Joining the dots
4 A perda
Notas iniciais
A luz do luar era a única coisa que iluminava o apartamento 221B da Baker Street. John, que abraçava sua clássica almofada com a bandeira do reino unido, cochilava sentado na poltrona que costuma ser utilizada por Sherlock.
Subindo dois andares do mesmo apartamento, encontrava-se Sherlock que havia acabado de sair do banho enrolado em sua toalha. Seus cabelos negros, agora molhados, escorriam pequenas gotículas de água que percorriam seu abdômen nu. Sherlock desceu as escadas de seu apartamento segurando sua toalha com uma mão indo a sentido a sala.
– John – exclamou Sherlock ainda fazendo seu percurso direção à sala. John respondeu a seu chamado com um barulho inaudível pelo fato da almofada estar cobrindo sua boca.
Sherlock agachou-se ao lado de John que continuava a dormir. Ele colocou sua cabeça próxima a de John, suas testas quase se tocavam – JOHN – gritou Sherlock fazendo seu parceiro levantar-se bruscamente com um pulo.
– SEU FILHO DE UMA CADELA ASSADA, VOCÊ QUASE ME MATOU DO CORAÇÃO. – gritou John que agora sentava-se ao chão, colocando suas mãos a frente de seu rosto. – E por que raios de motivo você está apenas de toalha?
– Eu gosto. É confortável, me deixa livre. Acho que vou usar sempre assim. – comentou Sherlock erguendo-se a frente de John que quanto mais o encarava, mais corava.
– Ponha logo uma calça pelo amor de Deus. – John se levantou e esbarrou propositalmente em Sherlock, saindo do ambiente, sua escapada foi impedida pela repentina entrada de Sra. Hudson.
– Olá John, cliente – anunciou Sra. Hudson – Está escuro aqui – Sra. Hudson acendeu as luzes e logo depois se afastou, dando licença para a passagem do cliente.
– Olá senhora Hudson. – John recuou. – Olá, eu sou John Watson – ele esticou sua mão direita se apresentando a cliente.
– Olá, eu sou... – o homem que lá estava parado, calou-se quando percebeu a presença de Sherlock seminu. – Sou... – ele fazia pausas enquanto encarava o homem seminu. – Me chamo... – chacoalhou a cabeça e consegui completar a frase – Eu sou David Smith.
– Por que você está aqui? – Sherlock perguntou parado em frente à lareira de costas ao seu cliente cruzando suas mãos em baixo de seu quadril.
– Você é o detetive, não saberia dizer? – disse David, que foi encarado por Sherlock. – Eu acho que minha governanta foi abduzida.
– Por... ETs? – John olhou para o homem.
– Sim, por ETs John, claro que por ETs. – Sherlock respondeu a pergunta de seu parceiro. – Conte-me mais.
– Oh, ok. – continuou David. – Bem, ela vai ao meu apartamento limpa-lo uma vez por semana, da ultima vez que ela esteve lá, eu ouvi sons e vi luzes, luzes fortes. Então ela simplesmente, desapareceu.
– Hm – expressou Sherlock. – Vamos até seu apartamento.
– Você vai hm... Assim? – perguntou John olhando Sherlock dos pés a cabeça.
– Oh sim, meu casaco. Obrigada John por me lembrar.
– Sherlock. Calças.
– Mas eu não quero. – Ele e John eram encarados por David e Sra. Hudson que riam da situação. Sherlock subiu as escadas em direção ao se quarto e vestiu-se com um terno preto e uma camisa branca aberta nos três primeiro botões, realçando os ossos de sua clavícula.
Sherlock desceu as escadas abotoando a jaqueta de seu terno. John e David o esperavam a frente do prédio. Os três entraram no taxi e foram até o apartamento antes visitado por aliens. O local estava limpo, nem uma folha se quer estava fora de seu devido lugar.
– Quando você chegou ao seu apartamento ela já havia ido sumido? – perguntou John a David que encarava Sherlock, o detive andava pelo ambiente procurando por pistas, era o caso mais idiota que Sherlock já havia aceitado.
– Oh não, eu estava em casa naquele dia. – disse David. – Eu cheguei por volta das 16h, ela me serviu um chá, e minutos depois eu fui para cama. Quando acordei ouvi sons que pareciam de uma nave espacial, e depois quase fiquei cego por conta de fortes luzes.
– Você acordou que horas? – perguntou Sherlock parado em frente à janela.
– Às 19h.
– Ela ainda deveria estar trabalhando a esse horário? – questionou John.
– Sim, seu horário de saída era às 21h. – Sherlock continuava encarando a janela.
Como uma suposta nave espacial conseguiria pousar nessas proximidades? Só há um estreito trilho de trem... BINGO
– Ela não foi abduzida. – disse Sherlock virando-se e indo em direção a onde seu casaco estava pendurado.
– Como você poderia dizer? E as luzes que eu vi? E sons que eu ouvi? – dizia o homem intrigado.
– As luzes que você viu foram graças aos trens que passam todos os dias ao lado de sua casa. – alegava Sherlock vestindo seu casaco. – E os sons são graças à maratona de programas de ficção cientifica que o canal 4 está fazendo. Você adormeceu assistindo televisão. Sua empregada não foi abduzida, ela fugiu após rouba-lo, cheque sua carteira.
David ainda duvidando de seu detetive consultor checou sua carteira. – Meus cartões estão sumidos... Mas como?
– Quando você pagou o taxi eu pude perceber a falta de seus cartões, o bolsos onde eles deveriam ficar estavam desgastados, o que significa que eles já foram usados. – Sherlock puxou John pela gola e saiu pela porta fechando-a na cara de seu cliente idiota que estava caído ao chão se perguntando como alguém poderia fazer uma dedução tão rápida e fria.
– Aliens – ria John enquanto andava pelas ruas escuras de Londres com seu companheiro. Sherlock que antes segurava seu riso, não se conteve e soltou altas gargalhadas. – Está ficando tarde, é melhor pegarmos um taxi.
– Vamos continuar andando por alguns minutos. – propôs Sherlock, sua ideia foi aceita por John e os dois continuaram andando pelas ruas. John contava historias engraçadas sobre seu passado fazendo Sherlock rir. Enquanto passavam por um beco, escutaram vozes.
– John, fique junto a mim. – disse Sherlock colocando-se a frente de sua companhia, os dois continuaram a andar até que se depararam com dois homens, um de cabelos escuros e longos que se juntavam a uma barba grande e mal feita, ele era magro e usava um gorro vermelho. O outro era baixo, loiro, seus cabelos estavam sujos assim como seu corpo e roupas. Um arrepio subiu a espinha de Sherlock, que checou a segurança de John dando-lhe sua mão. John deu um tapa na mão de seu companheiro.
– O que as princesinhas estão fazendo por aqui? – perguntou o homem do gorro. Suas palavras fizeram com que seu acompanhante risse mostrando seus dentes manchados de tabaco. Ele não obteve nenhuma resposta. – Eu disse, — aproximou-se de Sherlock, o homem precisava erguer sua cabeça para conseguir olhar sua “vitima” nos olhos. – O que vocês, princesas, fazem aqui?
– Nós – John foi calado por Sherlock que tomou a frente.
– Nada que tenha alguma relevância. Por quê?
– Sou eu quem faz as perguntas aqui. – continuou o de gorro. – Você se acha espertinho né?
– Viciado em metanfetamina, nasceu no país de Gales, mas se mudou para Londres quando tinha três anos, classe media alta. Perdeu o pai com 14 anos. Sua mãe casou-se com outro homem que abusava de você, sexualmente e psicologicamente. Com 16 pegou pena de quatro meses por furtos a lojas, assim começou o vicio. – deduziu Sherlock irritando o homem que estava parado em sua frente. – Eu não me acho esperto, eu sou esperto. – o mesmo, colou seu corpo com o de Sherlock. — E isso é uma faca ou está só feliz em me ver?
– Ah, estou muito feliz em vê-lo. – o de gorro sacou a faca. Nesse momento, seu companheiro deu um gritinho feminino. – Agora passa a carteira, ou a próxima pessoa que você vai ver será Deus.
– Eu não acredito em Deus. – respondeu Sherlock.
– Sherlock, dê sua carteira para o cara logo. – disse John não acreditando com as respostas de seu parceiro.
– Isso, Sherlock, escute sua namoradinha. – o de gorro segurava a faca contra a traqueia de Sherlock. – Vamos, não tenho o dia todo, a carteira.
– Nope. – a resposta de Sherlock foi seguida a um soco em seu nariz, quebrando-o. Após cair ao chão, o de gorro continuou a chuta-lo.
– Vamos viadinho, você não é fodão? Levante-se – o cara não parava de chuta-lo. John saiu correndo em direção ao agressor de Sherlock, mas foi impedido pelo garoto loiro.
– Fique parado ai. – disse o loiro.
– Vai fazer algo? – retrucou John. O garoto loiro sacou a faca e apontou em direção a John que ainda assim, continuou indo em direção a Sherlock.
– Eu disse para você não se mexer. – no pânico, o menino loiro fincou sua lâmina na barriga de John, fazendo com que seu corpo caísse em direção ao chão. Os dois agressores, rapidamente saíram do local.
O sangue escorria pela barriga de John que estava caído ao chão. A visão de Sherlock estava incapacitada pelo sangue que escorria de sua cabeça, ele colocou suas mãos ao chão e tentou se levantar, mas não conseguiu, caindo novamente ao chão. Sherlock fez mais tentativas de se levantar, até que avistou o corpo de John caído.
– JOHN – Sherlock gritava rastejando-se em direção ao corpo. Ele agachou-se próximo de seu parceiro, John cuspia sangue e tentava murmurar palavras. Sherlock mediu seu pulso que estava fraco, quase inexiste e o segurou em seus braços. As lagrimas escorriam por seus olhos. – Fique comigo John, fique comigo. – Sherlock engasgava-se com as palavras. Com a mão direita, ele pressionava a ferida para que o sangue não escorresse e com a esquerda procurava o telefone. Suas lagrimas o cegavam fazendo com que a digitação do numero fosse praticamente impossível.
– Sherlock... – a voz de John estava fraca, ele lutava para respirar.
– Não, não diga nada. Fique quieto John – Sherlock finalmente conseguiu discar os números. – Meu amigo... Meu amigo foi esfaqueado. Seu pulso está fraco, ele está perdendo sangue. Venham rápido – Sherlock passou todos os dados, parecia que a ambulância nunca chegaria.
– Sher... lock – dizia John, tentando respirar.
– Não John, não fale. Fique comigo, eles já vão chegar. – o pulso de John estava fraco. A ambulância finalmente chegou os sons que eram projetados por ela, geralmente ensurdecedores, não podiam ser ouvidos por John que somente ouvia um zumbido desconfortante.
John foi colocado dentro da ambulância, paramédicos rasgavam suas roupas e pressionavam o ferimento. A luz de dentro dela era clara, sua visão começou a ficarem embaçadas, apenas vendo as fortes luzes, palavras eram ditas, mas ele não conseguia ouvi-las. Do lado de fora da ambulância estava Sherlock tendo seus leves ferimentos cuidados por uma equipe de paramédicos, as portas da ambulância se fecharam levando John embora. Sherlock empurrou os paramédicos e saiu correndo atrás da ambulância.
– JOHN – Sherlock gritava. Dois paramédicos o seguraram pelo abdômen, mas ele ainda resistia gritando pelo nome de John, em um momento, os sons de seus gritos agoniados pararam de ser projetados, mas Sherlock continuava a gritar resistindo à força feita pelos paramédicos que o tentavam impedi-lo.
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