Jogo Perigoso
1 1 Assalto - A Garçonete
Notas iniciais
Eu tive essa ideia há muito tempo atrás e depois de ler as fics da Fe Neac decidi transformar aquela ideia antiga numa IchiRuki.
Então... presentinho para ela.
É a minha primeira fanfic de Bleach, então conselhos, sugestões, comentários, críticas são todas muito bem-vindas!
Agradeço a minha beta, Lady Michelle Bran pela correção e conselhos.
So... that is it! Espero que gostem.
Nos vemos nas notas finais.
1º Assalto – A Garçonete
“Está chovendo de novo... em meu interior nunca parou de chover. Alguém, um dia, fará o sol brilhar, onii-sama?”
Kuchiki Rukia
“Gotas... Gotas grossas e viscosas pingavam sobre seu rosto. Sangue...
― Corra, Rukia! Corra!
Ela até tentou, mas as pernas não se moviam. Estavam presas ao chão. Ele gritava, num misto de dor e exasperação, mas nem isso era suficiente para fazê-la sair dali. Ela simplesmente não se movia!
Olhou-a nos olhos. Nunca os vira tão opacos antes. Tão sem vida... O único sinal de que ela ainda estava viva eram as lágrimas que escorriam pela jovem face. Gotas... Gotas grossas e salgadas que se misturavam com as viscosas de sangue...
Ele segurou a mão dela e entrelaçou seus dedos. Unidos... uma última vez.
Lágrimas e sangue...
Sangue e lágrimas...
― Rukia...
Ela não respondeu. Sentia a bílis subir em sua garganta enquanto era afogada pelos soluços. Estava muda.
Apertou a mão dele, prendendo entre as suas. Mas elas logo foram soltas e eles separados.
Ele para um lado, ela para outro. Separados. Para sempre.
Desde então nunca mais parou de chover.”
― Maldição, Rukia! Acorde!
Rukia se virou na cama, enfiando a cabeça embaixo do travesseiro. Sabia que viriam acordá-la, sempre vinham. Mas ainda era tão cedo. Só precisava dormir mais um pouquinho. Será que se implorasse a deixariam em paz? Era só mais um pouquinho, afinal...
― Só mais 5 minutos, onii-sama1! ― respondeu com a voz embargada pelo sono.
Um suspiro exasperado. A irritação crescia.
― Você vai levantar. Ah, se vai!
Puxou-a pelos pés e a arrastou da cama, sem se importar quando a morena bateu a cabeça contra a cama e depois contra o chão. O grito agudo sobreveio e ela arregalou os olhos, agora definitivamente acordada. Massageou a cabeça onde tinha batido. Por sorte não machucara o rosto.
― Ai! Isso dói! Dói mesmo! Droga! Vou ficar com dor de cabeça o dia todo! ― resmungou.
― Baka2! Se tivesse acordado quando chamei, não precisaria disso!
― Yoruichi-san3? ― perguntou levantando o rosto para fitar a amiga.
― Não... Seu irmão! ― bufou.
― Yoruichi-san, que horas são?
“Ai que dor de cabeça!”, pensou esfregando os olhos.
― Hora de você estar na escola, peladona!
Rukia arregalou os olhos enquanto mirava o relógio. 7h20 min. Atrasada!
Levantou num pulo. Correu para o biombo e se enfiou dentro de uma saia lápis e do sutiã.
“Pera aí... Cadê o meu pijama? Cara, eu dormi... Dormi pelada?”
― Rukia, isso é muito estranho. Você perder a hora e dormir pelada? O que andou fazendo essa noite?
Rukia não escutou nada do que Yoruichi disse, nem mesmo o tom malicioso empregado pela mesma. A única palavra que ressoava numa batida contínua em sua cabeça era “atraso”.
Atrasada, atrasada, atrasada!
“Argh... em 3 anos eu nunca me atrasei! Como isso foi acontecer justo hoje?”
― Rukia?
― Me passe essa camisa branca jogada na mesinha.
― O que há Rukia? Não acha que dois trabalhos é demais até mesmo para você? ― Yoruichi perguntou enquanto jogava a peça por cima do biombo.
― Por Kami-sama4! Como fui perder a hora? Eu tenho que preparar os alunos para...
― Eu é que pergunto! Você nunca... ― parou subitamente.
― Eu nunca?
― É... Bem... O que você fez com seu quarto?
― Nada... Por quê?
― Você sempre foi desorganizada, mas isso é novidade...
― Ah, qual é, Yoruichi? Eu tô atrasada, ainda vai pegar no meu pé por causa do meu quarto? Eu arrumo quan...
― Acho que você não entendeu, Rukia... Melhor ver você mesma...
Rukia saiu de trás do biombo e observou o quarto. Tudo estava bagunçado. Revirado. Roupas jogadas no chão, caixas fora do lugar, papéis espalhados. Carteira aberta. Gavetas abertas. Não havia nada no lugar. Como não tinha visto aquilo antes?
― O que diabos aconteceu aqui? ― perguntaram em uníssono.
Uma olhou para a outra. Rukia sacudiu a cabeça. Previa dor de cabeça. Uma forte dor de cabeça.
― Não sei...
Aproximou-se do guarda-roupa e puxou um compartimento interno, lá dentro jazia o cofre eletrônico aberto.
Aberto?
Rukia balançou a cabeça negativamente. Não. Ninguém tinha a sua senha. Nem mesmo Nanao, que dividira por anos o apartamento com ela. Tocou devagar o cofre, como se tudo aquilo fosse um mero sonho e, a qualquer momento, quando ela tentasse puxar sua porta, o alarme fosse disparar estridente.
― Rukia?
Mas não era sonho, portanto o alarme não soou. Com receio ainda, escancarou a porta e observou com horror que tudo o que lá tinha guardado fora deixado, menos o colar que ganhara do senador.
“Meu colar de esmeraldas...”
― Como diabos você não sabe?
“Meu colar de esmeraldas... Como?”
Rukia massageou as têmporas. Devia ter guardado em outro lugar. Isso! Estava em outro lugar, só poderia ser!
― Rukia?
Ela não respondeu. Ainda olhava atônita para o cofre. Como poderia ter sumido? Quem pegara?
― RUKIA? ― Yoruichi gritou enquanto a sacudia pelos ombros.
A morena pendeu a cabeça para o lado ainda sem acreditar. “Meu colar de esmeraldas... onii-sama”.
― O que aconteceu?
Rukia apontou para o cofre eletrônico aberto. Yoruichi sacudiu a cabeça sem entender aonde a amiga queria chegar.
― Sumiu, Yoruichi-san... Meu colar de esmeraldas sumiu.
Yoruichi abriu a boca uma, duas vezes, mas não chegou a falar nada. Só meneou a cabeça num gesto de quem entendia. Pegou o celular e discou o número da escola onde Rukia trabalhava.
― Só gostaria de avisar que a Rukia não vai...
Rukia balançou a cabeça. “Eu vou”, murmurou. Yoruichi tentou argumentar, mas sabia que não daria certo.
― Quer dizer, vai... Mas vai chegar atrasada. Problemas particulares. Ja nee5.
Quando devolveu o celular, Rukia o fechou e o jogou contra a parede. Yoruichi esquivou por pouco e observou como a amiga se controlava para não socar a parede.
“Voltamos ao comportamento explosivo e animal”, pensou. “Tão primitiva, essa Rukia.”
― Droga, Rukia! Quer me acertar? ― perguntou quando o travesseiro passou por cima de sua cabeça.
Rukia não respondeu, ainda desnorteada. Mas como num passe de mágica, Yoruichi a viu calçar os sapatos, pegar a bolsa e correr pelas escadas de emergência do prédio. Logo após, lançou-se atrás dela, mas a baixinha era rápida. Pulava vários degraus de uma só vez.
― Rukia, espere!
― Maldito! Maldito e maldito!
― Quem é maldito?
― Eu...
― Quem você trouxe em casa, Rukia? “Foi ele quem a roubou? Céus!”
Rukia estacou. Parou na escada, deixando de correr e trombando com Yoruichi.
― Eu...
A verdade era que não se lembrava dele. Trouxera mesmo alguém para casa? Ele era... Ele era...
― Rukia?
Rukia se encostou contra a parede e fechou os olhos. Mordeu os lábios e gemeu. Droga! O que havia feito? Havia levado um completo desconhecido para sua casa.
“Preciso lembrar dele. Preciso lembrar dele. Preciso lembrar dele.”
― Rukia?
― Shhhiii, Yoruichi! ― pediu.
Concentrou-se novamente. Sentia que se ficasse quieta por um tempo conseguiria se lembrar. “Já estou quase me lembrando... Esse cabelo laranja... Esses olhos castanhos. Eu me lembro! Mas seu nome... Ainda não lembro. Muita coisa ainda está confusa.”
O que aconteceu? Como ele chegou no bar? Ela se perguntava. “Se concentre, Rukia! Você tem que se lembrar!”
Yoruichi observou a amiga franzir o cenho. Rukia era irritadiça e brava, era verdade, mas dificilmente franzia o cenho daquela forma. Estaria de lembrando de algo? Encostou-se contra a parede e esperou que a morena lhe contasse algo.
“Espere aí... começo a me lembrar! A névoa finalmente desapareceu e eu consigo ver com clareza o que aconteceu ontem à noite.
Eu estava servindo algumas mesas no bar quando ele chegou. A música soava alto no Umi No Hana6. Algumas meninas dançavam sobre as mesas enquanto políticos nojentos jogavam dinheiro para elas. No fim, todos se divertiam e eu ganhava meu dinheiro. Vestia uma roupa ridícula, isso é certo, mas Matsumoto Rangiku me pagava muito mais do que a concorrência. Bem... Eu não tinha muita opção, não é?
Corri de uma mesa para outra, servindo bebidas e esquivando dos clientes que tentavam me apalpar. Um deles, um político, com aproximadamente a idade do meu avô ―, mas com uma idade mental inferior aos meus alunos do Elementar7 ― deu um sonoro tapa na minha bunda quando passei por ele.
― Gostosinha!
Eu já disse o quanto odeio isso? Pois é, eu odeio muito! Por causa de Rangiku sou obrigada a não falar nada, o que não quer dizer que eu aceite. De alguma forma, a culpa é dela por me fazer usar aquela saia rodada que mal cobre as minhas coxas, que esvoaça e levanta cada vez que me mexo; sem falar naquela blusa extremamente decotada que faz até que uma pessoa como eu, desprovida de seios fartos, pareça turbinada e sensual.
Virei-me para o senhor ― vulgo vovô ― e sorri amavelmente. Ele bateu mais uma vez, dessa vez escorregando as mãos pela minha coxa. Curvei-me sobre ele sensualmente, dando-lhe uma visão completa do meu decote. Ele sorriu maliciosamente e, quando tentou me tocar, eu derramei a bebida que servia em suas pernas. Ele grunhiu irritado e me empurrou para trás. Sobre aqueles saltos agulha, eu me desequilibrei e quase cai, mas fui amparada por dois braços fortes que me envolveram pela cintura.
― Tome mais cuidado, senhorita ― a voz soou em meus ouvidos, enrouquecida.
Virei-me rapidamente, ainda presa em seus braços, e derrubei a bandeja, que por sorte estava vazia, no chão. O barulho não incomodou. Nem a nós, que estávamos com o olhar preso um no outro, nem aos clientes, pois a música estava muito alta.
Levantei os olhos mais um pouco e o fitei. Ele era alto. Muito alto. Eu só chegava a altura de seu peito musculoso por causa dos sapatos de salto alto louboutin que usava. Os olhos dele eram castanhos. Um castanho brilhante e seu cabelo era laranja. Era tão... Diferente, mas tão bonito ao mesmo tempo.
Quando ergui o rosto, meus lábios quase colaram aos dele. Passei a língua pelo meu lábio inferior quando suas mãos apertaram em torno da minha cintura me puxando para mais perto de seu corpo. Para não perder o equilíbrio, apoiei minhas mãos em seu peito amplo e musculoso. Céus... Que corpo... Que homem!
A respiração dele sobre meus lábios era morna e calma. A minha, por outro lado, começou a acelerar. Droga! O que ele iria fazer? Ele sorriu ― ou eu pensei ter visto um sorriso, não sei ― quando ele quebrou o contato visual e se afastou.
― Obrigada ― murmurei abaixando o olhar e alisando minha saia.
― Sem problemas...
Pegou a bandeja no chão e me entregou. Logo depois desapareceu.
Puxei o ar com força e olhei com cautela para os lados. Queria me certificar de que ninguém tinha visto aquela cena. Por sorte todos pareciam entretidos e nem pareceram reparar.
Menos uma pessoa, Rangiku. Ela me olhava com encostada numa pilastra com motivos florais. Aliás, no Umi no Hana tudo tinha motivos florais. Vi-a sacudir a cabeça e logo depois bater palmas. Eu só podia tirar duas conclusões daquilo: ela desaprovava meu comportamento com o político, mas, em contrapartida, aprovava o meu “flerte” com o ruivo. Que loucura! Eu disse mesmo flerte?”
Yoruichi a observava. Rukia estava muito quieta. Até quando ela se manteria de olhos fechados e em silêncio? A curiosidade corroía a morena de olhos claros, deixando-a ansiosa. Puxou a respiração devagar e fechou os olhos também. Quando Rukia estivesse pronta, ela falaria. Agora só restava esperar!
“Voltei para o balcão. Sentei-me sobre a plataforma e apoiei a perna direita sobre o tampo de mármore e girei meu quadril para posicionar a mesma perna para o lado interno. Fiz o mesmo com a outra e saltei. Todos esses movimentos, segundo Rangiku, deveriam ser lentos e sensuais. Eu detestava aquilo, mas fazia. A contragosto, mas fazia. A velha história: “Rangiku paga bem e blábláblá”.
Quando inclinei o tronco para pegar a bandeja, aquela voz soou em meu ouvido de novo.
― Que bela visão.
Senti-me arrepiar. Desde a base da minha coluna até a nuca, todos os mínimos pelos eriçados.
Levantei o rosto para encará-lo e novamente nossas bocas estavam a milímetros de distância. Sem quebrar o contato visual ele retirou um maço de notas do bolso do paletó e colocou no meu decote. A sensação dos dedos dele, tocando a minha pele daquele modo, era excitante. Ao mesmo tempo, minha mente mandava um aviso para que eu me mantivesse alerta.
― Você poderia me fazer companhia ― sugeriu enquanto deslizava o dedo indicador pelo meu decote e empurrava o maço de notas para mais baixo.
― A diversão fica por ali ― apontei. ― E é muito mais cara.
A verdade é que eu nem sabia quanto ele tinha colocado no meu decote. Mas isso não importava realmente. Só o fato de ele pensar que poderia me comprar daquela forma me irritava. Afastei-me e empurrei uma bebida para outro homem que esperava sentado próximo.
― Direta... bem como... ― ele sussurrou algo a mais que não consegui entender.
― O que disse?
― E se eu quisesse a sua companhia?
― Eu sou apenas uma garçonete ― disse devolvendo o dinheiro.
De longe eu vi como Rangiku fechava a cara.
― Então apenas beba comigo, garçonete.
Eu hesitei diante do olhar de Rangiku. Ela certamente queria me matar com suas próprias mãos.
― Estou trabalhando.
Ele suspirou e coçou a cabeça rindo.
― Se é assim, então eu vou embora...
Ele se levantou e sacudiu a mão, num gesto de despedida ou de efusiva reação pela minha recusa?
Rangiku estava mais próxima agora. Acenava desesperada, pedindo que eu o chamasse de volta. Depois fez um não com o indicador e gesticulou a cena em que meu pescoço estava em suas mãos.
Eu não sabia o que fazer, mas se não fizesse algo rápido certamente um homicídio ocorreria e eu não sobreviveria para contar história.
― Oe... espere!
Ele parou. Mas não se virou para me encarar. Demorou para o fazer e quando o fez havia um sorriso em seu rosto. Aquele desgraçado! Estava escondendo esse sorriso todo esse tempo?
― Mudou de ideia?
Eu queria responder que não. Mas ao ver Rangiku socar a mão esquerda na direita, mudei de ideia. Pelos infernos! Aquela mulher via tudo?
Ele se sentou numa mesa e bateu com a mão no estofado da cadeira ao lado. Como num passe de mágica, Nanao estava atrás do balcão e gesticulava para que eu fosse logo. O melhor vinho tinto suave havia sido servido em duas taças e a garrafa repousava sobre a mesa. Ele bebericou calmamente o líquido escuro e estendeu a taça para mim. Pensei em recusar, mas sabia que não poderia. Não agora.
― Então...
― Beba. Está muito bom. Qual é seu nome?
― Sou apenas a garçonete ― respondi, ainda esquiva.
Ele apenas sorriu e balançou a cabeça negativamente. No entanto, não havia recriminação em seu gesto, apenas diversão.
― Kurosaki Ichigo, garçonete. Ao seu dispor.
Ele pegou minha mão e a beijou demoradamente, como se quisesse imprimir a forma de seus lábios na minha pele. Uma onda de calor passou por todo o meu corpo e eu fechei meus olhos naquele instante.
― Kurosaki Ichigo ― murmurei, com a voz enrouquecida.
O que diabos aquele homem estava fazendo comigo?”
― Rukia?
― O nome dele é Kurosaki Ichigo8.
― Certo eu vou pes... Oe! Oe, Rukia! Espere!
Mas a baixinha já havia desaparecido por entre a espiral de degraus da escada de emergência.
― Rukia, espere...
Não adiantava. Rukia não olhou para trás. Continuou a correr e tentou pensar no dia que teria com seus alunos. Mas não conseguiu parar de pensar no ruivo, o tal de Kurosaki Ichigo.
“Memória! Aff... Que droga você é! Quando queria me lembrar você não ajudava. Agora que não quero, aí é que lembro.”
“Nós conversamos sobre muitas coisas. Ele não era só bonito, era inteligente também. Depois de algum tempo, ele levantou e disse:
― Bem, eu já vou... Obrigado pela companhia, garçonete.
Ele me deu as costas e deu um passo, quando eu disse:
― Ah, mas já? ― perguntei.
Quanto eu havia bebido para ter coragem de perguntar aquilo?
Ele se virou rapidamente e eu me desequilibrei. Malditos saltos altos! Mas ele me segurou e me prendeu entre ele e a mesa.
― Você disse que só aceitava beber.
― Disse? ― perguntei e em seguida tampei minha boca. Eu realmente estava muito bêbada.
― Disse ― murmurou. Sua boca estava colada ao meu ouvido. ― Mas se quiser, estarei te esperando. Que horas você sai?
― As 2h00.
Eu não acredito que respondi. Qual é o meu problema?
― Até as 2h00 então, garçonete.
― Kuchiki Rukia.
Eu realmente disse meu nome? Quão bêbada eu estava para fazer isso?
― Kuchiki Rukia ― ele repetiu com a voz enrouquecida enquanto deixava um rastro de beijos pelo meu pescoço.
Fechei meus olhos e tombei a cabeça para o lado para que ele tivesse total acesso ao meu pescoço e ao meu colo. Ichigo deu uma risada curta e grave e mordiscou o lóbulo da minha orelha. Eu gemi e o segurei pela nuca. Minha pele queimando ao contato de seus lábios.
― Até as 2h00, Kuchiki Rukia... Estarei te esperando.
Ele foi embora e eu voltei para trás do balcão. Nanao gesticulou querendo saber o que era aquilo, mas nem eu sabia. Dei de ombros. De qualquer forma ele não estaria me esperando não é?
Mas ele estava.
Quando sai pela parte de trás do bar, ele me puxou pela mão e me envolveu pela cintura. Meu corpo foi pressionado contra o dele, musculoso. Gemi quando a mão dele beliscou a minha bunda, logo depois separando minhas coxas e me sentando por cima do capô de seu carro.
Fitei seus olhos. Eles eram fogo líquido. Estariam mais claros agora? Ou eu estava tão bêbada que via coisas onde elas não existiam? Puxei-o pela nuca e o beijei. A sensação daqueles lábios pressionados contra os meus era maravilhosa. Pedi passagem com minha língua e a introduzi em sua boca. Um delicioso duelo teve início. Ichigo puxou meu lábio com os dentes e abafou meu gemido sugando minha língua.
Uma de suas mãos estava na minha nuca, sustentando minha cabeça e a outra deslizava pela minha barriga, subindo de encontro aos meus seios. Minha respiração acelerou e eu interrompi o beijo para fitá-lo. Ele contornou com os dedos o bordado do meu sutiã. Um sorriso malicioso brincava em seus lábios.
― Onde é a sua casa? ― perguntou ele, acariciando meu lábio inferior com o dedo e depositando um beijo na minha clavícula.
Normalmente aquela pergunta teria me feito acordar e perceber o que estava fazendo. Mas eu já havia ido muito longe para parar naquele momento. Respondi e, antes que eu percebesse, nós já entrávamos no meu quarto e tirávamos nossas roupas.
Ele vestia um paletó azul marinho, uma camisa azul mais clara e uma calça jeans. Milagrosamente ― eu devo dizer, já que não lembro como ― ele se encontrava com o peito desnudo e eu sem a minha blusa. Suas mãos desceram da minha nuca até o fecho do meu sutiã e o abriu.
― Ichigo... ― gemi quando ele me ergueu pelas coxas e me pressionou contra a parede. Senti sua excitação pulsante contra minhas coxas e não reprimi um sorriso. Deslizei minhas unhas pelas suas costas largas e quando cheguei a sua bunda a apertei, empurrando sua ereção contra o meu sexo.
― Rukia... ― ele gemeu.
E essa é a última coisa que lembro dessa noite.”
Já era tarde quando Rukia retornou para casa. Por conta do atraso, ficara até mais tarde na escola, corrigindo provas depois de ter ouvido um enorme sermão de Ishida Uryuu, seu gestor e diretor da escola. Retirou os sapatos, jogou a bolsa sobre o sofá e caminhou para o Hotokesan9. Lá a foto de um homem com cabelos negros que chegavam até a altura dos ombros repousava cercada por duas velas aromáticas.
― Byakuya nii-sama... ― murmurou com a voz baixa.
Acendeu as velas e tocou a foto. Um sorriso triste cruzou seus lábios, mas ela logo fez questão de sorrir com firmeza.
― Eu vou resgatá-lo, nii-sama... Eu vou... ― cerrou os punhos. ― Eu prometo,nii-sama. Nada, nem ninguém vai nos separar de novo...
Gotas... Gotas grossas e salgadas pingavam na saia azul de Rukia. A morena sorveu pelo nariz e enxugou o rosto. Não ia chorar. Não precisava chorar só porque Kurosaki Ichigo a havia distanciado ainda mais de seu objetivo.
“Sou mais forte que isso. Sou mais forte que ele”.
Fechou os olhos. Todos os dias aquele maldito filme acontecia em sua cabeça. Byakuya sendo tirado de seus braços e arrastado para longe dela e ela para longe dele. O sangue que o cobria, o sangue que deveria ser dela, mas que pertencia a ele. A vida tirada, a vida que deveria ser a dela, mas que era a dele.
Mordeu os lábios se lembrando do que ele, aquele homem, lhe dissera naquela noite: “Venha, quando crescer, buscar o corpo do seu irmão... mas saiba que não sairá barato”. E desde então a chuva nunca cessara. Era sempre dia de temporal em seu interior.
― Eu descobri como fazer essa chuva parar... E só há uma maneira, nii-sama...
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¹ Onii-sama (irmão em japonês), o feminino é “onee” – tem como abreviação nii e nee, respectivamente;
² Baka – abreviação de Bakayarou, numa tradução livre “idiota”;
³ Sama/San/Chan/Kun – Sufixos de tratamento em japonês. São usados após o nome da pessoa a quem se dirige. Numa tradução livre:
Sama – indica respeito, geralmente para pessoas mais velhas ou de nível hierárquico superior; San – senhor(a). É o tratamento mais comum, usado para homens e mulheres, geralmente usado quando não se tem intimidade com a pessoa a quem se dirige; Chan – Usado quando já há uma relação de intimidade. Mais usado para crianças ou mulheres; Kun – Tratamento informal dado a pessoas do sexo masculino.
4 Kami – divindade japonesa;
5 Ja nee – Até mais; adeus numa tradução livre;
6 Umi no Hana – Oceano Floral;
7 No japão o sistema de estudos é dividido em 5 fases, são elas:
Yōchien ( 3 – 6 anos ) Jardim de Infância; Shōgakkō (6 – 12 anos) – Escola Elementar (ensino obrigatório) – Rukia leciona para crianças dessa idade; Chūgakkō (12 – 15 anos) – Escola Média (ensino obrigatório); Kōtōgakkō (15 – 18 anos) – Escola Superior (ensino opcional. É necessário a realização de um exame para ingressar. Apesar disso mais de 90% dos japoneses cursam a Escola Superior); Daigaku – (Sem idade definida) – Ensino Universitário.
8 Por se tratar de uma fanfic que se passa no Japão preferi deixar a ordem dos sobrenomes e nomes como é utilizado lá. Então ao invés de Ichigo Kurosaki, eu o chamarei sempre por Kurosaki Ichigo;
9 Hotokesan – altar onde os japoneses oram pelos seus mortos.
Notas finais
Espero que tenham gostado.
Vou tentar manter um ritmo de postagem de uma vez por semana, vamos ver se consigo. Se não conseguir, só puxar minha orelha! Hehe
Beijos!
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