Jogo Perigoso
2 2 Assalto - O Assaltante
Notas iniciais
Obrigada a todos que leram e comentaram, ou não, no primeiro capítulo. Fiquei muito feliz pelos reviews deixados.
Reparei que várias pessoas favoritaram, mas não deixaram review. Deixem, por favor. A opinião de todos vocês é muito importante.
Dedico esse capítuloa todos vocês: Dantesca Mia Commedia, SakuraLiz, Ronda, Girl Monster, Tsuki, Fe Neac, Lady Michele Bran, Kuchiki Keithy, Pedro12345, JJ Dani, Liruichi.
Ah, eu irei postar agora todas as quartas, quando tenho uma folguinha da facul.
OBS: As típicas notas de rodapé foram incluídas nas notas finais, pois é contra as regras do Nyah colocar embaixo do texto. Eu não sou de seguir todas as regras, BUT... vou seguir dessa vez, ainda mais tendo uma beta moderadora. kkkk
2º Assalto – O Assaltante
“E eu preferirei sucumbir perante você pelos prazeres da carne. Mas jamais deixarei que chegue ao meu coração.”
Kurosaki Ichigo
Os dedos compridos deslizavam sobre os gomos esverdeados contando, mentalmente, quanto eles valeriam. Notas... Incontáveis notas de ienes.
― Kuchiki Rukia, hã... Tão bonita, mas tão burra! ― gargalhou.
Jogou-se sobre a cama rindo. O lençol de seda o recepcionou, macio e gelado. A joia ainda adornava sua mão, brilhando contra a luz solar que entrava pela janela. Observou-a. Era um bonito colar de esmeraldas. Certamente ficaria ainda mais bonito quando colocado sobre a pele de alabastro feminina.
Colocou a joia sobre o criado mudo e posicionou os braços embaixo da cabeça. Suspirou. Ela era... Era muito ardente. Ainda se lembrava da sensação de ter seu corpo colado ao dela, dos lábios suaves pressionados contra os seus e das mãos experientes dela o explorando.
― Sou só uma garçonete! ― repetia usando o mesmo tom de voz empregado por Rukia. Riu. Não tinha como não rir.
Era ridículo que alguém que trabalhasse naquele tipo de bar quisesse manter segredo sobre o próprio nome, ou, até mesmo, o próprio apelido. Claro, ele sabia muito bem, como um antigo frequentador do Umi no Hana que todas as mulheres lá tinham um codinome que fazia alusão a natureza. Rukia era conhecida como Shiroi Tsuki10. Daquela vez, Matsumoto Rangiku tinha escolhido bem o apelido. Combinava com sua aparência delicada e com o pouco que sabia sobre sua personalidade. Rukia era conhecida por seu temperamento mutável e de fases.
O que ainda não conseguia entender, mais ainda que a tentativa inútil de ocultar o nome, era porque ela acreditara nele e o levara para a própria casa. Quem quase não acreditou que seria tão fácil assim convencê-la foi ele.
“Como ela pode acreditar em mim?”, pensou. “Deve ser muito ingênua”.
“Bem, não interessa... o fato é que já consegui o que precisava. De qualquer forma descobri que ecstasy funciona melhor do que eu previa”.
De alguma forma, aquilo o incomodava. Sentia como se sua masculinidade fosse atingida. Afinal, parecia óbvio, até mesmo para ele, que a Shiroi Tsuki nunca o levaria para o próprio apartamento se não fosse drogada.
Mas só o fato de ter a certeza de que ela ficaria irada ao saber do roubo da joia compensava essa sensação. Fazia o seu dia ficar mais feliz. Como reagiria a pequena amante do Presidente do Conselho de Ética do Senado japonês? Correria para os braços dele, implorando por um novo presente caro? Mas essa não era a pergunta que mais lhe martelava a cabeça, sim porque um representante do Conselho de Ética tinha uma amante. Melhor: por que tinha uma amante tão ardente? Não fazia o menor sentido.
“Na verdade não é nada ético manter uma amante, senador”.
Virou-se para o lado. Era melhor dormir. Precisava deixar de pensar na amante do senador. Kuchiki Rukia não era mais um problema seu. Ele havia feito sua parte no plano, agora era por conta do Oyabun11. Mas parecia impossível, ainda mais quando ela o deixara daquele jeito e adormecera logo depois.
― Argh, maldição!
Na verdade, a única parte decepcionante daquele assalto era não ter conseguido transar com a amante do senador. Seria perfeito, não? Roubá-lo e ainda dormir com a sua mulher. Isso seria definitivamente muito humilhante para qualquer homem. E no fim das contas, pensava, não fora esse sempre o interesse daquela organização? Oyabun e tantos outros só tinham a intenção de desmoralizar e desmascarar os políticos corruptos daquele país.
Era para isso que ele, Kurosaki Ichigo, se convertera na maior lenda japonesa da modernidade. Odiado por muitos, venerado por outros, era conhecido como Ishikawa Goemon12. Uma versão atualizada do herói nacional da época medieval. Sua preocupação ainda era tirar dos ricos e dar aos pobres, mas de maneira diferente. Seu trabalho consistia em tirar dos políticos e devolver a população, fosse o que fosse que eles tivessem lhes tirado. Em alguns anos, a Organização Kireina te13 ficara conhecida por proporcionar ao Japão uma espécie de limpeza política.
Mas isso não era o suficiente para ele. O trabalho há muito não o preenchia ou o livrava de seus demônios. Ele sempre retornava para aquele estado de melancolia pós-assalto. Instalado num hotel de luxo em Tokyo, Ichigo esperava as horas passarem para poder embarcar para sua cidade natal: Karakura. Mas voltar para casa já não era a mesma coisa.
Havia um vazio nele que nem o retorno ao lar poderia preencher. Era por isso que ele se apegava às coisas materiais, sobretudo aos prazeres carnais. O vício ainda era a única coisa que mantinha sua mente sã; que o impedia de ser dominado pelo enlouquecido e insano Ichigo que habitava o seu interior. Reconhecia que não era o mais indicado para aquele trabalho. Não sabia ainda porque insistira em pegá-lo. Deveria ter deixado tudo para Hirako Shinji. Ele teria resolvido tudo como num passe de mágica e Ichigo não teria acabado daquele jeito. O encontro o abalara não só física como psicologicamente também. Os fatos de aquela garçonete ter aqueles expressivos olhos e trabalhar naquele lugar não ajudavam muito.
Levantou-se. Ficar deitado não ajudaria em nada. Guardou a joia dentro da caixa de forrada de veludo com cuidado. Não queria danificá-la. Quem sabe um dia não pudesse devolvê-la para a determinada garçonete? Balançou a cabeça negativamente. Não iriam se encontrar novamente, nunca mais. Agora era só esperar que ela se movimentasse e fosse correndo para os braços do Senador e isso levasse o político até a Organização. Afinal era assim que amantes reagiriam não é? Correndo na primeira oportunidade para o seu protetor.
Caminhou para o banheiro. Precisava tomar banho e tirar aquele perfume floral de seu corpo. Tirar o cheiro dela. Mas antes que pudesse ligar o chuveiro o telefone tocou.
― Moshi Moshi14!
― Kurosaki, sou eu ― disse uma voz séria pelo telefone.
― Oyabun ― respondeu.
― Você já fez o combinado?
― Sim. Ele já entrou em contato?
― Ainda não. Não seja apressado. Lembrou-se de dizer seu nome a ela?
― Inclusive deixei meu cartão na casa dela.
― Eu não faço ideia de como você conseguiu isso, disseram que ela não era exatamente o tipo de pessoa mais fácil de lidar... ― disse com a voz pensativa. ― Mas isso também não faz a menor diferença. Agora é só esperar que ela entre em contato com o Senador, avise do roubo e que ele chegue até nós ― deu uma pausa. ― Tudo, de agora para frente, depende dela. Tem certeza de que era a pessoa certa?
― Bem, a descrição batia... Ela vai mesmo falar com o senador?
― Não se preocupe. Kuchiki Rukia não vai deixar passar. A qualquer hora o Senador entrará em contato conosco. Ele não é burro o bastante para acreditar que isso foi um roubo aleatório. Não se esqueça de avisar quando ele ligar. Ja nee!
― Ja nee!
Preparou-se para desligar o celular quando a voz do outro lado pediu:
― Oe, Kurosaki, espere! Agora acho que pode vender essa joia e ficar com o dinheiro. Livre-se disso.
― Espere aí... Você disse vender?
Antes que ele pudesse obter sua resposta teve o telefone desligado. O tum tum incessante do outro lado da linha continuou até que ele desligasse o celular. Estava confuso. Deveria vender as joias mesmo?
“Argh! Mas o que estou pensando? Bakayarou! Acha mesmo que vai devolver essas joias a ela? Você não voltará a vê-la.”
Sentou sobre a cama e fechou os olhos. A verdade é que desejava vê-la mais uma vez. Aqueles olhos violáceos... Que tipo de hipnose realizaram nele? Não. Balançou a cabeça em negativa. Não era ela. Não queria vê-la. Só queria... Queria muito terminar o que começaram, mas que a droga impediu. E se não podia tê-la em seus braços de novo, guardaria aquela noite como recordação. O restante dela, para sua completa frustração, teria que ser completada mentalmente.
“Ela era... Deliciosa. Nenhuma outra palavra poderia descrevê-la melhor.
A maneira como ela se entregava e correspondia as minhas carícias era excitante. Lembro-me de tê-la em meus braços gemendo meu nome de maneira submissa e, logo depois, montando em meus quadris e me submetendo as suas carícias enlouquecedoras. A trilha de beijos que ela deixou pelo meu pescoço, tórax e baixo abdome fizeram meu corpo entrar em combustão. Eu estava a ponto de explodir e ela nem sequer continuou aquela maliciosa brincadeira, tampouco deixou que eu fizesse nela. Sua voz, que era ao mesmo tempo, rouca e suave, chegou aos meus ouvidos, implorando para que eu finalizasse aquela doce tortura e a possuísse de uma vez.
Atendendo prontamente ao seu pedido, virei-a sobre a cama e me posicionei sobre seu corpo. Beijei-a, explorando cada canto daquela boca deliciosa e mordiscando seus lábios finos. Ela gemeu. Seus pequenos pés deslizavam nas minhas panturrilhas enquanto ela arqueava os quadris numa súplica muda para que eu a penetrasse.
E embora eu não quisesse mais prolongar aquele joguinho, me vi obrigado a deixá-la esperando, assim como ela havia me deixado. Percorri seu corpo com uma trilha de beijos, evitando, de propósito, tocar as áreas mais sensíveis. Quando cheguei até o seu umbigo e o mordisquei; em resposta ela arqueou o corpo mais uma vez. Lentamente fui escorregando as mãos pelos quadris arredondados, removendo a calcinha preta que contrastava com a pele cândida.
― Você está sendo muito mau, Kurosaki Ichigo! ― sussurrou com a respiração entrecortada.
― Você merece ser ainda mais castigada, Kuchiki Rukia... ― respondi já com a boca colada em seu ouvido.
Deslizei as mãos pela cintura fina até chegar aos quadris. Apertei suas nádegas e a ergui, até que nossos sexos se tocassem. A sensação da pele dela contra a minha era tão boa que eu fechei meus olhos por um instante. Tinha que me controlar. Não queria que fosse rápido. Queria sentir cada centímetro dela me envolvendo. Queria ver em seu rosto cada mínima reação que ela esboçasse. Queria ver, refletido em seus belos olhos violáceos, cada mínima indicação do prazer que eu lhe proporcionaria.
― Abra os olhos. Eu quero que me olhe quando eu a possuir ― pedi com a voz rouca. Puxei seu rosto para o meu.
― Isso é perigoso.
― Eu nunca disse que não seria.
Beijei-a sem pressa, experimentando seus lábios.”
“Chega, Ichigo, não tem porque ficar lembrando disso.”
Era o que dizia para si mesmo, ou ao menos o que vinha dizendo desde as 05 horas da manhã, quando saíra do apartamento dela.
Mas afastar as memórias daquela noite era tão difícil para ele, quanto estava sendo para Rukia.
“Então eu realmente fiquei bravo quando ela virou o rosto para o lado sobre os travesseiros e adormeceu. Retirei aquela grossa mecha que insistia em cair sobre seu delicado rosto e a observei.
― Rukia... ― chamei. ― Não vai dormir agora, droga!
Segurei-a pelo queixo e deslizei o polegar pela extensão dos lábios dela. Chamei-a novamente, mas a respiração lenta indicava que ela já estava presa num sono profundo. Droga! Tinha que ser bem naquela hora?
― Culpa sua, baka! Burro!
Não tinha como não me culpar. Se talvez eu tivesse colocado um pouco mais de ecstasy na bebida dela, o efeito não teria passado tão logo a fazendo adormecer. Se não fosse a minha burrice mais uma coisa teria dado certo naquela noite.
Meu corpo queimava de ansiedade. Necessidade era o que eu sentia. Uma carência que não seria suprida. Não por ela, nem naquela noite.
Levantei-me da cama. Vesti minha calça e joguei a camisa sobre os ombros. Sentei sobre a beirada da cama e a observei.
Maldição! Ela tinha mesmo que dormir naquela hora? Não dava para esperar só mais um pouco? Pensando bem, aquilo fora o melhor. Frustrado eu ficaria mesmo se tivéssemos começado alguma coisa e então ela dormisse.
Fui para o banheiro, lavei meu rosto e fui procurar por aquela maldita joia. Bem, era para isso que eu fora lá, não? Era isso que eu iria fazer agora. Achar aquele maldito colar de esmeraldas e ir embora. Não ficaria naquele apartamento com ela nem mais um minuto.”
“É como diz o ditado, aquilo que não é visto não é cobiçado. No meu caso especificamente, o que não é provado, não pode continuar a ser desejado.”
Quem dera isso fosse verdade, pensava Ichigo. Porque ele ainda a desejava. E muito.
Resignado, se enfiou dentro de uma calça jeans uma camiseta polo e calçou o tênis. Iria para o aeroporto naquele momento. Pouco importava que o voo para Karakura fosse dali a quase 4 horas. Parecia-lhe muito mais confortável ficar observando lojas e conversando com alguma atendente bonita do que ficar pensando em Kuchiki Rukia.
Iria esquecê-la. Não só queria como iria. Não dedicaria mais um pensamento sequer à garçonete.
Notas finais
11 Oyabun Padrinho em japonês. Nome também utilizado para os chefes de máfias, ou aqueles que apadrinham alguém dentro de uma;
12 Ishikawa Goemon Herói Japonês da Idade Média. Roubava dos ricos para dar aos pobres. Equivalente ao Robin Wood ocidental;
13 Kireina Te Mãos Limpas;
14 MoshiMoshi! Interjeição utilizada ao atender o telefone, equivalente ao alô em português.
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So, that is it. Agora levante a mão quem foi o pervertido que tinha realmente achado que tinha rolado alguma coisa no primeiro capítulo. kkkkkkkkkkkkk Brinks
Pois é, não rolou. Eu não poderia deixar o nosso morangão se dar tão bem assim de cara.
Beijos e até quarta que vem!
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