Jardim Secreto

3 Hikiokoshi // Despertar


Shion estava levemente inquieto, mas Dohko havia lhe acendido a centelha de curiosidade. Queria saber como continuava a história. Honestamente lhe parecia muito divertida. Até essa altura não tinha percebido que realmente sabia muito pouco sobre o passado de seus companheiros... Que mais poderia ser ignorada?

Dohko havia feito uma pausa e se divertia com uma de suas mechas loiras com o olhar perdido no vazio. Seus pensamentos eram praticamente um livro aberto para o cavaleiro de Áries, mas nesse momento não havia muito para ler, tinha literalmente a mente em branco. Shion não gostava de vê-lo assim. Essas sombras que lhe cobriam os olhos não correspondiam com a sua personalidade alegre e otimista. Queria dizer algo engraçado que lhe fizesse tornar a sorrir, mas não lhe ocorria nada. Conformou-se em encostar a sua cabeça em um dos ombros de Dohko e dizer um simples e baixo ‘te quero’, fazendo então Dohko sair do seu transe porque o próprio abraçou Shion e disse algumas doces palavras em seu ouvido também. As batidas do coração de Shion se aceleraram como sempre acontecia ao lado dele. Queria que esse momento durasse para sempre, mas um trovão ao longe os trouxe de volta a realidade.

Em seguida recordou que Dohko tinha algo importante para lhe contar e senão fosse importante, não teria começado a lhe contar. Além do mais, ele ainda não entendia quais eram os medos de Albafica.

-Dohko, queria seguir escutando a historia – Shion sussurrou – então você gostou um pouco do Albafica e o que aconteceu depois?

-Sim, mas eu era muito jovem e não entendia muito bem – continuou Dohko secretamente orgulhoso de Shion por lhe tratar com tanta naturalidade e doçura – e tem mais uma coisa, eu não era o único que gostava de Albafica.

-Não? – Shion se endireitou rapidamente para olhá-lo – vamos, continue!

Dohko sorriu e pensava por onde começar a história.

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Na manhã seguinte, Dohko acordou com o que parecia uma manada de elefante chamando da porta. Se levantou no pedestal de mármore que servia de cama na casa de Libra e esperou que os sentidos clareassem.

-Já vou!

Os golpes cessaram assim que ele abriu a grande porta do templo, com os olhos roxos de sono e com cara de poucos amigos. O sol nem sequer tinha levantado no horizonte.

-Bom dia! – o rosto sorridente de Manigold surgiu depois da porta, a visita dele foi tão inesperado que Dohko nem respondeu a saudação.

-O que aconteceu? – perguntou Dohko.

-O patriarca Sage quer tiver no primeiro horário e te disse para não esquecer de levar as armas de Libra, eu não quero te deixar nervoso, mas você vai ter que pensar uma ótima desculpa para ontem.

Certo. Havia se esquecido completamente. Do pedido de Sísifo e de sua caixinha na casa de Peixes.

-Eu vou indo então, de maneira que você pode voltar a dormir Dohko.

-Até parece que eu vou conseguir dormir depois de ter esmurrado a minha porta como se houvesse um bandido te perseguindo – Dohko sussurrou de forma que Manigold não ouviu – obrigado.

Dohko não queria saber os detalhes. Se vestia armadura e ia o mais rápido possível. Para sua tranqüilidade Manigold não estava em lugar nenhum, não queria acordar de Albafica com ele ao seu lado.

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O céu estava claro e o ar anunciava um bom dia. ‘Que manha perfeita para uma caminhada’, pensou Dohko. Respirou fundo e desfrutou da experiência de acordar no Santuário. Alguns santos de bronze e prata já estavam treinando no campo.

Os templos de Escorpião e Sagitário ainda estavam com as portas fechadas em claro contraste com as de Capricórnio e Aquário que já estavam abertas. El Cid não estava em lugar nenhum, Dégel assistia o nascer do sol do telhado de sua casa e o cumprimentou com a cabeça ao passar.

Apressou assim que viu o templo de Peixes. Mesmo a esta distancia era impossível não sentir o delicioso aroma soa jardins das rosas plantadas na proximidade. O plano era acordar Albafica se necessário, para pegar a caixa de Sísifo, depois seguir para o templo do Patriarca e entregar o presente a Deusa Athena. Depois podia passar o tempo como bem entendesse.

A primeira coisa que chamou atenção ao chegar ao final das escadas brancas foi uma rosa depositada com grande cuidado em frente às portas fechadas do templo. Dohko tentou chamar Albafica, não tendo nenhuma resposta empurrou a porta e para sua surpresa ela abriu sem resistência alguma. Sem pensar duas vezes, entrou.

O silencio dentro do templo era tão profundo que os ecos dos seus passos ecoavam como se estivesse dentro de uma catedral. Ele estava prestes a chamar Albafica quando escutou vozes e risos não muito longe. Ele foi orientado pelos sons até um belo jardim com flores e plantas exóticas. Sentados no meio do jardim estavam Albafica e Manigold muito ocupados em algo que envolve fechar os olhos e se tocarem mutuamente. O Que?!

-Albafica! – Dohko gritou a plenos pulmões.

Os risos se cessaram ao mesmo tempo e dois pares de olhos se voltaram para ele.

-Dohko! – Albafica se colocou de pé e correu para perto dele com um belo sorriso no rosto – o que esta fazendo aqui tão cedo? Estávamos no meio de um exercício, quer tentar também?

-Dohko não pode jogar – interrompeu a voz de Manigold a partir da orla do jardim – tem coisas para fazer.

-Não estão um pouco grande para isto? – perguntou Dohko fingindo indiferença, enquanto secretamente pensava em fazer mais tarde com Albafica.

-Manigold disse que entretenimento, mas não é tão chato – Albafica hesitou baixando os olhos, não tinha pensando que poderia ser algo de criança e com certeza não queria passar essa impressão. Ele estava preste a acrescentar algo quando percebeu a rosa azul que Dohko tinha nas mãos.

Dohko seguiu o olhar de Albafica e encontrou a rosa. Ele tinha se esquecido dela. Mais relaxado, deixou escapar uma risadinha e ia explicar a situação quando seus olhos voltaram-se para descansar sobre o rosto do seu novo amigo. Foi embaraçoso e ele parecia estar procurando as palavras certas para falar. Não percebeu muito bem, mas uma onda de ternura invadiu Dohko. Sem saber exatamente o que ele estava fazendo, aproximou a rosa de Albafica e deixou que as suaves pétalas azuis tocassem seu rosto.

-Era você? – Manigold estava completamente desconcertado. Havia se aproximado e agora estava a poucos passos de distancia.

-O que você quer dizer? – geralmente o outro cavalheiro lhe parecia divertido, mas acreditavam que ele nunca quis sair. Ele não podia nem imaginar porque estava no templo de Peixes. Após alguns segundos de reflexão decidiu que não tinha porque ficar com duvida – Afinal de contas, o que está fazendo aqui?

-Dohko era o homem das rosas, jamais poderia imaginar – disse Manigold como se fosse uma resposta – então creio que é o mais recomendado para fazer essa pergunta? – continuou dessa vez, enfrentado Dohko com o olhar – o que você aqui?

-O que isso te importa? – Dohko também lhe enfrentou com o olhar – eu não sou esse homem das rosas, eu só encontrei essa rosa na porta do templo de Peixes e a trouxe comigo.

-Encontrou na minha porta? – depois de ter permanecido calado se ouviu outra vez a voz tímida de Albafica.

- Sim.

-Incrível, essa é impossível de pegar – Manigold suspirou, encostando em uma estatua antiga que tinha no belo jardim.

-E na realidade não sabemos se é um homem...

-Vem todos os dias cerca do amanhecer, deixa uma rosa e desaparece – explicou Manigold – é um mistério.

-E pra dizer a verdade – interrompeu Albafica – essa rosa se parece um pouco com você Albafica, é da cor de seus cabelos, não sabia que existiam rosas azuis.

Albafica sorriu e pegou a rosa das mãos de Dohko. Ele caminhou para uma parte verde do jardim e colocou em um simples vaso de madeira, sobre um desgastado bloco de mármore.

-As rosas azuis são extremamente raras – comentou enquanto regava os arranjos de flores -dizem que não muito longe daqui em uma ilha ao largo da costa á o único roseiral azul por esta parte do mundo. Elas são muito especiais, pois não podem ser replantadas, precisam do mar para crescer e amadurecer no corante azul profundo. Se elas forem cortadas murcham do dia para a noite – Albafica voltou para junto dos cavaleiros com algo nas mãos, mostrou as pétalas de outra rosa azul – alguém tem ido todos os dias a ilha para que eu tenha rosas azuis no meu jardim – o doce cavaleiro de peixes abraçou as tristes pétalas contra o peito.

Dohko e Manigold se olharam e por fim, o Canceriano quebrou o silêncio.

-Não se preocupe Alba – Manigold abraçou Albafica carinhosamente – nós iremos achar o seu príncipe azul.

-O que está fazendo Manigold! – Albafica protestou fazendo Manigold rir.

Dohko percebeu que já era hora de ir.

-Albafica, ontem eu esqueci uma caixinha aqui e eu preciso entregá-la à Athena.

-Uma caixinha prateada? – perguntou Albafica e Dohko concordou com a cabeça.

-Seria essa aqui? – Manigold tirou a dita cuja caixinha prateada do bolso.

-O que esta fazendo com ela? – Dohko olhou da caixinha para Manigold e de Manigold para a caixinha – me devolva, por favor.

-Se quiser, venha pegar – Manigold disse desafiante.

-Não estou nem com humor e muito menos tempo para jogos e peço que me devolva Manigold.

-Vamos lá Dohko, o que aconteceu hoje? – Manigold ainda estava com um sorriso extrovertido no rosto – se você pegá-la prometo que vou embora.

Aparentemente ela não tinha escolha. Internamente amaldiçoado por ter feito aquilo, tentou arrebatar a caixinha das mãos do Manigold.

Manigold tão evasivo mantinha a caixinha acima de cabeça, pensando que poderia manter fora do alcance de Dohko. De fato, se o outro queria enganá-lo só lhe faltava esticar o braço, pelo menos criando a ilusão de que não seria tão fácil. O Libriano esperou pela oportunidade e atacou novamente. Nesse meio tempo ele canceriano o pegou pelo cabelo e o empurrou firmemente. Perto de Manigold, Dohko era baixo, nesse instante ele tentou dar um murro na barriga de Manigold para que ele o deixa-se ir. Dohko não iria permitir que ele ficasse daquele jeito, ainda mais na frente de Albafica, porque não via a hora de devolver a cortesia ao cavaleiro de Câncer. Socos e pontapés começaram a ficar mais rápidos, até que Manigold percebeu que iria perder e se não fizesse algo toda a glória iria para Dohko. Concentrando cosmo em seu punho esquerdo atacou rápido como um relâmpago... e por um erro de calculo ele acabou acertando Albafica.

-Albafica – Manigold sussurrou sem acreditar no que tinha feito.

-Idiota! – a voz de Dohko rugiu como se o próprio fosse o tigre que tinha tatuado nas costas. Tentou dar um soco no rosto do canceriano que por um milagre conseguiu desviar. Manigold perdeu o equilíbrio e caiu a alguns metros dali – esta tudo bem? Aonde foi? Deixe-me ver!

Albafica estava deitado com as os braços envoltos ao corpo. Os longos estavam tapando metade do rosto. Assustado com o silêncio Dohko abraçou seus ombros removendo o cabelo de sua face, agora com uma expressão de dor. O contato com Dohko o fez aliviar um pouco, mas era impossível esconder sua tristeza.

-Estou bem, não se preocupem – ele disse na intenção de acalmá-los – foi só um golpe.

-Um golpe forte – Dohko corrigiu o cavaleiro de Peixes. Olhou para Manigold que estava para do lado de um pilar sem saber o que fazer – Vê se você consegui um copo de água fresca em vez de ficar ai parado sem fazer nada!

Manigold acordou do transe rapidamente. Desapareceu atrás de um dos pilares da casa, mas logo voltou com um copo de água fresca. Caminhou até onde eles estavam, Manigold parecia estar dentro de uma batalha interna.

-Albafica, porque se colocou no meio? – Dohko passou a mão no rosto de Albafica.

-Eu não quero e nem gosto de brigas no meu templo – respondeu Albafica sem levantar a cabeça – e muito menos que ponham vocês e outros em perigo, por extensão.

-O que você quer dizer? – Manigold acabou não entendendo.

-Iniciar com uma piada e depois tenta atacar Dohko com toda a força de um cavaleiro? – Albafica estava com uma voz dolorida – esta procurando começar uma Guerra de Mil Dias que vai acabar destruindo os dois?

Os olhos de Manigold se abriram assustados. Embora que ele não gostasse de levar sermões, tinha que reconhecer que o pisciano tinha razão. Sem ter o que argumentar, Manigold cruzou os braços e olhou para outro lado qualquer.

-Todos vem aqui e se comportam como bem entenderem, mesmo sem temer os resultados – disse o garoto de cabelos azuis.

-Como você pode dizer isso? – Manigold não deixou de mostrar a sua admiração com a mudança de comportamento do cavaleiro de Peixes – eu venho aqui por você!

-Sim, mas depois você faz o que quer e esquece de pensar.

-Não entendo porque você fica assim por um simples jogo, você vai levar muitos piores que esse dentro e fora do seu templo.

-Manigold, esse é meu território e eu sou o Santo de Peixes!

-E eu sou o Santo de Câncer, qual é o problema? – Manigold disse indiferente – Vai me dizer que eu não conheço os riscos?

-Você não conhece os seus limites e você Dohko, me decepcionou muito seguindo a idiota brincadeira de Manigold – exclamou – é um simples garoto!

Estas palavras fizeram o discípulo do patriarca mergulhar em um silêncio cheio de censura. Certo que às vezes era brincalhão e Albafica até gostava das suas brincadeiras, mas nunca imaginou que um soco que nem foi direcionado a ele daria tantos problemas. O cavaleiro de Peixes estava exagerando e não estava sendo justo com ele. Procurou apoio nos olhos de Dohko, mas este não estava interessado na discussão.

-Albafica, vamos – Dohko sussurrou para Albafica, segurando seus punhos na intenção de levantar o outro – nos deixe a sós, Albafica vai estar bem.

-Mas...

-Eu me encarrego dele.

-Estou vendo – o jovem italiano colocou o copo em algum lugar qualquer – Albafica, eu não acredito que está prestes a chorar e você – apontou para Dohko – é dez vezes mais estúpido do que eu – ele disse com frieza – além do mais, eu não gosto do Albafica, façam o que bem entenderem.

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Quando Manigold deixou o recinto, Dohko percebeu que a paz tomou o lugar de uma vez. Apenas se ouvia o zumbido de algumas abelhas e a suave respiração do Albafica. Suas últimas palavras lhe geraram preocupação, parecia como falou no dia anterior. Entanto iria cuidar dele mais tarde, pois agora tinha coisas mais importantes para fazer.

Seus olhos desceram até o tranqüilo Albafica. Já não tremia, mas parece que queria ficar trancado consigo mesmo, como se estivesse com medo de abrir os olhos. Mais uma vez ele sentiu como se o fundo de sua alma partir. Queria abraçá-lo e esquecer todas as tristezas. Retirou a expressão sinistra dos lábios. Nada era mais normal do que cercar Albafica com o braço que havia ficado livre. Nada mais que normal do que querer beijá-lo uma vez e depois outra, mais outra, beijos que às vezes eram caricias para sentir o outro relaxar em seus braços. Então ele parou e centrou na testa de Albafica, havia sido um golpe forte. Já havia começado a inchar e um levíssimo corte, quase imperceptível a olho nu.

Dohko esticou a mão pra uma tigela que havia ali perto, molhou o pano e começou a passar delicadamente sobre o ferimento de Albafica. Ele ficou um pouco tenso quando Dohko passou o pano sobre o corte, mas em geral se manteve calmo até que Dohko terminasse.

-Doeu?

-Um pouco – o avermelhado voltou as bochechas de Albafica. Os olhos de Albafica procuravam os de Dohko com voracidade.

Incapaz de se conter, Dohko envolveu seu corpo e beijou o ferimento na testa de Albafica.

A pele era suave e fresca. Dohko não podia deixar de imaginar no momento em que tocaria mais aquela pele. Lhe beijou os olhos e desceu aos poucos. Quando chegou aos lábios, sorriu ao perceber que Albafica esperava mais o beijo do que ele próprio.

A manhã deu lugar a noite e os dois se perceberam em mais um dos jardins da casa de Peixes, rodeadas pelas mais belas flores exóticas.

-Você é o mais doce de todas elas – Dohko sussurrou no ouvido de Albafica, apenas para ele corar novamente. Então ele poderia fazer cócegas em seu pescoço e ouvir seus risos sinceramente jovens.

Quando ele tomou consciência, a maior parte do dia já havia se passado. Subitamente indeciso, ele se voltou para o jovem ao seu lado.

-Creio que seja melhor você ir, já roubei metade do seu dia – disse sinceramente envergonhado.

-Gosto quando vem – Albafica deu um belo sorriso e sincero.

-Vou conversar com Manigold para que lhe peça desculpas.

-Não à necessidade, irá voltar se realmente gostar de mim.

-Sim, você tem razão – reconheceu Dohko – você sabe muito bem não é?

-Vem e vai – Albafica encolheu os ombros – mas sempre volta.

Dohko concordou e o cumprimentou com a cabeça, deu volta e saiu andando.

-Espere.

Um calor de um abraço o pegou por trás.

-Voltará amanhã? – as palavras foram suspensas no ar quente, cautelosamente claras.

Dohko virou nos próprios calcanhares e pegou o rosto de Albafica entre as mãos. Em resposta ele beijou os lábios de Albafica e depois passou a língua por eles.

Dirigindo um último olhar cheio de carinho, desceu as escadas e se perdeu no crepúsculo.

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Shion escutava de olhos abertos cada palavra que saia dos lábios de seu amado Dohko. O pior eram as imagens que entravam em sua mente um pouco mais frequentemente do que o desejado. Se Dohko quis deixar claro que, uma vez que ele tinha gostado Albafica, sem dúvida, poderia ser considerado como satisfeito.

Não muito longe dali, o som de um trovão pode ser ouvido. Afinal, parece que uma tempestade estava a caminho. Fechou os olhos e esperou Dohko terminar. Subitamente o ar ficou mais frio.

-Você esta dormindo Shion? – sussurrou a voz de Dohko, acariciando os cabelos do cavaleiro de Jamir.

-Não... estou ouvindo.

-Podemos fazer uma pausa se quiser.

-Prefiro escutar até o final.

Dohko suspirou e olhou para fora através da pequena janela que iluminava o quarto secreto. Os campos eram os mesmos, as estrelas brilhavam como sempre, e muitas coisas tinham mudado. Nada jamais irá ser igual.

-Ainda tem muito para você saber – confessou e voltou a contar a sua historia para seu amado Áries.