Johnny Blade
5 Visitinhas de última hora
Seus dedos doíam de tanto tocar por horas, mas ele não parava. Aquilo o fazia pensar melhor sobre tudo que estava a acontecer. Viu-se com uma amiga, finalmente, e segundos depois a viu morrer. Ele sabia que não estava tão seguro como pensava...
Ele sabia também que sua mãe queria tirá-lo de lá o mais rápido possível, que ele corria perigo, que o cara que o esta perseguindo é extremamente rápido para ter chegado lá em tão pouco tempo...
Continuava tocando, sentindo seus dedos formarem pequenos calos pelo esforço sem parar.
Velocidade... Não sabia como correra tão rápido para chegar a casa! Talvez tivesse algo a ver com o fato de ser “especial”, talvez seja tudo uma paranoica gerada pelo surto de adrenalina. Podia não parecer, mas ele pensava muito no porque mataram seu pai e perseguiam sua família. Chegou a cogitar até se seu pai não era um líder da máfia igual dos filmes, em que eles deviam dinheiros e eram perseguidos até a morte.
Não foi a única ideia absurda que teve. Quando sua mãe o disse que era especial imaginou até se não era como aquele cara do livro “Eu sou o número 4”, que tinha poderes fantásticos e era perseguido por seres que queriam mata-lo, um a um em sequência. Até agora, sua teoria mais aceitável era de que sua família pertencia ao trafico e devia dinheiro. Mas não sabe como isso o tornaria “especial”, além disso, sua mãe era uma mulher doce, porém determinada e forte, não se envolveria com um homem que fizesse essas coisas justamente pelo bem de sua família.
E seu pai... Bem, suas memórias a respeito dele já são meio nebulosas, já que fazia tanto tempo! Mas lembra-se de que era um homem incrivelmente extrovertido e com uma imaginação incrível. Ele conheceu sua mãe quando ela começou a trabalhar no jornal da cidade. Era um jornal bem respeitado, ela sempre amou trabalhar escrevendo para jornais, e Erick não podia negar que ela era uma escritora incrível. Seu pai era redator- chefe do jornal e se encantou por ela, os dois conversavam muito até namorarem, casarem...
Sentiu uma pontada aguda de dor no peito, e parecia que havia uma bola de gude em sua garganta. Começou a lacrimejar como sempre ao se lembrar da infância, do sol lhe despertando, da bela vista lá fora... E seu pai morto. Não queria estar correndo perigo e pondo sua família em perigo junto, mas sentia que queria permanecer ali, que seria o mais perto de um lar que ele teria.
Ele nunca se sentiu em um lar, o lugar em que permanecera por mais tempo foi em Seattle, aquele cidade nublada. Mas moravam com Paul e sua filha magricela, Megan, o que nunca o fez se sentir confortável. Até hoje não se sabe o motivo pelo qual sua mãe, aquela mulher incrível, se casou com alguém tão idiota.
Respirou fundo e saiu do quarto, sem falar com ninguém. Queria ver o mar, o sol a tocar sua pele e ver as pessoas felizes andando pela praia. Já tivera problemas suficientes por hoje, queria apenas poder tocar sua vida de forma tranquila na Flórida ao lado da mãe e da irmã, queria terminar a droga da escola, se aperfeiçoar cada vez mais na guitarra e viajar o mundo com sua própria banda. Ele tinha uma voz linda e talento pra guitarra, se orgulhava disso, não queria ter seu talento desperdiçado trabalhando de paletó e gravata em um escritório.
Não queria ser especial, queria tranquilidade. Se for para ter uma vida agitada, que fosse quando tivesse sua banda de rock famosa, não agora que tinha passado por tanta coisa, tinha que cuidar de sua família, sobreviver à escola, lidar com seus fantasmas do passado...
Sentiu um arrepio do nada, como se estivesse pressentindo algo... Não, eles não poderiam estar por aqui!
Correu imediatamente para casa e quase teve um ataque quando a viu vazia. Tudo bem, Penny estava na escola, seu avô pescando... Mas e sua mãe? E sua avó? Tratou de ligar imediatamente para sua mãe, com a respiração acelerada e as mãos tremendo de medo. Terminou de discar o número e aguardou...
Por favor, atenda! Pensou.
-Alô?
Quase chorou de tanto alivio ao ouvir a voz da mãe.
-Oi mãe, está tudo bem com você? Onde está?
- Sim, estou no mercado com sua avó, tínhamos deixado um bilhete na geladeira.
- Ah...
- Esta tudo bem com você? Aconteceu algo que eu deva saber?
- Não... Só queria saber onde estava porque não vi o bilhete.
- Ah, não se preocupe, estamos bem e já vamos pra casa, ok?
Erick ia responder, mas enquanto falava com a mãe andou até a geladeira e constatou que não havia só um bilhete, havia dois.
-Lucky? Filho, ainda está ai?
Ele não conseguiu responder. Um dos bilhetes era de sua mãe, conhecia a caligrafia “Fui ao mercado com sua avó, não demoro” era o que dizia.
- Erick Thomas Harrison, se não me responder agora mesmo eu vou aí agora, o que está acontecendo? – Sua mãe fala com a voz estremecida, pressentindo algo errado.
- Mãe, eu...
Ele retira o outro bilhete da geladeira. Tinha uma caligrafia horrível, não reconhecia, mas sabia muito bem o que estava escrito...
“SENTIU MINHA FALTA?”
Era isso que dizia o bilhete, e ele duvidava que quem o escreveu fosse algum parente que lhe trouxera presentes e não o via a muito tempo.
- Mãe, eles... Eles estão...
A luz falhou e apagou, deixando a casa no breu total. Derrubou o telefone com um baque.
A pessoa, seja lá quem seja, tornou a perguntar, mas desta vez, em alto e bom som...
- Sentiu minha falta?
Fale com o autor