Jogo Perigoso
6 6 Assalto - Eu sei muito mais do que você imagina
Notas iniciais
Mil perdões por não ter postado na quarta, mas eu terminei o cap bem tarde já e ainda precisava ser betado!
E então, estão aproveitando o feriado prolongado? Maravilha né? Eu estou de molho até quarta que vem, ô delícia! Hehe
Bem agradeço a todos os reviews que tenho recebido e apoio!
Vocês são lindos!
Agradeço a minha beta que mesmo cheia de problemas sempre tira um tempinho para betar meus caps e vir aqui comentar, Doumo Arigatou, Mi!
Bem, esse cap vem cheio de interações entre outros personagens e mais ceninhas IchiRuki, mas está enorme, desde já peço desculpas pelo tamanho do cap.
Espero que gostem!
Sexto Assalto – Eu sei muito mais do que você imagina
"Você pode descobrir mais a respeito de uma pessoa numa hora de jogo do que num ano de conversação."
Platão
“Essa mulher... Ela vai me deixar louco!”, Ichigo pensou batendo os dedos nervosamente sobre o volante e respirando fundo.
Rukia gargalhou ao ver a reação dele. Era mais do que óbvio que Ichigo queria voar em sua garganta e apertá-la até que ela perdesse os sentidos e morresse sufocada. Sacudiu os ombros, divertindo-se muito com a enorme quantidade de emoções que passavam em seus olhos naquele momento.
― Certo... E o que sugere que façamos? ― ele perguntou, sua voz soando baixa devido a sua cabeça estar, novamente, apoiada contra o volante do carro antigo.
― É simples, oras! Você só precisa me devolver o colar e estamos quites.
Ichigo suspirou ao vê-la estalar os dedos como se aquilo fosse a coisa mais óbvia do mundo. Aquele colar nem devia mais estar em posse de Tessai. Seria uma sorte se estivesse, mas ele duvidava muito que já não tivesse sido despachada.
― Eu já disse que vendi ― disse, suspirando frustrado.
― Então...
― Você não pode!
― É claro que eu posso! ― seus olhos brilharam ao rebater. ― Você me drogou, Ichigo. O que espera que eu faça? Eu só vou denunciar você por andar com drogas ilícitas...
― Você não vai.
― O que me impediria? ― disse, apertando o botão play e deixando o pequeno filme rodar novamente.
Rukia apoiou os pés sobre o banco do carona do carro, ajeitando-se confortavelmente e bebeu um pouco de coca-cola enquanto assistia a cena em que Ichigo dissolvia um comprimido de ecstasy em sua bebida. As câmeras do Umi no Hana gravaram perfeitamente esse momento. Todas as imagens eram tão nítidas e impecáveis. Ninguém poderia recusar aquela prova. Ela era incontestável!
Ichigo fechou os olhos, recusando-se a ver aquilo pela terceira, quarta ou quinta vez. Realmente não fazia diferença. Quem aquela garota achava que era? Quem ela pensava que estava ameaçando? Kuchiki Rukia estava brincando com fogo e quem brinca com fogo um dia se queima...
Alheia aos pensamentos do ruivo, Rukia estava mergulhada nos seus próprios. Lembrava-se de como conseguira aquela prova ― que sabia muito bem não poder ser utilizada contra Ichigo, mas que valeria para ameaçá-lo.
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“Eu estava me trocando para dormir quando a campainha tocou. Suspirei, imaginando quem poderia ser àquela hora. Bem, de uma coisa eu tinha certeza: o estranho assaltante não era. Segundo Yoruichi, ele já tinha retornado para sua cidade, Karakura. A cidade para a qual eu iria no dia seguinte. Terminei de colocar o pijama e, calçando minhas pantufas, abri a porta para me deparar com uma sorridente e bem vestida ― muito sedutoramente, diga-se de passagem ― Nemu.
― A que devo a honra da visita a essa hora? ― perguntei, verificando o relógio.
― Tenho um pequeno presente pra você... ― ela disse sorrindo.
― Mais? ― perguntei em descrença. ― Quer entrar?
― Não. Eu já estou de saída... Você sabe...
― O Presidente ou o Ishida?
Nemu sorriu, misteriosa. Eu não gostava daquele sorriso. Significava que ela estava aprontando e, quando minha inteligente amiga aprontava, significava, automaticamente, problemas. Só esperava que não fosse para mim, ou por minha causa.
― Hum... Você não precisa realmente saber ― ela respondeu, empurrando um pacote em minhas mãos.
― O que é isso?
― Um presente, já disse ― ela começou, mas parou diante do meu olhar de confusão. ― Nem pense em recusar. Desse, eu sei, você vai gostar.
― Hum... Você não pode adiantar?
― São algumas cópias de um bonito DVD...
Céus. Eu só esperava que após aquele show, onde eu e a minha aparente virgindade fomos a atração principal, durante à tarde, aquelas taradas não estivessem me enviando filmes pornôs. A última coisa que eu precisava era de alguém me dizendo para ver aquelas... Aquelas putarias.
― Sério? ― perguntei, arqueando a sobrancelha.
Diante do sorriso de Nemu, eu já estava realmente achando que aqueles DVDs na minha mão realmente eram filmes pornôs. Amigas... Se você as tem, certamente não precisará de inimigos. Acredite em mim, sei do que estou falando.
― Ah, não é nada demais. São só as cenas de Ichigo te drogando.
― E pra que eu quero isso? ― perguntei, sem nem ao menos refletir.
― Rukia! ― ela chamou, recostando-se contra o batente da porta. ― Não me envergonhe, você é mais inteligente que isso!
― Eu nem mesmo posso usar isso e...
― Você pode. Não da maneira que está pensando... Vamos lá garota, pense um pouco, você está indo para lá amedrontá-lo e fazê-lo devolver o seu belo colar de esmeraldas, não acha que ameaçar é algo válido?”
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Assim, Rukia agora usava uma das várias cópias que lhe foram entregues daquele DVD para ameaçar Ichigo. E como ele caíra fácil em sua conversa, pensava, rindo internamente. Tal prova não poderia ser utilizada.
Não porque alguém se importasse com o fato de que Kurosaki Ichigo passaria alguns dias na cadeia, mas sim porque um dos bares mais famosos entre os políticos não estar devidamente preparado para aquele tipo de situação. A verdade era que vários políticos consumiam drogas ali dentro e ninguém se importava, denunciar Ichigo por portá-las não seria realmente uma boa ideia, levando em conta que isso poderia afetar o movimento do bar.
No fim, mesmo que fosse uma prova que não pudesse ser usada, divertia-a pensar que estava conseguindo assustá-lo com aquilo. Era maravilhoso saber que estava novamente no controle da situação após aquele alarmante jantar onde a família dele quase a sufocara.
Vendo que a cena onde ele depositava a droga em sua bebida havia passado, Rukia pausou e voltou um pouco, fazendo isso repetidamente, só para irritá-lo.
― Pare de voltar toda hora! ― ele disse, sua voz mais alta que o habitual.
Rukia pulou no assento e o controle escapou de sua mão com o susto. Aproveitando da confusão momentânea dela, Ichigo desligou o aparelho e girou a chave na ignição, pronto para dar a partida com seu Puma 1978, mas parou ao sentir a mão pequena sobre a sua.
― E então? Temos um acordo?
― Já disse que vendi.
― Recupere. Não é problema meu como você vai fazer.
― Como se eu pudesse ― ele respondeu, rolando os olhos. ― Vamos... deve ter outra coisa que você aceitaria em troca?
― Sim. Seu carro... Ele é antigo e bonito. E eu gosto de carros antigos. Mas vamos combinar, Ichigo: seu carrinho não paga nem metade daquela joia e você sabe muito bem disso.
― Nem se pagasse eu te daria meu carro ― respondeu, subitamente mais sério.
“Oh, ótimo! E agora ele é um viciado em carros antigos e tem ciúme do próprio? Era tudo o que eu precisava!”
― Então pense numa solução rápido, bonitão ― ela o apertou no nariz com força, ganhando um grunhido baixo de irritação.
Satisfeita, Rukia abriu a porta do carro, mas, antes que saísse, seu pulso foi preso pela mão, que se fechou com força, marcando sua pele. Com um puxão, livrou-se do aperto dele, exclamando com raiva:
― O que acha que está fazendo, idiota?
― Vamos lá, Rukia ― ele murmurou, subitamente perto. Sua respiração acariciando o pescoço dela suavemente enquanto seus dedos se moviam pela linha da mandíbula, virando o rosto delicado para o seu. ― Há certamente algo que possamos renunciar.
Rukia prendeu a própria respiração ao senti-lo tão perto. Fechou os olhos, buscando se controlar. Os efeitos do toque dele em sua pele eram tão... Abrasantes! Os lábios moveram-se sobre seu queixo, depositando um leve beijo ali, antes de subir para tocar seus lábios tão suavemente quanto poderia...
“Não o deixe fazer isso, Rukia! Controle-se! Você é uma Kuchiki! Uma Kuchiki! Vamos lá... Você aprendeu com o melhor a controlar suas próprias emoções. Aja e pense como a Kuchiki que você é!”
― Consiga meu colar, Kurosaki Ichigo e... ― começou a dizer, sua voz soando subitamente tão controlada e natural quanto possível. Abriu os olhos, fitando-o friamente. ― E voltaremos a falar sobre esse assunto.
Chocado com a forma como ela reagiu a sua carícia ― de maneira fria e impassível, como se seus dedos não deslizassem sobre sua pele ―, Ichigo recuou. Se a sedução não estava mais surtindo efeito, ele tentaria outra forma. Tudo para que ela não estragasse seus planos.
― Você não vai fazer isso. Não tem coragem.
Ele certamente não poderia escolher palavras piores para provocá-la. Todo mundo dizia que ela não tinha coragem. Mas ela iria provar, com certeza iria, para todos eles que aquela palavra, “Coragem”, era algo que ela não necessitava. Ela era uma Kuchiki. Ela não precisava se sentir bem, ela simplesmente fazia o que precisava ser feito e ponto final.
― Teste-me e verá se eu tenho ou não coragem ― murmurou, tão baixo e venenosamente quanto possível, e saiu do carro, deixando um Ichigo atordoado para trás.
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“Bem eu sou Urahara Kisuke e eu não fiz nada a Kuchiki Rukia... Ainda...”
― Aquele homem... Quem é ele e o que ele quer com Rukia? ― o senador Abarai se perguntou enquanto tamborilava com os dedos sobre a mesa do restaurante.
Após aquela breve conversa pelo telefone, o tal de Urahara agendara com sua secretária um jantar para essa noite exatamente às 19h00. Renji só não conseguia entender o porquê de um encontro num restaurante tão caro.
Mirou o relógio, checando se o empresário estava atrasado. Não. Ainda faltavam cinco minutos. Ele que chegara cedo demais, preocupado demais e pensando demais. Tudo demais.
Mas ninguém poderia culpá-lo. A única coisa que Renji queria era resolver logo aquele problema e ir embora. Falar com Rukia também era uma das coisas que queria, mas a garota insistia em não atendê-lo há quase três dias.
“Eu não fiz nada a Kuchiki Rukia... Ainda...”
Renji discou o número dela novamente, apreensivo. Queria tanto que ela atendesse, nem que fosse somente para dizer: “Yo, idiota, me ligue mais tarde, não posso falar agora”. Mas ela não atendeu. O telefone sequer tocou, caindo diretamente na caixa postal.
Suspirou. Quem era esse homem e o que ele poderia querer com sua Rukia?
― Rukia... Não me deixe tão preocupado... Você vai me matar um dia, garota... ― murmurou, tocando os vincos que se formavam em sua testa.
― Kuchiki Rukia... ― uma voz o acordou de seu devaneio. ― Quão importante ela é para você?
― Muito ― Renji respondeu automaticamente, sem reparar em quem perguntara. ― Você não tem ideia do quanto...
― Isso é um bom começo, senador Abarai.
A gravidade impressa naquelas palavras fez com que Renji se voltasse para o homem, que agora tomara o assento a sua frente e lhe estendia a mão, num cumprimento tipicamente ocidental. O ruivo estranhou, mas o imitou, devolvendo o gesto.
― Eu sou...
― Eu sei quem você é, Urahara Kisuke.
A tentativa do senador de intimidá-lo não surtiu efeito algum. Ao contrário, só fez com que o jovem loiro sacudisse um leque na frente do rosto e abafasse um sorrisinho antes de dizer em tom de mofa:
― Você sabe meu nome, isso também já é um bom começo.
Renji cruzou os braços na altura do peito. Aquele homem... Quem era ele? Analisou-o, verificando o quão deslocado ele parecia no Restaurante Aragawa.19 O homem nem mesmo parecia ter dinheiro para vestir um terno de marca ― não que isso realmente importasse ― e, ainda assim, insistira em marcar um encontro no restaurante mais caro de Tóquio.
Para não mencionar aquele leque ridículo que ele insistia em sacudir na frente de seu rosto para esconder seu sorriso. Após ver aquela cena e o brilho divertido que passava em seus olhos esverdeados durante a inspeção do senador, Renji não estranharia se ele estivesse usando geta. 20
― O que aconteceu com Rukia?
― Direto ao ponto, senador. Ótimo. Eu também detesto joguinhos.
― Não fui eu quem começou com eles.
― De fato ― começou. ― Kuchiki Rukia... Quem é ela, mesmo? ― disse, com um sorriso a espreitar seu rosto, ao ver os vincos que se formavam na testa de Renji após sua afirmação.
― O quanto você gosta de jogar, Urahara?
― Jogar é divertido, mas eu sou um homem sério... Às vezes.
― Não se esqueça de que esse jogo pode ser jogado a dois.
― Mova suas peças, senador. Estou ansioso para ver como você joga ― provocou, tomando um gole do vinho tinto. ― Acho que esse vinho é o preferido de Kuchiki Rukia, não é?
― Sim, ouvi dizer que é o da sua namorada também, Shihouin Yoruichi ― disse ele, sorrindo pela primeira vez naquela noite após avistar como cenho de Urahara se franzia a menção do nome da policial amiga de Rukia.
― De fato, senador Abarai ― respondeu, a voz subitamente mais séria.
― Por favor, se estamos jogando prefiro ser chamado pelo meu nome, Renji, e espero poder chamá-lo de Kisuke ― começou, tomando um gole do vinho e cerrando os olhos levemente. ― E você está enganado, o vinho favorito de Rukia não é o Barolo21... Barolo é... É o seu segundo favorito.
― Ah, sim... ― Urahara começou, também provando do vinho. ― É verdade... Yoruichi me disse. Rukia deixou de gostar do Barolo ao provar o Amarone22. É de Veneto, não é? Não achei que alguém poderia deixar de gostar do Rei dos Vinhos...
― Rukia é uma pessoa simples... ― disse, lembrando-se do sorriso dela. Automaticamente sorriu também. ― Agora vamos deixar os jogos de lado, Kisuke. Onde está Rukia e o que você fez com ela?
― Eu já disse que nada. Ainda...
― Você está com ela?
― Talvez...
Renji comprimiu os lábios diante da resposta do loiro. Achava ter sido bem claro ao dizer que não queria mais jogar. Assistiu-o beber mais um gole do vinho e chamar o garçom para pedir mais uma garrafa.
Certamente, ele iria matar sua secretária. Marcar um jantar no restaurante mais caro de Tóquio já estava longe de aceitável, mas ver o bastardo pedir mais uma garrafa era simplesmente demais, até mesmo para ele.
― Oh, talvez devamos ficar com o Amarone ― disse ele para o garçom.
“Ignore-o! Não caia nessa provocação!”
― Oh, onde estávamos mesmo? ― perguntou, voltando-se para fitá-lo. Renji ergueu as mãos na altura do queixo e sustentou seu olhar, sem deixar de perceber o brilho de satisfação que atingia os olhos do loiro. ― Hum... Se eu estou com Kuchiki Rukia ou não... Hum, deixe-me pensar... Isso vai depender da sua resposta, senador.
Eles se fitaram intensamente por alguns segundos, cada um tentando ler as intenções por baixo dos sorrisos falsos que ainda ostentavam.
Renji suspirou. Isso era frustrante. Ele nem mesmo conseguia ler sua esposa, quem diria esse estranho. A única pessoa cuja leitura para ele era mais fácil que um livro infantil era Rukia e só ela...
― Terno da Hugo Boss... Realmente, senador, você não poupa gastos.
― Voltamos a jogar?
― Sempre estivemos.
― Eu gostaria de parar e falar sério.
― Você já jogou xadrez, senador?
― Claro ― respondeu como se fosse óbvio. No entanto, aquela conversa passava a não fazer nenhum sentido para ele.
― Pois é o que estamos fazendo.
Agora sim Renji tinha certeza de que aquela conversa era algo para loucos. Aquilo não fazia o menor sentido.
― Já deve ter reparado que, embora se trate de um jogo, ele é tão sério quanto qualquer negociação formal.
― Sim... Podemos voltar ao tópico?
― Eu estou apenas movendo meus peões, senador. Se eu fosse você, não tardaria a mover os seus. Você sabe, eu posso dar o xeque-mate antes que você perceba.
Renji suspirou, começando a ficar irritado. Mas não disse nada. Esperou que ele voltasse a se pronunciar.
― Mas voltando ao tópico. Você disse que Rukia, ou melhor... Kia... Sim, Kia soa realmente melhor. Você a chama assim na intimidade não é? A sua amante...
Esse homem... Quem é ele? O que ele quer? Por que com a Rukia? No que eu fui me meter? Essas eram as principais perguntas que passavam pela cabeça do senador Abarai naquele momento, no entanto, ele não fez nenhuma delas. Permaneceu quieto, cenho franzido e dedos tamborilando sobre a mesa, enquanto refletia qual era a melhor maneira de abordar aquele assunto. Para o seu desespero, percebeu que não havia nenhuma. Assim, foi direto ao ponto:
― O quanto você sabe?
Urahara sorriu, mas dessa vez não escondeu seus dentes brilhantes atrás do leque que carregava consigo. Tudo aquilo... Toda aquela conversa... Tudo não passara de uma sondagem básica.
Havia algumas coisas que ele precisava saber e uma delas era o quão importante aquela garota, a tal Kuchiki, poderia ser para o homem sentado a sua frente. Para seu deleite e, de alguma forma, surpresa, ela era muito mais que uma simples amante. Seria Rukia a mulher que ele realmente amava? Que fosse... Assim seria um tanto melhor.
― Mantenha-se fora dessa jogada e eu poderei te falar.
Que jogada? Do que diabos você está falando? Era o que Renji queria perguntar. Mas, antes de entrar em qualquer conversa mais séria, ele realmente precisava saber o quanto ele sabia sobre seu relacionamento com Rukia.
― O quanto você sabe? ― repetiu, entredentes.
― Eu sei muito mais do que você imagina...
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Rukia mirou o próprio celular e suspirou. Renji estava ligando de novo. E, mais uma vez, ela estava deixando a ligação cair na caixa postal. Ela não podia atendê-lo, não tinha coragem. Ainda não sabia o que iria dizer quando se encontrassem novamente.
“Olá, Renji, tudo bem? Eu traí a sua confiança, transei com um cara desconhecido e ele roubou o colar que você me deu. Só para constar, eu fui drogada então eu não tinha a menor consciência das minhas ações.”
Não. Ela não poderia dizer isso. Ela não poderia falar com ele. Mas que droga! Por que ela fora aceitar as “ordens” de Rangiku? Agora estava na maior enrascada.
Recostando-se contra o box de vidro do banheiro, Rukia deixou que a água quente molhasse seu cabelo e a tirasse de seus pensamentos tão profundos.
“Eu só espero que você possa me perdoar, Renji. Eu realmente sinto muito.”
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Sim, Rukia não era uma mulher, ela era um demônio. E, se existia uma classificação entre eles, ela estava entre as piores classes. Aquela baixinha era realmente terrível!
Ichigo se sentou na borda da cama e descansou a toalha sobre os ombros nus. Havia saído do banho há poucos minutos e Rukia acabara de entrar.
Assim que ela saiu do carro, Ichigo seguiu-a, acompanhando a velocidade dos passos dela e tentando fazê-la entrar no carro, mas ela se recusara, negando veementemente qualquer tentativa de aproximação. Sua atitude infantil conseguira não só gerar um trânsito na avenida principal do seu bairro, como trazer vários inimigos para ele. Com certeza, aquilo era tudo o que ele mais precisava.
― Garota endemoniada ― murmurou, jogando-se sobre a cama.
Ele não estava realmente preocupado com o fato de ela poder denunciá-lo. Porte de drogas... Só rindo. Aquilo não o seguraria por muitos dias na cadeia, se é que o segurasse. No entanto, ele não queria atrair tanta atenção para si e prejudicar o trabalho que vinham tendo para desmoralizar aquele político há tanto tempo.
Ele simplesmente não podia deixar que uma coisa tão insignificante como aquela garota se interpusesse entre ele e seus objetivos. Não poderia deixá-la arruinar aquele plano. Não. Não podia e não iria deixar. Kuchiki Rukia ficaria longe disso. Ninguém ficaria entre ele e sua vingança. Ninguém!
Estava tão perdido em seus pensamentos que não percebeu quando ela entrou no quarto, só enrolada na toalha e com gotas escorrendo por sua pele macia de alabastro.
― Você pode sair? ― perguntou, tirando-o de seus devaneios.
Ichigo não respondeu. Estava concentrado em seu pequeno corpo exposto à sua apreciação. Olhou-a nos olhos, que brilhavam num tom que variava entre o violeta e o azul-safira. Desceu o olhar, continuando a estudá-la. Seu nariz pequeno e levemente arrebitado, suas bochechas proeminentes e, por fim, seus lábios levemente rosados, agora contraídos enquanto ela tentava esconder sua nudez dele.
Incapaz de controlar suas ações, caminhou até a morena, enlaçando-a pela cintura. O que aquela mulher estava fazendo com ele? Aquele desejo... Aquela vontade de tê-la e fazê-la sua só aumentara após aquele primeiro encontro e vê-la... Vê-la assim, só fizera despertar sua libido.
Rukia não tentou recuar, seus olhos presos aos dele, de um castanho tão bonito e expressivo... Tocou-o no rosto, sentindo o quão quente a pele dele estava. Tal atração era... Era normal? Ela duvidava que fosse. O que Ichigo despertava em seu íntimo era algo totalmente novo e diferente de tudo que já sentira. Era forte e único.
Sentiu um arrepio percorrê-la inteira quando ele deslizou os dedos de sua nuca até a base de sua coluna, puxando-a para mais perto. A outra mão segurando-a pelo pescoço, aproximou seus rostos. Rukia fechou os olhos ao mesmo tempo em que ele esmagava sua boca contra a dela num beijo lascivo, duro e violento. Não havia delicadeza nenhuma ali. Só havia desejo, puro e latente.
Forte. Incontrolável. E... E luxuriante. Aquelas eram as três palavras para descrever a atração que existia entre os dois. E era tão errado. Talvez, por isso, fosse tão bom. A garçonete e seu assaltante. Poderia isso dar certo? Rukia sabia que não, mas não se importava. Não naquele momento, ao menos.
Deslizou os braços ao redor do pescoço dele, os dedos emaranhados nos cabelos laranja, enquanto aprofundava o beijo. Tão bom... Aquelas sensações que ele lhe causava... Rukia não se lembrava de se sentir tão desejada assim antes.
De tirar o fôlego. Era assim que Ichigo poderia descrevê-la. Ele não conseguia recordar quando sentira tamanha atração por uma mulher antes. E Rukia... Rukia não era nem de longe a mulher mais bonita que ele vira, mas ela era... Era única. E ele queria, e só Kami poderia realmente comprovar, fazê-la sua. Terminar o que começaram naquele dia.
A toalha apoiada em seus ombros escorregou, caindo no chão. Devagar, Ichigo guiou-a até a cama, deitando-a e ficando por cima. Seus dedos deslizaram pelas coxas firmes e seus lábios deixaram os dela para se mover para a carne leitosa do pescoço, mordendo-a ali.
Rukia gemeu ao senti-lo deslizar a língua pelo ponto sensível em seu pescoço. Tão errado e tão bom. Ela precisava parar. Não poderia deixar que um simples beijo acabasse na cama. Tudo o que menos precisava era de uma transa louca e sem sentido. Mas Ichigo... O que aquele ruivo provocava nela era tão intenso e insano. Ela não queria parar. Queria continuar até o final e, dessa vez, estar acordada para desfrutar de cada toque, cada beijo e cada investida dele. Queria se deleitar com a sensação de suas peles e corpos nus, entrelaçados naquela dança do prazer...
― Rukia... ― a voz soou rouca em seu ouvido. ― Deixe-me fazê-la minha...
Sim, sim, sim! Seu corpo e coração gritavam, mas sua mente dizia o contrário. Ela tinha que pará-lo antes que fosse tarde demais, antes que caísse em seu jogo de sedução. Ela era Kuchiki Rukia e, para seu azar, talvez sorte, conhecia os homens bem demais para saber que tudo o que Ichigo queria era desviá-la de seu objetivo.
― Me devolva a minha joia e serei toda sua ― respondeu, ofegando com as carícias dele.
Os lábios de Ichigo abandonaram o colo feminino e seus braços se moveram para a lateral do rosto dela, afundando os dedos no colchão macio. O corpo se ergueu acima do dela, mas o rosto continuou próximo. Sua respiração ainda acelerada se misturando com a dela.
― Eu já disse que não a tenho mais... ― sussurrou, beijando-a no pescoço.
― Então nada feito ― disse, empurrando-o, até que seus rostos ficassem distantes.
Ichigo suspirou, frustrado. Ainda sobre ela, com suas pernas entrelaçadas entre as femininas, tentou mais uma aproximação, mas foi barrado pela morena que o fitou com indisfarçável irritação.
― Eu já disse não!
― Droga, Rukia! ― reclamou, afastando-se definitivamente e se sentando de costas para ela. Deslizou os dedos pelos cabelos rebeldes, bagunçando-os.
― Era essa a sua tentativa de negociação? ― perguntou, visivelmente decepcionada. ― Você me dá prazer e acha que está tudo bem?
“Oh, céus. Não! Eu não pensei nisso!”, pensou Ichigo, mas não se pronunciou, dando de ombros apenas. Ela que pensasse o que quisesse.
― Que decepcionante, Kurosaki Ichigo! Você realmente sabe o preço daquela joia? Acha que um orgasmo pagaria por ela?
“Nós dois sabemos que eu poderia fazer você ter mais de um orgasmo”, pensou, mas não disse nada novamente. Suspirou. Ele estava frustrado. Em suas calças apertadas, sua masculinidade latejava e tudo o que ele conseguia pensar agora era em correr para o banheiro e se aliviar, já que não conseguira nada com ela.
― Hunf ― resmungou. ― Como amante do senador Abarai, tenho certeza de que você consegue juntar esse dinheiro como água!
Rukia sentiu o sangue subir por seu rosto tornando-o tão vermelho quanto quente. Alisou a face, como se tivesse tomado um tapa com aquelas palavras.
― Agora se já terminou sua amolação, volte para ele. Corra para os braços do seu amante e me deixe em paz! ― disse ríspido, caminhando em direção à porta. Desviou para o lado ao sentir um travesseiro ser arremessado com fúria contra si.
― Seu estúpido! Aquele colar tinha um significado especial para mim! ― começou, mal controlando sua raiva. ― Ele iria me ajudar a pagar o resgate do corpo do meu irmão, seu maldito!
Ichigo sentiu o corpo inteiro se retesar diante das palavras de Rukia. A voz dela, embora enraivecida, estava embargada, como se ela estivesse prestes a chorar.
― Mas eu estou exigindo demais de você não é? ― as palavras dela, agora ditas num tom baixo fizeram com que o ruivo virasse o rosto para fitá-la. Acidez. Sim, acidez era o que comandava o que ela dizia agora. ― O que uma pessoa como você, que mal para em casa, pode entender sobre família?
― E-eu... ― ele começou, mas antes que pudesse concluir o raciocínio, ela disparou:
― Você não compreende, Ichigo. Você nunca compreenderá. Porque você é egoísta, mesquinho e arrogante. Pelo que sua irmã disse, você só volta para casa quando está quebrado. Quando não tem dinheiro. É isso que família significa para você? Uma fonte de dinheiro?
Ela estava perigosamente perto agora. Tão perto que Ichigo poderia contar todos os cílios dos olhos violáceos. O indicador estava erguido em riste contra seu rosto. Com raiva, ela o empurrou para trás e o tirou da frente da porta, deixando o quarto com algumas roupas embaixo do braço, antes de dizer:
― Não se preocupe, eu vou embora logo. Já perdi tempo demais com um cara de 30 anos arrogante.
Assim, Kuchiki Rukia saíra do quarto e se movia em direção ao banheiro, deixando um Ichigo mais que atordoado para trás. E pela segunda vez naquele dia.
Tal mulher... Tão forte e tão frágil. Quem era ela? Melhor: por que vê-la daquela forma o abalava tanto? Quem é você, Kuchiki Rukia?
― Rukia...
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19 Restaurante Aragawa – Restaurante Japonês localizado em Tóquio tido como um dos 10 mais caros do mundo.
20 Geta – Chinelo de madeira tradicional japonês.
21 Vinho Barolo – Tido como o Rei dos Vinhos entre os especialistas no assunto, é um vinho encorpado e de aroma complexo. É de alto teor alcóolico.
22 Vinho Amarone – Assim como o Barolo, é um vinho encorpado e de aroma complexo, e, apesar do nome lembrar “amargo”, é tido como um vinho bem suave e adocicado. É de alto teor alcóolico também.
Notas finais
Até que reparei: Renji está muito inteligente! kkkkkkkkkkkkkkkkk
E a Rukia, acho que ela pegou pesado no final com nosso Morangão, mas... Ele mereceu não é?
Agora aguardo seus lindos e vitaminados reviews!
Beijos
Até quarta que vem!
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