Je t'aime
1 Darkness
Notas iniciais
A televisão chiava, o que me deixava imensamente irritada. Nada naquela casa funcionava direito. O chuveiro gotejava em parte gelado, em parte quente. A pia não fechava completamente e pra completar, a TV. Maldita TV. Era pra eu ligar e me prender me algum reality show maldito que sugasse toda a minha atenção para que eu me esquecesse de meus problemas. Mas a tv...ah, essa maldita TV. Fez logo o contrário.
Olhei para o relógio, dariam sete da noite, hora de ir para o colégio.
Quando eu era uma criança, sempre diziam para mim que o último ano do ensino médio era o mais fácil, que era apenas um resumo do primeiro se segundo ano do ensino médio. Tudo bem... nisso eu concordo. Mas ninguém sequer citou a crise dos 18 anos. Aquela crise... Sabe? Não? Oh, que bendito sortudo. Bom... Deixa cá eu te explicar...
Você levanta da cama se sentindo um completo inútil. Tenho dezoito anos e a coisa mais útil que eu fiz até agora na minha vida foi parar de morar com os meus pais, e sério, ainda dependo deles para pagar algumas contas. Tudo bem, isso é quando você acorda... Daí o resto do dia você fica simplesmente procrastinando pensando em como seria revigorante fazer algo útil, mas acredite...você não levanta o rabo do sofá. Enfim, essa é a crise dos 18 anos. Você está cheio de responsabilidades, cheio de receios, decepções, nostalgias, pressão da família/amigos/sociedade.
Cheguei para o terceiro dia de aula do ano. Era a minha primeira aula de francês. A única coisa que eu sabia falar em francês era ''merci''. Sentei-me na última fileira rezando para que a professora não percebesse que alguma garota com crise dos dezoito anos completamente irritada com a sua TV e cheirando a álcool tivesse entrado.
Fiquei feliz por isso ter quase acontecido...Se não fosse pelo meu pequeno escorregão na frente de toda a sala, ela realmente não teria me notado. Todos estavam me olhando então me apressei para me levantar e sentar logo em uma carteira bem longe de todos os habitantes do planeta que denominamos terra.
– Você deve ser a aluna Marjorie, estou correta? — perguntou a professora sutilmente abaixando seus óculos com 2.5 de grau.
– Eu mesma.
Como diabos ela sabia quem era eu? Ah, droga. Esqueci da infeliz foto 3x4 na lista de alunos.
– Seu nome é francês. Tem um lindo significado. — disse ela continuando a escrever algo em seu caderno e eu apenas voltei a prestar atenção na dificuldade que eu tinha em abrir o zíper de minha mochila.
– Meu nome é francês também. — Uma voz surgiu do além fazendo-me levar um leve susto e olhar para o lado. Um rapaz que provavelmente também estava na crise dos dezoito sorriu de lado. — Prazer, Revoir. — disse estendendo a mão direita e eu o cumprimentei gentilmente.
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