Jogo Perigoso
3 3 Assalto - Movimentação
Notas iniciais
Feliz porque é o dia de postagem e porque eu já tenho 22 reviews em apenas 2 capítulos. E sim, isso me deixa MEGA FELIZ. Obrigada pelo carinho de todos vocês.
Mas estou triste. Estou quase depressiva e isso vai demorar a passar. Quem acompanha o mangá, está vendo a saga do "morre-não-morre" do Byakuya. E sim, ele é meu personagem preferido. Pelo visto, hoje foi o game over. Eu sei, foi uma morte anunciada, e eu vinha há dias me preparando para isso, mas no fim eu não estava e eu chorei muito. É sério ¬¬
E não, isso NÃO É SPOILER. Todo mundo que conhece o mangá já deve ter ouvido comentários. Se você não ouviu, me perdoe, mas eu precisava desabafar...
Mas, chega de melodrama, eu sou expert quando se trata disso. kkkkkkk
Respondendo a pergunta de muitos: "Por que eu fui uma vadia e matei o Byakuya?" Resposta mais que simples: "Senão isso ia ser uma ByaRuki, não IchiRuki. KKKK Brinks. Não, eu tenho meus motivos. Eles serão revelados mais para frente"
Ah, post especial para a Fe Neac que deixou essa linda indicação. Obrigada! E por entrar mais cedo no msn para me apoiar. Doumo Arigatou.
E para a JJDani também. Afinal estamos na mesma situação: viúvas.
Agora deixemos disso e vamos ao post!
3º Assalto – Movimentação
“Se a dúvida está te desafiando e você não agir, as dúvidas crescerão. Desafie as dúvidas com ação e você crescerá. Dúvida e ação são incompatíveis.”
John Kanary
Maldito, filho da puta e desgraçado.
Essas três simples palavras se tornaram as favoritas de Rukia para definir o ruivo que a roubara.
Profundamente irritada e ansiosa, diga-se de passagem, pela resposta de Yoruichi quanto o endereço daquele a quem ela apelidara carinhosamente de “cretino sem vergonha”, Rukia ainda tinha que lidar com as insistentes ligações do Senador Abarai.
Não o atendeu nenhuma vez. Na verdade, não o atendeu de novo. Deixaria cair na caixa de mensagens como fizera com todas as outras. Era a quinta ligação naquele dia. Rukia não atenderia. Não mesmo!
Sabia o que ele queria. Desejava confirmar a participação dela naquele evento político. Com a separação quase completa do Senador, ele finalmente poderia assumir a relação que mantinham em segredo sem que isso repercutisse negativamente na mídia. Mas aquela não era a pior parte: Rukia deveria usar aquele lindo e elegante colar de esmeraldas na ocasião.
E era exatamente por isso que não tinha coragem de atender as ligações dele. O que diria? Como conseguiria manter uma conversa sem que ele percebesse que algo estava errado? Não, não e não! Abarai Renji a conhecia perfeitamente bem e não tardaria a arrancar todas as informações dela.
Sacudiu a cabeça. Não ficaria pensando naquilo. Se o fizesse, certamente acabaria internada num hospício.
Procurando distrair a mente, vestiu o avental de cozinha e começou a lavar os copos.
Se ao menos Nemu saísse do telefone, ela poderia ligar para Yoruichi e acabar de vez com aquela ansiedade que a sufocava. Mas parecia que aquele não era realmente o seu dia de sorte. Nemu não dava nenhum indício de que fosse desligar tão cedo.
― Eu sei que você está ansiosa, Rukia, e que precisa fazer algo senão vai enlouquecer. Mas poxa, não precisa estragar a unha, não acha?
― Não enche, Mila Rose! ― resmungou esfregando a bucha nos copos.
― Vai estragar toda a unha, Rukia. Isso não é trabalho para você! Quer deixar mais gente desempregada? ― argumentou Nanao.
― Como se alguns copos fossem deixar alguém desempregado!
― Pare de lavar essa louça agora, Rukia!
― Rangiku-san! ― exclamaram todas em uníssono.
Rangiku expirou profundamente enquanto balançava o copo de nihon-shu14 na mão direita. Pelo visto elas nunca aprenderiam a colocar o “sama” depois do seu nome.
― Argh! Vocês... Eu já disse que é Rangiku-sama. Mais respeito! ― resmungou.
Mas todas sabiam que era mais por costume do que por exigência. Algumas delas deram de ombro, outras franziram o cenho, a única reação de fato em comum é que nenhuma delas se dignou a responder.
― Rangiku, esse não é exatamente o momento em que estamos precisando de sermão. Rukia foi roubada! ― disse Nemu afastando um pouco o telefone do ouvido.
“Ah, sim. Para se intrometer na minha vida e falar o que não deve, ela sai do telefone. Agora para me deixar falar com Yoruichi, finge que nem se importa. Maldita!”
― Rukia foi... Foi o quê?
― Difícil acreditar, não é? Foi pelo bonitão de ontem. Roubaram as joias dela!
― Tá brincando, né?
― As joias não, sua burra! ― disse Apacci para Mila Rose. ― Ele roubou só o colar de esmeraldas que ela ganhou do senador Abarai.
― E você já falou para o senador? ― perguntou Rangiku.
― E dizer a ele que ela transou com outro na linda cama box king size que ele deu de presente para ela?
Rangiku engasgou com a bebida. Empurrou Rukia para o lado e inclinou o corpo para a pia, tossindo. Sung-sun dava leves palmadas em suas costas enquanto Nanao a abanava. Sacudiu as mãos, num gesto mudo para que ambas se afastassem e apontou o dedo em riste para Rukia.
― Você o levou para casa?
― Eu, é... Eu...
Rukia estremeceu. Poderia jurar que por um momento viu um relance de reprovação tocar os olhos de Rangiku, mas agora um leve sorriso se desenhava nos lábios da loira.
― Ora, sua...
― Você e ele... Bem, você e ele... Digo é... ― Rangiku segurava o riso. Com as mãos sobre a boca, abafou os sinais de uma forte gargalhada.
― Transaram? ― Rukia perguntou sentindo ficar vermelha. Nunca havia sentido suas bochechas ficarem tão quentes.
A lágrima desceu pelo rosto da loira que explodiu em gargalhadas. Todas a observavam quietas; sem nada dizer. Já a morena, por sua vez, virou o rosto para cima, adotando a costumeira posição de quem não se importava o mínimo. Só quando Rangiku interrompeu seu escandaloso ataque de riso, Rukia se atreveu a olhar para ela.
― É transaram?
― Transamos ― virou o rosto para o lado novamente.
Rangiku voltou a rir. Tão descontroladamente quanto antes. Os seios enormes faltavam escapar do profundo decote que ela usava.
― Qual a graça? ― perguntou Neliel pegando os copos para secar.
― Você... Você transou! Que alegria! Neliel pare de secar esses malditos copos e vá pegar o Nihon-shu mais caro! Vamos comemorar! Rukia transou!
― Grande novidade...
― Você fala como se eu fosse virgem.
― Bem... Você é quase! Não faz nada há tanto tempo que deve ter criado outro hímen!
Foi a vez de todas rirem, deixando Rukia ainda mais vermelha.
― É Rukia... Ter hímen tá fora de moda! ― disse Mila Rose.
― Eu não tenho hímen, droga! ― gritou.
Rangiku riu ainda mais. Segurava as laterais da blusa para evitar que os seios escapassem do decote cada vez que gargalhasse, mas ria tanto que até sua coordenação motora falhava.
― Não é justo vocês ficarem falando da minha vida sexual desse jeito ― resmungou.
― É verdade! Isso é sacanagem! Rukia não fica falando com quem vocês transam ou deixam de transar ― exclamou Nemu afastando mais uma vez o telefone do rosto.
― Sem falar que ela vê o senador Abarai a cada 15 dias! Às vezes até uma vez por semana! ― disse Nanao indo ao socorro da amiga.
― Se é que podemos incluir o senador Abarai como uma das possíveis transas da Rukia ― disse Senna lixando as unhas.
― É... Bem... Pensando por esse lado ― Nanao murmurou.
― Ele é impotente, Rukia? Que babado! ― perguntou Sung-Sun.
― Não! ― respondeu, indo ao socorro do senador.
― Ele só gosta mais da companhia dela. Ele é assim mesmo. Uma pena, porque ele é ótimo na cama! ― suspirou Rangiku. ― Não é mesmo, Nanao-chan?
― Nanao está melhor com Shunsui. Ela precisa de um homem que mande essa timidez dela pra bem longe!
― Mila Rose! ― repreendeu-a Nanao.
― Garotas, foco! O que você vai fazer, Rukia? ― perguntou Harribel que até então só assistia a tudo calada.
― Eu... Eu ainda estou pensando. Bem, ir atrás dele? Yoruichi disse que me daria o endereço dele ― disse, mas ao perceber que todas a olhavam duvidosas, murmurou: ― Denunciar?
― Para a polícia? E botar em risco a reputação do senador e a sua? ― Neliel sacudiu a cabeça negativamente. ― A ideia de ir atrás do cretino me parece mais interessante.
― Quando você entrará em contato?
― Não sei... Ele deixou o cartão em casa e...
― Como assim ele deixou o cartão? ― alguém disse, interrompendo-a.
― Nemu saia já desse telefone! A Rukia vai ligar para o desgraçado agora!
― Ligue, Rukia! Ligue agora!
― Mas...
― Sem mas...
― Nemu! ― disse Apacci gritando. ― Nemu! Desliga logo essa droga!
― Estou usando e seja mais educada, Apacci!
Esses e outros comentários surgiram enquanto Rukia tentava se afastar e era encurralada contra a parede pelas amigas e parceiras de trabalho do Umi no Hana. Milhões de perguntas eram feitas sem que ela nem mesmo tivesse tempo para ponderar e responder.
Um grito ecoou na cozinha, abafando todos os demais comentários. Era Nemu. A morena jogou o telefone para Neliel que a xingou após, com muita dificuldade, conseguir segurá-lo.
― Calem a boca!
― É, bem... Nemu... ― começou Rangiku tentando apaziguar a morena.
― Você também! ― apontou para a chefe.
Rangiku ergueu as mãos para o alto, como se estivesse se rendendo. Nemu encarou a todas que a fitavam incrédula. Nunca a tinham visto gritar daquela forma. Ela pigarreou e sorriu docemente antes de dizer:
― Rukia vai até a casa do cretino e vai pegar a joia dela de volta. Depois, é claro, de bater muito nele.
O caos se instalou naquela cozinha. As vozes agudas se fundiam, ecoando no ambiente fechado e pouco mobiliado. Rukia tentava falar algo, mas sua voz era abafada por todas as outras, que não paravam de jorrar perguntas e comentários em cima de Nemu.
― Eu vou aonde? ― perguntou Rukia entre berros.
― Até a casa dele. Você é surda? ― Nemu disse zombeteira.
― Agora me diga, tão inteligente, Nemu: como eu vou? Não tenho passagem, lugar para ficar e nem mesmo licença no trabalho.
― Tem sim ― respondeu com toda a calma.
― Desde quando?
― Desde hoje.
Nemu retirou da carteira dois vouchers e entregou para Rukia. A baixinha se recusou a acreditar.
― O que acha que eu estava fazendo esse tempo todo no telefone?
Rukia a fitou. Agora entendia porque Nemu não saíra o dia todo, ou ao menos o tempo em que ela ficara ali, do telefone.
― Estive falando com Yoruichi e ajeitando tudo para você. Então seja mais agradecida e pare de me olhar com essa cara.
A morena suavizou a expressão e revirou o papel entre os dedos observando as inscrições na passagem. Ainda não acreditava. Era mesmo verdade? Nemu e Yoruichi prepararam tudo para ela?
Voo: JJ407
Portão: B
Embarque: 14h00
Assento: 21A
02/07/2012
Código Reserva: S98JKR
Passageiro: Kuchiki Rukia
De: Tokyo
Para: Karakura
― Mas eu ainda nem falei com o Ishida.
― Com o Uryuu? Não se preocupe ― disse abanando a mão, parecendo despreocupada. ― Consegui 5 dias de licença. Faça bom uso deles!
― Como? ― Nanao perguntou.
― Ah, eu tenho os meus métodos ― respondeu ela mexendo na massa de cabelos trançados. ― Aproveite a cidade de Karakura. Ouvi dizer que lá tem muitas coisas interessantes para fazer. Principalmente com um certo morango. Pena que você não vai exatamente nas férias de verão. Quem sabe a família dele não viajasse?
Se Rukia achou que não poderia ficar mais vermelha, tinha se enganado completamente. O comentário de Nemu fez com que a Kuchiki escondesse o rosto entre as mãos. Nanao apertou seu ombro, reconfortando-a.
― Não dê ouvidos aos comentários maldosos dela.
― Deixe de hipocrisia, Rukia. Todas sabemos que você adorou comer o morango ― disse Mila Rose.
― É mesmo né. Ele tem um nome bem engraçado. Ichigo... Kurosaki Ichigo... ― murmurou Senna.
― Por que um pai põe um nome desses no filho? Deve ser retardado ou querem que o chamem de frutinha ― disse Apacchi, arrancando risos até mesmo de Rukia. A única que se mantinha em silêncio desde que o nome Kurosaki Ichigo fora pronunciado era Rangiku.
― Espere ai... Você disse Ichigo? Kurosaki Ichigo?
― É, Rangiku-sama...
― Kurosaki Ichigo? ― perguntou Harribel olhando para Rangiku.
― Vocês o conhecem? ― perguntou Rukia.
Rukia olhou de uma para outra enquanto o silêncio preenchia a sala. Se Rangiku conhecia Ichigo e sabia de sua índole, por que não a avisara para se afastar dele na noite passada? Balançou a cabeça. Essa história estava muito mal contada. Rangiku e Harribel escondiam alguma coisa.
― Mas e o Presidente15 Mayuri-sama? ― Senna perguntou, despertando o interesse de todas.
― Eu não sou amante fixa dele.
― Ah, e como você é inteligente, Nemu ― ironizou Sung-sun.
― Até parece que ele vai acreditar nisso.
― É claro que ele não vai, Harribel. Mayuri é um homem inteligente.
― Então como vai...
― Acho que você me ouviu dizer que não sou amante fixa dele. Portanto não devo nenhuma satisfação a ninguém.
― Mas e eu? Também sou sua chefe, Rukia!
― É, Nemu... Esqueceu disso?
― Não seja covarde, Rukia! ― zombou Neliel.
― Ah, eu esqueci de dizer, Rangiku-san: todos os gastos da Rukia foram pagos no meu cartão, mas, se você resolver implicar, eu posso passar todos para o seu, mas na versão premium ― disse exibindo o cartão dourado para Rangiku.
― Como você pegou?
― Ora, você mesma me ensinou a me virar.
― Acho que não deveria ir, Rukia ― murmurou Nanao.
― Outra covarde! ― exclamou Neliel.
― Tome cuidado, Rukia... Pode ser perigoso ― Harribel disse.
― Sobre o que você está falando, Harribel?
Se Rukia antes tinha quase certeza de que Rangiku e Harribel lhe escondiam algo, agora já não tinha dúvidas. Ambas as loiras sabiam algo sobre aquele ruivo que não estavam lhe contando.
― Ela não vai ter coragem de ir mesmo!
― Está me desafiando?
― Eu? ― perguntou Neliel. ― Estou incentivando.
― Não aceite provocação tão barata, Rukia!
― Provocação barata? É um desafio mesmo! Todos sabem que ela não foge de um! ― Neliel disse. ― Mas dessa vez vai ser diferente não é Rukia? Afinal foi o cara que tirou sua virgindade e...
― Cala a boca, Neliel! Eu já disse que não sou virgem! E não me chame de covarde! Eu só... só...
Não sabia o que dizer. A verdade era que receava encontrar o ruivo novamente. As lembranças da noite que passaram juntos ainda estavam nítidas em sua mente. Recordava claramente do sabor dos lábios dele, da sensação de suas peles nuas unidas, do brilho luxurioso que vira queimando nos olhos dele, das palavras eróticas sussurradas ao pé do ouvido, e, por fim, da sua decepção ao perceber que ele nunca tivera o menor interesse nela, apenas em distraí-la para depois roubá-la.
― A Rukia que eu conheço não pensaria duas vezes antes de ir atrás desse cretino, seja lá onde ele mora, ou faça ele o que fez com você! Já se esqueceu do seu irmão? Esqueceu da promessa que fez a Byakuya?
Rukia, que até então mantinha os olhos baixos, a fitou ao ouvir o nome de seu irmão ser pronunciado. As lembranças da noite em que foram separados voltavam como fortes flashes de luz que cegavam seus olhos.
― Vai deixar que ele a roube e fique por isso mesmo? Saia dela, casca covarde! ― disse Neliel exaltada. ― A verdadeira Rukia ensinaria a esse desgraçado a não mexer com ela!
Um silêncio constrangedor preencheu todo o ambiente. Rukia estava com a cabeça novamente abaixada e sentindo vergonha pelo sermão que Neliel lhe passara.
“Ela está certa... Do que eu estou com medo?”
Rukia sacudiu a cabeça, afastando a imagem do ruivo de seus pensamentos. Para ela, ele se apresentava num misto de sensualidade, inteligência e, sobretudo, perversidade. Sentia vergonha do quanto ainda o desejava. Era inacreditável como seu corpo ainda queimava ao se lembrar da sensação dos dedos ou dos lábios dele acariciando sua pele. Da experiência que aquele corpo másculo transmitia...
― Rukia? ― Neliel chamou sacudindo a mão na frente da morena. ― Desculpa, tá?
A voz quase infantil de Neliel soou ao ouvido de Rukia enquanto a jovem de cabelos esverdeados a abraçava.
― Eu não queria falar do seu irmão... Eu... Eu sei que ainda é muito doloroso para você falar sobre...
Rukia se soltou do forte abraço e balançou a cabeça. Neliel imediatamente se calou, entendendo que a morena achava aquele pedido de desculpas desnecessário. Olhou-a nos olhos e depois a abraçou de novo.
― O que seria de mim sem você para me puxar quando estou quase caindo no precipício, Nel?
― Rukia-chan, me des...
― Não, não tem problema, Nel. Você está certa. Eu vou para essa maldita cidade mostrar para aquele idiota que mexeu com a pessoa errada!
Todas a olharam surpresas diante de sua súbita transformação. Que poder as palavras de Neliel tinham, pensavam todas. A morena olhou para Rangiku, mas essa só deu de ombros e disse:
― Não vou impedi-la. Mesmo se eu quisesse, sei que é inútil.
Rukia sorriu e se afastou de Neliel. Pegou a bolsa, jogou os vouchers lá dentro e, colocando a mão na cintura, disse com a voz firme e decidida de sempre:
― Agora me deixem em paz, bakas! Vou para casa descansar.
― Boa viagem, Rukia ― murmurou Nemu.
xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx
Já passava das 18h00 quando Ichigo finalmente conseguiu sair de casa. Karin e Yuzu o estavam sufocando com tantas perguntas (feitas pela morena) e tantos mimos (que ele atribuía à loira). Suas irmãs mais novas realmente sabiam como lhe tirar a paciência! Seu pai, esse, como sempre, o recebera com uma voadora, da qual facilmente se esquivou, logo após o prendendo numa forte gravata.
Quatro integrantes formavam a sua família: um pai completamente infantil ― que raramente agia como o adulto normal que era ―, duas irmãs mais novas gêmeas ― que em nada se pareciam ― e ele, um cara de porte atlético e cabelos excessivamente chamativos. Esses eram os Kurosaki. Era uma família bem esquisita, Ichigo concordava, mas era a única que tinha. Só não tinha muita paciência para os costumes incomuns ou, como gostava de chamar, peculiares dos seus integrantes. Mas pensando bem, Ichigo realmente sabia o significado da palavra paciência? Se soubesse não costumava demonstrar.
Demonstrar... Bem, o que quer que essa outra palavra significasse, não era a mais posta em prática por ele. Não era de seu feitio.
Com o colar de esmeraldas guardado numa caixa aveludada, Ichigo abriu a porta da joalheria e se deparou com Tessai organizando as vitrines.
― Oe, Tessai. Tudo bem?
― Tudo sim, Kurosaki-dono. E o senhor?
O ruivo deu de ombros e mostrou a joia ao moreno alto.
― É muito bonito...
― É, eu sei... ― disse fechando a caixa. ― Vim deixar com você e pegar a minha parte. Faça as contas e me dê a grana.
― É de valor inestimável ― murmurou Tessai tocando o colar com a ponta dos dedos.
― Sei... Não enrole, Tessai! Não tenho muito tempo. Vá logo com isso e me dê a grana ― disse. Ao perceber que havia sido rude completou a tempo, com a voz mais calma: ― Por favor.
Tessai o observou. Ichigo parecia... Parecia diferente. O semblante não denotava só cansaço, mas algo... Algo a mais. Um quê de perturbador. Sabia muito bem que o ruivo não gostava de voltar para Karakura, mas nunca o havia visto assim.
― Algo errado, Kurosaki-dono?
― O de sempre... Nada ― respondeu, evasivo.
― Entendo... Sua cara feia às vezes me faz pensar que está de mau humor.
Ichigo franziu o cenho diante do comentário jocoso. Aquilo realmente tinha sido dito por Tessai? Tsc, ele estava passando tempo demais com o Oyabun.
― Você está falando como ele...
― São os anos de convivência, Kurosaki-dono ― respondeu Tessai enquanto pegava uma lupa e examinava a joia mais de perto.
― Você sabia que só existem duas dessas peças apenas?
― Não ― respondeu apático.
― Uma delas pertenceu à família real inglesa. E a outra a nossa princesa. Foi doada pela Inglaterra ao Japão como símbolo da união e de não enfrentamento em guerras.
― E por que estava com a amante do senador?
― Um presente para uma das primeiras noivas do nosso príncipe, anos atrás. Ela era uma Abarai, mas antes que o casamento fosse realizado ela veio a falecer e a joia não foi reivindicada.
Ichigo arregalou os olhos. Rukia devia ser uma excelente amante. Mais que isso, na verdade. Que homem presentearia a amante com aquele tipo de joia? Não. Eles não mantinham apenas uma relação sexual. Algo mais forte... Sentimental rolava entre eles.
Sorriu. Tudo seria mais fácil desse jeito. Mais fácil do que previram. A operação Kireina Te em breve seria concluída.
― O objetivo será atingido logo, rapaz. E você verá... Sua mãe será justiçada.
Justiça?
Que palavra era essa? Para Ichigo ela era tão vazia de significado quanto quase todos os verbetes incluídos em dicionários escolares.
― Vingança ― corrigiu.
― Como?
― Não quero justiça. Quero acabar com ele com as minhas próprias mãos.
Um sorriso brotava dos lábios do ruivo. Um sorriso malévolo? É... Essa era a maneira certa de descrever o semblante de Ichigo naquele momento.
Tessai o observou fechar a porta da joalheria e sair, sem nem ao menos se despedir ou pegar sua parte do dinheiro. Aquele garoto... Aquele garoto lhe dava medo... E medo não era exatamente uma palavra recorrente no vocabulário de Tessai.
xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx
Um dia inteiro.
Mais de 24 horas completas. Todo esse tempo havia se passado sem nenhuma notícia. O senador não havia ligado e ele começava a se preocupar. Kuchiki Rukia havia mesmo entrado em contato com Abarai? Chegava a duvidar. Ele e a amante eram muito ligados... Alguns diziam que ele gostava mais dela do que da própria esposa. Bem, e ele acreditava... De certa forma. Afinal estava se divorciando por causa dela, não? De qualquer maneira, que louco entregaria tal joia rara a uma reles amante sem que nutrisse sentimentos especiais por ela?
E por isso mesmo que ele se perguntava: Ichigo havia roubado a pessoa certa? Tudo havia ocorrido conforme o planejado? Teria Ichigo falhado?
Meneou a cabeça. Não. Seu Ishikawa Goemon nunca falhara antes. Ele era certeiro, inteligente, rápido. O ladrão que assustava os corruptos no Japão. Atemorizava. Não havia a menor chance de ele ter falhado. Era impossível!
Recorrendo a sua ansiedade e contrariando o que ele mesmo pregava, discou o número do celular do senador Abarai.
Uma voz grossa e pouco paciente entendeu do outro lado da linha:
― Moshi, Moshi.
― Senador Abarai... Abarai Renji...
― Ele mesmo. Quem gostaria?
― A senhorita Kuchiki já entrou em contato com você?
Renji franziu o cenho. Quem era aquele cara e o que ele sabia sobre a Rukia?
― Quem gostaria de saber?
― Are, Are... Pelo visto ela não entrou... Decepcionante.
Um suspiro exausto foi a reação dele perante a notícia do Senador. Ela não havia aberto a boca. Chegava a pensar que era uma maldição mulheres independentes como aquela Kuchiki Rukia existirem. Se ela fosse uma pobre e coitada indefesa, certamente já teria entrado em contato com o Senador e aquela ligação seria desnecessária.
Renji, por outro lado, ficou eufórico. Como ele sabia da Rukia? Era verdade que tentara falar com ela e a mesma não atendera. E ligara cinco vezes. Não uma ou duas, mas cinco. Cinco vezes! O que estava acontecendo? Novamente perguntou:
― Quem é você e o que fez com a Rukia?
― Vejo que vocês têm laços bem estreitos. De Senhorita Kuchiki, agora é chamada por você de Rukia... Interessante, não? Bem, eu sou Urahara Kisuke e eu não fiz nada a Kuchiki Rukia... Ainda...
Notas finais
14 Nihon-shu é o sakê que conhecemos. No Japão, a palavra sakê significa qualquer bebida alcóolica, no Japão equivale a Nihon-shu.
15 Mayuri é o Presidente do Instituto de Tecnologia e Pesquisas de Desenvolvimento.
xxxxxxxxx
E então? Que acharam? Aí está o senador "safado" como alguns disseram. Não me matem. Tudo vai ser explicado mais para frente.
E aí? Gostaram de quem é o Oyabun do Ichigo? Está ruim? Péssimo? Podem falar!
Aguardo seus reviews. Acho que só eles me farão sentir melhor hoje. #chantagembarataaaaaaa
Beijos
Fale com o autor