? Mas que raios é RH???
– O que pode ser RH? – disse Sherlock em voz alta perturbado pela falta de conhecimento em sua dedução.
– Richard Hestlon – disse uma mulher sem muita importância – O anfitrião da festa, talvez?
– Anfitrião...? hm – murmurou Sherlock para si mesmo.
– O que todas essas pessoas tem em comum? – disse John que foi mandado ficar quieto por Lestrade.
– O que disse? – perguntou Sherlock.
– Bem, no CSI, as vitimas de um serial killer sempre tem algo em comum.
– ISSO! – Exclamou Sherlock com uma certa alegria. – Doutor Watson eu poderia beija-lo agora mesmo!
– Talvez mais tarde... – disse John
– O que essas pessoas tem em comum além de estarem na mesma festa brega? – resmungava Sherlock andando de uma lado para o outro coçando seu queixo. Essa duvida estava o matando.
Taça de champanhe. Isso. Todos estavam bebendo champanhe. O veneno pode estar na bebida. Mas isso não faz sentido. Por que só seis morreram? E um deles era uma criança. Não poderia ter bebido champanhe...
– ISSO! ISSO! ISSO! – disse Sherlock batendo sua cabeça contra suas mãos. – COMO EU NÃO PENSEI NISSO ANTES???
– Nisso o que, Sherlock? – disse Anderson com uma cara de desprezo.
– Na bebida! Essas pessoas não podem ter bebido a mesma coisa que as outras se não elas todas estariam mortas! – dizia Sherlock excitado com a sua própria dedução. – A segunda vitima, é menor de idade certo? Então ele não deve ter bebido champanhe, assim como a terceira e a quinta. Não, pera. ISSO! SIM! A quarta é uma idosa, ela deve ter evitado bebidas alcoólicas por conta de sua idade e o anfitrião, o anfitrião, ele é hipertenso e acima do peso, por conta dos remédios não pode beber bebidas que contem álcool.
– Sim, ótima dedução. Mas é a primeira vitima? – disse a mulher sem importância.
– O que faz uma mulher parar de beber? – perguntou Sherlock esperando ansiosamente por uma resposta.
– gravidez? – sussurrou John – sim, sim, isso, Gravidez! – repetiu agora, em um tom mais alto.
– MUITO BEM JOHN! – Sherlock o agarrou pelas bochechas e lhe deu um beijo na testa. – ISSO! Grávida, ela estava grávida, portando não podia tomar bebidas alcoólicas e o que você faz quando está numa festa de alta classe e não pode beber? – Sherlock encarava a todos e piscava na esperança de uma resposta.
– Suco. A porra do suco. – disse Lestrade, xingando o ar enquanto girava lentamente com as mãos na cintura. – A merda do suco.
– Exatamente. – Sherlock apontou para ele.
– Mas quem gostaria de matar três crianças de uma grávida? – perguntou Anderson ainda tentando entender a dedução de Sherlock.
– Talvez elas não fossem os alvos. – disse John
– Uhum. Talvez o alvo fosse o anfitrião da festa, e quem fez isso pensou que talvez ninguém mais beberia o suco. – disse sr. Holmes pensativo.
– Mas quem teria acesso as bebidas e ao histórico medico do anfitrião? – perguntou Lestrade.
– Quem mais pode ser além daquele que serve as bebidas? – respondeu Sherlock com uma pergunta retorica.
– Washington – chamou Lestrade – traga os garçons.
Todos os garçons se alinharam esperando pela dedução de Sherlock.
Garçom nº 1: Muito sem noção, está se perguntando o que está fazendo aqui.
Garçom nº2: Muito imbecil, nem faz ideia do que esta acontecendo.
Garçom nº3: Muito chorão, não teria coragem de fazer algo assim.
Garçom nº4: Muito... ele
Garçom nº5: Confiante. Sabe que não foi ele.
Garçom nº6: – Pelo amor de Deus! Esse homem está chapado. Quem raios o contratou? – disse Sherlock.
Garçom nº7: Suor, suor frio. Engolindo o seco. Mãos... estão sujas... não, sujas não, manchadas. Pense Sherlock, pense. Manchadas? Vermelho... parece que alguém tomou muito tempo lavando essas mãos.
Sherlock saiu da frente do ultimo garçom, sem preocupar-se em “interrogar” os outros.
– Eu acho que você gostaria de prendê-lo antes que o mesmo fuja. – disse ele a Lestrade, enquanto se retirava do salão junto a John.
– O culpado sempre é o mordomo. – vocês dois riram e pegaram um taxi de volta para Baker Street.
– Mas por que ele fez isso? – perguntava John mesmo depois de ter voltado a casa. Sherlock se jogava na poltrona com uma toalha molhada em seu rosto. — Dinheiro? Mulher?
– Cala a boca, John. Não é obvio? – suspirou Sherlock
– Obvio?
– Sim, obvio. Antigos sócios, ele queria 50/50 porem o “Richard” não concordou. Deu apenas 30% e ainda fez acordos ilegais com o seu nome. 10 anos de cadeia.
– Como você pode saber disso?
– Todas as historias de mordomo. Além disso, ele tinha uma tatuagem no pescoço feita com tinta de caneta e alfinetes – típico de uma prisão. E pelas falhas na pele, tem uns dez anos. Fraude dá dez anos.
– Oh... – disse John contemplando a inteligência de seu novo companheiro de apartamento.
– E quando nos vamos falar sobre aquele beijo hein? – Sherlock saiu da sala dando uma piscadela para John que logo ficou corado e pôde escutar as risadas de Sherlock que ecoavam pelo ambiente.
Naquela noite, pela primeira vez em anos, a luz entrava livremente pelas janelas da Baker Street.
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