Jar Of Hearts

18 Do you think about us?


Londres – 7 meses atrás.

—CECILIA!!!

Foi a última coisa que eu ouvi, antes do meu corpo bater na água gelada. O tiro do Marc foi certeiro no meu ombro, a dor foi intensa, foi o mesmo ombro aonde Heiner havia acertado. Victor estava lá embaixo me aguardando. Tive que ficar imersa por alguns segundos até Victor aparecer e conseguir me tirar da água por uma galeria pluvial e assim deixando o outro corpo. A peça que trouxemos do necrotério era muito semelhante a mim, no calor do momento passaria despercebido. Ele me fez um curativo antes de prosseguirmos e me deu roupas secas para que eu pudesse retirar meu vestido. Vestimos o cadáver e o jogamos na água. Andamos por quase 3 km até chegar ao carro e depois Victor me levou para fora de Out of the woods.

Victor era o zelador da universidade, deixei ele responsável pelo armazenamento dos jarros, quando ele mesmo pensava que era de um animal. Mas a quem eu queria enganar? Foi um erro ou um acerto? Ele trabalhou por anos na faculdade de medicina, ele sabia que era um coração humano, então ele foi até mim para arrancar mais dinheiro, cada vez mais evolvido. Quando a polícia interveio na Irlanda, eu fui até ele para dizer que se ele abrisse a boca, eu faria um casaco de pele e o material principal seria a pele da filha dele. Obviamente eu não faria isso, era só uma criança, mas precisava manter ele de boca fechada e foi o que encontrei naquele momento. Ele se tornou ambicioso, chegando a fazer um curso de auxiliar de necropsia. O que mais me surpreendia em relação as pessoas que passavam em meu caminho, era que ou elas se rebelavam, ou pegava gosto por minha “missão”. Victor me ajudou no armazenamento do coração de Heardgreaves e Cobe, os demais Victor conseguia vender por um bom dinheiro na Deep Web. Há um louco para cada coisa.

Londres – 1 ano antes do casamento.

—Chegou o grande dia Victor. Ele vai propor hoje, no mesmo lugar onde a mãe dele me humilhou.

Eu rodopiava. Colhi uma flor ali perto e coloquei em meu cabelo. Victor andava pelas ruas de Londres me observando em silêncio.

—Como vai a Peyton?

Ele deu de ombros e balançou a cabeça negativamente.

—Passando por uma fase irritante chamada de “Adolescência”. Ela agradeceu o presente que mandou para ela. Não sei porque deu uma adaga a minha filha.

—Meu pai me deu uma quando eu era menor que ela. Achei que ela fosse gostar. Cuide dela. Foi nessa fase que eu descobri meu hobi. Não deixe existir outra eu no mundo.

Sorri de forma irônica.

—Até porque é impossível. Eu sou um fenômeno único.

—Você fala como se fosse um vampiro que necessita de sangue para viver.

Ele toma um gole do café olhando para mim.

—Eu falo assim, porque é exatamente assim. Eu só não bebo sangue. Mas o êxtase?! É surreal. As vezes até penso que você sente. Esse tempo todo comigo…

—Faço pelo dinheiro e pela minha filha.

—Ah Victor pelo amor de Deus. Essa desculpa você me conta a mais ou menos uns 7 anos. Não cola mais. Você pegou gosto pela morte. Não é diferente de mim só porque eu faço amor com ela.

Mordi os lábios relembrando a sensação vivida a anos atrás.

—Você é louca Amelia. Você atrai a escuridão das pessoas.

—Obrigada.

Passamos pela Baker Street e fomos tomar um café de forma afastada, para que pudéssemos conversar.

—Como acha que vai sair depois que contar tudo?

—Victor, eles não conseguirão me pegar. Eles não pegaram até agora.

—E a garota? Como está indo a recuperação?

—Está rápida, tem já cento e vinte dias, ela está muito parecida comigo. E com tudo que tem dentro do rio, a pele dela ficará machucada. Na hora do desespero ninguém vai tirar as provas.

—E o vestido?

—Vai estar molhado, difícil de retirar, mas vamos ter de ser rápidos.

—Tem algo que você não pode prevê, Amelia…

Olhava de longe Martin chegar acompanhado de Theodore e entrar em um prédio de apartamentos simples ali próximos.

—Bem na hora.

—Amelia…

—Marc, você está preocupado com Marc me matar.

—Não me leve a mal, mas você mesmo disse que ele foi atrás da Paola para te esquecer.

—É com isso que eu conto Victor, eu sou inesquecível. E eu sei que ele ainda sente, porque eu também sinto.

—Você? Amando alguém?

Ele começou a rir. Eu o fitei.

—A intimidade Victor te faz esquecer quem eu sou, mas eu afirmo você que eu estou ouvindo seu coração bater, quer que ele pare?

Victor travou o maxilar e engoliu seco.

—Que bom que nos damos certo. Em relação ao Marc não se preocupe, ele luta internamente com a moral dele, mas ele sabe exatamente o que ele quer. Se não se importa, preciso ir. Vou me encontrar com a estilista responsável pelo meu vestido de noiva.

—Como tem tanta certeza que ele vai te pedir em casamento, se ainda nem aconteceu?

—Eu encomendei as alianças que ele comprou hoje de manhã.

—Parece que o mal realiza seus fetiches.

—Eu sou o mal, Victor, eu sou realizada por mim mesma.

Tinha acabado de transar com Theo. Pra uma pessoa apaixonada por sexo, não sentir tesão e nem orgasmo é frustrante. Ele havia virado pro lado e já estava dormindo. Eu por outro lado me levantei para tomar um banho. Ouvi a porta se abrir bruscamente e uma voz masculina seguido de um barulho como se alguém tivesse pulado na cama.

—Você está pelado Rafael e suado também, que nojo!

Marc.

—O que tá fazendo aqui? Pensei que só voltasse mês que vêm.

—Bom, o serviço acabou e me liberaram para fazer o relatório de casa. Vamos, se veste, vamos sair.

—Atrapalho rapazes? Podemos fazer algo a três, pornô gay é excitante.

Sai do banheiro enrolada na toalha. O semblante de Marc caiu de imediato, como se ele tivesse visto um fantasma.

—Cecilia?

Ele sussurrou.

—Quem é Cecilia?

—Marc, você anda trabalhando muito, não acha? Essa é minha noiva, Amelia Hailey. Amelia, esse é meu melhor amigo…

—Marc Ferrow.

—Conhece ele?

—Acompanhei de perto o caso do “Jarro de corações”. Você é um heroi.

Ele ficou calado.

—Vocês vão sair?

—Bom…

Ele limpou a garganta.

—Pensei em irmos em uma boate.

—Garotas são permitidas?

—Claro. Se o Theo não se importar é claro.

—Feeeestaaaaaaaa.

(Ouça a música ‘Think about us – Litte mix’ nessa parte da história).

No caminho, Marc fumava um cigarro me olhando pelo espelho retrovisor, enquanto Theo contava tudo sobre os últimos meses que ele esteve fora.

—Foi uma festa e tanto então…

Ele falou.

—Queria que estivesse aqui quando aconteceu.

—Eu realmente devia estar aqui quando tudo aconteceu.

Fomos a KOKO, uma balada intensa de Londres. Chegando lá, eles começaram a beber, mas Marc não tirava os olhos de mim.

—Se continuar olhando minha noiva assim, eu vou ficar com ciúmes, irmão.

—Me desculpe.

Ele disse piscando os olhos várias vezes.

—Ela me parece familiar, chega ser assustador.

—Theo, dança comigo?

—Bae, você sabe que eu tenho dois pés esquerdos, certo?

—Marc… Dança comigo?

Ele olhou para o Theo.

—Pode ir, eu não me importo não, ele não tem olhos para outro homem.

Fé cega. Isso me diverte. Entramos no meio da multidão. Eu colava meu corpo no dele, sentia ele excitado. Fomos indo para o canto da boate aonde havia áreas privativas. Quando estávamos fora do alcance do meu noivo, ele me agarrou pelo braço e me levou para uma das áreas privativas.

—O que pensa que está fazendo? Se aproximou dele novamente? Esse era o objetivo? Matar ele? Não vou permitir isso!!!!

—Você já havia me visto antes, porque a surpresa agora?

Soltei meu braço e fiquei diante de um espelho.

—Eu não sabia que era você. Eu descobri sua nova fazer quando fui passar essa temporada em Portugal… Você matou a Paola…

Ele se sentou. Eu permaneci olhando para o espelho.

—Você matou todas aquelas pessoas.

Funcionou como um estalo na cabeça dele.

—E vai fazer o que a respeito?

Ele se levantou e me segurou pelo pescoço me jogando contra a parede.

—Eu vou levar você agora!

—Sob qual acusação? Você entrou no inferno que eu vivi.

Falei com dificuldade sentindo a falta de ar. Ele me soltou. Segurou a própria cabeça e socou a parede.

—Você vai embora.

—Eu não vou a lugar algum. Quer vir atrás de mim Ferrow, vem, eu aguento! Mas vai ser um inferno entrar nesse jogo comigo.

—Cecilia eu amei você, eu amo você, você sabe disso, sabe que eu faria qualquer coisa por você… Mas aonde vai chegar com tudo isso? Por que eu não sou suficiente para você?

Ele chorou.

—Daria minha vida por você… Mas aonde estaria minha alma nisso tudo?

—Marc, você já está dançando com o diabo. Precisa descobrir se quer ficar ou se vai lutar contra.

Me aproximei pegando o rosto dele em mãos. Encosto minha testa na dele.

—Você é a única pessoa que me sobrou, por quem eu ainda tenho sentimentos, além da minha vingança. Podemos ficar juntos para sempre, mas está aqui.

Coloco a mão dele sobre meu peito.

—Eu preciso fazer isso, porque ainda me consome, dói, me mata dia após dia. Você viu o que a dor fez comigo, viu o que me fez orquestrar… Quer ser suficiente? Arranque do meu peito o que toma o seu lugar.

Antes de sair da área privada, olhei para ele uma última vez.

—Nunca tive intenção de matar ele. Eu vou fazer ele sofrer toda a humilhação que sofri, por ele ser rico, perfeito e com futuro… Eu era uma garota pobre, gorda e cheia de sonhos. O pênis de ouro dele me humilhou, eu vou devolver a humilhação, da forma que todos merecem. Eu amo você.

Sai e busca de Theo pela festa. Ele estava no bar ainda bebendo. Voltei para a pista de dança com os olhos cheios de água. Eu desistiria por ele? Sim! Então por que não consigo fazer? Fui até o bar e peguei um comprimido de LSD na minha bolsa e o engoli com o Whisky que o Theo bebia. Beijei o Theo e voltei para o meio do salão. Enquanto eu dançava senti as mãos de alguém sobre meu corpo. Pensei que era Theo, mas quando me virei era Marc.

—Eu não consigo tirar você da minha mente. Você é dona dos meus sonhos. Preciso de você.

Fiquei de frente para ele.

—Existe um preço. E é caro.

—Eu pago o preço que for, e nesse momento eu preciso estar dentro de você.

—Vai ter que esperar um pouco.

As mãos dele subiam pela lateral do meu corpo e foram parar em meus cabelos. Os arrepios não parava, esse homem tinha um poder sobre mim que me deixava desconcertada. Engoli seco.

—Vamos para casa.

Theo segurou em minha mão. Estava bêbado.

—Vamos.

Chegando em casa ele caiu pesado na cama e dormiu. Eu podia ouvir os gemidos do Marc enquanto ele se masturbava no outro quarto. Eu estava muito molhada. Andei na ponta dos pés e abri a porta do quarto dele. Ele estava suado e avermelhado, ainda não havia gozado.

—Não podemos transar. Pelo menos não por enquanto.

Minha boca salivava.

—Então o que faz aqui?

Ele acariciava o membro grande e duro. Meu canal vaginal contraia. Tirei o Hobe mostrando meu corpo nu. Ele ainda não havia me visto depois das mudanças em meu corpo. Ele se levantou e ficou de joelhos na minha frente. Seu membro pulsava. Ele me cheirava, beijava, mordia se deliciava de mim. Eu estava prestes a gozar sem ele ter chegado ao ponto de prazer do meu corpo. Eu senti a língua dele adentrar minha intimidade e tive que me segurar nele. Ele me invadia. Seus dedos me violavam de forma que esqueci quantas vezes gozei. Fiquei de joelhos para aquele homem, e ele enfiou o membro com força dentro da minha boca, eu não tinha reação, a vontade dele de estar dentro de mim era tão grande que ele me fez engasgar várias vezes até gozar em todo meu corpo. Tomei um banho e fiquei olhando pela janela.

—Eu ainda estou excitado. Por que não podemos transar…?

—Ao seu tempo. Tenho um momento especial para isso e você saberá quando puder acontecer.

Londres – 7 meses apôs o casamento.

Marc havia acabado de sair. Eu me levantei, tomei um banho e fui até o escritório. A campainha tocou. Provavelmente seria algum dos nossos vizinhos. Tinha uma vizinha que adorava me trazer bolos. Quando eu abri a porta eu tive certeza que não eram bolos deliciosos que haviam me trago.

—Eu saia que você estava viva! Esse filho… Você está…

Theo apontou uma arma para mim e foi entrando dentro da minha casa. Eu fui dando passos leves. Olhei para a porta dos fundos e ela estava aberta. Dava direto pro jardim e para outra casa. Quando movi o pé ele atirou e pegou no espelho atrás de mim.

—Se eu fosse você eu não fazia isso.

Coloquei a mão na minha barriga sentindo Cecilia mexer.

—Espero que tenha aproveitado o filho da puta do Marc, porque foi a última vez que o viu.

Notas finais
Sem palavras! Xoxo - Ruiva (Red).