Jogo Perigoso
10 10 Assalto - Sobre eu e você
Notas iniciais
Venho aqui com cap fresquinho! O 10 cap de Jogo Perigoso, ou JP, como preferirem. Peço desculpas pela demora e, a partir de agora, não me comprometo a postar mais de quarta-feira, mas sim uma vez por semana. Haverá capítulos mais fáceis e difíceis de escrever. Esse foi quase um martírio. Foi rápido, na verdade. Mas nada me deixava satisfeita hehe
No fim, gostei dele e da forma como ficou.
Brinde pra quem descobrir a quem se destina o título ^^
Bem, eu preciso dizer que o relacionamento marcha lenta entre o Ichigo e a Rukia está acabando. Essa foi a primeira fase da relação deles. Vamos passar para a segunda agora. Só não esperem hentai tão rápido. Ainda não chegamos nesse nível do relacionamento deles. Ninguém quer algo forçado, não é mesmo? ^^
Obrigada pela terceira recomendação, Kuchiki Evy! Doumo Arigatou Gozaimasu!
E eu cheguei a 110 reviews! Muito obrigada, seus lindos! Sério, não tenho palavras para agradecer. Nunca pensei que em 9 capítulos ia conseguir mais de 10 leitores tão rapidamente!
Agradecimenentos a: Lady Michele Bran, Fe Neac, Kuchiki Keithy, Pedro12345, JJDani, Liruichi, Ronda, SakuraLiz, Amanda Catarina, Sarah Kurosaki, Lali Dalton, Ishitar, Marifanfiction, BLGdosSantos, Tsuki, Dantesca Mia Commedia, Anna Kuchiki, Jheni Kuchiki, Lucy 515, Tachibana Canadee, Kurosaki Rukia, Ignis, Kuchiki Misaki.
Espero não ter esquecido ninguém ^^
E a todos que também favoritaram, mas nunca deixaram review. Espero que vocês criem coragem e venham deixar sua opinião para mim. Eu não mordo! Não tão forte xD
Aproveito pra divulgar a minha nova fanfic, Don't Close Your Heart. Eu sei, não é um casal que todo mundo gosta. Aliás, uma minoria curte. Mas se você me der uma chance, prometo que farei você se apaixonar por eles também ^^
http://fanfiction.com.br/historia/319251/Dont_Close_Your_Heart/
Obrigada e me despeço aqui. Nos vemos nas notas finais.
10º Assalto – Sobre eu e Você
Por que você faz isso comigo?
Você me atinge diretamente
Toda vez eu acabo voltando à sua porta.
Back at your door – Maroon 5
― Eu acho que estou feliz que você esteja aqui ― anunciou sem deixar de olhar para o seu celular.
― Huh? Como é? ― questionou enquanto observava o bonito pôr-do-sol.
― Isso que você ouviu. Finalmente terei alguma utilidade com o fato de você ser uma maluca que adora me perseguir.
― Eu não gosto de te perseguir, tá legal?
― Não é o que parece.
Rukia revirou os olhos. Ichigo sabia ser chato como ninguém. Mas a curiosidade se abateu sobre ela e não pode deixar de perguntar.
― Por que você disse que eu terei alguma utilidade?
O ruivo riu suavemente e deixou o celular de lado, finalmente a encarando.
― Você sabe... Sua curiosidade, um dia, pode te prejudicar, não sabe?
Sua pergunta fez com que a morena mordesse o lábio inferior. Verdade seja dita, ele não era o primeiro a dizer isso a ela, e não era a primeira vez que ela concordava com isso. Dane-se. Deu de ombros. Que fosse. Naquele momento ela faria de tudo para entender as palavras de Ichigo.
― Nós teremos um jantar amanhã.
― Como assim?
― Um jantar, pessoas importantes. Sócios do Aizen.
― Certo e...
― E você vai atuar como a boa esposa doente que eu amo tanto.
Um leve franzir de cenho. Ele estava realmente falando sério? Agora ela ia ter que ficar posando de doente por causa daquela brincadeira estúpida na recepção? Maldito Ichigo!
― E eu espero que você tenha um vestido decente dentro dessa sua mala pequena.
― Eu acho que tenho...
― Acha? ― foi a vez de Ichigo franzir o cenho. ― Eu não tô afim de gastar o meu dinheiro com você.
― O seu dinheiro? Nós vamos dividi-lo!
― Sim, iremos. Não me lembre das coisas estúpidas que eu faço, Rukia! ― disse, fitando-a quase seriamente agora. ― Mas não se esqueça que se você não colaborar, nós não teremos nada para dividir. Então, atue tão bem quanto você atuou na minha casa. Seja uma boa garota sim?
As palavras dele a deixaram irritada. Não tanto quanto Rukia realmente gostaria, mas a irritaram. Como ele conseguia ser tão estúpido e mandão às vezes? E pensar que já se sentira atraída por tamanho grosseirão!
Esticando os braços musculosos, o ruivo serviu-se de um pouco de água gelada antes de deixar o quarto para ir tomar banho.
― Idiota! ― sibilou ao vê-lo fechar a porta do banheiro.
― Não me chame assim! ― advertiu-a, ligando o chuveiro. ― Meu amor.
― Você poderia parar com essa brincadeira sem graça.
― Eu vou ― anunciou.
Rukia pensou que essas seriam suas últimas palavras pelos próximos, 10 ou 20 minutos. Realmente não era como se fizesse ideia de quanto tempo ele demorava em seu banho. Na verdade, não fazia ideia de muitas coisas sobre Ichigo. Era como se houvesse uma barreira entre eles, um muro quase intransponível. Bem, não era como se ela quisesse mesmo conhecê-lo.
― Há algumas coisas que precisamos conversar ainda hoje depois do jantar, Rukia.
Conversar? Sobre o quê? A curiosidade levou a melhor novamente e ela mal pode aguardar, ansiosa, pelo fim do jantar.
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Ishikawa Goemon?
Certo. Isso era demais para ela. Seu assaltante, “Ichigo – o cretino”, era Ishikawa Goemon, o famoso Robin Hood japonês? Aquele que trabalhava para desmascarar políticos corruptos e devolver à população aquilo que lhe fora covardemente tirado?
Sob essa ótica, ele até parecia uma boa pessoa. O que ainda não era, exatamente, um excelente motivo para ela perdoá-lo pelo que fizera a ela.
Ichigo e Rukia passaram as últimas horas sentados de frente para o outro, numa disputa básica de xadrez enquanto ele explicava quem era ― muito por cima, ela admitia, o que só acentuava ainda mais sua curiosidade ― e o que iria fazer naquela missão.
“Desmascarar Aizen Sousuke.”
Homem de poucas palavras, ele não havia explicado muito mais do que isso. Aliás, durante aquela partida de xadrez, ele parecia mais concentrado em mover suas peças do que conversar mesmo. E isso a estava deixando louca.
Rukia se virou no sofá do hotel, incomodada com o lugar onde estava dormindo. Finalmente, ficou de barriga para cima e cruzou os dedos sobre o estômago. Expirou profundamente. Não dava para acreditar que estava dormindo num sofá enquanto aquele estúpido grosseiro desfrutava do colchão macio do hotel.
Olhou para a cama e, mesmo através da escuridão, conseguiu reconhecer sua figura jogada de bruços sobre o colchão, mal envolto nos lençóis.
― Estúpido ― murmurou, voltando a olhar para o teto. ― Idiota!
Balançou a cabeça. Tinha até vontade de rir. Quem era verdadeiramente estúpida era ela, não ele. Ela aceitara dormir no sofá. Ela não o pressionara a abandonar a cama. Tinha cedido à grosseria dele e estava deitada no pequeno sofá, que, para ela, não parecia tão pequeno assim.
Também não era como se quisesse compartilhar a mesma cama com ele. Não era como se quisesse estar perto. Estar perto de Ichigo era... Sufocante, ou algo assim. Ela realmente não queria especificar ou pensar no tipo de relação estranha que eles mantinham.
As palavras dele tinham sido claras: ou ela compartilhava a cama ou dormiria no sofá, pois ele não iria sair só porque a dona-maluca-queria-assim. Pois bem, que fosse. Ela iria para o sofá. Ainda se lembrava de tê-lo ouvido dizer “É tão bom sobrar espaço na cama”. Era realmente um estúpido grosseirão!
Mas esse não era o único motivo. A verdade é que, desde que eles se recolheram, ela não conseguia dormir ainda pensando no que ele dissera sobre aquela “missão”.
Ainda estava impressionada com o fato de Ichigo ter lutado, durante os últimos anos de sua vida, para ajudar pessoas, mas isso não era o que a impedia de dormir. As pessoas não poderiam ser interpretadas unilateralmente, então não era o fato de Ichigo ter um lado bom que a impressionava, sim no que ele se envolvera.
“Isso se trata sobre capturar Aizen Sousuke”
Segundo ele, Aizen era um mafioso até famoso no Japão. Ela realmente se lembrava de tê-lo visto algumas vezes em revistas ou inaugurações beneficentes em cidades carentes do país.
Como, por toda a lógica mundana, aquele homem que parecia tão benévolo, ser alguém envolvido com tráfico de drogas e mulheres?
“Se quer realmente um conselho, Rukia, nunca confie em ninguém. Pessoas podem parecer boas à primeira vista, mas elas nunca são.”
Dissera Ichigo, enquanto movimentava suas peças no xadrez. Ele parecia realmente desfrutar daquele jogo, usando diversas táticas.
“Você está dizendo que não há pessoas boas?”
Naquele momento, ele a fitara intensamente, para depois desviar o olhar e voltar a se concentrar no jogo.
“E então, Ichigo?”
“Elas são tão difíceis de encontrar quanto diamantes.”
Antes que ela pudesse processar suas palavras, ele voltara ao tópico rapidamente:
“Aizen é... Uma cobra venenosa. Ele só parece manso, quando você menos espera ele dá o bote...”
“Você parece saber muito sobre esse homem.”
“Uma obsessão durante os últimos 20 anos da minha vida.”
Rukia não sabia o que dizer diante daquelas palavras, assim permaneceu muda. Seria esse tal de Aizen quem estivera envolvido no assassinato de sua mãe? Seria por isso que... Que aquela missão parecia tão importante para Ichigo?
“Traficar mulheres é baixo e sujo... Ninguém deveria ser obrigado a fazer algo que não se quer.”
Rukia sabia perfeitamente como a máfia funcionava. Por mais que fosse algo comum no Japão encontrar Yakuzas circulando livremente por aí e que a maioria deles fossem trabalhadores comuns e vivessem sua vida longe de tais coisas ruins, uma grande maioria ― quase esmagadora, principalmente entre os grandes líderes ― estavam envolvidos com coisas “baixas e sujas”.
Tráfico de mulheres... Fora por isso que seu irmão abandonara a máfia. “Isso é algo inaceitável”, dissera ele em determinada ocasião, nas poucas conversas que trocavam. Rukia conseguia se recordar do alívio que sentira ao ouvi-lo dizer que sairia da máfia.
Eles não moravam juntos há tanto tempo assim, mas não havia como não ficar preocupada. Sim, ele era um adulto que sabia cuidar de si mesmo, mas Rukia não podia parar o sentimento de perda que a dominava toda vez que ele ia embora.
Muitos diriam que era uma paixonite por seu irmão adotivo. Irmão adotivo, quase risível. Mas não era. Só ela poderia compreender os sentimentos que tinha por ele, mesmo que ele mal a olhasse nos primeiros anos após adotá-la. No fim, ele era a única família que ela, um dia, tivera e o respeito e gratidão, que sempre sentiria, era algo que não poderia ser facilmente explicado para terceiros.
Era por isso que... Que estava ali.
“Venha me encontrar quando puder, Kuchiki Rukia, e então poderá ter seu irmão de volta”.
Tantos anos haviam se passado desde aquela fatídica noite... Pensando logicamente, era uma tolice se meter em tantos problemas para resgatar um corpo que não mais existia. Talvez ele tivesse sido cremado, ela nem mais sabia. Mas era... Era uma questão de honra. Proteger o seu orgulho... Era isso que deveria e iria fazer. Custasse o que custasse.
Virou-se no sofá à procura de uma posição melhor, mas simplesmente nenhuma parecia confortável o suficiente. O calor também a incomodava. O verão havia se estabelecido sobre eles impiedosamente, causando um clima quase sufocante naquele ambiente cujo ar condicionado estava desligado. Olha, nenhum lugar poderia ser tão quente quanto o Japão no verão. Bem, não era como se conhecesse outros países, mas o verão em seu país era mais do que seco ― na verdade, insuportável.
Viu Ichigo resmungar baixinho e se virar na cama também, logo depois se sentando e a encarando antes de perguntar:
― Você ainda tá aí?
― Não consigo dormir.
― Está muito quente ― disse ele, sua voz ainda embargada pelo sono.
― Sim... É verdade.
― Quer que eu ligue o ar condicionado?
― Tanto faz ― respondeu.
O ruivo coçou a cabeça e se moveu pelo quarto, ainda escuro, até achar o controle remoto que controlava o ar. Após ligá-lo, esperou algum tempo em silêncio, até que a temperatura se estabilizasse, para depois jogá-lo sem muito jeito sobre a mesa de cabeceira.
Rukia suspirou. Aquele gesto... Tão exatamente idêntico ao que Renji também faria. Franziu as sobrancelhas ao se lembrar de que passara todos aqueles dias sem falar com ele. Culpa a acometeu. Será que Renji estava preocupado, ou bravo? Conhecendo-o como o conhecia, sabia que a preocupação levara a melhor sobre ele.
― Você não vem pra cama? ― perguntou Ichigo, enxugando a testa suada.
― Estou bem aqui.
Ele ficou em silêncio, parecendo encará-la mesmo através da escuridão. Com um suspiro cansado, deitou-se na cama e disse:
― Tudo bem, então.
Silêncio se estabeleceu entre eles. Não aqueles pesados, como costumava ser, mas algo confortável, como raramente era uma situação entre os dois.
Rukia ainda olhava para o teto, o rosto de Renji brilhando em sua mente. Mordeu o lábio inferior diversas vezes, decidindo-se se deveria ou não perguntar sobre o ruivo para Ichigo.
― Ichigo... ― chamou, sua voz meio trêmula. ― E sobre Renji?
― Senador Abarai? ― perguntou, parecendo confuso. Depois de um tempo acrescentou: ― O que você quer saber?
― O colar...
― É como eu disse, precisamos de todo o apoio necessário. Você foi a maneira mais fácil que tínhamos para atingi-lo.
Atingir Renji? Agora sim as palavras dele a atingiram. Com um estremecimento, Rukia fechou os olhos e ficou de lado no sofá.
Ela nunca tivera a intenção de empurrá-lo para tal coisa. Nunca tivera a intenção de... Ser um motivo de preocupação para ele. Mas ela era. E, com certeza, o seu sumiço tinha sido um agravante e, talvez, a válvula impulsora para tudo aquilo.
Renji estava envolvido num caso que, muito provavelmente, não queria e tudo por sua culpa.
― Rukia? ― chamou, depois de um tempo em silêncio absoluto.
― Obrigada pela sinceridade, Ichigo ― disse.
O ruivo nada disse, mas não pode deixar de notar o tom de voz dela subitamente preocupado. Qual era sua proximidade com Abarai Renji para se importar tanto com isso?
― Rukia...
― Hum?
― Boa noite.
― Boa noite, Ichigo...
Estava decidida a dormir agora, mas sabia que Renji não sairia de seus pensamentos tão facilmente. Como poderia? A culpa a cercava. Renji se preocupara com ela em todos aqueles dias, ligando desesperadamente em seu celular, e ela mal dedicara três ou quatro pensamentos a ele. Talvez, um ou dois, mas não mais que isso. Estava sempre mais preocupada com ela e sua promessa.
Que vergonha! Renji prometera ajudá-la. Renji pedira que ela confiasse nele. Renji estava fazendo tudo por ela... Renji iria... Por Kami-sama! Renji iria se separar de sua esposa por causa dela, para estar ao seu lado e apoiá-la e tudo o que ela conseguia fazer era traí-lo dessa forma! Quão egoísta era para tratá-lo assim... Tão baixo e ridículo! Quando esquecera o significado das palavras vínculo afetivo? E por que não hesitara em trocar tudo isso para estar, naquele momento, deitada naquele sofá, dividindo o quarto com um estranho?
Com um suspiro, decidiu ignorar tais pensamentos. Não era como se Ichigo tivesse culpa de algo, também. Ele estava fazendo seu trabalho ao seduzi-la daquela forma, idiota fora ela que aceitara isso e não confiara em Renji ― e em seus sentimentos por ele ― o suficiente para deixar aquela provocação com o colar de lado.
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Recostado contra o parapeito da varanda, ele olhou para lua, encontrando-a grande demais, escura demais, solitária demais. Assim como seu íntimo.
Abarai Renji desviou sua atenção para a mulher que jazia inconsciente em sua cama. O pequeno corpo mal coberto pelo fino lençol branco era exposto em algumas partes, revelando seus quadris arredondados e pernas torneadas. As costas brancas também estavam à mostra, enquanto ela dormia quase de bruços, ocupando a maior parte do colchão. Seus curtos cabelos negros caiam sobre sua face, mas ainda assim não conseguiam esconder a sombra de um sorriso em seus lábios finos.
Aquela era... Era sua mulher. Abarai Soifon. A mulher com quem Renji casara 10 anos antes, profundamente apaixonado. A mulher que o amava naquela época, mas que agora voltara com a provável intenção de ferir seu coração.
Massageou as têmporas se sentindo extremamente culpado por ter dormido com sua mulher. Era uma situação quase risível. Sentir culpa por fazer sexo com sua esposa que chegara de viagem recentemente da Europa. Mas ele sentia. Ele era Abarai Renji, ele não era qualquer homem, ele estava longe de ser como todos os outros.
Sexo para ele nunca fora só sexo... Isso tinha que ter um envolvimento emocional. Durante todos aqueles anos de casamento, em que Soifon estivera mais preocupada em viajar e permanecer longe dele, Renji tivera várias amantes. Algumas pelas quais se apaixonara, outras pelas quais nutria algo mais carnal, mas que, de alguma forma, eram importantes para ele.
Com o passar dos anos, ter tantas mulheres passou a não fazer diferença para, pois o que realmente estava faltando não era algo corporal, era sentimental. O buraco que Soifon deixara quando decidira passar a vida viajando e torrando seu dinheiro ao invés de estar ao seu lado. Sexo por sexo deixou de fazer sentido.
E era por isso que ele se sentia culpado agora. Pois fora sexo por sexo, não fora? Ele não sentia mais nada por Soifon e, mesmo assim, desfrutara daqueles momentos de lascívia, com ela em seus braços, chamando seu nome no auge do prazer.
Pior que isso era saber que tinha sido assim pelos últimos 5 dias. Eles iriam passar boa parte da noite rolando entre os lençóis de sua cama, entrelaçados naquela dança do prazer e, então, quando tudo terminasse, ela iria se recostar contra ele e adormecer abraçada contra seu corpo. Exatamente como fora nos primeiros anos de seu casamento... Exatamente como ele adorava, até aquele fatídico dia.
Até que ele e sua estupidez estragassem tudo. Soifon o odiava por aquilo? Ela deveria. Às vezes, ele se odiava por aquilo. Mas ela estava de volta agora e a forma como ela o olhara quando o abraçara, era tão... Tão conhecida e confortável para ele que seu coração, há muito congelado, amolecera naquele momento e tudo o que ele pudera fazer era abraçá-la de volta e inalar o perfume que tanto gostava.
Com um suspiro, seus pensamentos vagaram para outra pessoa. Outra mulher, exatamente. Rukia... Cerrou o punho, assolado pela culpa. Ele traíra Rukia. Ele agira tão erroneamente com ela. Ele havia prometido se separar de sua esposa, ficar com ela e cuidar e proteger e... Prometera tanto e estava tão longe de cumprir tudo.
Rukia o detestaria quando soubesse de sua fraqueza? Quando soubesse que Soifon voltara e que tudo o que ele pudera fazer era se xingar por seu coração bater tão fortemente pela mera presença dela? Que, no fundo, ele estava feliz por tê-la de volta em seus braços, mesmo sabendo que isso seria um prazer fugaz e que, assim que o idílio passasse, ela iria embora novamente. Iria se tornar quem ele queria que ela fosse: a mulher sem sentimentos que só se importava em gastar o seu dinheiro e esfregar em sua cara que ele não servia para mais nada além disso.
Ouviu Soifon se aproximar. Seus pequenos pés tocando o piso de madeira com passos indecisos. Voltou-se para ela e se deixou ser lentamente envolvido por seus braços delicados.
― Senti sua falta na cama.
― Eu estava pensando.
― Você pensa demais ― disse, com a voz sonolenta.
― Você deveria dormir ― disse, pegando-a em estilo de noiva, antes que a mesma caísse.
Por que ela sempre fazia isso? Parecia até sonâmbula. Desde seus primeiros anos juntos, ela sempre saía da cama, trêmula de sono, para ir encontrá-lo em seu escritório e puxá-lo de volta para o quarto. E, em todas as vezes, quase caía, obrigando-a a recolhê-la em seus braços e levá-la de volta para a cama.
― Venha comigo ― murmurou contra seu pescoço.
Ele não respondeu. Logo fechava a porta da varanda com o pé e a deitava suavemente sobre o colchão e a envolvia com o lençol. Tentou se afastar, mas ela agarrou sua mão e pediu baixinho:
― Fique comigo. Você nunca teve tempo para mim.
― Me desculpe, Soi... ― respondeu, sentindo-se ainda mais culpado.
― Não vá... ― pediu mais uma vez, abrindo mais os olhos.
Renji se deitou ao lado dela e os cobriu com o lençol. Sentiu-a se ajeitar em seu peito e suspirar antes de dizer, a boca próxima ao seu ouvido:
― Eu te amo, Renji... Eu sempre amei.
Notas finais
Eu espero que tenham gostado. Espero que estejam gostando até aqui na verdade.
Não saiam sem deixar review, viu!
Por favor, seus dedinhos não vão cair e vocês ainda vão me fazer muito feliz!
Beijos!
Até semana que vem!
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