Jardim Secreto

4 Bara no Otoko // Homem das rosas


Houve um silêncio antes de Dohko prosseguir com a história. Shion ponderou a informação que havia recebido. Shion queria saber mais sobre a história, mas quanto mais sabia dela um desconforto crescia em seu peito. Pensava em Albafica, solitário e taciturno e sempre cortes, mas sempre mantendo distancia de todos. Às vezes ele mencionava com Dohko, mas o outro geralmente não se pronunciava. Agora Shion entendia o motivo disso.

As mais belas rosas também tem espinhos...

Estas palavras foram proferidas por Dohko mais cedo naquele mesmo dia, quando Shion havia lhe falado sobre Albafica, mas agora parecia ter outra conotação. Shion recordava de ter visto um brilho diferente no rosto de Dohko quando o outro soube da queda do cavaleiro de Peixes, mas resolveu não comentar nada com o outro.

Apesar de Shion tentar esconder sua preocupação, Dohko era mais que acostumado a perceber o que ele estava pensando. Não adiantava Shion tentar desviar o olhar e dar um sorriso, o resto da sua atitude o entregava.

- Não vai continuar a historia? – Shion perguntou.

Dohko tentou roubar um beijo de Shion antes de continuar. Shion não evitava, mas ficou imóvel e não correspondeu a cortesia.

--//--

O dia seguinte ao seu encontro com Albafica, Dohko acordou com o corpo pesado. Havia dormido mais horas do que o normal, mas ainda sentia que não era o suficiente. Ele acreditava que o mal-estar desapareceria logo depois que ele começasse suas atividades, mas o dia parecia durar uma eternidade.

Sísifo, que estava ausente para uma missão neste dia, pediu ajuda para que Dohko ajudasse seu discípulo Regulo com os treinamentos matinais, mas isso se revelou mais difícil do que ele imaginava. Para começar, ele ainda era imaturo, que não havia deixado de tentar deixar a vida impossível.

Durante a prática de exercícios, Dohko tinha problemas de coordenação. Sentia-se desajeitado e fraco, fazendo que o moleque lhe superasse sem dificuldades. Todos comentaram que esse menino era um prodígio de grande potencial, mas Dohko não podia acreditar no que havia acontecido. E para coroar o dia, treinou também com um menino chamado Yato, que não tinha nada de um prodígio.

Justo quando estava feliz de ter cumprido com essa parte do dia, Regulo perguntou se ele havia cumprido com o pedido que Sísifo havia lhe feito. Logo se lembrou da caixinha em Peixes e que ainda tinha que ver o Patriarca. Embora odiasse admitir que Manigold tivesse razão, arranjaria um jeito de pedir desculpas a ele. Além disso, a idéia de ver Albafica o deixou mais animado.

Subir as escadarias do Santuário nunca lhe pareceu tão cansativo. Era como que se cada passo que ele desse, suas pernas ficavam mais pesadas. Passando pela casa de Touro, Hasgard fez um comentário engraçado, mas Dohko não estava com vontade de responder. Descansaria um pouco assim que chegasse ao templo de Libra, mas da sua mente só se ocupava com a casa de Peixes, mais especificamente no seu habitante... Albafica.

Ele entrou no templo de Virgem sentindo um pouco mais desconfortável que o normal. Asmita, o Santo de Virgem, não era uma pessoa muito fácil de entender. Asmita, que estava meditando como sempre, não respondeu nada quando Dohko pediu permissão para passar pela sua casa. Aliviado, Dohko prosseguiu o seu caminho, mas foi interrompido pela voz de Asmita.

- Não deveria ir – disse Asmita.

- O que disse?

- Não deveria voltar ao Templo de Peixes.

- Do que está falando? – Dohko não podia acreditar no que seus ouvidos escutaram. Para começar, quem tinha dito que ele ia ou foi ao Templo de Peixes? E quem Asmita pensa que é para lhe dar ordens? Aliás, o que ele tinha a ver com isso?

- Você sente mal certo? – Asmita continuou – o que você tem feito ultimamente?

Dohko sentiu a raiva ascender em seu peito. Asmita também era caracterizado pela sua falta de tato, tinha o hábito de falar como se o mundo fosse povoado por ignorantes que necessitavam de seus ensinamentos. Ele não tinha nem tempo, muito menos vontade, de ouvir o que Asmita tinha a dizer.

- Não te interessa o que eu faço ou o que deixo de fazer, então você pode voltar a fazer o que sempre faz, se é que você faz alguma coisa.

- Eu acho que não faz sentido querer ajudar alguém que não quer ser ajudado – Asmita disse seriamente.

Na verdade Dohko estava surpreso com as duras palavras que tinham saído da boca de Asmita. Asmita não era o que poderia ser chamado de amigo, mas tinha feito uma missão com ele há algum tempo atrás e é um Santo que merece respeito.

Dohko estava consciente disso e queria sair logo do Templo de Virgem. Ele não ia parar para descansar na casa de Libra e prosseguiria seu caminho. Assim que chegou o templo de Escorpião foi recebido por uma pessoa inesperada.

- Aquário...? – perguntou Dohko surpreso.

- Eu vim para cuidar de um problema – Disse Dégel. Parecia não querer dar maiores explicações e Dohko preferiu não perguntar. Em geral, é um pouco desconfortável ficar perto do aquariano, porque o ar ao seu redor parecia ser bem mais frio que o normal, mas agora Dohko se sentia agradavelmente bem.

Dentro do templo, Dohko pode ver o verdadeiro guardião, Kardia de Escorpião. Ele se encostou a um pilar e parecia um pouco triste, mas não perdeu o seu sádico sorriso.

- Qual é o problema Libra? Parece que viu uma assombração – Kardia brincou.

- Você está falando isso pra mim? Devia ter se olhado no espelho antes de sair do quarto – Dohko devolveu a brincadeira.

- Na verdade Kardia está certo, está tudo bem com você Dohko? – perguntou Dégel.

- Eu tive um dia ruim – Dohko respondeu. Ele estava cansado e queria evitar conversa, mas Dégel parecia lhe inspecionar atentamente.

- Aonde você vai agora?

- Eu quero encontrar com Albafica logo – Dohko sem perceber falou em voz alta. Kardia soltou uma exclamação de surpresa. Esse definitivamente não era o seu dia. Kardia agora lhe olhava com curiosidade e Dégel com um ar de desaprovação, mas era difícil de saber o que estavam pensando.

- Creio que você deveria voltar ao seu templo – disse Dégel, certo de que sua atitude era a mais sensata e normal do trio.

- Não, eu realmente tenho que ver o Patriarca, eu não posso voltar e nem é uma das minhas possibilidades.

- Eu realmente duvido que você esta preparado pra ir onde quer que você for – Dohko não pode acreditar no que Dégel dizia e muito menos quando ele parou a sua frente – eu não te deixarei passar.

- Ei Dégel, não se comporte como se esse fosse o seu templo – ouvir Kardia dizer, embora parecesse ter gostado muito.

Dohko olhou em silêncio para Dégel. Ele parecia estar muito serio e não tinha nenhuma intenção de deixá-lo passar. Por muito ele não queria admitir que estava debilitado e o aquariano parecia com uma barreira de gelo à sua frente.

- Eu te levarei até o seu templo, falarei com o Patriarca... e com Peixes – disse Dégel sem tirar os olhos de Dohko – e você, não saia da onde está Kardia.

Kardia protestou e apesar de Dohko também querer, Dégel estava pronto pra pegar o controle da situação e não havia nada e nem ninguém que pudesse impedir.

Quando chegaram ao templo, Dégel sugeriu descanso. Dohko estava chateado, mas ele não foi capaz de contrariar, ele se inclinou para trás e encostou a cabeça no travesseiro. Por alguns momentos ele se sentiu levado pelo vento de uma forte tempestade, mas aos poucos percebeu que tudo começou a se ajeitar.

As imagens que fluía em sua mente então eram perturbadoras. Viu Asmita ajoelhado no jardim de rosas venenosas da casa de Peixes. Asmita lhe falou com palavras confusas, mandando Dohko manter uma distância segura. No entanto Dohko chegou perto e viu Asmita estava ajoelhada ao lado de alguém, havia um corpo morto entre as rosas. O aroma rico tornou-se enjoado.

Nesse instante Dohko voltou à realidade e se deparou com dois olhos azuis vivos e cheios de preocupação. Albafica estava ao lado dele, será que ainda estava sonhando?

- Olá... desculpe por entrar sem pedir permissão, mas você está bem? – Albafica perguntou timidamente, Dohko esqueceu por um momento do mal dia que teve e se concentrou no belo garoto à sua frente. Dohko estendeu a mão para tocar no rosto de Albafica que sorriu.

- Desculpe por não ter ido hoje...

- Todos temos nossas obrigações e não precisa se preocupar, mas você esta bem mesmo?

A mão de Dohko deslizou até o pescoço de Albafica e fez um pouco de força para fazê-lo deitar ao seu lado, no começo ele ofereceu um pouco de resistência, mas logo cede e deitou sobre o peito de Dohko.

- Me alegro por você estar aqui, então não se preocupe.

- Também estou feliz por estar aqui – embora Dohko não pudesse ver de sua posição, um belo sorriso apareceu no rosto de Albafica – mas não vim incomodar você, Aquário disse que é melhor te deixar descansando.

-Aquário é exagerado, age como se ele soubesse mais que tudo e todos e eu só estou um pouco cansado.

-Mas então eu deve te deixar sozinho – murmurou Albafica afastando um pouco e sendo para por Dohko que lhe envolveu a cintura. As mãos de Dohko estavam firmes e Albafica secretamente deseja que elas percorressem mais a sua pele.

-Nunca vi alguém tão perfeito – disse Dohko ao pisciano diante de sí. O que ele sentia era quase irreal.

Albafica já estava acostumado à ouvir isso, tanto que já estavam pegando gosto até. Ele se sentiu em desvantagem, como se a sua beleza fosse um obstáculo para eles realmente apreciarem o que ele realmente era. Mas quando essas palavras saíam da boca de Dohko era diferente. Ele podia sentir uma cocega de alegria em seu corpo.

-E se eu não vê-lo?

-Não estava me referindo apenas de como você vê.

Dohko aparentemente tinha dado a resposta correta, porque Albafica não podia resistir à vontade de beijá-lo profundamente, deixando de fora as formalidades. Dohko não esperou aquela reação, mas atraiu mais seus corpos deixando ainda mais confusos. O íscno parecia ser feito de essência de rosas. O calor dos lábios de Albafica deu a Dohko uma deliciosa que o encheu de vontade de devorá-lo e torná-lo completamente seu. Mas nesse momento houve uma interrupção.

-Alguém está vindo – disse Dohko. Logo Albafica lhe soltou e tentou dar um jeito no cabelo desarrumado.

A pessoa que veio foi outro de seus companheiros, El Cid de Capricórnio. Ele manteve uma distancia segura, esperando a permissão para seguir em frente.

-Capricórnio, em..- Dohko disse. El Cid caminhou em direção a eles, e Dohko não pode deixar de notar que o olhar de Capricórnio inevitavelmente não desviava de Albafica, que olhava estavaolhando o chão.

-Espero não estar incomodando, mas Aquário te mandou isso – El Cid estendeu uma mão revelando uma garrafa – disse que vai melhorar se tomar isso.

-Obrigado – respondeu Dohko pegando o recipiente. Era tão dificil ´pensar alguém além daquilo para falar ao amigo. Um silêncio constrangedor se instalou no templo. El Cid seguia dedicando furtivos olhares para Albafica, apesar de tentar escondê-los. Albafica parecia não notar, pois não se movera desde que El Cid chegou. Após alguns momentos, que parecerão uma eternidade, o espanhol falou:

-Aquário me pediu para lhe dizer que deve descansar – justo quando Dohko estava bravo com aquariano, que metia seu nariz aonde não era chamado, El Cid disse – Além disso, ele disse que era inadequado entrar em contato com outras pessoas sem saber o que você tem, pode ser contagioso.

Dohko prendeu a respiração e pensou em Albafica. Ele se sentiu um pouco culpado por não ter pensado na possibilidade. Se a sua atitude inpensada causasse algum dano, ele não poderia se perdoar.

-Albafica, eu acho que desta vez Dégel está certo – o pisciano de afastou um pouco, com desapontamento no olhar.

Albafica não podia ajudar, mas assentiu com a cabeça e se levantou. Pela primeira vez olhou para El Cid que parecia tenso.

-Então eu vou voltar para o meu templo, te vejo em breve Dohko?

-Com certeza, Albafica – Dohko não pode conter um sorriso bobo.

Ouvindo essa conversa, El Cid lutou para encontrar as palavras certas para intervir na conversa. Não tinha mede de enfrentar qualquer inimigo e também estava disposto à morrer por Athena, mas teve grande dificuldade em se expressar naquele momento.

-Posso acompanhá-lo até seu templo, Peixes?

Pouco depois os dois santos se afastaram da casa de Libra. Albafica não parou de pensar em Dohko. Ele tinha um mal pressentimento sobre isso, mas mentalmente repetiu que seus medos eram infundados. Tudo estaria bem. Além disse, teve a oportunidade de conhecer outro cavaleiro de ouro sem deixar uma má impressão. Mas não era fácil pensar em um assunto, por isso perguntou o que lhe veio na cabeça.

-O que você está pensando? — Albafica, enquanto estudava El Cid com o canto do olho. O menino permaneceu em pé, olhando o horizonte. Em seus olhos refletiam a primavera. Ele andava com muita segurança.

Albafica, há muito tempo eu queria te conhecer e lhe dizer o que sinto por você...

Quando escutou a pergunta, El Cid foi acordado de seus pensamentos.

-Eu estava pensando sobre... Athena e nosso dever como cavaleiros – El Cid de um leve tossido.

Albafica, Cavaleiro de Peixes, há muito tempo queria te conhecer...

-Ah... — Albafica assentiu, não podia esperar menos de um Cavaleiro de Ouro. Em primeiro lugar era o Amor e a Justiça. Amor... uma palavra tão pequena com um enorme significado.

-Peixes, eu queria te conhecer.

-Hã? Eu?

-Sim, do meu templo eu posso ver o seu à distancia e as vezes posso te ver em um jardim florido.

-Está certo, eu acho que também te vejo às vezes.

O silêncio constrangedor havia voltado.

-Eu não saio muito de casa, por isso não conheço quase ninguém – Albafica acrescentou.

Então El Cid pareceu entender.

-Posso perguntar porque você deixou sua casa?

Albafica pensou em contar um meia verdade, mas algo em seu semblante sóbrio lhe deu confiança. Não sabia se podia acreditar em El Cid, mas esperava que sim. Ele procurou a resposta nos olhos de El Cid, que olhou para trás com calma e sem nenhum vestígio de maldade. O pisciano se aproximou dele, como se as pedras antigas do Santuário pudessem ouvi-los.

-Desde que eu conheci Dohko nada mais é o mesmo.., — ele começou incapaz de reprimir o seu sentimento – ontem ele tinha prometido que ia voltar para me visitar, e vendo que as horas passaram tive que ver onde ele estava – El Cid ouvia atentamente – Não sei o que esta acontecendo, mas quero estar com ele o tempo todo.

-Mas se você fizer isso, que cuidará da casa de Peixes? — El Cid falou a primeira coisa que lhe surgiu na cabeça, mas se arrependeu profundamente por sua burrice.

Albafica parecia estar um pouco confuso.

-Foi apenas uma coisa que me passou pela cabeça – disse El Cid, corando.

Se algo se quebrará no peito de Capricórnio, seu rosto nunca iria lhe trair. Ele balançou a cabeça, o desejo de continuar contido em mil camadas de orgulho, e continuar à observar cada movimento de Albafica. Era mais belo do que todas as flores, até mais linfo que o por do sol.

Albafica, fique ao meu lado...

Ao chegarem no templo de Peixes, Albafica correu até as escadas do templo como uma criança feliz por estar em casa. El Cid não pode deixar de sorrir ao ver a cena e corre atrás do pisciano. Ao fazer um leve reverência para se despedir, seus olhos congelaram perto dos pés de Albafica. Próximo a entrada havia uma flor mucha, esquecida sob o sol da tarde.

-Ah! — Albafica exclamou e se inclinou para pegá-la imediatamente. As folhas já secas se despedaçaram quando o pisciano tentou sentir o cheiro da rosa. Ele não podia se perdoar por ter feito aquilo com a pobre planta – Acho que essa eu perdi – mas quando voltou a colocar os olhos sob o homem a sua frente se assustou um pouco. Sua figura elegante parecia destilar tristeza. A sensação de confiança e força haviam desaparecido de seus olhos, seus olhos se tornaram espelhos opacos que só refletiam sombras – O que houve, Capricórnio?

Capricórnio deu alguns passos e tomou a rosa das mão de Albafica.

Eu fico com essa rosa – disse El Cid, quase inaudível.

Albafica não havia, porem algo estava errado. Quando trocaram os olhares, os olhos de El Cid se encheram de lágrimas.

-Capricórnio, eu...

-Se Dohko é capaz de te amar e lhe fazer feliz... que assim seja – Ele se inclinou para perto de Albafica, e depositou um beijo em seus lábios. El Cid deu um sorriso e desfez os passos – deixe que eu guarde esse beijo como uma doce lembrança sua.

Albafica entrou e se escorou em uma parede de seu templo. Na manhã seguinte não havia nenhuma rosa mágica para deixar aquele branco templo com mais vida.

--//--

-Você quer dizer que Capricórnio estava apaixonado por Albafica? — Shi8on pergutou, incrédulo.

-Parece que sim.

-Mas como você sabe disso?

-Albafica me disse na manhã seguinte – Dohko disse baixinho.

-E você?

-Eu...?

-Você também... gostava de Albafica?

Dohko sabia que essa pergunta seria feita, mas ainda não sabia como responder.

Demorou algum tempo para pensar antes de continuar com a história.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.