Johnny Blade

4 Adolescente e suas adoráveis apaixonites... ou não


A aula nem começara e Erick já estava cansado. O motivo? Rachel andava a passos largos e rápidos, que ele com seu corpo sedentário e despreparado lutava para conseguir acompanhar. Ela lhe mostrava todos os lugares fascinantes do colégio e blábláblá, mas ele nem sequer olhava: Estava concentrado no aroma de morangos dos cabelos dela, na forma como gesticulava, ou como mexia nos cabelos a cada 5 segundos, como se estivesse com ansiedade.

Porém, sentiu vontade de chutar a si mesmo por esses pensamentos. Não podia ficar se aproximando dessa gente que mais cedo ou mais tarde o rejeitaria! E, aliás, já ouvira falar em paixonite adolescente, que sempre acabam mal. Não queria se apaixonar por alguém, muito menos alguém que nem conhecia. Era estúpido e irracional...

Mas, por outro lado, sentia-se fascinado pelo fato de que ela emanava uma espécie de calor a ele. Como o sol, fazia-o se sentir vivo. Virou-se para fitá-la mais uma vez quando percebeu que ela havia se calado, mas não acreditou no que viu...

Sangue, sangue umedecendo cada vez mais a blusa, antes branca de Rachel. Ela olhava para o além com olhos vazios, e em seguida desabou. Viu o caos em sua volta: alunos correndo até eles e, por trás da multidão, um homem com um capuz negro e algo metálico reluzindo em sua mão... O revólver.

Ele não teve tempo de raciocinar, nem dar satisfações aos que lhe encaravam pedindo respostas enquanto tentavam reanimar Rachel, apenas correu. Correu como nunca havia corrido antes, nem acreditava em sua velocidade, a cidade passava como borrões a sua volta, mas não ligava para isso... Só corria.

Chegou à varanda de seus avôs, viu seu avô sorridente com peixes recém pescados e sua avó, com as mãos no ombro de Penny, perguntar-lhe porque não estava na escola.

Novamente, ele não respondeu. Apenas desabou na varanda quando sua visão escureceu.

Acordou horas depois, com sua mãe sentada ao seu lado, que estava deitado no sofá. Penny estava chorando, não entendeu o porquê até ela dizer:

– Achei que tivesse morrido!

Deu um sorrisinho para demonstrar que estava bem, mas este sumiu quando se lembrou... Rachel. Homem com a arma. Morte. Sem mais nem menos levantou em um salto.

– UM HOMEM COM UM MANTO NEGRO MATOU A RACHEL NA ESCOLA!

Sua avó arregalou os olhos e segurou a mão de Richard com força, que já não parecia mais tão feliz com seu adorado peixe. Sua mãe só o olhou com aquela expressão triste, que claramente dizia “vamos ter que ir embora”.

– Não... Eu vou ficar!

– Lucky, você sabe que não pode...

– Não posso por quê? Diga-me o motivo e podemos partir!

– Você é diferente, é especial...

– Especial como?

Clarisse fitou o chão, ele sabia que ela não teria como arrastá-lo de lá até lhe contar o porquê era especial a ponto de quererem matá-lo.

– Tudo bem Lucky, como quiser, mas se algo mais acontecer... Partimos daqui até o outro lado do mundo se for possível.

Ela respirou fundo e saiu. Erick não perdeu tempo e foi para o quarto, precisava pensar. Começou a tocar uma melodia calma em sua guitarra enquanto pensava em Rachel.

Que ótimo pensou, sua primeira paixonite e ela tinha acabado de ser morta diante de seus olhos.