Joining the dots
5 Trapaceando pela manhã
Notas iniciais
O som de sua respiração era fraco e acompanhado pelo barulho projetado pelo monitor cardioscópio que indicava que sobrevivera.
John abriu seus olhos lentamente, sua visão era turva e embaçada. Ele tentou se inclinar, mas a dor em seu abdômen proibia qualquer movimento. O silencio pairava no local, estava tudo tão quieto que John podia até ouvir as gotas de seu soro escorrendo pelo tubo.
Vozes. Eram fracas e distantes, mas o animavam.
– Olha quem acordou! – era a voz de Sra. Hudson que entrava no quarto em pequenos pulinhos indo em direção a cama. – Oh, bom dia John, como você está se sentindo?
A voz de John era fraca e mal dava para se ouvir, mas mesmo assim, tentou murmurar algumas palavras.
– Já estive melhor – o pequeno esforço para dizer somente essa frase, fez com que John perdesse o folego e tossisse.
– E-eu vou chamar Sherlock – disse Sra. Hudson assustada pela tosse de John – Sherlock! – ela disse cantarolando enquanto pulava para fora do quarto.
Sherlock. Você imaginava como ele estaria.
– Olá John – Sherlock parou ao lado de seu amigo que tentava mudar de posição. Sherlock pegou o controle da mão de John e reclinou sua cama deixando a quase ereta.
– Sherlock... – murmurou John feliz que ele tinha saído somente com alguns arranhões em seu rosto.
– Eu vou descobri quem fez isso com você e acabar com ele.
– Sherlock, não. – a voz de John era fraca, seu rosto pálido e seus lábios secos como um deserto, estavam rachados. As bolças nos olhos de John eram profundas e vermelhas e seus olhos que antes tinham um brilho natural, estavam mortos. – Prometa-me que você não vai tentar nada estupido.
– Nada estupido, eu prometo. – Sherlock deu um sorriso falso e John fez o mesmo mostrando um pouco de seus dentes brancos, ele sabia que Sherlock provavelmente faria algo estupido.
Alguns minutos se passaram e John caiu no sono, Sherlock se retirou do quarto e foi até o local do incidente.
Era fim de tarde, mas o céu estava nublado como se fosse noite, Sherlock puxou a lapela de seu casaco cobrindo um pedaço de seu rosto e foi até o beco onde seu amigo havia quase morrido. Lá estava o homem do gorro vermelho, acompanhado de seu comparsa loiro e algumas outras pessoas que não estavam lá há três noites. Sherlock aproximou-se do grupo.
– Eu to falando cara, £15 mil por um tal de John Watson – disse um dos homens que não estavam na noite que John quase morreu.
– O que você disse? – Sherlock segurava o homem pelo pescoço com a sua mão direita e apontava uma pistola em seus miolos. Todos recuaram com as mãos acima da cabeça.
– Qu-qu-quinze mil – o homem gaguejava e Sherlock apertava sua traqueia cada vez mais forte.
– Calma cara, — disse o de capuz vermelho que não havia reconhecido Sherlock. – Se a gente pegar o cara a gente divide com você.
Sherlock apontou a arma ao de capuz.
– CALE-SE – exclamou, virando novamente a vitima em seus braços. – O nome.
– Qu-que nome? – ele chorava.
– Você tinha falado um nome antes, repita. – todos ficaram em silencio – REPITA! – Sherlock gritou fazendo com que algumas gotículas de sua saliva voassem no rosto de homem.
– Jo-jo-john Watson – as lagrimas começaram a escorrer pelo seu rosto – Eu não sei quem ele é só sei que estão oferecendo uma recompensa pela cabeça dele.
– E quando você ficou sabendo dessa tal de recompensa?
– Há duas noites, e eu só vim falar para eles agora.
– Quem ofereceu? – Sherlock folgou seus dedos na traqueia do homem que agora colaborava. – Quem? – ele continuou em silencio piscando rapidamente. Sherlock apertou novamente seus dedos fazendo a passagem de ar ficar quase inexistente – QUEM?
– Eu não sei – o homem estava ficando vermelho, seus olhos se enchiam d'água, todos o que estavam lá presente correram, exceto Sherlock que continuava a pressionar o pescoço dele contra a parede. – E-eu não sei... – suas palavras iam sumindo – EU NÃO SEI.
– Sua pupila está dilatada e você olha para a esquerda todas as vezes que nega, isso indica que você está mentindo. – Sherlock afrouxou um pouco de seus dedos permitindo a passagem de ar.
– Um tal de Naqvi. Eu sei lá quem é esse cara – Sherlock soltou o pescoço do homem que caiu de joelhos ao chão tossindo e inspirando a maior quantidade de ar que podia.
– Inspire pelo nariz e solte pela boca. – disse Sherlock andado para fora do beco. Quem é Naqvi? E por que ele quer John?
Sherlock voltou à Baker Street. John agora estava em perigo e ele não sabia como ajuda-lo.
John estava parado a frente de seu apartamento. Três semanas após a última visita de Sherlock, ele finalmente havia levado alta. John subia as escadas de seu apartamento lentamente, ele entrou na sala e encontrou Sherlock parado a frente da parede onde havia todos os tipos de recortes de jornal e fotografias, o que indicavam uma investigação. John limpou a garganta, grunhindo, com esperanças de chamar a atenção de Sherlock.
– John. – disse Sherlock.
– Só isso? Eu quase morro, fico internado por três semanas e você me recebe desse jeito? – Sherlock olhou a seu parceiro com cara de duvida.
– O que você espera que eu faça?
– Nada. – John bufou e se dirigiu a sua poltrona. Ele observava a parede e não entendia nada do que se passava na cabeça daquele homem. Mesmo depois de oito meses juntos, os pensamentos de Sherlock ainda eram um mistério a John.
Naqvi? Onde eu já ouvi esse nome? Quem poderia estar atrás de John? – Sherlock pensava olhando para seus recortes colados a parede. Suas ideias e deduções ainda eram confusas.
– John, o que o nome Naqvi te diz? – perguntou Sherlock.
– Naqvi? É de origem ucraniana, não? – respondeu John que foi encarado por Sherlock.
Ucrânia. Prostituas na Ucrânia. O caso da fronteira... Pripyat? Sete mulheres e um cachorro desaparecidos. Ucrânia! Naqvi??? James Shehu??? Sequestro. John Watson e meu parceiro Sherlock Holmes...
– John, eu já volto. – Sherlock saiu do apartamento correndo vestindo seu casaco no caminho.
Prostitutas, prostíbulo, onde tem o bordel mais próximo? – TÁXI! – Sherlock desesperadamente acenava em pulos.
Sherlock entrou no táxi e John foi atrás dele. Os dois chegaram, em tempos diferentes, em uma casa caindo aos pedaços, mulheres seminuas paravam a frente da porta, John estranhou a ida de seu amigo até um lugar como esse. Sherlock subiu as escadas do bordel, algumas mulheres iam a cima dele mexendo com seu casaco, tirando-o.
– O que você procura meu amor? – perguntou uma moça loira que vinha por trás de Sherlock retirando sua echarpe.
– Ucranianas. Você teria alguma disponível? – as palavras de Sherlock eram frias, John o observava por uma distancia segura.
– Apenas uma, havíamos mais porem elas saíram. – A mulher sussurrava ao ouvido de Sherlock e mordiscava o lóbulo de sua orelha. – Enfim, ela está disponível, pode subir. – a mulher pegou Sherlock pela mão e subiu as escadas com ele levando-o ao quarto.
– E você meu amor, o que você quer? – disse uma morena a John, ela fazia carinho em seus ombros retirando sua jaqueta delicadamente.
– É... Você está disponível? – perguntou John a moça que sorriu e lhe deu um beijinho na bochecha.
– £100 a hora – John a encarou por conta dos preços abusivos, mas se deixou levar, precisava ficar próximo a Sherlock para saber o que estava acontecendo. Os dois subiram as escadas e John foi levado a um quarto ao lado do homem que veio espionar.
Sherlock entrou no quarto e encontrou uma mulher loira deitada nua em uma cama. Ele tentou desviar o olhar, a moça se aproximou dele retirando sua jaqueta.
– Qual é seu nome? – perguntou ela.
– Mycroft. – respondeu Sherlock mentindo seu nome, a moça mordiscou seu lábio inferior e puxou Sherlock pela gola de sua camisa levando-o a cama.
– Me chame de Kelly. – ela disse despindo “Mycroft” sentando-se em cima dele.
– Esse não é seu nome verdadeiro. – disse Sherlock enquanto a mulher terminava de desabotoar sua camisa roxa.
– Nem o seu. – ela disse passando seus lábios por seu pescoço.
No quarto ao lado, encontrava-se John. Sua acompanhante estava sentada na cama esperando para que seu cliente faça algum movimento.
– Er... – disse John limpando a garganta sem saber o que fazer.
– Sim? – a moça agora já havia desistido de seu cliente.
– Fica mais barato se for... Você sabe, só com a mão? – a moça suspirou revirando os olhos.
– £35 – respondeu desabotoando seu sutiã.
– Oh... Ok – John sentou ao seu lado colocando suas mãos em seus joelhos. A mulher se inclinou mordiscando sua orelha.
Voltando a Sherlock que se encontrava deitado na cama seminu com suas calças escancaradas.
– Então, Mycroft – disse Kelly posicionando as mãos de Sherlock sobre seus seios. – O que você quer de mim?
– O que você acha? – respondeu Sherlock
– Sexo não é.
– Como você pode saber?
– Você não perguntou o preço. – Kelly saiu de cima de seu cliente pegando um cigarro do criado mudo ao lado da cama. Sherlock continuava deitado à cama agora com seus dedos cruzados em seu peito. – Quer? – ofereceu o cigarro agora aceso que foi negado por Sherlock. Kelly agora se deitava ao lado de Sherlock curiosa. – Então, o que você quer de mim?
– Naqvi. – a pupila de Kelly dilatou-se. Ela levantou da cama vestindo um robe.
– Onde você ouviu esse nome? – perguntou apagando o cigarro no criado mudo.
– Onde você o ouviu? – respondeu Sherlock jogando a pergunta de volta a ela.
– Ele costumava ser um cliente. – Sherlock se sentou na cama.
– Você sabe que não. – Sherlock não entendia porque esse nome a assustava tanto.
– Ele é perigoso. Você não quer mexer com alguém assim. Pare de tentar fazer o que está fazendo.
– Eu só quero te ajudar. – mentiu Sherlock.
– Ele veio aqui algumas vezes, chamou algumas meninas para trabalharem com ele na Ucrânia, depois que elas iam ninguém nunca mais ouvia falar delas, ou elas morriam, ou sumiam do mapa. Ou ambos. – Sherlock podia sentir a tristeza nas palavras de Kelly. – Ele levou minha irmã. Eu pedi para que ela não fosse, mas ela não me escutou. O namorado dela tentou impedir – lagrimas começaram a escorrer de seus olhos, ela se sentou ao lado de Sherlock que a abraçou. – Ele morreu, e ela também.
– E John Watson, você já ouviu esse nome? – perguntou Sherlock lhe trazendo mais próxima a seu corpo nu. Kelly olhou para o teto tentando parar as lagrimas e lembrar onde havia ouvido esse nome.
– É um detetive que estava tentando desvendar o caso de umas meninas desaparecidas em Preston, agora o querem morto. – Sherlock deu um beijo na testa de Kelly, ela foi de grande ajuda.
– Kelly, muito – os agradecimentos de Sherlock foram interrompidos por um alto barulho causado por alguém que arrombou a porta do quarto onde estavam.
– Peguem a. – um dos homens disse, ele era alto, seus olhos eram azuis e seus cabelos pretos estavam penteados para trás com um gel. O homem segurava um charuto e usava um anel no mindinho, um anel com um símbolo. Aquele símbolo era familiar a Sherlock. Dois homens vieram para cima de Kelly, Sherlock chutou a barriga dos dois e jogou Kelly para o outro lado da cama, ela gritava. Seus gritos foram capazes de serem ouvidos no quarto de John que saiu correndo até o quarto de seu parceiro.
Sherlock tentava manter os homens longe de Kelly. O homem com o anel se sentou na cama e continuou a fumar seu charuto como se nada estivesse acontecendo. John entrou no quarto correndo.
– John – exclamou Sherlock. O homem do anel olhou em direção a John. Sherlock pulou em cima de seu amigo fazendo com que um dos homens passasse ao local onde Kelly estava. Ela continuava a gritar, seus gritos ficaram mais intensos quando um dos homens puxou-a pelo cabelo a arrastando para fora do quarto.
– Liev, vamos embora. Deixa que os outros cuidem de John Watson e seu parceiro Sherlock Holmes. Ou seria Mycroft? – o homem ria se retirando do quarto. Sherlock e John estavam caídos ao chão um em cima do outro.
– Por que você veio até aqui? – gritava Sherlock se levantando e vestindo sua camisa.
– Por que VOCÊ veio até aqui? – resmungou John também se levantando e fechando sua calça.
– Você podia ter morrido! – exclamou Sherlock se retirando do bordel sendo seguido por John.
– Você também, mas me diga o que você estava fazendo num bordel? – perguntou John entrando num táxi atrás de Sherlock, os dois permaneceram quietos o caminho inteiro até a chegada à Baker Street.
– Era um caso. – disse Sherlock subindo as escadas, irritado. – Você estragou tudo!
– Por que eu estraguei tudo?
– Por que você me seguiu? – perguntou Sherlock.
– Porque eu não queria que você fizesse nada estupido o que é meio impossível de se evitar! – os dois gritavam irritados.
– Você não entende que você podia ter morrido de novo?
– E daí?
– E daí? E daí que você é importante para mim! – John encarou Sherlock, os dois pararam de responder ficando em silencio encarando um ao outro.
– Você também é importante para mim. – Sherlock olhou para John com um brilho no olhar, John sorriu e puxou seu parceiro pela echarpe, John beija-o deslizando sua língua por seus lábios. Uma das mãos de Sherlock passa vagamente pelo cabelo de John. Toda a agonia e solidão da quase perda de John se perderam nos lábios de seu companheiro, John quebrou o beijo.
– Me desculpe – dizia John se afastando de Sherlock. Sherlock o prendeu na parede segurando pelas suas mãos.
– Se desculpe pela manhã.
Sherlock segurava os braços de John encima de sua cabeça em forma de x prendendo-os contra a parede. Ele esmagou seus lábios contra os de John, lhe fazendo perder o folego, logo, forçou sua língua dentro de sua boca. No primeiro momento, John se rendeu, mas logo cedeu aos lábios de seu parceiro. Sherlock soltou os pulsos de John e o guiou à sala, colocando-o cuidadosamente ao chão.
Deitado ao chão, John mordia seus lábios com esperanças de receber outro beijo, a forma que os olhos de Sherlock piscavam lentamente, fazia com que o coração de John desparrasse, pedindo por mais, não pedindo, implorando.
Os lábios de Sherlock estavam entreabertos, ele encarava John que se deitava ao chão, apoiado por seus cotovelos, com uma cara de desejo. A luz fraca da lareira realçava os traços prazerosos de seu corpo, os quatro primeiros botões de sua camisa estavam abertos mostrando a penugem loira que encobria sua pele clara. Sherlock rasteja sobre o corpo de John, desabotoando seu cinto, ele passava suas mãos pelas pernas e abdômen, seus lábios tocavam John delicadamente, fazendo com que ele suspire e peça por mais. Os sons do prazer saiam da boca de John quando mais os lábios de Sherlock o tocavam.
Sherlock levantou sua cabeça que estava sendo tocado por John, ele encarou a expressão de prazer estampada na face de seu médico. Sherlock beija o peito de John e sobe beijando ao longo de sua mandíbula e para baixo de seu pescoço, John continuava a gemer, ele entrelaçava seus dedos nos cabelos de seu causador de seu prazer puxando-os lentamente, seus quadris se tocavam, e Sherlock empurrava o seu contra o de John.
Em um giro, John subiu encima de Sherlock e começou a despi-lo. Ele desabotoava, botão por botão, lentamente, enquanto acariciava o peito de Sherlock que lambia seus lábios fazendo uma cara de luxuria misturada com prazer. Seus cabelos estavam bagunçados, John observava a pele nua de Sherlock e despia-o cada vez mais rápido. Após remover todas suas peças de roupa, Sherlock fez um movimento que permitiu que voltasse a sua posição inicial, no topo, e agora era ele quem despia John.
Seu corpo ficava cada vez mais e mais aparente e desejável, os tecidos caiam ao chão até que o último se fora, deixando John completamente nu, assim como seu parceiro.
A língua de Sherlock deslizava pela boca de John, seu beijo ficava cada vez mais caloroso fazendo com que ambos sintam arrepios. Sherlock beija a clavícula de John e segura seus joelhos próximos ao seu ombro. A dor que John sentia, logo transformava-se em prazer a cada movimento lento e repetido que Sherlock fazia. John cravava suas unhas nos ombros de seu companheiro que inclinava-se para beija-lo, os movimentos de Sherlock ficavam cada vez mais rápidos, e seus beijos desciam em direção a sua mandíbula e logo passavam por sua clavícula que era levemente mordiscada.
– Sh-sherlock... – John murmurava palavras no ouvido de seu parceiro. – Por favor... Eu não aguento mais... Sh-sherlock
Os pedidos de John faziam com que Sherlock sentisse mais prazer, ele queria ouvi-los para sempre.
– Por favor? – sussurrou Sherlock na orelha de seu parceiro mordiscando seu lóbulo, fazendo com que o prazer somente aumentasse.
– E-eu não aguento mais... Por favor...– Sherlock acariciava o pênis de John que latejava com necessidade de ejacular.
Os movimentos ficavam mais intensos e rápidos, Sherlock fecha os olhos e se deixa fluir pela onda de prazer físico, John envolveu sua mão com a de Sherlock se masturbando mais intensamente. Ambos estavam próximos ao clímax. Sherlock não aguentava mais, deixando seu corpo ceder e se debruçado em cima de John que também não aguentou se contraindo e gozando. Sherlock saiu de dentro de John deitando lado a lado, os dois estavam ofegantes e descabelados, Sherlock olhou para John com um sorriso, e em uma sincronia, John fez o mesmo, os dois se encaravam, o brilho no olhar claro de Sherlock, estava intenso fazendo com que John sorria cada vez mais. John passou seu braço ao redor de Sherlock o envolvendo com um abraço.
Sherlock posicionou sua cabeça no peito de John e cobriu a nudez do corpo de seu parceiro com seu casaco que estava jogado ao chão.
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