Jogo Perigoso

9 9 Assalto - Os Cinco Bilhões de Ienes


Notas iniciais
Yo, minna-san!
Mil perdões pela demora! Eu simplesmente não conseguia sair da última cena desse cap. Escrevia e reescrevia e nada ficava bom o suficiente para mim. Foram 3 semanas de um duro trabalho em cima dele, então espero que fique ao menos satisfatório.
E por que eu tô postando hoje? Ah, só porque hoje é o niver da nossa amada Rukia!
Espero poder postar o próximo 4ª que vem. Mas não prometo nada, sempre que prometo não dá certo.
Agradeço muito à minha beta linda, Michele, por ter betado rapidinho pra eu ainda conseguir postar hoje! Obrigada!
E eu postei minha nova fic. "Don't Close Your Heart", eu adoraria se vocês pudessem ler e dizerem o que acha. É a minha primeira em Bleachverse, então é meio complicado para mim sabe? http://fanfiction.com.br/historia/319251/Dont_Close_Your_Heart/
Espero que gostem!

9º Assalto – Os cinco bilhões de ienes

“Ela está nisso apenas para ganhar

Não confie nela nem por um minuto"

LadyKiller – Maroon 5


“Maldito, desgraçado, mentiroso”, Rukia cantarolou seu mantra mais uma vez enquanto aguardava na fila do aeroporto de Karakura. Com sua passagem em mãos, ainda decidia, apreensiva, se deveria voltar para Tokyo ou seguir Ichigo até Nagoya.


“Mantenha sua promessa... Fique longe de problemas”, uma voz dizia em sua cabeça. Melhor dizendo: sua covardia, que queria que ela retornasse para casa e não se envolvesse mais com Ichigo. “Ele só lhe trará problemas”, completava essa voz, quase a convencendo.

“Esse by Browse to Save\">dinheiro, você sabe... pode ajudá-la e muito”, murmurava outra voz ― a que queria que ela o seguisse e pegasse metade daquele dinheiro para si. A voz que ela apelidara de sua coragem. Ou, como Nanao diria, seu lado inquieto e que a fazia sempre entrar nos piores problemas. “Esse dinheiro é tudo o que você precisa. Todos os seus problemas acabarão com ele”.

― Sim! ― murmurou para si mesma, tomando uma respiração. ― Eu vou seguir minha parte problemática!

― Senhorita, há algo errado? ― perguntou a atendente. Sua sobrancelha levemente arqueada enquanto a encarava.

― Uh! Não! ― murmurou, corando no mesmo instante. Ao que parecia, tinha falado aquilo em voz alta. ― Eu gostaria de trocar essa passagem de Tokyo para Nagoya.

― Certo ― respondeu, pegando as passagens que lhe eram oferecidas. ― Para qual horário?

― Primeiro horário que tiver.

― Temos para daqui a 40 minutos, senhorita.

Rukia apenas acenou positivamente, lhe dando permissão para efetuar a troca. Em poucos minutos, tinha outra passagem em mãos.

― Perfeito! Obrigada! ― murmurou, beijando o pedaço de papel.

“E agora o tempo de espera são 40 minutos, ao invés de 15!”, sussurrou a covardia. Mas ela apenas deu de ombros, estava feliz demais para se importar com sua consciência. Não era como se estivesse fazendo algo errado, não é?

“Mais ou menos”, admitiu, suspirando. Guardou a passagem na by Browse to Save\">bolsa e fechou os olhos. Decidira não pensar em nada. Isso era o melhor que podia fazer. Passara boa parte do resto daquela madrugada ponderando se deveria ou não segui-lo e agora... Agora, só queria se livrar daquela sensação ruim que a ainda a invadia.

Algo ainda lhe dizia que não deveria ir, mas Rukia estava firme em sua decisão. Iria sim e pouco se importava se Ichigo teria outra surpresa ou a achasse louca. Talvez ela fosse, mas só um pouco. Mas quem dispensaria 5 bilhões de ienes? Quem jogaria fora uma by Browse to Save\">oportunidade daquelas? Bem, ela ainda não estava louca o suficiente para fazê-lo...

Pulou no assento ou ouvir seu celular tocar. Sem olhar no identificador de chamadas, atendeu, apenas para ser surpreendida pela voz de Yoruichi.

― Rukia, onde você está? ― perguntou, sem rodeios.

― Olá para você também. Obrigada por nem me desejar bom dia, afinal você dormiu comigo.

― Tá bom, Rukia... Bom dia...

― Bom dia, Yoruichi-san! Agora respondendo a sua pergunta: eu estou no aeroporto.

― Voltando para Tokyo?

― Não. Indo para Nagoya.

― Sua licença acaba em dois dias ― avisou.

― Eu sei... ― respondeu, mordendo o lábio inferior.

No fim, não fora uma boa escolha ir atrás de Ichigo, não é? Mas agora, não havia como voltar atrás. Já trocara sua passagem e não conseguiria destrocar. Nem queria.

― Rukia? ― chamou Yoruichi do outro lado da linha. ― Você conseguiu recuperar sua joia?

― Há algo que eu preciso fazer... ― respondeu, desligando o celular.

Suspirou enquanto se dirigia à área de embarque. Rukia se sentia culpada por ir atrás de Ichigo quando sua licença estava tão perto de acabar. Mas o que poderia fazer? Agora já era tarde para voltar atrás. Talvez ela gastasse menos de dois dias no que iria fazer?

Balançando a cabeça negativamente, afastou todo e qualquer pensamento negativo. Ela iria atingir seu objetivo e isso era tudo o que importava.

― Me aguarde, Kurosaki Ichigo!


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― Ela está ok? ― perguntou, beijando o ombro da morena deitada ao seu lado.


― Sim... ― respondeu, suspirando. ― Eu espero...

― Fico aliviado de saber... Senador Abarai agora não para de me importunar com esse assunto.

Ao ouvir a afirmação, algo estalou na cabeça de Yoruichi. Rapidamente, sentou-se na cama trazendo os lençóis consigo e deixando Urahara completamente despido.

― Abarai! Por Kami! Rukia se esqueceu completamente dele!

― Pelo visto, ela não corresponde aos fortes sentimentos dele ― respondeu, ainda sem entender a agitação de sua namorada.

― Por Kami... Kami! ― resmungou com o rosto enterrado nas mãos.

― Há algo errado?

― Me diga uma coisa... Seu novo procurado na Kireina Te é Aizen Sousuke, certo?

― Sim... ― respondeu, franzindo o cenho. ― E o que isso tem a ver?

― E para onde seu Ishikawa Goemon iria?

― Nagoya. Lá há é um importante centro dos negócios de Aizen. Há contatos que precisam ser checados lá.

― Nagoya... ― repetiu. ― Nagoya... Rukia disse que ia para Nagoya.

― Ela não é professora em Tokyo? Mas as férias de verão ainda nem começaram...

― Me diga o nome do Ishikawa Goemon! ― pediu, levantando-se da cama. Andava em círculos pelo quarto.

― Yoruichi, há algo errado com você? ― perguntou, já de pé. Vestiu uma calça de algodão e a puxou para si.

Há quantos anos não a via assim? Andando de um lado para o outro, tão apreensiva daquela forma? Ah, se bem se lembrava, isso fora no começo de seu namoro, quando ela tinha apenas 20 anos e tinha acabado de ingressar no serviço de inteligência da polícia.

― Qual é o nome dele?

― Por que faz tanta diferença saber? Você sabe que eu prefiro manter segredo quanto ao nome dos meus agentes...

― Kisuke! ― disse em tom de reprimenda.

― Tá bem, tá bem... ― murmurou, com um suspiro. ― É Ichigo.

― Kurosaki Ichigo?

Ele acenou, confirmando, ainda sem compreender o porquê das suas atitudes. Ela abrira a boca num perfeito O, seus olhos felinos se arregalando consideravelmente. Yoruichi estava quase descontrolada. Não... Não descontrolada, mas preocupada. Muito preocupada.

― Certo. Agora me diga o que está errado ― disse, puxando-a de volta para a cama. Sentou-se na beirada do colchão e fez com que ela se sentasse em seu colo, acariciando-a nos cabelos.

― Semana passada Rukia foi roubada... Seu colar de esmeraldas... ― começou, olhando nos olhos de Urahara.

― Eu sei... ― respondeu.

― Como você... Espera aí! Foi você! Por que você a enfiou nisso?

― Eu não queria. Mas eu precisava do senador Abarai e ela é a melhor forma de atingi-lo.

― Você sabe, eu odeio os seus métodos.

― São os meus métodos que você odeia que tem livrado esse país da corrupção.

― Não é como se você não fosse também corrupto.

Urahara franziu o cenho diante das palavras dela. Aquela conversa ia de mal a pior. Embora admitisse que não precisava ter usado Rukia para atingir Renji, não se arrependia nem um pouco.

― Todo mundo é corrupto ― respondeu. ― Agora me diga o que a preocupa.

― Ichigo roubou Rukia e eu e as garotas a ajudamos a ir atrás dele para recuperar a joia.

― O quê? ― perguntou, visivelmente surpreso.

Por essa o loiro não esperava. Era fato que a garota estava sumida e que ele até usara isso contra o senador Abarai, afirmando que sabia onde ela estava e a monitorava, mas a verdade é que ele não fazia a menor ideia onde a mesma se encontrava ou se estava bem. De qualquer forma, não era como se isso importasse para ele. Mas descobrir que sua própria namorada a ajudara a seguir Ichigo era realmente surpreendente.

― Ela conseguiu a joia?

― Não... ― respondeu, enterrando a cabeça no pescoço dele. ― E agora ela está indo para Nagoya atrás dele.

Urahara soltou um profundo suspiro. Se havia uma coisa que sua namorada gostava de fazer, era lhe meter em problemas.

― Você sabe, não foi exatamente ético dar o endereço de alguém pra maluca da sua protegida.

Yoruichi sentiu o sangue esquentar com o modo como ele chamara Rukia. Olhando-o intensamente, respondeu entredentes:

― Você sabe, não é exatamente legal esconder as coisas da sua namorada.

Um novo suspiro, de ambas as partes agora. Não era como se Ichigo e Rukia fossem culpados pelo que estava acontecendo, mas os dois, mesmo após tantos anos de relacionamento, ainda não compartilhavam todos os segredos. Se Urahara tivesse dito quem era seu Ishikawa Goemon desde o início, isso nunca teria acontecido, e se ela tivesse lhe dito que Rukia fora atrás de Ichigo, muita coisa poderia ter sido evitada.

― Certo... E o que faremos agora? ― perguntou, mas como ele não respondeu, acrescentou após alguns minutos, levantando-se do colo dele. ― Vou ligar para Rukia e pedir que ela se afaste dele.

― Não ― respondeu, impedindo que ela se afastasse.

― Rukia precisa ser avisada! Eu não posso deixar que...

― Ela estará bem com Ichigo. Ele cuidará dela.

― Mas...

― Deixe que isso siga assim, Yoruichi.


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Os raios solares das 11 horas brilhavam fortemente quando Ichigo decidiu abandonar a piscina. Com a toalha sobre o ombro, checou as mensagens em seu celular.



“Jantar confirmado com os Srs. da Companhia Sousuke para daqui a três noites.”

― Ótimo! ― exclamou com um sorriso ao guardar o aparelho.

Tudo estava ocorrendo perfeitamente. Não havia nenhum erro em seu plano, tudo executado com uma riqueza de detalhes e precisão incríveis. Agora... Agora era só esperar para colher os frutos que plantara. Pois ele tinha certeza que aquele era um solo fértil e que semeara muito bem. Afinal, tudo havia sido feito corretamente, portanto não havia nenhuma chance de dar errado, não é mesmo?

Coçou os cabelos, revisando toda a sua história. Ali ele não era Kurosaki Ichigo, mas Kubo Shin. O herdeiro do grupo corporativo Kubo. A sua companhia iria se fundir com a Aizen Corporation. Ichimaru Gin, responsável pela administração do ramo hoteleiro da empresa, se asseguraria de fazer a fusão um sucesso.

Com um sorriso preguiçoso se delineando em seus lábios, Ichigo atravessou o hall central do hotel em direção aos elevadores, mas parou ao avistar uma pequena mulher com curtos cabelos negros debruçada sobre a bancada da recepção.

― Kurosaki Ichigo está hospedado nesse hotel?

― Desculpe senhorita, mas não posso fornecer esse tipo de informação.

“Continue tentando”, pensou recostando-se contra a pilastra e cruzando os braços na altura do peito.

― Hum... Ele é ruivo, alto... Bem, bastante alto. Deixe-me ver... Bronzeado, olhos castanhos. Bem, para falar a verdade ele tem um cabelo estupidamente laranja e horrível e...

Ichigo fechou o sorriso no mesmo momento e tocou os cabelos. Qual era o problema com a cor deles? Não eram horríveis como ela tinha dito. Ao contrário, ele sempre soubera que chamara a atenção quando criança e mais tarde, já crescido, de todas as garotas por seus cabelos, não era?

Observou como o recepcionista tentou, sem sucesso, reprimir um sorriso da descrição dela. Logo depois, pareceu arrependido e deu uma tossidela, dizendo novamente:

― Desculpe, senhorita, mas não há ninguém com essas características peculiares.

― Eu poderia procurá-lo no hotel? ― perguntou, insistindo.

― Desculpe, senhorita, mas sem você ser hóspede e...

Viu-a abrir a carteira, puxar um cartão de crédito e perguntar:

― Como faço para me hospedar?

― Sinto muito, mas não temos quartos disponíveis.

Rukia cruzou os braços e deu uma bufada de irritação:

― Então eu vou esperar aqui até que ele apareça.

O que ela pensava estar fazendo? Ficar ali até que ele simplesmente aparecesse e dissesse “Olá? Adoro ter você me perseguindo, quer que eu te pague um quarto aqui no hotel e te leve para conhecer todos os pontos turísticos da cidade e, quem sabe, para um jantar romântico no fim do dia?”. Esperava sinceramente que não, mas se tratando daquela maluca, não duvidava mais de nada.

Aproximou-se da recepção a tempo de ouvir o recepcionista informar que chamaria os seguranças caso ela não se retirasse dali.

― Isso não será preciso ― anunciou, recostando os braços no balcão.

― Morango! ― Rukia exclamou, surpresa ao vê-lo ali.

Ichigo piscou duas vezes, pensando se aquele era o momento em que deveria matá-la ou se deveria fugir para não cometer tal atrocidade. Sem expressar nenhuma emoção, apenas a encarou, seu olhar dizendo claramente: “O que você está fazendo aqui?”. Como resposta, apenas um sacudir de ombros quase inocente da parte dela.

― Senhor, devo pedir que os seguranças a retirem daqui?

― Não é preciso. Ela é minha...

― Namorada ― disse, cortando-o.

― Na verdade ― disse, puxando-a de encontro a si ―, minha esposa.

― Hein? ― perguntou, soerguendo uma sobrancelha.

O recepcionista os olhou com desconfiança e deu uma tossidela ao perguntar:

― Esposa?

― Sim ― o ruivo respondeu. ― Ela só não gosta de ser tratada por Senhora. Ela tem um complexo com isso... ― desenlaçou o braço da cintura da morena e cobriu a lateral do rosto com a mão antes de segredar: ― Sabe... Idade.

Rukia bufou enquanto o recepcionista piscou e voltou a se concentrar na tela do computador à sua frente.

― Certo, Sr. Ela ficará no seu quarto ou devo providenciar um acoplado para vocês?

Hein? Quarto acoplado? Rukia piscou acreditando ter ouvido errado. Ele não lhe dissera, minutos atrás, que não havia nenhum quarto vago?

“Que cretino!”

― Nós ficaremos no meu. Eu gosto de estar perto da minha esposa ― disse e apertou fortemente os dedos pequenos entre os seus. A seguir, voltou a dizer, num tom baixo: ― Para cuidar dela. A pobrezinha vive tão doente que...

E ainda por cima era doente? Só podia ser um castigo e dos grandes! Ser a esposa de Kurosaki Ichigo ― o cretino ― e ainda ser adoentada. E não só isso, pela maneira como ele falara, estava nas últimas. Ótimo! Era realmente tudo o que precisava!

― Sra... Desculpe, Srta. Kubo ― disse, fazendo-a revirar os olhos. ― Posso checar seu documento com foto?

Documento com foto? Como? Impossível! Ela não podia lhe entregar o seu! Ainda mais quando ele lhe chamara de Sra. Kubo. Era esse o sobrenome que Ichigo estava usando? Por quê?

Engolindo em seco, começou a pensar numa resposta, mas tudo o que fez foi gaguejar desajeitadamente.

― Eu... É... Isso é... Bem, na verdade, eu...

O ruivo apertou sua mão parecendo querer confortá-la e sorrindo explicou:

― Ela perdeu o documento. Você sabe... São tantos remédios que...

O tom de voz dele, entristecido, fez com que o recepcionista os encarasse e assentisse antes de dizer:

― Eu entendo Sr. e Sra... Me desculpe, Srta. Desculpe.

Rukia controlou a vontade que sentia de fazer seu pulso se chocar contra a mandíbula bem feita de Ichigo. Aquele idiota! Estava fazendo-a passar por um papelão ridículo!

― Amor, vamos logo ― murmurou, sorrindo para ele. ― E estou tão cansada...

― Vamos ― respondeu, enlaçando-a pela cintura.

― Vocês formam um lindo casal ― disse o recepcionista quando eles começaram a se afastar.

Como resposta, ambos reviraram os olhos, caminhando em direção aos elevadores. Uma vez dentro, Ichigo desfez o abraço o que quase a fez se desequilibrar. Rukia bufou irritada, pensando no quão desagradável ele era e como pudera ter pensado que ele era encantador aquele dia no Umi no Hana.

― O que você acha que está fazendo aqui? Por acaso acha que...

Sua fala foi interrompida pelo estalar de um beijo em sua bochecha. Surpreso, tocou o rosto e franziu o cenho, mas antes que pudesse pensar em algo coerente foi acertado entre as pernas por uma forte joelhada. Grunhiu de dor e no mesmo instante se curvou, sentindo até falta de ar.

― O beijo é um obrigada pelo anel. Eu sei que ele deve significar muito e o chute... O chute é por você ter mentido pra mim de novo, seu cretino!

Ichigo sentia vontade de xingá-la, mas a dor que sentia era tamanha que ele apenas permaneceu curvado, arqueando-se em dor e calado, sem conseguir expressar nenhum dos incontáveis palavrões que lhe vinham à mente naquele momento.

― Sua maldi... ― começou a dizer, mas foi interrompido subitamente quando as portas do elevador se abriram e um casal de senhores entrou. ― Amor, não faça mais isso ― disse, colocando todo o veneno que poderia na palavra “amor”. ― Ou não poderemos mais ter filhos.

O casal os fitou com curiosidade, sem conseguir entender o que era aquele comentário. Em resposta, a morena o encarou e sorriu docemente antes de dizer:

― Amor, eu sou tão doente que devo ser estéril também!

― Oh, coitadinha! ― exclamou a senhora, colocando a mão sobre a boca.

Com uma risadinha sem graça, Ichigo a pegou pelo cotovelo quando viu que o elevador se aproximava do andar deles ― o 14º andar.

― Não há nenhum problema, amor. Eu te amo do mesmo jeito.

Com um suave solavanco, o elevador parou no andar e abriu as portas. Rapidamente ele a puxou, sem muito jeito e saiu dali antes que a mulher idosa esboçasse qualquer outra reação a favor de sua não-tão-querida-assim esposa.

Uma vez dentro do quarto, Ichigo soltou o cotovelo dela e a empurrou sem nenhum cuidado em direção ao sofá. Com um baque surdo, ela caiu sentada, resmungando baixo pelo tratamento que ele lhe dispensava.

― Vai, diz logo o que você tá fazendo aqui! ― exigiu.

― Grosso! ― reclamou, olhando para o braço fino e alvo com a marca dos dedos dele.

― Vai logo, Rukia! ― vociferou.

― Vim atrás do meu 1 bilhão de ienes.

― O SEU O QUÊ?

― Dá pra parar de gritar? Não sou surda! ― reclamou, levantando o tom de voz também. ― E é isso mesmo que você ouviu, você também não é surdo!

― Eu não vou te dar...

Pararam ao ouvir um camareiro tocar a campainha do quarto. Com um suspiro, Ichigo abriu a porta e o deixou colocar a mala de Rukia no quarto antes de vê-lo se curvar esperando uma gorjeta e sair pouco tempo depois sem receber nada.

― Você não vai mesmo dar nenhuma moeda para ele?

― Não aja como se você fosse minha mulher!

― Foi você quem inventou essa história. “Sra Kubo” ― disse, imitando a voz dele. ― Aliás, qual o seu nome aqui mesmo, cretino?

Ignorando o apelido maldoso que ela lhe dera, sentou-se na poltrona de frente para ela e apanhou a jarra com suco, derramando um pouco num copo. Como de costume, não se preocupou em oferecer a ela.

― Kubo Shin ― disse, assistindo-a explodir em gargalhadas.

Kubo Shin? Rukia não aguentou e continuou rindo sem controle, até tentava, mas não conseguia parar de rir. A ironia daquilo era muito grande para se ignorar.

― Kubo Shin? ― perguntou.

― É. Qual o problema?

― Você sabe... ― murmurou, secando os olhos. ― Kubo significa “mantido há muito tempo” e Shin significa “verdade” ― disse, explodindo em gargalhadas novamente.

Ichigo revirou os olhos, ainda sem conseguir entender a graça daquilo.

― Você é burro? ― perguntou. ― É só que “verdade mantida há muito tempo”, não combina com alguém que só sabe mentir o tempo inteiro. Mas deixa pra lá... Esquece isso.

― O que você quer dizer com isso?

― Você disse que ia me ajudar ― lembrou-o.

― Eu prometi ― pontuou. ― E não esqueci.

― Então me diga: por que você fugiu e não disse nada? E então, do nada, eu descubro que você veio pegar 5 bilhões de ienes!

― O que eu vim fazer aqui não é da sua conta ― respondeu, batendo o corpo na mesa de centro entre eles, numa forma de reforçar que seus questionamentos não eram bem-vindos.

― Engano seu, querido ― disse, inclinando-se mais para perto dele. ― É tão assunto meu quanto seu. Eu vim pegar a minha parte, o que é muito justo.

― Justo? Eu disse que ia te ajudar, sua maluca!

― Me ajudar? E você acha que eu deveria acreditar em você? Ou deixar você ter toda a diversão?

― Eu não estou aqui me divertindo, sua tresloucada! ― disse, mal contendo a irritação que sentia. ― Isso é um assunto sério. Eu não estou aqui para brincar.

― Nem eu ― respondeu. ― Kurosaki, querido, eu sou burra... Talvez você nem me desse esse dinheiro...

― Eu prome...

― Suas palavras são vazias! Conte essa para outra! Eu não caio três vezes no mesmo truque!

― O que você quer para me deixar em paz? ― adiantou, desejando encerrar aquele assunto.

― Ajudá-lo a conseguir esse dinheiro e pegar metade dos 2 bilhões que você terá direito ― disse e sorrindo, acrescentou: ― De qualquer forma, você não tem muitas opções. Ou você me dá metade, ou eu te entrego para o senador Abarai...

Ichigo engoliu em seco diante da menção do senador Abarai. Incluí-lo de uma forma errada daquela, não iria ajudar em nada no seu caso. Ao invés de ajuda, a Operação Kireina Te arrumaria problemas com o senador.

― É isso ou nada. Você escolhe...

Diante do silêncio dele, Rukia se afastou e foi até sua mala, à procura de uma roupa mais confortável. Trocou-se na frente dele, sendo observada em cada gesto. Mas ela sabia que não havia espaço para desejo ali, e que ele só sentia raiva naquele momento e pensava em algum meio de se livrar daquele novo problema.

Ao terminar, voltou-se para ele e o tocou no rosto suavemente, antes de dizer:

― Agora, meu lindo marido, eu vou sair e passear pelo hotel. Ar fresco talvez faça bem ao meu quadro de saúde, não acha?

Ichigo não riu, continuou com a face séria e murmurou um “Eu te odeio, você sabe disso não é?”, ganhando uma risada baixa dela e como resposta “É recíproco!” e um piscar de olho.

― A propósito ― perguntou, já próxima da porta. ― Qual é o meu nome mesmo?

Ichigo bateu os dedos sobre a coxa, parecendo pensativo, mas logo depois acrescentou, um sorriso irônico se delineando em seus lábios.

― Yoru Josei.

Rukia franziu o cenho analisando as palavras e perguntou, sorrindo:

― Mas isso não é um nome, são dois substantivos comuns. Você é realmente burro, não?

― Soa bem e diferente do meu combina muito bom você. Kubo Yoru Josei. Dama da noite há muito tempo ― disse, pontuando cada palavra com um tom feliz. ― O que acha?

Rapidamente a morena parou de sorrir e se virou para ele gritando:

― Isso não tem graça, idiota! E eu não sou prosti...

― Eu sei, eu sei... ― interrompeu-a, sacudindo a mão. ― Use o nome que você quiser, o seu ou qualquer outro, minha esposa querida.

― Eu realmente odeio você, Kurosaki Ichigo!

― Eu te odeio mais, Kuchiki Rukia! ― respondeu, mostrando a língua para ela num ato infantil, antes de rir.

Viu-a deixar o quarto e riu mais um pouco, divertindo-se com a reação dela ao nome que ele inventara. Balançou a cabeça em negação, deixaria para pensar sobre o que aquela maluca estava fazendo ali depois. Teria uma conversa e pontuaria exatamente que parte ela tomaria naquele plano.

Suspirou. Tomar parte naquele plano, não era algo que ele tinha em mente para ela. Mas, no fim, não era como se ele quisesse expulsá-la dali, mesmo sabendo que poderia e que não arrumaria problema algum com o senador. Ele só estava... Se acostumando a sua presença. Mas não era como se ele gostasse dela. Ao menos ela lhe divertia, não podia negar e ele só estava... Aprendendo a tolerá-la.

Notas finais
Yeah! E então temos o primeiro ponto de virada da história. Sim, essa fic vai ser grande! Mas a partir de agora muitas coisas vão acontecer.
Mereço reviews depois de todo esse tempo?
Beijos
Velvetsins!